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segunda-feira, 13 de abril de 2026

GOLPISMO: O projeto oculto das elites brasileiras * David Deccache/Outras Palavras

GOLPISMO: O projeto oculto das elites brasileiras
/OutrasPalavras

País segue sem perspectiva de futuro. Mas é enganoso culpar cultura do curto prazo. Há séculos, um setor sabe manter-se à tona e enriquecer, enquanto a maioria estagna. A partir de 2008, este ardil tomou a forma de um programa regressivo claro.

Tornou-se lugar comum afirmar que o Brasil sofre de curto-prazismo. A ideia aparece em análises econômicas, debates políticos e editoriais, geralmente associada à incapacidade do país de formular projetos estruturais de longo prazo.

Esse diagnóstico não é destituído de fundamento. Ele capta um traço visível da experiência política brasileira: a fragmentação das políticas públicas, a instabilidade institucional e a dificuldade de sustentar agendas estruturais voltadas à maioria da população e superação da posição periférica do Brasil na divisão internacional do trabalho. Seu limite está em permanecer no plano da manifestação.

Quando observamos a formação econômica e social brasileira sob a lente do conflito entre classes na especificidade de um país periférico, percebe-se que o que aparece como curto-prazismo para a maioria é, na realidade, a forma pela qual o projeto de longo prazo das classes dominantes se impõe.

No cotidiano da maioria dos brasileiros, o Estado aparece como gestor da urgência. A política social assume a forma de programas focalizados, transitórios e permanentemente condicionados à conjuntura fiscal e eleitoral. Direitos são implementados de maneira parcial, sujeitos a contingenciamentos e revisões constantes. Essa dinâmica produz a sensação de improviso permanente e alimenta a percepção de que o país é incapaz de planejar o futuro.

Se o improviso é visível para todos, o que ninguém pode ver, porque simplesmente não existe, é sequer um esboço de projeto consistente de transformação estrutural. Não há qualquer horizonte de mudança na distribuição de renda, na universalização de direitos e serviços públicos ou no reposicionamento do Brasil na divisão internacional do trabalho. Permanece intocado o padrão centro-periferia que organiza a economia nacional, sustentado por frações dominantes vinculadas ao complexo primário-exportador e ao capital rentista.

Ao mesmo tempo, quando se observa a trajetória das (contra)reformas institucionais e econômicas brasileiras, emerge um quadro bastante distinto. O país possui uma longa tradição de planejamento estrutural quando se trata de organizar e reorganizar as condições de acumulação para atender aos interesses das classes dominantes em cada quadra histórica. Para não ir muito longe, o que foi o amplo conjunto de contrarreformas liberais que, de forma articulada e coordenada, conjugou medidas fiscais, trabalhistas, previdenciárias, monetárias e regulatórias, formuladas e implementadas com notável continuidade estratégica nos últimos anos, senão a consecução bem-sucedida de um projeto de país?

Essa dinâmica possui raízes profundas na própria formação econômica do país. O Brasil não foi estruturado como um espaço vazio à espera de um projeto nacional, como supõem os mais otimistas que ainda aguardam a emergência de uma burguesia nacional redentora. Foi organizado desde a origem para cumprir funções específicas na expansão do capitalismo mundial. Sua inserção como economia primário-exportadora, dependente de tecnologia, crédito e mercados externos, longe de resultar de improviso histórico, expressa uma forma particular de planejamento subordinado, internalizado e continuamente reproduzido por suas classes dominantes.

Mesmo quando o país avançou em um projeto mais estrutural de industrialização, esse processo foi rapidamente incorporado a um padrão de modernização conservadora, consolidado após o golpe de 1964 e a instauração da Ditadura Civil-Militar, que reorganizou o Estado como instrumento de repressão à classe trabalhadora. Se, de um lado, havia um projeto coordenado de industrialização, de outro persistiam o arrocho salarial, a precariedade dos serviços públicos, a manutenção das desigualdades sociais e regionais e o poder das velhas oligarquias associadas ao imperialismo.

Nesse percurso, após muitos anos de luta da classe trabalhadora, a Constituição de 1988 representou uma inflexão importante ao projetar um amplo sistema de direitos sociais e estabelecer o princípio da universalização das políticas públicas. A criação do Sistema Único de Saúde, a reorganização da seguridade social, a institucionalização de políticas públicas universais nas áreas de assistência, educação e proteção ao trabalho, a vinculação constitucional de recursos para políticas sociais, a ampliação dos mecanismos de participação social e a consagração de princípios de desenvolvimento nacional e de função social da propriedade expressaram a tentativa de aproximar o país de uma forma periférica e tardia de welfare state.

Ao mesmo tempo, porém, esse horizonte passou rapidamente a ser enquadrado por severas restrições macroeconômicas. No final dos anos 1980 e ao longo da década de 1990 consolidou-se um regime marcado pela liberalização financeira e comercial, pela austeridade fiscal e monetária e pela retração do papel produtivo do Estado, reconfigurado como organizador de amplos processos de privatização, em meio a uma crescente especialização primário-exportadora da economia. Tratava-se, em última instância, da afirmação de um projeto das classes dominantes articulado à reorganização neoliberal do capitalismo e subordinado às hierarquias da economia mundial, no qual a austeridade operava como mecanismo de precarização dos serviços públicos e de legitimação das privatizações.

O resultado foi a progressiva limitação das bases materiais de sustentação do projeto social esboçado na Constituição. Estabeleceu-se, assim, uma convivência tensa e subordinada entre uma arquitetura constitucional orientada à universalização de direitos e um regime macroeconômico neoliberal que restringe sistematicamente sua realização.

Durante a primeira década deste século, o projeto de inserção subordinada do Brasil na divisão internacional do trabalho, embora amplamente dominante, conviveu com uma espécie de ensaio social-desenvolvimentista de baixa intensidade que operou nos marcos institucionais abertos pela Constituição de 1988, precisamente porque não colocava em questão o núcleo estrutural do projeto liberal. A conjuntura externa favorável e o dinamismo do mercado interno permitiram alguma margem de acomodação social, abrindo espaço para concessões distributivas como a valorização real do salário-mínimo, a expansão das universidades públicas, a ampliação das políticas de transferência de renda, o aumento da formalização do emprego e a retomada do investimento público, especialmente em infraestrutura e no financiamento público ao investimento produtivo. Ainda assim, tratava-se de uma acomodação limitada, que produziu avanços sociais relevantes sem alterar os fundamentos do padrão dependente de acumulação.

Esse arranjo começou a se esgotar ao longo da década de 2010. Mesmo as concessões limitadas realizadas no período anterior passaram a gerar fricções crescentes no interior do padrão de acumulação.

De um lado, a crise internacional iniciada em 2008 aprofundava suas consequências no centro do capitalismo. A desaceleração do crescimento e a compressão das taxas de lucro intensificaram a pressão das grandes corporações e do capital financeiro por novos espaços de valorização. Nesse contexto, economias periféricas como a brasileira passaram a se tornar cada vez mais atrativas para o capital das potências imperialistas, sendo vistas como territórios privilegiados para a reabertura de oportunidades de acumulação e recomposição das taxas de lucro, seja pela ampliação da exploração de recursos naturais, seja pela apropriação de ativos estratégicos por meio de privatizações, liberalização econômica e desorganização de capacidades produtivas nacionais.

Por outro lado, a redução do desemprego, a elevação da renda do trabalho e o fortalecimento do poder de barganha da classe trabalhadora intensificavam os conflitos distributivos. A melhora das condições no mercado de trabalho ampliava o poder social do trabalho e tensionava as margens de rentabilidade do capital. Diante desse cenário, frações dominantes da burguesia doméstica passaram a pressionar pela recomposição das taxas de lucro e pela restauração da disciplina sobre o trabalho, tendo a austeridade fiscal e o ajuste do gasto social como instrumentos centrais dessa ofensiva.

O espaço político e econômico para concessões, por mínimas que fossem, à classe trabalhadora começou, então, a se fechar rapidamente. Frações dominantes do capital passaram a se mobilizar de forma cada vez mais agressiva pela reversão daquele ciclo, exigindo a recomposição das taxas de lucro, a restauração da disciplina sobre o trabalho e uma profunda reconfiguração do Estado em favor da acumulação privada sem freios. Já não se tolerava sequer a manutenção daquele esboço inacabado e precário de projeto de bem-estar social inscrito na Constituição de 1988.

Foi nesse contexto que, a partir de 2015, o conflito se deslocou para um novo patamar. A tentativa do governo Dilma de recompor a confiança das frações dominantes por meio de um ajuste ortodoxo revelou-se rapidamente insuficiente. Veio o golpe. Para amplos setores do capital, já não se tratava de corrigir rumos ou administrar a conjuntura dentro dos marcos existentes. O que estava em jogo era a remoção dos limites institucionais que ainda restringiam a plena realização de seu projeto, especialmente aqueles inscritos na Constituição de 1988 e em sua arquitetura de direitos sociais. Nada que pudesse obstruir esse movimento seria tolerado, nem a democracia.

É nesse momento que ganha centralidade o documento Uma Ponte para o Futuro, apresentado em 2015 pelo PMDB, como plataforma programática das classes dominantes para a reorganização da política econômica brasileira. O texto defendia a consolidação de um regime de austeridade fiscal radical e permanente, a desvinculação constitucional de receitas orçamentárias, a revisão dos mecanismos de indexação do gasto público, a ampliação das privatizações e concessões, a flexibilização das relações de trabalho e uma abertura mais ampla da economia ao capital privado, nacional e estrangeiro. Tratava-se de uma ofensiva destinada a remover qualquer limite institucional ainda preservado pela Constituição de 1988 à expansão do capital, liberando sua tendência a converter em mercadoria tudo o que encontra pela frente, a submeter sem freios o trabalho e a natureza à lógica da valorização e a dissolver os remanescentes de soberania econômica nacional.

Nos anos seguintes, essa agenda se materializou em uma série de contrarreformas estruturais: a instituição do teto de gastos por vinte anos, cuja lógica reapareceu no atual regime fiscal; a contrarreforma trabalhista, que desmontou mecanismos de proteção ao trabalho; as mudanças no sistema previdenciário, que ampliaram o espaço para a previdência privada; a autonomia formal do Banco Central; e a expansão de programas de privatização, concessões e parcerias público-privadas. Consolidou-se, assim, um Estado simultaneamente austero no plano social e ativo na reorganização institucional e regulatória necessária à ampliação dos processos de desestatização.

Longe de qualquer improviso ou curto-prazismo, avança a pleno vapor um projeto de longo prazo para as elites, enquanto a maioria não sabe se poderá se aposentar, se os jovens terão um emprego minimamente digno ou, em muitos casos, se haverá comida na mesa amanhã.
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domingo, 20 de julho de 2025

MILEI DOA A PATAGÔNIA PARA O SIONISMO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

MILEI DOA A PATAGÔNIA PARA O SIONISMO

Entre todos os problemas econômicos e sociais que o país enfrenta, há um tema profundamente complexo que está passando despercebido nos principais meios de comunicação e na vida cotidiana das pessoas. Está relacionado às conexões íntimas entre o presidente da nação, Javier Milei, e o sionismo: uma ideologia de extrema-direita e nacionalista que impulsionou a criação de um Estado próprio para os judeus, o Estado de Israel.

Esse vínculo não diz respeito apenas ao aspecto religioso, mas, acima de tudo, está ligado a um forte acordo que beneficia alguns poucos empresários próximos a esse país.


“Na América Latina, onde o sionismo tem maior influência, é na Argentina. Ele ocupa posições-chave em nosso país, como nos principais meios de comunicação e nas universidades”, afirma Martín Martinelli, historiador e doutor em Ciências Sociais pela Universidade Nacional de Lanús (UNLu), em entrevista para a ARG MEDIOS.

Assim, o genocídio que o povo palestino está sofrendo (calcula-se que mais de 24 mil palestinos foram mortos pelas Forças Armadas de Israel desde o último mês de outubro) não é completamente denunciado e, em algum ponto, acaba respaldando a versão sionista.

Como Milei abordou o sionismo

Vamos começar pelo início: era o ano de 2021 e o então Javier Milei começava a demonstrar que estava destinado a mais do que ser apenas um comentarista de televisão. A versão oficial de como o líder do Libertad Avanza se converteu ao judaísmo e estabeleceu uma relação mais do que próxima com o sionismo teria ocorrido depois que Milei foi rotulado de “nazista” e “antissemita” nas redes sociais.

Desconcertado por essa acusação, o atual presidente concordou em se encontrar com o economista Julio Goldstein, que, por sua vez, organizou um encontro com Tomás Pener, diretor do movimento Betar. O Betar é um movimento juvenil sionista e revisionista, ligado ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Poucos dias depois, Pener ligou novamente para Milei e apresentou-o ao rabino Axel Wahnish. Desse encontro, surgiu o primeiro “clique” na vida espiritual de Milei: a partir desse momento, o libertário passou a visitar regularmente o centro religioso localizado na Rua Borges, no bairro de Palermo Soho, em Buenos Aires.

Tanto é assim que, mais tarde, o economista propôs a Wahnish que fizesse parte de sua equipe de colaboradores, um convite que o rabino aceitou. Vale ressaltar que, após sua vitória no segundo turno das eleições, Milei nomeou o rabino como embaixador argentino em Israel.


Aqui reside o segundo ponto de relação direta entre Milei e o sionismo, uma vez que Wahnish é membro do rabinato da Comunidade Marroquina Judaica Argentina (Acilba), uma expressão judaica que integra o movimento Chabad Lubavitch.

É importante pausar por um momento para compreender a relevância desse ponto, pois é exatamente onde surgem os vínculos econômicos entre o sionismo e o novo governo da Argentina. 

quarta-feira, 11 de junho de 2025

ENTREGUISMO DA ERA LULA * Roberto Bergoci/SP

ENTREGUISMO DA ERA LULA

Uma vergonha o que está acontecendo com este país. Estamos literalmente regredindo a condição de semicolônia do capital financeiro imperialista. Enquanto isso, este governo atual não avança um palmo numa agenda nacionalista e popular; mantém totalmente intacto o modelo econômico neoliberal do governo Bolsonaro/Paulo Guedes, de destruição da nação (sem falar que em linhas gerais dá continuidade à chamada "Ponte para o futuro" de Michel Temer, símbolo da entrega completa do país ao rentismo parasitário). Ou seja, estamos presenciando o completo domínio de nosso país, pelo capital imperialista. A quase totalidade dos políticos burgueses em nível nacional, seja nos legislativos ou nos executivos; e as demais instituições da República apodrecida, das classes dominantes (STF, Forças Armadas, grande imprensa, etc) não passam de pré postos e cabeças de ponte do capital estrangeiro e do latifúndio em nossas terras. Os movimentos populares, os sindicatos e o que existe de "esquerda" no país, estão parados, despolitizados, carecem de um claro projeto programático de ação e mobilização nacional em defesa do país. O PT e seu braço sindical pelego, que é a CUT, têm sido há décadas, poderosos instrumentos de desmobilização, deseducação política e ideológica e desmoralização do nosso povo a serviço do grande capital predatório.

Precisamos urgentemente construir uma Frente nacional de mobilização popular, com um claro programa nacionalista e antiimperialista sério, capaz de concientizar e trazer para a luta, parcelas significativas do povo trabalhador e setores das classes médias. Se continuarmos afundados na miséria da política identitária contra-revolucionaria; se o movimento sindical e popular se mantiverem atrelados a este governo das classes dominantes e se não forem criados uma poderosa agenda voltada para a conscientização e mobilização das massas trabalhadoras e populares em defesa da nação que está sendo pilhada, voltaremos sem dúvida a uma condição de neocolonia do capital financeiro imperialista, sem indústria, reorimarizado como um fazendão exportador agrário/estrativista; sem projeto próprio e mantendo a poluição trabalhadora e pobre submissa a essa grande feitoria contemporânea em que está regredindo o Brasil (estamos voltando a um período anterior até a própria República Velha).

terça-feira, 29 de outubro de 2024

GOVERNO LULA DECLARA GUERRA AOS TRABALHADORES! * Central do Trabalhismo

GOVERNO LULA DECLARA GUERRA AOS
TRABALHADORES!
LUCAS BARROS
CENTRAL DO TRABALHISMO
ARMANDO BOITO JUNIOR

O  socialismo tem que ser a nossa meta, nosso objetivo. Senão a direita se impõe e a ex-querda liberal, identitária e afetiva se locupleta (eleitoralmente, apesar de cada vez menos) aproveitando-se da baixíssima politização das massas. Politização de viés crítico e libertário que essa ex-querda combate, eis que isso representaria o rompimento do P ac T o político realizado com as elites nacionais e estrangeiras.
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quarta-feira, 12 de julho de 2023

FORÇAS ARMADAS PRA QUÊ * EDSON ROSSI/ISTOEDINHEIRO

FORÇAS ARMADAS PRA QUÊ
EDSON ROSSI/ISTOEDINHEIRO

"Saber que as Forças Armadas brasileiras se incluem na rara categoria global de ter matado mais patriotas que estrangeiros mostra a sua gênese. Em seus 200 anos, o Exército lista mais batalhas contra brasileiros. Doideira, né? Matou nas revoltas todas. Sul. Maranhão. Bahia. Pernambuco. Matou em Canudos. Matou em 1932. Matou na ditadura. Matou em Volta Redonda. Metralhou no Rio. Matar brasileiros parece ser a sina dessa instituição.

O que se confirmou na pandemia. A gestão patético-criminosa de Jair Bolsonaro & Eduardo Pazuello (à frente da Saúde) deve em nome da ética e deste projeto ridículo de Nação virar inquérito. Por atrasar vacinas. Por ignorar a crise de oxigênio em Manaus — enquanto o militar ex-ministro curtia festinha regada à uísque (pelo menos foi o que disse sua ex-mulher, no ano passado). Ou por mandar a Macapá vacinas que deveriam seguir para Manaus. Erro bobo, coisa de 1.000 km. Se na Segunda Guerra os Aliados tivessem o gênio Pazuello como estrategista logístico, em 1944 o desembarque da Normandia aconteceria em Hamburgo.

Isso é o Exército brasileiro. Cujo filhote símbolo mais reluzente é o fujão Jair Messias Bolsonaro. Uma instituição que forma um presidente da República que declara “não te estupraria porque você não merece” é uma instituição falida. Medieval. Ponto.

A frase de Bolsonaro, definitiva e definidora, é a quintessência da ética-técnica-estética desse ser desprezível que simboliza nossas Forças Armadas (com camisa da Seleção e bandeira no pacote). Aliás, uma instituição que além de matar brasileiros gosta bastante de dinheiro, ce n’est pas? Com quase 380 mil militares ativos e outros 460 mil inativos & pensionistas , esse lodo burocrático consome R$ 86 bilhões com a folha de pagamentos. Mais que Educação (R$ 64 bilhões) e Saúde (R$ 17 bilhões) juntas.

Dinheirama para capacitação? Nada. Você sabia que há mais de 1,6 mil militares com rendimentos líquidos acima de R$ 100 mil? Cite aí uma empresa do planeta em que 1,6 mil funcionários colocam na conta limpinhos R$ 100 mil. E teve quem recebeu R$ 600 mil. Que façanha épica faz com que um milico brazuca tenha condições de colocar no bolso 465 salários mínimos em 30 dias? O tal Pazuello, que para a logística dos outros é bem ruim, para a logística em causa própria é gênio: em março de 2022, enfiou no cofrinho R$ 300 mil. Isso explica por que militares brasileiros odeiam comunistas. Porque querem o Estado só para eles.

Então, quando você ouvir político ou empresário dizendo que o problema do País é a educação, responda ‘não’. O problema é militar. Troque cada dois milicos por um professor e este lugar amaldiçoado se transformará no prazo de uma geração. Depois, quando você ouvir político ou empresário dizendo que o problema é a saúde, responda ‘não’. Troque outros dois militares por médicos e enfermeiros e nossa expectativa de vida dará um salto.

Tudo seria só indecência não fosse o dia 8 — iniciado com a tuitada golpista de 2018 do Eduardo Villas Boas. Esse corpo institucional não somente é caro e odeia brasileiros como prevaricou. Ao ser conivente com o assalto aos Três Poderes, mostrou que não precisa existir — Costa Rica e Islândia nem têm —, ou pelo menos deveria ser aniquilado para renascer transformado. Moderno, civilizado, cumpridor de seu papel constitucional. Enquanto não aprender que serve a uma Nação, e não a uma corporação ideologicamente falida, seu papel estará mais contra os brasileiros do que a favor."

GASTOS COM GENERAIS E FAMILIARES
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sexta-feira, 19 de maio de 2023

PRIVATIZAÇÃO É CRIME * E. Precílio Cavalcante / Capitão de mar e guerra do Corpo de Fuzileiros Navais/RJ

PRIVATIZAÇÃO É CRIME

Comprar ou vender empresas estatais, privatizar, virou uma farra com o dinheiro do tesouro nacional.

A rigor não se trata de venda, mas de doação.

O ilustre Dr. Roberto Campos, avô do atual Presidente do Banco Central, também conhecido por Bob Fields, declarou certa vez:

“Vender empresas estatais, o que é isto?! O Brasil deve doar a quem interessar estes trambolhos!”

É o Estado financiando a privatização. O governo Fernando Henrique fez escola, no caso.

Quando o Fernando Henrique ainda não completara um ano de governo, Sérgio Motta, figura eminente do governo, deu uma declaração sobre a venda da Vale do Rio Doce.

Disse ele: Esta empresa, a CVRD, está valendo 92 bilhões de reais.

Cerca de um ano depois S. Motta voltou a falar sobre a venda da Vale. E declarou a CVRD está valendo 52 bilhões de reais.

E menos de um ano depois voltou a declarar: a CVRD, estará bem vendida por 22 bilhões de reais.

Resumo: a Vale do Rio Doce foi vendida, ou doada, por 3,3 bilhões de reais.

Uma parte paga em moeda podre. Velhos títulos de estados ou municípios, lançados há mais de cem anos!

E parte financiada pelos bancos oficiais. Bancos estatais: BNDES, Caixa Econômica ou Banco do Brasil.

Só as jazidas minerais da Vale estavam avaliadas em cerca de 100 bilhões de reais.

Um escândalo astronômico! Inacreditável!!

A empresa foi privatizada no interesse de investidores internacionais.

A partir da privatização da Vale, o Estado deixou de ser o explorador dos recursos naturais do país.

Ele, o Estado, virou um mero concessionário de direitos a empresas. Essas empresas visam o lucro acima de tudo.

A maior mineradora mundial de minério de ferro, a Vale, é produtora de ouro, exploradora de bauxita, matéria-prima do alumínio. Bem como de titânio, no qual o Brasil é o maior detentor mundial.

A Vale tinha a participação em 54 empresas coligadas. Possui também uma grande malha ferroviária, meio de transporte que deveria ter papel estratégico.

Mas nada disto foi avaliado no edital do leilão da companhia, assim como aconteceu com vários outros recursos minerais.

Tudo isso foi privatizado, sem debate com a sociedade.

Ignorando os direitos do povo brasileiro e à revelia da economia brasileira, que hoje apresenta grande desindustrialização.

Neste momento, a discussão que se trava é sobre a escandalosa privatização da Eletrobras.

Privatização, não! Doação criminosa daquela empresa.

Os “compradores” de empresas estatais, desta forma, não passam de simples receptadores de coisas roubadas.

E quem compra roubo, frente à justiça, não passa de ladrão.

E o objeto roubado deve ser devolvido ao legítimo dono e o receptador punido.

Ser a favor disto, deste tipo de “privatização”, é ser contra os interesses do Brasil.

E ser contra o interesse nacional é ser traidor!

O que se fez, neste caso da Eletrobras, foi de um entreguismo despudorado!

São “brasileiros” defendendo o interesse estrangeiro.

De preferência os interesses do Tio Sam.

Depois do golpe militar de 1964, o primeiro embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Juracy Magalhães, um dos cardeais da direita, declarou, em uma entrevista logo que desembarcou em Washington:

“O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil!”

O petróleo brasileiro, a Petrobras, tem uma longa história de lutas contra o entreguismo.

A Campanha de O Petróleo é Nosso fez história nos anos de 51 a 53 com prisões e torturas de nacionalistas, que eram demonizados como comunistas.

Não é fácil de se entender esta ligação esdrúxula entre petróleo e comunismo.

É estranho!

Estávamos em plena Guerra Fria, a luta ideológica acirrava-se.

A sociedade dividia-se entre comunistas, os maus, e anticomunistas os bons.

No Brasil não foi diferente, a Guerra Fria penetrou nos quartéis.

Adentrou com força no Clube Militar.

A entidade se dividiu entre nacionalistas e antinacionalistas, entreguistas.

Os oficiais nacionalistas eram demonizados como perigosos comunistas a serviço de Moscou e Pequim.

Eram vigiados e perseguidos!

Os entreguistas diziam que os oficiais nacionalistas eram como melancia: verdes por fora e vermelhos por dentro.

As eleições de 1950 para a presidência do Clube teve grande repercussão na imprensa nacional e internacional.

Sim, a imprensa norte americana dava toda cobertura, com as devidas distorções é claro!

A disputa era tão importante quanto as eleições para Presidente da República!

A chapa nacionalista era encabeçada pelos generais Newton Estillac Leal e Horta Barbosa.

Militares nacionalistas que defendiam com ardor os interesses do Brasil.

Os demais componentes da chapa eram todos nacionalistas, e como sempre demonizados como perigosos subversivos comunistas.

A chapa nacionalista ganhou as eleições. Perigo! Pânico!

A solução era perseguir os membros da chapa vermelha!

Destacá-los para lugares distantes dos grandes centros.

Rio Grande do Sul, Pará ou o Amazonas estavam de bom tamanho!

Como o Clube poderia funcionar como a sua diretoria fora da sede, a milhares de quilômetros?!

E quem falasse, em quartel, que no Brasil tinha petróleo podia ser preso, na hora, como subversivo comunista.

Como falava o Dr. Barbosa Lima:

“No Brasil só existem dois partidos, o de Tiradentes e o de Joaquim Silvério dos Reis!”

Os entreguistas e fascistas militam no partido de Joaquim Silvério dos Reis!

E. Precílio Cavalcante.
Capitão de mar e guerra ref. do Corpo de Fuzileiros Navais.
Pesquisador da História Militar.
Abaixo os traidores entreguistas!

Rio de Janeiro 17 de maio de 2023.

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

VITÓRIA PÍRRICA OU DERROTA ESTRATÉGICA: OS DESCAMINHOS DA ESQUERDA LIBERAL * QUANTUM BIRD

VITÓRIA PÍRRICA OU DERROTA ESTRATÉGICA:
OS DESCAMINHOS DA ESQUERDA LIBERAL.
QUANTUM BIRD

As eleições federais acabam de ser concluídas no Brasil e o resultado – apesar da relutância da militância de “esquerda” – foi o esperado: Lula foi eleito presidente, pela terceira vez. Lula derrotou Bolsonaro por uma margem de aproximadamente 1%, em um universo de quase 100 milhões de votos úteis.

O profundo descrédito acumulado doméstica e internacionalmente por Bolsonaro, que executou um mandato caótico, reduzindo o Brasil a um anão geopolítico, e marcado por crimes, desmandos, corrupção, perda de controle sobre a economia, privatizações de recursos estratégicos e mais uma miríade de acontecimentos incrivelmente bizarros sugeriria, de acordo com a lógica mais simples, uma vitória de Lula por avalanche, ainda no primeiro turno.

[Sidebar: As pesquisas de opinião nunca indicaram que isto aconteceria, mas os institutos de pesquisa não são minimamente confiáveis no Brasil, portanto, deixemos de lado a pseudo-informação vinda dessas pesquisas.]

A “esquerda” não foi capaz de impor a Bolsonaro, e seu mítico “bolsonarismo” – imbecilismo seria termo mais adequado – uma derrota clara e definitiva. Nas linhas seguintes examino alguns dos fatores conjunturais e os prospectos para o exercício da presidência por Lula.

Militância eufórica e woke: a sexta-coluna brasileira [NR]
Jair Bolsonaro projetou-se durante o impeachment de Dilma Rousseff como um proxy de Olavo de Carvalho e militares rebeldes de alta patente, liderados pelo General Villas Boas, e acabou eleito em 2018 como resultado do colapso da estratégia da direita e quinta-coluna nativas, que apresentaram Geraldo Alckmin, então no PSDB – agora no PSB e vice-presidente de Lula (sic) – como candidato a presidente. A quinta-coluna surfou a onda do antipetismo fomentado por quase 20 anos por alguns dos setores, mas foi derrotada por algo ainda mais visceral: o discurso de ódio puro, difuso e imbecilizado, catalisado por Bolsonaro. Alckmin não passou ao segundo turno, e seus proponentes apoiaram automaticamente Bolsonaro contra Fernando Haddad, do PT. Lula estava então preso ilegalmente, sob ordem de Sérgio Moro, um dos líderes da famigerada operação Lava-Jato e agora eleito Senador por seu estado, o Paraná.

A militância de “esquerda”, que tolerou o golpe contra Dilma Rousseff e não conseguiu evitar a prisão de Lula, nunca foi capaz de entender e combater o bolsonarismo. De fato, os estrategistas wokes da campanha de Haddad preferiram se desconectar da realidade da maioria dos trabalhadores, e desprezar outros fatores táticos bem concretos, como por exemplo a profunda capilaridade do bolsonarismo nas redes sociais, igrejas evangélicas e forças de ordem do Estado, para aderir à sinalização de virtudes e ridicularização (memes) para contrapor-se a Jair Bolsonaro. As “virtudes sinalizadas” foram extraídas, como sempre, do wokeismo e do identitarismo que sensibilizam apenas um pequeno setor da classe média urbana, que por outro lado é majoritariamente reacionário e ideologicamente escravista. Slogans como o “O amor vai vencer o ódio” dizem muito pouco para uma população de trabalhadores vivendo em uma situação de vulnerabilidade permanente e expostos ao assalto cognitivo das redes sociais e a uma violência urbana avassaladora.

Os últimos quatro anos do Brasil sob Jair Bolsonaro viram o aprofundamento e consolidação do wokeismo e do identitarismo como atitudes ideológicas dominantes entre os militantes de “esquerda”. Esta militância aderiu massivamente ao “Ele não”, “Fora Bolsonaro” e denunciou incansavelmente o governo como fascista e opositor das diretivas civilizatórias wokeistas, reagindo a clickbaits políticos com memes, e sinalizando virtudes e cancelando vozes dissidentes, reiteradamente. Tudo isto enquanto ignorava o desmonte da infraestrutura econômica e industrial do Brasil. Por exemplo, protestos massivos foram organizados ao longo dos anos durante, e ao redor, das Paradas ao Orgulho Gay, mas poucos moveram um dedo para defender a Eletrobras ou a Petrobras da privatização. Durante a pandemia, esta “esquerda” aderiu e legitimou a erosão dos direitos humanos atacados durante o estabelecimento de lockdowns (confinamentos) e apoiou amplamente a inviabilização da estrutura sanitária nacional para fabricação de vacinas, favorecendo as multinacionais da Big Pharma. Por fim, a mesma “esquerda”, que denunciou Bolsonaro como fascista por quatro anos, posicionou-se ao lado do Ocidente Coletivo e do Regime Nazista em Kiev, quando a Operação Militar Especial Russa foi lançada para defender a População do Donbass na antiga Ucrânia.

Tudo isto contribuiu para formar um quadro de desconexão com a realidade e dissonância cognitiva que produziu anomia na população e desmobilização das entidades e quadros representativos da agenda de esquerda real, trabalhista e soberanista, abrindo espaço para a formação de alianças amplas à direita, articuladas de modo a sinalizar as devidas virtudes wokes à massa de trabalhadores e desempregados que tomou conta das ruas do país, mas sem qualquer detalhamento real a respeito do que de fato importa, ou seja, a agenda econômica e a recuperação dos recursos liquidados a toque de caixa por Bolsonaro. O próprio vice de Lula é um quadro orgânico da quinta-coluna nativa, e sua escolha passou ao largo das opiniões da militância mais crítica e comprometida. A militância woke, por outro lado, papagaia ad nauseum slogans vazios como “garantia de governabilidade”, “ele (Alckmin) mudou e busca redenção” e outros disparates.

Instituições renegadas

A perda de controle sobre as instituições começou ainda no primeiro mandato de Lula, que perdeu por pura inépcia o controle da ABIN. Desde o início, o principal fomentador da erosão da ordem institucional é o STF, que passou a atuar como um partido político de oposição ao governo de esquerda, em colusão com a mídia nativa e conspirando com os partidos políticos da direita quinta-colunista e interesses transnacionais. Nos anos seguintes, a rebelião reacionária alastrou-se para setores inferiores do Judiciário e Ministério Público – vide Operação Lava-Jato – Polícias Federais (judiciária e rodoviária) – policiais federais postaram rotineiramente vídeos nas redes sociais treinando tiro de pistola em alvos com o rosto da presidente Dilma Rousseff, sem sofrerem punições além de uma reprimenda. O quadro de balburdia institucional logo se alastrou para a sociedade civil, para o baixo clero do Judiciário e contaminou as polícias estaduais e municipais. Boicotes promovidos por caminhoneiros e apoiados pelas instituições que deveriam reprimi-los, judicial e criminalmente, se tornaram comuns. As instituições renegadas da República, que agora incluíam também o alto-comando das forças armadas, toleraram oficialmente, e fomentaram nos bastidores, todo tipo de ação que pudesse minar o governo de esquerda e contribuíram para jogar o país no abismo da crise institucional.

Entretanto, a caixa de Pandora da anarquia institucional que foi aberta para debelar o governo de Dilma Rousseff e prender Lula não pode mais ser fechada. E aqueles que a abriram perderam o controle sobre os ânimos raivosos que liberaram. Bolsonaro tornou-se o seu catalisador e representante.

Enquanto escrevo este artigo, caminhoneiros estão bloqueando estradas – com o apoio de policiais rodoviários federais e estaduais – protestando contra o resultado das eleições. Atos de vandalismo e boicote econômico estão se intensificando nos estados onde Bolsonaro venceu. A continuação dessa situação fatalmente exigirá o emprego das forças armadas para restabelecer a lei e a ordem. Mas isso é problemático, pois as forças armadas são majoritariamente ocupadas por comandantes rebeldes e bolsonaristas, e tal ação seria amplamente interpretada pela metade da população que elegeu Lula como um golpe de Estado, o que fatalmente aprofundaria o caos institucional.

O grande jogo geopolítico

O cenário doméstico de convulsão institucional operante desde 2008, aliado à política externa inepta e caótica de Dilma Rousseff, bem como o alinhamento desastrado do Brasil aos EUA de Trump, promovido por Bolsonaro, reduziram o país a um membro irrelevante das instituições que o próprio Brasil protagonizou e ajudou a criar, como o G20 e os BRICS. A ausência de uma política externa coerente e nacionalista, converteu o Brasil em um play-ground das potências econômicas ocidentais e da China, que têm adquirido a valores irrisórios o patrimônio estratégico nacional. A economia nacional foi adicionalmente financeirizada, levando a uma desindustrialização profunda. Tudo isto ocorrendo concomitantemente com uma precarização histórica do trabalho assalariado, que tem convertido as cidades brasileiras em verdadeiras zonas de guerra do tráfico de drogas, e reativado redes de prostituição e tráfico internacional de seres humanos.

Just another talking head? (apenas uma cabeça falante?)
Em seu discurso, realizado logo após a divulgação dos resultados da eleição, Lula fez, como de costume, excelente uso da retórica. Principalmente se comparado às (não) intervenções de seu bizarro oponente. Se deixarmos de lado a euforia que contagiou a militância woke de “esquerda”, que vivenciou tudo como um carnaval fora de época, e analisarmos o que foi efetivamente sinalizado, somos forçados a admitir que os prospectos são sombrios. Lula citou a necessidade de restaurar urgentemente os contatos comerciais com a UE e os EUA, falou superficialmente sobre a restauração da economia, citou an passant os BRICS e nada mencionou sobre a recuperação das empresas estatais estratégicas que foram liquidadas pela dupla Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. Temas irrelevantes, integrantes do receituário woke, como “energia verde” e aquecimento global mereceram espaço amplo no discurso, enquanto nenhum aceno foi de fato feito ao Sul Global.

Porquanto tenha sido importante afastar Bolsonaro da presidência do país, a verdade é que a vitória de Lula não foi, e nem pode ser lida, em nenhuma medida como uma vitória da esquerda, tão pouco dos setores progressistas e soberanistas do país.

É tudo sobre a consolidação de uma coalizão de centro-direita para recolocar nos trilhos uma economia fortemente desregulamentada e reestabelecer uma certa normalidade institucional no país, sem entretanto mudar as regras do jogo. O papel de Lula nessa coalizão pode muito bem se limitar a trazer os votos e fazer a interlocução com o povo. Uma espécie de neoliberalismo com uma face humana.

Algumas evidências desse arranjo já estão disponíveis. Geraldo Alckmin e Aloísio Mercadante – que não goza da confiança de Lula – estão liderando a equipe de transição de governo. Bolsonaro pode ter perdido a eleição, mas obteve mais votos do que nunca, já conta com sua tropa de lunáticos raivosos ocupando as ruas em diversas localidades – pedindo intervenção militar – e sabotando a rede logística de distribuição de alimentos e combustíveis do país. Bolsonaro endossou tais atividades em declaração recente. Ao mesmo tempo, o que transpira dos bastidores sobre a formação do novo governo não inspira nada de positivo. Por exemplo, Simone Tebet – fortemente ligada ao agrobusiness no Mato Grosso do Sul – condicionou seu apoio a Lula no segundo turno a sua indicação para o Ministério da Educação.

Assim, tudo somado, somos forçados a contemplar a possibilidade de que a vitória de Lula nas eleições de 2022 represente um mero avanço tático em uma Guerra Pírrica ou, o que parece ainda mais provável, represente uma derrota estratégica para a esquerda histórica e trabalhista, que foi substituída pelos wokes com sua agenda verde e identitária, e pode muito bem ficar sem qualquer representação no novo governo.

[NR] Woke, wokismo: Ideologia mistificatória promovida pelo Partido Democrata dos EUA, com o apoio de alguns movimentos sociais, destinada a dividir os trabalhadores através da promoção de políticas identitárias (feminismos, minorias étnicas e sexuais, deficientes, etc). Nos media corporativos o wokismo muitas vezes é apresentado como se fosse um movimento “de esquerda”.

FONTE
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O BRASIL DEPOIS DAS ELEIÇÕES
AÇÃO REVOLUCIONÁRIA COMUNISTA

segunda-feira, 4 de abril de 2022

O golpe militar * E. P. Cavancante / RJ

O GOLPE MILITAR
E. P. CAVALCANTE / RJ

O golpe militar de 1964 foi executado no dia 1° de abril, mas os golpistas passaram a comemorá-lo em 31 de março e batizaram-no com o nome de “revolução redentora”.

Por ter sido dado em 1° de abril, data tida pelo povo como o dia da mentira, os tais “revolucionários” só se envergonhavam da data! Faz sentido!

Com as cadeias, navios de guerra e fortalezas abarrotados de presos políticos e a repressão nas ruas, lançaram a legislação revolucionária que teve início com o Ato Institucional.

O primeiro, que planejavam ser o primeiro e único, pois iria resolver todos os problemas do país.

Assim, parido pela “revolução” de 1º de abril, o tal Ato Institucional não tem número. É uma espécie de mula sem cabeça.

O arquiteto do golpe foi o general Golbery do Couto e Silva.

O general Golbery era um militar e intelectual. Coisa raríssima entre generais brasileiros.

Mas neste caso, ele estava a anos-luz das cavalgaduras que ocupam o planalto nos dias de hoje.

Um general intelectual, mas inimigo da liberdade. Êmulo do Departamento de Estado ianque e defensor ardoroso dos interesses do Tio Sam. Este era o general Golbery.

Golbery foi o arquiteto. Com esse fim criou o IBADE, Instituto Brasileiro da Ação Democrática e o IPES, Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais

Ele, foi o arquiteto. Os construtores foram outros. Três figuras célebres de especialistas em golpes de estado:

O chefe do grupo era o embaixador americano Lincoln Gordon, um diplomata ousado, formado na escola do Big Stick, onde o porrete grande, big, é o último argumento.

Lincoln Gordon vivia dando entrevista contra o governo João Goulart como se fosse um político da oposição brasileira.

Os outros dois trabalhavam a quatro mãos. Eram eles: o general brasileiro Castelo Branco e o coronel norte americano Vernon Walters.

Este último um profissional de reconhecida competência em matéria de golpes de estado. Posteriormente veio a ser chefe da CIA.

Castelo Branco ganhou por prêmio a Presidência da República. Foi o primeiro ditador de plantão.

O golpe militar de 1964 foi um entre os diversos golpes que a nossa história registra. O mais cruel e torpe, diga-se a bem da verdade.

A tortura brutal caiu em cima dos inimigos do regime, que não eram poucos.

Os principais visados e presos foram os professores, estudantes, sindicalistas e intelectuais em geral.

O CENIMAR, na Marinha e seus congêneres, irmãos siameses, no Exército e na Aeronáutica não faziam por menos.

Os delegados dos DOPS ou DEOPS foram ultrapassados, em muito, pelos oficiais chefes de IPMs (Inquéritos Policiais Militares), e os bate paus, torturadores.

Dentro dos quartéis a luta foi séria. Aqueles que se negavam a participar da quartelada foram presos.

Muitos graduados, sargentos, cabos e marujos foram presos e enviados para navios e quartéis transformados em prisões.

Centenas de parlamentares foram cassados e presos.

Na Câmara dos Deputados, 150 deputados federais da Frente Parlamentar Nacionalistas foram cassados e presos. Pois nacionalismo passara a ser um crime hediondo.

E voltando à “revolução” de 31 de março lembremos que ela foi comemorada na embaixada americana com um jantar em 1° de abril.

As causas do golpe de 64 são ocultas e secretas, mas nem tanto.

Para conhecê-las faz-se necessário um mergulho na história.

E a principal causa é não sermos um país livre e soberano. E sim, a colônia

Brazil com “Z” do Império ianque.

Se o político eleito para a presidência da república não for um lacaio servil, será defenestrado após a eleição.

Se não estiver de acordo com o figurino do Departamento de Estado ianque não deve ser candidato, se for candidato não deve ser eleito, se for eleito deve ser impedido de governar.

Para o último caso deve ser feita uma revolução como a de 1° de abril de 64.

Se o eleito for empossado e governar até o fim, ao deixar o governo, deverá ser perseguido, caluniado, preso e humilhado. O caso do ex-presidente Lula foi típico!

Até o dia de hoje, 31 de março de 2022, vivemos a tragédia de uma intervenção militar permanente. Submetidos ao mando de uma facção do Exército que atua como um “partido fardado”.

Mesmo sem vestir a farda verde oliva, este grupo de generais fala em nome das forças armadas. Mas ignoram a disciplina militar e a hierarquia, elementos fundamentais de qualquer organização armada.

O atual ocupante da cadeira de presidente da república quando capitão foi processado por quebra de disciplina e hierarquia militar e por ser indigno do oficialato.

Para os militantes do “partido fardado” a Constituição brasileira, o Estatuto dos Militares e até o juramento à bandeira, que todo militar brasileiro é obrigado a fazer, não têm qualquer valor. Não faz qualquer sentido. Os seus projetos pessoais de poder estão acima de tudo.

Em Conversa com o Comandante, livro de entrevistas com o ex-comandante do Exército general Villas Bôas, ele declara:

Que reuniu o alto comando do Exército e tirou uma nota ao STF, Supremo Tribunal Federal, advertindo para que mantivesse o ex-presidente Lula preso.

Vamos aos fatos:

Não tem cabimento a atitude inusitada e desabusada do general Villas Bôas. Tomando-se em consideração que ele visava impedir que o ex-presidente, que era o preferido por 70 por cento do eleitorado, concorresse com o candidato do “partido fardado”, o seu candidato.

“ No Brasil, a democracia depende das forças armadas e não da constituição!” disse o atual detentor do cargo de Presidente da República, em uma das suas primeiras entrevistas.

Desta forma vivemos submetidos a uma democracia tutelada, consentida e limitada pelos generais militantes do “partido fardado”.

Portanto, o golpe militar de 64 tem causas e motivos. Foi dado em defesa dos interesses do Tio Sam, do Império ianque.

Na colônia Brazil com “Z” ser nacionalista é crime. É crime se amar o Brasil e lutar em defesa do interesse nacional!

No início da década de cinquenta o povo foi às ruas das principais cidades brasileiras aos brados de “ O petróleo é nosso!”

Aquele movimento fez história, era a Campanha de o Petróleo é Nosso.

Houve choques violentos com a polícia, milhares de brasileiros foram presos e torturados pela ousadia de defenderem os interesses do Brasil.

Eram nacionalistas, mas demonizados como “agentes comunistas”.

Muitos morreram nas câmaras de torturas.

Mas a PETROBRÁS foi criada e os técnicos brasileiros compraram a briga. Hoje, após desenvolver alta tecnologia e descobrir as jazidas do Pré-sal, a empresa está sendo esquartejada e ameaçada pelas petroleiras internacionais.

E o atual governo antinacional, apoia a destruição da empresa!

A marca registrada do governo João Goulart foi o nacionalismo.

Que como já vimos no Brazil com “Z” é crime.

Foi um governo curto, três anos apenas, mas havia liberdade, paixão e luta pelos interesses nacionais.

Eis aí a razão do golpe militar de 1964.

E. P. Cavalcante, capitão de mar e guerra, ref. do Corpo de Fuzileiros Navais.

OBS.:
O Big Stick (grande porrete, em tradução livre) é o nome dado à política externa americana sob o comando de Roosevelt, de 1901 a 1909. A expressão foi baseada em um provérbio americano, que diz, mais ou menos, “fale manso e carregue um grande porrete”.
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