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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

LULA, DEMARCAÇÃO JÁ * MinkaComunicação

LULA, DEMARCAÇÃO JÁ

Brasil de Lula Sem demarcação de Terras Indígenas, aumenta violência contra os Avá-Guaranies no Paraná.

Desde sexta-feira, 29 de dezembro, familiares das comunidades Avá Guarani da aldeia Yhovy foram agredidos. Segundo informações das lideranças, eles estão constantemente cercados por criminosos. Eles relatam que o ataque já deixou 4 pessoas feridas. "Os tiroteios estão acontecendo em todos os lugares." Mesmo com a presença da Força Nacional da Região os ataques continuam!

Os Avá Guaraní denunciam que o conflito nesta região remonta à construção da Usina Hidrelétrica Itapú Binacional, quando foram expulsos de suas terras ancestrais, que tentam recuperar e demarcar desde 2018.

Um menino de 4 anos ficou ferido na perna, assim como outro adulto; enquanto um jovem foi ferido nas costas e outro adulto atingido na mandíbula “com munições de grande calibre”, segundo o comunicado do CIMI. As quatro vítimas foram levadas para hospitais. Três deles estão em observação, mas não se sabe o estado de saúde da mulher ferida no maxilar. “Estamos rodeados de pistoleiros, são os mesmos que atacaram no dia 31 de dezembro”, disse um dos líderes comunitários, citado pelo CIMI, mas que manteve o nome anónimo.

Segundo a organização indígena, os ataques começaram no dia 29 de dezembro, continuaram nos dias 30 e 31 do mês passado e o mais recente ocorreu na noite anterior.

Além dos feridos no último ataque, uma mulher sofreu queimaduras no pescoço e outro indígena foi baleado no braço nas agressões anteriores, em que também foram queimadas cabanas e lavouras da comunidade, deixando as famílias "desamparadas, sem comida". ou água potável.

Segundo o CIMI, cada um dos ataques foi denunciado às autoridades competentes. Desde novembro de 2024, o Ministério da Justiça determinou que o FNSP estivesse no território para proteger a integridade da comunidade indígena, porém, os pistoleiros entraram por uma estrada que no momento do ataque não estava sendo vigiada pela força federal.

«Pelo amor de Deus, estamos cercados. Realmente cercado. Cercado por pistoleiros. “Estamos pedindo ajuda”, disse um dos Avá Guarani em áudio enviado após os acontecimentos, e também denuncia que se a polícia não agir não saberia quantos deles seriam afetados.

Outro áudio descrito pelo Brasil de Fato narra: «Estamos mesmo sendo atacados. Alguém acreditará? Até quando dirão que foi só um foguete? Estamos cansados ​​de tudo isso. Estamos cansados ​​de ver que até crianças são baleadas”, aludindo às dúvidas das autoridades que se calam face aos ataques. Da mesma forma, afirmou que o município de Guaíra trata os Avá Guaraní como terroristas.

«Estamos à mercê de toda esta violência. “Vivemos na era da pólvora, na era da bala”, lamentou nos áudios uma das indígenas vítimas de agressões.

O Ministério dos Povos Indígenas condenou neste sábado os ataques contra o povo Avá Guarani e disse que acompanha de perto a situação.

Destacou ainda que mantém um diálogo permanente com o Ministério da Justiça para “a investigação imediata” dos grupos armados que operam na região.

O ministério disse que desde o primeiro ataque solicitou que fosse reforçada a presença da Força Nacional na região “para evitar atos de violência contra os povos indígenas que se mobilizam para garantir os direitos às suas terras”.

Segundo o ministério, os Avá Guaraní realizam a recuperação de terras desde o final da década de 1990, depois que seus territórios foram invadidos por “povos não indígenas” desde 1930 e foram “gravemente afetados” pela construção da Usina Hidrelétrica de Itaipú. na década de 1980.

Atualmente, duas áreas ocupadas pelos Avá Guaraní estão em processo de regularização: a Terra Indígena Tekoha Guasu Guavira e a Terra Indígena Ocoy-Jacutinga, esta última em fase de estudo.

A escalada de violência contra o povo Avá-Guarani tem se ampliado cada vez mais nos municípios de Guaíra e Terra Roxa, na região oeste do Paraná. Além da discriminação que os membros da etnia recebem nas cidades, da falta de alimentos, segundo denúncias chegam a receber cestas vencidas do poder público municipal, há também um aumento no número de ataques de bandidos no cidades. a pedido dos ruralistas. O aumento da violência faz parte da reação da agroindústria monocultural da região para garantir a expulsão dos povos indígenas da região e assim garantir a manutenção do roubo e saque das terras dos Avá-Guarani que lutam em os tribunais, desde 2009, para a demarcação da Terra Indígena (TI) Tekoha Guasu Guavirá. Atualmente, na região existem 17 tekohás, termo em guarani usado para designar seus territórios, mas que já não sustenta todas as famílias indígenas. Por isso, estão retomando parte da área já delimitada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), mas com o processo de demarcação paralisado pelo Marco Temporário.

Fonte: EFE e CIMI

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terça-feira, 22 de outubro de 2024

DENÚNCIAS CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO HOSPITAL FEDERAL DE BONSUCESSO-RJ * Frente Revolucionária dos trabalhadores/FRT

DENÚNCIAS CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO HOSPITAL FEDERAL DE BONSUCESSO-RJ

 "Nota de Repúdio sobre a violência praticada contra servidores da saude, no Hospital Federal de Bonsucesso

O Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro- COREN -RJ, repudia veementemente a violência empreendida contra os servidores da saúde, em especial os profissionais de enfermagem, que realizavam manifestações pacíficas a favor da saúde nos hospitais federais no Estado do Rio de Janeiro.

Há anos o COREN-RJ vem lutando, inclusive judicialmente, para que a União realize concurso público para provimento dos cargos dos profissionais de enfermagem, visando garantir a assistência de forma permanente e, enquanto isso não ocorre, luta pela prorrogação dos contratos temporários para que a população não fique desassistida.

A forma mais apropriada para solucionar questões coletivas relacionadas à saúde é o debate e o diálogo entre todos os envolvidos. A sociedade necessita de políticas públicas que pensem no bem estar e na qualidade de vida da população e dos profissionais que trabalham diurnoturnamente no cuidado, com remuneração digna, acesso à educação permanente e condições adequadas de trabalho.

É imprescindível a transparência nas ações e nas medidas que estão sendo adotadas para a resolução dessa situação, não apenas em respeito a população fluminense, mas também em respeito aos servidores e trabalhadores que se dedicam a salvar vidas diariamente.

O COREN-RJ se coloca à disposição para participar de quaisquer discussões que visem a construção coletiva e dialogada de uma solução para essa crise que assola os hospitais federais no Rio de Janeiro e se solidariza com aqueles que foram agredidos de forma injusta e desproporcional."

CONSULTE

COREN.RJ
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FENASPS
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TESTEMUNHOS E DOCUMENTOS
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LUTA EM DEFESA DO PATRIMÔNIO PÚBLICO CONTINUA

sexta-feira, 19 de julho de 2024

A BOLA ESTÁ COM O GOVERNO * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

A BOLA ESTÁ COM O GOVERNO


A principal pergunta no interior do campo progressista é como neutralizar a influência da extrema-direita na consciência das massas trabalhadoras. Muitos sugerem a necessidade de um longo trabalho educativo de caráter civilizatório, capaz de forjar uma consciência política impermeável a essa influência, acompanhado da formação de uma frente democrática. Em resumo essa concepção conclui que a ascensão da extrema-direita se deve a uma falta de ilustração go povo. É uma concepção elitista que ignora a situação real da classe trabalhadora brasileira e suas demandas por reformas de caráter igualitário, menosprezadas pela classe dominante e seu sistema político.

A potência do discurso conservador se aproveita da destruição do tecido social causada pelo ultraliberalismo. É o desemprego, os baixos salários, a péssima qualidade dos serviços públicos, a destruição dos mínimos direitos sociais etc., com o consequente ressentimento e desesperança, quem aumenta a audiência do discurso proto-fascista. Neutralizar sua influência exige enfrentar as políticas de ajuste ultraliberal e abandonar a ideia de que o horizonte da esquerda é gerir de maneira “humanizada” um capitalismo que exclui as massas trabalhadoras de qualquer ganho material significativo.

Orientados por essa concepção de que faltaria ao povo consciência democrática e ilustração intelectual, setores progressistas se perguntam se na atual conjuntura haveria espaço para o governo aplicar uma política que enfrente a agenda ultraliberal. A pesquisa divulgada semana passada pela Genial-Quaest mostra que no universo dos pesquisados, o governo conta com apoio significativo para emplacar uma agenda mínima de importantes mudanças econômicas.

Ainda que haja uma sensação de piora no quadro econômico e de diminuição do poder de compra, a popularidade de Lula cresceu. A causa desse paradoxo talvez seja o fato de Lula ter se exposto e se posicionado de maneira mais enfática sobre questões importantes na conjuntura. Sua crítica à política de juros do Banco Central é apoiada por 66%; a defesa do aumento do salário mínimo acima da inflação por 90%; e a ideia de que o governo não deve satisfação ao mercado, mas aos mais pobres, é apoiada por 67%. Entre os eleitores de Bolsonaro, 51% concordam com as críticas de Lula à política de juros do Banco Central. Ainda que não tenha sido objeto da pesquisa é possível que a posição do governo, especialmente de Lula, contra o “PL do estupro” e a Emenda Constitucional que privatiza as praias, ambas apresentadas pela bancada de extrema-direita, alvo de grande rechaço popular, tenha ajudado.

Diferente do que certa esquerda ilustrada tenta apresentar, a pesquisa mostra que não se sustenta a ideia de que a consciência popular estaria tomada em termos absolutos pelo conservadorismo. Como tudo numa sociedade dividida em classes, a consciência da massa trabalhadora, num cenário de refluxo da luta de classe, é marcada por contradições. A tese do “pobre de direita”, defendida por setores progressistas é não só arrogante e preconceituosa, como justifica políticas de governo marcadas pelo esforço da conciliação de classe.

O resultado da pesquisa revela a existência, no seio do povo, de importantes reservas de apoio popular ao governo, quando este se posiciona em pautas contrárias ao liberalismo econômico. É importante destacar que esse apoio se situa nos estratos mais empobrecidos da massa trabalhadora: pessoas com renda familiar de até 2 salários mínimo (69%); entre os nordestinos (69%); entre os pardos e negros (59%).

A neutralização da influência da extrema-direita depende de se avançar numa pauta de melhoria das condições de vida do povo. Para isso, o governo precisa transformar o discurso crítico em ação concreta, o que até agora não vimos. Exemplo está no anúncio de corte de R$ 26 bilhões programados pelo governo no orçamento de 2026, após semanas de embate com Campos Neto por causa da política de juros do BC.

A bola está com o governo. Há espaço político para enfrentar o campo liberal-fascista. Mas depende dele a sinalização de que é preciso lutar contra o “mercado” e mobilizar sua base social de apoio para lhe dar sustentação.
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sábado, 4 de novembro de 2023

HÁ UM NEOLIBERAL NO MINISTÉRIO DA ECONOMIA * Wladimir Tadeu Baptista Soares - RJ

HÁ UM NEOLIBERAL NO MINISTÉRIO DA ECONOMIA

Sim! Há um neoliberal no Ministério da Economia. Por isso, ele não corrige os erros praticados nas Reformas Trabalhista e Previdenciária, que vieram proteger os donos do capital e precarizar as relações de trabalho, além de criar castas de privilegiados na Administração Pública, implementando enorme desigualdade de servidores aposentados no setor.

Por isso, não promove uma reforma tributária que estabeleça diferenciação conceitual entre "renda" e "salário", criando alíquotas distintas para tributação de salário e de renda, pois salário é verba alimentar e renda é outra coisa.

Por isso, mantém vivo um "câncer" chamado EBSERH - Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares -, que veio destruir os nossos Hospitais Públicos Federais Universitários, tornando precária a formação profissional nas áreas da saúde em praticamente todas as nossas Universidades Públicas Federais, ferindo a autonomia de todas elas e extinguindo, paulatinamente, a carreira pública estatutária dos servidores públicos nos seus respectivos hospitais universitários, hoje transformados em filiais da EBSERH - uma aberração administrativa criada por quem desconhece completamente o SUS e a importância dos Hospitais Universitários - um patrimônio da saúde pública brasileira destruído por uma política pública neoliberal inconsequente e má.

Por isso, fala-se na criação de uma "Agência Reguladora" para as Universidades Públicas, acabando de uma vez por todas com a sua autonomia - uma garantia constitucional posta no ralo da história.

Por isso, os esforços para se fazer uma Reforma Administrativa, que é, na verdade, uma Reforma do Estado Brasileiro, que, se aprovada, fará com que o Brasil deixe de ser um Estado Democrático e Social de Direito e de Direitos e passe a ser um Estado Neoliberal sem direitos, com democracia fragilizada, amante do nepotismo, do patrimonialismo, do aparelhamento político do Estado e entregue totalmente aos interesses inescrupulosos do "mercado". Por isso, pretende ajuste salarial zero para os servidores públicos civis estatutários do Poder Executivo da União no ano de 2024, uma flagrante inconstitucionalidade.

Por isso, o nosso sistema tributário continuará caracterizado pela sua regressividade, o que faz com que os pobres, relativamente, paguem muito mais tributos do que os ricos.

Por isso, os esforços em manter a gestão privada do SUS pelas "OS", "OSCIP" e "ONG". Por isso, a criação sistemática de Fundações Estatais de Direito Privado. Por isso, a manutenção de contratações com vínculos temporários em toda a Administração Pública, outra flagrante inconstitucionalidade.

Com um Congresso Nacional composto por uma maioria de extrema direita e um STF igualmente neoliberal, estamos fadados não a um avanço civilizatório, mas sim a um retrocesso social que só trará sofrimento e empobrecimento de toda a classe trabalhadora, além de uma existência em um ambiente de injustiça social, indignidade, indignação e sensação de que estamos sendo enganados. A granada que Paulo Guedes colocou no bolso dos servidores públicos federais continua lá.

Não! Este não é um governo de esquerda. É um governo de centro-esquerda, que está surfando nas ondas neoliberais do Banco Mundial e permitindo que o Presidente da Câmara Federal defina as pautas do governo e as politicas publicas a serem adotadas. Uma vergonha! Já passou da hora de correção de rumo, de um governo realmente de esquerda. Mas não uma esquerda Nutella, mas sim uma esquerda raiz, que é o que esperávamos acontecer.

Triste país! Pobre povo brasileiro! Falta coragem para fazer o que, de fato, precisa ser feito. Falta humildade para reconhecer os erros cometidos e coragem e determinação para mudar.

Wladimir Tadeu Baptista Soares - RJ
wladuff.huap@gmail.com
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terça-feira, 2 de agosto de 2022

COMO DIREITIZAR UM ESQUERDISTA * Frei Betto / SP

 COMO DIREITIZAR UM ESQUERDISTA

Frei Betto / SP

Neste artigo: Ernesto Che Guevara, Frei Betto, Esquerda, Revolução Francesa, Vladimir Ilich Lenin etc.


Ser de esquerda é, desde que essa classificação surgiu com a Revolução Francesa, optar por os pobres, indignar-se com a exclusão social, estar insatisfeito com todas as formas de injustiça ou, como dizia Bobbio, considerar a desigualdade social uma aberração.


Estar na direita é tolerar a injustiça, considerar os imperativos do mercado acima dos direitos humanos, encarar a pobreza como uma mancha incurável, acreditar que existem pessoas e povos intrinsecamente superiores aos demais.


Ser esquerdista - patologia diagnosticada por Lenin como 'doença infantil do comunismo' - é enfrentar o poder burguês até se tornar parte dele. O canhoto é S fundamentalis por conta própria. Ela incorpora todos os esquemas religiosos típicos dos fundamentalistas da fé. Ele enche a boca de dogmas e adora um líder. Se o líder espirrar, ele bate palmas; se chora, fica triste; se muda de ideia, analisa rapidamente a situação para tentar mostrar que na atual correlação de forças...


O esquerdista ama as categorias acadêmicas da esquerda, mas se iguala ao general Figueiredo em um ponto: não pode aguentar o fedor do povo. Para ele, povo é aquele substantivo abstrato que só parece concreto quando se trata de acumular votos. Assim, o esquerdista alcança os pobres, não por preocupação com sua situação, mas com o único propósito de angariar votos para si mesmo e/ou sua camarilha. Depois das eleições, adeus te vi e até o próximo concurso!


Como o esquerdista não tem princípios, mas interesses, nada mais fácil do que girá-lo para a direita. Dê-lhe um bom trabalho. Mas que não seja o trabalho, aquele que obriga os mortais comuns a ganhar o pão com sangue, suor e lágrimas. Tem que ser um daqueles trabalhos em que pagam um bom salário e concedem mais direitos do que deveres que exigem. Principalmente quando se trata da esfera pública. Embora também possa ser na iniciativa privada. O importante é que o esquerdista sente que merece um aumento significativo em sua bolsa particular.


É o caso quando ele é eleito ou nomeado para um cargo público ou assume cargo de direção em determinada empresa. Ele imediatamente baixa a guarda. Ele não se critica. Simplesmente o cheiro do dinheiro, combinado com a função do poder, produz a alquimia irresistível capaz de fazer o mais retórico dos revolucionários torcer os braços.


Bom salário, cargos de chefia, royalties, estes são os ingredientes capazes de embriagar um esquerdista em seu itinerário em direção à vergonhosa direita, que age como tal, mas sem assumi-la. Aí o esquerdista muda de amizades e caprichos. Troque aguardente por vinho importado, cerveja por uísque escocês, apartamento para condomínio fechado, rodadas no bar para recepções e festas suntuosas.


Se um colega de outrora o procura, ele engana, não comparece, delega o caso ao secretário, reclama disfarçadamente do 'incomodador'. Agora todos os seus passos se movem, com precisão cirúrgica, no caminho do poder. Ele adora sair com pessoas importantes: empresários, ricos, proprietários de terras. Ele se encanta com presentes e presentes. Sua maior infelicidade seria voltar a ser o que era, desprovido de lisonjas e palavrões, um cidadão comum lutando pela sobrevivência.


Adeus ideais, utopias, sonhos! Viva o pragmatismo, a política de resultados, o conluio, as artimanhas feitas com mão de especialista (mesmo que aconteçam percalços pelo caminho. Nesse caso, o esquerdista conta com a ajuda rápida de seus pares: silêncio obsequioso, fingindo que não acontecer nada, hoje para você, amanhã para mim...).


Lembrei-me dessa caracterização porque, há poucos dias, encontrei em uma reunião um velho camarada dos movimentos populares, cúmplice da luta contra a ditadura. Ele me perguntou se eu ainda andava com aquelas 'pessoas da periferia'. E pontificou: "Que estupidez você deixou o governo. Lá você poderia ter feito mais por aquela cidade."


Deu vontade de rir na frente daquele camarada que, antes, teria feito Che Guevara se sentir um pequeno burguês, tão grande era seu fervor revolucionário. Contive-me para não ser indelicada com aquele personagem ridículo, de cabelo penteado para trás, terno fino e sapatos de anjo. Respondi apenas: "Tornei-me um reacionário, fiel aos meus velhos princípios. Prefiro correr o risco de errar com os pobres do que ter a pretensão de ter razão sem eles".


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