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sábado, 23 de maio de 2026

COMUNICADO ANTIIMPERIALISTA * Juan Contreras/Coordenadoria Simón Bolívar/VE

COMUNICADO ANTIIMPERIALISTA

Coordenadoria Simón Bolívar/VE


Camaradas e compatriotas, irmãos e irmãs da causa popular, revolucionária e anti-imperialista:

Hoje, 21 de maio de 2026, somos chamados pela urgência histórica a ler a realidade com os olhos bem abertos. Não podemos compreender o que está acontecendo com Dona María na fila do mercado em Petare, ou com o professor a caminho da aula em Barquisimeto, se não olharmos para o mapa da grande batalha que os povos do mundo travam contra o imperialismo e o capital transnacional.

Para os revolucionários, a análise situacional não é um exercício acadêmico burguês; é uma ferramenta de combate para decifrar como o cerco do império e as contradições de nossa própria dinâmica interna impactam diretamente o estômago, o bolso e a alma do nosso povo.

Vamos conectar o global, o regional e o local neste diagnóstico da nação.

*1. O Cenário Global: O Ruído do Capitalismo e a Fossa de Ormuz*

O mundo está testemunhando o colapso definitivo da hegemonia unipolar de Washington. O tabuleiro de xadrez global está fraturado, e o Sul Global decidiu não se submeter mais.

*A crise no Estreito de Ormuz:* O controle e o fechamento intermitentes dessa via navegável estratégica pelas forças da República Islâmica do Irã são uma resposta direta à chantagem dos Estados Unidos e do sionismo internacional. Ao impedir que empresas de navegação ocidentais exportem petróleo e gás, sem respeitar a soberania das nações, um alarme geopolítico foi acionado.

Como isso impacta o cotidiano dos venezuelanos? O império, alarmado com o aumento dos custos de energia e a alta global dos preços do petróleo bruto devido aos custos de transporte marítimo e à insegurança no Estreito de Ormuz, volta seu olhar cobiçoso para o país que sempre considerou seu. A Venezuela, com as maiores reservas de petróleo do planeta, está novamente sob intensa pressão. O aumento global dos custos de transporte marítimo eleva imediatamente os preços dos alimentos e medicamentos que o Estado importa para a população. A inflação global, acelerada pela crise de Ormuz, significa que os produtos importados nas prateleiras dos supermercados ficam mais caros a cada dia, pressionando o orçamento familiar.

*2. O Cenário Regional: A Infâmia Contra Cuba e os Julgamentos da Rendição*

A América Latina e o Caribe continuam sendo o território disputado onde o império testa suas táticas de sufocamento e domesticação.

*A crueldade criminosa contra Cuba:* A intensificação da agressão contra a República irmã de Cuba, buscando subjugar um povo heroico pela fome através de um bloqueio energético e financeiro absoluto, não é um incidente isolado. É um aviso colonial para toda a região. O império pune a dignidade para instaurar o terror.

*A rendição de Alex Saab:* O cenário diplomático regional sofreu um colapso ético com a rendição e a manipulação política de figuras que desafiaram o bloqueio. Para o cidadão comum, essas manobras na alta política e na diplomacia secreta levantam questões profundas sobre o custo de manter a soberania econômica diante de um inimigo que carece de moralidade e integridade, revelando que as forças imperiais continuam a exercer pressão sobre as decisões da região.

*3. O cenário local: a Via Sacra do trabalhador e a pátria "protegida"*

Chegamos à raiz, ao território onde a geopolítica se torna suor, resistência e, também, uma imensa contradição interna que devemos apontar com um espírito autocrítico e um verdadeiro esquerdismo.

Hoje nos encontramos em um país que, após os eventos e o colapso político de 3 de janeiro, vivencia um dos períodos de tensão mais complexos de sua história contemporânea. Uma sensação de controle paira no ar, um peso institucional onde o pleno exercício do poder popular e da democracia comunitária e baseada em assembleias parecem estar paralisados ​​por acordos de fato, pressões internacionais e a lógica do pragmatismo econômico.

Essa realidade política está dolorosamente entrelaçada com a realidade econômica da classe trabalhadora:

*Trabalhadores sem salário, a dor dos bônus:* A renda da classe trabalhadora é fragmentada. A Renda Mínima Abrangente foi estabelecida com base em uma estrutura indexada que gira em torno de *US$ 240*, mas a armadilha capitalista e os efeitos sufocantes do bloqueio impuseram uma fórmula onde *não há salário real, apenas bônus*.

*O impacto na vida diária:* Isso destrói os benefícios sociais, elimina o direito a férias decentes, torna as aposentadorias precárias (mal chegando a US$ 70) e deixa os trabalhadores à mercê de lutas diárias. A vida diária se tornou uma estratégia extrema de sobrevivência: batalhar para pagar as contas, depender de programas de assistência governamental e a ansiedade de ver a inflação acumulada devorar seu fluxo de caixa antes do dia do pagamento.

Não podemos justificar a violação dos direitos históricos da classe trabalhadora unicamente com base no bloqueio criminoso. O bloqueio existe, ataca-nos e é a principal causa do sofrimento nacional, mas a resposta revolucionária jamais poderá ser a adoção de medidas monetaristas ou neoliberais que transferem o fardo da crise para os ombros do trabalhador, enquanto setores de uma nascente burguesia comercial vivem numa bolha de opulência.

*O Desafio da Vanguarda Popular*

A conexão é clara: o imperialismo cria bloqueios e gera crises energéticas globais (o Estreito de Ormuz) para estrangular as finanças públicas da Venezuela. O Estado, sitiado e limitado regionalmente, opta internamente por uma retirada tática e por uma ordem econômica que mina os salários reais e cria uma atmosfera de controle político que sufoca a participação popular.

A solução para esta situação não virá de concessões à direita nem da tutela das elites. A solução deve ser profundamente popular, patriótica e socialista. É hora de reativar as comunidades de base, exigir a restauração de um salário digno, em consonância com o espírito original da Revolução, e lembrar aos líderes que o povo venezuelano resiste não para trocar de senhores, mas para ser definitivamente livre.

*Liberdade para o Presidente Nicolás Maduro e a Deputada Cilia Flores*
*Transferência agora de Ilich Ramírez Sánchez para a República Bolivariana da Venezuela*

*Comuna ou nada! Nós venceremos!*

Coordenadoria Simón Bolívar/Venezuela