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quarta-feira, 24 de maio de 2023

NÓS AMAMOS VINI JR * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

NÓS AMAMOS VINI JR
Futebol e Política - Xadrez Político
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O preconceito contra Vini JR. Notícias políticas em destaque - com Jair Galvão & Ivan Martins.

&
Poema para meu irmão branco

Meu irmão branco...


Quando eu nasci, eu era negro

Quando eu cresci, eu era negro

Quando eu vou ao sol, eu sou negro

Quando eu estou com frio, eu sou negro

Quando eu estou com medo, eu sou negro

Quando eu estou doente, eu sou negro

Quando eu morrer, eu serei negro.


E Você Homem Branco...

Quando você nasceu, era rosa

Quando você cresceu, era branco.

Quando você vai ao sol, fica vermelho.

Quando você fica com frio, fica roxo.

Quando você está com medo, fica branco.

Quando você fica doente, fica verde.

Quando você morrer, ficará cinza.


Depois de tudo isso Homem Branco,

você ainda tem o topete

de me chamar de homem de cor?


Léopold Sédar Senghor - Senegal
EDUARDO GALEANO

sábado, 6 de novembro de 2021

O Rei contra os Ditadores * Joel Paviotti

 O Rei contra os Ditadores 

O jogador que encarou os generais argentinos e brasileiros e ajudou a desvendar o maior esquema de tortura da história da América do Sul 

O ano era 1977, e o Atlético Mineiro tinha um time de causar inveja. Em seu elenco, o principal nome era Reinaldo, centroavante muito rápido e goleador, que foi artilheiro daquela edição do Campeonato Brasileiro. 

Reinaldo comemorava gols com o braço levantado em riste, com punhos cerrados. Gesto atribuído ao símbolo internacional de luta por direitos humanos e sociais e incorporado à luta antirracista com os Panteras Negras. 

Durante o ano de 1978, a pressão pela convocação de Reinaldo era reprovada pelos generais brasileiros que, na época, o consideravam de esquerda e subversivo. 


No período, a seleção brasileira tinha em seu quadro de cartolas mais de 50% de membros do Exército. Porém, a pressão foi tão grande que acabaram levando o jogador. 


Durante os últimos jogos da seleção em território nacional, o presidente do Brasil, General Geisel, chamou Reinaldo para uma conversa e "recomendou" que se ele fizesse gol, não se atrevesse a comemorar como sempre fazia, pois aquela comemoração era coisa de comunista.


Malas prontas, desembarque no aeroporto de Buenos Aires, a Copa do Mundo de 1978 começou na Argentina. Assim como o Brasil, o país vivia uma sangrenta Ditadura Militar, comandada pelo General Videla. 

O jogo de estreia do Brasil foi contra a Suécia. Reinaldo e Zico estavam jogando muito. Reinaldo, então, fez um gol e, após segundos de hesitação, soltou o gesto dos Black Panthers. 


O atleta não jogaria mais pela seleção, foi sacado e nunca mais colocado naquela Copa. 


No hotel, Reinaldo recebeu um envelope com um relatório. O documento contava a história da "Operação Condor", uma cooperação entre países sul-americanos para matar e torturar possíveis inimigos do Regime, principalmente políticos. A documentação revelava que políticos importantes chilenos foram mortos pela sanguinária Ditadura de Pinochet e que a morte do ex-presidente JK, no Brasil, foi fruto da operação. 


Como não entendia espanhol direito, e de posse de um documento importante, o que o jogador conseguiu entender já foi suficiente para compreender sua missão. Ele, então, procurou o amigo Gonzaguinha, que tinha contatos com movimentos sociais e instituições ligadas aos direitos humanos e entregou os documentos. Aqueles papéis foram extremamente importantes para aumentar o desgaste na imagem internacional dos generais sul-americanos e também para elucidar crimes contra a humanidade cometidos por eles. 


Por fim, Reinaldo se tornou um dos maiores jogadores da história da América do Sul e não foi só pelo talento e pelo futebol, mas sim por alterar os rumos da história.


Texto - Joel Paviotti

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