quarta-feira, 2 de setembro de 2026

GOLPE POR DENTRO DO STF * Luciana Bauer e Reynaldo Aragon/SP

GOLPE POR DENTRO DO STF

André Mendonça abre o maior golpe desferido no STF às vésperas da eleição e transforma a própria instituição em campo de batalha da guerra híbrida contra o Brasil


Às vésperas da eleição presidencial, André Mendonça transforma elementos de uma investigação ainda sem conclusão judicial em combustível para uma guerra interna no STF, rompendo – de forma brutal e sem arcabouço constitucional que o embase – o equilíbrio institucional da Corte. Uma frente de desestabilização que converge com os interesses da extrema direita brasileira e com a ofensiva dos Estados Unidos contra a soberania política e digital do Brasil.

Quando o Estado é colocado contra o próprio Estado

A pouco mais de um mês da eleição presidencial, o golpe mudou de lugar. Em 8 de janeiro de 2023, foi preciso quebrar vidraças, arrombar portas e invadir o Supremo Tribunal Federal. Agora, a desestabilização avança por dentro da própria institucionalidade. André Mendonça, ministro do STF, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral e um dos magistrados responsáveis pela condução do processo eleitoral, retirou o sigilo de material ainda submetido à apuração, expôs uma investigação que alcança integrantes das mais altas estruturas do Estado e lançou o Supremo numa guerra interna cujas consequências ultrapassam qualquer disputa pessoal com Alexandre de Moraes.

É preciso dizer desde o início o que está e o que não está em discussão. Não existe, até aqui, conclusão judicial que permita condenar Moraes pelas informações que emergiram do caso Banco Master. Se houver crime, que seja investigado, provado e punido. O problema é precisamente outro. Antes que a Justiça produzisse uma verdade processual, a suspeita foi lançada ao espaço público como fato político. Em poucas horas, Moraes, Paulo Gonet, Andrei Rodrigues, servidores do Banco Central e Gabriel Galípolo passaram a habitar a mesma atmosfera de suspeição de forma centripetra e possivelmente coordenada com a imprensa e vazadores que desde a Lava Jato operam impunes. A extrema direita imediatamente transformou essa matéria bruta em arma eleitoral. O STF deixou de aparecer como instituição capaz de processar uma crise e passou a aparecer como parte da própria crise.

É aqui que o acontecimento revela sua verdadeira dimensão. Um golpe no século XXI não precisa começar com tanques diante do Congresso. Pode começar quando os mecanismos do Estado são utilizados de maneira a destruir a confiança no próprio Estado, quando o procedimento antecede a prova, quando o vazamento produz sentença social antes do contraditório e quando uma instituição é empurrada para a guerra contra si mesma. O que André Mendonça abriu não é apenas uma crise no Supremo. É uma fissura no centro do sistema de contenção democrática brasileiro no momento exato em que esse sistema será colocado à prova pelas eleições de 2026. Mendonça hoje foi mais eficaz que as turbas ensandecidas a depredar o Supremo no dia do Golpe. 

Se Cunha iniciou o golpe de 2016. Mendonça pode ter iniciado o próximo golpe de 2027 dando tons de messianismo constitucional ao que podemos taxar de conduta totalmente inconstitucional para com seus pares. 

O Supremo é julgado por um plenário e não pela imprensa. Mendonça não opera mais dentro das quatro linhas do estado de direito.

O ministro terrivelmente lavajatista Mendonça não apenas recebeu informações produzidas pela Polícia Federal. Ele movimentou a máquina. Determinou que a PF elaborasse, em 72 horas, um relatório específico sobre referências a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, separou esse material em uma nova frente processual, abriu vista à Procuradoria-Geral da República e, antes mesmo de uma manifestação conclusiva do Ministério Público, retirou o sigilo e empurrou o caso para o centro da arena pública. Depois, pediu que o assunto fosse levado a uma sessão presencial do Plenário. A sucessão dos atos importa porque revela algo maior do que uma divergência jurídica: uma investigação ainda em formação foi convertida, por decisão institucional, em acontecimento político nacional.

É nesse ponto que o método se torna tão grave quanto o conteúdo. A direção da Polícia Federal reagiu duramente e passou a questionar se o relator havia ultrapassado a função de supervisionar a investigação para assumir um papel ativo na produção de uma linha investigativa própria. Ministros do Supremo falaram em ruptura das regras internas e em um ambiente de vale-tudo. A PGR foi colocada numa posição ainda mais delicada, porque aparece ao mesmo tempo como instituição responsável por controlar juridicamente a investigação e como uma das estruturas atingidas pelas referências reveladas. O resultado é um curto-circuito institucional: quem investiga passa a ser questionado, quem fiscaliza passa a integrar a crise e quem deveria arbitrar o conflito passa a lutar pela própria legitimidade.

A guerra híbrida opera exatamente nessa zona cinzenta. Ela não precisa fabricar documentos falsos quando pode explorar documentos verdadeiros fora de seu tempo processual. Fora da logica constitucional e dos direitos e garantias fundamentais. Não precisa inventar uma acusação quando pode retirar um fragmento de contexto, lançá-lo na circulação pública e deixar que o ecossistema político produza a condenação. O tempo jurídico exige prova. O tempo informacional exige impacto. Quando esses dois tempos entram em choque, vence primeiro quem controla a percepção. 

Por isso, o ato mais poderoso não foi a descoberta de uma mensagem, mas a transformação da investigação em espetáculo antes que a própria investigação pudesse dizer o que aquelas mensagens significavam. A partir desse instante, a Justiça deixou de conduzir sozinha o processo. A opinião pública, as redes, as campanhas eleitorais e os interesses políticos passaram a disputar o sentido do material em tempo real. E quando o sentido é capturado antes da prova, o processo continua aberto nos autos, mas a sentença política já começou a ser executada nas ruas. 

As portas de um novo golpe com STF com tudo estão abertas: um novo golpe com o supremo fragilizado e vilipendiado como estamos vendo por um dos seus próprios ministros sera matéria fácil para ser tragado pelo próximo golpista de plantão em eleições.

É aqui que a crise deixa de ser apenas jurídica e revela sua natureza histórica. A guerra híbrida não precisa destruir o Estado de uma vez. Sua forma mais eficiente é fazê-lo perder progressivamente a capacidade de reconhecer quem o ataca, enquanto suas próprias instituições são empurradas umas contra as outras. O conflito passa a utilizar a legalidade, a informação, a economia, a tecnologia e a disputa eleitoral como partes de uma mesma correlação de forças. Tudo continua aparentemente funcionando. Os tribunais julgam, a polícia investiga, a imprensa publica, as plataformas distribuem, os candidatos discursam. Mas, por baixo dessa normalidade, a autoridade que sustenta o conjunto começa a ser corroída.

A contradição é brutal. O STF, que depois de 8 de janeiro se tornou uma das principais barreiras institucionais contra a extrema direita golpista, passa agora a produzir diante do país a imagem de uma Corte dividida, desconfiada de si mesma e incapaz de estabelecer sequer um terreno comum para processar a própria crise. A Polícia Federal contesta o procedimento de um ministro do Supremo. A Procuradoria-Geral da República é chamada a fiscalizar uma investigação na qual seu próprio chefe aparece mencionado. O Banco Central entra no circuito da suspeição. Em vez de uma instituição proteger a estabilidade da outra, forma-se uma cadeia de atritos capaz de consumir a legitimidade de todas.

Essa é uma das formas mais perigosas da guerra política contemporânea porque transforma a força do Estado em matéria-prima de sua própria vulnerabilidade. Não é preciso fechar o Supremo se for possível esvaziar sua autoridade. Não é preciso dissolver a Justiça Eleitoral se for possível fazer milhões de pessoas duvidarem de sua neutralidade antes da votação. Não é necessário impedir formalmente o funcionamento da democracia quando se consegue destruir a confiança coletiva sem a qual suas instituições se tornam apenas edifícios, cargos e ritos.

Para um país do Sul Global, essa dinâmica tem um peso ainda maior. Estados submetidos historicamente à dependência econômica, tecnológica e informacional não enfrentam apenas disputas domésticas. Suas crises internas são atravessadas por interesses externos capazes de explorar cada fissura. É nesse ponto que o conflito brasileiro deixa de ser apenas uma guerra entre ministros e passa a revelar uma disputa pela capacidade do próprio Brasil de decidir seu destino. O golpe híbrido começa exatamente assim: não quando a Constituição desaparece, mas quando as forças que deveriam sustentá-la passam a corroer umas às outras.

A essa altura, a crise já não pertence apenas ao Supremo. Ela entra diretamente na disputa eleitoral e encontra uma estrutura de interesses muito maior do que a briga entre ministros. Mendonça é vice-presidente do TSE e atua na propaganda das eleições de 2026. O primeiro turno está a pouco mais de um mês. No mesmo momento em que o STF se fragmenta, a extrema direita transforma o material do caso Master em arma de campanha, desloca o centro do debate e converte suspeitas ainda não julgadas em certezas políticas prontas para circular nas redes. O que a Justiça ainda precisa investigar, a máquina eleitoral já aprendeu a explorar.

É também nesse ponto que a crise brasileira encontra Washington. O governo dos Estados Unidos já transformou decisões do STF sobre plataformas digitais em questão estratégica, aplicou sanções contra Alexandre de Moraes, utilizou tarifas e instrumentos comerciais como pressão sobre o Brasil e tratou a regulação das Big Techs como conflito de interesse nacional norte-americano. Moraes tornou-se alvo não apenas da extrema direita brasileira, mas de uma estrutura de coerção externa que enxerga nas decisões brasileiras sobre plataformas, dados e soberania digital um obstáculo aos interesses econômicos e políticos dos Estados Unidos.

Não há prova de que André Mendonça receba ordens de Washington. E afirmar isso sem evidência destruiria a força do argumento. O que existe é algo mais concreto e, do ponto de vista do realismo político, suficiente para exigir atenção: uma convergência objetiva de interesses. A extrema direita precisa enfraquecer o STF para reconstruir sua capacidade de ação. As Big Techs precisam reduzir a capacidade regulatória do Estado brasileiro. Washington pressiona as instituições que impõem limites às empresas norte-americanas e à sua projeção política. E, no centro dessa correlação de forças, uma crise interna aberta pelo próprio Supremo atinge exatamente a instituição que vinha funcionando como uma das últimas barreiras contra esses interesses.

É assim que a guerra híbrida amadurece. Ela não exige que todos os atores estejam reunidos na mesma sala. Basta que forças distintas descubram que podem avançar na mesma direção. O capital transnacional quer liberdade para operar. A extrema direita quer recuperar poder. Washington quer disciplinar um Brasil que regula plataformas, fortalece o BRICS e reivindica autonomia estratégica. As redes digitais precisam apenas converter cada fissura em espetáculo, cada dúvida em indignação e cada indignação em comportamento político. O tabuleiro se move sem que seja necessário um comando único.

Para um país periférico, esse é o ponto em que a disputa interna deixa de ser doméstica. O Brasil não enfrenta somente uma eleição. Enfrenta a tentativa permanente de decidir se continuará sendo um Estado capaz de impor regras ao capital, às plataformas e às potências estrangeiras ou se voltará à condição histórica que o sistema internacional reservou ao Sul Global: mercado, território, fonte de dados e espaço político administrado de fora para dentro. Quando a instituição que deveria conter essa pressão começa a se romper internamente, o problema deixa de ser apenas jurídico. Torna-se uma questão de soberania.

É preciso chegar ao fim sem cair na armadilha mais fácil: transformar Alexandre de Moraes em símbolo intocável. Não é disso que se trata. Se houver crime, que se investigue. Se houver prova, que se puna. A defesa da democracia não pode depender da blindagem de pessoas. Ela depende da preservação de regras, procedimentos, instituições e da capacidade coletiva de distinguir investigação de condenação, indício de prova, informação de sentença.

É exatamente essa fronteira que está sendo destruída. A suspeita começou em Moraes, alcançou Gonet, Andrei Rodrigues, servidores do Banco Central e Galípolo, e já produz o ambiente necessário para atingir o próprio governo. Esse é o mecanismo. Não é necessário provar que todo o Estado está corrompido. Basta produzir a percepção de que nenhuma instituição merece confiança. Quando tudo parece contaminado, qualquer ruptura pode ser apresentada como limpeza.

O Brasil conhece esse caminho. Em 2016, a ruptura foi construída por dentro das instituições, legitimada por procedimentos formalmente existentes e alimentada por uma máquina política e midiática que transformou exceção em normalidade. Em 8 de janeiro de 2023, a extrema direita tentou converter a deslegitimação acumulada em força física. Em 2026, o método pode estar atingindo um estágio mais sofisticado: utilizar as próprias contradições do Estado para enfraquecer sua capacidade de resistir.

É isso que precisa ser denunciado agora, antes que a fumaça esconda o incêndio. Golpes não começam no momento em que a Constituição é rasgada. Começam quando a sociedade é preparada para acreditar que ela já não serve, que seus tribunais não merecem confiança, que suas instituições são inimigas e que somente uma força externa ao pacto democrático pode restaurar a ordem.

Desta vez, talvez não precisem invadir o Supremo.

Basta fazê-lo desabar por dentro. 

A lava jato mais uma vez, ao nunca ser corretamente enfrentada pelos três poderes, ganhou.

Artigo publicado originalmente em <código aberto>

sábado, 29 de agosto de 2026

Carta do Rio de Janeiro * Internacional Antifascista-Capítulo Brasi/RJ

CARTA DO RIO DE JANEIRO
INTERNACACIONAL ANTIFASCISTA-CAPÍTULO BRASIL

O Capítulo Brasil da Internacional Antifascista, 
reunido na cidade do Rio de Janeiro/RJ, em 22 de agosto de 2026, com a presença de militantes de organizações sociais e partidos políticos da classe trabalhadora do Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Ceará e Brasília, avaliou as tarefas políticas das forças do campo popular e da esquerda no atual momento, levando em conta os seguintes aspectos:

- Há uma profunda crise estrutural do imperialismo, provocada pela financeirização e pelo parasitismo capitalistas, que tem causado a perda de poder econômico e redução do consumo da classe trabalhadora, dentro dos padrões burgueses, nos EUA e países europeus e, sobretudo, no Ocidente capitalista, a qual tem produzido a formação de legiões de milhões de pessoas em condições de absoluta miséria, como se vê nas cidades estadunidenses;

- O dólar perde poder de compra e a capacidade de ser a moeda de transações internacionais, em face da capacidade de articulação entre os países dos BRICS, especialmente a força econômica da China, que retirou 800 milhões de pessoas da situação de pobreza absoluta e avança em um novo modelo de desenvolvimento, o socialismo com caraterísticas chinesas, em que as relações sociais internas e entre as demais nações se sustentam na política do ganha-ganha;

- A Rússia está derrotando a OTAN, que usa a Ucrânia como seu pelotão avançado, investindo em armamento tecnologicamente inovador e com elevados custos financeiros, desde o golpe realizado em 2014 e com o apoio da União Europeia.

- O Irã cumpre um papel determinante na Ásia Ocidental, articulando a resistência dos povos na região contra o terrorismo sionista, resiste aos ataques dos EUA, que financia mercenários e realizou ataques assassinando seus líderes, crianças e seu povo, o qual mostra a unidade e firmeza na defesa da revolução islâmica tornando-se referência mundial na luta anti-imperialista;

- O imperialismo tem recorrido a todos os artifícios perversos (guerra econômica, fome, bloqueio) para que Cuba não seja tomada como exemplo para as lutas de libertação sociais no Ocidente. A Ilha rebelde enfrenta há mais de 60 anos um perverso e desumano bloqueio econômico, recrudescido a partir do início de 2026, com um cerco total ao seu território, impedindo a entrada de combustível, o que provoca um genocídio silencioso, exigindo a efetiva solidariedade e ações de militância em defesa do direito do povo cubano seguir com sua jornada revolucionária, como se constata diante da coragem e ousadia permanentemente mostrada frente ao terrorismo imposto pelos EUA;

- O povo saaraui, liderado pela Frente Polisário, resiste ao invasor marroquino, agente dos EUA e de Israel na região, como visto na recente invasão artificial de Ceuta, instrumentalizada pela mídia imperialista. A luta pela autodeterminação saaraui deve ser apoiada;

- Donald Trump e Marco Rúbio atuam criminosamente, repetindo a prática colonizadora dos piratas do século XVIII, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, a deputada Cília Flores; o roubo do petróleo e do ouro venezuelano; a imposição de tarifas contra o Brasil e as ações diretas para fraudar as eleições em Honduras, Peru, Equador, Colômbia e Bolívia;

- As plataformas digitais trouxeram uma nova relação na batalha de ideias, as quais controlam os algorítimos da internet, impondo uma onda de propaganda sionista e fascista, atuando na formação de uma consciência reacionária, provocando confusão e intervindo fortemente na guerra cultural e ideológica, tendo papel fundamental nos processos eleitorais na América Latina e na desestabilização em diversos países.

Diante desses fatos, decide:

- Reafirmar a importância da atuação das forças populares, de esquerda e progressistas para derrotar os agentes do entreguismo, os fascistas e os inimigos da classe trabalhadora na eleição deste ano no Brasil;

- Reafirmar a importância da unidade na luta anti-imperialista e contra o fascismo e o sionismo, fortalecendo a criação dos núcleos da Internacional Antifascista, Capítulo Brasil, que devem atuar junto ao povo brasileiro na defesa dos direitos da classe trabalhadora e ao lado dos povos de todo o mundo que combatem o terrorismo imposto pelos EUA, sionistas e seus agentes.

- Convocar uma nova reunião nacional para o dia 5 de dezembro, em Brasília.

Nossas tarefas no momento atual não permitem vacilação ou tergiversação diante dos ataques do imperialismo. É preciso manter as referências históricas das lutas revolucionárias dos povos ao longo da história. A luta de classes exige nossa organização, consciência e mobilização permanentes.

Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2026








quarta-feira, 26 de agosto de 2026

É FUNDAMENTAL A CLASSE TRABALHADORA ENTRAR EM CENA * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA/LCB

É FUNDAMENTAL A CLASSE TRABALHADORA ENTRAR EM CENA

Neste segundo semestre, importantes categorias de trabalhadores têm suas datas-bases. Bancários, petroleiros, metalúrgicos e químicos já tem se mobilizado em todo país por reajustes salariais que reponham a inflação e garantam aumento real de salário. O relato geral feito pelos trabalhadores aponta para aumento da produção, das horas-extras e das contratações.

Na indústria plástica, a Abiplast prevê para 2026 um faturamento de R$ 168 bilhões. Um crescimento de 2% quando comparado com 2025, cujo faturamento foi de R$ 164,8 bilhões. De acordo com dados da Abinee, a indústria elétrica e eletrônica prevê para 2026 um faturamento 6,25% maior quando comparado com 2025. Só a Petrobrás teve um lucro turbinado de R% 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, um valor 97% maior se comparado ao mesmo período de 2025. Por fim, os bancos, mesmo com uma revisão na expectativa de lucros para este ano, mantêm a previsão de taxas de crescimento maiores em relação a 2025.

O crescimento dos lucros e do faturamento das empresas é um bom incentivo para os trabalhadores lutarem por aumentos salariais capazes de recuperar as perdas causadas pela inflação e aumentos reais que incorporem a produtividade de cada setor.

Mesmo com as lutas circunscritas à reivindicação econômica, a mobilização dessas categorias no segundo semestre pode ser, no contexto de uma eleição decisiva, um fator decisivo para derrotar o fascismo e a extrema-direita. Longe de trazerem algum inconveniente às eleições, ao contrário, cumprirão importante papel para garantir uma vitória eleitoral das forças populares capaz de deter as ameaças imperialistas de Trump o Brasil.

A mobilização dessas categorias, somada à votação ainda em setembro pelo plenário do Senado da PEC do fim da escala 6 x 1, pode abrir uma conjuntura política favorável ao povo. O fim da escala 6 x 1, com redução da jornada para 40 horas semanais sem a redução dos salários, representa uma das maiores conquistas da história da classe trabalhadora brasileira. Ela pode ser comparada à conquista do 13º salário, em 1962, e à conquista dos direitos consagrados na CLT às trabalhadoras domésticas, em 2015.

Para garantir a votação da PEC do fim da escala 6 x 1 ainda em setembro será preciso aumentar a pressão popular e as mobilizações. Elas foram fundamentais para garantir a aprovação da PEC quase por unanimidade na Câmara dos Deputados. Para impedir sua votação e aprovação pelo Senado, a extrema-direita fascista e seu candidato presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), prometem barrar o andamento da matéria. Por isso as mobilizações ainda se tornam importantes.

No atual contexto podemos estar assistindo uma alteração na conjuntura política, com uma correlação mais favorável ao povo e à classe trabalhadora. Uma derrota da ameaça fascista e imperialista, nas ruas e nas urnas, abre uma nova conjuntura política. Efetivar essa mudança exige, do conjunto da esquerda e das direções sindicais, colocar o povo em movimento. As campanhas salarias no segundo semestre e mobilizações populares para garantir a aprovação pelo Senado do fim da escala 6 x 1 são movimentos essenciais.

LIGA COMUNISTA BRASILEIRA/LCB

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

OS TRABALHADORES E AS ELEIÇÕES 2026 * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

OS TRABALHADORES E AS ELEIÇÕES 2026
Nota pública da Frente Revolucionária dos Trabalhadores (FRT) sobre as eleições brasileiras.


O período eleitoral no Brasil já está aberto. Em 2026 as eleições abarcam a presidência da república, governadores e cargos parlamentares.

O fator marcante nas eleições brasileiras desde há muito, tem sido a mais completa carência de qualquer debate sério sobre os grandes temas de interesse nacional e do povo trabalhador.

Especialmente em 2026, temos , em relação à disputa presidencial (o cerne eleitoral no país), em linhas gerais a manutenção do projeto liberal dependente, que tem amarrado o Brasil na cadeia da subserviência diante do rentismo internacional e do latifúndio "moderno", alcunhado pelo nome pomposo de "agronegócio".

O Brasil está absolutamente entregue ao capital financeiro imperialista, sobretudo desde o advento do famigerado Plano Real, dos anos 1990. De lá para cá, independente de quem seja o gerente da vez a ocupar o Palácio do Planalto, o modelo econômico rentista e exportador primário permanece.

Nos últimos 30 anos, o regime neoliberal de reprodução do capitalismo dependente brasileiro foi consolidado e institucionalizado. A institucionalização das metas de superávit primário, teto de gastos--sociais--, arcabouço fiscal, remuneração da sobra dos caixas de bancos, etc., nada mais são do que o reflexo da dominância do Estado brasileiro, por grupos de parasitas membros das altas cúpulas do sistema financeiro internacional.

Na divisão mundial do trabalho, o Brasil passa por uma profunda regressão, se comparado há cerca de 50 anos atrás. O país que possuía um setor manufatureiro pujante, apesar da estrutura dependente da industrialização nacional, hoje tornou-se o grande centro mundial de valorização do capital rentista e vadio, devido às maiores taxas de juros do planeta.

Desde os anos de 1990, o país gasta, em média, metade do seu orçamento público com a remuneração da dívida pública (externa e interna) aos grandes sangues sugas e magnatas imperialistas, comungados com a burguesia lumpen brasileira, parasitando as riquezas e potenciais de nossa nação.

Os governos petistas, por exemplo, mantiveram intacto em todos os seus mandatos, absolutamente todo o conjunto do regime neoliberal de reprodução do capitalismo no Brasil.

Lógico, precisamos ser responsáveis, não estamos colocando um selo de iguais entre petismo e bolsonarismo; pois o primeiro administra o suicídio da nação a conta gotas, enquanto o segundo pretende degolar e estropiar sem piedade e de uma vez o povo trabalhador. E isso não é pouca coisa para a massa trabalhadora em seu cotidiano na luta pela sobrevivência.

Na verdade, independente de quem ganhe o pleito eleitoral deste ano, os interesses das frações dominantes do capitalismo brasileiro--leia-se o capital financeiro, os latifundiários, o capital comercial monopolista--estarão assegurados.

O ministro da fazenda do atual governo, Dário Durigan, por exemplo, já sinalizou que num próximo mandato, a equipe econômica de Lula teria de atacar os pisos constitucionais da saúde e educação, avançar sobre o salário mínimo dos aposentados e estrangular até o limite, o Benefício de Prestação Continuada, que atinge as parcelas mais empobrecidas das massas, para garantir a manutenção do odioso arcabouço fiscal, menina dos olhos dos parasitas agiotas que dão as cartas na economia nacional.

Por outro lado, uma presidência de Flávio Bolsonaro significaria com toda certeza, a completa entrega sem peias, do país ao imperialismo americano.

As forças imperialistas, diante do agravamento de sua crise de hegemonia e por conta da derrota que vêm sofrendo militarmente para o Irã, o que coloca em xeque sua dominação inconteste no Golfo Pérsico ameaçando inclusive o sistema do petrodólares, obriga Washington a recrudescer sua agressividade neocolonial e centrar fogo contra todos os países da América Latina.

A corrida para dominar por completo e de forma direta as fontes de minerais críticos, água doce, reservas de petróleo, biodiversidade, etc., em nossa região, exige da parte dos estrategistas imperiais uma ofensiva muito dura e contra nossos países.

O "corolário" trumpista da Doutrina Monroe e do Destino Manifesto, levado a cabo pela anturragem supremacista e fascio-sionista que compõem o atual governo criminoso em Washington, expressa essa necessidade imperialista para contrarrestar sua crise e decadência histórica.

A agressividade acelerada e radical que os peões da extrema direita latinoamericana impõe contra os trabalhadores nos países que gerenciam, expõe claramente o que certamente ocorrerá com o Brasil num suposto novo governo Bolsonaro, agora o filho.

Para não falar das implicações geopolíticas e seu significado para o povo cubano, por exemplo. Um Brasil governado pela extrema direita neocolonial fascista, significaria na prática, um avanço qualitativo do domínio imperialista direto, colonial em toda a nossa região. Também abriria a quase certa possibilidade de um regime de caráter terrorista estatal ascender sobre nosso país.

Por outro lado nunca as massas trabalhadoras em nosso país estiveram tão órfãs politicamente e ideologicamente como agora.

A esquerda brasileira se encontra praticamente ausente, fragmentada, sem rumo, sem programa e sem projeto.
Em tais circunstâncias históricas gravíssimas, não podemos de forma nenhuma permitir que a extrema direita bolsonarista procônsul da Casa Branca assuma o comando direto da máquina estatal no país.

E isso vai além do debate em torno da campanha pelo voto nulo, como alguns setores da esquerda têm defendido, ou apoiar acriticamente o governo neoliberal de Lula.

Aqui entra uma importante consideração de ordem tática:
Seria o mesmo, para um trabalhador individual e mesmo para o conjunto da classe, se deparar com um governo oportunista, demagogico, porém sem condições políticas por sua origem social e composição, de impor sobre as massas populares uma radical terapia de choque monetarista ultraliberal como o grande capital necessita; do que enfrentar a extrema direita abertamente fascistóide, que se declara comprometida em suprimir a ferro e fogo as conquistas sociais e ávida por participar diretamente, abrindo mão de intermediários, da entrega sem precedentes da nação ao Imperialismo?

Seria o mesmo para a classe operária argentina, por exemplo, em tais circunstâncias históricas concretas, enfrentar um governo de Cristina Kirchner e Javier Milei?

Não se trata de uma suposta defesa simplista do "mau menor", como alguns nos acusarão. Mas de uma análise concreta da realidade brasileira e latinoamericana.

Numa conjuntura onde os trabalhadores se encon
tram desmobilizados, desorganizados, sem uma referência concreta de protagonismo político claro, seria trágico um governo da extrema direita tomar o Brasil hoje.

É preciso toda precaução para não cairmos num ultra esquerdismo semelhante ao que ocorreu com os partidos comunistas europeus quando adotaram a infantil postura sectária conhecida como o "terceiro período", e da teoria infantil conhecida como "social fascismo", comparando a social-democracia ao fascismo.

Com isso não queremos dizer que vivemos atualmente uma conjuntura idêntica aos europeus dos anos 1930/40. No entanto, também vivemos um momento muito grave e que requer o maior cuidado político possível.

Nessas condições, nós da Frente Revolucionária dos Trabalhadores, sem qualquer ilusão na possibilidade de Lula supostamente dar um giro em sua política liberal, avaliamos que a vitória petista seria muito menos danosa às condições de sobrevivência e luta de todo o proletariado e das massas populares no Brasil na atual conjuntura histórica concreta.

No entanto, os trabalhadores brasileiros não podem de forma nenhuma continuarem reféns e à mercê das disputas no interior da burguesia. Necessitam urgentemente construírem um projeto próprio e se constituírem como uma força política e social capaz de confrontar e superar o capitalismo e tomar os destinos da nação em suas mãos, coisa que o petismo e o lulismo já deram provas incontestes de fracasso e comprometimento com os interesses alheios aos do povo trabalhador.


FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES
FRT
20/08/2026

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

A BATALHA DE 2026 * Liga Comunista Brasileira/LCB

A BATALHA DE 2026
O lançamento oficial da campanha de reeleição do Presidente Lula teve como palco a Vila Euclides, onde as memoráveis assembleias operárias aconteceram em fins dos anos 1970 e início dos anos de 1980. A escolha de um local que evoca a luta da classe trabalhadora é significativa. A LCB esteve presente, da maneira apontada nas suas resoluções, com identidade e material próprios.

Lula é filho da classe operária brasileira. Sua liderança reflete o nível de consciência e de organização da classe nos últimos 50 anos. A campanha de 2026 assume um outro caráter. Lula, por temperamento e compromissos com setores da classe dominante, jamais optaria por um enfrentamento direto com o imperialismo. Trump e Rubio elegeram o Brasil como o inimigo dos EUA no que eles chamam de hemisfério ocidental. O confronto passa a ser inevitável.

Trump e Rubio não escondem os preparativos para intervenção no processo eleitoral. Para tal contam com as big techs para azeitar a máquina de desinformação e de terror. Querem repetir aqui o que fizeram na Colômbia, no Peru e na Venezuela. Não irão se privar de todos os métodos para forçar a derrota eleitoral do atual governo. Para impedir que Trump e Rubio logrem concretizar seus intentos é necessário firmeza e clareza política. A ofensiva do imperialismo se dá em aliança com os setores fascistas da vida nacional.

A tática eleitoral dos comunistas e das forças de esquerda mais consequentes deve passar pelo objetivo de se derrotar o imperialismo e seus aliados fascistas. A vitória eleitoral de Lula, neste momento histórico, é parte da luta antiimperialista e antifascista. A derrota do fascismo é condição para a organização da classe trabalhadora, para que a luta política aconteça em melhores condições. A ascensão do fascismo implica na repressão aos movimentos populares e no abandono de qualquer pretensão de soberania nacional. A vitória dessa jornada eleitoral passa, necessariamente, pela mobilização massiva da classe trabalhadora e do povo.

O ato da Vila Euclides precisa ser o primeiro de muitos. A militância na rua é quem faz a disputa política, quem demonstra a disposição de mudança, quem emociona e leva à tomada de posição. É na rua que iremos convencer indecisos e ganhar o eleitorado que está capturado pelo fascismo por falta de perspectivas de vida e de futuro.

Esta é uma campanha em que aproveitar a indignação democrática e fazer alianças não basta. É preciso abrir perspectivas para o futuro. A aprovação da escala 6x1 é fundamental. Mas é preciso estender a proteção social e ao trabalho. Revogar a reforma trabalhista aprovada por Temer e aprofundada por Guedes-Bolsonaro, garantir direitos aos trabalhadores por aplicativo, barrar a precarização e a pejotização. A preservação das franquias democráticas e afirmação da soberania deve estar acompanhada no atendimento das necessidades e interesses da classe trabalhadora e do povo. Inicia-se uma jornada, onde a classe trabalhadora exerce papel central. Na tarefa de eleger Lula será preciso realizar uma campanha de massas, com independência de classe e propostas claras para as mudanças necessárias para o nosso país.

A batalha eleitoral de 2026 é decisiva para a classe trabalhadora e para o povo brasileiro.

sábado, 15 de agosto de 2026

TODA FORÇA À INTERNACIONAL ANTIFASCISTA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

TODA FORÇA À INTERNACIONAL ANTIFASCISTA
Diante do avanço neocolonial terrorista do imperialismo contra a América Latina: fortalecer a Internacional Antifascista
ROBERTO BERGOCI

Será realizado neste mês de agosto no Rio de Janeiro, a IV Reunião Nacional do Capítulo Brasil da Internacional Antifascista. De acordo com a declaração do encontro: "Nosso objetivo é fortalecer a luta antiimperialista, organizar e buscar a unidade entre os núcleos estaduais e municipais, fortalecendo a organização para a luta anticapitalista e antifascista, operando pela construção da soberania dos povos oprimidos e em luta, com vistas à construção da sociedade socialista".

A Frente Revolucionária dos Trabalhadores (FRT) saúda de forma entusiasta essa iniciativa. E como temos defendido desde nossa fundação (e o signo mesmo de nossa existência), toda iniciativa de luta e de combate contra o inimigo imperialista e as burguesias crioulas em nosso continente, que permita aproximar, aglutinar e unificar no mesmo bloco, os mais abnegados, corajosos e revolucionários elementos de nossa classe ou de setores sociais aliados, é bem vinda e contribui para o progresso da construção do programa da revolução socialista e da batalha antiimperialista.

O modo de produção capitalista na sua totalidade e em nível mundial, vive a mais grave crise de sua história e a mais clara manifestação do esgotamento absoluto desse modo de produção e de metabolismo social e em relação a própria natureza. De fato, é uma crise multifacetada, universal e civilizacional.

A decadência histórica que vive atualmente o sistema de dominação imperialista, é a face fenômenica mais clara desse declínio geral do regime burguês tardio.
Como resposta a sua crise e decadência, o imperialismo americano, personificação dos interesses de todas as frações dominantes da burguesia mundial, busca recrudescer seu domínio neocolonial dos povos oprimidos da periferia capitalista.

A América Latina por sua proximidade geográfica com os Estados Unidos e por estar inserida historicamente como uma zona de segurança geopolítica estratégica para Washington, sofre atualmente uma ofensiva recolonizadora duríssima.

A famigerada Doutrina Monroe e o chamado Destino Manifesto , duas das expressões doutrinárias da dominação colonial inconteste de nosso continente por parte do imperialismo americano, estão sendo recicladas para o atual período de decadência do regime terrorista estadunidense.

Os bandidos da Casa Branca buscam estabelecer um controle absoluto de nossa região, utilizando para isso, o serviço sujo de seus tradicionais lacaios e piões crioulos latino-americanos. O crescimento do neofascismo no continente é produto direto dessa decadência do capitalismo mundial e suas manifestações mais destrutivas nos países dependentes e subdesenvolvidos.

O Imperialismo tem fomentado através de seus serviços de inteligência, o crescimento do novo fascismo em Nossa América, comprometido radicalmente com as terapias de choque neoliberal, a serviço do capital financeiro monopolista.

As novas formas golpistas mobilizadas pelas guerras híbridas de quinta geração e as revoluções coloridas, estão sendo implementadas em praticamente todos os nossos países. Washington planeja o domínio completo de todas as fontes de recursos minerais estratégicos da América Latina; do nosso petróleo, água e recursos naturais e humanos.

Para isso, é imprescindível aos falcões imperialistas o controle geoestratégico da região e a remodelagem de todo o mapa geopolítico latinoamericano, utilizando sem vacilar para isso, a possibilidade real de recorrerem como no passado, ao terrorismo de Estado e a implementação de regimes neofascistas lumpens para quebrar a resistência das massas.

Diante de ameaça tão grave contra nossos povos, se faz cada vez mais urgente a construção de uma frente latinoamericana antiimperialista e antifascista. O momento é muito sério e não se pode perder tempo.

É imprescindível superar no interior das forças revolucionárias ou democráticas, a fragmentação e o divisionismo, no sentido de colocar em segundo plano, as divergências que sejam secundárias e de menor importância.

A construção de um bloco histórico antiimperialista e antifascista concreto e de luta, é uma das tarefas mais necessárias de nosso tempo histórico para fazer frente às reais ameaças dos maiores inimigos da humanidade.

O Capítulo Brasil da Frente Antifascista, é ao nosso ver, importante iniciativa e um embrião da possibilidade dessa construção de lutas coordenadas em nível internacional. 
Vida longa aos camaradas!
Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT
15/08/2026

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

SÓ O POVO PODERÁ DEFENDER O BRASIL * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA-LCB

SÓ O POVO PODERÁ DEFENDER O BRASIL
José Múcio, ministro da Defesa, protagonizou uma das maiores infâmias políticas dos últimos tempos. Perguntado sobre qual seria a reação do Brasil em caso de invasão dos Estados Unidos declarou que a única saída seria “abrir o portão”. Ou seja, deixar o imperialismo tomar conta do país sem oferecer qualquer resistência. A frase é um exemplo do entreguismo de setores das classes dominantes brasileiras e de expoentes de um ramo do aparelho de Estado, as forças armadas, cuja tarefa básica seria defender as fronteiras nacionais e garantir a integridade territorial da nação.

No mesmo dia da declaração feita por Múcio, os presidentes dos clubes militares lançam uma nota de teor golpista. Depois de anunciarem riscos à Nação, por não ter se dobrado aos ditames imperialistas de Trump, declaram ser “pouco provável que soluções consistentes surjam de um ambiente político marcado por sucessivas crises”.

Essas declarações foram precedidas por outra, feita pelo comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen. No final de julho, em entrevista à CNN Brasil, ele declarou, mesmo diante da escalada do conflito de Trump contra o Brasil, não acreditar em um ataque militar dos Estados Unidos, pois existiria um alinhamento doutrinário entre as forças navais de ambos os países.

Essas falas, feitas num intervalo de poucas semanais, revelam mais uma vez a atuação das forças armadas como um aparelho de Estado com agenda e interesses próprios. Elas não se subordinam aos interesses do povo e do país, mas ao funcionamento de uma burocracia estatal com interesses próprios, contrários aos interesses da coletividade nacional. Reclamam constantemente da falta de verbas, mas dos R$ 118,66 bilhões executados do orçamento em 2025, R$ 103,43 bilhões, ou 87,17% do total, foram gastos com soldos do pessoal ativo, mais pensões e pagamento dos inativos.

O problema central não se resume à necessidade de modernizar as forças, mas em uma doutrina de segurança nacional alinhada de modo subordinado aos interesses dos Estados Unidos. Como forças armadas de um país capitalista dependente elas historicamente tem atuado como primeira linha de defesa dos interesses imperialistas dentro do próprio país. Sua doutrina de segurança se preocupa muito mais com a “ameaça interna”, leia-se, os movimentos e organizações populares que lutam por transformações mesmo mínimas nas estruturas da sociedade brasileira.

Por isso, a fala de Múcio pode ser entendida, no contexto de aumento da escalada de ataques de Trump contra o Brasil, como um “convite”. Podem nos invadir à vontade que não ofereceremos resistência.

Com a soberania nacional ameaçada pela agressividade do imperialismo, vai ficando cada vez mais evidente quem pode e quer defender o Brasil de quem quer vendê-lo ao imperialismo.

Que Múcio, os presidentes dos clubes militares, o almirante e toda uma patota de lambe botas do imperialismo falem por si. O povo é diferente da classe dominante que o explora e oprime. Se alguns preferem a covardia de se esconderem em acordos e associações com o imperialismo, com certeza haverá gente do próprio povo disposta a lutar junto a setores militares nacionalistas.

A conjuntura está evoluindo cada vez mais para separar os vendilhões do Brasil dos verdadeiros filhos do povo dispostos a defender nossa soberania.

LIGA COMUNISTA BRASILEIRA-LCB

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

EDUARDO PAES PRIVATIZA O PARQUE OLIMPICO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

EDUARDO PAES PRIVATIZA O PARQUE OLIMPICO
Seguindo a onda privatista da agenda neoliberal, o "dudu demolições", como é conhecido o ex-prefeito Eduardo Paes no movimento de moradia, agora candidato a governo da Estado do Rio de Janeiro, acaba de realizar mais uma de suas tantas epopeias: privatizou o Parque Olímpico, o grande parque aonde foram realizacas as Olimpíadas de 2014. 

Segundo nosso levantamento, um dos argumentos para isso é a "falta de projeto" por parte do poder público, no caso, a prefeitura. Há inclusive alegações de que seria muito dispendioso para o erário público arcar com a gestão do que "ele, Eduardo Paes" chamou de "elefante branco. 

Acreditamos que seria, SIM, muito dispendioso para o erário municipal conferir a conta bancária da prefeitura, via on line,  e verificar, devidamente esgotada de cansaço, o montante arrecadado com aluguel de espaço para eventos de todo tipo, como veio realizando em todos esses anos de existência do parque. E esse cansaço é tão grande que "ELE, O DUDU DEMOLIÇÕES" preferiu se livrar de tanto dinheiro e jogar tudo nas mãos da família Medina, dona da marca ROCK'N RIO, num contrato de vinte anos. 

O mais interessante desse "rolo" é essa privatização se dar num momento eleitoral quando o prefeito sai pra concorrer ao governo do Estado. Não tem nada de estranho nisso? Ainda que essa "operação" tenha sido conduzida pelo Prefeito Interino, ficou muito estranha, porque o parque sempre deu lucro, muito lucro, pois todo evento particular realizado naquele esaço sempre foi cobrado. 

Mas não se surpreendam. Testem a quantas anda a onda privatista de Eduardo "demolições" Paes. Entrem numa escola ou posto de saude municipal e perguntem a um atendente se ele é servidor. Fizemos isso e obtivemos a resposta: PÚBLICO AQUI SÓ O PRÉDIO!

ABAIXO A ONDA PRIVATISTA NO RIO DE JANEIRO
DESDE LULA A EDUARDO PAES!

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Preparem-se para a nova ofensiva do Estado neoliberal logo após o pleito eleitoral * Giovanni Alves/SP

 Preparem-se para a nova ofensiva do Estado neoliberal logo após o pleito eleitoral

Com ou sem Lula, a oligarquia financeira articula o desmonte das garantias fundamentais: visa desvincular a Previdência Social do salário-mínimo, extinguir os pisos constitucionais da saúde e da educação, restringir o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e impor uma Reforma Administrativa desenhada para sucatear e definhar, de forma definitiva, o serviço público.

A insaciabilidade da oligarquia financeira não conhece limites. Após solapar o direito histórico à aposentadoria, o alvo agora é o BPC, justamente em um momento em que a população brasileira envelhece aceleradamente. 

O resultado desse projeto é um país simultaneamente mais idoso, mais empobrecido, mais doente e mais endividado: este é o verdadeiro legado da austeridade fiscal e do neoliberalismo no Brasil.

Trata-se de uma operação deliberada para assolar as classes populares e os servidores públicos — eleitos como os alvos prioritários da racionalidade neoliberal.

Se reeleito, Lula será encarregado de gerenciar a versão 2.0 dessa própria agenda privatista e austera, reeditando a conciliação promovida em seu terceiro mandato. 

Trágico desfecho para a trajetória de um líder que se pretendia progressista. Pobre Brasil.

(Por Giovanni Alves).

sábado, 18 de julho de 2026

A DIREITA NÃO QUER QUE AS MULHERES VOTEM * Maria Teresa Cruz+Raquel Setz/Brasil de Fato

A DIREITA NÃO QUER QUE AS MULHERES VOTEM
Por que o voto feminino voltou a ser questionado pela extrema direita.

Em pleno 2026, um debate que parecia superado há quase um século retorna ao cenário político: a legitimidade do voto feminino. O que começou como um movimento em nichos da extrema direita nos Estados Unidos chegou no Brasil, impulsionado por influenciadores e figuras políticas conservadoras que questionam se as mulheres deveriam, de fato, participar das decisões democráticas.

Para a historiadora Joana Maria Pedro, professora emérita da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), esse fenômeno não é um caso isolado, mas uma estratégia recorrente em períodos de crise e autoritarismo.

“Não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece. Nos anos 1930, quando veio a crise da bolsa de valores, os empregos desapareceram, as fábricas quebraram, a economia quebrou, vários países cogitaram retirar direitos conquistados pelas mulheres”, alerta a pesquisadora. “O máximo que conseguiram foi parar os avanços”, completa, citando exemplos de Portugal, onde efetivamente o direito amplo ao voto feminino data de 1975, e da Alemanha nazista, quando mulheres perderam o direito de serem juízas ou ocuparem cargos em universidades, e a possibilidade de serem eleitas foi reduzida a zero.

No Brasil, o voto conquistado em 1932 era inicialmente restrito a mulheres viúvas ou solteiras com profissão, só se tornando plenamente obrigatório e equivalente ao dos homens em 1946. “Em todo esse período, havia o nazismo, os fascismos, salazarismo. No Brasil, nós tínhamos Getúlio Vargas, que também estancou as possibilidades de avanço, mas a gente não chegou a perder”, detalha. “A gente vai conseguir mesmo [ampliar o direito ao voto] em 1988, quando até votos de analfabetos serão conseguidos.”

Segundo Joana Maria Pedro, a fragilidade desses direitos reside na própria estrutura da sociedade ocidental. “Nós temos na nossa cultura ocidental a ideia de que o próprio direito individual vem com a sociedade burguesa. Se você olhar as narrativas gregas, que a burguesia do século 18 se utilizou, as mulheres não tinham direito algum a qualquer participação política. Aliás, nem eram todos os homens: somente homens com propriedades que poderiam participar das discussões políticas”, explica a historiadora, ressaltando que o modelo de “família ideal”, com a figura do homem provedor e a mulher dedicada ao lar, é uma invenção política para controlar o mercado de trabalho e a moralidade social.

Os argumentos atuais da extrema direita bolsonarista frequentemente classificam as mulheres como “más eleitoras” por suas inclinações políticas e pelo machismo sobre o qual se estrutura nossa sociedade. “O principal argumento é que haveria destruição da família, porque as mulheres que tinham uma constituição tão frágil, tão emocional, não saberiam votar, porque isso exige um raciocínio lógico do qual as mulheres tinham deficiência. Elas eram mais emoção do que razão”, explica.

Contudo, por trás dessa retórica, esconde-se um projeto econômico e social. Ao defender que o voto seja “por família” e, portanto, representado pelo homem, esses grupos buscam restaurar uma hierarquia que retira as mulheres da concorrência no mercado de trabalho em tempos de desemprego.

“Os colonizadores conquistaram os homens prometendo que eram eles que iam mandar. Nas famílias, era a voz deles que iria prevalecer, o mando deles que iria prevalecer. Então, quando eu vejo um pastor dizendo isso, eu entendo que ele está usando os livros religiosos, as questões religiosas, para ter de volta a tal família. Mas por que essa tal família é tão importante? Porque tira da concorrência de trabalho um contingente significativo de pessoas”, revela.

A pesquisadora aponta uma convergência com o pensamento neoliberal. “Esse discurso ajuda muito os empresários, porque, se o Estado não precisar de dinheiro para oferecer equipamentos para as famílias [como creches e saúde], não vai precisar de tantos impostos”, afirma Joana Maria Pedro.

A historiadora adverte que a maior ameaça ao voto feminino hoje não viria de uma canetada autoritária imediata, mas de um processo de convencimento moral por meio de doutrinas religiosas fundamentalistas. “O risco seria através da religião. Eu acho que é a coisa mais eficiente que existe. Se eles conseguirem, de fato, convencer a maioria das pessoas de que o voto das mulheres é uma coisa imoral perante Deus, que isso destrói a família sagrada, a gente perde o direito ao voto, assim como perde outros direitos”, pontua a professora.
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