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sábado, 15 de julho de 2023

A MORTE FELIZ DO ANALFABETO POLÍTICO * Lúcio Carril/AM

A MORTE FELIZ DO ANALFABETO POLÍTICO


Ter consciência das coisas do mundo nos faz sofrer. Ao olhar determinada realidade identificamos logo os sujeitos e as causas do problema,  passando a questionar em seguida os meios que poderiam levar à superação daquela situação; uma chatice que persegue quem aprendeu a analisar o que ver. 

Feliz mesmo é o alienado, que sorri diante da sua desgraça, achando que é obra divina ou resultado da sua incapacidade de fazer. Brecht chamava esses seres metafísicos de "analfabetos políticos", justamente aqueles que não sabem que o preço do pão e da carne é obra humana e não resultado de uma lei atemporal.  

Ao não saber das coisas do mundo, o alienado aceita tudo com resignação e não sofre além daquilo que não satisfaz suas necessidades materiais de vida. 

Tenho refletido se é verdade que o alienado quer manter seu estado de letargia mental para não sofrer e assim seguir sua vida feliz como é.  Talvez seja uma autodefesa seu distanciamento da consciência crítica. Penso assim em razão da insistência de muitos desses seres estranhos em não aceitar informação ou uma explicação da realidade.

Nem falo de uma reflexão dialética,  mas somente de um raciocínio simples das relações políticas e sociais.
Basta você começar a explicar as causas de um problema que o incauto pula, foge ou simplesmente ignora. Ele não quer saber das coisas do mundo.

Fico eu aqui no meu sofrimento e na minha chatice reflexiva, enquanto outros seres acenam e sorriem para sua exploração  e seu explorador.

Lúcio Carril
Sociólogo

sábado, 11 de março de 2023

A mulher negra e a sociedade * Clarisse da Costa / SC

A mulher negra e a sociedade 
Clarisse da Costa 

Ver um filme que conta muitas coisas horríveis da nossa realidade me faz pensar o quanto a humanidade é cruel. Corina, uma babá quase perfeita retrata as dificuldades de aceitar a perda de alguém, o preconceito e os desafios de ser aceito na sociedade. 

Ser uma criança branca e ter um carinho imenso por uma mulher negra era um tanto estranho, para muitos inaceitável. É que a relação entre brancos e negros nunca teve um laço estreitável, primeiro que para muitos o negro nunca deixou de ser um empregado, nos tempos primordiais da história, simples serviçais. 

O dono da casa ter uma relação com a babá da sua filha além de ser um escândalo para a família, era para algumas carolas da vizinhança um grande  pecado cometido. Como se ser negro não fosse algo de Deus. Mas na verdade, não existe essa de ser negro, nós nascemos negro. Eu poderia até falar um pouco sobre genética, mas acho que não vem ao caso. 

Aí temos uma mulher destemida, forte, ciente do que quer diante de uma sociedade que leva em conta a cor da pele e o gênero. Corina, teve seus artigos negados por ser mulher negra, mesmo reconhecendo que era um bom trabalho. E levando isso para os dias atuais, podemos ver que não mudou muitas coisas. Existe ainda um muro entre a mulher negra e a sociedade. 

Eu como mulher preta posso dizer: - O mundo não está preparado para nós mulheres. Porque essa ideia de que toda mulher é um ser feminista e a sociedade masculinizada é perfeita, é algo cruel para não dizer idiota. Talvez seja idiota mesmo!

Prefiro sempre estar no papel de mulher forte, acho que nós mulheres não devemos abaixar a cabeça para essa sociedade machista e opressora. 

Vivemos numa sociedade bastante cruel. 

Tantas histórias eu ouvi de mulheres que fica difícil acreditar que a nossa política mude e tenhamos os nossos direitos garantidos.
Aí você vê uma mulher frágil tentando se esconder por uma falsa ideia: - Estou bem! Mas nem sempre tudo está bem, a vida às vezes nos pega uma rasteira.

Então eu vejo mulheres se questionando o que fizeram de errado. Algumas até diante da dor e da crueldade humana se fecham em silêncio. Existe um abismo grande entre seus questionamentos e a sociedade. 

Voltando a Corina, ela tentou expor o seu trabalho. Quantas negativas ela recebeu na sua vida? Ela não queria ser uma mulher negra no jornal, e sim ter o seu trabalho reconhecido. Claro que uma mulher no jornal escrevendo artigos iria fazer uma grande diferença. A mulher no cenário literário não era algo visto com bons olhos décadas atrás. Nos dias atuais a realidade é outra, mas ainda continuamos enfrentando muitas barreiras. Falar sobre essas questões é de suma importância, enaltecer a mulher preta! 

Corina, Uma Babá Perfeita 1994
WHOOPI GOLDBERG 
ESCRAVISMO ESTADUNIDENSE
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