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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

LULA, DEMARCAÇÃO JÁ * MinkaComunicação

LULA, DEMARCAÇÃO JÁ

Brasil de Lula Sem demarcação de Terras Indígenas, aumenta violência contra os Avá-Guaranies no Paraná.

Desde sexta-feira, 29 de dezembro, familiares das comunidades Avá Guarani da aldeia Yhovy foram agredidos. Segundo informações das lideranças, eles estão constantemente cercados por criminosos. Eles relatam que o ataque já deixou 4 pessoas feridas. "Os tiroteios estão acontecendo em todos os lugares." Mesmo com a presença da Força Nacional da Região os ataques continuam!

Os Avá Guaraní denunciam que o conflito nesta região remonta à construção da Usina Hidrelétrica Itapú Binacional, quando foram expulsos de suas terras ancestrais, que tentam recuperar e demarcar desde 2018.

Um menino de 4 anos ficou ferido na perna, assim como outro adulto; enquanto um jovem foi ferido nas costas e outro adulto atingido na mandíbula “com munições de grande calibre”, segundo o comunicado do CIMI. As quatro vítimas foram levadas para hospitais. Três deles estão em observação, mas não se sabe o estado de saúde da mulher ferida no maxilar. “Estamos rodeados de pistoleiros, são os mesmos que atacaram no dia 31 de dezembro”, disse um dos líderes comunitários, citado pelo CIMI, mas que manteve o nome anónimo.

Segundo a organização indígena, os ataques começaram no dia 29 de dezembro, continuaram nos dias 30 e 31 do mês passado e o mais recente ocorreu na noite anterior.

Além dos feridos no último ataque, uma mulher sofreu queimaduras no pescoço e outro indígena foi baleado no braço nas agressões anteriores, em que também foram queimadas cabanas e lavouras da comunidade, deixando as famílias "desamparadas, sem comida". ou água potável.

Segundo o CIMI, cada um dos ataques foi denunciado às autoridades competentes. Desde novembro de 2024, o Ministério da Justiça determinou que o FNSP estivesse no território para proteger a integridade da comunidade indígena, porém, os pistoleiros entraram por uma estrada que no momento do ataque não estava sendo vigiada pela força federal.

«Pelo amor de Deus, estamos cercados. Realmente cercado. Cercado por pistoleiros. “Estamos pedindo ajuda”, disse um dos Avá Guarani em áudio enviado após os acontecimentos, e também denuncia que se a polícia não agir não saberia quantos deles seriam afetados.

Outro áudio descrito pelo Brasil de Fato narra: «Estamos mesmo sendo atacados. Alguém acreditará? Até quando dirão que foi só um foguete? Estamos cansados ​​de tudo isso. Estamos cansados ​​de ver que até crianças são baleadas”, aludindo às dúvidas das autoridades que se calam face aos ataques. Da mesma forma, afirmou que o município de Guaíra trata os Avá Guaraní como terroristas.

«Estamos à mercê de toda esta violência. “Vivemos na era da pólvora, na era da bala”, lamentou nos áudios uma das indígenas vítimas de agressões.

O Ministério dos Povos Indígenas condenou neste sábado os ataques contra o povo Avá Guarani e disse que acompanha de perto a situação.

Destacou ainda que mantém um diálogo permanente com o Ministério da Justiça para “a investigação imediata” dos grupos armados que operam na região.

O ministério disse que desde o primeiro ataque solicitou que fosse reforçada a presença da Força Nacional na região “para evitar atos de violência contra os povos indígenas que se mobilizam para garantir os direitos às suas terras”.

Segundo o ministério, os Avá Guaraní realizam a recuperação de terras desde o final da década de 1990, depois que seus territórios foram invadidos por “povos não indígenas” desde 1930 e foram “gravemente afetados” pela construção da Usina Hidrelétrica de Itaipú. na década de 1980.

Atualmente, duas áreas ocupadas pelos Avá Guaraní estão em processo de regularização: a Terra Indígena Tekoha Guasu Guavira e a Terra Indígena Ocoy-Jacutinga, esta última em fase de estudo.

A escalada de violência contra o povo Avá-Guarani tem se ampliado cada vez mais nos municípios de Guaíra e Terra Roxa, na região oeste do Paraná. Além da discriminação que os membros da etnia recebem nas cidades, da falta de alimentos, segundo denúncias chegam a receber cestas vencidas do poder público municipal, há também um aumento no número de ataques de bandidos no cidades. a pedido dos ruralistas. O aumento da violência faz parte da reação da agroindústria monocultural da região para garantir a expulsão dos povos indígenas da região e assim garantir a manutenção do roubo e saque das terras dos Avá-Guarani que lutam em os tribunais, desde 2009, para a demarcação da Terra Indígena (TI) Tekoha Guasu Guavirá. Atualmente, na região existem 17 tekohás, termo em guarani usado para designar seus territórios, mas que já não sustenta todas as famílias indígenas. Por isso, estão retomando parte da área já delimitada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), mas com o processo de demarcação paralisado pelo Marco Temporário.

Fonte: EFE e CIMI

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sexta-feira, 1 de novembro de 2024

MANIFESTO CONTRA O PACOTE ANTIPOPULAR * Articulação de Movimentos Sociais/Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

MANIFESTO CONTRA O PACOTE ANTIPOPULAR
O Manifesto reúne centenas de acadêmicos, economistas, pesquisadores, comunicadores populares, sindicalistas e parlamentares contra as políticas de austeridade fiscal do governo federal.


Nesta quarta feira (30/10), centenas de acadêmicos, economistas, pesquisadores, comunicadores populares, sindicalistas e parlamentares lançam o Manifesto Contra o Pacote Antipopular, iniciativa condenando publicamente os cortes sociais anunciado pelos ministros Fernando Haddad e Simone Tebet para o final deste ano.

Reunindo intelectuais como Vladimir Safatle, Ricardo Antunes, Lena Lavinas, Paulo Nakatani, ex-ministros como Roberto Amaral e José Gomes Temporão, além de parlamentares como Luiza Erundina, Sâmia Bomfim, Glauber Braga, Tarcísio Motta, Chico Alencar e Luciana Genro, presidente da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco, o texto condena a política de austeridade fiscal do governo federal que afeta diretamente gastos sociais nas áreas da saúde, educação, assistência social, previdência, entre outras.

As assinaturas estão sendo recolhidas através da
que pode ser lido na íntegra abaixo:

Nós, acadêmicos e especialistas em direitos sociais, economistas, pesquisadores, comunicadores populares, sindicalistas, ativistas do movimento estudantil, do movimento popular e parlamentares, nos unimos para condenar de forma veemente o conjunto de medidas de cortes sociais anunciado pelos ministros Fernando Haddad e Simone Tebet para o final deste ano. As áreas alvo desses ataques já estão definidas: saúde, educação, Benefício de Prestação Continuada (BPC), seguro-desemprego e outros direitos essenciais. Embora os detalhes finais ainda não tenham sido divulgados, já está evidente que essas medidas fazem parte de uma estratégia de austeridade que aprofunda o Novo Arcabouço Fiscal e ataca diretamente conquistas sociais históricas

Desde o início, o Novo Arcabouço Fiscal foi concebido para impor limites rígidos aos gastos sociais e aos investimentos públicos, enquanto protege as despesas financeiras, especialmente o pagamento de juros que beneficiam os grandes rentistas. Essa estrutura gerou uma incompatibilidade entre os pisos constitucionais de saúde e educação, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a parcela dos benefícios previdenciários e de seguridade social vinculados ao salário mínimo, em relação ao Novo Teto de Gastos.

A fórmula fiscal atual foi estruturada para impedir que esses direitos, vinculados ao crescimento da receita corrente líquida (no caso da saúde), à receita de impostos (no caso da educação) e ao reajuste do salário mínimo (no caso do BPC e da previdência), sejam acomodados dentro dos limites estabelecidos. Essa configuração impede que os gastos cresçam conforme a demanda social e a dinâmica econômica, levando a uma compressão contínua desses direitos.

O pacote de austeridade agora anunciado e amplamente divulgado pela imprensa é a segunda fase desse programa: um ataque direto aos direitos sociais, buscando comprimir o que é garantido pela Constituição para que caiba dentro de um teto de gastos artificialmente limitado. As medidas em discussão incluem a flexibilização de direitos trabalhistas, como a redução da multa de 40% do FGTS para demissões sem justa causa e do seguro-desemprego, além de possíveis alterações no abono salarial e no BPC. O objetivo é claro: reduzir e restringir direitos básicos para obedecer às regras fiscais que priorizam as exigências do mercado às custas do bem-estar social. Mas quem paga essa conta? No caso do BPC, as principais vítimas são mulheres idosas negras e pessoas com deficiência, que constituem a maioria das beneficiárias e dependem diretamente desse programa para sobreviver. Trata-se de um pacote antipopular, que ignora deliberadamente as desigualdades estruturais do país e agrava a situação dos mais vulneráveis.

As medidas contam com o apoio de entidades como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e da grande imprensa, que têm defendido abertamente que, para manter o Novo Arcabouço Fiscal, é necessária uma “redução estrutural” dos direitos sociais. Nós, em contraste, defendemos que o Novo Arcabouço Fiscal seja alterado ou revogado para que os direitos sociais não apenas sejam preservados, mas também expandidos, garantindo a inclusão e a proteção da população mais vulnerável.

A narrativa de crise fiscal é uma construção falaciosa. O verdadeiro problema não é a falta de recursos, mas a escolha de onde e como aplicá-los. A expansão fiscal promovida em 2023 e 2024 pelo governo Lula, possibilitada pela PEC de Transição, demonstrou que políticas fiscais expansivas podem impulsionar o crescimento econômico e reduzir o desemprego, sem causar descontrole inflacionário. Essa expansão fiscal abriu espaço para investimentos em infraestrutura, saúde e programas sociais, provando que a austeridade não é a única opção viável. Entretanto, este novo pacote de medidas visa precisamente o oposto: reverter esses avanços, sufocar o crescimento e impor uma política que perpetua o subfinanciamento crônico das áreas sociais.

Ceder a essa lógica de cortes e restrições não é apenas um erro econômico; é um ataque frontal aos direitos sociais e à dignidade da população. Ao abandonar investimentos em áreas essenciais, o governo abre caminho para o avanço de discursos autoritários e reacionários que se alimentam do desespero e da frustração popular. Essa estratégia é exatamente o que a extrema direita espera: um governo enfraquecido, incapaz de responder às demandas sociais e cada vez mais submetido aos interesses financeiros.

Por isso, convocamos todos e todas — trabalhadores, movimentos sociais, sindicatos, partidos, organizações da sociedade civil (OSCs) e todos os cidadãos comprometidos com a defesa dos direitos sociais e com a democracia — a se mobilizarem contra esse Pacote Antipopular. Não podemos permitir que direitos conquistados ao longo de décadas sejam destruídos por políticas de austeridade que apenas aprofundam a desigualdade e a exclusão. O momento exige resistência, organização e luta. Precisamos proteger a saúde, a educação, a previdência e, acima de tudo, a dignidade da classe trabalhadora. Sem uma resposta firme, o neoliberalismo continuará a devastar o que resta das conquistas e dos direitos da classe trabalhadora, entregando tudo ao mercado e sacrificando a maioria em nome do lucro de poucos.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

DEPOIS NÃO ADIANTA CULPAR O “POBRE DE DIREITA” * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

DEPOIS NÃO ADIANTA CULPAR O “POBRE DE DIREITA”

Lula venceu Bolsonaro com o voto das camadas mais pobres da classe trabalhadora. A expectativa não era a de que Lula fizesse a revolução socialista, mas que tirasse o Brasil do abismo social em que foi jogado.

Algumas medidas atenuaram as consequências desse desastre, mas são minúsculas diante da tragédia enfrentada pelo povo. A insegurança alimentar grave teve redução insignificante, entre 2018 e 2023/2024, de 4,6% para 4,1%. O desemprego caiu, mas os empregos gerados são precários, com longas jornadas e pagam mal. O baixo crescimento do PIB em relação ao seu potencial é desanimador. A destruição do tecido social e a falta de perspectivas em relação ao futuro produz um mal-estar generalizado.

Diante dessa tragédia social, as medidas deveriam ser no sentido de fortalecer a produção, gerar empregos de qualidade, aumentar a renda salarial, elevar o investimento público, reduzir a jornada de trabalho, realizar um programa de obras públicas, reestatizar as empresas públicas privatizadas etc.

Mas a estratégia política do governo é outra. Sua meta se resume a gerir de maneira mais humana a agenda ultraliberal enquanto não mexe nos interesses do grande capital. O ministério da Fazenda, entregue a Fernando Haddad, um liberal convicto e homem de confiança do capital financeiro, impõe uma política de austeridade via Arcabouço Fiscal.

Para que ele funcione e ganhe a confiança do rentismo, anunciam-se vários cortes em direitos sociais. O alvo são os pisos constitucionais mínimos de investimento em educação, atualmente de 18% da receita líquida de impostos, e da saúde, atualmente de 15% da receita corrente líquida. Mas também está na mira o Benefício de Prestação Continuada, que assegura uma renda mensal de 1 salário mínimo para idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de extrema pobreza.

A política de austeridade não se aplica a todos. Os cortes profundos em direitos sociais são para compensar a permanência da política de desoneração da folha de pagamento para 17 setores econômicos, contidos no PL 1847/2024.

E agora, se não bastasse, Haddad e Tebet anunciam que o governo estuda mexer na multa de 40% do FGTS, reduzindo a parcela que cabe ao trabalhador demitido. Quer também alterar o valor e o número de parcelas do seguro-desemprego. E não acabou: quer ainda mexer no abono salarial, reduzindo o valor pago que é hoje de 1 salário mínimo para quem recebe até 2 salários mínimos médios mensais.

No atual momento histórico, muito se fala sobre as causas da perda de apoio popular da esquerda, demonstrada na fragorosa derrota nas eleições municipais. Ela tem várias causas. Mas um setor da esquerda, situada numa classe média progressista que ocupa postos de comando em estruturas partidárias e no interior do Estado, a culpa seria do “pobre de direita”, desprovido de consciência de classe.

O conceito “pobre de direita” é elitista e se tornou uma espécie de fuga da realidade desses setores da esquerda. Ele retira do governo as responsabilidades por sua opção em manter uma política agressiva de austeridade. E justifica a falta de coragem em peitar os interesses do rentismo, do agronegócio e do imperialismo.

Se o governo insistir na agenda de ataques contra o povo, o resultado será a decepção com a “esquerda” crescer. O que no senso comum reforçará a ideia de que entre esquerda e direita não existem diferenças.

Ainda há tempo para mudar esse destino. O movimento operário e popular precisa se mobilizar e promover ações com centralidade na defesa dos direitos sociais e do trabalho, do resgate da completa soberania nacional e da defesa das liberdades democráticas para o povo, em uma agenda que não dependa das iniciativas do governo.

Caso contrário, estará pavimentado o caminho para derrota eleitoral em 2026. E, depois, não adianta acusar o pobre de direita.

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terça-feira, 22 de outubro de 2024

DENÚNCIAS CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO HOSPITAL FEDERAL DE BONSUCESSO-RJ * Frente Revolucionária dos trabalhadores/FRT

DENÚNCIAS CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO HOSPITAL FEDERAL DE BONSUCESSO-RJ

 "Nota de Repúdio sobre a violência praticada contra servidores da saude, no Hospital Federal de Bonsucesso

O Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro- COREN -RJ, repudia veementemente a violência empreendida contra os servidores da saúde, em especial os profissionais de enfermagem, que realizavam manifestações pacíficas a favor da saúde nos hospitais federais no Estado do Rio de Janeiro.

Há anos o COREN-RJ vem lutando, inclusive judicialmente, para que a União realize concurso público para provimento dos cargos dos profissionais de enfermagem, visando garantir a assistência de forma permanente e, enquanto isso não ocorre, luta pela prorrogação dos contratos temporários para que a população não fique desassistida.

A forma mais apropriada para solucionar questões coletivas relacionadas à saúde é o debate e o diálogo entre todos os envolvidos. A sociedade necessita de políticas públicas que pensem no bem estar e na qualidade de vida da população e dos profissionais que trabalham diurnoturnamente no cuidado, com remuneração digna, acesso à educação permanente e condições adequadas de trabalho.

É imprescindível a transparência nas ações e nas medidas que estão sendo adotadas para a resolução dessa situação, não apenas em respeito a população fluminense, mas também em respeito aos servidores e trabalhadores que se dedicam a salvar vidas diariamente.

O COREN-RJ se coloca à disposição para participar de quaisquer discussões que visem a construção coletiva e dialogada de uma solução para essa crise que assola os hospitais federais no Rio de Janeiro e se solidariza com aqueles que foram agredidos de forma injusta e desproporcional."

CONSULTE

COREN.RJ
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FENASPS
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TESTEMUNHOS E DOCUMENTOS
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LUTA EM DEFESA DO PATRIMÔNIO PÚBLICO CONTINUA

domingo, 20 de outubro de 2024

DITADURA LULA NO HOSPITAL DE BONSUCESSO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

DITADURA LULA NO HOSPITAL DE BONSUCESSO
"DOCUMENTO1

Vamos conhecer a VERDADE sobre a transferência do Hospital Federal de Bonsucesso (Administração Direta do Ministério da Saúde) para o Hospital Nossa Senhora da Conceição S.A. (suposta empresa pública, que não foi criada por lei, ao arrepio do inciso XIX do artigo 37 da Constituição Federal e mesmo vedado pelo Decreto-Lei nº 200/1967, este já em vigor à época da desapropriação):

O MINISTÉRIO DA SAÚDE TENTA ESCONDER DE VOCÊ QUE NA VERDADE A MEDIDA REPRESENTA MENOS PESSOAS NO HFB E MENOS DINHEIRO PARA ASSISTÊNCIA À SAÚDE, POIS TERÁ QUE MANTER TODA A MÁQUINA DA NOVA FILIAL DO GHC.

a) A Ministra da Saúde, por meio da PORTARIA GM/MS Nº 5.514, DE 14 DE OUTUBRO DE 2024, realizou a “descentralização” de um hospital da administração direta para o Hospital Nossa Senhora da Conceição;
b) A Ministra usa como base a Lei nº 8080/1990 para justificar a “descentralização”, entretanto a alínea “a” do inciso IX, artigo 7º da referida lei diz: “ênfase na descentralização dos serviços para os municípios”. Ora, a Ministra da Saúde criou, portanto, uma nova maneira de descentralização, ao arrepio da Lei que ela cita, pois em nenhum momento se previu descentralização para empresa pública;
c) Ademais, parece estranho o uso do termo descentralização para uma empresa constituída em Porto Alegre, ou seja, mais de 1.570 km do Hospital de Bonsucesso, que resultará em previsão de gastos de R$ 2.310.000,00 apenas em passagens aéreas e R$ 270.000,00 em diárias, ou seja, um verdadeiro vem e vai com o dinheiro público, quando hoje o hospital não gasta um centavo com isso. Será menos dinheiro para medicamentos e serviços em prol da população (fonte https://ted.transferegov.sistema.gov.br/ted/plano-acao/detalhe/3405/dados-basicos) ;
d) Além da portaria, o Ministério da Saúde firmou um Termo de Execução Descentralizada - TED (DECRETO Nº 10.426, DE 16 DE JULHO DE 2020) para transferir os recursos do Ministério da Saúde para o GHC. O referido TED possui vigência entre 15/04/2024 e 31/12/2025.
e) O Presidente do GHC, em entrevista ao Jornal O Globo (https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2024/10/18/cada-dia-que-passa-sem-poder-acessar-o-hospital-representa-um-prejuizo-diz-diretor-do-grupo-conceicao-que-assumiu-a-gestao-do-hospital-federal-de-bonsucesso.ghtml) citou que terá R$ 250 milhões para investimentos. O que não pode ser afirmado, pois o GHC não tem contrato firmado para esse período (encerra em dezembro de 2025), portanto, induzindo a população ao erro.
f) Outra informação dada pelo Ministério, induz as pessoas ao erro (https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2024/10/10/ministerio-da-saude-confirma-que-hospital-federal-de-bonsucesso-tera-novo-gestor-emergencia-reabrira-ate-o-fim-do-ano.ghtml). O Secretário Adjunto de Atenção Especializada Nilton Pereira, afirmou que serão mais 2 mil novos trabalhadores. Vamos a verdade? A Portaria SEST/MGI Nº 7.739, de 11 de outubro DE 2024 aprovou o quantitativo de pessoas que poderão ser contratadas pelo GHC, sendo 2252 vagas para o Quadro Temporário - Termo de Execução Descentralizada firmado entre o Ministério da Saúde e o Grupo Hospitalar Conceição - GHC para gestão do Hospital Federal Bonsucesso (HFB/RJ). A portaria no Inciso IX do artigo segundo prevê que comporão o limite de quadro de pessoal “IX. os empregados ou servidores movimentados para compor força de trabalho conforme disposto no § 7º do art. 93 da Lei nº 8.112, de 11.12.1990”;
g) Logo, não existe esse número de vagas, pois hoje temos no HFB 1921 servidores ativos e 812 Contratados Temporários da União, ou seja, 2733 pessoas. A Portaria que descentralizou o HFB prevê que os servidores poderão permanecer, caso desejem, e o GHC diz que os contratos temporários atuais “serão mantidos nos prazos vigentes de novembro e dezembro” (Link: https://www.ghc.com.br/noticia.aberta.asp?idRegistro=33385 ) Ou seja, aos CTUs a porta da rua.
h) Isso significa que quanto mais servidores optarem por permanecer no HFB, menos pessoas poderão ser chamadas no processo seletivo do GHC e, considerando o número atual, haverá a redução de 481 trabalhadores no HFB.
i) Outra informação importante a ser considerada é que, atualmente, não sai da rubrica destinada ao HFB (e esta que foi descentralizada) os custos com servidores e CTUs, mas ao passar para o GHC, esse recurso será utilizado para os novos cargos comissionados e para os contratados no processo seletivo publicado pelo GHC, ou seja, MENOS DINHEIRO PARA ATENDIMENTO DA POPULAÇÃO.

Há poucos anos o GHC figurava na lista de empresas a serem privatizadas e pode voltar, pois o próprio STF definiu que não há necessidade de autorização específica para privatização de cada empresa.

NÃO EXISTE DINHEIRO NOVO!!! O QUE EXISTE É A ENTREGA DO ORÇAMENTO DOS MESES QUE AINDA FALTAM DE 2024 E O ANO DE 2025 (PLOA) PARA O GHC!!! PAREM DE MENTIR!

DOCUMENTO 2


DOCUMENTO 3

Covardia: com apoio da PM e policiais federais, governo Lula (PT) impõe entrada do Grupo Conceição no HFB

By André Pelliccione

19/10/2024
Grupo Conceição é mal-vindo pela maioria dos trabalhadores do HFB. Foto: Mayara Alves.

Com apoio do Batalhão de Choque da PM, por volta de 6h da manhã de hoje (19/10) policiais do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) da Polícia Federal entraram no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) para desocupar as salas da direção-geral da unidade, onde desde o último dia 2/10 servidores estavam acampados em protesto contra a entrega da unidade ao Grupo Hospitalar Conceição (GHC). A desocupação foi executada em cumprimento de decisão do juiz federal Fábio Tenenblat, a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).

Ao todo, a ação de desocupação contou com o suporte de 50 policiais — entre PMs e federais —, que não foram confrontados pelos servidores presentes na ocupação. Em seguida à entrada dos policiais, chegaram os gestores e funcionários do Grupo Hospitalar Conceição. Recebidos com vaias e duras críticas dos servidores, eles se instalaram no prédio da administração-geral do HFB, para formalizar a posse na gestão do hospital.

Servidora da rede federal, Neusa Beringui apontou a contradição do governo Lula (PT) ao ordenar a ação repressiva. “O atual governo se apresenta como democrata, mas na verdade nunca dialogou com os trabalhadores e trabalhadoras da saúde. É um governo que jogou a repressão contra os servidores e servidoras da rede federal, para intimidar e nos ameaçar. Tudo com o objetivo de entregar uma estrutura pública, como é o Hospital de Bonsucesso, para uma organização com finalidades lucrativas, como é o Grupo Conceição. É inaceitável”, disse ela.

O Sindsprev/RJ convoca todos os servidores da rede federal a participarem da assembleia emergencial que acontece hoje (19/10), às 16h, por meios remotos. O link está disponível abaixo:

ASSEMBLEIA REDE FEDERAL

DOCUMENTO 4

NOTÍCIAS DO SINDSPREV/RJ

Sindsprev/RJ repudia ação repressiva contra servidores(as) que lutam em defesa do Hospital de Bonsucesso

Por meio de sua diretoria colegiada, o Sindsprev/RJ repudia a inaceitável ação repressiva ocorrida na manhã de hoje (19/10), nas dependências do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB), onde servidores da rede federal de saúde foram agredidos fisicamente e atacados por PMs do Batalhão de Choque chamados pelo governo Lula (PT). A ação resultou na arbitrária prisão de Cristiane Gerardo, dirigente do Sindsprev/RJ.

DOCUMENTO 5 

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sexta-feira, 6 de setembro de 2024

O AGRO ABRE FOGO * Júlia Motta/FORUM

O AGRO ABRE FOGO
Júlia Motta
colunista na Fórum

O avanço desenfreado do agronegócio sobre comunidades rurais, indígenas, quilombolas e ribeirinhas, despejando litros de agrotóxicos por esses territórios em cima de crianças, idosos e mulheres grávidas, anuncia: uma guerra química que acontece nos interiores do Brasil.

Em primeiro no ranking como o país mais perigoso para defensores do meio ambiente, o Brasil somou, somente em 2022, cerca de 2.018 conflitos no campo, envolvendo 909.450 pessoas, segundo levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Naquele ano, 8.033 famílias foram atingidas por essa guerra química, que fez 193 vítimas. Já em 2023, esse tipo de violência foi o que mais vitimou comunidades, somando quase o dobro de pessoas do ano anterior: 336.
NEGA PATAXÓ

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

LULA E A EDUCAÇÃO POLÍTICA * Frei Betto

 LULA E A EDUCAÇÃO POLÍTICA 


Frei Betto

Assessor de movimentos populares e autor de “Por uma educação crítica e participativa” (Rocco)

 

      Escreveu Onelio Cardoso que o ser humano tem duas grandes fomes, a de pão e a de beleza. A primeira é saciável; a segunda, infindável.


      O que, em última instância, sacia a alma humana é preencher a fome de beleza, o sentido que se imprime à existência, ainda que exija sacrifícios. É o que explica indígenas aldeados se recusarem a trocar sua vida na selva pelos confortos da cidade ou missionários religiosos abandonarem a comodidade de suas famílias ricas para se dedicarem a comunidades duramente afetadas por pobreza e doenças.


      Eis a razão do crescimento exponencial das Igrejas evangélicas: resgate da dignidade humana. O catador de material reciclável e a faxineira “invisíveis” para a sociedade, são reconhecidamente filhos e filhas de Deus no culto que reforça vínculos de solidariedade frente às dificuldades da vida.


      No projeto original do Programa Fome Zero, em 2003, incluímos a perspectiva de associar a resposta à fome de pão à da fome de beleza. Cada família beneficiária passaria por um processo de educação cidadã. A garantia de cesta básica se somaria aos recursos pedagógicos capazes de “transformar a consciência ingênua em consciência crítica” (Paulo Freire, 1982).

      A proposta não avançou porque o Fome Zero, de caráter emancipatório, deu lugar ao Bolsa Família, compensatório. Ainda assim, criou-se na esfera federal a Recid (Rede de Educação Cidadã), mobilizando cerca de 800 educadores populares.


Infelizmente a Recid não mereceu o devido apoio do governo que tirou o Brasil do Mapa da Fome, mas não dessa cultura necrófila que naturaliza a desigualdade social e tantos preconceitos e discriminações.


      Considero os governos do PT os melhores de nossa história republicana, os que mais asseguraram ao povo brasileiro os três principais direitos humanos: alimentação, saúde e educação. Faltou, no entanto, a educação política, a formação à cidadania, a mobilização em prol do protagonismo social. O abismo entre povo e governo não foi encurtado.


      Nosso povo ainda não se deu conta de que ele é o ator político principal, e que governo não é uma gigantesca vaca com uma teta para cada boca. O resultado todos conhecemos: a incapacidade de o Planalto captar o caráter das manifestações populares de junho de 2013; a passividade da população frente ao golpe de Estado armado por Temer e antipetistas em 2016; e a eleição de Bolsonaro em 2018.


      Lula inicia seu terceiro mandato. Sabe que não pode decepcionar e tem a responsabilidade de deixar um legado que impeça a nação de voltar a ser governada por negacionistas, belicistas e terraplanistas. Para isso, não basta destacar suas prioridades: o combate à fome e à insegurança alimentar; a proteção socioambiental; e a redução da desigualdade social. É preciso incluir a educação política, cidadã e participativa da população. Porque da deseducação cuida a cultura neoliberal revestida de religiosidade alienante.


      Como escreveu Paulo Freire (1981), “seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceberem as injustiças sociais de maneira crítica.” Não há verdadeira democracia sem participação popular, fruto de conscientização, organização e mobilização do povo brasileiro.


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quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Carta de Apoio ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva * Movimento Geração 68

 Carta de Apoio ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva  

Querido Companheiro Lula,  

Somos da histórica Geração 68, que ousou afrontar a ditadura militar, levou às ruas milhares  de pessoas em manifestações contra o regime que nos fora imposto em 64, caracterizada pelos  ideais e valores de Humanidade, Solidariedade, Generosidade e Democracia, que nortearam e  norteiam nossa existência.  

O Movimento Geração 68 nasceu em abril de 2021, quando lançou sua Carta Aberta às  brasileiras e aos brasileiros, aos movimentos sociais, partidos, sindicatos, centrais, organizações  da sociedade civil, redes e a todos então dispostos a trabalhar pelo Direito à Vida Digna e pelo  Estado Democrático de Direito. Estamos presentes nas manifestações de ruas e praças, e  ocupamos as redes sociais, onde expressamos nossa demanda por um Brasil e por um mundo  melhor para todos.  

O Movimento Geração 68 integrou com arrojo as forças que construíram a vitória que ora  celebramos. Com suas bandeiras unificadoras e seu simbolismo histórico, criou ferramentas e  espaços digitais para engajamento na grande luta, angariou assinaturas de apoio em todo o país  e até fora dele, e entregou solenemente sua Carta Aberta à Ordem dos Advogados do Brasil  (OAB), à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro  (ALERJ), ao Senado e à Comissão Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).  

Responder às demandas das múltiplas forças sociais que lhe deram sustentação será desafiador  para o seu novo governo a ser montado sobre o amplo espectro democrático que viabilizou seu  êxito eleitoral. É um novo tempo que se inaugura agora na vida do país, no qual terão que ser  honrados os compromissos assumidos na campanha com a classe trabalhadora, com todo o povo  brasileiro e com seus grandes protagonistas na difícil construção dessa conquista – mulheres,  pobres, negros, povos originários, portadores de necessidades especiais, jovens, idosos,  comunidades LGBTQIA+ e outros.  

Agora, com a sua eleição, abre-se nova etapa à nossa frente, construções que a democracia  exige, em seus pilares político, econômico, social e cultural, a demandar novo concurso do  Movimento Geração 68. Portanto, é tempo de comemorar - e comemorar muito! - o  extraordinário triunfo da democracia e seu, presidente Luíz Inácio Lula da Silva. É hora de  regozijo e alegria! A vitória é um fator fundamental para o restabelecimento dos direitos dos  trabalhadores suprimidos depois do golpe de 2016. Esse êxito é decisivo para a preservação do 

ecossistema, com a retomada de políticas que assegurem o cumprimento do acordo da agenda  ambiental e para a recuperação de todas as demais áreas que foram sistematicamente  degradadas.  

A extrema direita continuará a existir e fomentar a sua ideologia nazifascista e todos, como nós,  engajados na construção de uma democracia sustentável, estaremos na mesma trincheira de luta  contra o fascismo.  

Assim, o Movimento Geração 68, hoje também integrante do Fórum Permanente da  Intelectualidade Orgânica Progressista, reafirma o apoio ao seu governo e declara nossa  disposição de contribuir de forma propositiva para a realização dos compromissos assumidos  durante a campanha.  

Por fim, pugnamos por:  

● Democracia sempre, ditadura nunca mais! 

● Apoio à luta pela Soberania Nacional; 

● Apoio à campanha de mobilização da sociedade pelo combate emergencial à fome; ● Apoio às políticas públicas de combate à desigualdade social e ao racismo estrutural; ● Apoio à reconstrução do país e de suas estatais estratégicas; 

● Fim do teto de gastos e do orçamento secreto; 

● Defesa da Universidade, da Ciência e Tecnologia como agentes transformadores para  inclusão do Brasil no rol das nações desenvolvidas e independentes;  

● Criminalização, por meio da Justiça, dos responsáveis por atos de tortura e por violações  de Direitos Humanos, assim como pelas ações golpistas contra a democracia;  ● Implantação de uma verdadeira Justiça de Transição; 

● Fortalecimento das organizações dos trabalhadores e suas lutas, assim como dos  movimentos sociais.  

Boa sorte, companheiro Lula!  

Brasil, dezembro de 2022

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Os desafios do Governo Lula na área Indígena (nistas) em 2023 * Eni Carajá Filho–MG.

Os desafios do Governo Lula na área Indígena (nistas) em 2023
Eni Carajá Filho–MG

A ampla pauta indígena que teremos que discutir no período vindouro da política, virá recheado de desafios e compreender essa lógica é passo fundamental no processo de construção de políticas extensivas aos indígenas e inclusivas a indigenistas que passaram por um período de quatro anos, somados a pelo menos seis séculos de expropriação de territórios originários, estávamos aqui muito antes da colonização das Américas e da nossa “pátria” genocídio, glotocidio, imposição de língua sobreposta as diferentes línguas mátria, tentaram o tempo todo desqualificar nossa ancestralidade, nossa espiritualidade e resistimos as intempéries da vida chegando ao final de 2022 assistindo um presidente que teve como pauta central o desfilamento de seu ódio contra os indígenas e as camadas mais empobrecidas da nossa sociedade, tanto indígena quanto a de matriz ocidental.

Na qualidade de pessoa indígena que foi obrigado a se submeter a toda opressão desse processo colonizador, que apaga as memórias e histórias, sufocando e amordaçando não somente aos indígenas e sim também boa parte de sociedade, pude viver desde criança as agruras passada pelo meu pai, um cidadão indígena que escapou desse processo de matança coletiva. Ganhou o mundo e como um jovem guerreiro seguiu o legado de seus pais chacinados João e Ana, além de outros parentes em nossa aldeia de referência ancestral, a Santa Isabel do Morro no estado do Tocantins, Ilha do Bananal assim resolvi fazer uma análise por meio deste texto.

As políticas indigenistas que discorriam sobre a forma e o comportamento que deveria ter o povo indígena há séculos, ditaram o desenho ideal para que a sociedade imaginasse ou compreendesse de quem se estava falando, de um povo nômade, primitivo, sem noção e idéias próprias, preguiçoso, que precisaria ser catequizado visando sair da condição de brugre, silvícola e que pudesse ser produtor e ter a mesma condição dos demais povos que viviam nas Américas.

O desenho foi o imaginário de que indígenas são os que moram em coletivo num lugar que se denominou aldeia, e que depois foi acrescida com as determinadas reservas, espaços de confinamento de seres humanos, e esqueceram que na mesma sociedade que pretendia dominar tinha indígenas que jamais foram contatadas, e esses ainda existem e resistem que havia indígenas vivendo em grutas, ocas, buracos, e ainda em localidades onde tinha outros povos, mais tarde essas localidades foram chamadas de cidades.

Atualmente os sinais claros de considerando todas as ofensa desferidas em nome da República pelo seu ocupante derrotado em 30 de outubro de 2022, deixou além de um alivio aos povos indígenas, uma grande esperança uma vez que o vencedor nesse pleito ter como uma de suas propostas a criação de uma instância pública que será o

Ministério dos Povos Originários, que além de uma proposição de coragem é uma ação contracolonizadora.

Defendo que o nome a esse Ministério ou Secretaria Especial vinculado a Presidência da Republica seja trocada de povos originários para povos indígenas, apesar de sermos originários, deparamos na sociedade com outros povos que também reivindicam status de originários.

Portanto como desafio não de uma comissão de transição, que a principio deveria ser composta por representações do governante que sai e do governante que entra, mas devido ao não reconhecimento da derrota o que sai não quer viabilizar a tranqüilidade ao governante que entrará ou seja a chapa Lula/Alckmin.

É preciso como já ilustrado no texto, sobre pena de fiasco, o governo Lula/Alckmin, diplomado em 12 de dezembro de 2022, que entenda a complexidade e a amplitude do que é o significado de Povos e de Indígenas nesse país, evitando mais uma vez o erro dos mesmos serem tratados como indígenas de primeira, segunda, e terceira categoria como entendem alguns, pois o próprio Ministro do STF Gilmar Mendes defendeu a tese do “bloco constitucional”, entendendo que a Emenda Constitucional nº 45/2004, editada no primeiro governo em que Lula era o presidente, equipararia a força hierárquica dos tratados de direitos internacionais ratificados pelo Brasil àquela da Constituição, portanto, a Convenção 169 de Organização Internacional do Trabalho foi investida pela sua ratificação no Brasil em uma legislação constitucional.

Essa tratativa internacional já traz o condão da autodeclaração e não precisaria de uma liderança de fora definir quem é ou quem não é indígena, acabou-se a tutela da Fundação Nacional do Índio – Funai, sobre as mesmas e os mesmos.

Outro desafio é o próprio entendimento de que as organizações indígenas jamais substituirão a narrativa própria dos povos indígenas, no individual e ou as vezes no coletivo, sua cultura especifica e ou seus modos e costumes, se alguns querem carregar longos cocares de pena tudo bem, temos que respeitar e do mesmo modo sermos respeitados se não adotamos esses adereços a nossa pratica e existência cotidiana.

Orçamento a um Ministério ou Secretaria Especial, outra questão uma vez que existem órgãos que tratam de questões indígenas dentro da estrutura oficial do Estado, a Funai veio a substituir o SPI e mesmo sendo esvaziada pelo militar que a preside a instituição como patrimônio Público precisa seguir existindo com sua missão de proteção, como uma instância autárquica com papeis específicos e necessário se faz é a auditagem nesse importante Orgão, uma vez que nos últimos anos agiu contrariando sua missão de criação.

Para Gregório, 1980, as condições que o SPI estava vivendo quando foi deparado que “familias indígenas eram submetidas a um processo lento de desapropriação e de extermínio, suas terras eram invadidas roubadas, sua têmpera amolecida pela cachaça, seus filhos condenados a morrerem a míngua, os renitentes abatidos a tiros...”

(Gregório,j,1980, pg 74). Essa menção ainda perdura contra Yanomamis e outros povos no nosso pais.

“Dessa forma e com fatos tão lamentáveis, uma Comissão Parlamentar e Inquérito – (CPI), de âmbito nacional, iniciou uma campanha de constatação dos fatos verídicos e achou por bem a supressão do Serviço de Proteção ao Índio, do Conselho Nacional de Proteção ao Índio e do Parque Nacional do Xingu, em substituição, o Congresso Nacional resolveu criar a Fundação Nacional do Índio (Funai) aprovada pela lei nº 5.371 de 5 de dezembro de 1.967”. (Gregório,j,1980, pg 74).

Dentro das atribuições da Funai, se encontrava a seguinte: - “Permitir a adoção de medidas profiláticas de doenças trazidas pelos civilizados entre as quais as febres eruptivas que dizimam rapidamente as tribos”. (Gregório,j,1980, pg 76). Essa atribuição foi dividida com a Funasa posteriormente e depois com a criação da SESAI.

O antropólogo brasileiro Carlos Fausto (1963-), em matéria publicada no Nexo Jornal em 11 de junho, afirmou que os Kuikuro do Alto Xingu anunciaram que “vão fazer lockdown na aldeia”. Uma palavra nova atualizando uma prática que os povos indígenas conhecem há cinco séculos: resistir às consequências trágicas da guerra de conquista. Revista Ciência Hoje, (2020,p.7). O que foi condenado ao povo brasileiro ter o locdown em função do acelerado processo de mortes por Covid no Governo Bolsonaro, tudo isso sem registro do numero de indígenas perdidos nesse período.

Com a extinção do SPI e criação da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), vinculada ao Ministério do Interior (1967), essa passa a ter como missão cuidar da saúde indígena; pois passou-se a debater o estabelecimento de um Estatuto do Índio efetivado pela Lei Federal 6001,de 19/12/1973; pode se no entanto criar as Equipes Volantes de Saúde (EVS), que eram integradas por médicos, enfermeiras e atendentes e auxiliares de enfermagem. Esses passaram a atuar em procedimentos curativos e nas ações epidemiológicas que visavam atenuar e diminuir as demanda em casos de surto e endemias a isso chamou modelo de atenção demandista, ou seja, somente quando acionados é que agiam.

Dessa forma a transformação dos serviços prestados ela FUNASA redundou na criação da Secretaria Especial de saúde Indígena – SESAI dentro da estrutura do Ministério da Saúde, o que não queremos para o modelo de Ministério ou Secretaria Especial dos Povos originários ou Povos indígenas, e sim que a Sesai de fato seja para a atenção a saúde a todas e todos indígenas independente de ser apenas o critério adotado nos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas/Dseis, que atendem apenas indígenas aldeados, a 5ª Conferencia Nacional de Saúde Indígena aprovou a criação de novos Dseis e não foi nenhum operacionalizado e aprovou que os mesmos atendessem todos os indígenas e se tivesse feito não haveria tantos indígenas falecidos por Covid 19.

Desafios sendo muitos vem o do Marco Temporal, é preciso agilizar junto ao poder judiciário a posição do movimento indígena de não adoção dessa prerrogativa, justamente sob a alegação firme de que as terras e os territórios indígenas foram

ultrajados, invadidos, e o Presidente Bolsonaro que já havia manifestado antes de ser eleito, em 2018 a máxima de que em seu governo não se demarcaria um centímetro de terra indígena, o que foi cumprido e é hora da redenção.

A questão indígena perpassa por todas as políticas públicas, é pauta transversal e intersetorial e por isso o Presidente e sua equipe de governo precisa compreender que não basta ter um Ministério ou Secretaria Especial, precisa haver representações indígenas nos órgãos e Ministérios tanto na Esplanada, quanto nos Estados, não podemos prescindir de nossa presença na área da agricultura, saúde, no Incra, no desenvolvimento social, na cultura, nas questões ligadas a economia solidaria e sequer na área fazendária, os indígenas precisam não somente das políticas sociais, mas queremos estar presentes nas áreas econômicas e no planejamento para assegurar que não sejamos alijados, pois mesmo com todo compromisso de governo expressada pelo presidente Lula, a máquina púbica extensa guarda surpresas na execução das políticas e os que não estão na margem elitizada padecem com os cortes de recursos.

Que tenhamos dessa vez a recomposição das instâncias de controle social e de participação, queremos o Conselho de Políticas Indigenistas funcionando, queremos anistia aos conselheiros e conselheiras literalmente cassados no Governo Bolsonaro, como os Conselhos de segurança alimentar, dos idosos, de Pessoas com deficiência que mesmo com mandato foram cassados pelo mandatário derrotado na ultima eleição presidencial.

DADOS DO AUTOR
Eni Carajá Filho – Indígena, educador social e Articulador da Rede de
Indígenas em Contextos Urbanos e Migrantes – Reniu Brasil – Coordenador
do Setorial de Assuntos Indígenas do Partido dos Trabalhadores – PT MG.
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