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quarta-feira, 6 de novembro de 2024

ORGANIZAR A LUTA CONTRA O PACOTE ULTRALIBERAL DO GOVERNO * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

ORGANIZAR A LUTA CONTRA O PACOTE ULTRALIBERAL DO GOVERNO

Nessa semana os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet, sob o aval de Lula, apresentarão um pacote de restrições fiscais antipovo que representará a morte política do atual governo. Para cumprir as metas do Arcabouço Fiscal, que muitos economistas alertaram que seria difícil de realizar, o governo por convicção cede aos interesses do mercado e aplica o programa ultraliberal da extrema-direita derrotado na eleição de 2022.

Sob o comando do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o governo se submete a agenda da Faria Lima. A pedido de Lula, Haddad chegou a cancelar uma viagem à Europa essa semana para fechar o pacote de “medidas fiscais”, eufemismo para corte de direitos dos trabalhadores. Tudo para apressar o anúncio das medidas e acalmar o mercado, leia-se, os parasitas do sistema financeiro.

Por tudo o que foi falado pelo próprio Fernando Haddad e Simone Tebet estão no alvo das medidas a serem anunciadas pelo governo os pisos mínimos constitucionais de educação e saúde, o Benefício de Prestação Continuada, o abono salarial, o Seguro-Desemprego e a multa de 40% do FGTS. Algumas dessas medidas só poderão ser emplacadas por uma PEC, prometida por Haddad para ainda este ano, cuja perspectiva da Faria Lima é a de cortar R$ 50 bilhões anuais de gastos.

Isso mostra o quanto na agenda mais essencial, o da política econômica, o governo está rendido ao capital financeiro. Em sua entrevista no mês passado à jornalista Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo, o ministro Haddad só citou um interlocutor como parâmetro de suas decisões austericidas: os especuladores da Faria Lima associados ao capital financeiro internacional. Para o ministro não existem sindicatos e movimentos populares. Tampouco citou em toda a entrevista a palavra emprego, comida, salário ou direitos.

Focado apenas em cortar gastos e direitos, Haddad se mostrou frustrado com o pouco impacto na campanha de Guilherme Boulos do que ele julga como “melhoria econômica”. Essa declaração mostra como o ministro e todo o governo vivem em uma bolha, ou se preferirmos, em um estado de alienação acerca da realidade brasileira. Parecem não entender o grau de destruição do tecido social brasileiro provocado pela manutenção e aprofundamento das medidas ultraliberais.

O governo acredita que o que é bom para a Faria Lima é bom para o Brasil. Ao cretinismo parlamentar típico das democracias burguesas se soma o cretinismo governamental. E se o eleitor pune a ala esquerda da frente amplíssima e vota na direita tradicional e mesmo na extrema-direita, a culpa é do “pobre de direita” que elege quem tira seus direitos.

Mas, para a classe trabalhadora, que diferença faz ter no governo um partido que se auto intitula de esquerda ou de direita, se ambos ao fim e ao cabo atacam seus direitos?

Só há um caminho para enfrentar esses ataques do governo: a luta. Algumas iniciativas como o abaixo-assinado virtual, Contra o Pacote Antipopular (www.manifestopacoteantipovo.com.br), já é um passo. Mas precisam dar um passo adiante e se materializar em comitês de luta contra o pacote ultraliberal do governo.

terça-feira, 29 de outubro de 2024

GOVERNO LULA DECLARA GUERRA AOS TRABALHADORES! * Central do Trabalhismo

GOVERNO LULA DECLARA GUERRA AOS
TRABALHADORES!
LUCAS BARROS
CENTRAL DO TRABALHISMO
ARMANDO BOITO JUNIOR

O  socialismo tem que ser a nossa meta, nosso objetivo. Senão a direita se impõe e a ex-querda liberal, identitária e afetiva se locupleta (eleitoralmente, apesar de cada vez menos) aproveitando-se da baixíssima politização das massas. Politização de viés crítico e libertário que essa ex-querda combate, eis que isso representaria o rompimento do P ac T o político realizado com as elites nacionais e estrangeiras.
*

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

PARTIDO DOS TRABALHADORES? * Wladimir Tadeu Baptista Soares/RJ

PARTIDO DOS TRABALHADORES?

Como pode um governo do PT assumir políticas públicas neoliberais que procuram destruir o nosso SUS através da sua privatização sob as mais diversas formas: gestão privada realizada por entidades do terceiro setor, entrega dos nossos hospitais públicos federais universitários para a EBSERH, terceirização das atividades fins nos serviços públicos sociais, tais como previdência, saúde e educação?

Como pode um governo do PT querer fazer uma contrarreforma administrativa de inspiração neoliberal acabando com o regime jurídico administrativo de direito público para a maioria dos servidores públicos estatutários federais e criando castas de servidores públicos federais privilegiados, estabelecendo o Princípio da Desigualdade como um novo Princípio Constitucional?

Como pode um governo do PT não revogar as atuais Reformas Trabalhista e Previdenciária, que só trouxeram prejuízos para a classe trabalhadora ativa e inativa?

Como pode um governo do PT lutar para pôr fim ao Estado Democrático e Social de Direito e de Direitos previsto no nosso Texto Constitucional e querer substituí-lo por um Estado Neoliberal sem Direitos?

Como pode um governo do PT não conceder ajuste salarial anual aos servidores públicos civis do Poder Executivo da União?
Como pode um governo do PT rasgar a nossa Constituição Cidadã e abrir negociações individualizadas com as diversas categorias de servidores públicos, estabelecendo ajustes salariais diferenciados para todos eles?

Como pode um governo do PT assumir um discurso cínico para todo o povo brasileiro?

Como pode um governo do PT fazer concessões a fascistas e ser subserviente à uma extrema direita covarde e cruel?
Como pode um governo do PT propor um "novo arcabouço fiscal" que mantém o subfinanciamento de todas as políticas públicas de natureza social?

Como pode um governo do PT continuar financiando o ensino superior privado em detrimento das Universidades Públicas Federais?
Como pode um governo do PT propor uma reforma tributária que em nada alivia, efetivamente, a vida dos assalariados deste nosso país?

Como pode um governo do PT não fazer uma auditoria da nossa dívida pública, conforme prevista na nossa Constituição?
Como pode o PT ter se transformado num partido político de centro, sem personalidade e sem compromisso verdadeiro com a redução das desigualdades, o fim de privilégios e o bem comum de todos?

Como pode um governo do PT ser tão mau para os servidores públicos civis do Poder Executivo da União e com os aposentados deste nosso país?
Como pode um governo do PT ser tão benevolente com o mercado e com o sistema financeiro e tão autoritário com os servidores públicos deste nosso país?
Que deformação do caráter é essa que fez desse partido político uma enorme decepção?

Wladimir Tadeu Baptista Soares
Cambuci/Niterói - RJ
Nordestino
18/08/2024
*
Os Pobres

"Quanto aos pobres, vós sempre o tereis, mas a mim nem sempre tereis". (João 12:8)

De tão pobre não tinha onde cair
morto estava desde que nascera
de um útero que jamais pedira
num ambiente que não escolhera

Em meio a pobreza nasceu
alimentando nos primeiros meses
de tetas murchas que às vezes
um tênue fio de leite jorrava

Nesse ambiente de escassez
onde a morte é uma constante
brotava nos olhos do infante
sede e fome de uma vida farta

Mordia os seios com avidez
na ânsia de saciar a fome
enquanto a mãe chorava
a dor que a consumia

Aos oito era um adulto
pernas finas e cambotas
fez o seu primeiro furto
na mercearia mais próxima

A mãe preparou a refeição
ovo frito arroz e feijão
comeram e se fartaram
sentados no meio-fio

E no meio-fio tombou
ao som duma bala milícia
"bandido bom é bandido morto"
foi a manchete de triste notícia

J Estanislau Filho -MG
*
QUEM É DE ESQUERDA NÃO É NEOLIBERAL, DEFENDE O SUS, A AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA E A EXTINÇÃO DA EBSERH

Não existe esquerda neoliberal;
Existe neoliberal fingindo ser de esquerda.
Quem é de esquerda defende o SUS;
quem é neoliberal
Quer a sua destruição.

O SUS é constitucionalmente reconhecido como de relevância pública,
O que expressa o seu caráter de essencialidade, necessidade e obrigatoriedade, como sistema único, público e estatal de saúde que ele é.
Mas os neoliberais travestidos de esquerda querem a sua privatização.

Quem é verdadeiramente de esquerda sabe que os problemas enfrentados pelo SUS não dizem respeito à sua gestão, mas a décadas de não reposição de recursos humanos estáveis via concurso público, subfinanciamento de todo o sistema, não atualização do seu parque tecnológico, redução do número de leitos hospitalares e a desvalorização do servidor público com o pagamento de salários indignos à natureza, complexidade e grau de responsabilidade do trabalho exercido por eles.

Mas os neoliberais querem incutir na população que o problema está na gestão e, por isso, querem a sua terceirização.
Acontece que uma parte significativa dos problemas hoje vivenciados no SUS está exatamente no fato da sua gestão ter sido, há muito tempo, terceirizada para entes do setor privado, ditos entes do terceiro setor, que não têm nenhum interesse público, mas, sim, enorme interesse privado em obter verbas milionárias transferidas do cofre público para as suas mãos ávidas por enriquecimento. Os neoliberais querem beneficiar o mercado, e não a população.

Quem é de esquerda não se vende para o capital e não permite a corrosão do seu caráter por poder, vaidade, dinheiro ou posição.
Mas quem é neoliberal se nutre dessas coisas.
Quem é de esquerda sabe que o regime jurídico administrativo de direito público é aquele que se adequa constitucionalmente ao SUS.

Mas quem é neoliberal pretende um SUS com trabalhadores celetistas e/ou temporários, jamais servidores públicos estatutários.
Quem é de esquerda não faz discurso cínico,
Mas quem é neoliberal tem no cinismo a base do seu discurso.
Quem é de esquerda sabe que as ações e serviços públicos de saúde são executados, de forma compartilhada e solidária, entre os Municípios, Estados, Distrito Federal e União, não admitindo que nenhum desses entes da Federação se afastem das suas responsabilidades públicas com o SUS.

Mas quem é neoliberal faz de tudo para que o governo federal deixe, efetivamente, de realizar as ações e serviços públicos de saúde, com o argumento hipócrita de que o Ministério da Saúde deve apenas atuar na elaboração das políticas públicas de saúde e na coordenação do SUS.

Quem é de esquerda defende os Princípios e o espírito do Movimento Social que se tornou conhecido como Movimento da Reforma Sanitária Brasileira,
Mas quem é neoliberal pretende uma contrarreforma neoliberal do SUS, mitigando a participação popular e relativizando os seus Princípios Constitucionais, de modo a estabelecer o regime jurídico administrativo de direito privado em todo o Sistema.
Quem é de esquerda defende a Autonomia Universitária e os Hospitais Públicos Federais e Estaduais Universitários,
Mas quem é neoliberal defende a continuidade da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).

Quem é de esquerda reconhece o estrago produzido pela EBSERH em todas as suas atuais filiais - os antigos Hospitais Públicos Federais Universitários -; mas quem é neoliberal e, principalmente, aqueles que são muito bem remunerados por essa empresa, anunciam ganhos nesses hospitais após a contratação com a EBSERH.

Quem é de esquerda sabe que isso não é verdade e que, c
om a EBSERH, os antigos HUs (Hospitais Universitários) perderam o seu perfil acadêmico, adquirindo um perfil estritamente empresarial, levando à precarização de todo o ensino médico, além de ver fechados inúmeros dos seus leitos e serviços - principalmente os serviços de emergência -, e criação de obstáculos ao acesso desses hospitais, prejudicando toda a sociedade, com o argumento vergonhoso de que está organizando o sistema.

Quem é de esquerda sabe que a EBSERH fere a autonomia universitária e que essa empresa não se submete ao controle social do SUS, mas quem é neoliberal não se importa com a perda dessa autonomia e nem com a ausência da participação popular no SUS.

Quem é de esquerda não admite as parcerias público-privadas (PPP) - na verdade, em muitos casos, promiscuidade público-privadas - e nem a terceirização na gestão dos serviços públicos sociais, entre eles os de saúde e educação; mas quem é neoliberal deseja a privatização de tudo, explorando saúde e educação públicas como atividades puramente econômicas.
Quem é de esquerda sabe que saúde não é mercadoria, mas é, sim, um valor - o valor da dignidade da pessoa humana.
Mas quem é neoliberal quer fazer da saúde pública um grande negócio, estabelecendo um preço (e não um valor) para a sua aquisição.

Quem é de esquerda acredita no Princípio Constitucional da Igualdade, mas quem é neoliberal acredita na hierarquização da vida.
Quem é de esquerda defende a Constituição Cidadã de 1988, com todos os seus Princípios, sonhos e ideais, mas quem é neoliberal defende as leis do mercado acima da Constituição.
Quem é de esquerda está do lado da proteção social, mas quem é neoliberal defende a proteção do mercado.
Quem é de esquerda reconhece a saúde como um direito público, subjetivo, de cidadania. Mas quem é neoliberal reconhece a saúde como um bem a ser adquirido economicamente com preço de mercado.

Quem é de esquerda, quando governante, não congela salário do trabalhador; mas quem é neoliberal congela.
Quem é de esquerda não retira diteitos sociais do trabalhador, mas quem é neoliberal quer trabalhador sem direitos.
Quem é de esquerda querem uma previdência social pública, mas quem é neoliberal quer privatizá-la.
Quem é de esquerda sabe da importância de se preservar a estabilidade do servidor público, mas quem é neoliberal pretende a sua livre exoneração.

Tem muitos partidos políticos neoliberais, hojevem dia, se dizendo decesquerda; e tem muitos partidos políticos, antes de esquerda, tornando-se neoliberais.
Quem é de esquerda não se junta a fascistas, mas quem é neoliberal compõe a dimensão econômica do neofascismo.
Quem é de esquerda defende os direitos humanos, mas quem é neoliberal não admite a existência deles.

Quem é de esquerda defende a democracia,
Mas quem é neoliberal tem na autocracia a sua inspiração.
Quem é de esquerda reconhece e respeita as diversidades, mas quem é neoliberal enxerga as diversidades como uma patologia social.

Quem é de esquerda protege a natureza, mas quem é neoliberal não se importa em destruí-la.
Quem é de esquerda, conte comigo!
Quem é neoliberal não tem nada a ver comigo.

Wladimir Tadeu Baptista Soares
Cambuci/Niterói - RJ
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sábado, 17 de agosto de 2024

UMA ESQUERDA AQUÉM DAS NECESSIDADES HISTÓRICAS DO BRASIL * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

UMA ESQUERDA AQUÉM DAS NECESSIDADES HISTÓRICAS DO BRASIL
A posição de setores da esquerda brasileira sobre o resultado da eleição venezuelana, alinhando-se com as posições do imperialismo e condenando o governo de Maduro, expôs o quanto ela está aquém das necessidades históricas impostas pela luta de classe.

Política e ideologicamente ela está constituída, em sua maioria, por liberais de esquerda. Sociologicamente predomina em seu interior setores sociais médios. Alguns se radicalizaram a partir de 2013 e outros mais tardiamente, quando o bolsonarismo fez sua entrada avassaladora na cena política com suas pautas de natureza conservadora, provocando uma reação desses setores. Uma parte desses setores avançou para posições comunistas e revolucionárias. Mas outros ainda se mantém presos a uma perspectiva liberal.

Em seu conjunto essa esquerda baseia sua leitura na ideia da democracia como valor universal. Ignora categorias centrais de análise como luta de classe e imperialismo. Há uma adesão quase completa ao eleitoralismo e ao jogo institucional burguês. É movida por referências mais cosmopolitas e menos nacionais. É mais sensível ao debate de cunho moral, escandalizando-se com as propostas retrógradas dos conservadores. Porém, no tema da política econômica já não mostram a mesma indignação.

Carregam consigo alguns vícios de sua situação de classe ao manterem certo elitismo em suas análises. O exemplo está numa certa ideia de superioridade moral e intelectual de que no Brasil haveria uma jabuticaba: o “pobre de direita” que votaria contra seus próprios interesses de classe.

Por sua condição de classe, e sem estarem amparados num movimento popular poderoso, esse segmento vive em estado de constante amedrontamento. Oscila entre a euforia, quando investigações ameaçam com a prisão da família Bolsonaro, ao pavor de um retorno do extremismo de direita, quando em algumas circunstâncias o bolsonarismo ainda mostra força social.

A causa básica desse cenário é a perda de vitalidade, acentuada nas últimas duas décadas, do poderoso movimento de massa surgido entre 1970 e 1980. A fantástica ascensão das massas trabalhadoras na cena política, observada nesses anos, murchou. Coube ao liberalismo de esquerda ocupar o vazio deixado por um movimento popular e operário de natureza contestatória. Porém, esse segmento é incapaz de levar a frente uma luta capaz de neutralizar a força da demagogia reacionária e fascista.

No atual contexto da acumulação capitalista no Brasil, a burguesia se sente à vontade para pisar sobre a classe trabalhadora. E isso acontece porque esta não representa atualmente uma ameaça à ordem burguesa. Se a esquerda em geral, e particularmente os comunistas, quiserem estar à altura das atuais necessidades históricas da luta de classe no Brasil, terão de se mostrar capazes de organizar, estimular e orientar as lutas populares. Será preciso refundar a esquerda brasileira.

É preciso retomar com urgência o debate da pauta econômica, da exploração e do imperialismo. É preciso mobilizar as massas trabalhadoras e pressionar o governo a alterar os rumos da economia. Lula tem reclamado de uma falta de mobilização do movimento sindical e popular que lhe dê suporte político para enfrentar o rentismo. Só por esse meio poderemos superar a influência do liberalismo de esquerda. Caberá aos comunistas esse papel.

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

PROJETO MILITAR-FASCISTA DE CONQUISTA DO PODER NO BRASIL * CEP MAGALHÃES-SP

PROJETO MILITAR-FASCISTA DE CONQUISTA DO PODER NO BRASIL

O projeto de conquista do estado brasileiro pela direita fascista, segue historicamente uma lógica e protocolos estritamente militares. Sempre foi assim e continua sendo apesar das aparências pretensamente republicanas que o Brasil apresenta. As forças armadas, especialmente o exército, desde a sua criação, a partir da tarefa de capitães do mato/jagunços a serviço da casa grande, latifundiários, oligarquias etc., hoje representados pelo OGROnegócio, na perseguição, na prisão, nas torturas e assassinatos dos escravos que fugiam, passaram a ser o principal vetor na repressão, no controle social e no apoio militar, político e logístico dos governos, desde o império até as três repúblicas que o Brasil teve (primeira de 15 de novembro de 1889, data do primeiro golpe militar no país, até a ditadura de Vargas; do final da segunda guerra, fim do Estado Novo - 1945 - até o golpe civil militar de 1964; e de 1985, final formal da ditadura, até os dias de hoje).

Claro que os militares que sempre desejaram ser poder, estar no governo, influenciar e mandar no país sob a justificativa de atuarem como um poder moderador, algo inexistente em qualquer República, jamais deixaram de lado essa proposta, esse projeto secular. Querem porque querem mandar e terem todos e mais alguns privilégios do mando, por serem governo. Usam e abusam das desculpas esfarrapadas de defenderem o país, a sua gente, a soberania, as fronteiras, de morrerem pela Pátria, pela bandeira e pela Constituição. Pura fanfarronice, encenação de algo que nunca fizeram e que nunca farão. Os brinquedinhos de guerra que possuem, armamentos e equipamentos, de maneira geral importados e de segunda mão, são insuficientes para enfrentar qualquer força armada minimamente equipada.

Só como comparação, a batalha de Stalingrado (1942/1943, durante a segunda guerra mundial), onde milhões de soldados alemães e soviéticos morreram em pouco mais de um ano de conflito, concentrou recursos materiais e humanos que jamais as forças armadas brasileiras conseguiriam ter. A quantidade de gente, equipamentos, armamentos, munição etc. envolvidos e utilizados nesse conflito, que resultou na primeira vitória aliada contra as, até então consideradas invencíveis, forças armadas alemãs, representa uma escala absurda de tudo que se possa imaginar, algo inimaginável para as forças armadas do Brasil.

Isso significa que todo poderio bélico (equipamentos e soldados/oficiais) tem apenas um objetivo: ocupação e controle político militar do Brasil. O País sempre foi uma região invadida, ocupada, controlada e manietada pelas suas próprias forças armadas, como se os milicos fossem uma força militar internacional com o propósito de controlar o país. Essa força militar, armada e equipada para essa função, defende interesses contrários aos da população. É uma força policial que faz qualquer coisa para manter cativos e obedientes a maior parte do povo, especialmente os escravos modernos de todas as cores (pretos, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, gente pobre etc.), grande parte presos nas modernas senzalas, as favelas e periferias.

Modernamente, os milicos não mais se apresentam publicamente como os mandantes ou como faziam antes, como os que prendiam, torturavam, matavam e desapareciam com os corpos dos opositores. Não precisam mais executar essas desagradáveis tarefas que tanto prejuízo trouxe à imagem dos militares, que sempre preservaram uma aparência de serem éticos, responsáveis, honestos, cumpridores das leis, anticorrupção e defensores intransigentes da pátria. O processo de militarização da segurança pública, iniciada em 1967-1968 durante a ditadura de 64, com a criação das PM como braço armado do exército atuando na sociedade, na repressão pretensamente policial, mas totalmente militar, foi se aperfeiçoando ao longo das décadas. Hoje, não só existem as PM, mas também tem a Polícia Civil, cada vez mais militar; a Força Nacional; as GCM militarizadas nos municípios; e agora a Polícia Penal, criação paulista do governador miliciano militar.

O cenário atual é fundamentalmente militar no controle da sociedade. Mesmo os governos ditos progressistas batem na mesma tecla de que a única forma de aumentar a eficiência da segurança pública (sic) é aumentar efetivos, mais equipamentos, mais treinamento/adestramentos dos soldados travestidos de policiais (ver o programa de governo do candidato Boulos a prefeitura de São Paulo, no quesito segurança pública) etc. De concreto, o país vai paulatinamente se transformando numa sociedade militarizada, onde quase tudo tem a ver com militares. Não só na educação pública (projeto de escolas cívico militares é peça fundamental do projeto fascista militar de conquistar corações mentes das pessoas), mas também na forma como os milicos se apresentam às pessoas. Não mais aparecem como os donos do poder, mas ficam na surdina, como eminências pardas, controlando e apontando o que e como fazer. A aparência é de respeito à democracia, se curvam ao poder civil, tecem loas ao judiciário, mas na prática mantém as rédeas do governo em suas mãos.

O destino manifesto dos militares, em especial o exército, sempre foi e continua sendo, serem poder. Um poder moderador que controla e influencia tudo que os governos, principalmente os mais progressistas ou aqueles considerados comunistas (a lógica da guerra fria jamais saiu das mentes distorcidas dos milicos brasileiros), tem que fazer. Defender o Capital, os bancos/sistema financeiro nacional e internacional, os interesses multinacionais, o departamento de estado americano, o OGROnegócio e fundamentalmente a corporação militar para que possam usufruir de ganhos financeiros (altos salários, privilégios de todos os tipos, aposentadorias especiais e integrais, sistema de saúde próprio etc.) tornam de fato os militares brasileiros mercenários por excelência. A diferença é que ganham muito dinheiro para destruir e controlar o próprio país e sua gente.

 Qualquer outra coisa é conversa para boi dormir...

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

NOTA DO SINTESI CONTRA AS DEMISSÕES NO SINDSPREV * SINTESI-RJ

NOTA DO SINTESI CONTRA AS DEMISSÕES NO SINDSPREV

 

DEMISSÕES NO SINDSPREV

A diretoria do Sindsprev-RJ, desrespeitando a garantia no emprego prevista no Plano de Cargos e Salários dos seus empregados, deu início a um processo de demissões em massa, começando por demitir no final do expediente de sexta-feira, o companheiro Julião. Agiu desta forma, esperando o Sindicato ficar vazio para evitar qualquer reação imediata. Com isto, jogou na lama o nome do Sindicato que um dia já foi referência de luta nacionalmente.

O SINTESI-RJ acredita só há um caminho para fazer o enfrentamento: a luta incansável para defender a manutenção dos empregos. Os trabalhadores não são apenas números, eles representam centenas de famílias que dependem destes postos de trabalho para o seu sustento. Portanto, a mobilização de todos e todas será fundamental para reverter esta primeira demissão, assim como, para impedir que outras mais aconteçam.

O PCS dos empregados não permite demissões sem justa causa. Demissões sem o respeito ao PCS são ilegais.

A diretoria fala de dificuldade financeira, mas não assume como sua a responsabilidade por esta situação. Prefere jogar sobre as costas dos empregados esta responsabilidade, como fazem o governo e os patrões. Também se nega ao diálogo, como fez na reunião administrativa da última quarta-feira, ao recusar a proposta dos funcionários de, em conjunto, encontrar soluções que não passassem pela demissão de pais e mães de família.

Além de ilegal e arbitrário, o processo de demissões em massa às vésperas das eleições mostra o caráter bolsonarista da atual gestão da entidade, de autoritarismo e de desrespeito as leis. Portanto, a decisão terá consequências políticas negativas sobre os servidores em luta e sobre as candidaturas da oposição. Isto porque o movimento sindical, sobretudo o dos servidores federais, é tido como o inimigo número 1 do fascista Jair Bolsonaro que vai se utilizar deste fato para atacar a esquerda e os sindicatos.

O SINTESI-RJ reafirma seu total compromisso de luta com cada trabalhador/a do Sindsprev-RJ, e vai atuar em todos os fóruns, seja politicamente, nas mobilizações de luta e juridicamente, pois existe uma violação explicita do PCS, uma conquista dos empregados que precisa ser respeitado. 

Vamos à luta!
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