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quarta-feira, 1 de julho de 2026

DERROTAR TRUMP E A AMEAÇA IMPERIALISTA * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA/LCB

DERROTAR TRUMP E A AMEAÇA IMPERIALISTA
A eleição presidencial de 2026 será um momento decisivo para o futuro da luta de classe no Brasil. O projeto da extrema-direita brasileira para a eleição de outubro é a de transformar o cargo de presidente da República em um encarregado de negócios dos interesses estadunidenses.

A revelação da carta de Marco Rubio, Secretário de Estado do governo Trump, equivalente ao nosso cargo de chanceler, enviada a Flávio Bolsonaro, revela o nível dessa sujeição política. Rubio agradece a Flávio, caso seja eleito presidente, por oferecer ao governo dos Estados Unidos participação na equipe de transição.

Nunca como antes a Independência do Brasil esteve sob o grau de ameaça hoje conhecido. Sempre tivemos, em nosso país, setores entreguistas e pró-imperialistas das classes dominantes. Sua associação com o imperialismo, primeiro britânico e depois estadunidense, foi uma constante em nossa história.

Porém, estamos na iminência de um aprofundamento dessa relação de dependência. Os Estados Unidos consideram a América Latina como uma reserva estratégica. A doutrina Monroe, com o lema “A América para os americanos”, cunhada há duzentos anos, é a expressão dessa estratégia.

A condição de liderança inconteste dos Estados Unidos do campo imperialista é colocada cada vez mais em xeque. Novos concorrentes internacionais, com destaque para a China, entraram em cena e desafiam o domínio estadunidense no campo comercial, tecnológico e militar. Por isso, a condição da América Latina de reserva estratégica dos Estados Unidos se torna ainda mais importante nos dias atuais.

Mas essa condição também está ameaçada. A presença chinesa na América Latina se tornou marcante. Atualmente, a China se tornou a maior parceira comercial do Brasil, Chile e Peru. Enquanto a China compra matérias-primas básicas dos nossos países, ela invade o mercado latino-americano com produtos industriais de alta tecnologia e investimentos em infraestrutura logística.

Para a Casa Branca é inadmissível essa presença em seu “quintal”. Sob o governo Trump, apoiado em segmentos locais de extrema-direita, os Estados Unidos aumentam sua ingerência nos assuntos domésticos dos países latino-americanos. Fazem-no de várias formas: com agressões militares e sequestro de presidentes, caso da Venezuela; operando fraudes eleitorais como no caso de Honduras e Colômbia; e elevando a agressividade do bloqueio a Cuba, incluindo ameaças de agressão militar.

Quanto ao Brasil, por enquanto, esse ataque é desferido na forma de sobretaxas aos nossos produtos exportados aos Estados Unidos, na tentativa de atacar o Pix, considerando-o uma concorrência desleal aos cartões de crédito gringos, e na classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas. Com a aproximação das eleições presidenciais, a interferência do governo Trump vai aumentar. O controle político do Brasil é peça essencial em seu projeto de controle absoluto da América Latina. Trump já declarou ser a eleição brasileira seu próximo desafio.

É preciso enfrentar essa ameaça. E a derrota da extrema-direita em outubro será determinante para o futuro da luta de classe no Brasil, bem como no conjunto da América Latina.

INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS: 250 ANOS DE GUERRAS E MASSACRES

Nesse 4 de julho, os EUA completam 250 anos de independência. Data menos festejada do que os dois séculos e meio possam significar. Os mais velhos lembram os festejos no já longínquo bicentenário. Os EUA comemoram sua data magna com a sua hegemonia desfaida por China e Rússia e lutando para recuperar sua indústria e sua capacidade de inovação tecnológica, utilizando a guerra e a ainda predominância financeira para tal.

Os EUA comemoram seus 250 anos de independência com um governo que vai contra tudo que os Pais Fundadores estruturam. Trump acaba com o chamado equilíbrio entre os poderes. Não respeita as decisões da Suprema Corte. Desafia permanentemente o Congresso. E o pior dos anátemas, atenta contra a autonomia dos estados.

Trump não é um ponto fora da curva entre as administrações presidenciais dos EUA. Todos os presidentes no século XX deram sua contribuição ao belicismo e à ofensiva imperialista. Logo após o reconhecimento das potências europeias à existência independente das antigas Treze Colônias, os EUA iniciaram sua expansão econômica e territorial. Primeiro, no norte do continente americano, às expensas dos nativos americanos e das antigas potências coloniais, França e Espanha. Depois do México, com a tomada de metade do território desse país, formando os estados do Texas, Arizona, Nevada, Novo México e Califórnia.

Depois de acertar contas com o Sul escravagista e monocultor na Guerra Secessão, os EUA ampliam seu expansionismo no exterior, que culminou na guerra contra a Espanha, criando um Império Colonial próprio, com Filipinas, Porto Rico, ilhas do Pacífico e submetendo Cuba a um estatuto quase colonial.

A participação dos EUA nas duas guerras mundiais foi o impulso para substituir as velhas potências europeias. Após o segundo conflito mundial, o poder do Império Estadunidense parecia incontestável. Com seu território não devastado pela guerra, os EUA emergem como a grande potência do mundo capitalista. Consegue estabelecer o dólar como moeda conversível para todas as transações internacionais. No imediato pós-guerra, única potência nuclear. Maior economia industrial.

Só quem poderia desafiar tamanho poder era a União Soviética.

Com a ocupação militar de Alemanha e Japão, os EUA estabeleceram uma rede de bases militares que se desdobra por todo o planeta. Submeteu a Europa ao protetorado militar dos EUA, através da OTAN, cujo custeio Trump quer repassar aos europeus.

A política imperialista dos EUA prescinde de uma dominação estatal direta. Se utiliza da subserviência de governos e burguesias locais. Mas não abre mão de intervenções militares diretas. A lista desde o pós-guerra é interminável, seja com bombardeios, seja com tropas do Pentágono em terra, seja com "assessores".

Na América Latina, o histórico de interferências tem como ato inaugural a Doutrina Monroe. A América para os americanos foi a fórmula do presidente James Monroe manter afastadas as potências coloniais europeias e criar o funesto conceito de Hemisfério Ocidental.

O teórico de origem holandesa Nicolas Spykman levou essa formulação ao paroxismo. Defendeu que a América Latina deveria ser parte de um domínio americano, para que os EUA enfrentassem a potências da Eurásia (leia-se URSS, e Rússia nos dias de hoje). Via possibilidade de se desafiar o poder estadunidense no continente no Brasil, Argentina e Chile, que a pax americana deveria zelar para manter separados. Que o digam Kast e Milei. Se os três países do ABC, como Spykman nomeava, se unissem, os EUA deveriam recorrer à guerra. Essa citação é textual na obra do acadêmico holandês.

Nunca os EUA deixaram de intervir na América Latina. Primeiro fomentando golpes militares. Depois cooptando os chamados governos democráticos. Agora interferindo em processos eleitorais, como fez no Equador, Peru e Colômbia. Se prepara para tentar o mesmo na eleição brasileira de 2026.

A ameaça estadunidense não é meramente retórica. É longa a história de intervenções, invasões e sabotagens das administrações dos EUA em nossos países. É subestimada a atuação de agências e empresas de tecnologia nos eventos de 2013, na operação Lava jato, no impeachment e na eleição de Bolsonaro.

Derrotar o fascismo e o imperialismo é a tarefa fundamental dos comunistas e dos trabalhadores no Brasil.


LIGA COMUNISTA BRASILEIRA/LCB

quarta-feira, 3 de junho de 2026

DEFENDER A SOBERANIA NACIONAL CONTRA AS AMEAÇAS DO IMPERIALISMO * Liga Comunista Brasileira/LCB

DEFENDER A SOBERANIA NACIONAL CONTRA AS AMEAÇAS DO IMPERIALISMO

Em 28 de maio, dois dias após reunião de Flávio Bolsonaro com Donald Trump, uma ordem executiva assinada por Marco Rubio, Secretário de Estado dos Estados Unidos, designou o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como Organizações Terroristas Estrangeiras.

Essa ordem executiva passa longe de qualquer interesse em combater o terrorismo. A finalidade é a de criar motivos para uma intervenção direta nos assuntos internos brasileiros. Faz parte da estratégia do imperialismo, divulgada em documento oficial da Casa Branca em dezembro de 2025, pela qual “os Estados Unidos reafirmarão e farão cumprir a Doutrina Monroe para restaurar a proeminência americana no Hemisfério Ocidental e para proteger nossa pátria e nosso acesso a geografias-chave em toda a região”.

Para alcançar esse objetivo, a tática estadunidense é a de retomar a política de guerra às drogas. Mas, com um elemento adicional novo: considerar as organizações criminosas como terroristas. Com isso, medidas unilaterais, baseadas em evidências frágeis e manipuladas de acordo com os interesses estadunidenses podem ser tomadas, como sanções econômicas e mesmo ações militares contra alvos dentro do Brasil. Isso é uma grave afronta à soberania nacional.

Outro componente dessa tática, declarada abertamente em referido documento, indica um alinhamento a “governos, partidos e movimentos na região que estejam amplamente alinhados com nossos princípios e estratégias”. Na aplicação dessa política, os Estados Unidos se apoiam em uma rede de partidos e governos aliados e submissos a essa estratégia. No Brasil, seus maiores aliados são a família Bolsonaro.

É por demais evidente as relações da família Bolsonaro, e do conjunto da extrema-direita brasileira, com o crime organizado. O clã é o braço político das milícias, como a de Rio das Pedras, e grupos de extermínio como o Escritório do Crime, cuja atuação não se distingue da forma como agem PCC e CV. O clã Bolsonaro, portanto, não tem moral para se apresentar como defensores do povo contra o crime organizado.

O objetivo de Trump e Marco Rubio, ao designarem PCC e CV como organizações terroristas, é o de se aproveitar de uma justa preocupação do povo brasileiro para justificar ataques à economia nacional, além de ações militares contra o território brasileiro, bem como alentar a candidatura de Flávio Bolsonaro, cujo propósito é o de transformar o Brasil num mero protetorado dos interesses estadunidenses.

As organizações criminosas precisam ser enfrentadas. Atuam como inimigas do povo, controlando territórios na base da violência e da ameaça aos moradores. Mas tudo isso tem de ser feito em completo respeito às leis brasileiras.

Os instrumentos financeiros criados com empresas da Faria Lima para lavar o dinheiro de suas atividades ilícitas precisam ser desmontados. Os territórios submetidos ao controle dessas facções devem ser liberados.

É preciso rechaçar em termos absolutos a decisão do governo Trump. Sua intenção, dentro do projeto estadunidense de controlar toda a América Latina, é a de contornar o declínio de sua hegemonia com o recurso a instrumentos econômicos, políticos, diplomáticos e militares para submeter as nações do continente aos seus interesses.

Ao mesmo tempo, diante de uma ameaça de intervenção militar, cabe ao governo impulsionar um debate sobre a mudança na doutrina de segurança nacional. Esta precisa abandonar a tese do “inimigo interno” para uma efetiva defesa frente ao “inimigo externo”, que é o imperialismo. Ao mesmo tempo, é necessário adotar uma política de cortar a dependência dos fornecedores externos de equipamento militar, notadamente os Estados Unidos, incentivando uma produção industrial própria adaptada às nossas necessidades, capaz de nos defender de ataques externos e garantir o exercício da soberania nacional pelo povo, que deve ser mobilizado para essa luta.

Fonte:
https://www.cartacapital.com.br/mundo/trump-quer-controle-da-america-latina-e-militarizacao-leia-plano-completo/*

 BANDO LESA PÁTRIA 

Bolsonaro e o seu filho
Eduardo traiçoeiro,
Crápulas fascistas,
Imorais desordeiros. 

Pai e filho rastejando
Na imoral covardia.
Os dois se humilhando
Para o imperialista;

Da potência do terror
Foram pedir para o Trump
Interferir no Brasil
Com o seu exército jagunço;

Para atacar os chefes
Do PCC, e do CV
Entrando em guerra
Pelo Brasil inteiro

Desrespeitando a nação
A soberania nacional 
Em defesa do bando
Da gangue Bolsonaro.

Pai e filho; em bando
Dos extremistas da direita
Juntos seguem planejando
Um golpe militar no Brasil.

O momento é delicado,
O povo brasileiro
Não pode permitir
O golpe dos bandoleiros!

J. Ernesto Dias

São Luís, MA - 03 de junho de 2026

quinta-feira, 21 de maio de 2026

DERROTAR O GRANDE CAPITAL ASSOCIADO AO FASCISMO E AO CRIME ORGANIZADO * Liga Comunista Brasileira/LCB

DERROTAR O GRANDE CAPITAL ASSOCIADO AO FASCISMO E AO CRIME ORGANIZADO
BOZOVORCARO
BOLSOMASTER

Na última semana ações da Polícia Federal confirmaram o que já era sabido. O senador Ciro Nogueira agia como despachante do Banco Master. Em paralelo, aparece o saque que o governo Ibaneis promoveu no Banco Regional de Brasília, como a venda da financeira do banco, se não bastasse as negociatas com o mesmo Master.

Denúncias aparecem por todo o Brasil. Organização social que prestava serviços para o governo goiano acusada de lavar dinheiro para o crime organizado, o presidente do União como sócio oculto de instituições financeiras da Faria Lima, figuras da extrema-direita se acusando mutuamente de roubo, o ex-presidente do Banco Central fazendo lobby nacional e internacional para o Nubank. A lista parece interminável.

O fascismo é um empreendimento econômico. A desregulação promovida pelo sinistro da economia Paulo Guedes foi um salvo-conduto para a corrupção, para a ação do crime organizado e para o cometimento de crimes contra o consumidor e a saúde pública. Vide o recente caso dos detergentes.

O crime se apossou de diversas estruturas governamentais. A terceirização e a privatização possibilitaram a ampliação da atuação do crime organizado, que captura prefeituras e governos estaduais.

O discurso fascista e o chorume neoliberal servem de cobertura para o saque e para o roubo deslavado. É necessário reverter as privatizações e as terceirizações e o Estado assumir diretamente os serviços públicos. Da mesma maneira, mudar o papel das agências reguladoras, tipo Aneel, Anatel e ANP, frequentemente capturadas pelos agentes regulados.

É urgente, também, retomar o controle da política monetária, cambial e sobre o Banco Central, independente do povo e dependente dos maganos do mercado financeiro. Esses objetivos implicam na mudança do caráter do Estado, da sua composição de classe. Os políticos do Centrão e da extrema direita e os dirigentes do Banco Central e das agências reguladoras são representantes do grande capital.

Derrotar o grande capital é uma tarefa da classe trabalhadora, que vai além das disputas eleitorais.
VORCARO BOLSONARO
EPOPEIA VORCARO

quinta-feira, 23 de abril de 2026

OCUPAR AS RUAS PELO FIM DA ESCALA 6 X 1 * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA / LCB&Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

OCUPAR AS RUAS PELO FIM DA ESCALA 6 X 1 

A classe trabalhadora brasileira trava hoje uma das suas mais importantes batalhas. O fim da escala 6 x 1 com redução da jornada de trabalho e sem redução do salário, caso conquistada, representará uma das mais importantes conquistas da sua história.

Em pesquisa recente feita pelo Datafolha, em março, 71% dos entrevistados aprovam o fim da escala 6 x 1. Em 2024, quando aconteceram as primeiras mobilizações pela pauta, o índice de aprovação era de 64%. Mesmo sem terem ocorrido gigantescas manifestações em sua defesa, o fim da escala 6 x 1 sempre foi muito bem acolhido pelo povo.

Aqui reside o grande paradoxo da luta contra a escala 6 x 1. É inegável o apoio popular por essa causa. Quem participou de ações de massa como mobilizações e panfletagens pode notar a recepção positiva e a expectativa do povo pelo fim da escala.

Contudo, refletindo ao mesmo tempo as dificuldades organizativas enfrentadas atualmente pela classe trabalhadora, faltou à luta contra a escala 6 x 1 grandes manifestações populares em seu apoio. Essa debilidade facilita a reação dos patrões, através dos seus deputados no Congresso, em deturpar o projeto original.

O primeiro Projeto de Lei contra a escala 6 x 1, da deputada Erika Hilton (PSOL/SP), apontava para uma escala 4 x 3 com redução da jornada para 36 horas semanais sem redução dos salários. Só agora, com a necessidade de apresentar uma pauta popular que o alavanque nas pesquisas eleitorais, o presidente Lula enviou ao Congresso um Projeto de Lei com Urgência Constitucional. Ele implanta uma escala de 5 x 2, com redução da jornada para 40 horas semanais e sem redução dos salários.

O Projeto fica aquém do Projeto de Lei de Érika Hilton. Há quem possa justificar a cautela, alegando (como sempre) a falta de correlação de forças. Temos exata noção das dificuldades de se avançarem pautas populares no Congresso.

Todavia, ao apresentar uma proposta rebaixada, o governo diminui a margem para negociação. Com isso, o Congresso pode parir uma proposta ainda mais rebaixada, neutralizando os efeitos benéficos do fim da escala 6 x 1.

Para evitar potenciais deturpações no sentido original do Projeto, tornando-o inócuo, é urgente o movimento sindical convocar o povo à luta. Sem pressão das ruas, um Congresso dominado por inimigos do povo pode até acabar com a escala 6 x 1, mas vai manter a jornada de 44 horas semanais, ou exigir algum tipo de contrapartidas aos patrões na forma de isenções fiscais ou desoneração de recolher o INSS.

É preciso transformar o 1º de Maio, dia do Trabalhador, em um momento de mobilizar o povo pelo fim da escala 6 x 1 com redução da jornada sem redução dos salários. É preciso criar meios de transformar o apoio passivo a essa pauta, em um apoio ativo. Com pressão nas ruas, podemos botar a faca no pescoço do Congresso. Na luta de classe, para conquistar até mesmo conquistas mínimas, o capital e seus políticos só entendem a linguagem da força.

LIGA COMUNISTA BRASILEIRA / LCB
Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

quarta-feira, 8 de abril de 2026

RETOMAR A LUTA PELA SOBERANIA NACIONAL * Liga Comunista Brasileira/LCB

RETOMAR A LUTA PELA SOBERANIA NACIONAL

No atual contexto, de evidente crise da hegemonia imperialista estadunidense, o governo Donald Trump responde com uma política abertamente agressiva e neocolonial. Formas de dominação mais insinuantes, pela via do soft power, são substituídas por uma retórica e ações mais contundentes. A política imperialista é defendida sem meias palavras, impondo-se aos países da periferia do sistema um estado de exceção permanente.

Se quiser manter sua influência global, o imperialismo estadunidense precisa assegurar o controle da América Latina como base para sua projeção mundial. Para tanto, a reafirmação da antiga estratégia, de “América para os americanos”, exposta na Doutrina Monroe no começo do século XIX, é retomada com virulência. Expressando a personalidade narcísica do atual comandante da Casa Branca, agora se chama Doutrina Donroe. Mas se a Doutrina Monroe queria barrar a influência europeia nas Américas, a Doutrina Donroe tem como seu adversário a China.

Na luta dos Estados Unidos para reverter sua crise hegemônica, o Brasil é uma peça-chave. Somos o maior país da América Latina em dimensões territoriais, temos a maior população e a natureza nos dotou de grandes riquezas naturais cobiçadas pelo imperialismo. Temos importante projeção regional, com a luta de classe em nosso país repercutindo na luta de classe das nações do entorno.

Por todas essas razões, a eleição presidencial de 2026 assume uma importância decisiva para o futuro do Brasil. Paira sobre o nosso país uma grave ameaça de recolonização. Facções da burguesia brasileira, galvanizadas pelo bolsonarismo, defendem uma submissão completa do país aos interesses estadunidenses. Em congresso de líderes políticos fascistas, nos Estados Unidos, o candidato Flávio Bolsonaro declarou, caso eleito presidente, que colocará toda a riqueza das terras raras brasileiras a serviço dos Estados Unidos em sua disputa concorrencial com a China.

Essa manifestação de subserviência extrema reflete a política dessas facções, para quem a associação subordinada com o imperialismo estadunidense é um dado inquestionável. A instituição da presidência da República seria transformada em uma espécie de autoridade delegada pelos presidentes dos Estados Unidos.

As forças majoritárias da esquerda brasileira, nos seus últimos 50 anos, secundarizaram a questão nacional. Parida nas lutas contra a ditadura, e sofrendo com o impacto da dissolução do campo socialista, a questão democrática ocupou todas as suas preocupações. Teve até quem definiu a democracia como dotada de valor universal. Ela também embarcou na canoa furada da globalização, ignorando a permanência do imperialismo.

A luta pela soberania nacional deve ser resgatada com urgência pela esquerda brasileira. É impossível apresentar um programa político de superação das nossas contradições sociais, sem propormos um programa político capaz de resgatar a soberania nacional em todas as suas dimensões. Ambas as lutas, no contexto brasileiro, entram em contradição direta com o capitalismo. Associada em diferentes dimensões ao imperialismo, a classe dominante brasileira é o maior obstáculo à conquista de um país soberano e de uma superação da miséria e da pobreza do nosso povo. É urgente nos livrarmos da nossa classe dominante para não sucumbirmos a um projeto de recolonização do Brasil.

Para isso, será preciso construir instrumentos políticos capazes de unificar diferentes forças e personalidades em torno de um programa anti-imperialista como pressuposto das transformações econômicas, políticas e sociais revolucionárias em nosso país.

A MALHAÇÃO DO JUDAS E A MALHAÇÃO DA DITADURA MILITAR

A Malhação do Judas é uma tradição cultural de cunho religioso de vários países da América Latina. A malhação do Judas ocorre no sábado de Aleluia, dentre as festividades da Páscoa católica.

Tradição herdada da cultura ibérica, a malhação faz referência à traição de Judas, que delatou Jesus às autoridades romanas em troca de trinta moedas de prata. O evento é realizado em diversas cidades e bairros Brasil a fora.

Um boneco representando o personagem é espancado ou queimado. Em Itu, o boneco é explodido com fogos de artifício.

Em alguns locais, a festa assume caráter carnavalesco. E políticos desgastados e pessoas impopulares são personificados no Judas a ser malhado.

Na época da ditadura, os presidentes generais foram alvo da ira popular na forma do Judas malhado. No período final do regime, o ditador Figueiredo era o Judas favorito do povo nos bairros e cidades pequenas Brasil a fora. A criatividade popular transformou a festa religiosa em diversão e protesto social.

Neste ano, em alguns lugares do Brasil e no México, onde a tradição é mantida, a malhação do Judas teve Donald Trump como alvo da ira e do protesto popular. 

 Segue um documentário sobre a malhação do Judas, dirigido por Vitor Diniz e Danilo Agripino: https://www.youtube.com/watch?v=ZMvVvpHGXhY.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

RETOMAR AS LUTAS PARA PRESERVAR DIREITOS E AVANÇAR NA LUTA PELO SOCIALISMO * Liga Comunista Brasileira/LCB

RETOMAR AS LUTAS PARA PRESERVAR DIREITOS E AVANÇAR NA LUTA PELO SOCIALISMO

Os trabalhadores tem perdido direitos de maneira contínua nos últimos anos. Desde uma reforma da previdência, que veda o acesso de milhões a aposentadorias e pensões até a negação de direitos aos trabalhadores de aplicativos. O resultado foi a queda da renda do trabalho e a desarticulação do mercado de trabalho.

O país atinge a menor taxa de desemprego em uma década. A renda do trabalho volta a crescer. Porém, os empregos formais gerados, cerca de um 1,1 milhão de empregos novos segundo dados do Caged, são em sua maioria com remuneração menor que dois salários mínimos e com jornadas extenuantes. A reforma trabalhista feita em 2017, mais as diversas decisões do STF, tiveram como objetivo o enfraquecimento da organização sindical e da justiça trabalhista. O sindicatos perderam prerrogativas, incluindo a homologação das demissões e a ultratividade dos acordos coletivos. A Justiça do Trabalho perdeu a função de definir as disputas em torno de vínculos empregatícios, abrindo a porta para a pejotização.

O STF liberou a terceirização de atividade-fim. A terceirização indiscriminada, incluindo no serviço público e nas concessionárias de energia, água, transportes e demais indústrias urbanas, rebaixaram salários e enfraqueceram a capacidade de negociação das categorias profissionais. O resultado é a superexploração, salários rebaixados, uma epidemia de doenças ocupacionais e a debilitação generalizada da saúde mental de quem trabalha. O desemprego, as péssimas condições de trabalho e os baixos salários fizeram uma parte significativa da força de trabalho a se submeter aos aplicativos de transporte, entregas e serviços. Nesse quesito, a relação de trabalho é uma terra de ninguém. As empresas de aplicativos fazem o que querem na ausência de regulamentação. Mudam as condições de uso e de remuneração de acordo com seus interesse, sem nenhuma consulta a quem trabalha.

Esse é o cerne do ajuste neoliberal. Retirar qualquer limite à exploração do trabalho. Recuperar direitos e mudar as condições de trabalho envolve mobilização e uma dura luta da classe trabalhadora. O ajuste neoliberal reflete a fase que se encontra o desenvolvimento capitalista.

A classe trabalhadora deve ter claro que as contradições das relações capital-trabalho só serão resolvidas com a superação do capitalismo, em uma sociedade socialista, objetivo maior dos trabalhadores de todo o mundo.

LIGA COMUNISTA BRASILEIRA/LCB

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

O CAPITALISMO EXPLORA, ADOECE E MATA OS TRABALHADORES – É URGENTE SUPERÁ-LO * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA-LCB

O CAPITALISMO EXPLORA, ADOECE E MATA OS TRABALHADORES – É URGENTE SUPERÁ-LO
https://ligacomunistabrasileira.org/

Em 2025, o Brasil atingiu uma taxa de desemprego de 5,6%, a menor desde 2012. Se por um lado esses números devem ser saudados, por outro merecem séria ponderação. Esse baixo índice de desemprego não pode ocultar o elevado grau de exploração dos trabalhadores.

Cabe destacar, em primeiro lugar, a desaceleração do total de empregos formais gerados. Em 2024, o total de empregos formais foi de 1.693.673, crescimento de 16,5% em relação a 2023. Já 2025 registrou uma forte desaceleração, de 23,7%, com um saldo positivo de 1.279.498 vagas. Essa queda se explica, em boa medida, à política de juros altos do Banco Central, orientada pelo esforço em manter baixa a inflação. Esse viés anti-inflacionário não resulta de uma preocupação em manter o poder de compra dos salários, mas atende os interesses do capital financeiro e do rentismo, pois preserva o valor dos ativos financeiros.

O salário de admissão até conheceu um crescimento, em dezembro de 2025, de 2,55% em relação a dezembro de 2024. Em termos nominais, o salário de admissão nesse período saltou de R$ 2.246,60 para R$ 2.303,78. Mas, tratou-se de um crescimento abaixo da inflação medida pelo IPCA para 2025, apurada em 4,26%. Já o rendimento médio dos trabalhadores cresceu 5,03% em relação a 2024, saltando de R$ 3.440,00 para R$ 3.613,00. Contudo, quando comparado ao salário mínimo necessário calculado pelo Dieese, que deveria ser de R$ 7.106,83, observamos uma diferença de 96,70%.

Outro fenômeno é o da precarização. Cerca de 40% da massa trabalhadora não tem carteira assinada ou trabalha na condição de autônomo. Essa relação de emprego está muitas vezes ocultada pelo trabalho em plataformas, pelo chamado empreendedorismo e pela pejotização. Além da renda média do trabalhador informal ser baixa, as jornadas são maiores, assim como a insegurança financeira. E as condições de trabalho são piores.

A degradação das condições de trabalho também podem ser verificadas na saúde e segurança do trabalhador. Em 2025, o Brasil registrou mais de 4 milhões de trabalhadores afastados pelo INSS. O total de afastamento dobrou em relação a 2021, quando se registrou 1,9 milhão de casos. A maioria dos afastamentos ainda se deve a acidentes e doenças típicas como fraturas e lesões. Mas, cabe destacar o absurdo crescimento dos transtornos de ansiedade e dos episódios depressivos. Estes, de 2021 para 2025, quase triplicaram, saltando de 98.688 para 293.097.

Essa explosão de afastamentos por transtornos mentais revela uma profunda deterioração das condições de vida e da sociabilidade burguesa, no contexto de um capitalismo cujo eixo central de acumulação é a financeirização. A causa dos transtornos mentais está no medo do desemprego, no assédio moral no ambiente de trabalho, nos salários baixos e nas dificuldades em pagar as contas e suprir as demandas familiares, na mercantilização dos bens necessários à uma vida decente, na infame escala 6 x 1, que esgota física e emocionalmente os trabalhadores, e na falta de uma robusta rede de proteção social.

A condição básica para a acumulação do capital é a exploração do trabalho. Quanto mais a classe trabalhadora é espoliada, maior é a lucratividade do capital. Se os lucros batem recorde ano após ano, isso não se deve à esperteza dos grandes capitalistas, mas por causa da exploração dos trabalhadores. A medida dessa exploração se encontra nos salários baixos em relação às necessidades, na precarização do trabalho e no adoecimento físico e mental dos trabalhadores. Enfrentar esse cenário exige dos trabalhadores a retomada luta sindical. É importante alcançar melhorias imediatas, como maiores salários, o fim da escala 6 x 1 e a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários.

Mas a superação definitiva da exploração requer cada vez mais uma revolução que coloque os trabalhadores no poder, mude o caráter do Estado e o regime de propriedade dos grandes meios de produção.

LIGA COMUNISTA BRASILEIRA-LCB

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

UNIDADE DOS POVOS LATINO-AMERICANOS PARA DERROTAR O IMPERIALISMO * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA - LCB

UNIDADE DOS POVOS LATINO-AMERICANOS PARA DERROTAR O IMPERIALISMO
LIGA COMUNISTA BRASILEIRA - LCB


O ataque de Donald Trump à Venezuela, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores, é um emblema de como será a nova doutrina geopolítica dos Estados Unidos para a América Latina. Embriagado pelo sucesso da operação, Trump declarou: “Não preciso do direito internacional” e só seguirá sua “própria moralidade”. O tom agressivo de suas declarações revela a disposição do imperialismo estadunidense de impor sua vontade pela força, sem qualquer tipo de disfarce, como forma de contornar sua decadência.

E, agora, Trump lança novas ameaças aos povos e países da América Latina. Para o México, sugeriu a possibilidade de bombardear áreas do país perto da fronteira com os Estados Unidos, em nome de combater grupos narcotraficantes. E tem exigido da presidenta do país, Claudia Sheinbaum, o fim da venda de petróleo a Cuba. Quanto a Colômbia, ameaçou o país e o presidente Gustavo Petro de ter o mesmo destino de Nicolás Maduro, caso não pare com as críticas ao imperialismo estadunidense. As ameaças a Cuba se tornam ainda mais graves, com Trump sinalizando uma intervenção militar na Ilha, caso esta não desista de seguir seu caminho revolucionário de construção do socialismo.

Apesar do sucesso e do forte impacto do sequestro do presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores, Trump foi incapaz de impor uma derrota à Revolução Bolivariana. O chavismo continua com o poder de Estado nas mãos e a cadeia de comando está mantida. As Forças Armadas não têm exibido sinais de fraturas internas. Resta, a Trump, lançar bravatas de um suposto acordo entre seu governo e a presidenta encarregada da Venezuela, Delcy Rodriguez, como forma de tentar dividir o chavismo. E a exigir do novo governo o envio de milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, bem como acabar com os inúmeros convênios com Cuba, se Delcy não quiser ter um destino ainda pior do que o do presidente Maduro.

A agressividade do imperialismo estadunidense coloca a defesa da soberania nacional como uma necessidade premente dos povos latino-americanos. Sem a soberania nacional sobre todos os nossos recursos naturais será impossível construir um futuro de paz e dignidade para as nossas nações. Historicamente, o maior obstáculo à conquista da soberania nacional são as classes dominantes latino-americanas, cuja política é a de se colocar, em graus variados dependendo do país, como sócia menor do imperialismo. Cabe às massas trabalhadoras latino-americanos a tarefa de recuperar completamente a nossa soberania.

No momento imediato é preciso exigir o respeito completo à soberania da Venezuela. Isso passa por exigir a libertação do presidente Nicolás Maduro e da deputada e primeira combatente Cilia Flores. Não se trata, neste momento, de gostar ou não do governo Maduro. Mas de respeitar a integral soberania do povo venezuelano sobre seu destino, sem a interferência dos Estados Unidos, que age sempre no sentido de apoiar governos e políticos favoráveis aos seus interesses.

Por fim, a esquerda brasileira em seu conjunto precisa abrir o olho e se preparar para uma acirrada disputa política em 2026. Só os incautos acreditam numa suposta “química” entre o governo brasileiro e Donald Trump. Os Estados Unidos não têm amigos, mas interesses. E se o seu maior objetivo, hoje, é acabar com a Revolução Bolivariana, seu alvo no fundo é se apossar do Brasil.

Já ao governo brasileiro cabe, nesse contexto, ser um ponto de contenção ao avanço do imperialismo sobre os países latino-americanos. Lula precisa exigir a libertação imediata de Maduro e Cilia Flores, como forma de restabelecer a soberania venezuelana agredida pelo sequestro. Ao mesmo tempo, liderar uma frente em defesa da soberania nacional e corrigir sua conduta até o momento errática em relação à Venezuela, aprovando a entrada imediata do país nos Brics.

A unidade e a luta dos povos latino-americanos transformará nosso continente na tumba do imperialismo estadunidense.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A LUTA ANTI-IMPERIALISTA E ANTIFASCISTA É O EIXO DA TÁTICA NO MOMENTO ATUAL * Liga Comunista Brasileira/LCB

A LUTA ANTI-IMPERIALISTA E ANTIFASCISTA É O EIXO DA TÁTICA NO MOMENTO ATUAL

A descarada agressividade do imperialismo estadunidense, combinada a ameaça de fascistização dos regimes políticos, tornam-se, nos dias de hoje, a contradição principal da luta das massas trabalhadoras. O imperialismo estadunidense, ainda é hegemônico, mas exibe sinais de franca decadência. O governo Trump representa a facção mais agressiva do imperialismo, com traços abertamente fascistas.

Trump se aproveita demagogicamente de um fato indubitável para enganar o povo: a insatisfação popular com a deterioração das democracias burguesas, atualmente subordinadas aos interesses do capital monopolista e financeiro. E, como todo demagogo fascista, utiliza-se da insatisfação popular e da criação de inimigos imaginários, para construir um regime político abertamente ditatorial e terrorista, mantendo intacto os interesses do grande capital. No caso da América Latina, cujas burguesias demonstram maior grau de alinhamento ao imperialismo, largas facções da burguesia, e mesmo de setores populares, alinham-se aos Estados Unidos, seja por interesses financeiros, seja por adesão aos seus valores políticos e ideológicos. Além do mais, os Estados Unidos atuaram para proteger as elites latino-americanas, aplicando golpes e ditaduras militares, quando as forças populares avançavam com reformas de caráter democrático e de inclusão social.

Essas intervenções, ao longo da história, assumiram justificativas variadas, quase sempre falsas.

Atualmente, utiliza-se como espectro ameaçador os altos índices de criminalidade e o narcotráfico. Por isso o interesse do imperialismo, sob o governo Trump, de forçar os governos latino-americanos a caracterizarem como terroristas as organizações narcotraficantes. Essa é a justificativa para Trump realizar ataques e mesmo ameaçar com uma invasão à República Bolivariana da Venezuela, acusando seu presidente, Nicolás Maduro, de liderar um cartel (inexistente) de drogas.

No caso do Brasil, em linha com a política de Trump, a extrema-direita se utiliza da comoção causada pelo massacre promovido pelo governo do Rio de Janeiro para retomar o controle do debate político. Utilizam-se da pauta da segurança pública, apontando-a como principal problema do Brasil. Colocam-se como únicos defensores de uma ordem pública ameaçada por criminosos que contam com a leniência da justiça. A solução, para essa gente, adviria de um crescente punitivismo e de uma autorização para a polícia matar, utilizando os mesmos moldes que o Estado sionista de Israel utiliza na Faixa de Gaza.

No fundo, tudo não passa de uma cortina de fumaça para justificar a construção de um regime político ainda mais autoritário, policialesco e terrorista contra o povo e seus setores políticos mais combativos. Falando de forma mais direta, a extrema-direita finge que quer recrudescer a legislação penal, quando o objetivo imediato é encobrir seus próprios crimes e os crimes de seus aliados nas cúpulas das organizações criminosas. A extrema-direita, hoje, é o operador político do crime organizado nas câmaras de vereadores, na câmara dos deputados, nas assembleias legislativas, nos governos estaduais e nos governos municipais. A proposta do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), relator do PL anti facção, de tirar a Polícia Federal das investigações, é o melhor exemplo dessa busca pela impunidade em nome do combate à impunidade.

Lênin, em sua obra "Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo", aponta como uma tendência do imperialismo a reação política em toda a linha. Nos dias de hoje, o imperialismo estadunidense recorre ao fascismo como meio de frear sua evidente decadência. O combate ao fascismo está indissociável do combate ao imperialismo. Em termos práticos, ela se consubstancia em uma luta pela soberania nacional, pela construção de uma nova democracia, apoiada nas massas trabalhadoras, por mudanças estruturais no regime de propriedade e na repartição da renda e da riqueza, para superar nossas graves contradições sociais.

Combater o fascismo e o imperialismo – esse é o eixo tático da luta das massas trabalhadoras brasileiras.

Comitê Central da Liga Comunista Brasileira
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quarta-feira, 1 de outubro de 2025

21 DE SETEMBRO ABRIU UM ESPAÇO PARA A RETOMADA DA LUTA DE MASSA * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA - LCB

21 DE SETEMBRO ABRIU UM ESPAÇO PARA A RETOMADA DA LUTA DE MASSA

Domingo, 21 de setembro, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas contra a PEC da bandidagem e a anistia aos golpistas. Na semana seguinte, a Comissão de Constituição e Justiça sepultou a PEC da Bandidagem, em um claro reflexo da mobilização popular.

Os deputados da extrema-direita e da direita disfarçada de Centrão acreditavam que poderiam aprovar medidas de acordo com seus interesses. Escudados em uma maioria eventual, eleita com dinheiro do orçamento secreto, chantagem religiosa e domínio territorial do crime organizado, os deputados fascistas e fisiológicos tentaram criar parlamentarismo de fato.

A tentativa de blindagem e autoanistia foi a gota d'água. É visível o cansaço da população com a pauta fascista, a constante perda de direitos e as derrotas impostas à classe trabalhadora.

Abre-se um espaço significativo para a retomada da luta política de massas.

Os acontecimentos da semana passada provam que mesmo o Congresso mais reacionário desde o fim da ditadura não passa infenso à mobilização de massas. Não se pode parar a mobilização depois dessa vitória pontual. Existem diversas bandeiras justas, que sensibilizam a classe trabalhadora e o povo, como a luta pelo fim da escala 6x1 e pela afirmação da soberania nacional.

O plebiscito pelo fim da escala 6x1, apesar das limitações e da mobilização abaixo do potencial, foi um marco importante. A partir dos resultados do plebiscito, é necessário intensificar a campanha do fim da escala 6x1.

O fascismo ainda não foi derrotado, apesar de seu evidente desgaste. A condenação de Bolsonaro e de quatro generais de último posto é um duro golpe para a corrente fascista. Porém, a ideologia e a prática fascista tem disseminação social. A corrente bolsonarista tem força nas Forças Armadas, no judiciário, no ministério público e nas polícias, além de várias categorias da burocracia pública.

Para derrotar o fascismo é preciso que a classe trabalhadora e os setores populares superem a armadilha do eleitoralismo, mantendo mobilização permanente nas ruas.

Manter a força nas redes e nas ruas. Unificar as lutas. Defender os direitos sociais e do trabalho, as liberdades democráticas e a soberania nacional.

LIGA COMUNISTA BRASILEIRA - LCB

quarta-feira, 30 de julho de 2025

É PRECISO ENFRENTAR OS TRAIDORES DO BRASIL QUE SE DISFARÇAM DE VERDE E AMARELO * Liga Comunista Brasileira/LCB

É PRECISO ENFRENTAR OS TRAIDORES DO BRASIL QUE SE DISFARÇAM DE VERDE E AMARELO

O patriotismo da extrema-direita é mentiroso. Sua base social são as facções mais reacionárias da burguesia brasileira e das camadas médias, majoritariamente brancas. Ambos têm ódio do Brasil e do seu povo. O país, para eles, não passa de um ativo a ser espoliado em negócios escusos associado ao capital financeiro para lhes garantir uma vida luxuosa. Para eles, o povo não passa de carne barata a ser explorada e “gasta” com sobrecarga de trabalho, baixos salários e sem acesso a direitos básicos e serviços públicos decentes. Essa bandalha disfarça sua política entreguista e anti-povo com o uso do verde e amarelo.

O patriotismo eles é uma caricatura artificial e desonesta. Não se importam em entregar as riquezas do país ao capital estrangeiro. Muito menos se indignam com as condições precárias em que vive a maioria do povo. E agora, para defender os interesses restritos, querem recolocar Bolsonaro na eleição presidencial de 2026. Para isso, tramaram com o governo Trump um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, caso Bolsonaro não seja anistiado. Também apontam como condição para o fim do tarifaço o fim do Pix e a entrega de nossas reservas de minerais raros.

A guerra de Trump e da família Bolsonaro contra o Brasil não tem motivação comercial. Os Estados


Unidos são uma potência imperialista em decadência. O ataque tem motivação geopolítica e o alvo são os BRICS. E o Brasil é peça-chave nessa disputa. Por isso Trump quer salvar Bolsonaro, já que teria um candidato completamente alinhado aos interesses imperialistas, pois declarou em fevereiro que caso possa ser candidato a presidente em 2026, e seja eleito, vai tirar o Brasil dos BRICS e permitir a instalação de bases militares gringas em território brasileiro.

O atual cenário é muito perigoso para a soberania brasileira e para a luta de classe em nosso país. Talvez em nenhum outro país dos BRICS o imperialismo encontre tão grande apoio interno das classes dominantes, das camadas médias e em certos ramos do aparelho de Estado, como as Forças Armadas. Para termos uma ideia dessa subserviência, mesmo com a soberania do país sob ataque de Trump, as forças armadas brasileiras anunciaram a manutenção de todos os acordos, compra de equipamentos e parcerias com as forças armadas estadunidenses. Inclusive de exercícios militares conjuntos com tropas dos Estados Unidos previsto para acontecer no final deste ano em Pernambuco.

Não se pode contar com essa gente para defender o Brasil da guerra híbrida que Trump e a escumalha bolsonarista trama contra nosso país. Como já fizeram em outros momentos da história brasileira, recorrem a ajuda estadunidense


para ganhar apoio nos conflitos internos. O preço pago é a venda da soberania nacional e a submissão do Brasil aos interesses imperialistas.

Por isso, Lula precisa urgentemente convocar o povo à luta. Precisa usar a cadeia nacional de rádio e tevê para politizar as causas desse conflito, expor o que está em jogo nesse tarifaço, denunciar as maquinações dos traidores do Brasil que apoiam Trump e indicar a necessidade de resistirmos. Só o povo trabalhador mobilizado pode derrotar os entreguistas internos e as pretensões intervencionistas do imperialismo.

O que está em disputa não é apenas o quanto seremos taxados. O que está em causa é se nós, a massa trabalhadora que sustenta esse país, aceitaremos sem resistir que a classe dominante brasileira empurre o país para a condição de serviçal dos interesses estadunidenses. Tal luta pela garantia da soberania nacional tem enorme potencial de unificar a massa trabalhadora brasileira em todos os seus segmentos e estratos. Para isso, além de encarar as pretensões imperiais de Trump, devemos denunciar os vende-pátrias que buscam disfarçar sua covardia e subserviência vestindo verde e amarelo e arrotando patriotismo de araque.

Viva a unidade do povo trabalhador brasileiro!
Abaixo os vende pátria! Fora imperialismo!

sexta-feira, 25 de julho de 2025

PREPARAR O PAÍS PARA ENFRENTAR OS ATAQUES IMPERIALISTAS * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA/LCB

PREPARAR O PAÍS PARA ENFRENTAR OS ATAQUES IMPERIALISTAS

O ataque de Trump ao Brasil é parte da agenda global do imperialismo, que quer evitar a perda vertiginosa de sua hegemonia. Os ataques começaram com a sobretaxa de 50% sobre os produtos nacionais exportados aos gringos a partir de 01 de agosto.

Mas, agora, evoluiu para a abertura de uma investigação nos Estados Unidos, sobre supostas “práticas desleais aos serviços de pagamento eletrônico” no Brasil desenvolvidos pelo governo. O alvo de Trump é o Pix, cujo volume de 34% das transações eletrônicas, o que limita a presença dos cartões de crédito de empresas estadunidenses, hoje reduzidos a míseros 4,59%.

A Rua 25 de Março, centro popular de comércio de São Paulo, entrou na mira de Trump. Seus comerciantes são acusados de comercializar produtos falsificados, desrespeitando a propriedade intelectual. Outra ameaça grave foi feita pelo secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Mark Rutte, de aplicar tarifas comerciais de 100%, caso o Brasil mantenha relações comerciais com a Rússia.

E, por fim, os ataques agora atingem membros do STF. Oito dos 11 ministros, além do Procurador Geral da República, Paulo Gonet, tiveram cancelados seus vistos de entrada nos Estados Unidos. A decisão ocorre logo após Bolsonaro ser alvo de ação da Policia Federal na última sexta-feira. Na carta de Trump anunciando as sobretaxas,

exigiu-se o fim do que considera perseguição ao ex-presidente. Trump condiciona o fim das sobretaxas a anulação do processo contra Bolsonaro, o que expõe claramente a aliança do bolsonarismo com o imperialismo. Esse é um motivo adicional para se exigir a prisão, com a perda do mandato, dos membros da família Bolsonaro envolvidos nas articulações com os Estados Unidos para prejudicar o país.

O imperialismo está disposto a usar toda e qualquer justificativa para atacar o Brasil. Estamos sendo arrastados para uma guerra com várias frentes. Exigem-se respostas que preparem o país para o agravamento dos ataques.

A primeira é a de alterar radicalmente nossa doutrina de defesa nacional, focada na existência de um imaginário inimigo interno, que considera o povo e suas organizações de luta como adversários principais. Requer-se a construção de uma nova doutrina, de proteção do país frente ao inimigo estrangeiro, o imperialismo. Isso implica uma mudança nos currículos e na mentalidade dos militares, bem como na retomada de uma indústria nacional de defesa desenvolvida com tecnologia própria. Também devem ser suspensas as atividades de treinamento conjunto e intercâmbio com o exército gringo. Exemplo é a “Operação CORE”, prevista para acontecer este ano na caatinga pernambucana.

A segunda é a necessidade de desbaratar todos os óbices ao

crescimento e desenvolvimento econômico do país, tendo em vista o progresso social e o bem-estar do povo. Deve-se enfrentar o impacto das taxações de Trump com aumento dos gastos públicos, o que coloca mais uma vez a necessidade de revogar o arcabouço fiscal. Para isso, o arcabouço fiscal, com sua restrição ao crescimento do investimento público, tem mais um motivo para ser revogado. Urge desenvolver uma economia autossuficiente, que gere emprego e renda a toda a massa da população, ampliando-se direitos sociais e trabalhistas, universalizando serviços públicos, reestatizando empresas privatizadas, estimulando a produção agrícola a atender as necessidades alimentares do povo e protegendo os segmentos mais vulneráveis da população.

Por fim, é preciso mobilizar o povo. Não se pode enfrentar o crescente ataque do imperialismo mobilizando apenas os capitalistas atingidos pelas taxações. A burguesia brasileira é débil e entreguista. O Brasil lhe serve apenas como um ativo a ser negociado com o imperialismo. Pressionada, ela cederá facilmente ao imperialismo para garantir “uns dólares a mais”. A única força social capaz de enfrentar o imperialismo de modo consequente são as massas trabalhadoras. Por isso ela precisa ser chamada à luta, ser politizada e organizada.

LIGA COMUNISTA BRASILEIRA
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quarta-feira, 16 de julho de 2025

LUTAR PELA SOBERANIA NACIONAL E POR UM PROJETO POPULAR RUMO AO SOCIALISMO * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA - LCB

LUTAR PELA SOBERANIA NACIONAL E POR UM PROJETO POPULAR RUMO AO SOCIALISMO

Os ataques estadunidenses contra o Brasil não tem natureza comercial. Desde 2009, o Brasil apresenta déficit em seu comércio com os Estados Unidos. A taxação de 50% sobre as exportações brasileiras obedece outro motivo: é parte da guerra do imperialismo contra a sua decadência.

O objetivo de Trump é atacar o Brasil para atingir os BRICS. Acusa autoridades brasileiras de uma perseguição injustificada a Bolsonaro para recolocá-lo na disputa presidencial em 2026, exigindo sua anistia.

Bolsonaro representa o segmento mais entreguista e vende-pátria da burguesia brasileira. O próprio já anunciou que se eleito presidente em 2026 tiraria o Brasil dos BRICS e autorizaria a instalação de bases militares estadunidenses na região da Tríplice Fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai, em Foz do Iguaçu-PR).

Bolsonaro e asseclas precisam ser tratados como inimigos da pátria. Utilizam-se do medo e da ameaça - resgatando o exemplo do Japão, atacado pelos Estados Unidos com duas bombas atômicas na Segunda Guerra -, caso não nos ajoelhemos aos interesses gringos. Merecem, junto com toda a canalha de políticos que apoiam os ataques de Trump, a execração pública, a prisão, a inelegibilidade e a perda de mandato.

Os comunistas da LCB defendem uma frente de unidade contra os ataques de Trump e os ladrões vende-pátrias que querem nos colocar como uma colônia dos Estados Unidos.

Mas, para além dos ataques imediatos é preciso aprofundar a análise. A burguesia brasileira enfiou o país num impasse histórico. Estamos reduzidos a ser "o celeiro do mundo”, mesmo na era da tecnologia.

Por nossa dimensão continental, com o volume de recursos naturais, poderíamos ter uma economia auto suficiente e voltada a garantir condições de vida dignas para todo o povo.

Porém, a perspectiva da burguesia brasileira é a de nos inserir na economia imperialista como país baseado na agro-mineração exportadora e espaço de valorização do capital financeiro internacional. Para a burguesia o país é um ativo, cujos recursos explora à vontade e, superexplora a massa trabalhadora. Essa debilidade do capitalismo brasileiro, construída pela burguesia como forma de manter elevadas taxas de acumulação de capital, torna o país indefeso a qualquer mudança na economia internacional.

O momento é de unidade e luta contra os ataques do imperialismo estadunidense. Dessa tarefa não nos furtaremos. E para isso, o povo tem que ser chamado à luta! Diferente do governo, que busca responder a Trump se apoiando apenas nos setores capitalistas atingidos pela taxação, é preciso mobilizar o povo na defesa do país. Os ataques do imperialismo não pararão por aí. Podem se aprofundar e só o povo mobilizado conseguirá responder de forma radical e consequente a esse ataque.

Abre-se, junto a essa oportunidade de mobilizar a massa do povo, espaço para se discutir um novo modelo de desenvolvimento econômico que atenda as necessidades da massa trabalhadora com a melhoria das suas condições de vida, a reindustrialização, a universalização da educação e saúde, a ampliação de direitos sociais e trabalhistas, com uma produção agrícola voltada a atender nossas necessidades alimentares, com a retomada de todas as estatais privatizadas, com a defesa do meio ambiente, a garantia de direito à terra e seus recursos às populações tradicionais (indígenas, quilombolas e ribeirinhos), com a construção de uma nova democracia operária e popular e com a defesa e proteção intransigente dos setores mais vulneráveis da massa da população: a classe trabalhadora, as mulheres, a população afrodescendente, a juventude preta e proletária, as crianças e os idosos.

Esse é o caminho da luta pelo socialismo no Brasil. É o nosso projeto!
LIGA COMUNISTA BRASILEIRA - LCB