Mostrando postagens com marcador intervencao norteamericana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador intervencao norteamericana. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de novembro de 2025

A GUERRILHA DO ARAGUAIA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

A GUERRILHA DO ARAGUAIA
Sinopse:
A Guerrilha do Araguaia foi uma parcela na longa cadeia das lutas populares do Brasil, como por exemplo, a Cabanagem, Guararapes, Canudos, Contestado, Revolta da Chibata e Quilombo dos Palmares. Foi um movimento rural armado cujo combate mobilizou o maior número de tropas brasileiras desde a II Guerra Mundial, que ocorreu entre 1966 a 1975 no Sul do Pará, numa batalha desigual entre combatentes revolucionários do PC do B e camponeses, contra as forças de repressão do regime civil militar imposto ao país com o golpe de 1964. Foi uma luta pela liberdade e pela democracia em nosso país, que desde então sua luta permanece contra o esquecimento e a falta de justiça por aqueles que as sequelas acompanham até os dias atuais. 40 minutos.
*
LIVRO

Uma leitura agradável. Essa é a primeira constatação sobre o livro “Araguaia — histórias de amor e de guerra”, do jornalista Carlos Amorim, com 504 páginas, publicado pela Editora Record. Profissional experiente e caprichoso na escrita, o autor produziu um texto de excelente qualidade, revelando nuances não só da Guerrilha como de toda a resistência democrática à ditadura militar. O Araguaia aparece como recheio, com ênfase nos relatos de duas testemunhas oculares dos acontecimentos — José Genoino e Micheas Gomes de Almeida, o Zezinho do Araguaia. Amorim também se apoiou nos relatos de Ângelo Arroyo, um dos líderes daquele movimento armado, e em sua experiência como pesquisador que pisou o chão onde ocorreram os combates.

O livro registra o apoio da população aos guerrilheiros e denuncia as brutalidades da repressão, que utilizou torturas e corrupção para cooptar moradores locais “a granel”. E reforça os argumentos que pedem o fim da impunidade para os atos criminosos cometidos em nome do Estado pelos que assaltaram o poder com o golpe militar de 1964. Outro aspecto relevante da obra é o reconhecimento da bravura e da abnegação dos combatentes, que sacrificaram suas vidas pelo ideal de democracia e liberdade. Com esses ingredientes, Amorim descreve as precárias condições de vida da população local e reafirma a ideia de que a presença dos guerrilheiros na região levou um pouco de justiça às relações entre os camponeses e o despotismo dos grileiros apoiado em jagunços sanguinários.

A GUERRILHA DO ARAGUAIA
ESSÁ FILMES

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

NÃO SE DEFENDE A SOBERANIA CONFIANDO NA BURGUESIA * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA - LCB

NÃO SE DEFENDE A SOBERANIA CONFIANDO NA BURGUESIA

Desde o início dos ataques imperialistas de Trump contra o Brasil, a reação do governo é a de mobilizar os capitalistas atingidos pelo tarifaço. Essa abordagem reduz o ataque à nossa soberania a um conflito de natureza comercial. E tenta contornar o tarifaço ao entabular negociações diretas com setores empresariais dos Estados Unidos também impactados pelo anúncio das medidas.

Porém, o que está em jogo é algo muito maior. O imperialismo estadunidense, na luta contra a sua decadência, arrasta o Brasil para um conflito de natureza geopolítica. O alvo dos ataques ao Brasil são os BRICS e o controle do espaço político e econômico latino-americano diante do retumbante avanço chinês sobre a região. A anistia a Bolsonaro, colocada por Trump como condição para negociação comercial, é peça fundamental dessa estratégia.

Ao exigir a anistia a Bolsonaro, permitindo que ele concorra na eleição presidencial de 2026, os Estados Unidos teriam um candidato completamente alinhado aos seus interesses. Tudo indica que a família Bolsonaro, através do filho Eduardo que está nos Estados Unidos, já entabulou negociações com Trump.

O roteiro é conhecido. Trump impõe tarifas comerciais escorchantes e sanções a autoridades brasileiras, como a lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes. Em troca, caso o Brasil ceda e Bolsonaro seja anistiado e vença, seu governo aplicaria uma agenda de interesse completo dos Estados Unidos. O próprio Bolsonaro já anunciou em fevereiro, que caso possa concorrer e ser eleito, tiraria o Brasil dos BRICS e permitiria a instalação de bases militares na Tríplice Fronteira.

Estamos diante, portanto, de um ataque sem precedentes a nossa soberania. Essa ingerência dos Estados Unidos se apoia nos segmentos mais reacionários da classe dominante e das camadas médias. A esse setor entreguista pouco importa a defesa da soberania. Interessa-lhes muito mais se livrar de uma força política que imaginariamente representa uma ameaça aos seus interesses e à sua visão de mundo.

Por isso o povo precisa ser mobilizado e entrar nessa disputa. Não se pode confiar na burguesia brasileira. Preocupada apenas com seus negócios, ela vai roer a corda caso passe a ser alvo de medidas coercitivas do governo Trump. O Bradesco, que têm investimentos internacionais, já manifestou temores de ser alvo da lei Magnitsky. Vozes na grande imprensa burguesa cobram do governo que este negocie o tarifaço e que Lula faça um gesto de entendimento e telefone a Trump.

Porém, não há o que negociar, pois o que está em jogo é a destruição da soberania nacional disfarçada de disputa comercial. Não é momento de entreguismo que envolva, por exemplo, negociações que ataquem ao Pix e a participação dos Estados Unidos na exploração das terras raras brasileiras, como sugeriu o ministro Fernando Haddad.

Os Estados Unidos são um rato que ruge. Sob a gestão Trump ameaçam os países com o fogo do inferno, caso não cedam integralmente aos seus interesses. Mas, quando encontram resistência, recuam de suas bravatas. A decisão de Trump de retirar quase 700 produtos brasileiros do tarifaço é um exemplo e foi fruto da decisão acertada do governo de não admitir ataques à soberania brasileira.

Como ensina Marx em Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, “a força material tem de ser deposta por força material”. O ataque imperialista ao Brasil, apoiado por forças internas entreguistas, só será vencido pelo povo mobilizado. Não se pode tratar o conflito com Trump como uma disputa comercial. Deve-se considerá-la como uma disputa de natureza geopolítica, em que a nossa soberania está sob grave risco de retrocesso, com impacto profundo na luta de classe no Brasil.

Só a massa trabalhadora é capaz de defender de verdade a soberania nacional.

LIGA COMUNISTA BRASILEIRA - LCB
*

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

DOSSIÊ USAID * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

O QUE É USAID
*O QUE É A USAID, UM INSTRUMENTO DOS EUA PARA FINANCIAMENTO DE GOLPES DE ESTADO*
*Publicado RT Espanhol: 4 de fev de 2025 15:00 GMT*

*A equipe de Donald Trump suspendeu o financiamento de projetos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, que vem sendo acusada há anos de realizar atividades subversivas em vários países.*

▪️O que é a USAID?
▪️Histórico da criação da agência
▪️O que a USAID faz?
▪️Atividades na América Latina
▪️Críticas da equipe de Trump
▪️Início da reforma da USAID

*O que é a USAID?*

A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) tem sido há muito tempo um instrumento essencial da política externa americana.

De acordo com o site oficial do governo dos EUA, é a principal agência "para estender assistência a países que se recuperam de desastres, buscam escapar da pobreza e empreendem reformas democráticas".

*Histórico da criação da agência*

A USAID foi criada em 1961, no meio da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética. Como observa a AP, o ex-presidente dos EUA John Kennedy queria uma maneira mais eficiente de combater a influência soviética no exterior por meio de ajuda externa e considerou o Departamento de Estado "frustrantemente burocrático" ao fazê-lo.

*O que a USAID faz?*

A agência emprega mais de 10.000 pessoas, das quais aproximadamente dois terços trabalham no exterior. A USAID continua sendo a maior doadora mundial de ajuda humanitária, fornecendo 42% de toda a ajuda humanitária registrada pelas Nações Unidas em 2024. A agência destinou mais de US$ 40 bilhões em assistência financeira a 130 países no ano fiscal de 2023.

Apesar de seus objetivos humanitários declarados, a agência é regularmente criticada por governos estrangeiros, que a veem como uma ferramenta de influência dos EUA para interferir nos assuntos internos de suas nações.

*Atividades na América Latina*

A América Latina tem sido historicamente uma das regiões nas quais a USAID desenvolveu suas atividades. Além da estreita cooperação entre a USAID e o FBI na segunda metade do século XX, a agência de desenvolvimento também foi acusada de interferir nos assuntos soberanos de países da região mais recentemente.

*Venezuela*

A USAID intensificou seu trabalho na Venezuela antes e imediatamente após o golpe de 11 de abril de 2002 contra o presidente Hugo Chávez, que retomou o poder dois dias depois. A entidade foi acusada de apoiar a oposição e participar da tentativa de mudança de poder. Em 2006, foi revelado que o Escritório de Iniciativas de Transição da USAID supervisionou mais de US$ 26 milhões em doações para vários grupos na Venezuela desde 2002.

Um dos telegramas da agência vazados pelo WikiLeaks explicou a estratégia dos EUA na Venezuela entre 2004 e 2006, que incluía as seguintes disposições: "1) fortalecer as instituições democráticas, 2) penetrar na base política de Chávez, 3) dividir o chavismo, 4) proteger negócios vitais dos EUA e 5) isolar Chávez internacionalmente".

*Bolívia*

Em 2013, o então presidente boliviano Evo Morales expulsou a USAID do país, acusando-a de conspiração e interferência em assuntos políticos internos.

Durante o mandato de *Evo Morales,* a agência foi acusada pelo Governo de participar ativamente de planos violentos de desestabilização, separatismo e intervenção em processos eleitorais na Bolívia.

*Cuba*

A USAID estava por trás da criação do chamado "Twitter cubano", uma rede social cujo objetivo real era mudar o poder em Cuba, conforme revelado pela AP em 2014. O plano da agência era criar uma audiência para o projeto ZunZuneo, atraindo principalmente usuários jovens, e então incentivar a organização de manifestações políticas.

O financiamento da plataforma foi canalizado por meio de empresas criadas na Espanha e nas Ilhas Cayman para ocultar a origem do dinheiro. O ZunZuneo operou por vários anos e deixou de existir em 2012, quando o financiamento governamental cessou.

O então administrador da USAID, Rajiv Shah, descartou a ideia de que se tratava de um programa secreto, embora admitisse que "algumas partes dele foram feitas discretamente". A agência disse na época que estava "orgulhosa de seu trabalho em Cuba para fornecer assistência humanitária básica, promover direitos humanos e liberdades fundamentais e ajudar a informação a fluir mais livremente para o povo cubano".

*México*

Em um dos exemplos mais recentes de atividade subversiva da USAID, o governo mexicano revelou em agosto de 2024 que, durante o mandato de *Andrés Manuel López Obrador,* a agência financiou a organização de oposição Mexicanos Contra a Corrupção e a Impunidade (MCCI) com 96,7 milhões de pesos (mais de 5 milhões de dólares).

*Críticas da equipe de Trump*

Desde que assumiu o cargo, o presidente dos EUA, Donald Trump, e sua equipe têm feito uma torrente de críticas contra a agência, que ele disse ser "administrada por um bando de lunáticos radicais".

*Elon Musk,* chefe do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), acusou a USAID de financiar pesquisas sobre armas biológicas, incluindo um laboratório ligado à disseminação da Covid-19, e de pagar "meios de comunicação para publicar sua propaganda".

Revelando as despesas mais "ridículas" da agência, o governo Trump revelou que os fundos foram alocados para alimentação de "combatentes afiliados à Al Qaeda na Síria", "uma 'ópera transgênero' na Colômbia" e financiamento de "turismo no Egito", entre outros propósitos.

*Início da reforma da USAID*

Em meio a críticas, o financiamento para projetos da USAID foi suspenso, enquanto Musk alegou que a agência estava "além de qualquer reparo", acrescentando: "Estamos fechando-a".

As operações da agência estão sendo reorganizadas, e o Secretário de Estado dos EUA *Marco Rubio* se tornou seu administrador interino. Ele disse que muitas funções "continuarão" e confirmou a fusão da agência com o Departamento de Estado.

Nesse contexto, *Rubio* notificou o Congresso de que "as atividades de ajuda externa da USAID estão sob revisão para possível reorganização".

*Reconhecido como um grupo terrorista na Rússia e proibido em seu território.

"EUA FECHA USAID E A CLASSIFICA COMO “GRUPO DE CRIMINOSOS”
04/02/2025 

O governo dos Estados Unidos anunciou a decisão de fechar a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) definitivamente, classificando a agência como um “grupo de criminosos”. A USAID, que deveria supervisionar programas humanitários e de desenvolvimento no exterior, é conhecida pela esquerda combativa como um grupo que de atua na desestabilização de países e governos ao redor do mundo.

Historicamente, a agência teve papel decisivo em eventos como o Maidan na Ucrânia, onde grupos neonazistas tomaram o poder em 2014. Entre 1995 e 2002, os EUA investiram mais de US$ 23 milhões, em média, apenas na assistência à mídia de oposição para derrubar Slobodan Milosevic, totalizando mais de US$ 100 milhões em esforços para sua deposição, com forte envolvimento do investidor George Soros.

Além disso, a USAID tem um “braço” formado por ONGs que atuam ativamente no apoio a certos grupos opositores em diversos países. Enquanto na Espanha esse apoio é feito através do ministério do exterior, nos EUA, organizações como o National Endowment for Democracy (NED), a Freedom House e o International Republican Institute, ligados ao partido republicano, recebem substanciais financiamentos da USAID. Essa agência, por sua vez, já capitaneou movimentos golpistas na América Latina desde os anos 60, incluindo no Brasil.

Na Bolívia, documentos obtidos pelo jornalista Jeremy Bigwood revelaram que a USAID manteve um “Escritório para Iniciativas de Transição”, que investiu US$ 97 milhões em projetos de “descentralização” e “autonomias regionais” desde 2002, fortalecendo governos estaduais opositores ao então presidente Evo Morales. Um PowerPoint vazado pelo WikiLeaks mostrou que a USAID colaborava com o IRI e a Freedom House, que também recebem vultuosos financiamentos da agência.

Recentemente, foram divulgados os fundos históricos da USAID destinados à subversão em Cuba, totalizando 197.270.000 dólares entre 2001 e 2008, conforme reportado por Tracey Eaton em seu blog “Along the Malecon”. Um texto assinado por Bolívia, Cuba, Equador, Dominica, Nicarágua e Venezuela denunciou as ações de “ingerência aberta” da USAID, que financia grupos e projetos voltados para desestabilizar governos legítimos que não se alinham aos interesses de Washington.

Evo Morales, em um ato público no Dia Internacional dos Trabalhadores, anunciou a expulsão da USAID da Bolívia, alegando que a agência conspirava contra seu governo. O mandatário boliviano justificou a decisão como uma questão de soberania e segurança do Estado, ressaltando as experiências negativas que a USAID teve em outros países da região, onde houve clara intervenção e desestabilização.

Em que pesem todas as más intenções do atual presidente dos EUA, fato é que a decisão de fechar de uma vez por todas essa obscura agência só poderá beneficiar os povos de todos os países.

FOTO: USP

FONTE: https://www.facebook.com/photo?fbid=9076362669085843&set=a.105549126167287 "
***

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

LEGADO DO GOLPISMO NO BRASIL * Bruno Fabricio Alcebino da Silva/Le Monde Diplomatique

LEGADO DO GOLPISMO NO BRASIL
Bruno Fabricio Alcebino da Silva/Le Monde Diplomatique

Finalmente, o inevitável aconteceu: o ex-presidente Jair Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal por tentativa de golpe de Estado, acompanhado de um séquito de 36 indivíduos, muitos deles militares de alta patente, os “fardados”. Entre os acusados, destacam-se os generais da reserva e ex-ministros do governo Bolsonaro — Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira. O caso, que já é considerado um dos mais graves ataques à democracia brasileira desde o fim da ditadura militar, contanto com o infame 8 de janeiro, e expõe não apenas as ambições golpistas do grupo, mas também as feridas históricas ainda abertas no Brasil em relação à presença dos militares na política.

O relatório da Polícia Federal, recentemente divulgado e remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), descreve com riqueza de detalhes as articulações de um plano que incluía o assassinato de líderes democráticos como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. No vácuo de poder gerado por esses atos, o governo seria assumido por uma junta militar comandada por Braga Netto e Heleno.

Além dos “fardados” citados, a lista dos indiciados inclui uma ampla rede composta por militares de diferentes patentes, policiais federais e civis ligados a Bolsonaro. A maioria possui uma ligação direta com a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), o berço da formação militar que moldou várias gerações de líderes castrenses, incluindo o próprio ex-presidente.

A arquitetura do golpe

A tentativa de golpe revelada pela Polícia Federal, não foi fruto de improviso ou espontaneidade, mas uma operação cuidadosamente planejada e estruturada em torno de seis núcleos com funções bem definidas. Esses grupos, articulados de maneira estratégica, operaram com o objetivo de minar o sistema democrático brasileiro e consolidar uma ruptura institucional entre o final de 2022 e início de 2023. Conforme o relatório da PF (p.179), o golpe visaria impedir um cenário de ameaça a qual “em suposta defesa da democracia, (objetivaria) controlar os 3 poderes do país e impor condições favoráveis para apropriação da máquina pública em favor de ideologias de esquerda ou projetos escusos de poder”.

O Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral seria central para deslegitimar o processo eleitoral. Através de uma campanha massiva de fake news sobre as urnas eletrônicas, buscava-se criar um ambiente de desconfiança e instabilidade, alicerçando a narrativa golpista. Paralelamente, o Núcleo de Incitação Militar tentaria mobilizar o apoio dentro das Forças Armadas, instrumentalizando-as como peça-chave para a concretização do golpe.

No campo jurídico, o Núcleo Jurídico desempenharia um papel crucial ao elaborar pareceres e documentos que buscavam conferir um verniz de legalidade à ruptura institucional. Já o Núcleo Operacional de Apoio seria responsável pela logística, coordenando recursos e movimentações necessárias para sustentar as ações golpistas.

A estrutura também contava com o Núcleo de Inteligência Paralela, que realizou espionagem ilegal e monitorou clandestinamente opositores, e com o Núcleo Operacional de Medidas Coercitivas, encarregado de planejar atos de violência extrema, incluindo os assassinatos de líderes democráticos.

Essa organização, meticulosa e sustentada de forma ilegal pelo aparato do Estado, utilizou redes de comunicação clandestinas e contou com o envolvimento de figuras do alto escalão do governo anterior. A operação evidencia não apenas a gravidade da ameaça à democracia, mas também a sofisticação de um plano que, embora frustrado, deixa marcas profundas na política brasileira.

Os golpistas: entre fardas e gabinetes

O envolvimento das Forças Armadas no esquema golpista é evidente e alarmante. Dos 37 indiciados pela Polícia Federal, 25 possuem vínculos diretos ou carreiras iniciadas nas Forças Armadas, destacando a centralidade dos militares na articulação do plano. Generais de alta patente, como Braga Netto e Augusto Heleno, que desempenharam papéis estratégicos no governo Bolsonaro, foram apontados como os principais arquitetos da tentativa de ruptura democrática. O almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, e o coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente, também representam outros exemplos notórios da extensão do comprometimento militar com o esquema.

Um aspecto crítico é a conexão de muitos desses envolvidos com a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), o principal centro de formação de oficiais do Exército Brasileiro. Essa ligação lança luz sobre a cultura e os valores disseminados na instituição, que tradicionalmente enfatiza um patriotismo rígido e, por vezes, enviesado. Tal formação pode ter reforçado uma visão deturpada de que as Forças Armadas teriam um papel legítimo como árbitro das crises políticas, alimentando ideias intervencionistas e antidemocráticas. É crucial afirmar que o papel das Forças Armadas é de defesa da soberania nacional e da integridade do Estado, e não de interferir nas questões políticas internas, muito menos de promover ou apoiar ações que atentem contra a ordem democrática.

O envolvimento de civis no esquema complementa o quadro sombrio. Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), desempenharam papéis fundamentais na execução de operações clandestinas. Ambos foram acusados de liderar a chamada “Abin Paralela”, uma estrutura de espionagem ilegal que visava monitorar opositores, coletar informações privilegiadas e desestabilizar o sistema democrático. Esse aparato clandestino foi denunciado como um dos instrumentos mais sofisticados do plano golpista, evidenciando a integração entre civis e militares na tentativa de subverter a ordem institucional.

Essa colaboração entre militares e civis expõe as ramificações do esquema, que se alimentou de redes de influência, recursos públicos e um aparato ideológico consolidado. Mais do que uma conspiração isolada, tratou-se de um projeto articulado que uniu diferentes setores em torno de uma agenda autoritária, cujo objetivo final era corroer os alicerces da democracia brasileira.

O relatório da PF será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se prossegue com as denúncias contra os envolvidos. Caso sejam aceitas, as acusações podem resultar em penas severas, variando de 4 a 12 anos de prisão para cada crime, como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Esse episódio, entretanto, não se limita ao campo jurídico; ele acende um debate crucial sobre a persistência de práticas autoritárias no Brasil e o papel das Forças Armadas na democracia.

O Golpe de 1964 e o legado militar

As tentativas de golpe em 2022-2023 ecoam as sombras de 1964, quando o Brasil viu sua democracia ser derrubada por um regime militar que governaria o país por mais de duas décadas. Assim como naquele período, a narrativa de instabilidade institucional e a “ameaça comunista” foram usadas como justificativas para a intervenção.

Após a redemocratização, a Constituição de 1988 buscou limitar a atuação política das Forças Armadas, reafirmando seu papel restrito à defesa da soberania nacional. Contudo, a anistia ampla e irrestrita concedida aos militares responsáveis por crimes durante a ditadura deixou marcas profundas, permitindo que a influência castrense permanecesse latente nas estruturas do poder civil. Essa presença, em vez de ser gradualmente desfeita, foi reforçada durante o governo Bolsonaro, que trouxe dezenas de oficiais para postos estratégicos, consolidando uma militarização preocupante da administração pública e reavivando práticas autoritárias que deveriam ter sido definitivamente superadas.

Esse fortalecimento das forças militares e o discurso de extrema direita encontram terreno fértil na polarização política e no descrédito em relação às instituições democráticas. Durante o governo do ex-presidente, o incentivo ao negacionismo, a militarização de cargos civis e a retórica golpista contribuíram para criar um ambiente favorável a ações como as investigadas pela PF.

A ascensão da extrema direita e a militarização da política

O apoio de segmentos das Forças Armadas e da polícia à extrema direita não é um fenômeno isolado. Ele reflete uma tendência global em que forças conservadoras e autoritárias encontram respaldo em grupos armados para contestar processos democráticos. No Brasil, essa aliança foi fortalecida por Bolsonaro, que exaltava símbolos militares e discursos antidemocráticos.

A relação estreita entre os militares e a extrema direita brasileira transcende uma mera afinidade ideológica, configurando-se também como uma aliança pragmática de interesses mútuos. Muitos dos indiciados por envolvimento nas tentativas golpistas estavam diretamente associados a escândalos de corrupção, incluindo o desvio de recursos públicos e a venda ilegal de bens do governo. O golpe, nesse contexto, não era apenas um ataque à democracia, mas uma estratégia desesperada para blindar esses grupos de investigações e de uma eventual responsabilização judicial, especialmente diante da ascensão de um governo progressista comprometido com a transparência e o combate à corrupção.

Uma janela de oportunidade para o Brasil

O indiciamento de Jair Bolsonaro e seus aliados representa mais do que a responsabilização individual por atos golpistas: é uma oportunidade histórica para que o Brasil enfrente, de uma vez por todas, sua relação problemática e ambígua com o militarismo. A consolidação da democracia brasileira exige que as instituições encarem esse momento com firmeza, garantindo que tais crimes não apenas sejam punidos, mas que sirvam de alerta contra a perpetuação de práticas autoritárias. A resposta institucional a esses eventos será um divisor de águas: definirá se o país permanecerá refém das sombras do passado ou avançará rumo a um futuro pautado pela justiça, igualdade e respeito às liberdades fundamentais.

O período turbulento de 2022-2023, com a recente descoberta da arquitetura de golpe e o infame 8 de janeiro, já deixou marcas na história, mas seu legado ainda está em disputa. O Brasil tem a chance rara de transformar essa crise em um marco de resistência democrática, reafirmando o compromisso com os valores republicanos e a ordem constitucional. O futuro de nossa democracia será escrito por aqueles que, com coragem e clareza, decidirem que o Brasil deve ser governado pelo povo e para o povo, e não pela sombra de um regime autoritário e dos “fardados” golpistas. Não à anistia!

Bruno Fabricio Alcebino da Silva é bacharel em Ciências e Humanidades e graduando em Ciências Econômicas e Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC, pesquisador do Observatório de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil (OPEB), em mobilidade-acadêmica na Universidad de la República (UDELAR) em Montevidéu, Uruguai.
*

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

TORTURADORES+TORTURADOS+DESAPARECIDOS * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

TORTURADORES+TORTURADOS+DESAPARECIDOS
Aurora Maria Nascimento Furtado
Biografia

Conhecida como Lola, Aurora Maria Nascimento Furtado participava do movimento estudantil entre os anos de 1968 e 1969. Era estudante de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Fazia parte da Dissidência Estudantil do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e foi responsável pela imprensa da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE/SP). Trabalhou no Banco do Brasil na capital paulista, mas passou a viver na clandestinidade quando entrou em vigor o Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968. Nessa época passou a integrar a Ação Libertadora Nacional (ALN) e esteve à frente da publicação do jornal Ação. Aurora Furtado morreu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 10 de novembro de 1972, depois de ter sido presa e torturada por agentes da repressão. A versão divulgada à época pelos órgãos oficiais do Estado dizia que Aurora havia sido atingida por disparo de arma de fogo e morrido em confronto armado com agentes militares. A nota emitida pelos órgãos oficiais e publicada pelos jornais afirmava que Aurora, presa no dia 9 de novembro de 1972, conduzia agentes policiais a um aparelho da ALN localizado no Méier quando teria tentado fugir, correndo em direção a um veículo estacionado nas proximidades do local. A versão sugere que Aurora estaria sendo resgatada por outros militantes. Nesse momento, teria começado intenso tiroteio entre os ocupantes do veículo e a polícia, fato que resultou na morte de Aurora. Investigações empreendidas ao longo dos anos identificaram evidências de que Aurora morreu em razão das torturas a que foi submetida. Conforme destacou a CEMDP e a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, o laudo cadavérico de Aurora, elaborado pelos médicos legistas Elias Freitas e Salim Raphael Balassiano, atesta que os tiros foram disparados contra Aurora quando ela já estava morta. O laudo descreve, no total, 29 perfurações, mas não especifica as entradas e saídas dos tiros. O documento também aponta para a existência de lesões no crânio que não foram provocadas por balas de arma de fogo, o que permite inferir que resultaram de tortura. Em depoimento à CEMDP, Sandra Maria Furtado de Macedo, irmã de Aurora, responsável por identificar seu corpo no IML, afirmou serem evidentes as marcas de tortura no corpo, como machucados na boca, fraturas nos braços, além de visível afundamento do crânio, posteriormente associado à técnica de tortura a que teria sido submetida, conhecida como “Coroa de Cristo”, na qual se aperta gradativamente uma fita de aço na cabeça da vítima. Além disso, em depoimento no livro Os anos de chumbo: a memória militar sobre a repressão, o general de Brigada da reserva e ex-comandante do Centro de Operações de Defesa Interna (CODI) do I Exército, Adyr Fiúza de Castro, afirmou que Aurora foi levada à Invernada de Olaria, onde, confundida inicialmente com uma traficante, foi brutalmente torturada e morta.
GILBERTO NATALINE
&
Atendi meu torturador do DOI-CODI em um hospital de São Paulo
GILBERTO NATALINI - SP

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Imperialismo Genocida * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

Imperialismo Genocida

Ganhe quem ganhar, o imperialismo segue avançando seus interesses contra os povos.

O Republicano de extrema direita Donald Trump foi eleito pela segunda vez à frente da presidência da república da principal potência imperialista do mundo, contra a Democrata Kamala Harrís.

Segundo o jornal O Globo, "Até o momento, Trump vence em 27 estados. Há ainda cinco onde não foi declarado o vencedor" ("O Globo ", 06/11/2024).

O direitista Republicano retorna a gerência da pátria estadunidense após quatro anos, num contexto marcado pelo agravamento do declínio histórico do imperialismo no mundo. O regime político interno dos Estados Unidos, apesar do relativo crescimento econômico conjuntural e superficial, vive uma crise persistente, o agravamento da decadência social do país é algo inédito; o irracionalismo, a decadência cultural e a barbárie ideológica tomaram por completo o espírito geral que impera na sociedade estadunidense.

Externamente, o imperialismo sofre uma derrota de grandes proporções geoestratégicas na Ucrânia, vê seu posto avançado no Oriente Médio chamado "Israel", atolado num duro combate com o "Eixo da Resistência" árabe e isolado mundialmente. Por outro lado, a ascensão de China e Rússia como importantes atores geopolíticos internacionais e o crescimento dos BRICS na arena internacional, ameaçam colocar freios ao poder unipolar dos Estados Unidos e sua hegemonia terrorista no mundo; também, o imperialismo já pode ver no horizonte a decadência e contestação do sistema monetário do petrodólares, uma das colunas centrais de sustentação de seu poderio guerreirista sobre os povos.

Em tal conjuntura, a tendência é que o próximo governo Republicano, embora em grande medida assentado numa fração da burguesia estadunidense, mais ligada ao mercado interno, dar continuidade em linhas gerais à política imperialista terrorista agressiva do Democrata Joe Biden. Sobretudo porque trata-se de defender interesses estratégicos fundamentais do Estado imperialista Norte Americano diante de seu franco declínio mundial. Republicanos e Democratas, embora relativas às diferenças por expressarem determinadas frações das classes dominantes ianques, com determinados interesses econômicos, representam naquilo que se torna estratégico e fundamental, alas diferentes do partido único da burguesia imperialista.
Os Democratas, inclusive, tem se mostrado mais alinhados com as frações mais expansionistas de sua burguesia. Basta vermos que foi durante o governo do negro simpático e Democrata Barack Obama, que explodiu um processo avassalador do golpismo imperialista no mundo sob as formas de revolução colorida e guerras híbridas.

Tanto a região do Oriente Médio, como América Latina, Norte da África e Europa do Leste sofreram, ou estão sofrendo processos de reconfiguração em seus respectivos mapas geopolíticos, devido às guerras híbridas ou convencionais, articuladas por Washington e seus pré postos cabeças de ponte nas respectivas regiões.. As chamadas "Primaveras Árabes", o golpismo generalizado que promoveu mudanças de regime em diversos países latino-americanos desde 2009, o golpe nazista na Ucrânia em 2014, o genocídio contra o povo palestino e libanês de agora, etc., tiveram origem e/ou continuidade durante os sanguinários governos Democratas nos Estados Unidos, desde o negro Obama, até o velhinho gagá identitário Biden.

O direitista fascista Trump por exemplo, apesar das bravatas e torpezas, não cometeu nem de longe nada parecido com os crimes da dupla Democrata Obama/Biden (poderíamos acrescentar nesta lista a criminosa e assassina madame Hilary Clinton).

Não queremos dizer com isso, que o fanfarrão Donald Trump seja supostamente mais "moderado" ou "comedido" como gerente do agressivo império estadunidense. Não, de forma alguma. Trump, assim como seus antecessores, não passa de um serviçal dos interesses das classes dominantes imperialistas e portanto, apesar de diferenças pontuais com seus parceiros Democratas, terá de cumprir no essencial, aquilo que for de interesse da hegemonia guerreirista imperial.

A classe operária e os povos oprimidos do mundo, não podem ter o mínimo de ilusões em quem quer que seja o gerente da vez na pátria ianque. A chamada "esquerda" brasileira da atualidade, pequena burguesa e vinculada ideologicamente com os modismos universitários identitários que vêm dos Estados Unidos, há demonstrado histeria e desespero diante da vitória do direitista Trump, como se sua concorrente, Kamala Harrís, não estivesse envolvida diretamente com o genocídio do povo palestino e as provocações contra a Venezuela, Rússia, Irã e China, que podem levar o mundo a uma terceira guerra mundial nuclear. Isso mostra a falência total dessa "esquerda" identitária e do governo petista de Lula, alinhado até a medula com o partido Democrata e o genocida Joe Biden.

Ganhe quem ganhar, o imperialismo estadunidense, base de sustentação do modo de produção capitalista no mundo e bastião Internacional da contra-revolução e do irracionalismo, guia-se por seus interesses de dominação total contra os povos, nem que para isso leve a humanidade toda a sua destruição.

A esquerda no mundo precisa voltar às suas origens históricas. Retornar aos ensinamentos de Marx, Engels, Lenin, Trotsky, Mao TSE Tung, Guevara, etc., é fundamental para superar a atual confusão ideológica pós moderna que ganhou terreno nas últimas décadas de auge da contra-revolução mundial.

Voltar-se à luta antiimperialista irredutível, ao combate internacional contra o capital e pelo comunismo, deve ser nosso norte e de todos os trabalhadores conscientes do mundo, no atual período de decadência geral do regime burguês e que tem se expressado no declínio histórico do imperialismo americano.

MAIS IMPERIALISMO GENOCIDA

Frente Revolucionária dos Trabalhadores
FRT

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

COMO DERROTAR DITADURAS * Manoel Cyrillo de Oliveira Netto/Holofote Notícias

COMO DERROTAR DITADURAS
Manoel Cyrillo de Oliveira Netto
O embaixador Charles Burke Elbrick chega em sua residência de taxi, após ser libertado pelos revolucionários

Em 04 de setembro, há exatos 55 anos, durante a ditadura de 1964, o nosso Brasil estava sendo governado por uma Junta Militar. Isso mesmo, no melhor estilo de republiqueta latinoamericana, o Brasil era governado por 3 (três !!!) milicos, o general Lira Tavares, o almirante Rademaker e o brigadeiro Márcio Melo – três consagrados estadistas que substituíram o general Costa e Silva, o ditador de plantão.

Aqui devemos abrir um rápido parêntesis, para levantar uma interrogação: com o impedimento do general Costa e Silva, por que será que o seu “vice”, um certo Sr. Pedro Aleixo, não assumiu a “Presidência da República”?

Parêntesis fechado, a gloriosa Junta Militar seguia no seu desgoverno, preparando e organizando o 7 de Setembro, não o do Bolsonaro, mas a festa nacional!

Foi quando aconteceu algo absolutamente imprevisto: dois grupos guerrilheiros (a ALN – Ação Libertadora Nacional e o MR-8 – Movimento Revolucionário 8 de Outubro), em ação conjunta, capturaram o embaixador norte-americano, o Sr. Charles Burke Elbrick. E, para a libertação do embaixador, faziam duas exigências: a soltura de 15 presos políticos detidos pela ditadura e a publicação ou leitura (em todos os jornais, TVs e rádios do país) do manifesto assinado por aqueles grupos que executavam a ação.

Vexame total! Até aquela data, a ditadura insistia em dizer que não havia presos políticos no Brasil e, de repente, foi forçada a libertar 15 deles… Mas, pior, teria que romper com a sua própria censura e dar voz -em alto e bom som- à guerrilha.

E a ditadura se curvou totalmente. O manifesto foi lido, na íntegra, nas TVs e rádios do país e impresso em todos os jornais.

Somente quando todo o país (com a alma lavada e em clima de festa) e todo o restante do mundo, acompanharam pela TV o desembarque na Cidade do México dos 15 ex-presos políticos brasileiros, em total e absoluta liberdade, o Sr. Charles Burke Elbrick foi libertado. Com isso, a troca de prisioneiros também se efetivara.

Vitória da Resistência!

Para este artigo, resta uma questão semântica: afinal, o ocorrido naqueles idos de 1969 foi um rapto ou um sequestro ou uma captura?

O próprio manifesto da ação, assinado pela ALN e pelo MR-8, falava em “rapto”; alguns órgãos de imprensa também chegaram a noticiar “o rapto do embaixador norte-americano”, porém o filólogo Antônio Houaiss rapidamente esclareceu a questão, dizendo que rapto sempre tem o cunho libidinoso… e citou como exemplo o lendário Rapto das Sabinas.

Já a ditadura, claro, disse que a ação foi um sequestro. Por que ela usou essa palavra? Porque sequestro é crime, ora!

Porém, naquele ato de resistência política, nenhum crime foi cometido, tanto a guerrilha, como os guerrilheiros não cometeram crime algum.

Assim, prevalece o termo captura (e isso não só por uma questão semântica mas, também, política!).

Hoje, 4 de setembro de 2024, comemoramos os 55 anos da Captura do Embaixador dos Estados Unidos, nação que, em 1964, mandou a sua IV Frota para dar suporte e respaldo militar aos seus golpistas brasileiros.

Manoel Cyrillo de Oliveira Netto é publicitário, resistiu à ditadura militar, foi guerrilheiro urbano da ALN (Ação Libertadora Nacional), participou de várias ações armadas, entre elas a da captura do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick. Preso político, permaneceu encarcerado por 10 anos. Fora da prisão, ganhou a medalha de ouro com a peça publicitária Çuikiri no 37th New York Festivals Advertising Awards, o Festival Internacional de Propaganda de Nova York, e foi recebê-la nos Estados Unidos em 1992.

Confira a seguir o manifesto da ação lido, como exigência da ALN e do MR-8, em todas as TVs e rádios e publicado nos jornais. O texto foi redigido pelos jornalistas Franklin Martins e Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo, comissário político da operação, que aliás completaria 111 anos neste 5 de setembro.

"MANIFESTO À NAÇÃO BRASILEIRA

“Grupos revolucionários detiveram hoje o Sr. Charles Burke Elbrick, embaixador dos Estados Unidos, levando-o para algum lugar do país, onde o mantêm preso. Este ato não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores.

Na verdade, o rapto do embaixador é apenas mais um ato da guerra revolucionária, que avança a cada dia e que ainda este ano iniciará sua etapa de guerrilha rural.

Com o rapto do embaixador, queremos mostrar que é possível vencer a ditadura e a exploração, se nos armarmos e nos organizarmos. Apareceremos onde o inimigo menos nos espera e desapareceremos em seguida, desgastando a ditadura, levando o terror e o medo para os exploradores, a esperança e a certeza de vitória para o meio dos explorados.

O sr. Burke Elbrick representa em nosso país os interesses do imperialismo, que, aliado aos grandes patrões, aos grandes fazendeiros e aos grandes banqueiros nacionais, mantêm o regime de opressão e exploração.

Os interesses desses consórcios, de se enriquecerem cada vez mais, criaram e mantêm o arrocho salarial, a estrutura agrária injusta e a repressão institucionalizada. Portanto, o rapto do embaixador é uma advertência clara de que o povo brasileiro não lhes dará descanso e a todo momento fará desabar sobre eles o peso de sua luta. Saibam todos que esta é uma luta sem tréguas, uma luta longa e dura, que não termina com a troca de um ou outro general no poder, mas que só acaba com o fim do regime dos grandes exploradores e com a constituição de um governo que liberte os trabalhadores de todo o país da situação em que se encontram.

Estamos na Semana da Independência. O povo e a ditadura comemoram de maneiras diferentes. A ditadura promove festas, paradas e desfiles, solta fogos de artifício e prega cartazes. Com isso ela não quer comemorar coisa nenhuma; quer jogar areia nos olhos dos explorados, instalando uma falsa alegria com o objetivo de esconder a vida de miséria, exploração e repressão que vivemos. Pode-se tapar o sol com a peneira? Pode-se esconder do povo a sua miséria, quando ele a sente na carne?

Na Semana da Independência, há duas comemorações: a da elite e a do povo, a dos que promovem paradas e a dos que raptam o embaixador, símbolo da exploração.

A vida e a morte do sr. Embaixador estão nas mãos da ditadura. Se ela atender a duas exigências, o sr. Elbrick será libertado. Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça revolucionária. Nossas duas exigências são:

a) A libertação de 15 prisioneiros políticos. São 15 revolucionários entre milhares que sofrem torturas nas prisões-quartéis de todo o país, que são espancados, seviciados, e que amargam as humilhações impostas pelos militares. Não estamos exigindo o impossível. Não estamos exigindo a restituição da vida de inúmeros combatentes assassinados nas prisões. Esses não serão libertados, é lógico. Serão vingados, um dia. Exigimos apenas a libertação desses 15 homens, líderes da luta contra a ditadura. Cada um deles vale cem embaixadores, do ponto de vista do povo. Mas um embaixador dos Estados Unidos também vale muito, do ponto de vista da ditadura e da exploração.

b) A publicação e leitura desta mensagem, na íntegra, nos principais jornais, rádios e televisões de todo o país.

Os 15 prisioneiros políticos devem ser conduzidos em avião especial até um país determinado – Argélia, Chile ou México -, onde lhes seja concedido asilo político. Contra eles não devem ser tentadas quaisquer represálias, sob pena de retaliação.

A ditadura tem 48 horas para responder publicamente se aceita ou rejeita nossa proposta. Se a resposta for positiva, divulgaremos a lista dos 15 líderes revolucionários e esperaremos 24 horas por seu transporte para um país seguro. Se a resposta for negativa, ou se não houver resposta nesse prazo, o sr. Burke Elbrick será justiçado. Os 15 companheiros devem ser libertados, estejam ou não condenados: esta é uma “situação excepcional”. Nas “situações excepcionais”, os juristas da ditadura sempre arranjam uma fórmula para resolver as coisas, como se viu recentemente, na subida da Junta Militar.

As conversações só serão iniciadas a partir de declarações públicas e oficiais da ditadura de que atenderá às exigências. O método será sempre público por parte das autoridades e sempre imprevisto por nossa parte. Queremos lembrar que os prazos são improrrogáveis e que não vacilaremos em cumprir nossas promessas.

Finalmente, queremos advertir aqueles que torturam, espancam e matam nossos companheiros: não vamos aceitar a continuação dessa prática odiosa. Estamos dando o último aviso. Quem prosseguir torturando, espancando e matando ponha as barbas de molho. Agora é olho por olho, dente por dente.

Ação Libertadora Nacional (ALN)
Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).”

***

domingo, 7 de julho de 2024

TODO REPÚDIO À CPAC BRASIL 2024 * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

TODO REPÚDIO À CPAC BRASIL 2024 
O INELEGÍVEL E O REJEITADO
VIVI ÁLVARES NÃO PERDE O PULO
*
A EXTREMA DIREITA ESTÁ CRESCENDO E A ESQUERDA É NECESSÁRIA

Julio C. Gambina

Prensa Latina – Uma jovem de trinta e poucos anos perguntou-me se este era o pior momento de “política” que alguma vez tinha vivido. A resposta não foi fácil depois de meio século de atividade partidária à esquerda, como ativista e apoiante social, e como candidato mesmo em vários momentos eleitorais desde 1987.

Na verdade, sempre inserido em movimentos populares, primeiro como militante estudantil na cidade de Santa Fé, na UNL, a do Litoral; depois em Rosário, já como professor e parte da sindicalização dos professores na década de 80. Depois, na década de 90 e mais aqui na experiência do novo sindicalismo que a Central Operária da Argentina, a CTA, pretendia, agora deveria ser. mencionado no plural.

Claro que entre 76 e 83, sem parar a atividade política, a ditadura genocida, talvez esse, seja o “pior” momento. Em todo o caso, assumo a política como uma atividade para alcançar melhores condições de emancipação social, para além dos momentos “bons” ou “maus”. É dramático que hoje na Argentina se justifique este projeto reacionário da ditadura genocida, que iniciou a transformação regressiva do país, fortalecida sob governos constitucionais nos anos 90 do século passado, com Menem e De la Rúa, depois com Macri e agora agravado com Milei e Villarruel do poder executivo, eleitos por maioria de votos em 2023.

Algo semelhante ocorre nas recentes eleições parlamentares europeias, em que aumentaram os votos para aqueles que defendem Hitler e Mussolini, na Alemanha e na Itália. Pode parecer coincidência, mas não, o fenômeno se expressa em diversos territórios, mesmo quando há disputas que posicionam forças políticas que se dizem de esquerda nos governos. É necessário pensar por que cresce a extrema direita, ou diretamente a “direita”, pré-capitalismo e, em qualquer caso, quais as expectativas que a esquerda gera.

Entrei na política no momento de acumulação máxima do poder de esquerda e popular, ano em que o Vietnã derrotou militarmente a principal potência bélica, apoiada pelo poder hegemónico construído desde 1945. A ilusão da nossa imaginação pela “revolução” estava associada à uma cadeia que remetia a 1917 na Rússia, a 1949 na China, a 1959 em Cuba, foi projetada para 1979 na Nicarágua, até, apesar da especificidade diferenciada, para o Irão.

Esse foi o paradigma de uma experiência que se baseou na teoria construída a partir da crítica ao capitalismo com Karl Marx. É verdade que houve nuances nessas experiências e debates (leituras) sobre o futuro em cada uma delas, até mesmo na continuidade ou ruptura em relação ao fundador da teoria e ao seu parceiro, Federico Engels. A esquerda discutiu Entre 1989 e 1991, da queda do Muro de Berlim ao desmantelamento da União Soviética e ao fim da bipolaridade global entre capitalismo e socialismo, surgiram teorias do fim da história e até do socialismo e do marxismo.

É o momento de consolidação da proposta de liberalização da economia, simultaneamente com uma conclusão ideológica de impossibilidade de alternativa. “Não há alternativa”, enfatizou Margaret Thatcher na década de 80. O slogan foi a bandeira de vários projetos, o que no caso da Argentina explicita a orientação governamental dos anos 90 do século passado para afirmar o projeto reacionário da ditadura. A esquerda derrotada debateu nas explicações sobre o colapso soviético, entre a defesa da experiência e o que faltava, até a denúncia da deriva autoritária após a morte de Lênin, o líder histórico, ou mesmo quase desde o início, como pode ser rastreado nas polêmicas de Rosa Luxemburgo com os líderes comunistas no início da experiência soviética, especialmente sobre a participação democrática na tomada de decisões.

Um século depois da morte de Lênin, a polémica continua fazendo sentido pensar sobre o destino da revolução no presente. Durante meio século, a “liberalização” tem vindo a crescer no mundo, contra a intervenção estatal generalizada após a crise de 1930 e especialmente após o fim da Segunda Guerra Mundial. A liberalização é uma exigência essencial do capital, que remete à origem expressa no slogan do livre comércio, da livre concorrência ou do mercado livre. Este projeto fortaleceu-se com o colapso do projeto socialista na Europa de Leste, para além de qualquer discussão sobre o que estava a ser construído nesses territórios.

Em termos de imaginários sociais ampliados, o que existia era o “primeiro” e o “segundo” mundo, possibilitando a categoria do “terceiro” mundo e a terceira posição. Com isso, estratégias para o desenvolvimento dos países do sul do mundo, na África, na Ásia e na América Latina. Insistirei que se pode argumentar se foi o socialismo que existiu, mas na luta de classes concreta no sistema mundial, as categorias de três mundos ou “posições” definiram tácticas e estratégias que prefiguraram décadas de ação política no mundo.

A direita na ofensiva.

Mesmo quando as teses do fim da história foram debatidas e ridicularizadas, o capital mais concentrado retomou a ofensiva, suspensa durante meio século entre 1930 e 1970, na disputa pela apropriação dos lucros e pelo desarmamento da concorrência à sua rentabilidade por parte do Estado intervenção. É um programa que continua até ao presente, que, além disso, continuará e se expressa em todo o mundo na exigência de reformas laborais e previdenciárias, de privatizações, desregulamentações e de melhores condições de segurança jurídica para os investidores capitalistas em qualquer território. do sistema mundial.

Nessa direção, a esquerda, sem consenso quanto ao diagnóstico do ocorrido, tentou se reposicionar no debate político abrangente, tanto na disputa eleitoral quanto no plano cultural, oferecendo um imaginário da sociedade almejada. Há quem defenda o que existia para posicionar os rumos estratégicos contemporâneos, enquanto outros negam essas experiências e não assumem que a crítica envolva toda a esquerda, independentemente do papel desempenhado no passado.

A direita e a ortodoxia liberal, na sua ofensiva, desqualificam a atuação de toda a esquerda. Além disso, desde Mises e Hayek, há um século, a pregação da ortodoxia incluía, juntamente com a crítica a Marx e à sua tradição intelectual e revolucionária, a crítica à direção nascente que após a crise da década de 1930 seria assumida sob a hegemonia keynesiana.

Por isso, Javier Milei, que se assume como a vanguarda do liberalismo contemporâneo, intitula o seu livro “Capitalismo, Socialismo e a Armadilha Neoclássica. Da teoria econômica à ação política. No texto ele critica os seus colegas da corrente principal do pensamento e da prática económica, porque com as “falhas de mercado” eles apoiam a intervenção do Estado, e assim abrem as portas ao socialismo. É verdade que Keynes não se identifica com Marx, nem os seguidores do homem nascido em Trier assumem uma perspectiva de resgate do capitalismo, como se pode interpretar na intervenção teórica e de política económica do autor britânico da teoria geral e dos seus seguidores, que também é uma crítica ao mainstream neoclássico.

Pense à esquerda novamente

A verdade é que a esquerda, na sua busca nestas três décadas desde o colapso e a bipolaridade soviética, correu para a direita, dependendo das novas condições concretas do desenvolvimento capitalista e das abordagens políticas que abriram caminho à disputa do consenso eleitoral. Muitos mantiveram os seus programas radicais, com maior ou menor sucesso eleitoral, mas em nenhum caso foi reinstaurada uma perspectiva de opção civilizacional entre o capitalismo ou o socialismo, mesmo entre o socialismo ou a barbárie, como sustentava Rosa.

Insistirei que existem várias vozes e organizações que apoiam o radicalismo e a perspectiva da revolução, mas que no imaginário social global não conseguem definir as opções civilizacionais de boa parte dos séculos XIX e XX. É por isso que no título destaco a “necessidade” da esquerda, como um projeto político visível e assumido pela maioria em condições de construir um novo tempo para a sociedade, ameaçada pelas alterações climáticas, pela guerra, pela especulação e pela desigualdade que agrava a situação. condições de vida da maioria empobrecida.

Na Argentina isto implica uma ampla articulação de diversas tradições políticas, não necessariamente auto assumidas de esquerda, mas com a vontade de responder à nova reestruturação regressiva do capitalismo que fragmenta o trabalho, os trabalhadores e impacta a organicidade social e política, nas suas representações, demandas e reivindicações. É uma referência à diversidade do nacionalismo revolucionário popular e às diversas tradições da própria esquerda, que precisa ser assumida pelas novas gerações.

A esquerda e a direita foram categorias emergentes de representação política na disputa pelo poder, que hoje se renova pela ofensiva da direita. A esquerda precisa regressar à crítica essencial da ordem capitalista, regressar a Marx para uma melhor compreensão das mudanças atuais e sintetizar as práticas de transformação profunda que estão nas novas e renovadas experiências da atual luta de classes. Nessa trajetória, refiro-me ao movimento dos povos indígenas e à sua ressignificação das cosmovisões de “bem viver” ou “bem viver”; dos feminismos populares e das lutas pelas diversidades; do ambientalismo popular contra o saque às empresas transnacionais estimulado pelas ações dos principais estados do capitalismo mundial e das organizações internacionais; pelas lutas empreendidas por novos grupos de sindicalistas e organizações classistas típicas do nosso tempo contra a exploração, com ação nos locais de trabalho ou nos territórios onde desenvolvem a sua vida quotidiana.

Voltando ao início, se no início dos anos 70 nós, jovens, assumimos com entusiasmo o tempo da política transformadora, e depois estivemos preocupados durante décadas com a ofensiva capitalista, hoje assumimos o desafio de um futuro de emancipação, que começa por adequados diagnósticos desde o presente. Em suma, não há momento bom ou mau para a política, pois tendo realizado um momento de ofensiva popular dirigida à esquerda e ao socialismo, a tarefa de refundar a esquerda é essencial para travar a direita e mudar um horizonte de exploração, saque e destruição da vida, social e natural.

*
Gigante Raí!! Que saudade dos jogadores brasileiros ou treinadores contados a dedo politizados no Brasil como: Raí,Sócrates,João Saldanha,Reinaldo e alguns da imprensa esportiva.
FORA MILEI
*
NAZISMO DELIRANTE
MITO DOS IMBECIS
FASCISMO NÃO SE DISCUTE
REPÚDIO À CPAC BRASIL 204
EVENTO DA EXTREMA DIREITA
realizado em Balneário Camborií - SC/Brasil, nos dias 06 e 07 de Julho de 2024
*
AVANÇOS DA PEDERASTIA.

Deputado libertário do partido Milei explica o que as famílias pobres devem fazer com as crianças “sobras”.

Sem dúvida, a Argentina “avança” para o “melhor” estágio de desenvolvimento de sua história.

Segundo o lixo libertário, dentro de 30 anos, a Argentina será como a Irlanda, a Alemanha e a França graças a ele. 
ESCRAVIDÃO INFANTIL
*