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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

OS COMPANHEIROS - FILME * Yuri Pires/Jornal A Verdade

OS COMPANHEIROS - FILME
Ao final do século XIX, os operários do mundo inteiro viviam uma situação de miséria e brutal exploração. Jornadas de trabalho de 12, 13 e até de 16 horas diárias eram impostas aos trabalhadores, principalmente nas fábricas. Licença maternidade, férias, seguridade social, nada disso existia. Essa situação que perdurava desde o aparecimento das primeiras grandes fábricas, com a revolução industrial, acabava com a saúde dos operários. E como entravam cada vez mais cedo nas fábricas (12, 13 anos de idade), a maioria não sabia ler, nem escrever.

Em alguns países, como a Inglaterra, a classe operária começava a se organizar para lutar pelos seus direitos. OCartismo, movimento surgido a partir de uma Carta do povo, enviada ao parlamento inglês pela Associação Geral dos Operários de Londres, atacava as fábricas e quebrava as máquinas em protesto contra o desemprego, a enorme jornada de trabalho, além de reivindicar o sufrágio universal para as eleições parlamentares e o direito de participação dos operários no parlamento. Logo a classe operária, percebeu que o problema não estava exatamente nas máquinas, mas estava na forma como a burguesia organizava a produção e na propriedade dos meios de produção por esta mesma burguesia.

Em outros países europeus, as grandes fábricas começavam a surgir e com elas a concentração de uma classe operária cada vez mais numerosa nas grandes capitais. Porém, a organização sindical e política ainda não havia chegado com força até o início do século XX. O início da organização da classe operária na Itália é o que nos mostra o filme Os companheiros (1963), de Mário Monicelli (mesmo diretor de O incrível exército de Brancaleone).

A história se passa em Turim, grande centro industrial da Europa (é cidade sede da montadora de automóveis Fiat), e nos conta a vida de centenas de operários de uma fábrica têxtil. Submetidos a uma extenuante jornada de trabalho de 14 horas, os operários saíam de casa “com os filhos dormindo e voltavam quando eles já estavam dormindo de novo”. Era comuns acidentes devido à falta de atenção provocada pela fadiga.

A saga começa, quando um operário, cansado, se descuida na operação da máquina e perde a mão. Seus colegas operários vão ao hospital se solidarizar e lá mesmo decidem ir “falar com o patrão” sobre a diminuição do tempo de trabalho diário.

À noite, vários deles freqüentavam uma escola improvisada na casa de um professor do Liceu da cidade, para aprender a ler e escrever, pois só assim poderiam votar nas eleições distritais segundo as leis da época. Porém, a maioria dormia durante as aulas. Surge entre os operários, uma incipiente organização chamada “comitê” para os representar ante os patrões.

É então que chega a cidade um “professor” chamado Sinigaglia (Marcelo Mastroiani, famoso por 8 e meio eDivórcio à italiana). Participa por acaso de uma das assembléias do “Comitê” e já então se destaca por suas boas idéias e espírito de organização acima da média entre os operários, e é eleito conselheiro do “comitê”.

Quadro vivo do início das organizações sindicais, Os companheiros, nos mostra que a classe trabalhadora vai aprendendo com a sua própria experiência. São reprimidos pela polícia e pelo exército, sofrem tentativas de suborno e de divisão do movimento. Fazem quotizações para poder sobreviver à fome imposta pelas duras condições da greve. O professor do Liceu recolhe ajuda entre os estudantes e é repreendido pelo diretor do Liceu “por estar ensinando subversão” as crianças. Ao mesmo tempo, o dono da fábrica orienta os seus funcionários a prender Sinigaglia, pois “sem liderança, eles não agüentam um dia sequer”.

A polícia dos patrões assassina um operário, prende o Sinigaglia e encerra a greve de forma truculenta. Porém, exatamente o operário que mais questionava o professor, passa a ser procurado pela polícia e passa a fazer a função que fazia Sinigaglia, indo para outra cidade se encontrar com um “contato”. Enquanto isso, o comitê planeja eleger o Professor Sinigaglia nas próximas eleições parlamentares e com isso libertá-lo da cadeia.

Mário Monicelli é o diretor desse filme que emociona pela simplicidade com que mostra a vida dos operários em luta por uma vida digna e por uma sociedade justa.

O filme pode ser encontrado em www.filmespoliticos.blogspot.com

Yuri Pires é crítico de cinema
*

domingo, 24 de novembro de 2024

RUBENS, WALDIR E AINDA ESTOU AQUI * Emiliano Jose/BA

RUBENS, WALDIR E AINDA ESTOU AQUI
19/11/2024 Emiliano Jose


Waldir Pires e Darcy Ribeiro.
Os dois, deitados na cabeceira da pista do aeroporto de Brasília, encobertos por uma moita.
Ao lado dos dois, Rubens Paiva.

Dia 4 de abril de 1964.

Quatro da manhã.
Movimento nenhum.
Tensos, os três.
Não se mexiam.

Darcy arrisca: acendeu um cigarro.
Cochicha no ouvido de Waldir, filosofa:
Como o poder é efêmero, uma gangorra
Cinco dias atrás, estavam no palácio.
Agora, deitados na grama.
À espera de um Cessna, um monomotor.
Em fuga, Waldir e Darcy.
Rubens, ficaria.

Destino: uma fazenda no Estado de Mato Grosso, próxima à fronteira com a Bolívia, de propriedade do ex-presidente João Goulart.

O acertado: o avião os pegaria logo na abertura do tráfego aéreo, a partir das seis da manhã.

Nunca depois disso.

Modo a escapar da cerrada vigilância imposta pelos primeiros instantes do golpe.

Mergulho no desconhecido

No horário marcado, ouvem o barulho do motor.

Os três levantam a cabeça e veem o Cessna amarelo taxiando em direção à cabeceira da pista.

Ao sentirem o avião em posição de decolagem, Waldir e Darcy se despedem calorosamente de Rubens Paiva, sobem rapidamente, apertam os cintos.

Prontos para um mergulho no desconhecido.

Tentavam escapar da violência do regime militar, recém-implantado por um golpe.

O avião já saía do chão, e os operadores da torre de controle ordenam o retorno da aeronave.

Desconfiaram de alguma coisa, e deram a ordem.

O piloto, ignorante de toda a operação e até do nome dos passageiros, relutou.

Ensaiou dar meia-volta para atender a ordem dos operadores de voo.

Darcy deu voz de comando, um grito:

Nada de voltar!

Finge que não ouviu!

O piloto obedeceu.

O Cessna ganhou altura, seguiu.

Waldir Pires me deu detalhes de tudo isso.

Está na abertura da biografia escrita por mim sobre ele.

Volto a isso, provocado pelo filme Ainda estou aqui.

Assisti agora, em 16 de novembro deste 2024.

Pensei: Waldir era um dos que podiam dizer, também, ainda estou aqui.

Sobreviveu.

Vocês saberão por que.

Fiquei comovido especialmente no momento da obtenção do atestado de óbito, e nem sei exatamente porque nesse exato instante.

O filme é lindo.

Violento, pela ditadura.

E delicado.

Waldir e Darcy descerão na fazenda.

Ficarão à espera de outro avião, como combinado.

Como isso não aconteceu, o piloto, já cúmplice da operação levantou voo, foi atrás de gasolina, e voltou no dia seguinte, 5 de abril.

Só conseguiu gasolina de caminhão, acondicionada em duas latas de querosene de vinte litros.

O plano original de Darcy e Waldir era seguirem para Porto Alegre, e lá participarem da resistência ao golpe, ao lado do presidente João Goulart e do general Ladário Teles, comandante do III Exército e fiel ao governo constitucional, contra os golpistas.

Na noite de 4 de abril, ouviram a notícia num pequeno rádio de pilha: naquele dia, à tarde, o presidente João Goulart, aterrissara no aeroporto de Montevidéu e pedira asilo político ao Uruguai.

O general Ladário Teles havia informado ao presidente não ter mais quaisquer condições de resistir.

Waldir e Darcy decidiram então seguir para o exílio.

Não havia saída.

Seguiram na direção do Uruguai.

Waldir e Darcy levavam no colo as latas com a gasolina de caminhão.

Teco-teco, abastecido a meio caminho.

Chegaram ao país vizinho, onde pediram asilo.

D’Artagnan sereno e corajoso

Rubens Paiva, um D’Artagnan na definição de Waldir, foi o articulador da fuga dos dois.

Na noite de 2 para 3 de abril, reunião no apartamento do deputado Bocaiúva Cunha em Brasília.

Sala lotada.

Analisada a conjuntura, decidiu-se a permanência em Brasília dos titulares de mandatos.

Waldir e Darcy voariam para o Rio Grande do Sul para ajudar e participar da organização da resistência e do governo da legalidade em Porto Alegre, resistência a se ver malograda, com Goulart sendo obrigado a se exilar no Uruguai.

Na reunião, Rubens Paiva assumiu a responsabilidade pela operação de tirar Waldir e Darcy de Brasília e fazê-los chegar ao Rio Grande do Sul.

Entre os tantos deputados presentes, Temperani Pereira, Salvador Losacco, Almino Afonso e Fernando Santana.

Na madrugada, Rubens Paiva passou na casa onde Waldir estava hospedado, os dois foram buscar Darcy, e seguiram para o aeroporto.

D’Artagnan no comando de toda a operação.

A mim, Waldir sempre falou com imenso carinho, com um profundo sentimento de amizade por Rubens Paiva.

Gratidão, orgulho de tê-conhecido e ter sido merecedor da amizade e solidariedade dele.

Testemunhou a imensa coragem do amigo.

A solidariedade naquele momento.

Ao resistir ao golpe, ao ser solidário com pessoas amigas, servia a uma causa a lhe parecer justa e correta.

Waldir me contou da reunião ocorrida no apartamento do deputado Bocaiúva Cunha, também um amigo muito querido, na noite de 2 para 3 de abril.

Noite.

Tudo recendendo terror e tensão.

Brasília ocupada militarmente.

Golpe consumado.

Uma presença firme, a recomendar serenidade: Rubens Paiva.

Não perdia a calma nos momentos difíceis.

Desesperar, jamais.

O filme revela essa personalidade.

Ele se adiantou e disse: estava pronto para adotar as providências necessárias para retirar de Brasília aqueles companheiros dispostos a cumprir as tarefas da resistência possível.

Dia seguinte, 3 de abril, Rubens Paiva se mexeu de todos os modos possíveis.

Tanto conseguir o avião com piloto quanto ir ao aeroporto escolher as moitas de vegetação entre as quais Waldir e Darcy deveriam se esconder à espera do avião.

Um irmão extraordinariamente valoroso e bom: outra definição carinhosa de Waldir quando se referia a Rubens Paiva.

Waldir voltou do exílio em 1970.

Antes mesmo da chegada ao Brasil, Gerbaldo Avena, irmão de dona Yolanda, fora ao Rio de Janeiro disposto a comprar um apartamento, onde Waldir e família morariam.

As orientações foram todas de Rubens Paiva, e Gerbaldo Avena comprou o apartamento de quatro quartos, à rua Tonelero, 4, 10º andar, 1001.

O primeiro a morar nesse apartamento antes de Waldir e família chegarem foi exatamente Darcy Ribeiro, endereço onde foi preso logo depois do AI-5.

Quando Waldir, estimulado pela família de Yolanda, resolve montar uma empresa de pedra britada, uma pedreira, procura Rubens Paiva e Max da Costa Santos.

Queria-os sócios do empreendimento.

Os três chegaram a visitar pedreiras em Bangu, Madureira e Nova Iguaçu, tradicionais produtoras de brita para o mercado carioca.

Não deu certo.

Max, envolvido em dificuldades na família.

Rubens Paiva, em virtude de compromissos assumidos ao comprar uma empresa de construção civil, não tinha condições também de assumir a sociedade.

Mas, D’Artagnan não deixa amigo na mão.

Indicou o amigo Bocaiúva Cunha no lugar dele.

Os três se reuniram e logo na sequência, ali pelo último trimestre de 1970, a empresa se constituiu.

Waldir tinha em Rubens Paiva um amigo sincero, solidário.
Convivia com ele e com a família.
Sequestro do suíço e a mão sangrenta do terror

Uma quarta-feira.
Dia 20 de janeiro de 1971.

Feriado municipal no Rio de Janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da Cidade Maravilhosa.
Rubens Paiva morava na avenida Delfim Moreira, na zona sul.
Manhã de sol no Leblon.

Rubens Paiva era o patriarca de uma casa acolhedora, e se compreenda o uso da palavra patriarca, aqui definindo um ser carinhoso e amplo, nada a ver com qualquer mandonismo.

Naquele dia, recebia os amigos Waldir Pires e Raul Riff, ex-secretário de imprensa de Goulart, contemporâneo de Waldir no exílio.
Jogavam conversa fora, pra abusar da expressão.

Maneira de dizer: conversavam sobre política. Entre taças de vinho e goles de Campari, bebida preferida de Rubens Paiva.

O uso do cachimbo faz a boca torta: os três, mesmo não envolvidos diretamente na vida política naquela conjuntura, estavam sempre atentos aos acontecimentos.

O Chile, colocado na roda.
Possibilidades e riscos do governo de Allende.
Rubens Paiva estivera no país havia pouco tempo.

Testemunhara a felicidade, a alegria do povo.
Waldir comenta sobre uma blitz em Copacabana, quando se dirigia ao Leblon.
Respirou aliviado por não ter sido parado.

Eram dias particularmente tensos no Rio de Janeiro.
Duas ou três palavras sobre a razão dessa tensão.
O embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher havia sido sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) no dia 7 de dezembro de 1970.

Solto apenas quase quarenta dias depois, dia 16 de janeiro de 1971, ação comandada pelo Capitão Carlos Lamarca.

Não fosse a serenidade e a firmeza de Lamarca, e o embaixador teria sido morto.

A maioria dos revolucionários estava inconformada pelas sucessivas negativas da ditadura quanto a alguns dos nomes indicados pela VPR para seguirem para o exílio.

Lamarca usou da prerrogativa de comandante da ação, desobedeceu a maioria e manteve a vida de Bucher.

A ação resultou na libertação de setenta prisioneiros políticos.
E numa fúria repressiva sangrenta por parte da ditadura.

Os três continuavam conversando sobre a conjuntura, marcada pelo sequestro do suíço.

Tinham consciência e posição quanto à luta armada: consideravam-na um equívoco.
Mas sustentavam: toda a radicalização fora provocada pelo AI-5.

Waldir me contou sobre a análise de Rubens Paiva: enquanto a economia crescesse, a ditadura teria espaço para continuar, e no ano anterior o crescimento havia sido de 10%.

E foi época do chamado milagre econômico: entre 1969 e 1973, crescimentos anuais próximos dos 10%.

Waldir argumentou: apesar da falta de liberdade e do crescimento econômico, havia sinais de revolta.
Uma delas, a campanha do voto nulo nas eleições do ano anterior.

Apesar de ser contra o voto nulo, considerava ter sido uma demonstração de revolta popular.

Os três não acreditavam que viesse rapidamente alguma abertura democrática.
Rubens e Eunice insistiram muito com Waldir para ficar para o almoço.
Dava não.

Com filhos crianças e adolescentes, e num feriado, impossível não estar junto com eles e Yolanda.
Se não for, levo uma bronca sem tamanho.
Sabia como era dona Yolanda.
Rubens levou Waldir até o portão.

Combinaram almoço para o sábado, bem próximo daquela quarta-feira.
Seria servido um pato no tucupi.
Ali mesmo: casa de Rubens e Eunice.
Waldir, Yolanda, e as crianças.
Eunice e todo o resto da família.
Tudo combinado.

E Waldir foi ao encontro de Yolanda, das filhas, dos filhos.
Dali a pouco, a repressão chegou e levou Rubens Paiva.
Para a morte.

E o desaparecimento.
Tal destino seria provavelmente também o de Waldir, tivesse ficado para o almoço.

Começo da tarde, ele recebe um telefonema dando conta do internamento de Rubens Paiva.

Rapidamente, informação de Waldir, promoveu-se uma reunião com advogados e amigos na casa de Bocaiúva Cunha.

Waldir me disse:
E começara o duro infortúnio que se abateu sobre toda a família de Rubens, e a dor e a angústia que envolveram todos nós, seus amigos.

A ditadura tinha os mágicos. Os monstros encarregados pelos comandantes militares de sumirem com pessoas.

Se posso, e tomo a ousadia, aconselho a leitura de recente e essencial livro de Marcelo Godoy Cachorros. Capítulo Os mágicos: Rubens Paiva e a farsa do desaparecimento.

O chefe dos mágicos, principal responsável pela morte e desaparecimento de Rubens Paiva: o então coronel José Luiz Coelho Neto, mais tarde um dos generais da linha dura do regime. Não é só isso: o capítulo é muito mais amplo, esclarecedor.

Eunice esteve na Bahia, depois da anistia, no ato de filiação de Waldir ao PMDB, quando ele iniciava a caminhada vitoriosa em direção ao governo da Bahia.
Como se fora, e era, a representação simbólica de Rubens.
Amizade eterna.

Emiliano Jose

Emiliano José da Silva Filho é jornalista, escritor, professor universitário, imortal da Academia de Letras da Bahia, formado pela Faculdade de Comunicação Universidade Federal da Bahia, onde fez Mestrado e Dourado, ex-vereador, deputado estadual e deputado federal pelo Partidos dos Trabalhadores.

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domingo, 10 de novembro de 2024

Freud - Além da alma (Legendado) * John Huston.USA

Freud - Além da alma
PSICANÁLISE
O roteiro cobre o período da vida de Freud desde a sua graduação em Medicina na Universidade de Viena até o desenvolvimento de suas primeiras teorias psicanalíticas, relacionando suas descobertas sobre o funcionamento do inconsciente humano às suas experiências pessoais. Ao tratar uma jovem histérica e sexualmente reprimida, Freud (Montgomery Clift) formula o conceito de "Complexo de Édipo".

Data de lançamento 1963 (2h 20min)
Direção: John Huston
Elenco: Montgomery Clift, Susannah York, Larry Parks, entre outros.
Gêneros Biografia, Drama
Nacionalidade Eua

sexta-feira, 5 de abril de 2024

58 FILMES E DOCUMENTÁRIOS DENUNCIANDO A DITADURA MILITAR *(Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT)

58 FILMES E DOCUMENTÁRIOS DENUNCIANDO A DITADURA MILITAR
*Canal Brasil exibe "Mostra Ditadura Nunca Mais - 60 anos" com três dias de maratona*

O Canal Brasil vai exibir uma verdadeira maratona de produções com a temática da ditadura militar a partir de segunda, dia 1º, às 7h. Durante três dias ininterruptos, a grade do canal será ocupada por longas, curtas e séries que retratam a época mais obscura da história do país e relembram a restrição à liberdade e censura sofridas pela população brasileira e também protestos e manifestações da arte realizados nos anos de governo militar.

A programação conta também com dois curtas e um longa inéditos. O curta "Meio-Dia", exibido às 23h15 do dia 1 de abril, é dirigido por Helena Solberg e traz jovens em uma sala de aula que iniciam uma rebelião e ameaçam matar o professor como uma forma de resposta aos anos de tortura e repressão militar. No dia 2, às 22h40, o curta "Trago Notícias de Fernando", de Jáder Barreto Lima, reúne entrevista e reconstitui algumas cenas importantes sobre o Frei Fernando de Brito, padre dominicano que se firmou como uma figura importante no movimento de resistência à ditadura. A produção busca esclarecer algumas injustiças com o frei, cometidas pelos militares.

O longa-documentário "Codinome Clemente", coproduzido pelo Canal Brasil, tem como costura principal o depoimento de seu protagonista, Carlos Eugênio Paz, músico, escritor e ex-guerrilheiro. Chamado de Clemente, ele participou da ALN (Aliança Libertadora Nacional). Dirigido e roteirizado por Isa Albuquerque, que busca retratar a geração que combateu o regime militar, o filme conta com imagens de arquivo e entrevistas de companheiros de luta de Clemente.

Além dos conteúdos inéditos, a maratona conta com a exibição de filmes icônicos do cinema brasileiro como "Democracia em Preto e Branco", de Pedro Asbeg; "O Pastor e o Guerrilheiro", de José Eduardo Belmonte; "O Dia que Durou 21 Anos", dirigido por Camilo Tavares; "Cabra Marcado para Morrer", de Eduardo Coutinho, entre outros.

*60 anos do golpe militar no brasil*
Para que nunca mais aconteça!* 
*Uma atualização com mais filmes e documentários sobre o período.*

*Abaixo, selecionei 58 filmes e documentários importantes sobre esse período de trevas para que todos, principalmente os mais jovens, vejam e não se iludam com a Direita conservadora e reacionária.*

*Os filmes se encontram completos e abertos no YouTube*
*Giuliano Furtado.*
*01/04/2024*

Lamarca:

ARAGUAYA conspiração do silencio:

O Que É Isso, Companheiro?

Zuzu Angel:

O Ano em que meus Pais Saíram De Férias:

Pra Frente, Brasil

Cidadão Boilesen - Um dos Empresários que Financiou a Tortura no Brasil:

Documentário | João Goulart: Jango:

Marighella - retrato falado do guerrilheiro

Eles não Usam Black-tie:

Ação entre Amigos

Militares da Democracia: os militares que disseram NÃO:

Osvaldão

Batismo de Sangue

Retratos de Identificação

Carlos Eugênio Paz (Clemente) - Depoimento completo

Chumbo Quente, a série sobre a Ditadura Militar no Brasil

Cúmplices? - A Volkswagen e a Ditadura Militar no Brasil

Jango- O filme

30 Anos de Anistia

Carlos Marighella - Quem samba fica, quem não samba vai embora

Advogados Contra a Ditadura

Tempos de Resistência

Araguaia, Presente!

Guerrilha do Araguaia - As faces Ocultas da História

Guerrilha do Caparaó

Perdão Mister Fiel

Torre das Donzelas

Barra 68 - sem perder a Ternura

Tatuagem

Hércules 56

Pastor Cláudio

Calabouço 1968 - Um tiro no coração do Brasil

O apito da panela de pressão https://youtu.be/DuGZABQ0L5c?feature=shared

Que bom te ver viva

A grande partida

Você também pode dar um presunto legal

Damas da liberdade

Verdade 12.528

Em busca da verdade

Céu Aberto

Mesa vermelha

Porque lutamos! - Resistência a ditadura militar

Manoel Lisboa - Herói da Resistência à ditadura

Cabra Cega

Setenta

Vala Comum

Memória para uso Diário

Manhã Cinzenta

Se um de nós se cala

Soldados do Araguaia

Vladimir 30 anos depois

Libelu - Abaixo a Ditadura


O Desafio, de Paulo César

Opastor e o Guerrilheiro

Lampião da Esquina


Quase dois irmãos

Dzi Croquettes
BRASIL NUNCA MAIS
Área de ane

segunda-feira, 27 de março de 2023

OUTRA VEZ RUMO AO PERU * Carlos Pronzato/RJ

 OUTRA VEZ RUMO AO PERU

*
O cineasta documentarista, poeta, ficcionista, dramaturgo e diretor teatral Carlos Pronzato, argentino/brasileiro, encara mais uma vez as estradas de "Nuestra América". Com pouca equipagem e uma câmera na mão o foco inicial agora é o Peru e as mobilizações indígenas e camponesas que tomaram conta do país desde dezembro de 2022. Documentar esses processos desde uma perspectiva autônoma é parte da construção de um acervo de memórias críticas da América Latina, úteis também para o debate e a ação política contemporâneas.

Além dos muitos documentários realizados no Brasil, Carlos Pronzato realizou, nos anos 2000, documentários na Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia. E durante grande parte da década de 80 percorreu de carona e morou em diversos países da América Latina, desde o México no norte até o Chile, no sul, sendo esta viagem a sua grande escola cultural e política. Carlos Pronzato não retorna ao Peru desde 1985, portanto será um reencontro com a História desse país e a oportunidade de construir novas narrativas audiovisuais.

Rumo a esta nova missão do cinema revolucionário!

Rumo ao Peru!

Para apoiar:

Conta PIX : carlospronzato@gmail.com

ou

Banco do Brasil

Agência: 0346 - 8

Conta Corrente: 222.567 - 0

Obs. Quem quiser colaborar também pode adquirir Caixa com 85 DVDs (catálogo completo). O investimento é de R$ 1.500,00 (incluído frete).

Contatos: 21 9 79957981

Face e Insta: Carlos Pronzato

Canal YT: Carlos Pronzato

Catálogo de filmes e livros:

www.lamestizaaudiovisual.com.br


"Caminante no hay camino

Se hace camino al andar..."

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sábado, 11 de março de 2023

A mulher negra e a sociedade * Clarisse da Costa / SC

A mulher negra e a sociedade 
Clarisse da Costa 

Ver um filme que conta muitas coisas horríveis da nossa realidade me faz pensar o quanto a humanidade é cruel. Corina, uma babá quase perfeita retrata as dificuldades de aceitar a perda de alguém, o preconceito e os desafios de ser aceito na sociedade. 

Ser uma criança branca e ter um carinho imenso por uma mulher negra era um tanto estranho, para muitos inaceitável. É que a relação entre brancos e negros nunca teve um laço estreitável, primeiro que para muitos o negro nunca deixou de ser um empregado, nos tempos primordiais da história, simples serviçais. 

O dono da casa ter uma relação com a babá da sua filha além de ser um escândalo para a família, era para algumas carolas da vizinhança um grande  pecado cometido. Como se ser negro não fosse algo de Deus. Mas na verdade, não existe essa de ser negro, nós nascemos negro. Eu poderia até falar um pouco sobre genética, mas acho que não vem ao caso. 

Aí temos uma mulher destemida, forte, ciente do que quer diante de uma sociedade que leva em conta a cor da pele e o gênero. Corina, teve seus artigos negados por ser mulher negra, mesmo reconhecendo que era um bom trabalho. E levando isso para os dias atuais, podemos ver que não mudou muitas coisas. Existe ainda um muro entre a mulher negra e a sociedade. 

Eu como mulher preta posso dizer: - O mundo não está preparado para nós mulheres. Porque essa ideia de que toda mulher é um ser feminista e a sociedade masculinizada é perfeita, é algo cruel para não dizer idiota. Talvez seja idiota mesmo!

Prefiro sempre estar no papel de mulher forte, acho que nós mulheres não devemos abaixar a cabeça para essa sociedade machista e opressora. 

Vivemos numa sociedade bastante cruel. 

Tantas histórias eu ouvi de mulheres que fica difícil acreditar que a nossa política mude e tenhamos os nossos direitos garantidos.
Aí você vê uma mulher frágil tentando se esconder por uma falsa ideia: - Estou bem! Mas nem sempre tudo está bem, a vida às vezes nos pega uma rasteira.

Então eu vejo mulheres se questionando o que fizeram de errado. Algumas até diante da dor e da crueldade humana se fecham em silêncio. Existe um abismo grande entre seus questionamentos e a sociedade. 

Voltando a Corina, ela tentou expor o seu trabalho. Quantas negativas ela recebeu na sua vida? Ela não queria ser uma mulher negra no jornal, e sim ter o seu trabalho reconhecido. Claro que uma mulher no jornal escrevendo artigos iria fazer uma grande diferença. A mulher no cenário literário não era algo visto com bons olhos décadas atrás. Nos dias atuais a realidade é outra, mas ainda continuamos enfrentando muitas barreiras. Falar sobre essas questões é de suma importância, enaltecer a mulher preta! 

Corina, Uma Babá Perfeita 1994
WHOOPI GOLDBERG 
ESCRAVISMO ESTADUNIDENSE
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