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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS SÃO SUBMISSAS AOS EUA * Revista Sociedade Militar

FORÇAS ARMADAS BRASILEIRAS SÃO SUBMISSAS AOS EUA
-OFICIALATO VIVE COMO NOBRES-

NOTA DA FRT

As Forças Armadas brasileiras expressam em sua relação de subserviência material e ideológica aos Estados Unidos, o papel subordinado e dependente que o Brasil cumpre na ordem capitalista mundial. E veja que quanto mais o Brasil se afunda no modelo econômico neoliberal, mais sujeito está a dependência do capital estrangeiro, mais primarizado e subalterna fica sua economia; mais frágil politicamente o país se insere no contexto das disputas geopoliticas; e enfim, menos condições tem o Brasil de traçar seu próprio destino. 

 Essa estrutura dependente da economia brasileira reflete em cheio no interior das Forças Armadas, sobretudo quando vemos a gritante sabujice dos militares brasileiros que se portam como verdadeiros vassalos de seus pares estadunidenses. 

O mestre Nelson Werneck Sodré em seu livro estupendo "História Militar do Brasil", já chamava a atenção de que, sem romper com a dependência tecnológica das Forças Armadas brasileiras em relação ao aparato destrutivo imperialista, teremos sempre esses milicos fantoches dos americanos. E para romper com essa dependência de nossos militares em relação aos Estados Unidos, o Brasil precisa mudar radicalmente seu modelo econômico; precisa traçar um sólido projeto de desenvolvimento nacional autônomo, desenvolver forças produtivas; fomentar a retomada de uma cultura nacional; e, traçar uma potente doutrina militar antiimperialista no interior das Forças Armadas, fator que certamente necessitará depura-la.

 Mas tais tarefas são inconcebíveis sem mobilização popular e sem educação política de nossa gente. É um projeto de longo prazo. Os governos petistas em 20 anos gerenciando o Estado capitalista brasileiro, nunca tocaram nem de leve nessas questões.

Roberto Bergoci.SP
*

Militares do Brasil aceitam subordinação aos EUA, diz especialista, e país abre mão da autonomia estratégica
Críticas apontam alinhamento estrutural das Forças Armadas aos EUA, fragilidade industrial e bloqueio à autonomia tecnológica brasileira.

Os militares brasileiros aceitam a dependência e a subordinação do país aos interesses dos Estados Unidos. A avaliação é do professor Carlos Eduardo da Rosa Martins, do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ, em entrevista concedida ao Sociedade Militar nesta terça-feira, 6 de janeiro.

A crítica foi feita no contexto do novo cenário geopolítico envolvendo a política de defesa norte-americana, após a ação militar que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, na Venezuela.

A reportagem questionou se, na visão do especialista, a diplomacia brasileira, e em especial o presidente Lula, fracassaram em evitar uma ação militar em um país vizinho pertencente ao entorno estratégico do Brasil.

Os documentos de defesa brasileiros estabelecem que o país deve assumir protagonismo regional, mediar conflitos e preservar o entorno estratégico como zona de paz. A Constituição Federal, no artigo 4º, também determina que o país deve reger suas relações internacionais pelos princípios de independência nacional, não intervenção, igualdade entre os países, autodeterminação dos povos, entre outros.

Segundo o professor, essa ambição, que refletiu em Lula se oferecer pessoalmente a Trump para mediar o conflito entre as duas nações em reunião feita na Malásia, esbarra em limites estruturais profundos.

“O Brasil pode até ter a pretensão de exercer relevância político-militar no Atlântico Sul, mas como fazer isso com uma política econômica que privilegia o capital financeiro e a austeridade? A austeridade é uma política defendida pelo imperialismo norte-americano porque ela garante formação de reservas e o depósito dessas reservas nos blocos financeiros norte-americanos”.

REVISTA SOCIEDADE MILITAR

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

DOSSIÊ DO GOLPISMO BOZONAZI * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

DOSSIÊ DO GOLPISMO BOZONAZI

SEM ANISTIA! CADEIA PARA OS GOLPISTAS E BOLSONARO!

A revelação do plano criminoso que tinha como objetivo assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes não é um ataque contra indivíduos, mas um atentado à escolha feita pelo povo brasileiro nas eleições de 2022. A gravidade do caso ultrapassa a esfera jurídica e expõe um cenário de fragilidade das instituições centrais do governo frente ao Exército que, por sua certeza de impunidade, sequer procurou ocultar as provas do ato clandestino.

Os envolvidos nesse esquema, incluindo dezenas de militares de alta patente e um agente federal que atuou na segurança do próprio presidente, demonstram que a conspiração não se limitava a setores marginais, mas era alimentada por elementos que deveriam zelar pela segurança do país. Esses "kids pretos", treinados para operações especiais, usaram seu preparo e recursos para tramar contra o governo eleito pelo povo.

Contudo, o que causa ainda mais indignação é a resposta branda do governo Lula frente à persistência do bolsonarismo como força desestabilizadora. Desde o início de seu mandato, o governo oscila em uma política de conciliação que ignora a ameaça real que essas forças representam. O bolsonarismo, cuja raiz está fincada em discursos de ódio, desinformação e golpismo, segue sem enfrentar uma repressão à altura.

A ausência de medidas mais

enérgicas — como a prisão do próprio Jair Bolsonaro, que segue como símbolo e articulador dessas movimentações — soa como permissividade, enfraquece o governo e a possibilidade dele agir pelo povo. É inaceitável que figuras diretamente envolvidas em conspirações continuem a agir impunemente ou com punições simbólicas.

O governo não confronta essas ameaças e opta por um discurso de pacificação que não encontra eco no povo, tanto porque a maioria foi contra os atos de 8 janeiro quanto aos atos conspiratórios. Tal postura enfraquece o governo e alimenta a sensação de impunidade.

Por que o bolsonarismo não é tratado como a ameaça que de fato é? Os planos de assassinato colocam em xeque a estratégia de governabilidade baseada em concessões e alianças com setores retrógrados. Para que serve a memória do Brasil sobre golpes passados, se as lições não são aprendidas?

Reafirmamos que é indispensável um enfrentamento vigoroso e sem hesitações. O desmonte dessas estruturas golpistas deve ser uma das prioridades imediatas. Os culpados devem ser responsabilizados com o máximo rigor, e o bolsonarismo precisa ser tratado como aquilo que realmente é: uma ameaça criminosa existencial ao povo brasileiro.

Criminalizar a extrema-direita não é uma perseguição ideológica, mas a defesa do povo contra ameaças concretas. Quando um grupo se organiza para tramar assassinatos de líderes eleitos e planejar golpes

de Estado, não se trata de divergência política, mas de crimes que devem ser punidos com a máxima severidade. O estado democrático de direito não pode ser complacente com aqueles que desejam destruí-lo; pelo contrário, deve proteger-se, garantindo que os valores de igualdade, liberdade e justiça prevaleçam.

Ao criminalizar a extrema-direita, o Brasil envia uma mensagem clara: o ódio, o golpismo e o autoritarismo não terão espaço entre nós. É uma defesa não apenas do presente, mas do futuro democrático de gerações que não podem crescer sob a sombra de ameaças fascistas. Que a justiça prevaleça, com firmeza e determinação.

Enquanto houver conivência, a sombra do autoritarismo seguirá pairando sobre o Brasil. Que a coragem e o compromisso com o povo prevaleçam. O Brasil não pode mais tolerar o flerte com a barbárie.

Por fim, é preciso aproveitar a consternação causada pelo projeto golpista para, além de colocar na cadeia os golpistas: mudar a doutrina de segurança nacional, que coloca os setores mais organizados da classe trabalhadora como inimigos do Estado; suprimir o artigo 142 da Constituição, usado como justificativa legal para um suposto papel moderador das forças armadas; por fim, reformular os currículos das escolas militares, que hoje servem apenas para formar uma elite militar antipovo e antipatriótica.

Organização Comunista Arma da Crítica
OCAC
MAURO CID ENTREGOU TUDO
LUIZ NACIF TRAZ DETALHES
DEP LEONEL RADE
VEREADORA AVA SANTIAGO
*
AINDA ESTOU AQUI 

Ainda Estou Aqui, é um filme brasileiro que retrata a história autobiográfica do Deputado Federal e Rubens Paiva, sua mulher Eunice Paiva e seus cinco filhos, protagonizados por Selton Melo e Fernanda Torres/Fernanda Montenegro.
De 31 de março a 1° de abril de 1964, foi deposto o Presidente progressista João Goulart, por um golpe militar que perdurou de 1964 a 1985.
Na década de 70, em pleno Regime Militar, os ativistas políticos Rubens e Eunice Paivas, tiveram sua casa invadida pelos militares e desapareceram com o deputado.
O filme traz à tona a verdadeira face das Forças Armadas.
Forças Armadas...para que?
Saibam que as Forças Armadas brasileiras se incluem na rara categoria global de ter matado mais patriotas do que estrangeiros. Em seus duzentos anos, o exército lista mais batalhas contra seu próprio povo.
Matou brasileiros nas revoltas de: Pernambuco, Maranhão, Bahia, no Sul, em Canudos, na Revolução de 1932, na Ditadura... Atentado no Rio Center, e tantos outros episódios que envolveram as Forças Armadas.
Matar brasileiros parece ser a principal função dos militares.
O que se confirmou na pandemia de covid. As gestões desastrosas e criminosas de Bolsonaro na presidência e de Pazuello na pasta da saúde, atrasando as vacinas, contrariando as normas sanitárias, ignorando a crise de oxigênio em Manaus, e outros descasos, causaram mais de setecentas mil mortes.
O próprio ex-militar e ex-Presidente da República Jair Bolsonaro disse que sua especialidade é matar, que defende a tortura e que o país só mudará com uma guerra civil, matando trinta mil pessoas.
Em 2018 com a eleição do ex-capitão do exército Jair Bolsonaro, os militares retornaram ao comando do país,  escândalos e mais escândalos eram constantes.
Com a derrota pra Lula em 2022, intensificaram os ataques a nossa jovem democracia.
Sem nenhuma prova, alegaram que a eleição foi fraudada, que Lula não subiria a rampa, não assumiria a presidência, previsões não concretizadas.
Mais um ataque a democracia aconteceu no dia 08/01/2023, com a invasão da Praça dos Três Poderes cometendo vandalismo e depredação do patrimônio público com objetivo de instigar um golpe militar, depor o Presidente Lula legitimamente eleito,  e restabelecer bolsonaro como Presidente do Brasil.
Com os fracassos de todas as tentativas de golpe, traçaram o mais macabro deles.
A Polícia Federal descobriu, e foi notícia em todos os meios de comunicações um plano golpista planejado pelos militares, que consistia nos assassinatos do Presidente LULA, do vice Geraldo Alckmin e do Ministro Alexandre de Moraes.
Esse é o legado dos militares brasileiros.
São contra o desenvolvimento do Brasil.
Sem anistia, prisão pra todos golpista criminosos.
Ainda estamos aqui.

RONILDO ANDRADE.CE
GEN MARIO FERNANDES
*
Ao todo, 37 pessoas foram indiciadas pela PF pelos crimes de abolição violenta do estado democrático de direito, golpe de estado e organização criminosa. Veja a lista:

1.Ailton Gonçalves Moraes Barros
2.Alexandre Castilho Bitencourt da Silva
3.Alexandre Rodrigues Ramagem
4.Almir Garnier Santos
5.Amauri Feres Saad
6.Anderson Gustavo Torres
7.Anderson Lima de Moura
8.Angelo Martins Denicoli
9.Augusto Heleno Ribeiro Pereira, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional e general da reserva do Exército
10.Bernardo Romão Correa Netto
11.Carlos Cesar Moretzsohn Rocha
12.Carlos Giovani Delevati Pasini
13.Cleverson Ney Magalhães
14.Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira
15.Fabrício Moreira de Bastos
16.Filipe Garcia Martins
17.Fernando Cerimedo
18.Giancarlo Gomes Rodrigues
19.Guilherme Marques de Almeida
20.Hélio Ferreira Lima
21.Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente da República, ex-deputado, ex-vereador do Rio de Janeiro e capitão da reserva do Exército
22.José Eduardo de Oliveira e Silva
23.Laercio Vergililo
24.Marcelo Bormevet
25.Marcelo Costa Câmara
26.Mario Fernandes
27.Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, tenente-coronel do Exército (afastado das funções na instituição)
28.Nilton Diniz Rodrigues
29.Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho
30.Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira
31.Rafael Martins de Oliveira
32.Ronald Ferreira de Araujo Junior
33.Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros
34.Tércio Arnaud Tomaz
35.Valdemar Costa Neto
36.Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro em 2022, general da reserva do Exército
37.Wladimir Matos Soares
GEN BRAGA NETO
*
BOLSONARO, O TERRORISTA

Soldado bunda suja. Assim, era tratado pelo general do golpe de 1964 Ernesto Geisel.

No exército já era um traidor. Teve que sair com a patente de capitão.

Soube muito bem explorar seu lado mau, a aberração que é se identificando com uma massa de manobra que o elegeu deputado federal onde ficou por 28 anos. Um dos mandatos mais longevos no nosso parlamento.

Não bastasse isso, foi eleito presidente do Brasil contra a vontade de mais de 52 milhões de brasileiros e brasileiras em 2018.

O diagnóstico de psicopata, de aberração, era apresentado nos comícios e declarações públicas. Disse no Acre que era preciso matar a petralhada.

Agredia mulheres, jornalistas, negros, gays. Fez pilhéria com as pessoas que morriam vítimas da COVID 19.

O terrorista sempre teve como plano ficar no governo o tempo que teve no parlamento.

O golpe de Estado foi planejado por ele desde o início do seu desgoverno.

Ninguém pode subestimar a inteligência de Bolsonaro. Ele sabe fazer uso de que nada sabia.

O golpe foi planejado por ele, por assessores próximos, militares de alta patentes, ministros de Estado.

Não podemos esquecer 1964. A trama. A organização.

Um golpe de Estado tem toda uma organização. Política, midiática, jurídica, parlamentar, vide 64 e 16.

As investigações da PF devem chegar a partidos políticos como o PL, por exemplo. Deve chegar a Valdemar da Costa Neto. Estão calados. Mas não estão à margem de um TOC TOC TOC.

Empresários, blogueiros, influenceres, Moro, deputados, deputadas.

Até agentes estrangeiros, principalmente norte-americanos.

Nosso papel é acompanhar todos esses acontecimentos e ficarmos atentos para movimentos de rua que devemos organizar em defesa da democracia porque se não fizermos eles podem fazer e construir histórias para nos enganar.

Miguel Oliveira Filho
MISSÃO DO EB
Redator-chefe da Revista Isto é -
Dinheiro.

"Saber que as Forças Armadas brasileiras se incluem na rara categoria global de ter matado mais patriotas que estrangeiros mostra a sua gênese. Em seus 200 anos, o Exército lista mais batalhas contra brasileiros. Doideira, né? Matou nas revoltas todas. Sul. Maranhão. Bahia. Pernambuco. Matou em Canudos. Matou em 1932. Matou na ditadura. Matou em Volta Redonda. Metralhou no Rio. Matar brasileiros parece ser a sina dessa instituição.

O que se confirmou na pandemia. A gestão patético-criminosa de Jair Bolsonaro & Eduardo Pazuello (à frente da Saúde) deve em nome da ética e deste projeto ridículo de Nação virar inquérito. Por atrasar vacinas. Por ignorar a crise de oxigênio em Manaus — enquanto o militar ex-ministro curtia festinha regada à uísque (pelo menos foi o que disse sua ex-mulher, no ano passado). Ou por mandar a Macapá vacinas que deveriam seguir para Manaus. Erro bobo, coisa de 1.000 km. Se na Segunda Guerra os Aliados tivessem o gênio Pazuello como estrategista logístico, em 1944 o desembarque da Normandia aconteceria em Hamburgo.

Isso é o Exército brasileiro. Cujo filhote símbolo mais reluzente é o fujão Jair Messias Bolsonaro. Uma instituição que forma um presidente da República que declara “não te estupraria porque você não merece” é uma instituição falida. Medieval. Ponto.

A frase de Bolsonaro, definitiva e definidora, é a quintessência da ética-técnica-estética desse ser desprezível que simboliza nossas Forças Armadas (com camisa da Seleção e bandeira no pacote). Aliás, uma instituição que além de matar brasileiros gosta bastante de dinheiro, ce n’est pas? Com quase 380 mil militares ativos e outros 460 mil inativos & pensionistas , esse lodo burocrático consome R$ 86 bilhões com a folha de pagamentos. Mais que Educação (R$ 64 bilhões) e Saúde (R$ 17 bilhões) juntas.

Dinheirama para capacitação? Nada. Você sabia que há mais de 1,6 mil militares com rendimentos líquidos acima de R$ 100 mil? Cite aí uma empresa do planeta em que 1,6 mil funcionários colocam na conta limpinhos R$ 100 mil. E teve quem recebeu R$ 600 mil. Que façanha épica faz com que um milico brazuca tenha condições de colocar no bolso 465 salários mínimos em 30 dias? O tal Pazuello, que para a logística dos outros é bem ruim, para a logística em causa própria é gênio: em março de 2022, enfiou no cofrinho R$ 300 mil. Isso explica por que militares brasileiros odeiam comunistas. Porque querem o Estado só para eles.

Então, quando você ouvir político ou empresário dizendo que o problema do País é a educação, responda ‘não’. O problema é militar. Troque cada dois milicos por um professor e este lugar amaldiçoado se transformará no prazo de uma geração. Depois, quando você ouvir político ou empresário dizendo que o problema é a saúde, responda ‘não’. Troque outros dois militares por médicos e enfermeiros e nossa expectativa de vida dará um salto.

Tudo seria só indecência não fosse o dia 8 — iniciado com a tuitada golpista de 2018 do Eduardo Villas Boas. Esse corpo institucional não somente é caro e odeia brasileiros como prevaricou. Ao ser conivente com o assalto aos Três Poderes, mostrou que não precisa existir — Costa Rica e Islândia nem têm —, ou pelo menos deveria ser aniquilado para renascer transformado. Moderno, civilizado, cumpridor de seu papel constitucional. Enquanto não aprender que serve a uma Nação, e não a uma corporação ideologicamente falida, seu papel estará mais contra os brasileiros do que a favor."

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terça-feira, 17 de maio de 2022

CONTRA RUMORES DE GOLPE MOBILIZAÇÃO TOTAL * Roberto Amaral

CONTRA RUMORES DE GOLPE, MOBILIZAÇÃO TOTAL

Roberto Amaral*


Às vésperas de um pleito que é, sem dúvida, o mais importante de quantos tivemos desde o fim da ditadura instaurada em 1º de abril de 1964 (regime de terror que nos atanazaria por 21 longos e doloridos anos), o país volta a ser inquietado pelo temor de um golpe de Estado. Essa ameaça, aliás, não é nova, pois é a marca do atual governo, desde seus primeiros dias perseguindo a construção de um regime autoritário. Por mais de uma vez, como no 7 de setembro do ano passado, o capitão esteve próximo de romper com a ordem institucional. Sempre com apoio de seus seguidores, permanentemente mobilizados, como nos regimes fascistas nos quais busca inspiração. No quadro presente, frustradas as maquinações anteriores, o ponto nevrálgico é o processo eleitoral. A extrema-direita teme perder as eleições para Luiz Inácio Lula da Silva, que, líder nas pesquisas de intenção de voto em 2018, foi impedido de participar do processo eleitoral pela aliança do judiciário e do oligopólio da comunicação com o bolsonarismo emergente. Desta feita, candidato e eventualmente eleito, o “peixe barbudo”, na linguagem de Leonel Brizola, pode ter sua posse contestada mediante o questionamento da lisura das eleições.



A história não se repete, mas no Brasil ela é recorrente. Em 1950 as eleições foram ameaçadas porque prometiam a vitória de Getúlio Vargas, o espantalho de então.  A propósito, vale a pena lembrar o famoso artigo de Carlos Lacerda, expoente civil do golpismo nos anos 50/60 do século passado: “O Sr. Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar” (Tribuna da Imprensa, 1º/06/1950).  Como sabemos, Vargas foi eleito e empossado, para ser deposto em 1954.


Relembrando tempos que supúnhamos definitivamente escorraçados de nossa história, a hipótese de ruptura da ordem constitucional, conquistada após tantos anos de lutas contra as fileiras, relembre-se sempre, chega aos nossos dias sob a forma de denúncia dos editoriais dos ainda grandes jornais. O ombudsman da Folha de S. Paulo, na edição do último dia 8, escancara a gravidade da crise política em gestação já no título de sua matéria: “Vai ter golpe. Passe a informação”, para na sequência arrematar: “Folha e a imprensa devem trocar a presunção pela certeza do fato”. Com algumas alterações de estilo, assim têm falado O Globo e o Estadão, os jornalões que com o matutino dos Frias ditam a linha editorial de nossa imprensa. Esse discurso nos deve pôr a todos de sobressalto, pois de golpes de Estado, em suas diferenciadas modalidades, muito bem entende a mídia brasileira, que de todos participou, inclusive do golpe de 2016, que, ao depor Dilma Rousseff, asfaltou o caminho que nos trouxe à tragédia de nossos dias. Sem o concurso ativo da imprensa teriam sido  inviáveis o impeachment e as arbitrariedades da lava- jato.



Mas que golpe é este que teria encontro marcado com o processo eleitoral de 2022, e contra o qual, dizem os mesmos jornais, a CIA já teria demonstrado desapreço?


A teoria política guarda um sem-número de modalidades de golpes. Uma só, e praticamente em desuso, é aquela que vem montada nos tanques e nas metralhadoras, como o brasileiríssimo golpe de 1964, costurado pela casa-grande e, como sempre, levado a cabo pelas forças armadas (apoiadas pelo imperialismo), desta feita fazendo desfilar pelas ruas do país os armamentos herdados da segunda guerra mundial. Golpe de Estado clássico foi, também, a proclamação da república; foi a chamada “revolução” de 1930 (movimento liderado por três governadores e meia dúzia de oficiais); foi a implantação do Estado Novo (que dispensou o desfile das tropas, tão pacificamente se instalou a ditadura); e golpe de Estado foi a derrubada de Vargas em 1945, levada a cabo pelos generais que com ele haviam instaurado o Estado novo e com ele governado. Ainda golpe de Estado foi a conspiração de 1954, com seu desfecho dramático. Mas golpe foi também a implantação do parlamentarismo em 1961, e pelo menos três outros golpes dentro do golpe viveríamos nos 21 anos do mandarinato militar: a decretação do AI-2 (suspensão das eleições, fechamento dos partidos e prorrogação do mandato do ditador), do AI-5 (implantação da ditadura descarada)  e, na sucessão de Costa e Silva, o golpe que, rasgando a constituição legada pelo próprio regime, impediu a posse do vice Pedro Aleixo e entregou a presidência a uma junta formada pelos três ministros militares de plantão.  


No Brasil há, também, a prática do  “golpe preventivo”; assim, os militares tentaram a tomada do poder para impedir a posse de Juscelino Kubistchek eleito  em 1955; e em 1961, para reduzir os poderes de João Goulart, engendraram a fórmula parlamentarista, sempre trazida ao debate quando o sistema teme a eleição de algum quadro não sancionado pela casa-grande. A dupla Michel-Temer e Arthur Lira, à falta do que melhor fazer, tenta impingir um mostrengo político que batizam  de “presidencialismo mitigado”, um parlamentarismo de fato que visa pura e simplesmente a impedir, preventivamente, a governança plena de um quadro de esquerda eventualmente eleito.


Um destacado articulista, lamentando o curto espaço de tempo que nos separa das eleições, impeditivo de uma reforma constitucional, propõe que o segundo turno seja travado pelos três candidatos mais votados no primeiro turno, o que - talvez ele não se tenha dado conta - desnaturaria o princípio da maioria absoluta, fundamento das eleições em dois turnos. Eis outra modalidade de golpe. Outras fórmulas mágicas serão arquitetadas (sempre o são) e se nenhuma for fixada, ou se a eleição terminar premiando um líder popular, aí então entrarão em cena as forças armadas. Volta-se à sentença de Carlos Lacerda, que, embora referindo-se a Getúlio Vargas, foi muito bem aplicada contra João Goulart e Dilma Rousseff, que, mesmo antes do impeachment, não pôde governar em 2015. Lula teve sua candidatura garfada em 2018. Em 2022 sua eleição torna-se uma ameaça palpável. Nada obstante seus dois governos, moderadamente reformistas, marcados pela conciliação de classes, a casa-grande não reconhece razões para baixar a guarda. Desta feita, ao contrário do que ocorria no curso da história dos últimos tempos, os engalanados não precisarão ser chamados à cena para evitar a emergência de interesses populares, pois  já dominam o cenário político, e não entendem que dele devam se afastar, tão benfazeja é a boa vida que lhes proporciona. 

    

A velha característica dos golpes descritos pelos clássicos da ciência política,  de se efetivarem como de surpresa e se implantarem numa rápida tomada de poder, de há muito foi superada pela necessidade moderna de  preparação, às vezes longa, da opinião pública. Pressupõe uma extensa batalha ideológica. De novo colhemos a lição  no golpe de 1964; a conspiração militar teve início no momento imediato da posse de João Goulart (Ciclo revolucionário brasileiro. Nova Fronteira. 1980. Memórias de Odylio Denys) e a preparação da opinião pública para o assalto ao poder foi costurada durante todo o mandato do presidente. Este é o papel crucial ao encargo da grande imprensa, manipulando corações e mentes, construindo as bases da aceitação/legitimação da afronta à democracia. 


O desempenho faccioso da imprensa foi determinante na costura do golpe de 2016. Com o seu desvelamento veio à cena um novo agente de poder, qual seja, a coalizão poder judiciário-ministério público-imprensa. Seu produto foi a lava jato-república de Curitiba, que, embriagada pelo sucesso, cometeu a ingenuidade de acreditar na sua própria autonomia. As consequências jurídicas, econômicas e políticas desse conluio de pervertidos ainda estão sendo inventariadas. Ao fim e ao cabo, a presidente Dilma Rousseff foi destituída da presidência, centenas de empresas foram levadas à falência, os trabalhadores levados ao desemprego, uma penca de políticos presos. O ex-presidente Lula foi impedido de disputar a presidência da república (para que o escolhido pelos militares pudesse ser eleito). Condenado à prisão, por um juiz criminosamente parcial, portanto corrupto, teve de observar 580  dias de cadeia. De todos os crimes de Sergio Moro (muito bem definido pelo deputado Glauber Braga como “juiz ladrão”) e seus associados foram coautores outros juízes, procuradores e desembargadores, foi o Poder Judiciário, como coletivo, e à frente de todas as instâncias o STF, que levou quase dois anos para ler a Constituição, devolver Lula à liberdade e restituir-lhe os direitos políticos.


Os togados escreveram uma das mais ignominiosas páginas da história da justiça brasileira. Os fardados não mais estão sós.


Como visto, a história recente, e mesmo a recentíssima, nos ensinam a não duvidar da disposição e inventividade dos donos do poder, no Brasil, para virar o jogo e praticar as agressões que houverem por bem praticar contra a ordem democrática, burlando normas vigentes e sacando novas da algibeira - tudo com vistas a manter as coisas como estão, afastando o risco de que a justiça social se torne, afinal, uma realidade entre nós. 

Convém botarmos as barbas de molho.

 


* Com a colaboração de Pedro Amaral


Os textos de Roberto amaral podem ser encontrados em www.ramaral.org. 

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