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domingo, 25 de janeiro de 2026

América Latina: a esquerda assumirá o anti-imperialismo? * Outras Palavras

América Latina: a esquerda assumirá o anti-imperialismo?
Trump aplicará imperialismo de alta intensidade – militar, mas também nas finanças e comércio. Há o risco de intervenções cada vez mais frequentes. Nestas condições, a defesa pela soberania não pode ser apenas uma ênfase discursiva dos governos progressistas.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

O QUE SERIA DO MUNDO SEM A ESQUERDA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

O QUE SERIA DO MUNDO SEM A ESQUERDA
VÍDEO
O que você sabe sobre os Direitos Sociais nas Constituições Brasileiras e as Políticas Afirmativas?
Myla Fonseca/Politize

Por acaso você já parou para observar que, desde nossa independência, já tivemos um total de sete constituições e que cada uma delas reflete o período histórico no qual foi constituída?

E, mais ainda, em como os direitos sociais nelas inseridos foram frutos de árduas conquistas e reivindicações não apenas em nosso país, mas também ao redor do mundo, abrindo espaço para as recentes políticas afirmativas aplicadas hoje?

Portanto, mais do que aprender na escola que algumas de nossas constituições foram ora outorgadas ou impostas, ora promulgadas ou aprovadas por assembleias constituintes, ter em mente o contexto histórico em que cada uma culminou facilita bastante entendermos a nossa própria evolução como nação.

Além disso, este é um tópico de estudo pertinente e de ampla discussão nas aulas de redação para a preparação no Enem e demais concursos públicos, já que a elaboração de um texto dissertativo em seus exames é exigida, possivelmente abordando temas dessa natureza.

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Como outras nações nos ajudaram a moldar os direitos sociais nas constituições brasileiras?

Quando pensamos a respeito da Revolução Francesa (1789-1799), as palavras Liberdade, Igualdade e Fraternidade, inspiradas nos ideais do Iluminismo, rapidamente nos vêm à mente. E, em sua Constituição Francesa de 1791, não poderia deixar de ser diferente.

Em seu primeiro título, já se previa a implementação de setores públicos que se responsabilizassem pela educação de crianças abandonadas, provessem alívio aos pobres enfermos e trabalho aos pobres inválidos que não o encontrassem.

Ao que tudo indica, esses foram alguns dos primeiros direitos sociais mencionados em uma carta magna, em qualquer país, à época.

Já a contribuição do México, segundo o professor de Direito Constitucional da pós-graduação da Escola Brasileira de Direito, Rafael Bertramello, vem do fato de que, a partir do momento em que tais direitos assumem certa relevância histórica ao redor do globo, a Constituição Mexicana de 1917 é a primeira a conferir a categoria de direitos fundamentais aos direitos trabalhistas, direitos políticos e às liberdades individuais, nos seus artigos 5º e 123.

Em seguida, a Constituição Alemã de Weimar (1919) vinha de um período pós Primeira Guerra Mundial (1914-1918), onde a Alemanha ainda tentava se reerguer em meio aos escombros e, portanto, ela inovou ao introduzir uma maior preocupação de cunho social nos textos constitucionais.

Dessa forma, a carta magna alemã influenciou bastante a Constituição Brasileira de 1934 que, embora vigente por apenas três anos, em um conturbado contexto político, foi a primeira constituição nacional que disciplinou os direitos sociais e econômicos, em especial, o direito ao trabalho.

Além disso, praticamente desde o pós-Segunda Guerra Mundial, houve um contínuo e gradual incremento da influência norte-americana em muitos setores importantes nas sociedades ocidentais. A esse respeito, por volta da década de 1960, os EUA atravessaram um intenso processo de reivindicações democráticas a escopo nacional.

Clamava-se pela igualdade de direitos sociais e foi nessa época que o movimento negro se articulou e foi ganhando cada vez mais força. Como resultado, houve o banimento das leis segregacionistas dos Estados Unidos e a instituição de melhorias nas condições de vida da população negra.

Assim, como veremos, foi nesse contexto que as políticas afirmativas surgiram, gradualmente endossando demais minorias e ampliando uma malha de direitos sociais, espalhando-se para demais cantos do globo.

Retomando, pode-se dizer que, de modo geral, da constituição de 1934 para a atual, a de 1988, também chamada de Constituição Cidadã, houve um aumento da preocupação dos legisladores acerca dos direitos humanos e sociais do cidadão brasileiro.

Em outras palavras, a atual constituição legislou uma ampla rede de direitos sociais, como educação, segurança, previdência social, trabalho, saúde, moradia, proteção à maternidade, lazer, dentre outros.

Breve evolução dos Direitos Sociais nas Constituições Brasileiras

A primeira constituição brasileira foi imposta pelo imperador Dom Pedro I, dois anos após a nossa independência do reino de Portugal e Algarves, em 1822.

Enquanto na mesma época surgiam, no continente sul-americano, as primeiras repúblicas libertas da América Espanhola, o Brasil se isolava ao se tornar uma Monarquia Constitucional Hereditária.

Constituição de 1824

Através da Constituição de 1824, instituíram-se o voto censitário (exigia do eleitor uma determinada renda mínima) e não secreto; um poder a mais, o poder moderador, conferindo poderes quase absolutos ao imperador; e a união entre Igreja e Estado.

Constituição de 1891

A Carta Magna seguinte, a de 1891, foi aprovada por uma assembleia constituinte no período da República Velha (1889-1930).

De forma geral, ela se opôs à constituição anterior: extinguiu o poder moderador, estabelecendo autonomia dos estados através de uma República Federalista Liberal e Presidencialista.

Criou o Estado Laico, separando-o da Igreja, e pôs fim ao voto censitário.

Acabou apoiando as elites, sobretudo a cafeicultura paulista, e o coronelismo com seu “voto de cabresto”, e garantiu algumas liberdades individuais.

Constituição de 1934

A constituição de 1934 surgiu em meio a muitas mudanças intensas pelas quais passava a sociedade brasileira.

Em poucas décadas, através da Revolução de 1930, o país migrou de um modelo agrário-exportador para outro, o urbano-industrial.

Criou-se a Justiça Eleitoral, e ampliou-se a legislação trabalhista, com a implementação da previdência social, salário mínimo, férias, jornada de trabalho de 8 horas, etc.

O voto feminino e a autonomia dos sindicatos foram instituídos. Contudo, o golpe de Estado de 1937 invalidou essa carga magna, até hoje a de menor duração da nossa história.

Constituição de 1937

Em seguida, o presidente Getúlio Vargas fechou o Congresso Nacional e instaurou a ditadura do Estado Novo (1937-1945).

Um Brasil temeroso da “ameaça comunista” e vivendo próximo a regimes totalitários como o nazifascismo da Alemanha, Itália, Espanha e Portugal, abriu espaço para a Constituição de 1937.

Houve o fechamento do Poder Legislativo e a subordinação do 

Judiciário ao Executivo.

Instaurou-se a ação de uma Polícia Especial, ferramenta repressora do governo e, assim, ocorreu um retrocesso da democracia e dos direitos humanos no país.

Eliminou-se o direito de greve e a pena de morte foi reintroduzida.

Constituição de 1946

Já a Constituição de 1946 retomou a tripartição dos poderes e ofereceu autonomia política e administrativa aos estados.

Lembre que, de início, até 1942, o Brasil se posicionou de forma neutra na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Após esse período, optou pelo lado dos aliados (União Soviética, Inglaterra, França e EUA) contra o Eixo (Alemanha, Itália e Japão), enviando milhares de soldados para a Itália.

Nesse sentido, a contradição de que o Brasil era uma ditadura nos moldes nazifascistas, lutando contra o nazifascismo europeu ficou cada vez mais presente e, portanto, discutível a nível nacional.

Isso, junto a outros fatores conjunturais, abriu caminho para uma possível redemocratização.

Constituição de 1967

No entanto, em 1964, houve o Golpe Militar que derrubou o governo do presidente eleito João Goulart e a carta magna de 1946 passou a ser invalidada aos poucos através dos Atos Institucionais (AIs).

Ainda em 1964, os dois primeiros AIs suspenderam os direitos políticos dos cidadãos por dez anos, decretaram o fim dos partidos políticos e o julgamento dos crimes contra a segurança nacional restringiu-se aos tribunais militares.

O AI-3 cancelou as eleições diretas para governador. O AI-4 aprovou a Constituição de 1967, fortalecendo sobremaneira o Executivo.

E, por fim, o AI-5 deu ao presidente poderes para fechar o Congresso Nacional por tempo ilimitado, suspendeu o direito a habeas corpus e os direitos políticos de qualquer cidadão, eliminando seu direito de recorrer à Justiça. Contudo, o direito de aposentadoria da mulher foi instituído.

Durante a década de 1970, o país passou por um crescimento econômico sem precedentes em sua história até então. O período conhecido como “milagre econômico” foi caracterizado por obras faraônicas, como a construção da ponte Rio-Niterói, a Usina de Itaipu e a Transamazônica.

No entanto, como esse crescimento não trouxe real desenvolvimento econômico, a euforia passou e a crise mundial do petróleo de 1973, junto a outros fatores, como hiperinflação, desemprego generalizado, produção industrial estagnada e dívida externa elevada nos atingiram em cheio.

Constituição de 1988

Foi nesse contexto que uma nova constituição brasileira se fez necessária. A Constituição Federal de 1988 inovou em vários aspectos, especialmente em sua ampla garantia de direitos fundamentais.

Os analfabetos e menores entre 16 e 18 anos obtiveram direito ao voto, e a assistência social foi instituída, ampliando os direitos dos trabalhadores.

Além disso, implementou-se a independência do Poder Judiciário, que pode julgar e anular os atos dos demais poderes, Legislativo e Executivo.

Os Direitos Sociais na Constituição de 1988

Como vimos, historicamente, o Brasil é um país de enormes desigualdades sociais, no qual certas elites são muito privilegiadas em detrimento de demais setores da sociedade.

Foi com o intuito de tentar remediar essa situação que a atual Constituição Federal de 1988 foi criada. Em um momento de rearticulação de vários movimentos sociais, uma série de conquistas de direitos foram efetivadas.

E seu Artigo 6º, entendemos que:

“são direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma dessa constituição.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº. 64, de 2010).

Nesse sentido, os artigos 3º, 6º ao 11, e 193 e seguintes tratam de direitos sociais que podem ser de âmbito dos trabalhadores, da seguridade social, de natureza econômica, da cultura e de segurança.

Quanto ao direito à educação, os artigos 6º e 205 a 214 lidam com esse tema. O Estado é obrigado a fornecer o ensino fundamental gratuitamente.

Quanto à saúde, os artigos 196 a 200 discursam que o Estado precisa se abster de qualquer ato que prejudique a saúde do cidadão e oferecer medidas que visem prevenir e tratar as doenças.

Já quanto ao trabalho, os artigos 1º ao 11 e 170 o valorizam dentro da ordem econômica da livre iniciativa a fim de se obter uma existência digna a todos.

Em relação à moradia, o direito assegurado não é o de uma casa própria necessariamente, e, sim, o de um teto ou abrigo em condições que preservem a intimidade pessoal dos membros da família.

Quanto ao lazer, este direito se preocupa com o descanso do trabalhador para que retome as atividades com energia renovada. Os artigos 3º e 217 dispõem sobre isso.

No que concerne à segurança, ela é a garantia da expressão e exercício pleno dos demais direitos e liberdades constitucionais.

Em relação à previdência social, prestam-se auxílios em moeda para aposentadoria por invalidez, por velhice, e por tempo de contribuição; por doença, maternidade, reclusão e funeral; no salário-desemprego, na pensão por morte do segurado, todos arrolados ao longo do artigo 201.

Além disso, prestam-se serviços de assistência médica, farmacêutica, odontológica, hospitalar, social e de reeducação ou readaptação profissional.

Já em relação à proteção à maternidade e à infância, tal direito entra como direito previdenciário (art. 201) e direito assistencial (art. 203), e o artigo 7º provê a licença à gestante.

Por fim, a assistência aos desamparados sob a forma de assistência social deverá ser prestada aos necessitados, independente do fato de contribuírem ou não com a previdência social.

As Políticas Afirmativas no Brasil

Foi em meio a essa ampliação dos direitos sociais e a uma maior articulação dos movimentos sociais reivindicatórios por igualdade que as ações ou políticas afirmativas nasceram.

Ou seja, as políticas afirmativas são políticas públicas do governo, mas que também podem surgir no ambiente empresarial, por iniciativa da sociedade civil, e visam diminuir as desigualdades históricas que certas minorias sofreram, sejam elas à luz de discriminação étnica, racial, religiosa, de gênero, classe, idade ou quaisquer outras.

A ideia principal seria a de mitigar possíveis prejuízos gerados pela desigualdade política, social e econômica das minorias, tais como mulheres, afrodescendentes, pessoas LGBTQIA+, minorias religiosas, portadores de deficiências, povos indígenas, quilombolas, ciganos, ribeirinhos e outros. O que os unem é terem sido alvo de inquestionável discriminação ao longo da nossa história.

Ainda em outras palavras, as políticas afirmativas visam fomentar a inclusão socioeconômica de minorias historicamente destituídas do acesso igualitário a oportunidades.

Essas políticas podem se dar por meio da priorização no atendimento de serviços públicos como saúde e educação, através de instituição de cotas em diversos níveis de ensino e em concursos públicos, bolsas de estudo, auxílios, empréstimos, creche, reserva de vagas em programas habitacionais, fundos de estímulo, preferência em contratos públicos e redistribuição de terras.

Nesse sentido, a Constituição de 1988 assegura as cotas para deficientes no serviço público e também direitos dos povos indígenas, levando em consideração as peculiaridades de cada etnia.

A previsão da proteção do mercado de trabalho para a mulher também é um destaque, assim como a determinação de cotas mínimas de participação feminina na política. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal estipulou que 30% do fundo partidário sejam alocados a um dos sexos, estimulando as candidaturas femininas.

Como somos a segunda maior nação de negros do mundo, atrás apenas da Nigéria, e detemos um legado histórico de quase quatro séculos de escravidão, as políticas afirmativas em relação aos negros têm se desenvolvido desde os anos 2000.

Hoje podemos contar com o Estatuto da Igualdade Racial, a Lei de Cotas no Ensino Superior e as Leis 10.639/03, 11.645/08 e 12.990/14.

Por fim, em 2012, o STF qualificou as políticas afirmativas como constitucionais e, embora de caráter temporário, fundamentais para a transformação social e a fomentação de futuras sociedades mais igualitárias, inclusivas e respeitosas das diversidades culturais.

No entanto, é bom lembrar que existe um descompasso entre essas iniciativas e a realidade empregatícia praticada pelo grande empresariado brasileiro.

Na maioria das vezes, as grandes empresas não se empenham em implementar ações afirmativas a médio e longo prazos e isso emperra a aplicação dessas políticas.

Direitos Sociais nas Constituições Brasileiras e Políticas 

Afirmativas no ENEM

Agora que você já entendeu melhor sobre o que são os direitos sociais no contexto das constituições brasileiras e as políticas afirmativas, que tal discutir sobre esse assunto com os amigos e a família?

E depois, redigir uma redação a esse respeito, lembrando de seguir certas dicas infalíveis, como se você estivesse redigindo uma redação do Enem?

A respeito do uso de técnicas de redação eficazes sobre esse tema, você já observou que, além de entender o tema proposto, a estrutura do seu texto conta muito?

Como fazer uma boa introdução na redação de forma simples e efetiva?

Durante a elaboração da tese, é interessante você observar se conta com uma boa declaração inicial, que fomente a curiosidade de seu leitor e o desperte para a leitura. Esse já é um ótimo começo!

Crie uma linha argumentativa, utilize informações confiáveis, seja atento à estrutura do seu texto e pratique bastante.

Quanto mais você escrever de forma atenta e consciente sobre um assunto, mais você ficará fera nele!
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domingo, 13 de abril de 2025

Para onde vai a esquerda? * Esquerda Diário/Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

PARA ONDE VAI A ESQUERDA
NOTA DA FRT

CONVITE AOS CAMARADAS

Os descaminhos e a crise profunda da esquerda brasileira: a importância da batalha pela reconstrução do movimento comunista revolucionário.

1-O regime burguês vive uma das mais severas crises de sua história certamente. Após o esgotamento nos idos dos anos 70 do século passado, daquilo que se chamou "anos dourados" da acumulação desde o pós Segunda Guerra, o capitalismo mundial entrou num período de crise estrutural, caracterizado pelo caráter universalizante e mundial desta crise;

2-As sérias limitações que a sociedade burguesa impõe sobre o conjunto das potencialidades humanas chegaram a seu ápice. Nunca a contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas por um lado, e as relações de produção por outro foram tão ameaçadoras para a própria sobrevivência dos seres humanos e o conjunto da vida no planeta, como agora. As atuais guerras e conflitos, bem como a completa instabilidade econômica, social e política que tomam conta do mundo, são expressões deste fato, ou seja, de que o valor de troca se impôs de tal forma às necessidades da humanidade, que a ameaça existencialmente;

3-Desde meados dos anos 1990, particularmente com a queda do Muro de Berlim, fim da União Soviética e restauração do regime capitalista em quase todos os antigos Estados operários produtos das revoluções socialistas que havia ameaçado o poder burguês no mundo, o capital conseguiu relativo fôlego e uma espécie de fuga para frente, criando as condições para a imposição da chamada "globalização" neoliberal. Rebaixamento das condições de existência das massas laboriosas, generalização a nível mundial da superexploração da força de trabalho, destruição dos serviços sociais universais, supressão das conquistas econômicas do mundo do trabalho, privatizações, recrudescimento da internacionalização da produção, etc., colocaram o proletariado e as massas populares na defensiva;

4-Podemos mesmo dizer, baseados em fatos objetivos, que o proletariado mundial e seus aliados sofreram e vem sofrendo, derrotas históricas desde meados dos anos 1980/90 até agora. Nessa esteira, os países dependentes, subdesenvolvidos e de capitalismo ultra -tardio, estão passando por um verdadeiro período de regressão neocolonial globalizada, marcada por destruição de forças produtivas, desindustrialização, reprimarização econômica, desemprego estrutural, avanço ainda maior do pauperismo e marginalização, obscurantismo e decomposição das franjas de seu tecido social;

5-Por sua vez, o imperialismo estadunidense, chefe de fila de uma coalizão de potências imperialistas de segunda ordem, vê sua hegemonia ameaçada por potências emergentes, no entanto não imperialistas como a China e, até certo ponto a Rússia. Tal fato induz ao recrudescimento da agressividade por parte dos bandidos imperialistas contra os povos oprimidos do mundo, radicalizando a pilhagem através de guerras por procuração como na Líbia, Síria, Ucrânia, ou mesmo em Israel, que devido a seu caráter de cabeça de ponte e enclave dos Estados Unidos na Ásia Ocidental, tem promovido um brutal e covarde genocídio e mesmo extermínio do povo palestino;

6-O caráter expansionista e incontrolável do capital, onde impera a alienação, o estranhamento e a reificação de todas as relações humanas, parece ter fugido ao controle e hoje, como o feitiço que domina o feiticeiro, coloca a humanidade diante de um gravíssimo dilema: socialismo ou extinção;

7-O Brasil não pode passar incólume disso. Como país de capitalismo atrasado e dependente, de industrialização hiper -tardia, cuja burguesia e demais setores das classes dirigentes sempre estiveram submetidas ontologicamente a dominação imperialista, vive claramente uma regressão de 100 anos em relação a sua estruturação sócio-econômica e cultural. As consequências de tal fato gravíssimo pode-se ver nas massas de desempregados crônicos, no crescimento sem precedentes da criminalidade, da juventude sem perspectivas, aumento da fome, do desamparado social, agigantamento das favelas, moradores de rua e outras manifestações claras da barbárie social que toma conta do país e cuja resolução de tais danos malignos, escaparam das possibilidades de nossas classes dominantes, completamente alheias aos tormentos de nossa gente;

A falência da esquerda institucional e pequeno burguesa:

8-Diante do tamanho da gravidade da situação em que nos encontramos, é correto nos perguntar, por onde anda as expressões políticas dos interesses dos explorados, ou seja, as organizações e partidos da esquerda?

9-O avanço avassalador do neoliberalismo como regime de reprodução do capital para responder a queda das taxas de lucros da burguesia, super-produção e aumento do raio de acumulação, também trouxe em seu bojo o acirramento sem precedentes do poderio de manipulação, mistificação, fetichismo e embotamento ideológicos. Ou seja, estamos em pleno período agressivo do capitalismo manipulatório, inerente a sua fase de reprodução neoliberal, onde a própria indústria cultural em sua totalidade passa por uma grande fase de incremento e acentuação, levando ao paroxismo o poder da ideologia e da alienação em massa;

10-O movimento comunista mundial sofreu grande baque e revés em tal período histórico, se enfraquecendo, estando distante da classe e perdendo o norte programático histórico de ir além do capital. Nestas condições, a crise de direção do proletariado toma proporções assustadoras, colocando objetivamente um grande desafio histórico para a atual e as novas gerações de revolucionários marxistas-leninistas;

11-A batalha para se inserir no interior da classe, ajuda-la a superar suas barreiras que a impedem de ver com clareza os males que a atormentam e submetem humilhante, é tarefa dos revolucionários comunistas. Somente o marxismo revolucionário pode apontar até às últimas consequências o caminho da luta dos explorados e oprimidos para sua emancipação da sociedade de classes. E isso exige uma autêntica vanguarda de revolucionários profissionais, verdadeiro "Estado maior" da classe;

12-Na atual conjuntura histórica em que vivemos, a esquerda institucional está a cada dia mais atrelada aos interesses de manutenção da ordem capitalista. O Partido dos Trabalhadores, que desde o seu surgimento se propôs Social Democrata fora do tempo e dos espaço. Ou seja, reformista num país de capitalismo dependente, cuja história de suas classes dirigentes foi sempre conciliar pelo alto para impedir autênticas reformas estruturais, minimamente civilizatórias, recorrendo de forma ontológica aos golpes de Estado, tal partido ao não colocar como seu norte a superação histórica do capital em nosso país, só poderia metamorfosear-se em tais condições, num partido conservador da ordem, é isso o que se tornou o PT;

13-Também outros partidos como o PSOL, ao adotarem uma postura política meramente "reformista" e "civilizadora" do capital, tem se transformado cada vez mais em meros elementos do radicalismo pequeno burguês, entusiasta da avalanche pós -moderna e identitária que tem tomado conta de praticamente toda a esquerda brasileira, cada vez menos guiada por critérios de classe, ou seja, uma esquerda cada vez menos marxista e incapaz de enfrentar o rolo compressor do capital contra as massas trabalhadoras;

14-Diante de tais dilemas gravíssimos, é preciso identificar aonde estamos. Pensamos que da forma em que se encontra, a esquerda brasileira e o próprio movimento comunista internacional, cada vez mais fragmentados, estéreis, sem um norte programático e revolucionário claro, carente de um firme critério classista e cada vez mais aburguesado, não pode se colocar como algo que se pareça a uma autêntica vanguarda da classe. O proletariado no Brasil e no mundo, nunca esteve tão órfão de um Partido revolucionário e de vanguarda como no atual período histórico. Disso mesmo, entre outras coisas, pode depender a sorte da revolução brasileira. As condições objetivas para uma revolução radical e para a própria viabilidade da construção socialista nunca estiveram tão maduras como agora. Nossa grande tragédia é de ordem subjetiva, ou seja, orgânica;

15-É diante de tal constatação de nossa situação histórica, que lançamos esse chamamento aos demais agrupamentos e camaradas que reivindicam o socialismo e se propõem a combater pela revolução social contra a barbárie capitalista reinante. Superar nossas debilidades, nossas divisões e fragmentações sectárias que somente beneficia o inimigo; se inserir e enraizar no interior da classe, nas suas lutas e batalhas contra a burguesia e seus agentes; ganhar sua simpatia e confiança, formar novos quadros e dirigentes revolucionários proletários, devem ser nosso norte no atual período, nos preparando para as batalhas de morte contra a burguesia e seu regime de exploração, opressão e alienação do gênero humano;

16-Nessas condições, batalhar honestamente sem sectarismos e com sinceridade, pela formação de uma Frente de Esquerda Revolucionária, que se coloque como um possível embrião de um autêntico partido que tenha direito a dirigir a classe no caminho da superação do capitalismo em nosso país, é das tarefas mais importantes e dignas de nossa época. Ter direito a dirigir a classe significa aqui, se colocar nas primeiras trincheiras das batalhas contra toda exploração e opressão. É lutar ombro a ombro com os homens e mulheres de nossa classe em seu dia a dia. É ganhar sua confiança não como burocratas, mas sim como autênticos lutadores da classe;

17-Apesar de sua doença de morte, o capitalismo senil e putrefato não cairá de velho, precisa ser enterrado por seus coveiros, que para isso, necessitam mais do que nunca do seu partido revolucionário, como expressão maior da consciência em vias de emancipação humana do proletariado na sua histórica e urgente tarefa da superação de sua condição humilhante em que se encontra de "classe em si", para transmutar-se revolucionariamente em "classe para si". Está em nossas mãos tal tarefa histórica.

Adiante camaradas!
Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB
Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT
Roberto Bergoci, 02/11/2023.)
PARA ONDE VAI A ESQUERDA
DEBATE COM VÁRIOS CONVIDADOS/ESQUERDA DIÁRIO

sábado, 17 de agosto de 2024

UMA ESQUERDA AQUÉM DAS NECESSIDADES HISTÓRICAS DO BRASIL * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

UMA ESQUERDA AQUÉM DAS NECESSIDADES HISTÓRICAS DO BRASIL
A posição de setores da esquerda brasileira sobre o resultado da eleição venezuelana, alinhando-se com as posições do imperialismo e condenando o governo de Maduro, expôs o quanto ela está aquém das necessidades históricas impostas pela luta de classe.

Política e ideologicamente ela está constituída, em sua maioria, por liberais de esquerda. Sociologicamente predomina em seu interior setores sociais médios. Alguns se radicalizaram a partir de 2013 e outros mais tardiamente, quando o bolsonarismo fez sua entrada avassaladora na cena política com suas pautas de natureza conservadora, provocando uma reação desses setores. Uma parte desses setores avançou para posições comunistas e revolucionárias. Mas outros ainda se mantém presos a uma perspectiva liberal.

Em seu conjunto essa esquerda baseia sua leitura na ideia da democracia como valor universal. Ignora categorias centrais de análise como luta de classe e imperialismo. Há uma adesão quase completa ao eleitoralismo e ao jogo institucional burguês. É movida por referências mais cosmopolitas e menos nacionais. É mais sensível ao debate de cunho moral, escandalizando-se com as propostas retrógradas dos conservadores. Porém, no tema da política econômica já não mostram a mesma indignação.

Carregam consigo alguns vícios de sua situação de classe ao manterem certo elitismo em suas análises. O exemplo está numa certa ideia de superioridade moral e intelectual de que no Brasil haveria uma jabuticaba: o “pobre de direita” que votaria contra seus próprios interesses de classe.

Por sua condição de classe, e sem estarem amparados num movimento popular poderoso, esse segmento vive em estado de constante amedrontamento. Oscila entre a euforia, quando investigações ameaçam com a prisão da família Bolsonaro, ao pavor de um retorno do extremismo de direita, quando em algumas circunstâncias o bolsonarismo ainda mostra força social.

A causa básica desse cenário é a perda de vitalidade, acentuada nas últimas duas décadas, do poderoso movimento de massa surgido entre 1970 e 1980. A fantástica ascensão das massas trabalhadoras na cena política, observada nesses anos, murchou. Coube ao liberalismo de esquerda ocupar o vazio deixado por um movimento popular e operário de natureza contestatória. Porém, esse segmento é incapaz de levar a frente uma luta capaz de neutralizar a força da demagogia reacionária e fascista.

No atual contexto da acumulação capitalista no Brasil, a burguesia se sente à vontade para pisar sobre a classe trabalhadora. E isso acontece porque esta não representa atualmente uma ameaça à ordem burguesa. Se a esquerda em geral, e particularmente os comunistas, quiserem estar à altura das atuais necessidades históricas da luta de classe no Brasil, terão de se mostrar capazes de organizar, estimular e orientar as lutas populares. Será preciso refundar a esquerda brasileira.

É preciso retomar com urgência o debate da pauta econômica, da exploração e do imperialismo. É preciso mobilizar as massas trabalhadoras e pressionar o governo a alterar os rumos da economia. Lula tem reclamado de uma falta de mobilização do movimento sindical e popular que lhe dê suporte político para enfrentar o rentismo. Só por esse meio poderemos superar a influência do liberalismo de esquerda. Caberá aos comunistas esse papel.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

A BOLA ESTÁ COM O GOVERNO * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

A BOLA ESTÁ COM O GOVERNO


A principal pergunta no interior do campo progressista é como neutralizar a influência da extrema-direita na consciência das massas trabalhadoras. Muitos sugerem a necessidade de um longo trabalho educativo de caráter civilizatório, capaz de forjar uma consciência política impermeável a essa influência, acompanhado da formação de uma frente democrática. Em resumo essa concepção conclui que a ascensão da extrema-direita se deve a uma falta de ilustração go povo. É uma concepção elitista que ignora a situação real da classe trabalhadora brasileira e suas demandas por reformas de caráter igualitário, menosprezadas pela classe dominante e seu sistema político.

A potência do discurso conservador se aproveita da destruição do tecido social causada pelo ultraliberalismo. É o desemprego, os baixos salários, a péssima qualidade dos serviços públicos, a destruição dos mínimos direitos sociais etc., com o consequente ressentimento e desesperança, quem aumenta a audiência do discurso proto-fascista. Neutralizar sua influência exige enfrentar as políticas de ajuste ultraliberal e abandonar a ideia de que o horizonte da esquerda é gerir de maneira “humanizada” um capitalismo que exclui as massas trabalhadoras de qualquer ganho material significativo.

Orientados por essa concepção de que faltaria ao povo consciência democrática e ilustração intelectual, setores progressistas se perguntam se na atual conjuntura haveria espaço para o governo aplicar uma política que enfrente a agenda ultraliberal. A pesquisa divulgada semana passada pela Genial-Quaest mostra que no universo dos pesquisados, o governo conta com apoio significativo para emplacar uma agenda mínima de importantes mudanças econômicas.

Ainda que haja uma sensação de piora no quadro econômico e de diminuição do poder de compra, a popularidade de Lula cresceu. A causa desse paradoxo talvez seja o fato de Lula ter se exposto e se posicionado de maneira mais enfática sobre questões importantes na conjuntura. Sua crítica à política de juros do Banco Central é apoiada por 66%; a defesa do aumento do salário mínimo acima da inflação por 90%; e a ideia de que o governo não deve satisfação ao mercado, mas aos mais pobres, é apoiada por 67%. Entre os eleitores de Bolsonaro, 51% concordam com as críticas de Lula à política de juros do Banco Central. Ainda que não tenha sido objeto da pesquisa é possível que a posição do governo, especialmente de Lula, contra o “PL do estupro” e a Emenda Constitucional que privatiza as praias, ambas apresentadas pela bancada de extrema-direita, alvo de grande rechaço popular, tenha ajudado.

Diferente do que certa esquerda ilustrada tenta apresentar, a pesquisa mostra que não se sustenta a ideia de que a consciência popular estaria tomada em termos absolutos pelo conservadorismo. Como tudo numa sociedade dividida em classes, a consciência da massa trabalhadora, num cenário de refluxo da luta de classe, é marcada por contradições. A tese do “pobre de direita”, defendida por setores progressistas é não só arrogante e preconceituosa, como justifica políticas de governo marcadas pelo esforço da conciliação de classe.

O resultado da pesquisa revela a existência, no seio do povo, de importantes reservas de apoio popular ao governo, quando este se posiciona em pautas contrárias ao liberalismo econômico. É importante destacar que esse apoio se situa nos estratos mais empobrecidos da massa trabalhadora: pessoas com renda familiar de até 2 salários mínimo (69%); entre os nordestinos (69%); entre os pardos e negros (59%).

A neutralização da influência da extrema-direita depende de se avançar numa pauta de melhoria das condições de vida do povo. Para isso, o governo precisa transformar o discurso crítico em ação concreta, o que até agora não vimos. Exemplo está no anúncio de corte de R$ 26 bilhões programados pelo governo no orçamento de 2026, após semanas de embate com Campos Neto por causa da política de juros do BC.

A bola está com o governo. Há espaço político para enfrentar o campo liberal-fascista. Mas depende dele a sinalização de que é preciso lutar contra o “mercado” e mobilizar sua base social de apoio para lhe dar sustentação.
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quinta-feira, 18 de julho de 2024

FORA ESQUERDA PÓ-DE-ARROZ * Mário Sérgio Melo/PERRENGAS PRINCESINAS BLOG

FORA ESQUERDA PÓ-DE-ARROZ



Primeiro, temos de relembrar o significado de “esquerda”: na Assembleia Nacional que assumiu o poder após a Revolução Francesa, no final do século XVIII, tomavam lugar à esquerda do seu presidente aqueles que ganhavam seu sustento com o próprio trabalho. Eles eram partidários da revolução e do fim da monarquia. À direita, tomavam lugar ricos negociantes, empreendedores, empregadores, proprietários de terras e de bens: os burgueses. Eles eram leais à monarquia. Resumindo, era já o embate trabalho x capital.

E a expressão tão brasileira “pó de arroz”? Ela tem história bem controvertida, mas aceita-se que resulte da mistura de conflitos raciais, sociais e futebolísticos, no início do século XX, no futebol carioca: em alguns times mais racistas, os jogadores negros e pardos usavam o pó de arroz para branquear a pele; tentavam assim ser menos discriminados pela cartolagem e pelos torcedores racistas. Afinal, tratava-se do aristocrata esporte bretão, importado das elites da Inglaterra.

O pó de arroz tinha então dois significados: para quem o usava, era uma tentativa de ser aceito pelos racistas, e assim poder praticar sua arte; para os racistas que o viam, e sabiam que era uma maquiagem, era uma maneira de driblar o próprio preconceito. Uma hipocrisia, para perdoar os próprios instintos racistas. E para franquear a manifestação da paixão nacional: o futebol. Atualmente, as lutas por igualdade racial afastaram o uso do pó de arroz. Mas são feridas abertas, o racismo ainda não foi superado.

Aliás, como bem destacou o músico e literato José Miguel Wisnik em seu livro “Veneno remédio: o futebol e o Brasil” (Cia. das Letras, 2008), o futebol é o único esporte que para o planeta! Porque é esporte popular, que pode ser praticado na praia ou na várzea, e no qual os resultados são muitas vezes imprevisíveis. Não é o mais rico que ganha sempre, como nos esportes dos poderosos. Amiúde prevalece a raça, a alma, a atitude. Ou pelo menos era assim até pouco tempo atrás, quando o deus dinheiro ainda não tinha estendido seu manto também sobre o futebol.

Há mais de dois séculos, quando se consolidou a Revolução Industrial, a luta trabalho x capital vem se acirrando, e produzindo seus frutos: hiperconsumismo, concentração da riqueza, disseminação da pobreza, crises sociais, éticas, ideológicas, políticas, ambientais, de segurança...

Bem recentemente, fala-se em direita e esquerda radicais. É fácil enxergar a direita radical: ela se manifesta no fascismo, na truculência, no autoritarismo, no negacionismo, na desinformação, que levam ao caos, à ignorância, à guerra... E o que é a esquerda radical? Aqui muito cuidado: não confundir esquerda autêntica com esquerda radical. Existem sim aqueles radicais que condenam o sistema, e até defendam fazê-lo de forma arbitrária e violenta. Mas tais radicais não podem ser chamados de esquerda, se são conduzidos por impulsos pessoais e não causas coletivas, de classe. A esquerda autêntica comunga com as aspirações da classe de trabalhadores, secularmente explorada pela direita dona do capital.

E a esquerda pó de arroz? É possível a esquerda disfarçar-se para não sofrer a repulsa e o preconceito da direita? Não! Convicção política não é o mesmo que futebol. Hoje, até o futebol nos ensina: os negros afirmam sua negritude numa luta sem cessar pelo reconhecimento de sua identidade.

A esquerda precisa aprender com o futebol, e firmar-se na luta de classes com sua identidade e autenticidade. Tem que abandonar o clientelismo, o corporativismo e o fisiologismo interno, que são marcas da direita. Ainda que isso signifique reveses momentâneos nas urnas. A firmeza de ideais e a perseverança hão de mostrar à população que urge a humanidade encontrar formas mais justas de distribuir a riqueza que o trabalho produz e de incluir socialmente os trabalhadores. Senão, em breve será o colapso. Não é possível fazer de conta que não existe a luta de classes. Na verdade, guerra de classes.

A esquerda autêntica tem que mostrar e defender seus princípios. Se for uma esquerda “pó de arroz”, só vai implodir-se e prolongar o injusto sistema que vivemos.

sábado, 25 de maio de 2024

ESQUERDA X COMUNISMO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

ESQUERDA X COMUNISMO

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Um dos antigos
hábitos da esquerda tradicional, é permanecer sempre nas mesmas litanias. É a mais pura reedição do ditado mais metafísico de Lao Tsé: “Enquanto eu for monge, tocarei a campainha.

Tal invariabilidade é especificamente ilustrada quando se fala dos agentes da revolução. Ignora-se que através de certas agências, sistemas e instituições ocorreu uma mudança na consciência do tempo. Não sei se você entendeu perfeitamente que devido aos efeitos da ciência e da tecnologia, especialmente das TIC, surgiu uma nova experiência e percepção do tempo vivido. Não falamos mais sobre lugares-comuns e história linear. Neste contexto, as famosas narrativas que retratam o tempo atual, olhando para trás, foram enfraquecidas.

A verdade é que essas narrativas antigas e do século XIX perderam o seu poder heurístico e demonstrativo. Assuntos tradicionais, como o sujeito, a classe e o sujeito povo, foram desestruturados material, lógica e simbolicamente. Pode-se ver, no horizonte, outros sujeitos sociais como redes, chats e grupos de discussão.

Outra manifestação é que as pessoas abandonaram a mania de adiar a sua existência para um futuro incerto que nunca chega. As pessoas relutam em aceitar as escatologias da vida após a morte. Coerente com as mudanças, na filosofia, na sociologia e na educação, este cronotrópio é cada vez mais elevado: invisibilidade, fenómenos e acontecimentos saturados.

Uma revolução que não se reconhece nestas transformações e não delineia as suas políticas de transformação está fadada ao fracasso.
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PALESTRA COM EDUARDO MARINHO-ES
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

O PAPEL DA ESQUERDA NOS GOVERNOS PROGRESSISTAS * Henrique Saenz - Resistência Hiperbórea

O PAPEL DA ESQUERDA NOS GOVERNOS PROGRESSISTAS 
"Cada dia tem sua ânsia." 

Assim diz o ditado popular, quer dizer o que quer dizer. Ou seja, cada um tem sua própria dinâmica, sua própria aventura e/ou desastre. Algo semelhante acontece com os tempos, com as modas que aparecem, com as tendências, com a política.

Se outrora o reformismo se vestia de revolucionário quando no fundo não o era (bastava quebrar o termo “reformista” para entender que era o contrário) ele sempre atuou como um muro de contenção, alternando sua liderança com as demais expressões da ideologia burguesa, como posições laicas, social-cristãs, liberais ou social-democratas. A luta ideológica pela hegemonia entre eles foi por vezes apresentada como se fossem antagônicas quando no final eram complementares. Isso fez com que as “massas” participassem de seus líderes como se fosse uma luta total ou de vida ou morte. Grandes discursos e marchas massivas. Fazia parte do espetáculo político, do show, ou como dizem, parte do jogo democrático. Nota “jogo”.

Mas os tempos mudam.

As novas gerações mostram-se mais livres ou liberais e as posições ideológicas clássicas como o social-cristão, os conservadores, etc. falham na interpretação dessas gerações. Parecem verdadeiros dinossauros, como peças de museu, e os velhos reformistas têm no máximo um sopro de nostalgia, de velho meigo e inofensivo cujo prato cai a cada duas sílabas. Então parece que a classe dominante ficará nua, desprovida de ideologia, mas nada está mais longe da verdade. Nasceu o progressismo, a nova reação da ideologia dominante.

Se os governos tradicionais da direita dinossauro provocam forte repúdio na população para que a classe dominante possa levar a cabo as políticas de reatualização e revalidação do capitalismo sem retrocessos ou desabafos, esta classe dominante exige um discurso atraente, jovial, coisa fresca, flexível, inclusiva, gentil até erótica que pode sorrir para a massa enquanto passa o rolo compressor sobre si mesma.

O progressismo nasceu a serviço da classe dominante e sua dupla função de contenção e extensão está gravada em sua certidão de nascimento.

De contenção porque se sabe que o capitalismo está em crise profunda e que com isso a luta de classes se agravou a tal ponto que agora usam golpes brandos como forma de tentar colocar a casa em ordem e seguir em frente com o capitalismo . Isso provocou protestos, revoltas, rebeliões, greves e paralisações por tempo indeterminado. Para evitar isso e poder avançar em seu programa capitalista, a classe dominante promove, cria e permite que os progressistas sejam assumidos como uma espécie de filhos putativos. A sua cara amiga, e em muitos casos a sua origem popular, serve para conter o descontentamento popular-social, serve para confundir as massas e serve claramente para que a classe dominante cumpra os seus objectivos, pelo exposto. Eles são o governo de contenção.

Prolongam-se também porque a contenção não é estática, imóvel, não congela mas pelo contrário, ao mesmo tempo que se contém, avança e se consolida, se aperfeiçoa e os custos da crise são transferidos para o povo e os trabalhadores. Em meio à crise, os progressistas prometem um futuro melhor, mas para o qual é necessário o sacrifício de "todos", entendendo por "todos" não eles, os capitalistas, mas "nós", ou seja, nós, os trabalhadores.

O discurso progressista consiste no fato de que para chegar a esse futuro são necessários ajustes estruturais (de cunho capitalista), que o Estado deve poupar e, portanto, a ajuda será mínima, ou menos que mínima, e direcionada. O que é melhor do que nada. Que o ótimo é inimigo do bom. Não se preocupe, ano que vem será melhor.

Enquanto soam aqueles cantos de sereia, os ajustes acontecem, novas leis são promulgadas em meio a shows massivos de algum rockstar ou megaevento, ou mulher em plena Copa do Mundo. Começa a onda de demissões em massa, de redução de salários, de mudanças arbitrárias dos contratos totais, é fácil culpar os russos, os ucranianos e os chineses e não a oligarquia dessas latitudes.

Por tudo isso, o rosto amigo de um professor, de um metalúrgico, de um ex-guerrilheiro, de algum ex-líder de um povo indígena ou de um líder estudantil, de um funcionário de uma instituição financeira ou de um cadeirante que se veste de progressista e que tem a capacidade de conter e prolongar, de dar mais oxigênio a esse cadáver podre da democracia burguesa. Se ele não puder, dê as boas-vindas ao golpe suave e ao próximo com o rosto gentil. O elenco será a ordem do dia.

O LEOPARDO
CANAL YOUTUBER RESISTÊNCIA HIPERBÓREA

domingo, 31 de julho de 2022

O QUE É SER DE ESQUERDA * Professora Alba Valéria da Silva.GO

 O QUE É SER DE ESQUERDA


Ser de esquerda não é votar 

Nem no João nem no Mário

E sim pensar no salário

Que João e Mário não têm.

É votar no ideal

De inclusão social

Sem discriminar ninguém.


Eu não sou contra o empresário

Sou contra o baixo salário

Imposto ao trabalhador

Que  vive sem ter valor

E sou contra o opressor

Que vive de exploração

Contra a direita elitista

Corrupta e egoísta

Que vive de enganação.


Eu não sou contra a família

Que é tradicional

Mas o homossexual

Forma família também

No entanto é discriminado

Mesmo fazendo o bem

Dando lar a uma criança

Que já perdeu a esperança

E que vive sem ninguém. 


A esquerda não deseja

E nem vive na peleja

Pra seu filho ser um gay.

Porém eu aqui cheguei

Para exigir seu direito 

Pois mesmo que vc não queira

O  gay merece respeito.


Eu nunca fui contra os ricos

Sou contra esses esquisitos

Que pensam que são melhores

Do que as pessoas pobres

Que só vivem na labuta

Que nunca fogem da luta

Estão sempre a trabalhar

E que guerra nunca quis

Só quer ver o seu país

Voltando a  prosperar


Eu não sou contra a fartura

Sou contra a amargura

Que faz pai e mãe chorar

Sangrando o coração

Quando um pedaço de pão

Ao filhos não têm pra dar.


Eu não defendo bandido

Defendo o povo sofrido

Que vive sob opressão

De um governo sem noção

Sem ver direitos humanos

Com líderes muito tiranos

Que trazem destruição. 


Eu não sou contra mansões

Eu sou contra os casebres

Onde os pobres são jogados

Por esse bando de hereges

Que pensam que o deus dinheiro

A tudo pode comprar

Se esquecendo que um dia

Essa conta vai chegar.


Ninguém me viu criticando

Esse tal capitalismo

Eu critico o fascismo

Critico a desigualdade

Que traz infelicidade

A quem já vive sofrido

A quem já vive oprimido

Pária da sociedade.


Não sou contra o consumismo

Sou contra a destruição

Que os poderosos estão

Fazendo ao meio ambiente

Oprime, escraviza, mente

Ao índio, dono do chão

Que vê a terra, a nação

Sofrendo com as queimadas

Árvores sendo derrubadas

Para virarem carvão. 


Não sou contra o porte de armas

Sou contra a deseducação

E a falta de consciência

De quem se diz valentão

Quero me livrar de armas

E de livros me armar

Levando o conhecimento

Aonde eu possa chegar. 


Eu não sou contra a igreja

Sou contra os discursos de ódio

Estamos num episódio

Vendo o ódio se espalhar

Vamos falar só verdade

Alertar a sociedade

Para o amor fomentar.


Ser de esquerda é lutar

Por igualdade material. 

É lutar pelo direito

De quem sofre sob o mal

 Pelo direito dos negros.

 Da mulher, do quilombola

Quer do Brasil, quer de Angola

 Defender o trabalhador. 

Com o mal não me misturo

Quero respirar ar puro

Me ajude, por favor 


Ninguém vai ficar estático

Porque só é democrático

Quem vai pra rua lutar

Pelos direitos do outro

E garantir seu lugar

Por isso ergo a voz

Contra esse governo atroz

Que em breve há de acabar


Ser de esquerda nunca foi

Uma opinião política. 

É muito mais que uma crítica

A um governo genocida

É mais que uma condição

É defender a nação

É FILOSOFIA DE VIDA!!


Professora Alba Valéria da Silva.GO

(poetisa do entorno)

*
ANEXO

Trabalhadores tratados como animais: é essa a realidade dos motoristas de ônibus do Rio de Janeiro. Jornadas de 7h, se tornaram jornadas de até 14h de trabalho diário. Além de acumular funções de motorista, segurança e trocador, alguns trabalhadores relatam que caso haja problemas mecânicos nos veículos, ou assaltos, eles são obrigados a pagar o prejuízo. Pra piorar, a classe também descobriu que a empresa responsável não pagou o total de direitos básicos como FGTS e INSS. 

 Se você também se indigna com histórias como essas, você faz parte da CUT! 
Brigadas Digitais Da CUT