quinta-feira, 20 de agosto de 2026

OS TRABALHADORES E AS ELEIÇÕES 2026 * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

OS TRABALHADORES E AS ELEIÇÕES 2026
Nota pública da Frente Revolucionária dos Trabalhadores (FRT) sobre as eleições brasileiras.


O período eleitoral no Brasil já está aberto. Em 2026 as eleições abarcam a presidência da república, governadores e cargos parlamentares.

O fator marcante nas eleições brasileiras desde há muito, tem sido a mais completa carência de qualquer debate sério sobre os grandes temas de interesse nacional e do povo trabalhador.
Especialmente em 2026, temos , em relação à disputa presidencial (o cerne eleitoral no país), em linhas gerais a manutenção do projeto liberal dependente, que tem amarrado o Brasil na cadeia da subserviência diante do rentismo internacional e do latifúndio "moderno", alcunhado pelo nome pomposo de "agronegócio".

O Brasil está absolutamente entregue ao capital financeiro imperialista, sobretudo desde o advento do famigerado Plano Real, dos anos 1990. De lá para cá, independente de quem seja o gerente da vez a ocupar o Palácio do Planalto, o modelo econômico rentista e exportador primário permanece.

Nos últimos 30 anos, o regime neoliberal de reprodução do capitalismo dependente brasileiro foi consolidado e institucionalizado. A institucionalização das metas de superávit primário, teto de gastos--sociais--, arcabouço fiscal, remuneração da sobra dos caixas de bancos, etc., nada mais são do que o reflexo da dominância do Estado brasileiro, por grupos de parasitas membros das altas cúpulas do sistema financeiro internacional.

Na divisão mundial do trabalho, o Brasil passa por uma profunda regressão, se comparado há cerca de 50 anos atrás. O país que possuía um setor manufatureiro pujante, apesar da estrutura dependente da industrialização nacional, hoje tornou-se o grande centro mundial de valorização do capital rentista e vadio, devido às maiores taxas de juros do planeta.

Desde os anos de 1990, o país gasta, em média, metade do seu orçamento público com a remuneração da dívida pública (externa e interna) aos grandes sangues sugas e magnatas imperialistas, comungados com a burguesia lumpen brasileira, parasitando as riquezas e potenciais de nossa nação.

Os governos petistas, por exemplo, mantiveram intacto em todos os seus mandatos, absolutamente todo o conjunto do regime neoliberal de reprodução do capitalismo no Brasil.

Lógico, precisamos ser responsáveis, não estamos colocando um selo de iguais entre petismo e bolsonarismo; pois o primeiro administra o suicídio da nação a conta gotas, enquanto o segundo pretende degolar e estropiar sem piedade e de uma vez o povo trabalhador. E isso não é pouca coisa para a massa trabalhadora em seu cotidiano na luta pela sobrevivência.

Na verdade, independente de quem ganhe o pleito eleitoral deste ano, os interesses das frações dominantes do capitalismo brasileiro--leia-se o capital financeiro, os latifundiários, o capital comercial monopolista--estarão assegurados.

O ministro da fazenda do atual governo, Dário Durigan, por exemplo, já sinalizou que num próximo mandato, a equipe econômica de Lula teria de atacar os pisos constitucionais da saúde e educação, avançar sobre o salário mínimo dos aposentados e estrangular até o limite, o Benefício de Prestação Continuada, que atinge as parcelas mais empobrecidas das massas, para garantir a manutenção do odioso arcabouço fiscal, menina dos olhos dos parasitas agiotas que dão as cartas na economia nacional.

Por outro lado, uma presidência de Flávio Bolsonaro significaria com toda certeza, a completa entrega sem peias, do país ao imperialismo americano.

As forças imperialistas, diante do agravamento de sua crise de hegemonia e por conta da derrota que vêm sofrendo militarmente para o Irã, o que coloca em xeque sua dominação inconteste no Golfo Pérsico ameaçando inclusive o sistema do petrodólares, obriga Washington a recrudescer sua agressividade neocolonial e centrar fogo contra todos os países da América Latina.

A corrida para dominar por completo e de forma direta as fontes de minerais críticos, água doce, reservas de petróleo, biodiversidade, etc., em nossa região, exige da parte dos estrategistas imperiais uma ofensiva muito dura e contra nossos países.

O "corolário" trumpista da Doutrina Monroe e do Destino Manifesto, levado a cabo pela anturragem supremacista e fascio-sionista que compõem o atual governo criminoso em Washington, expressa essa necessidade imperialista para contra arrastar sua crise e decadência histórica.

A agressividade acelerada e radical que os peões da extrema direita latinoamericana impõe contra os trabalhadores nos países que gerenciam, expõe claramente o que certamente ocorrerá com o Brasil num suposto novo governo Bolsonaro, agora o filho.

Para não falar das implicações geopolíticas e seu significado para o povo cubano, por exemplo. Um Brasil governado pela extrema direita neocolonial fascista, significaria na prática, um avanço qualitativo do domínio imperialista direto, colonial em toda a nossa região. Também abriria a quase certa possibilidade de um regime de caráter terrorista estatal ascender sobre nosso país.
Por outro lado nunca as massas trabalhadoras em nosso país estiveram tão órfãs politicamente e ideologicamente como agora.

A esquerda brasileira se encontra praticamente ausente, fragmentada, sem rumo, sem programa e sem projeto.
Em tais circunstâncias históricas gravíssimas, não podemos de forma nenhuma permitir que a extrema direita bolsonarista procônsul da Casa Branca assuma o comando direto da máquina estatal no país.

E isso vai além do debate em torno da campanha pelo voto nulo, como alguns setores da esquerda têm defendido, ou apoiar acriticamente o governo neoliberal de Lula.

Aqui entra uma importante consideração de ordem tática:
Seria o mesmo, para um trabalhador individual e mesmo para o conjunto da classe, se deparar com um governo oportunista, demagogico, porém sem condições políticas por sua origem social e composição, de impor sobre as massas populares uma radical terapia de choque monetarista ultraliberal como o grande capital necessita; do que enfrentar a extrema direita abertamente fascistóide, que se declara comprometida em suprimir a ferro e fogo as conquistas sociais e ávida por participar diretamente, abrindo mão de intermediários, da entrega sem precedentes da nação ao Imperialismo?

Seria o mesmo para a classe operária argentina, por exemplo, em tais circunstâncias históricas concretas, enfrentar um governo de Cristina Kirchner e Javier Milei?

Não se trata de uma suposta defesa simplista do "mau menor", como alguns nos acusarão. Mas de uma análise concreta da realidade brasileira e latinoamericana.

Numa conjuntura onde os trabalhadores se encon
tram desmobilizados, desorganizados, sem uma referência concreta de protagonismo político claro, seria trágico um governo da extrema direita tomar o Brasil hoje.

É preciso toda precaução para não cairmos num ultra esquerdismo semelhante ao que ocorreu com os partidos comunistas europeus quando adotaram a infantil postura sectária conhecida como o "terceiro período", e da teoria infantil conhecida como "social fascismo", comparando a social-democracia ao fascismo.

Com isso não queremos dizer que vivemos atualmente uma conjuntura idêntica aos europeus dos anos 1930/40. No entanto, também vivemos um momento muito grave e que requer o maior cuidado político possível.

Nessas condições, nós da Frente Revolucionária dos Trabalhadores, sem qualquer ilusão na possibilidade de Lula supostamente dar um giro em sua política liberal, avaliamos que a vitória petista seria muito menos danosa às condições de sobrevivência e luta de todo o proletariado e das massas populares no Brasil na atual conjuntura histórica concreta.

No entanto, os trabalhadores brasileiros não podem de forma nenhuma continuarem reféns e à mercê das disputas no interior da burguesia. Necessitam urgentemente construírem um projeto próprio e se constituírem como uma força política e social capaz de confrontar e superar o capitalismo e tomar os destinos da nação em suas mãos, coisa que o petismo e o lulismo já deram provas incontestes de fracasso e comprometimento com os interesses alheios aos do povo trabalhador.


FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES
FRT
20/08/2026

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A BATALHA DE 2026 * Liga Comunista Brasileira/LCB

A BATALHA DE 2026
O lançamento oficial da campanha de reeleição do Presidente Lula teve como palco a Vila Euclides, onde as memoráveis assembleias operárias aconteceram em fins dos anos 1970 e início dos anos de 1980. A escolha de um local que evoca a luta da classe trabalhadora é significativa. A LCB esteve presente, da maneira apontada nas suas resoluções, com identidade e material próprios.

Lula é filho da classe operária brasileira. Sua liderança reflete o nível de consciência e de organização da classe nos últimos 50 anos. A campanha de 2026 assume um outro caráter. Lula, por temperamento e compromissos com setores da classe dominante, jamais optaria por um enfrentamento direto com o imperialismo. Trump e Rubio elegeram o Brasil como o inimigo dos EUA no que eles chamam de hemisfério ocidental. O confronto passa a ser inevitável.

Trump e Rubio não escondem os preparativos para intervenção no processo eleitoral. Para tal contam com as big techs para azeitar a máquina de desinformação e de terror. Querem repetir aqui o que fizeram na Colômbia, no Peru e na Venezuela. Não irão se privar de todos os métodos para forçar a derrota eleitoral do atual governo. Para impedir que Trump e Rubio logrem concretizar seus intentos é necessário firmeza e clareza política. A ofensiva do imperialismo se dá em aliança com os setores fascistas da vida nacional.

A tática eleitoral dos comunistas e das forças de esquerda mais consequentes deve passar pelo objetivo de se derrotar o imperialismo e seus aliados fascistas. A vitória eleitoral de Lula, neste momento histórico, é parte da luta antiimperialista e antifascista. A derrota do fascismo é condição para a organização da classe trabalhadora, para que a luta política aconteça em melhores condições. A ascensão do fascismo implica na repressão aos movimentos populares e no abandono de qualquer pretensão de soberania nacional. A vitória dessa jornada eleitoral passa, necessariamente, pela mobilização massiva da classe trabalhadora e do povo.

O ato da Vila Euclides precisa ser o primeiro de muitos. A militância na rua é quem faz a disputa política, quem demonstra a disposição de mudança, quem emociona e leva à tomada de posição. É na rua que iremos convencer indecisos e ganhar o eleitorado que está capturado pelo fascismo por falta de perspectivas de vida e de futuro.

Esta é uma campanha em que aproveitar a indignação democrática e fazer alianças não basta. É preciso abrir perspectivas para o futuro. A aprovação da escala 6x1 é fundamental. Mas é preciso estender a proteção social e ao trabalho. Revogar a reforma trabalhista aprovada por Temer e aprofundada por Guedes-Bolsonaro, garantir direitos aos trabalhadores por aplicativo, barrar a precarização e a pejotização. A preservação das franquias democráticas e afirmação da soberania deve estar acompanhada no atendimento das necessidades e interesses da classe trabalhadora e do povo. Inicia-se uma jornada, onde a classe trabalhadora exerce papel central. Na tarefa de eleger Lula será preciso realizar uma campanha de massas, com independência de classe e propostas claras para as mudanças necessárias para o nosso país.

A batalha eleitoral de 2026 é decisiva para a classe trabalhadora e para o povo brasileiro.

sábado, 15 de agosto de 2026

TODA FORÇA À INTERNACIONAL ANTIFASCISTA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

TODA FORÇA À INTERNACIONAL ANTIFASCISTA
Diante do avanço neocolonial terrorista do imperialismo contra a América Latina: fortalecer a Internacional Antifascista
ROBERTO BERGOCI

Será realizado neste mês de agosto no Rio de Janeiro, a IV Reunião Nacional do Capítulo Brasil da Internacional Antifascista. De acordo com a declaração do encontro: "Nosso objetivo é fortalecer a luta antiimperialista, organizar e buscar a unidade entre os núcleos estaduais e municipais, fortalecendo a organização para a luta anticapitalista e antifascista, operando pela construção da soberania dos povos oprimidos e em luta, com vistas à construção da sociedade socialista".

A Frente Revolucionária dos Trabalhadores (FRT) saúda de forma entusiasta essa iniciativa. E como temos defendido desde nossa fundação (e o signo mesmo de nossa existência), toda iniciativa de luta e de combate contra o inimigo imperialista e as burguesias crioulas em nosso continente, que permita aproximar, aglutinar e unificar no mesmo bloco, os mais abnegados, corajosos e revolucionários elementos de nossa classe ou de setores sociais aliados, é bem vinda e contribui para o progresso da construção do programa da revolução socialista e da batalha antiimperialista.

O modo de produção capitalista na sua totalidade e em nível mundial, vive a mais grave crise de sua história e a mais clara manifestação do esgotamento absoluto desse modo de produção e de metabolismo social e em relação a própria natureza. De fato, é uma crise multifacetada, universal e civilizacional.

A decadência histórica que vive atualmente o sistema de dominação imperialista, é a face fenômenica mais clara desse declínio geral do regime burguês tardio.
Como resposta a sua crise e decadência, o imperialismo americano, personificação dos interesses de todas as frações dominantes da burguesia mundial, busca recrudescer seu domínio neocolonial dos povos oprimidos da periferia capitalista.

A América Latina por sua proximidade geográfica com os Estados Unidos e por estar inserida historicamente como uma zona de segurança geopolítica estratégica para Washington, sofre atualmente uma ofensiva recolonizadora duríssima.

A famigerada Doutrina Monroe e o chamado Destino Manifesto , duas das expressões doutrinárias da dominação colonial inconteste de nosso continente por parte do imperialismo americano, estão sendo recicladas para o atual período de decadência do regime terrorista estadunidense.

Os bandidos da Casa Branca buscam estabelecer um controle absoluto de nossa região, utilizando para isso, o serviço sujo de seus tradicionais lacaios e piões crioulos latino-americanos. O crescimento do neofascismo no continente é produto direto dessa decadência do capitalismo mundial e suas manifestações mais destrutivas nos países dependentes e subdesenvolvidos.

O Imperialismo tem fomentado através de seus serviços de inteligência, o crescimento do novo fascismo em Nossa América, comprometido radicalmente com as terapias de choque neoliberal, a serviço do capital financeiro monopolista.

As novas formas golpistas mobilizadas pelas guerras híbridas de quinta geração e as revoluções coloridas, estão sendo implementadas em praticamente todos os nossos países. Washington planeja o domínio completo de todas as fontes de recursos minerais estratégicos da América Latina; do nosso petróleo, água e recursos naturais e humanos.

Para isso, é imprescindível aos falcões imperialistas o controle geoestratégico da região e a remodelagem de todo o mapa geopolítico latinoamericano, utilizando sem vacilar para isso, a possibilidade real de recorrerem como no passado, ao terrorismo de Estado e a implementação de regimes neofascistas lumpens para quebrar a resistência das massas.

Diante de ameaça tão grave contra nossos povos, se faz cada vez mais urgente a construção de uma frente latinoamericana antiimperialista e antifascista. O momento é muito sério e não se pode perder tempo.

É imprescindível superar no interior das forças revolucionárias ou democráticas, a fragmentação e o divisionismo, no sentido de colocar em segundo plano, as divergências que sejam secundárias e de menor importância.

A construção de um bloco histórico antiimperialista e antifascista concreto e de luta, é uma das tarefas mais necessárias de nosso tempo histórico para fazer frente às reais ameaças dos maiores inimigos da humanidade.

O Capítulo Brasil da Frente Antifascista, é ao nosso ver, importante iniciativa e um embrião da possibilidade dessa construção de lutas coordenadas em nível internacional. 
Vida longa aos camaradas!
Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT
15/08/2026

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

SÓ O POVO PODERÁ DEFENDER O BRASIL * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA-LCB

SÓ O POVO PODERÁ DEFENDER O BRASIL
José Múcio, ministro da Defesa, protagonizou uma das maiores infâmias políticas dos últimos tempos. Perguntado sobre qual seria a reação do Brasil em caso de invasão dos Estados Unidos declarou que a única saída seria “abrir o portão”. Ou seja, deixar o imperialismo tomar conta do país sem oferecer qualquer resistência. A frase é um exemplo do entreguismo de setores das classes dominantes brasileiras e de expoentes de um ramo do aparelho de Estado, as forças armadas, cuja tarefa básica seria defender as fronteiras nacionais e garantir a integridade territorial da nação.

No mesmo dia da declaração feita por Múcio, os presidentes dos clubes militares lançam uma nota de teor golpista. Depois de anunciarem riscos à Nação, por não ter se dobrado aos ditames imperialistas de Trump, declaram ser “pouco provável que soluções consistentes surjam de um ambiente político marcado por sucessivas crises”.

Essas declarações foram precedidas por outra, feita pelo comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen. No final de julho, em entrevista à CNN Brasil, ele declarou, mesmo diante da escalada do conflito de Trump contra o Brasil, não acreditar em um ataque militar dos Estados Unidos, pois existiria um alinhamento doutrinário entre as forças navais de ambos os países.

Essas falas, feitas num intervalo de poucas semanais, revelam mais uma vez a atuação das forças armadas como um aparelho de Estado com agenda e interesses próprios. Elas não se subordinam aos interesses do povo e do país, mas ao funcionamento de uma burocracia estatal com interesses próprios, contrários aos interesses da coletividade nacional. Reclamam constantemente da falta de verbas, mas dos R$ 118,66 bilhões executados do orçamento em 2025, R$ 103,43 bilhões, ou 87,17% do total, foram gastos com soldos do pessoal ativo, mais pensões e pagamento dos inativos.

O problema central não se resume à necessidade de modernizar as forças, mas em uma doutrina de segurança nacional alinhada de modo subordinado aos interesses dos Estados Unidos. Como forças armadas de um país capitalista dependente elas historicamente tem atuado como primeira linha de defesa dos interesses imperialistas dentro do próprio país. Sua doutrina de segurança se preocupa muito mais com a “ameaça interna”, leia-se, os movimentos e organizações populares que lutam por transformações mesmo mínimas nas estruturas da sociedade brasileira.

Por isso, a fala de Múcio pode ser entendida, no contexto de aumento da escalada de ataques de Trump contra o Brasil, como um “convite”. Podem nos invadir à vontade que não ofereceremos resistência.

Com a soberania nacional ameaçada pela agressividade do imperialismo, vai ficando cada vez mais evidente quem pode e quer defender o Brasil de quem quer vendê-lo ao imperialismo.

Que Múcio, os presidentes dos clubes militares, o almirante e toda uma patota de lambe botas do imperialismo falem por si. O povo é diferente da classe dominante que o explora e oprime. Se alguns preferem a covardia de se esconderem em acordos e associações com o imperialismo, com certeza haverá gente do próprio povo disposta a lutar junto a setores militares nacionalistas.

A conjuntura está evoluindo cada vez mais para separar os vendilhões do Brasil dos verdadeiros filhos do povo dispostos a defender nossa soberania.

LIGA COMUNISTA BRASILEIRA-LCB

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

EDUARDO PAES PRIVATIZA O PARQUE OLIMPICO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

EDUARDO PAES PRIVATIZA O PARQUE OLIMPICO
Seguindo a onda privatista da agenda neoliberal, o "dudu demolições", como é conhecido o ex-prefeito Eduardo Paes no movimento de moradia, agora candidato a governo da Estado do Rio de Janeiro, acaba de realizar mais uma de suas tantas epopeias: privatizou o Parque Olímpico, o grande parque aonde foram realizacas as Olimpíadas de 2014. 

Segundo nosso levantamento, um dos argumentos para isso é a "falta de projeto" por parte do poder público, no caso, a prefeitura. Há inclusive alegações de que seria muito dispendioso para o erário público arcar com a gestão do que "ele, Eduardo Paes" chamou de "elefante branco. 

Acreditamos que seria, SIM, muito dispendioso para o erário municipal conferir a conta bancária da prefeitura, via on line,  e verificar, devidamente esgotada de cansaço, o montante arrecadado com aluguel de espaço para eventos de todo tipo, como veio realizando em todos esses anos de existência do parque. E esse cansaço é tão grande que "ELE, O DUDU DEMOLIÇÕES" preferiu se livrar de tanto dinheiro e jogar tudo nas mãos da família Medina, dona da marca ROCK'N RIO, num contrato de vinte anos. 

O mais interessante desse "rolo" é essa privatização se dar num momento eleitoral quando o prefeito sai pra concorrer ao governo do Estado. Não tem nada de estranho nisso? Ainda que essa "operação" tenha sido conduzida pelo Prefeito Interino, ficou muito estranha, porque o parque sempre deu lucro, muito lucro, pois todo evento particular realizado naquele esaço sempre foi cobrado. 

Mas não se surpreendam. Testem a quantas anda a onda privatista de Eduardo "demolições" Paes. Entrem numa escola ou posto de saude municipal e perguntem a um atendente se ele é servidor. Fizemos isso e obtivemos a resposta: PÚBLICO AQUI SÓ O PRÉDIO!

ABAIXO A ONDA PRIVATISTA NO RIO DE JANEIRO
DESDE LULA A EDUARDO PAES!

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Preparem-se para a nova ofensiva do Estado neoliberal logo após o pleito eleitoral * Giovanni Alves/SP

 Preparem-se para a nova ofensiva do Estado neoliberal logo após o pleito eleitoral

Com ou sem Lula, a oligarquia financeira articula o desmonte das garantias fundamentais: visa desvincular a Previdência Social do salário-mínimo, extinguir os pisos constitucionais da saúde e da educação, restringir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e impor uma Reforma Administrativa desenhada para sucatear e definhar, de forma definitiva, o serviço público.

A insaciabilidade da oligarquia financeira não conhece limites. Após solapar o direito histórico à aposentadoria, o alvo agora é o BPC, justamente em um momento em que a população brasileira envelhece aceleradamente. 

O resultado desse projeto é um país simultaneamente mais idoso, mais empobrecido, mais doente e mais endividado: este é o verdadeiro legado da austeridade fiscal e do neoliberalismo no Brasil.

Trata-se de uma operação deliberada para assolar as classes populares e os servidores públicos — eleitos como os alvos prioritários da racionalidade neoliberal.

Se reeleito, Lula será encarregado de gerenciar a versão 2.0 dessa própria agenda privatista e austera, reeditando a conciliação promovida em seu terceiro mandato. 

Trágico desfecho para a trajetória de um líder que se pretendia progressista. Pobre Brasil.

(Por Giovanni Alves).

sábado, 18 de julho de 2026

A DIREITA NÃO QUER QUE AS MULHERES VOTEM * Maria Teresa Cruz+Raquel Setz/Brasil de Fato

A DIREITA NÃO QUER QUE AS MULHERES VOTEM
Por que o voto feminino voltou a ser questionado pela extrema direita.

Em pleno 2026, um debate que parecia superado há quase um século retorna ao cenário político: a legitimidade do voto feminino. O que começou como um movimento em nichos da extrema direita nos Estados Unidos chegou no Brasil, impulsionado por influenciadores e figuras políticas conservadoras que questionam se as mulheres deveriam, de fato, participar das decisões democráticas.

Para a historiadora Joana Maria Pedro, professora emérita da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), esse fenômeno não é um caso isolado, mas uma estratégia recorrente em períodos de crise e autoritarismo.

“Não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece. Nos anos 1930, quando veio a crise da bolsa de valores, os empregos desapareceram, as fábricas quebraram, a economia quebrou, vários países cogitaram retirar direitos conquistados pelas mulheres”, alerta a pesquisadora. “O máximo que conseguiram foi parar os avanços”, completa, citando exemplos de Portugal, onde efetivamente o direito amplo ao voto feminino data de 1975, e da Alemanha nazista, quando mulheres perderam o direito de serem juízas ou ocuparem cargos em universidades, e a possibilidade de serem eleitas foi reduzida a zero.

No Brasil, o voto conquistado em 1932 era inicialmente restrito a mulheres viúvas ou solteiras com profissão, só se tornando plenamente obrigatório e equivalente ao dos homens em 1946. “Em todo esse período, havia o nazismo, os fascismos, salazarismo. No Brasil, nós tínhamos Getúlio Vargas, que também estancou as possibilidades de avanço, mas a gente não chegou a perder”, detalha. “A gente vai conseguir mesmo [ampliar o direito ao voto] em 1988, quando até votos de analfabetos serão conseguidos.”

Segundo Joana Maria Pedro, a fragilidade desses direitos reside na própria estrutura da sociedade ocidental. “Nós temos na nossa cultura ocidental a ideia de que o próprio direito individual vem com a sociedade burguesa. Se você olhar as narrativas gregas, que a burguesia do século 18 se utilizou, as mulheres não tinham direito algum a qualquer participação política. Aliás, nem eram todos os homens: somente homens com propriedades que poderiam participar das discussões políticas”, explica a historiadora, ressaltando que o modelo de “família ideal”, com a figura do homem provedor e a mulher dedicada ao lar, é uma invenção política para controlar o mercado de trabalho e a moralidade social.

Os argumentos atuais da extrema direita bolsonarista frequentemente classificam as mulheres como “más eleitoras” por suas inclinações políticas e pelo machismo sobre o qual se estrutura nossa sociedade. “O principal argumento é que haveria destruição da família, porque as mulheres que tinham uma constituição tão frágil, tão emocional, não saberiam votar, porque isso exige um raciocínio lógico do qual as mulheres tinham deficiência. Elas eram mais emoção do que razão”, explica.

Contudo, por trás dessa retórica, esconde-se um projeto econômico e social. Ao defender que o voto seja “por família” e, portanto, representado pelo homem, esses grupos buscam restaurar uma hierarquia que retira as mulheres da concorrência no mercado de trabalho em tempos de desemprego.

“Os colonizadores conquistaram os homens prometendo que eram eles que iam mandar. Nas famílias, era a voz deles que iria prevalecer, o mando deles que iria prevalecer. Então, quando eu vejo um pastor dizendo isso, eu entendo que ele está usando os livros religiosos, as questões religiosas, para ter de volta a tal família. Mas por que essa tal família é tão importante? Porque tira da concorrência de trabalho um contingente significativo de pessoas”, revela.

A pesquisadora aponta uma convergência com o pensamento neoliberal. “Esse discurso ajuda muito os empresários, porque, se o Estado não precisar de dinheiro para oferecer equipamentos para as famílias [como creches e saúde], não vai precisar de tantos impostos”, afirma Joana Maria Pedro.

A historiadora adverte que a maior ameaça ao voto feminino hoje não viria de uma canetada autoritária imediata, mas de um processo de convencimento moral por meio de doutrinas religiosas fundamentalistas. “O risco seria através da religião. Eu acho que é a coisa mais eficiente que existe. Se eles conseguirem, de fato, convencer a maioria das pessoas de que o voto das mulheres é uma coisa imoral perante Deus, que isso destrói a família sagrada, a gente perde o direito ao voto, assim como perde outros direitos”, pontua a professora.
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quarta-feira, 1 de julho de 2026

DERROTAR TRUMP E A AMEAÇA IMPERIALISTA * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA/LCB

DERROTAR TRUMP E A AMEAÇA IMPERIALISTA
A eleição presidencial de 2026 será um momento decisivo para o futuro da luta de classe no Brasil. O projeto da extrema-direita brasileira para a eleição de outubro é a de transformar o cargo de presidente da República em um encarregado de negócios dos interesses estadunidenses.

A revelação da carta de Marco Rubio, Secretário de Estado do governo Trump, equivalente ao nosso cargo de chanceler, enviada a Flávio Bolsonaro, revela o nível dessa sujeição política. Rubio agradece a Flávio, caso seja eleito presidente, por oferecer ao governo dos Estados Unidos participação na equipe de transição.

Nunca como antes a Independência do Brasil esteve sob o grau de ameaça hoje conhecido. Sempre tivemos, em nosso país, setores entreguistas e pró-imperialistas das classes dominantes. Sua associação com o imperialismo, primeiro britânico e depois estadunidense, foi uma constante em nossa história.

Porém, estamos na iminência de um aprofundamento dessa relação de dependência. Os Estados Unidos consideram a América Latina como uma reserva estratégica. A doutrina Monroe, com o lema “A América para os americanos”, cunhada há duzentos anos, é a expressão dessa estratégia.

A condição de liderança inconteste dos Estados Unidos do campo imperialista é colocada cada vez mais em xeque. Novos concorrentes internacionais, com destaque para a China, entraram em cena e desafiam o domínio estadunidense no campo comercial, tecnológico e militar. Por isso, a condição da América Latina de reserva estratégica dos Estados Unidos se torna ainda mais importante nos dias atuais.

Mas essa condição também está ameaçada. A presença chinesa na América Latina se tornou marcante. Atualmente, a China se tornou a maior parceira comercial do Brasil, Chile e Peru. Enquanto a China compra matérias-primas básicas dos nossos países, ela invade o mercado latino-americano com produtos industriais de alta tecnologia e investimentos em infraestrutura logística.

Para a Casa Branca é inadmissível essa presença em seu “quintal”. Sob o governo Trump, apoiado em segmentos locais de extrema-direita, os Estados Unidos aumentam sua ingerência nos assuntos domésticos dos países latino-americanos. Fazem-no de várias formas: com agressões militares e sequestro de presidentes, caso da Venezuela; operando fraudes eleitorais como no caso de Honduras e Colômbia; e elevando a agressividade do bloqueio a Cuba, incluindo ameaças de agressão militar.

Quanto ao Brasil, por enquanto, esse ataque é desferido na forma de sobretaxas aos nossos produtos exportados aos Estados Unidos, na tentativa de atacar o Pix, considerando-o uma concorrência desleal aos cartões de crédito gringos, e na classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas. Com a aproximação das eleições presidenciais, a interferência do governo Trump vai aumentar. O controle político do Brasil é peça essencial em seu projeto de controle absoluto da América Latina. Trump já declarou ser a eleição brasileira seu próximo desafio.

É preciso enfrentar essa ameaça. E a derrota da extrema-direita em outubro será determinante para o futuro da luta de classe no Brasil, bem como no conjunto da América Latina.

INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS: 250 ANOS DE GUERRAS E MASSACRES

Nesse 4 de julho, os EUA completam 250 anos de independência. Data menos festejada do que os dois séculos e meio possam significar. Os mais velhos lembram os festejos no já longínquo bicentenário. Os EUA comemoram sua data magna com a sua hegemonia desfaida por China e Rússia e lutando para recuperar sua indústria e sua capacidade de inovação tecnológica, utilizando a guerra e a ainda predominância financeira para tal.

Os EUA comemoram seus 250 anos de independência com um governo que vai contra tudo que os Pais Fundadores estruturam. Trump acaba com o chamado equilíbrio entre os poderes. Não respeita as decisões da Suprema Corte. Desafia permanentemente o Congresso. E o pior dos anátemas, atenta contra a autonomia dos estados.

Trump não é um ponto fora da curva entre as administrações presidenciais dos EUA. Todos os presidentes no século XX deram sua contribuição ao belicismo e à ofensiva imperialista. Logo após o reconhecimento das potências europeias à existência independente das antigas Treze Colônias, os EUA iniciaram sua expansão econômica e territorial. Primeiro, no norte do continente americano, às expensas dos nativos americanos e das antigas potências coloniais, França e Espanha. Depois do México, com a tomada de metade do território desse país, formando os estados do Texas, Arizona, Nevada, Novo México e Califórnia.

Depois de acertar contas com o Sul escravagista e monocultor na Guerra Secessão, os EUA ampliam seu expansionismo no exterior, que culminou na guerra contra a Espanha, criando um Império Colonial próprio, com Filipinas, Porto Rico, ilhas do Pacífico e submetendo Cuba a um estatuto quase colonial.

A participação dos EUA nas duas guerras mundiais foi o impulso para substituir as velhas potências europeias. Após o segundo conflito mundial, o poder do Império Estadunidense parecia incontestável. Com seu território não devastado pela guerra, os EUA emergem como a grande potência do mundo capitalista. Consegue estabelecer o dólar como moeda conversível para todas as transações internacionais. No imediato pós-guerra, única potência nuclear. Maior economia industrial.

Só quem poderia desafiar tamanho poder era a União Soviética.

Com a ocupação militar de Alemanha e Japão, os EUA estabeleceram uma rede de bases militares que se desdobra por todo o planeta. Submeteu a Europa ao protetorado militar dos EUA, através da OTAN, cujo custeio Trump quer repassar aos europeus.

A política imperialista dos EUA prescinde de uma dominação estatal direta. Se utiliza da subserviência de governos e burguesias locais. Mas não abre mão de intervenções militares diretas. A lista desde o pós-guerra é interminável, seja com bombardeios, seja com tropas do Pentágono em terra, seja com "assessores".

Na América Latina, o histórico de interferências tem como ato inaugural a Doutrina Monroe. A América para os americanos foi a fórmula do presidente James Monroe manter afastadas as potências coloniais europeias e criar o funesto conceito de Hemisfério Ocidental.

O teórico de origem holandesa Nicolas Spykman levou essa formulação ao paroxismo. Defendeu que a América Latina deveria ser parte de um domínio americano, para que os EUA enfrentassem a potências da Eurásia (leia-se URSS, e Rússia nos dias de hoje). Via possibilidade de se desafiar o poder estadunidense no continente no Brasil, Argentina e Chile, que a pax americana deveria zelar para manter separados. Que o digam Kast e Milei. Se os três países do ABC, como Spykman nomeava, se unissem, os EUA deveriam recorrer à guerra. Essa citação é textual na obra do acadêmico holandês.

Nunca os EUA deixaram de intervir na América Latina. Primeiro fomentando golpes militares. Depois cooptando os chamados governos democráticos. Agora interferindo em processos eleitorais, como fez no Equador, Peru e Colômbia. Se prepara para tentar o mesmo na eleição brasileira de 2026.

A ameaça estadunidense não é meramente retórica. É longa a história de intervenções, invasões e sabotagens das administrações dos EUA em nossos países. É subestimada a atuação de agências e empresas de tecnologia nos eventos de 2013, na operação Lava jato, no impeachment e na eleição de Bolsonaro.

Derrotar o fascismo e o imperialismo é a tarefa fundamental dos comunistas e dos trabalhadores no Brasil.


LIGA COMUNISTA BRASILEIRA/LCB

sexta-feira, 26 de junho de 2026

PROFETAS DE TRUMP * Gilberto Nascimento/IntercepBrasil

PROFETAS DE TRUMP
Gilberto Nascimento/IntercepBrasil

Pregadores evangélicos dos EUA invadem o Brasil com a receita que elegeu Trump

Uma enxurrada de pregadores evangélicos norte-americanos apoiadores de Trump têm visitado o Brasil nos últimos meses. A missão deles? Influenciar líderes evangélicos brasileiros. Nos congressos e encontros bíblicos pelo país, as palavras de fé e profecias se misturam ao vocabulário político.

Os pastores vindos dos Estados Unidos têm tratado de temas como profecias, milagres, exorcismo e teologia da prosperidade – e são peça fundamental do trumpismo. Muitos procuram preparar o terreno para projetos de interesse de Trump no Brasil e América Latina, avaliam estudiosos e pastores evangélicos progressistas.

O pastor Christopher Beleke, apresentado como profeta, anunciou: o Brasil “passará por uma limpeza semelhante à ocorrida em El Salvador”, se referindo ao país governado pelo regime de exceção de Nayib Bukele e festejado pela extrema direita.

A profetisa Chantell Cooley, que diz “impactar vidas através do sacerdócio de mercado”, abençoou o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, e disse que o Brasil é o país “escolhido”.
Já o pastor Samuel Rodriguez, uma das principais lideranças de Trump na comunidade latina nos EUA, profetizou a Silas Malafaia um dia antes do ato a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro em 7 de setembro: “todo gigante cairá”, em possível referência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Os três fazem parte de uma nova onda de evangelização dos EUA que, na visão de pastores progressistas e especialistas, se assemelha a outras que já aconteceram no Brasil – e pode ser vista como uma resposta ao fortalecimento da esquerda e do progressismo na América Latina.

A religião foi uma peça fundamental do imperialismo dos
 EUA no Brasil e na América Latina no século 19, durante a Ditadura Militar e até mais recentemente, durante o governo de Dilma Rousseff. Agora, na nova gestão de Trump, esse fenômeno parece estar se repetindo – com apoio de forças evangélicas brasileiras.

*Profecia para Malafaia*

Um dia antes do ato em defesa de Jair Bolsonaro, no dia 7 de setembro, o pastor Silas Malafaia, da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, recebeu a profecia do pastor Samuel Rodriguez, líder cristão evangélico norte-americano, filho de porto-riquenhos.

Amigo de Trump, Rodriguez foi conselheiro religioso dos ex-presidentes George W. Bush e Barack Obama e, agora, do atual ocupante da Casa Branca. Ele é pastor da Igreja New Season, na Califórnia, e presidente da Conferência Nacional de Liderança Cristã Hispânica, a maior organização cristã hispânica do mundo.
“Em nome de Jesus: todo gigante em frente de ti cairá, por opção de poder de Deus. Deus o abençoe e toda força contrária cairá em nome de Jesus. E o melhor está por vir”, avisou Rodriguez a Malafaia.

No dia seguinte, durante o ato na Avenida Paulista, Malafaia provocou o algoz de Bolsonaro no STF: “Alexandre de Moraes, tu vens a mim com a toga, com o seu poder e a sua injustiça. Porém, eu venho a ti, em nome do Deus todo poderoso, a quem tu tens afrontado. O Deus Todo-Poderoso vai te derrotar no tempo certo”, assegurou.

“Eles estão de volta, como estiveram no período que antecedeu ao golpe de 1964. Agora, trazem na bagagem a ideologia do trumpismo”, diz o pastor Hermes Fernandes, da Igreja Ninho da Fênix, que se considera progressista e é crítico do movimento de extrema direita. “Em nome da fé, plantam sementes de desconfiança, subserviência e obediência cega”.

Segundo ele, grande parte desses pregadores em visitas ao Brasil usam profecias e revelações como ferramentas políticas para “descredibilizar instituições, manipular a opinião pública e defender projetos de Trump”.

*‘Celebridades e jogadores trarão prosperidade’, dizem pregadores*

Rodriguez fez a profecia a Malafaia na conferência Destino, na Farmasi Arena, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, nos dias 5 e 6 de setembro.

O evento foi organizado pelo coach Tiago Brunet, amigo de Malafaia e ex-membro da Igreja Comunidade Internacional da Zona Sul. Com 7,4 milhões de seguidores só no Instagram, Brunet se apresenta como “treinador de líderes, mentor de grandes personalidades e especialista em pessoas”.

Na conferência, outros líderes evangélicos estrangeiros marcaram presença. Entre eles o pastor negro americano TD Jakes, líder da megaigreja Potter’s House, de Dallas, no Texas. Defensor da Teologia da Prosperidade — doutrina que sugere que os discursos positivos e as doações a Deus garantem a riqueza material e saúde física —, o norte-americano costuma ser citado e elogiado por Malafaia em suas falas.

Jakes visitou o Brasil em outros momentos, como em 2023, em encontros na Escola de Líderes da Associação Vitória em Cristo, a Eslavec, da igreja de Malafaia.

Já entre os dias 18 e 21 de julho, quem deu as caras no Brasil foi o pastor Christopher Beleke, de Dallas, nos Estados Unidos, fundador do ministério Faith Center. Beleke foi um dos convidados da Conferência Internacional do Evangelho Sobrenatural, em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
O evento, organizado pelo apóstolo Pedro Medina, da Igreja Família do Reino, enfatizava dons espirituais, curas e profecias. Propunha uma “imersão profunda na revelação espiritual e no discernimento do tempo presente e futuro da Igreja”.

Beleke, apresentado como profeta, anunciou: o Brasil “passará por uma limpeza semelhante à ocorrida em El Salvador”, país no qual o ditador Nayib Bukele, apoiado por Trump, impôs um regime de exceção com prisões em massa, a suspensão de direitos civis e o afastamento de juízes de seus postos.

Segundo Beleke, o Brasil se tornará uma nação próspera e “celebridades”, jogadores de futebol famosos e até presidentes trarão investimentos e riqueza ao país, inclusive jato particular aos líderes de igrejas. Deus o avisou, disse Beleke, que mais de mil megaigrejas serão abertas no Brasil.

Em janeiro, a profetisa norte-americana Chantell Cooley, que diz ser o Brasil o país escolhido para uma “nova Reforma na Igreja”, fez uma profecia ao senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, num culto da igreja Comunidade das Nações.

Ao fazer uma oração diante de Flávio, de joelhos, Chantell disse que Deus iria “levantar sua família” e que pessoas que teriam tentado deixar ele e seu pai “no chão” não conseguiriam machucá-los. “Vai ter um novo lugar para vocês. Deus jogará o manto sobre você e seu pai”.

A profecia aconteceu num culto da igreja brasileira Comunidade das Nações, mas no templo da denominação em Orlando, nos Estados Unidos. A igreja, fundada em Brasília pelo bispo JB Carvalho, é frequentada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pela senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal.

A profetisa norte-americana já tinha estado em Brasília, em 2022, na Conferência Global 22 Renascimento, organizada pela Comunidade das Nações. Com longa trajetória no mundo empresarial, Chantell Cooley é cofundadora da Columbia Southern University e vice-presidente da Columbia Southern Education Group. Ela criou o ministério religioso com o seu nome com o objetivo de aliar fé e negócios: “empoderar empresários cristãos” e “impactar vidas através do sacerdócio de mercado”.

*O ‘Malafaia’ de Donald Trump*

Em novembro, virá ao Brasil um outro famoso e controverso apóstolo e televangelista: Guillermo Maldonado, um hondurenho radicado nos Estados Unidos conhecido por seus supostos milagres e dons sobrenaturais. Ele vai participar do evento “Colheita Mundial Brasil 2025”, entre os dias 12 e 15 de novembro, em Osasco, na Grande São Paulo.

Maldonado é um dos fundadores do ministério El Rey Jesús, também sediado em Miami, e conhecido mundialmente. O apóstolo é tido como uma espécie de “Malafaia de Trump” entre os latinos, segundo o pastor evangélico brasileiro Hermes Fernandes que morou nos Estados Unidos entre 2005 e 2011.
Para o público anglófono, Trump tem como uma de suas inspiradoras a pastora Paula White, ex-apresentadora de TV e adepta da teologia da prosperidade, que criou o seu ministério religioso.

Apoiador do presidente norte-americano, Maldonado realizou eventos em sua igreja para angariar apoio de seus fiéis a Trump, principalmente junto à comunidade latina. Para Maldonado, a presidência de Trump representava “a presença do Deus vivo”. O apóstolo e seu colega Samuel Rodriguez são considerados as vozes mais importantes do trumpismo dentro do mundo hispânico nos Estados Unidos.

Entre os responsáveis e apoiadores da vinda de Guillermo Maldonado ao Brasil estão o pastor Jair de Oliveira, da Igreja Casa da Benção; o apóstolo Pedro Medina, da Família do Reino; o apóstolo Gilson Matias, da Igreja Atus Comunidade, de São Bernardo do Campo, em São Paulo; e o pastor Paulo Corrêa Junior, da Assembleia de Deus ministério Santos, que é deputado estadual em São Paulo pelo PSD.

Autor de mais de 100 livros, o apóstolo Maldonado fundou uma universidade, a King Jesus. Tem um programa de TV religioso internacional chamado “The Supernatural Now”. Ele chama a atenção também por morar em mansões e possuir carros luxuosos e aviões particulares.

Durante o evento em Osasco, o apóstolo terá uma reunião com empresários e encontros com fiéis e líderes evangélicos no ginásio de esportes e no estádio da prefeitura de Osasco. A “Colheita Mundial” é anunciada como “um movimento global de salvação, cura e poder”.

Maldonado terá no Brasil a missão, segundo os responsáveis pelo evento, de “ativar e treinar líderes, pastores, pregadores e milhares de cristãos para o último grande movimento de colheita antes da volta de Jesus”.

O anúncio promocional do encontro em plataformas nas redes sociais afirma que “300 mil vidas foram impactadas na Bolívia, 80 mil pessoas alcançadas na Venezuela”, outras “700 mil em uma só cruzada no Paquistão” e mais de 85 milhões de pessoas “evangelizadas em um ano”.

Não é pouco o que o evento promete: “Agora, é a vez do Brasil experimentar esse mover profético. Milagres criativos, curas sobrenaturais e uma unção de empoderamento para líderes e igrejas já estão liberados para aqueles que atenderem a este chamado”.
O apóstolo Maldonado esteve no Brasil em julho de 2023 na convenção global da Igreja Casa da Benção, em Brasília. Em março, ele participou de evento da mesma igreja em Caldas Novas, em Goiás.

*Evangelização como estratégia política*

O pastor Hermes Fernandes avalia que *a estratégia é enviar ao Brasil pregadores de origem latina, mesmo nascidos nos EUA*, porque os [norte-]americanos sabem que há antipatia de parte da população contra os pregadores de seu país. “Trump precisa de pregadores ligados a esse mundo latino para angariar apoio”, me disse Hermes Fernandes. “É um capital político gigantesco”.
Para Magali Cunha, doutora em Ciências da Comunicação e pesquisadora em Religião e Política do Instituto de Estudos da Religião, o Iser, Trump procura fortalecer esses grupos religiosos em retribuição também ao apoio dado por eles à sua eleição.
“Há incentivo atualmente para a presença de grupos religiosos no Brasil e na América Latina, inclusive com ações missionárias entre povos indígenas e outras comunidades tradicionais, como quilombolas”, explica Cunha, também autora de um estudo sobre novos movimentos fundamentalistas na América Latina vindos dos Estados Unidos.

Na pauta desses grupos estão, segundo a pesquisadora, temas como a defesa da fé e contra o movimento negro e de gênero. “São impulsionados pela pauta da ‘liberdade religiosa’ construída na aliança de Trump com o evangelicalismo conservador e ultraconservador de matriz fundamentalista”, diz a pesquisadora.

Há uma contradição entre as posições de líderes evangélicos de origem hispânica, como Samuel Rodriguez e Guillermo Maldonado, que apoiam Trump, enquanto o presidente norte-americano persegue e expulsa imigrantes dos Estados Unidos.
“Já havia essa contradição quando eu morava lá. Os fiéis diziam: se apoiamos o Republicanos, estamos ao lado de quem defende a nossa fé, os nossos princípios e valores morais. Ao mesmo tempo, estamos dando um tiro no pé, pois os republicanos são contra os imigrantes. E se apoiamos os democratas, estaremos com quem está do nosso lado, mas contra os nossos valores morais e a família”, relata o pastor Hermes Fernandes.
Para Magali Cunha, os pregadores trumpistas ligados a comunidades de imigrantes enfatizam um discurso de que a perseguição se dá apenas para quem não faz as coisas corretamente. “Seriam os bandidos, os criminosos. Eles repetem muito esse discurso. Os indocumentados são orientados a buscarem ao máximo a legalidade, regularizando a sua situação, porque não podem assumir um discurso que contraria a postura do governo que eles apoiam”, observa Cunha.
“Eles procuram justificar o que Trump diz. Ao mesmo tempo, essas igrejas afirmam criar canais de proteção para essas pessoas”, conclui.

*Pregadores a serviço da ultradireita*

A presença de pregadores vindos dos Estados Unidos ocorre no Brasil desde o século 19, quando chegaram aqui os primeiros missionários do sul estadunidense, conservadores e escravagistas.

A presença de pregadores [norte-]americanos foi marcante também nos anos 1960 e 1970, período do surgimento das chamadas igrejas neopentecostais no país; e cresceu a partir de 2010, no governo Dilma Rousseff, do PT, quando o Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (do terceiro governo petista) fortaleceu questões de direitos e de gênero.

Veio então, a partir daí, a reação à chamada ideologia de gênero, por grupos evangélicos e também católicos conservadores. *"Como o Brasil é uma influência forte para a América Latina, acendeu a luz amarela dos grupos ultraconservadores, especialmente dos Estados Unidos*, que vão passar a financiar projetos de contraposição a esse avanço”, diz Magali Cunha. *“Dilma, então, enfrentou a maior oposição que um governo do PT enfrentaria”.*

A onda de pregadores norte-americanos no Brasil se intensificou, durante a primeira gestão de Trump. O presidente norte-americano já se autodescreveu como presbiteriano, mas nunca demonstrou identidade estreita com a religião.

Esse *movimento também é turbinado com o apoio de grandes empresas que têm interesses que coincidem com os grupos religiosos*. “Neste século 21, esses grupos ganham ainda um reforço graças aos *interesses econômico-financeiros de grandes empresas, que passam a financiar seus projetos*, já que colaboram com elas defendendo a entrada de suas propostas no Brasil e na América Latina”, afirma Magali Cunha. “Há apoio para esses grupos especialmente de mineradoras e de empresas interessadas em empreendimentos imobiliários em áreas quilombolas.”

(Gilberto Nascimento)