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domingo, 19 de abril de 2026

REDE GLOBO: 60 ANOS DE GOLPISMO * Fernando Morais/SP

REDE GLOBO: 60 ANOS DE GOLPISMO

Em homenagem aos 60 anos da Rede Globo, o escritor Fernando Morais redigiu a ficha corrida da empresa da família Marinho.

1960-1970 (Gênese da Globo e apoio ao regime militar)
1.⁠ ⁠Firmou um acordo ilegal com o grupo Time-Life (1962–67)
2.⁠ ⁠Apoiou o golpe militar de 1964
3.⁠ ⁠Silenciou sobre a repressão no regime militar
4.⁠ ⁠Divulgou propaganda favorável ao AI-5 em 1968
5.⁠ ⁠Censurou jornalistas e políticos críticos à ditadura
6.⁠ ⁠Minimizou a importância da Passeata dos Cem Mil (1968)
7.⁠ ⁠Endossou o slogan "Brasil: Ame-o ou Deixe-o" (1970)
8.⁠ ⁠Promoveu o Milagre Econômico, ignorando a desigualdade
9.⁠ ⁠Ocultou mortes causadas por tortura nos anos de chumbo
10.⁠ ⁠Excluiu opositores da cobertura política durante a ditadura
11.⁠ ⁠Omitiu informações sobre corrupção nas grandes obras da ditadura
12.⁠ ⁠Consolidou um controle monopolista sobre o mercado de TV
1980-1990 (Ditadura e transição para a democracia)
13.⁠ ⁠Desconsiderou os primeiros comícios das Diretas Já (1984)
14.⁠ ⁠Blindou a eleição indireta de Tancredo Neves
15.⁠ ⁠Manipulou pesquisas Proconsult para prejudicar Brizola
16.⁠ ⁠Boicotou o governo Leonel Brizola e suas obras sociais
17.⁠ ⁠Endossou os primeiros planos econômicos do governo José Sarney contra a hiperinflação
18.⁠ ⁠Apoiou maciçamente a candidatura de Fernando Collor e criminalizou os líderes populares como Brizola e Lula
19.⁠ ⁠Manipulou a cobertura do debate eleitoral Lula x Collor (1989) no Jornal Nacional
1990-2000 (Redemocratização e ascensão neoliberal)
20.⁠ ⁠Defendeu o confisco da poupança no Plano Collor
21.⁠ ⁠Promoveu a abertura indiscriminada da economia brasileira
22.⁠ ⁠Escondeu escândalos durante o governo Collor até o impeachment
23.⁠ ⁠Veiculou o caso Escola Base (1994) sem verificar informações
24.⁠ ⁠Exaltou o Plano Real sem questioná-lo (1994)
25.⁠ ⁠Blindou as privatizações de FHC
26.⁠ ⁠Defendeu os bancos e o Proer durante a crise financeira
27.⁠ ⁠Apresentou apoio velado à Reforma da Previdência neoliberal de FHC
28.⁠ ⁠Ignorou o movimento "Fora FHC" no final dos anos 1990
29.⁠ ⁠Aceitou a emenda da reeleição de FHC e omitiu críticas ao câmbio artificial
30.⁠ ⁠Escondeu greves e protestos sociais durante os anos 90
31.⁠ ⁠Ignorou denúncias sobre trabalho escravo no campo
32.⁠ ⁠Criminalizou sistematicamente movimentos sociais
2000-2010 (Oposição ao governo Lula)
33.⁠ ⁠Liderou uma campanha contra Lula nas eleições de 2002
34.⁠ ⁠Estigmatizou o MST e outros movimentos sociais
35.⁠ ⁠Distorceu a cobertura do "mensalão" (2005)
36.⁠ ⁠Perseguiu figuras históricas do PT, como José Dirceu, José Genoíno, entre outros
37.⁠ ⁠Favoreceu candidatos tucanos nas campanhas de 2006 e 2010
2010-2025 (Impeachment da Dilma e ascensão da extrema direita)
38.⁠ ⁠Rotulou manifestantes de 2013 como "vândalos"
39.⁠ ⁠Apoiou Aécio Neves à candidatura presidencial
40.⁠ ⁠Exaltou misoginia contra Dilma Rousseff durante a posse presidencial
41.⁠ ⁠Reforçou a narrativa favorável ao impeachment de Dilma Rousseff
42.⁠ ⁠Deu apoio irrestrito à operação Lava Jato
43.⁠ ⁠Divulgou os vazamentos seletivos da Lava Jato
44.⁠ ⁠Fortaleceu a narrativa anti-PT e criminalização do partido
45.⁠ ⁠Tratou o juiz Sergio Moro como um herói, ignorando sua parcialidade
46.⁠ ⁠Deu amplo espaço ao PowerPoint de Dallagnol
47.⁠ ⁠Chamou a tragédia de Brumadinho de "acidente"
48.⁠ ⁠Vazou conversa gravada ilegalmente entre Dilma Rousseff e Lula
49.⁠ ⁠Apoiou indiscriminadamente a prisão de Lula, que o excluiu da eleição de 2018
50.⁠ ⁠Ignorou o conluio entre Moro e Dallagnol e a Vaza Jato
51.⁠ ⁠Defendeu a Reforma Trabalhista e da Previdência de Temer
52.⁠ ⁠Endossou a entrega do pré-sal ao capital estrangeiro
53.⁠ ⁠Se aproximou oportunisticamente de Bolsonaro
54.⁠ ⁠Fez apologia ao agronegócio e ignorou sua destruição ambiental
55.⁠ ⁠Omitiu informações sobre as fake news nas eleições de 2018
56.⁠ ⁠Deu espaço a discursos antivacina e negacionistas
57.⁠ ⁠Continuou contratos publicitários com governos investigados
58.⁠ ⁠Apoiou a venda de estatais, como a Eletrobras, BR Distribuidora e refinarias
59.⁠ ⁠Fez campanha pelo Banco Central independente
60.⁠ ⁠Nunca fez uma autocrítica verdadeira sobre seu monopólio midiático.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

GOLPISMO: O projeto oculto das elites brasileiras * David Deccache/Outras Palavras

GOLPISMO: O projeto oculto das elites brasileiras
/OutrasPalavras

País segue sem perspectiva de futuro. Mas é enganoso culpar cultura do curto prazo. Há séculos, um setor sabe manter-se à tona e enriquecer, enquanto a maioria estagna. A partir de 2008, este ardil tomou a forma de um programa regressivo claro.

Tornou-se lugar comum afirmar que o Brasil sofre de curto-prazismo. A ideia aparece em análises econômicas, debates políticos e editoriais, geralmente associada à incapacidade do país de formular projetos estruturais de longo prazo.

Esse diagnóstico não é destituído de fundamento. Ele capta um traço visível da experiência política brasileira: a fragmentação das políticas públicas, a instabilidade institucional e a dificuldade de sustentar agendas estruturais voltadas à maioria da população e superação da posição periférica do Brasil na divisão internacional do trabalho. Seu limite está em permanecer no plano da manifestação.

Quando observamos a formação econômica e social brasileira sob a lente do conflito entre classes na especificidade de um país periférico, percebe-se que o que aparece como curto-prazismo para a maioria é, na realidade, a forma pela qual o projeto de longo prazo das classes dominantes se impõe.

No cotidiano da maioria dos brasileiros, o Estado aparece como gestor da urgência. A política social assume a forma de programas focalizados, transitórios e permanentemente condicionados à conjuntura fiscal e eleitoral. Direitos são implementados de maneira parcial, sujeitos a contingenciamentos e revisões constantes. Essa dinâmica produz a sensação de improviso permanente e alimenta a percepção de que o país é incapaz de planejar o futuro.

Se o improviso é visível para todos, o que ninguém pode ver, porque simplesmente não existe, é sequer um esboço de projeto consistente de transformação estrutural. Não há qualquer horizonte de mudança na distribuição de renda, na universalização de direitos e serviços públicos ou no reposicionamento do Brasil na divisão internacional do trabalho. Permanece intocado o padrão centro-periferia que organiza a economia nacional, sustentado por frações dominantes vinculadas ao complexo primário-exportador e ao capital rentista.

Ao mesmo tempo, quando se observa a trajetória das (contra)reformas institucionais e econômicas brasileiras, emerge um quadro bastante distinto. O país possui uma longa tradição de planejamento estrutural quando se trata de organizar e reorganizar as condições de acumulação para atender aos interesses das classes dominantes em cada quadra histórica. Para não ir muito longe, o que foi o amplo conjunto de contrarreformas liberais que, de forma articulada e coordenada, conjugou medidas fiscais, trabalhistas, previdenciárias, monetárias e regulatórias, formuladas e implementadas com notável continuidade estratégica nos últimos anos, senão a consecução bem-sucedida de um projeto de país?

Essa dinâmica possui raízes profundas na própria formação econômica do país. O Brasil não foi estruturado como um espaço vazio à espera de um projeto nacional, como supõem os mais otimistas que ainda aguardam a emergência de uma burguesia nacional redentora. Foi organizado desde a origem para cumprir funções específicas na expansão do capitalismo mundial. Sua inserção como economia primário-exportadora, dependente de tecnologia, crédito e mercados externos, longe de resultar de improviso histórico, expressa uma forma particular de planejamento subordinado, internalizado e continuamente reproduzido por suas classes dominantes.

Mesmo quando o país avançou em um projeto mais estrutural de industrialização, esse processo foi rapidamente incorporado a um padrão de modernização conservadora, consolidado após o golpe de 1964 e a instauração da Ditadura Civil-Militar, que reorganizou o Estado como instrumento de repressão à classe trabalhadora. Se, de um lado, havia um projeto coordenado de industrialização, de outro persistiam o arrocho salarial, a precariedade dos serviços públicos, a manutenção das desigualdades sociais e regionais e o poder das velhas oligarquias associadas ao imperialismo.

Nesse percurso, após muitos anos de luta da classe trabalhadora, a Constituição de 1988 representou uma inflexão importante ao projetar um amplo sistema de direitos sociais e estabelecer o princípio da universalização das políticas públicas. A criação do Sistema Único de Saúde, a reorganização da seguridade social, a institucionalização de políticas públicas universais nas áreas de assistência, educação e proteção ao trabalho, a vinculação constitucional de recursos para políticas sociais, a ampliação dos mecanismos de participação social e a consagração de princípios de desenvolvimento nacional e de função social da propriedade expressaram a tentativa de aproximar o país de uma forma periférica e tardia de welfare state.

Ao mesmo tempo, porém, esse horizonte passou rapidamente a ser enquadrado por severas restrições macroeconômicas. No final dos anos 1980 e ao longo da década de 1990 consolidou-se um regime marcado pela liberalização financeira e comercial, pela austeridade fiscal e monetária e pela retração do papel produtivo do Estado, reconfigurado como organizador de amplos processos de privatização, em meio a uma crescente especialização primário-exportadora da economia. Tratava-se, em última instância, da afirmação de um projeto das classes dominantes articulado à reorganização neoliberal do capitalismo e subordinado às hierarquias da economia mundial, no qual a austeridade operava como mecanismo de precarização dos serviços públicos e de legitimação das privatizações.

O resultado foi a progressiva limitação das bases materiais de sustentação do projeto social esboçado na Constituição. Estabeleceu-se, assim, uma convivência tensa e subordinada entre uma arquitetura constitucional orientada à universalização de direitos e um regime macroeconômico neoliberal que restringe sistematicamente sua realização.

Durante a primeira década deste século, o projeto de inserção subordinada do Brasil na divisão internacional do trabalho, embora amplamente dominante, conviveu com uma espécie de ensaio social-desenvolvimentista de baixa intensidade que operou nos marcos institucionais abertos pela Constituição de 1988, precisamente porque não colocava em questão o núcleo estrutural do projeto liberal. A conjuntura externa favorável e o dinamismo do mercado interno permitiram alguma margem de acomodação social, abrindo espaço para concessões distributivas como a valorização real do salário-mínimo, a expansão das universidades públicas, a ampliação das políticas de transferência de renda, o aumento da formalização do emprego e a retomada do investimento público, especialmente em infraestrutura e no financiamento público ao investimento produtivo. Ainda assim, tratava-se de uma acomodação limitada, que produziu avanços sociais relevantes sem alterar os fundamentos do padrão dependente de acumulação.

Esse arranjo começou a se esgotar ao longo da década de 2010. Mesmo as concessões limitadas realizadas no período anterior passaram a gerar fricções crescentes no interior do padrão de acumulação.

De um lado, a crise internacional iniciada em 2008 aprofundava suas consequências no centro do capitalismo. A desaceleração do crescimento e a compressão das taxas de lucro intensificaram a pressão das grandes corporações e do capital financeiro por novos espaços de valorização. Nesse contexto, economias periféricas como a brasileira passaram a se tornar cada vez mais atrativas para o capital das potências imperialistas, sendo vistas como territórios privilegiados para a reabertura de oportunidades de acumulação e recomposição das taxas de lucro, seja pela ampliação da exploração de recursos naturais, seja pela apropriação de ativos estratégicos por meio de privatizações, liberalização econômica e desorganização de capacidades produtivas nacionais.

Por outro lado, a redução do desemprego, a elevação da renda do trabalho e o fortalecimento do poder de barganha da classe trabalhadora intensificavam os conflitos distributivos. A melhora das condições no mercado de trabalho ampliava o poder social do trabalho e tensionava as margens de rentabilidade do capital. Diante desse cenário, frações dominantes da burguesia doméstica passaram a pressionar pela recomposição das taxas de lucro e pela restauração da disciplina sobre o trabalho, tendo a austeridade fiscal e o ajuste do gasto social como instrumentos centrais dessa ofensiva.

O espaço político e econômico para concessões, por mínimas que fossem, à classe trabalhadora começou, então, a se fechar rapidamente. Frações dominantes do capital passaram a se mobilizar de forma cada vez mais agressiva pela reversão daquele ciclo, exigindo a recomposição das taxas de lucro, a restauração da disciplina sobre o trabalho e uma profunda reconfiguração do Estado em favor da acumulação privada sem freios. Já não se tolerava sequer a manutenção daquele esboço inacabado e precário de projeto de bem-estar social inscrito na Constituição de 1988.

Foi nesse contexto que, a partir de 2015, o conflito se deslocou para um novo patamar. A tentativa do governo Dilma de recompor a confiança das frações dominantes por meio de um ajuste ortodoxo revelou-se rapidamente insuficiente. Veio o golpe. Para amplos setores do capital, já não se tratava de corrigir rumos ou administrar a conjuntura dentro dos marcos existentes. O que estava em jogo era a remoção dos limites institucionais que ainda restringiam a plena realização de seu projeto, especialmente aqueles inscritos na Constituição de 1988 e em sua arquitetura de direitos sociais. Nada que pudesse obstruir esse movimento seria tolerado, nem a democracia.

É nesse momento que ganha centralidade o documento Uma Ponte para o Futuro, apresentado em 2015 pelo PMDB, como plataforma programática das classes dominantes para a reorganização da política econômica brasileira. O texto defendia a consolidação de um regime de austeridade fiscal radical e permanente, a desvinculação constitucional de receitas orçamentárias, a revisão dos mecanismos de indexação do gasto público, a ampliação das privatizações e concessões, a flexibilização das relações de trabalho e uma abertura mais ampla da economia ao capital privado, nacional e estrangeiro. Tratava-se de uma ofensiva destinada a remover qualquer limite institucional ainda preservado pela Constituição de 1988 à expansão do capital, liberando sua tendência a converter em mercadoria tudo o que encontra pela frente, a submeter sem freios o trabalho e a natureza à lógica da valorização e a dissolver os remanescentes de soberania econômica nacional.

Nos anos seguintes, essa agenda se materializou em uma série de contrarreformas estruturais: a instituição do teto de gastos por vinte anos, cuja lógica reapareceu no atual regime fiscal; a contrarreforma trabalhista, que desmontou mecanismos de proteção ao trabalho; as mudanças no sistema previdenciário, que ampliaram o espaço para a previdência privada; a autonomia formal do Banco Central; e a expansão de programas de privatização, concessões e parcerias público-privadas. Consolidou-se, assim, um Estado simultaneamente austero no plano social e ativo na reorganização institucional e regulatória necessária à ampliação dos processos de desestatização.

Longe de qualquer improviso ou curto-prazismo, avança a pleno vapor um projeto de longo prazo para as elites, enquanto a maioria não sabe se poderá se aposentar, se os jovens terão um emprego minimamente digno ou, em muitos casos, se haverá comida na mesa amanhã.
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terça-feira, 7 de outubro de 2025

Nota de Falecimento * Revista Nas Entrelinhas/IFBA

Nota de Falecimento

É com profundo pesar que o Nas Entrelinhas comunica à comunidade do Instituto Federal da Bahia (IFBA): alunos, professores, técnicos administrativos e prestadores de serviços, o falecimento da Senhora “DEMOCRACIA”.

Desde o início do ano de 2020 ela já vinha sofrendo com uma doença chamada “Patrimonialismo” que é caracterizada pela confusão e conflito dos conceitos daquilo que é “público” e “privado”. Estavam a Reitora e o seu Consorte dentro do Consup decidindo os rumos do IFBA como se o fizessem com o orçamento familiar.

A doença evoluiu para um câncer muito comum em alguns modelos de gestão, chamado “Autoritarismo”. Esse tipo de câncer é caracterizado pelo poder absoluto que implementa regras próprias e subverte normas, impondo os seus interesses e subordinando a todos, principalmente, aqueles que de alguma forma do poder autoritário se beneficiam, a obediência cega à sua autoridade.

O domínio dos espaços de deliberação e decisão no IFBA foi a primeira estratégia do autoritarismo da gestão e tem o propósito de consolidar o controle do poder e influência, e dessa forma impedir que vozes e pensamentos contrários sejam lançadas e reproduzidas no meio acadêmico e institucional. Foi assim lá nos idos do ano de 2021, na eleição para o Consup. Foi assim na eleição de 2023 também para o Consup, Reitor(a) e Diretores(as) de campi, subvertendo, inclusive, o Estatuto do IFBA (Art. 11, II) e o Regimento Interno do Consup (Art. 2º, II e Art. 33, VIII), e não foi diferente nesta última eleição.

A Reitora e Presidenta do Consup, usando do seu autoritarismo e abusando do poder, sob os olhares e pensamentos desprovidos de senso crítico dos Conselheiros, impôs a sua vontade e transferiu os poderes que até então eram do Consup e dos Conselheiros para as Comissões Eleitorais, tanto em 2023 quanto na última eleição para o Consup (2025-2027). É bom a comunidade rever esses momentos para que não caiam no esquecimento.

O ataque fulminante à DEMOCRACIA institucional veio nesta recente eleição para o Consup, mais uma vez usando a própria “democracia” para disfarçar e consolidar o seu autoritarismo.

Feriu o princípio constitucional da “Publicidade”. Não utilizou todos os meios institucionais oficiais disponíveis para dar amplo conhecimento à comunidade interna. A chamada para registros de candidaturas ao Consup só foi divulgada no ifba-oficial@listas.ifba.edu.br no dia 13 de agosto de 2025, faltando pouco mais de 9 horas para o encerramento. De acordo com o princípio da “Publicidade” (Art. 37 da CF/88) é dever da Administração conferir aos seus atos a mais ampla divulgação possível, principalmente quando os administrados forem individualmente afetados pela prática do ato. Isso cerceou o direito de servidores da oposição apresentarem candidaturas.

A Reitora permitiu, acintosamente, que o seu Consorte (que desta vez não teve muita sorte, ficou como suplente) se candidatasse à representação no Conselho do qual ela, a Reitora, é Presidenta, escancarando e jogando na cara da comunidade do IFBA o conflito de interesses, já combatido no âmbito do Consup entre 2020-2021.

O Consorte, que fez uma campanha digna do Congresso Nacional (nababesca), sem o mínimo de vergonha, como se tivesse dispondo do patrimônio familiar, usou e abusou da máquina pública: beneficiou-se de vídeo publicado no Instagram pelo Pró-Reitor de Ensino - assim se apresentou - no qual declarou o seu apoio ao candidato. Apropriou-se indevidamente de um vídeo institucional, onde a Pró-Reitora da PRODIN enalteceu a importância da eleição para a democracia na Instituição. O vídeo é institucional e tem caráter informativo. A apropriação foi indevida.

Um outro candidato também docente, do campus de Jacobina, beneficiou-se de um vídeo publicado no Instagram pelo Diretor-Geral, que assim se declarou e externou o seu apoio. Já um outro docente, apoiador ou preposto, do campus de Irecê usou o seu e-mail pessoal institucional (o que é permitido) e enviou mensagem para uma infinidade de docentes, através do e-mail oficial institucional "docentes.ire@ifba.edu.br" (o que é proibido pela norma eleitoral), pedindo votos para o candidato e convidando a todos para irem juntos com ele, configurando o uso da máquina pública.

É claro que tudo isso desequilibrou o pleito eleitoral porque comprovadamente favoreceu indevidamente os candidatos. E na tentativa de salvar a velha Senhora “DEMOCRACIA” que agonizante dava os seus últimos suspiros, apresentamos recursos, impugnações, além de expormos os vícios gritantes no Regulamento Eleitoral.

Infelizmente, a Comissão Eleitoral que, como aquela de 2023, sem o fiel da balança, “jogou a última pá de cal” e julgou como IMPROCEDENTES os recursos e impugnações.

A Senhora “DEMOCRACIA” morreu, mas deixou “sementes”. Essas serão cuidadas, trabalhadas e preparadas longe dos olhares herodianos.

Consup 2025-2027, eleição de cartas marcadas.
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sexta-feira, 4 de julho de 2025

O SEQUESTRO DO BRASIL* Roberto Amaral/SP

O SEQUESTRO DO BRASIL
Roberto Amaral/SP
A EXTREMA DIREITA CERCOU LULA
"Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo.”
Darcy Ribeiro, O povo brasileiro.
GOLPISMO DOMINA O CONGRESSO
"
A ordem político-institucional herdada da re-constitucionalização de 1988 foi posta em recesso com o impeachment de Dilma Rousseff. Morria ali a Nova República anunciada por Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. O golpe de Estado de 2016 se consolidou com o regime-tampão do vice perjuro, ponte para a ascensão do neofascismo, pela vez primeira no Brasil a escalar o poder pela via eleitoral.

O presidencialismo espatifa-se como bola de cristal caída ao chão e, com seus estilhaços, a direita concerta o quebra-cabeça como novo Leviatã: poderoso mostrengo que devora as instituições republicanas e impõe a ingovernabilidade como estágio preparatório do caos, indispensável para a revogação do que ainda podemos chamar de “ordem democrática” – frágil, nada obstante sua permanente conciliação com o grande capital, no que se esmera o atual Congresso, implacável no desmonte do que quer que seja que possa sugerir um Estado de bem-estar social.

Esta é a circunstância que nos domina: um Poder Executivo acuado, impedido de exercer o dever da governança; um Legislativo que não arrecada, mas é senhor dos gastos; uma democracia representativa que prescinde da soberania popular. Um Executivo se esvaindo numa sangria de poder que parece não ter fim, prisioneiro de um Congresso abusivamente reacionário, na tocaia contra qualquer sinal de avanço civilizatório. Em seu nome fala e age sua escória, chorume poderosíssimo que não cessa de crescer em número de militantes, em ousadia e em chantagens contra o governo. O quadro funesto se completa com uma Faria Lima descolada do país e de seu povo: seus interesses deitam raízes em Wall Street.

Lição dos dias que demoram a passar: no Brasil de hoje, em cenário no qual o centro e a social-democracia (depois da falência dos liberais) aderiram ao conservadorismo larvar, a direita e a extrema-direita governam independentemente do resultado das eleições que ainda se realizam – as quais, assim, deixam de ser decisivas, e sobretudo deixam de ser instrumento de mudança, pois qualquer mudança que não aprofunde a exploração de classe será vista como subversiva da ordem na qual a classe dominante (que também atende pela alcunha de “mercado”) se alimenta.
O processo eleitoral é mantido e, por seu intermédio, a soberania popular conserva seu direito de fala. Mas a única voz realmente ouvida é a do sistema. E assim ele é mantido porque somente são permitidas as mudanças que asseguram que nada mude. A ordem se sobrepõe ao movimento, e a promessa de futuro é a regressão.

Por fim, somos um país impedido de ser. Esta é a contradição fundamental entre a necessidade de um projeto de país – de que carecemos desde a raiz colonial – e os interesses da classe dominante, governante desde sempre. Nosso mal de origem.

O variegado campo da esquerda em crise, governante ou não, enfrenta o rescaldo de nossos erros: os muitos erros táticos e os graves erros estratégicos, como o de não havermos compreendido o processo histórico e, assim, havermos fracassado como instrumento de mudança. Nem revolução, nem reforma. Somam-se quase quatro mandatos de quadros da centro-esquerda controlando a Presidência da República – neles vivendo a ilusória sensação de poder! – e, ao fim e ao cabo, quando os sinais de hoje sugerem novas ameaças à nossa liderança, nenhum abalo no sistema de poder temos por registrar. Permanecemos jungidos pelo patrimonialismo.

Nenhuma reforma – nem as reformas estruturais prometidas e necessárias, nem as reformas exigidas pela necessidade de modernizar o capitalismo dependente, que transita do projeto industrialista para o reino do agronegócio fundado nas exportações de commodities e matérias-primas in natura. Nem a reforma política, nem a reforma social – razão de nossa existência. Tampouco a reforma eleitoral, ou a reforma do Judiciário, ou uma reforma fiscal que penalize o rentismo e proteja os assalariados.

Entre nós, quem faz as reformas é a direita: a reforma previdenciária, a trabalhista, a reforma administrativa (em curso) – por óbvio, à feição de seus interesses de classe.

Conservamos intocadas as estruturas herdadas em 2003, e intocadas as entregamos à direita em 2019, e caminhamos para de novo devolvê-las intocadas à direita em 2027. Confundindo recuo permanente com habilidade política, trocamos o avanço pela conciliação e, de tanto perseguirmos acordos com as forças dominantes, nos vemos hoje apartados de nossas bases sociais originárias. Os marqueteiros do terceiro andar do Palácio do Planalto não sabem explicar a crise de popularidade do presidente Lula.

Eleito em 2022, a duras penas, mas renovando o compromisso de resgatar a imensa dívida social do Estado brasileiro, e tendo diante de si uma extrema-direita que acumulava – como acumula ainda – condições objetivas e subjetivas de voltar ao poder (assim reeditando a longa noite bolsonarista – que não pode ser esquecida, embora represente uma memória dolorosa), o presidente Lula teria tudo para não se auto imolar no altar do rentismo. Pesaram mais, porém, as condições desfavoráveis sob as quais assumiu, e o antigo líder sindical, tido e havido como bom negociador, se afirma sobre o estadista.

O governo é presa do “ajuste fiscal” – o mantra do sistema que se impõe contra qualquer expectativa de desenvolvimento, conditio sine qua non para qualquer projeto de geração de emprego e renda, as carências fundamentais de nosso povo.

O sistema econômico é dominante porque seus mecanismos – objetivos e ideológicos – pervadem toda a estrutura econômica, social e política. A privatização é um processo econômico, mas também um processo político-ideológico, que não se mede apenas com a transferência do controle acionário do Estado para o setor privado, mas se revela, fundamentalmente, quando a política submete a gestão pública à lógica das corporações privadas.

É a vitória do neoliberalismo regendo um governo originário das lutas dos trabalhadores, porque a esquerda no governo assimila os padrões político-ideológicos do mundo que sonha, ou sonhou, pôr por terra – como o colonizado reproduz a ideologia do colonizador, o dominado se põe a serviço do dominador – e assim caímos na cilada de aparecermos, diante do povo oprimido, como defensores da ordem que condenamos.

Sabidamente, o eixo do poder político no Brasil mudou, e o fenômeno não é de hoje. Seu ponto de referência exemplar é o golpe de 2016 – golpe parlamentar, manobra de cúpula que prescinde de fardados nas ruas e toques de recolher, e pode efetivar-se sem repressão policial. Mas o quadro de hoje não caiu do colo dos deuses: resulta de transformações político-ideológicas fermentadas por largos anos nas bases da sociedade, para as quais não tivemos olhos para ver antes que viessem à tona e explodissem como aluvião que não cessa de crescer – e diante do qual a esquerda, em todos os seus matizes, não cessa de se surpreender. Assustada, recua.

O eixo do poder mudou porque a ordem social que lhe dá vida mudara antes, determinando uma nova correlação de forças que pode consolidar-se se não for bem compreendida para ser bem enfrentada. Esse enfrentamento, porém, depende da capacidade da esquerda de, a partir da construção de um projeto de país contemporâneo com a realidade histórica, construir, na sociedade, uma nova maioria política. Nestes termos, a sustentabilidade do governo, revisto, se torna necessária, e as eleições de 2026 assumem características decisivas – mas não encerram a história toda, pois permanecem tão-só como ponto de partida de um projeto de poder seguidamente desviado pelas distorções impostas pelo eleitoralismo que confunde meio com fim.
O que fazer é um óbvio ululante (aproveitando a expressão grafada por Nelson Rodrigues): fazer política.

Como nos ensinou Marx n’O 18 Brumário de Luís Bonaparte: “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha, e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.”
No labirinto no qual foi enredado pelas circunstâncias, Lula é um Teseu desamparado; sem o fio de Ariadne – um projeto político claro que fale ao povo – busca saída pedindo ajuda, ou benevolência, ao carcereiro mortal: a elite político-financeira que o sequestrou, e que o detesta. O 1% de rentistas que concentra aproximadamente 48% da riqueza nacional.
É hora de mudar o rumo."

sexta-feira, 25 de abril de 2025

quarta-feira, 16 de abril de 2025

PL DA ANISTIA AUTORIZA GOLPE * Míriam Leitão/SP

PL DA ANISTIA AUTORIZA GOLPE
Míriam Leitão

Ficam anistiados todos os que participaram de manifestações com motivação política e eleitoral” no dia 8 de janeiro em diante, “até a entrada em vigor desta lei”. O texto estabelece que a anistia vale para os atos até a data de publicação da lei. Qualquer crime contra a democracia a ser ainda cometido nos próximos meses já está perdoado, antes de ser perpetrado. “Fica também concedida anistia a todos os que participaram de eventos subsequentes ou eventos anteriores aos fatos acontecidos em 8 de janeiro de 2023, desde que mantenham relação com os eventos acima citados.” É uma licença para golpear.

Os projetos de anistia usam pretexto de salvar manifestantes, mas são para proteger e livrar líderes do golpe, os generais e Bolsonaro

As máscaras caem nos textos das propostas de anistia que tramitam no Congresso. Os projetos, uns apensados a outros, usam o pretexto de salvar as pessoas que quebraram as sedes dos Três Poderes, para anistiar todos os autores intelectuais e financiadores do golpe de Estado. O projeto, na versão de setembro de 2024, também ameaça a Justiça. A investigação, o ato de oferecer ou receber denúncia e a persecução penal contra esses “manifestantes" serão considerados “abuso de autoridade”. É um golpe do Legislativo contra o Judiciário e abre as portas para golpes de Estado futuros.

O PL 2858 foi apresentado em novembro de 2022 pelo então deputado Major Vitor Hugo (PL-GO) e estabelecia que estavam anistiados todos os manifestantes, caminhoneiros e empresários dos protestos em estradas e unidades militares do dia 30 de outubro em diante. O relatório do deputado Rodrigo Valadares (União-SE) de setembro de 2024 amplia o escopo e significa uma licença para golpes de Estado no Brasil. Passados e futuros. Estabelece que “ficam anistiados todos os que participaram de manifestações com motivação política e eleitoral” no dia 8 de janeiro em diante, “até a entrada em vigor desta lei”. E, logo depois, diz: “Fica também concedida anistia a todos os que participaram de eventos subsequentes ou eventos anteriores aos fatos acontecidos em 8 de janeiro de 2023, desde que mantenham relação com os eventos acima citados.”

Fica perdoado tudo aquilo pelo qual militares de alta patente e o ex-presidente Jair Bolsonaro foram denunciados e se tornaram oficialmente réus. O projeto atinge, inclusive, sentenças não transitadas em julgado. Anistia quem nem foi ainda condenado. Como o texto estabelece que a anistia vale para os atos até a data de publicação da lei, qualquer crime contra a democracia a ser ainda cometido nos próximos meses já está perdoado, antes de ser perpetrado. É uma licença para golpear.

O projeto de Vitor Hugo, hoje vereador em Goiânia, afirma na sua justificativa que os protestos no país desde o fim das eleições eram legítimos e conduzidos espontaneamente por “cidadãos indignados pela forma como se deu o processo eleitoral”. Quando foi proposto ainda não havia acontecido o 8 de janeiro, mas anistiava tudo o que acontecesse até a data da publicação da lei. Todas as versões fingem estar em defesa da liberdade de expressão e de manifestações cívicas. O relatório de Valadares deixa claro que quer anistiar os cabeças. “O mero apoio financeiro, logístico ou intelectual para manifestações cívicas ou políticas, voltadas à defesa de direitos e garantias fundamentais ou a quaisquer outros valores presentes no seio socia l, não pode ser enquadrado por si só como ato de financiamento contrário ao ordenamento jurídico, nos casos em que integrantes ou dirigentes do movimento venham agir, eventualmente, com abuso de direito ou desvio de finalidade”.

O PL 2858, em todas as suas versões, interfere na Justiça Eleitoral. O relatório de Valadares estabelece que ficam elegíveis os anistiados e suspensas as multas aplicadas. Além disso, muda a prerrogativa de foro de quem deixa de ocupar cargo público, mesmo no caso dos atos executados durante o exercício da função. O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, quer manter Valadares na relatoria.

O parágrafo sexto do artigo sexto do relatório de Valadares estabelece que “caracteriza abuso de autoridade o ato de dar início à investigação, à persecução penal ou a processo crime, bem como oferecer ou receber denúncias ou aplicar, de qualquer modo, os dispositivos contidos neste Título de forma diversa daquela delineada neste artigo”. Ou seja, a Justiça fica proibida de agir contra o crime.

Neste momento, o PL, partido de Bolsonaro, disse que já tem assinaturas suficientes para que o PL seja votado em regime de urgência e isso significa uma tramitação rápida que não passa nem pelas Comissões. O projeto é inconstitucional, em qualquer de suas versões. Há quem diga que ele pode ser melhorado durante a tramitação. Há quem diga que o presidente Lula pode vetar, ou o STF julgar inconstitucional. Não. O Congresso não pode jogar o problema no colo dos outros poderes. É na Casa das Leis que tal aberração tem que ser barrada porque ela legaliza o crime de golpe de Estado, criminaliza a Justiça, e abre espaço para futuros atentados contra a democracia. Inconcebível.
INIMIGOS SÃO INIMIGOS

Aprendizados que a história nos ensina. Em 1956, Juscelino Kubitschek anistiou os militares golpistas que tentaram impedir sua posse em 1955, pesando em pacificar o país. Ledo engano, Dia 31/03/64, Esses militares anistiados se juntaram a outros, com o apoio do empresariado, da classe média para dar o golpe de Estado de 64. Precisamos lembrar que os mesmos traidores da constituição que deram o golpe em 64 tentaram o golpe do 8 de janeiro. Alguns saudosos do período e outros que dormem com o livro de um torturador na cabeceira como forma de inspiração. É preciso que essas prisões ocorram para que o sentimento que paira desde 64 seja aliviado! É uma forma de passarmos o país a limpo. Ódio e nojo à ditadura!

Nosso repúdio aos que flertam, apoiam, defendem o golpismo e a ditadura.
sem anistia!
ditadura nunca mais!
KU KLUX KLAN ATACA EM SÃO PAULO
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

TEM UM GOLPE NO MEIO DO CAMINHO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

TEM UM GOLPE NO MEIO DO CAMINHO
PASSAPORTE PARA A PAPUDA

"Golpe de 1964 foi precedido por tentativa frustrada. Estamos diante de uma nova ‘omissão estratégica’?

Em 1959 não havia apoio internacional e nem da caserna, mas os envolvidos não desistiram: só esperaram o momento certo.

Enfim a Procuradoria-Geral da República ofereceu denúncia contra Bolsonaro e seus 33 aliados. Para os que acompanhavam o caso de perto, não há grandes novidades: o texto não traz elementos realmente novos, mas expõe minúcias e detalhes que dão ainda mais robustez ao que já era evidente: Bolsonaro. Bolsonaro não apenas tentou ou articulou — ele executou um golpe.

A denúncia do PGR é cristalina quanto a isso.

Os mais conservadores afirmam que tudo não passou de uma “tentativa” pelo simples fato do golpe não ter perdurado, não ter alcançado a consistência necessária para se sustentar em público e, de fato, impedir a posse do presidente Lula. Para tanto, precisariam de mais aliados, aliados maiores, tanto dentro quanto fora do país. Especialmente fora!

E digo isso mirando no exemplo de 1964. O golpe não emergiu de forma espontânea naquele famigerado primeiro de abril, muito pelo contrário. O golpe militar foi gestado ainda durante o governo Getúlio Vargas e foi por – pelo menos – duas vezes adiado até o fatídico ano de 64, até o momento em que estava robusto o suficiente para ver a luz do dia.

Inclusive, nesse ínterim, entre a gestação e o nascimento, tivemos um episódio muito importante e pouco comentado nos dias de hoje, a chamada Revolta de Aragarças, uma tentativa de golpe militar contra o governo de Juscelino Kubitschek ainda em 1959.

Na ocasião, um grupo de militares autointitulado Comando Revolucionário, insatisfeito com os rumos da política, sequestrou cinco aviões repletos de armamentos e explosivos e sitiou o aeroporto de Aragarças, na divisa entre Goiás e Mato Grosso. Apesar de modesta, a cidade tinha um papel crucial na logística aérea da época. O plano dos revoltosos incluía bombardear o palácio do Catete e assassinato do então presidente Juscelino Kubitschek.

A revolta fracassou, ao menos aparentemente. Boa parte da classe política e setores influentes da sociedade civil rechaçaram publicamente a tentativa de golpe, dando ao governo de JK amplo apoio para organizar uma contraofensiva armada digna de cinema, com direito a utilização de tropas de elite que saltaram de paraquedas sobre a cidade de Aragarças para sabotar os aviões dos rebeldes.

Acuados, os amotinados terminaram fugindo para países vizinhos e terminariam anistiados em 1960, retornando para o país já no governo de Jânio Quadros.

Fim da história? Não. Muito pelo contrário, é aqui, justamente, que ela se torna importante para o presente.

É consenso entre os historiadores que, a despeito da ampla rejeição da classe política e da sociedade brasileira, o fator realmente decisivo para o fracasso da Revolta de Aragarças foi, justamente, a falta de apoio entre os próprios militares.

Melhor dizendo – e esse é o detalhe que faz toda a diferença –, falta de um apoio público da caserna. Pois também é consenso de que havia uma sinfonia golpista entre militares da época, especialmente os do alto escalão. Pelo menos desde Vargas se organizavam e articulavam para um golpe de estado: estavam apenas em busca ou a espera do momento que consideravam mais adequado.

Os amotinados de Aragarças, impacientes, buscavam justamente antecipar esse momento, organizando um movimento que, imaginaram, daria origem a uma reação em cadeia, inspirando e contagiando praças e obrigando os oficiais a saírem de sua inércia.

O que só aconteceria, sabemos, anos depois. Em 1964.

A não adesão das Forças Armadas à Revolta de Aragarças não foi uma questão de ideologia, foi uma omissão estratégica. Tanto que alguns dos principais personagens do motim também estariam envolvidos na construção e na condução da Ditadura Militar. Entre eles, João Paulo Moreira Burnier, na época um tenente-coronel da Aeronáutica – acusado, entre outras coisas, de estar envolvido no desaparecimento do estudante Stuart Angel –, e ninguém menos do que o general do Exército Humberto Castelo Branco, o mesmo que viria assumir a presidência da república em 1964.

O que mudou entre 1959 e 1964? Nas Forças Armadas pouca coisa. No contexto geral, o ideário golpista passou a contar com o amplo apoio de setores da sociedade civil e dos Estados Unidos. E isso, sabemos, especialmente para aquele cenário, não é um detalhe trivial.

Mas voltamos para o presente, para a denúncia oferecida pela PGR.

Chama atenção para a maneira como o documento, apesar de denunciar militares de alta patente pela conspiração, preserva a caserna, especialmente os generais que, mesmo sabendo do planejamento ativo de um golpe de estado, pouco ou nada fizeram para efetivamente impedi-lo.

Supostamente, apenas afirmaram que não compactuariam com o movimento. A mesma caserna que se recusou a investigar e efetivamente punir militares suspeitos de participar da insurgência golpista do Oito de Janeiro.

Um dos casos mais notórios é o do ex-comandante Militar do Planalto, Gustavo Henrique Dutra de Menezes, que teria impedido a Polícia Militar de desmobilizar acampamentos de golpistas na véspera do ataque terrorista. De forma sintomática, o ministro da Defesa, José Múcio, imediatamente deu declarações que circunscreviam a participação da caserna na trama totalitária à uma espécie de “banda pobre” do oficialato.

Perceba, não que eu esteja dizendo que ver generais denunciados por tramarem um golpe de estado seja algo trivial, mas não te parece pouco, muito pouco, diante do que vimos nos últimos anos?

Você realmente acredita que uma eventual punição dos supostos líderes do movimento golpista será capaz de modificar a própria estrutura das Forças Armadas brasileiras que, tem anos, vem desafiando e até ameaçando publicamente a combalida democracia brasileira? Lembram do que ocorreu às vésperas do julgamento de Lula pelo STF, da mensagem explícita do general Villas Boas? Essa não é uma história que começa e termina no governo Bolsonaro.

E por isso mesmo, não te parece perigoso que isso seja tratado dessa forma? Especialmente no cenário mundial atual, onde Donald Trump é novamente o presidente dos Estados Unidos, um sujeito que tranquilamente reconheceria o governo golpista de Jair Bolsonaro. Será que não foi justamente isso que faltou para a alta cúpula militar para aderir ao movimento encabeçado pelo ex-presidente, a falta de um apoio internacional? Será que não estamos diante de uma nova “omissão estratégica” da cúpula militar, como ocorreu em 1959?

Nesse sentido, é importante lembrar que o próprio ex-vice-presidente, o general Hamilton Mourão, escreveu em seu perfil no Twitter, ainda em 2022, durante o auge da conspiração, que os golpistas defendiam um golpe que colocaria o Brasil em uma “situação difícil perante a comunidade internacional”.

Será que o mesmo aconteceria agora?

Mais uma vez, não que eu ache que a denúncia e eventual prisão dos supostos líderes da conspiração não seja importante, apenas me pergunto se isso será o suficiente para impedir uma nova trama golpista."

ORLANDO CALHEIROS

CONFIRA MAIS GOLPES
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

O FASCISMO ODEIA LEIS * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

O FASCISMO ODEIA LEIS
Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

NO CAMINHO COM MAIACOVSKI

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nota: Trecho do poema "NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI", muitas vezes erroneamente atribuído a Vladimir Maiakóvski. O poeta Eduardo Alves da Costa garantiu que Maiakóvski nada tem a ver com o poema, na Folha de São Paulo, edição de 20.9.2003.
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DONALD TRUMP E O FASCISMO
A violência do Chega é estratégica
CHEGA, PARTIDO FASCISTA PORTUGUÊS.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

SEM ANISTIA PARA GOLPISTAS # Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT/Brasil

SEM ANISTIA PARA GOLPISTAS

SEM ANISTIA PARA GOLPISTAS

O PL da Anistia segue vivo no Congresso. Se ele for aprovado, os golpistas do 8 de janeiro vão ficar impunes, e pra piorar, Jair Bolsonaro pode se tornar elegível novamente. Não podemos deixar isso acontecer! Vamos pressionar Hugo Motta para que ele arquive esse absurdo. Assine aqui também e ajude a defender nossa democracia:  
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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

DOSSIÊ USAID * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

O QUE É USAID
*O QUE É A USAID, UM INSTRUMENTO DOS EUA PARA FINANCIAMENTO DE GOLPES DE ESTADO*
*Publicado RT Espanhol: 4 de fev de 2025 15:00 GMT*

*A equipe de Donald Trump suspendeu o financiamento de projetos da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, que vem sendo acusada há anos de realizar atividades subversivas em vários países.*

▪️O que é a USAID?
▪️Histórico da criação da agência
▪️O que a USAID faz?
▪️Atividades na América Latina
▪️Críticas da equipe de Trump
▪️Início da reforma da USAID

*O que é a USAID?*

A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) tem sido há muito tempo um instrumento essencial da política externa americana.

De acordo com o site oficial do governo dos EUA, é a principal agência "para estender assistência a países que se recuperam de desastres, buscam escapar da pobreza e empreendem reformas democráticas".

*Histórico da criação da agência*

A USAID foi criada em 1961, no meio da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética. Como observa a AP, o ex-presidente dos EUA John Kennedy queria uma maneira mais eficiente de combater a influência soviética no exterior por meio de ajuda externa e considerou o Departamento de Estado "frustrantemente burocrático" ao fazê-lo.

*O que a USAID faz?*

A agência emprega mais de 10.000 pessoas, das quais aproximadamente dois terços trabalham no exterior. A USAID continua sendo a maior doadora mundial de ajuda humanitária, fornecendo 42% de toda a ajuda humanitária registrada pelas Nações Unidas em 2024. A agência destinou mais de US$ 40 bilhões em assistência financeira a 130 países no ano fiscal de 2023.

Apesar de seus objetivos humanitários declarados, a agência é regularmente criticada por governos estrangeiros, que a veem como uma ferramenta de influência dos EUA para interferir nos assuntos internos de suas nações.

*Atividades na América Latina*

A América Latina tem sido historicamente uma das regiões nas quais a USAID desenvolveu suas atividades. Além da estreita cooperação entre a USAID e o FBI na segunda metade do século XX, a agência de desenvolvimento também foi acusada de interferir nos assuntos soberanos de países da região mais recentemente.

*Venezuela*

A USAID intensificou seu trabalho na Venezuela antes e imediatamente após o golpe de 11 de abril de 2002 contra o presidente Hugo Chávez, que retomou o poder dois dias depois. A entidade foi acusada de apoiar a oposição e participar da tentativa de mudança de poder. Em 2006, foi revelado que o Escritório de Iniciativas de Transição da USAID supervisionou mais de US$ 26 milhões em doações para vários grupos na Venezuela desde 2002.

Um dos telegramas da agência vazados pelo WikiLeaks explicou a estratégia dos EUA na Venezuela entre 2004 e 2006, que incluía as seguintes disposições: "1) fortalecer as instituições democráticas, 2) penetrar na base política de Chávez, 3) dividir o chavismo, 4) proteger negócios vitais dos EUA e 5) isolar Chávez internacionalmente".

*Bolívia*

Em 2013, o então presidente boliviano Evo Morales expulsou a USAID do país, acusando-a de conspiração e interferência em assuntos políticos internos.

Durante o mandato de *Evo Morales,* a agência foi acusada pelo Governo de participar ativamente de planos violentos de desestabilização, separatismo e intervenção em processos eleitorais na Bolívia.

*Cuba*

A USAID estava por trás da criação do chamado "Twitter cubano", uma rede social cujo objetivo real era mudar o poder em Cuba, conforme revelado pela AP em 2014. O plano da agência era criar uma audiência para o projeto ZunZuneo, atraindo principalmente usuários jovens, e então incentivar a organização de manifestações políticas.

O financiamento da plataforma foi canalizado por meio de empresas criadas na Espanha e nas Ilhas Cayman para ocultar a origem do dinheiro. O ZunZuneo operou por vários anos e deixou de existir em 2012, quando o financiamento governamental cessou.

O então administrador da USAID, Rajiv Shah, descartou a ideia de que se tratava de um programa secreto, embora admitisse que "algumas partes dele foram feitas discretamente". A agência disse na época que estava "orgulhosa de seu trabalho em Cuba para fornecer assistência humanitária básica, promover direitos humanos e liberdades fundamentais e ajudar a informação a fluir mais livremente para o povo cubano".

*México*

Em um dos exemplos mais recentes de atividade subversiva da USAID, o governo mexicano revelou em agosto de 2024 que, durante o mandato de *Andrés Manuel López Obrador,* a agência financiou a organização de oposição Mexicanos Contra a Corrupção e a Impunidade (MCCI) com 96,7 milhões de pesos (mais de 5 milhões de dólares).

*Críticas da equipe de Trump*

Desde que assumiu o cargo, o presidente dos EUA, Donald Trump, e sua equipe têm feito uma torrente de críticas contra a agência, que ele disse ser "administrada por um bando de lunáticos radicais".

*Elon Musk,* chefe do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), acusou a USAID de financiar pesquisas sobre armas biológicas, incluindo um laboratório ligado à disseminação da Covid-19, e de pagar "meios de comunicação para publicar sua propaganda".

Revelando as despesas mais "ridículas" da agência, o governo Trump revelou que os fundos foram alocados para alimentação de "combatentes afiliados à Al Qaeda na Síria", "uma 'ópera transgênero' na Colômbia" e financiamento de "turismo no Egito", entre outros propósitos.

*Início da reforma da USAID*

Em meio a críticas, o financiamento para projetos da USAID foi suspenso, enquanto Musk alegou que a agência estava "além de qualquer reparo", acrescentando: "Estamos fechando-a".

As operações da agência estão sendo reorganizadas, e o Secretário de Estado dos EUA *Marco Rubio* se tornou seu administrador interino. Ele disse que muitas funções "continuarão" e confirmou a fusão da agência com o Departamento de Estado.

Nesse contexto, *Rubio* notificou o Congresso de que "as atividades de ajuda externa da USAID estão sob revisão para possível reorganização".

*Reconhecido como um grupo terrorista na Rússia e proibido em seu território.

"EUA FECHA USAID E A CLASSIFICA COMO “GRUPO DE CRIMINOSOS”
04/02/2025 

O governo dos Estados Unidos anunciou a decisão de fechar a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) definitivamente, classificando a agência como um “grupo de criminosos”. A USAID, que deveria supervisionar programas humanitários e de desenvolvimento no exterior, é conhecida pela esquerda combativa como um grupo que de atua na desestabilização de países e governos ao redor do mundo.

Historicamente, a agência teve papel decisivo em eventos como o Maidan na Ucrânia, onde grupos neonazistas tomaram o poder em 2014. Entre 1995 e 2002, os EUA investiram mais de US$ 23 milhões, em média, apenas na assistência à mídia de oposição para derrubar Slobodan Milosevic, totalizando mais de US$ 100 milhões em esforços para sua deposição, com forte envolvimento do investidor George Soros.

Além disso, a USAID tem um “braço” formado por ONGs que atuam ativamente no apoio a certos grupos opositores em diversos países. Enquanto na Espanha esse apoio é feito através do ministério do exterior, nos EUA, organizações como o National Endowment for Democracy (NED), a Freedom House e o International Republican Institute, ligados ao partido republicano, recebem substanciais financiamentos da USAID. Essa agência, por sua vez, já capitaneou movimentos golpistas na América Latina desde os anos 60, incluindo no Brasil.

Na Bolívia, documentos obtidos pelo jornalista Jeremy Bigwood revelaram que a USAID manteve um “Escritório para Iniciativas de Transição”, que investiu US$ 97 milhões em projetos de “descentralização” e “autonomias regionais” desde 2002, fortalecendo governos estaduais opositores ao então presidente Evo Morales. Um PowerPoint vazado pelo WikiLeaks mostrou que a USAID colaborava com o IRI e a Freedom House, que também recebem vultuosos financiamentos da agência.

Recentemente, foram divulgados os fundos históricos da USAID destinados à subversão em Cuba, totalizando 197.270.000 dólares entre 2001 e 2008, conforme reportado por Tracey Eaton em seu blog “Along the Malecon”. Um texto assinado por Bolívia, Cuba, Equador, Dominica, Nicarágua e Venezuela denunciou as ações de “ingerência aberta” da USAID, que financia grupos e projetos voltados para desestabilizar governos legítimos que não se alinham aos interesses de Washington.

Evo Morales, em um ato público no Dia Internacional dos Trabalhadores, anunciou a expulsão da USAID da Bolívia, alegando que a agência conspirava contra seu governo. O mandatário boliviano justificou a decisão como uma questão de soberania e segurança do Estado, ressaltando as experiências negativas que a USAID teve em outros países da região, onde houve clara intervenção e desestabilização.

Em que pesem todas as más intenções do atual presidente dos EUA, fato é que a decisão de fechar de uma vez por todas essa obscura agência só poderá beneficiar os povos de todos os países.

FOTO: USP

FONTE: https://www.facebook.com/photo?fbid=9076362669085843&set=a.105549126167287 "
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