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quinta-feira, 31 de julho de 2025

JOÃO GOULART: ANTIIMPERIALISMO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

JOÃO GOULART: ANTIIMPERIALISMO
"João Goulart, Brizola e o Anti-imperialismo: 
Lições de um Projeto Interrompido
Por Aurelio Fernandes

O golpe de 1964 no Brasil ocorreu em um contexto de intensa disputa aberta entre projetos de conciliação e a necessidade histórica de ruptura. Durante esse período, houve confronto entre diferentes interesses, envolvendo potências internacionais, setores da sociedade civil e propostas diversas para o desenvolvimento do país. O governo de João Goulart expressou, em seus limites a tentativa de reformar o país sem romper com a dependência ao imperialismo. O processo resultou na deposição do governo por uma aliança composta por setores das Forças Armadas, grupos econômicos nacionais e internacionais, além de apoio do Departamento de Estado dos EUA.

O imperialismo, como já definira Lenin, não é apenas política externa agressiva, mas expressão da concentração e exportação do capital, de um sistema de dominação econômica, política e militar das grandes potências sobre as nações periféricas. Na América Latina, isso sempre significou subordinação das economias locais, dependência tecnológica, pilhagem dos recursos naturais, repressão aos movimentos populares e uma “classe dominante” local cúmplice, disposta a trair qualquer possibilidade de autonomia nacional em nome de seus próprios privilégios.

João Goulart, herdeiro do trabalhismo de Vargas, nunca foi um revolucionário. Oriundo de setores da oligarquia gaúcha, sua política se orientava pelas margens do possível, tentando negociar entre frações burguesas e responder, ainda que de modo controlado, à pressão das massas. O programa das Reformas de Base — reforma agrária, urbana, educacional, fiscal, controle das remessas de lucros — expressava um diagnóstico correto da dependência, mas não apontava para sua superação efetiva. Seu projeto era o da modernização capitalista com distribuição limitada de direitos e manutenção da ordem, buscando conciliar latifundiários, industriais nacionais e o crescente movimento operário.

O anti-imperialismo de Jango foi, assim, limitado e contraditório. Propôs limitar remessas de lucros ao exterior, pressionou por maior participação estatal em setores estratégicos, mas nunca rompeu com as amarras da dependência nem com o latifúndio. A mobilização popular, especialmente a partir de 1963, encontrou resposta feroz: sabotagem econômica, terrorismo midiático, conspiração militar e intervenção direta dos EUA — comprovada pelos documentos desclassificados e pela presença da “Operação Brother Sam”, pronta para desembarcar tropas caso o golpe encontrasse resistência.

No mesmo cenário, a relação entre João Goulart e Leonel Brizola ilustra dois caminhos distintos dentro do campo nacionalista diante do imperialismo. Ambos partilhavam a crítica à dominação estrangeira e à submissão das elites locais, mas divergiam no método e na radicalidade das respostas.

Enquanto Jango hesitava entre a conciliação das classes e as pressões crescentes do movimento popular, Brizola radicalizava o discurso e a prática anti-imperialista. Para Brizola, o enfrentamento ao imperialismo não se limitava a reformas ou à negociação de direitos, mas exigia uma ruptura real, de massas, ancorada na mobilização popular e com perspectiva socialista.

Na voz de Brizola ecoava o entendimento de que a questão latino-americana era, antes de tudo, uma questão de libertação nacional:
“O problema latino-americano tem de ser concebido como um problema de libertação nacional. (...) É imperativo que a revolução encontre soluções socialistas. E não é uma questão de escolher uma doutrina de um livro. Somente as soluções socialistas é que permitem a defesa dos povos contra o imperialismo.”

Sua atuação durante a Campanha da Legalidade exemplifica o papel central da mobilização popular armada para garantir a soberania nacional, em contraste com a aposta janguista na institucionalidade e nas soluções negociadas:
“Tornou-se necessário que o próprio povo, em impressionante unidade, se mobilizasse de fuzil na mão para que fosse respeitado o direito de o então vice-presidente assumir a Presidência. Foi preciso, enfim, que a nação se visse colocada diante do dilema: guerra civil ou posse ao Senhor João Goulart.”

Brizola era categórico ao afirmar que a força do povo organizado seria o único antídoto ao controle imperialista:
“(...) a organização do nosso povo, eis a tarefa imprescindível, nesse momento. Povo desunido, povo desorganizado é povo submetido, sem condições de defender seus interesses e de realizar seu próprio destino. Se conseguirmos estruturar uma organização razoável estarão criadas as condições para que o nosso povo venha a assumir uma posição não apenas de defesa de suas liberdades, mas, também, para caminhar para si mesmo, em sua própria libertação.”

Diferente de Jango, que oscilava entre reformas limitadas e negociações com setores da burguesia, Brizola apostava na confiança inabalável na capacidade de luta das massas. Para ele, qualquer mudança real dependia da disposição de enfrentar abertamente o imperialismo, pela via da luta popular organizada, como expressa nesta afirmação:
“(...) eu afirmo que o futuro é nosso, do nosso povo, e de nosso País, nessa luta de libertação. E embora considere possível que a lição de tantos erros conduza nosso Governo a uma revisão de seus rumos, devo dizer que é no povo, na sua organização e na sua capacidade de luta que devemos depositar a nossa fé.”

O golpe de 1964 selou a vitória do imperialismo e da reação burguesa sobre a possibilidade de uma via reformista nacional. Veio o ciclo de ditaduras militares, aprofundou-se a dependência, acelerou-se a transferência de riquezas ao exterior e o movimento popular foi submetido a duas décadas de terror e perseguição.

A esquerda, nesse processo, também foi vítima de suas próprias ilusões: o apoio crítico ao governo Goulart e a aposta numa aliança com setores “progressistas” da burguesia resultaram em desarme político e organizativo do proletariado. Faltou independência de classe e direção revolucionária. As massas mobilizadas não encontraram um partido capaz de apontar o caminho da ruptura, da tomada do poder e da transformação radical das estruturas do Estado e da economia.

A lição do janguismo é amarga, mas necessária. Não há soberania nacional possível sob o capitalismo dependente. O anti-imperialismo consequente, na América Latina, exige ruptura revolucionária com as classes dominantes locais, organização independente dos trabalhadores, construção do poder popular e orientação socialista do desenvolvimento. As tentativas de conciliação e reformismo servem, no limite, apenas para adiar — e, por vezes, facilitar — a ofensiva do imperialismo e das elites nativas.

A luta anti-imperialista segue atual. A cada ofensiva do capital financeiro internacional, a cada ataque aos direitos, a cada projeto de privatização e entrega das riquezas nacionais, reafirma-se a necessidade de unidade da classe trabalhadora da cidade, do campo e das florestas para construir um novo caminho: libertação nacional, poder popular e socialismo."
JOÃO GOULART: AS LUTAS SOCIAIS NO BRASIL
O Comício da Central do Brasil
Sala de Notícias
JOÃO GOULART ANTIIMPERIALISTA
REFORMAS REAIS
REFORMAS DE BASE

Geralmente, no entanto, a expressão “reformas de base” se refere às propostas que vinham do governo Goulart. E que tinham um viés de enfrentamento das desigualdades históricas do país.

“Com o nacional-desenvolvimentismo de Juscelino [Kubitschek, antecessor de Goulart], a ideia era a da frase dos ‘50 anos em cinco’: vamos crescer. Jango queria dar um passo adiante: criar uma nação mais inclusiva, democratizar a República”, afirmou ao Nexo Sérgio Montalvão, doutor em história e professor da UFF (Universidade Federal Fluminense).

As reformas de base se tornaram o núcleo do projeto de desenvolvimento de Goulart, especialmente após o plebiscito que definiu a volta do sistema presidencialista, em 1963, após 17 meses de parlamentarismo.

“O caminho das reformas é o caminho do progresso pela paz social. Reformar é solucionar pacificamente as contradições de uma ordem econômica e jurídica superada pelas realidades do tempo em que vivemos”

João Goulart

então presidente do Brasil, em comício na Central do Brasil no dia 13 de março de 1964

Entenda abaixo quais eram as principais propostas e objetivos das reformas de base.

Reforma eleitoral

A Constituição de 1946 dizia que os analfabetos e os militares de baixa patente não tinham o direito ao voto. O governo Goulart quis acabar com essas restrições.

Com a reforma eleitoral, o governo pretendia aumentar a participação popular nas eleições. Cerca de 40% da população brasileira em 1960 não sabia ler ou escrever. Ao incluir sargentos e praças no sistema eleitoral, o governo também pretendia se aproximar de parte da classe militar.

A ideia mais ampla da reforma era reduzir a influência das elites sobre o Congresso Nacional. A partir de um Congresso mais representativo, ficaria mais fácil aprovar outras reformas.

Reforma administrativa

A reforma administrativa estava associada com a forma como o governo Jango pretendia conduzir a economia brasileira. A ideia era que o Estado tivesse um papel importante de indução do crescimento.

Com a reforma administrativa, o governo tinha duas intenções centrais. A primeira era racionalizar, via concursos, o processo de contratação de funcionários públicos. O objetivo era tornar o quadro mais técnico e reduzir o papel dos apadrinhamentos dentro da máquina federal.

Além disso, o governo entendia que a economia havia passado por mudanças profundas nos anos 1950, com o esforço de industrialização conduzido sob Kubitschek. Portanto, era necessário adaptar a estrutura do Estado, criando órgãos que refletissem essa nova realidade econômica e dessem ao governo maior capacidade de planejamento.

Reforma tributária

Como parte do esforço para redução das desigualdades, o governo Jango também pretendia passar uma reforma tributária. Para isso, queria aumentar a carga do Imposto de Renda, tornando-o mais progressivo (com maior peso para os mais ricos); e diminuir a parcela da arrecadação vinda de tributos sobre o consumo, que são regressivos (mais pesados para os mais pobres).

Outra intenção do governo era aumentar sua arrecadação, para conseguir reduzir o deficit público e financiar os investimentos ligados ao conjunto das reformas de base. Para isso, pretendia combater a sonegação e modernizar o sistema de recolhimento de impostos.

Reforma bancária

A reforma bancária tinha duas intenções principais. A primeira era ampliar o financiamento para o desenvolvimento brasileiro. Para isso, o governo propunha mecanismos de ampliação e direcionamento de crédito, em especial para o setor rural. Também colocava a possibilidade de que o governo se financiasse com títulos públicos.

Além disso, a gestão Goulart pretendia enfrentar a crescente inflação que atingia o país. Para isso, sugeriu criar um órgão que centralizasse a política monetária, antes conduzida por várias instâncias diferentes. Em outras palavras, Goulart pretendia criar um Banco Central, tendo como uma das intenções disciplinar a emissão de moeda para ajudar a conter a inflação.

Reforma universitária

Goulart também propôs ampliar o acesso às universidades e incentivar a produção de pesquisa científica para auxiliar o país no seu processo de desenvolvimento econômico e social.

Também sugeriu o aumento da autonomia universitária, a ampliação da liberdade docente e o fim do sistema de cátedras vitalícias , que seria substituído por um sistema de departamentos.

A reforma universitária dialogava com diretrizes mais amplas do governo Jango com relação à educação. “Também estava previsto no horizonte de Goulart a multiplicação nacional das experiências do método Paulo Freire, pela via de um plano nacional de alfabetização”, disse Spohr, do FGV-CPDoc.

Reforma cambial

O Brasil enfrentava um problema recorrente de desequilíbrio cambial: muito mais moeda estrangeira saía do país do que entrava. Jango propôs, então, o “monopólio do câmbio” — ou seja, o controle das cotações cambiais.

O valor ficaria suficientemente baixo para estimular as exportações, mas o governo iria intervir para garantir taxas mais baixas para importações de bens importantes para o desenvolvimento, como máquinas e equipamentos. O governo falava também em restringir a importação de bens considerados “luxuosos e supérfluos”.

A reforma cambial tinha ligação com a lei que restringia as remessas de lucro para o exterior, colocada em prática em 1962, cuja intenção era evitar a saída de moeda estrangeira e fazer com que as empresas reaplicassem seus lucros no Brasil.

Reforma urbana

O Brasil passava no século 20 por um período de rápida urbanização, acompanhando o crescimento da indústria nacional. Não demorou muito para que o país se deparasse com um problema de deficit habitacional nos centros urbanos.

Goulart propôs, então, uma reforma urbana com uma série de medidas. A principal era colocar um limite para quantos imóveis poderiam pertencer a uma pessoa. Os imóveis “excedentes” seriam, então, desapropriados pelo governo e vendidos a trabalhadores, com prazos de financiamento longos e juros subsidiados.

Essa política seria complementada com investimentos para construção de moradias populares.

Reforma agrária

A reforma agrária era talvez a principal reforma proposta pelo governo Jango.

A Constituição de 1946 dizia que, para uma terra ser desapropriada “por utilidade pública ou interesse social”, o governo precisaria pagar previamente uma indenização em dinheiro. Goulart quis alterar esse dispositivo, substituindo por um sistema de pagamento em títulos públicos e a longo prazo.

A reforma também proibia manter a terra improdutiva — o governo poderia desapropriar terrenos em total ou parcial desuso. A medida também previa obrigações para que as propriedades rurais produzissem alimentos.

Em outra frente, Goulart planejava estimular a produção do campo. O aumento da oferta de produtos agrícolas poderia suprir as demandas de alimentos do país, resultar na ampliação de exportações e contribuir para aliviar a inflação.

A reforma agrária acabou se transformando no principal eixo das reformas de base de Goulart, impulsionado por um discurso centrado na ampliação do acesso à terra e no combate à miséria e às desigualdades históricas no campo. Trabalhadores rurais passariam a ter direitos que antes cabiam somente aos trabalhadores urbanos, como acesso à Previdência e salário mínimo.

“A reforma agrária teve um peso muito grande porque o Brasil era ainda um país muito agrário. E ela gerava um conflito enorme”, disse Spohr, da FGV.

“Havia uma visão de que a reforma agrária seria a ‘reforma das reformas’”, afirmou Montalvão, da UFF. “O Brasil precisava superar o atraso, e a maior manifestação do atraso era o latifúndio”, disse.

Que fim levaram as reformas?

As reformas de base não chegaram a ser implementadas pelo governo Goulart, segundo os historiadores ouvidos pelo Nexo. “Era um projeto de Estado que começou a ser construído, mas não passou de fato a valer”, disse Spohr.

A professora argumentou, no entanto, que os temas colocados pelas reformas continuaram em pauta após o golpe de 1964. Tanto que o governo militar tomou medidas, de início, como a criação do Banco Central, em 1964, e a reforma tributária de 1965.

“Muitas das reformas foram feitas durante a ditadura, mas não a partir da perspectiva progressista. A partir de 1964, a maior parte dessas reformas foi implementada sob o interesse do empresariado e dos militares”, afirmou a pesquisadora.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2024/03/24/o-que-eram-as-reformas-de-base-centrais-no-golpe-de-64
© 2025 | Todos os direitos deste material são reservados ao NEXO JORNAL LTDA., conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida.
JANGO NA CHINA
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domingo, 14 de julho de 2024

CARTA AOS REVOLUCIONÁRIOS * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

  *CARTA AOS REVOLUCIONARIOS*


Como os companheiros bem sabem, o sistema capitalista vive uma profunda crise estrutural que atinge o seu organismo como totalidade.


Há muito a crise que atinge o modo de produção capitalista, não é apenas somente econômica, mas social, política, civilizatória, etc; enfim, a crise possui um caráter universalizante e ameaça de forma objetiva a própria sobrevivência da humanidade.


O momento atual tem como uma de suas marcas, o auge da contra-revolução; aberta sobretudo, desde o fim da União Soviética e queda do Muro de Berlim, acontecimentos históricos que expressaram dura derrota do proletariado mundial.


 A fragmentação em que se encontra a esquerda revolucionária brasileira, potencializa seu isolamento em relação a classe, fator que contribui inexoravelmente para a solidificação da contra-revolução burguesa.


Nesse sentido, torna-se mesmo imperativo construir no país um polo autenticamente revolucionário, que aglutine os melhores, mais combativos e abnegados elementos da vanguarda classista para criar de fato, as bases de um partido comunista da revolução brasileira.


Nesta perspectiva buscamos construir junto às demais organizações proletárias e comunistas este instrumento de Frente de Lutas, que pode tornar-se um embrião do partido revolucionário, não como ficção, mas sim concretamente. Dessa forma propomos a aproximação de todas as correntes, no sentido de atuação pela via política da Frente Única de esquerda.


*Propomos pôr de pé uma imprensa operária, popular e comunista, que saiba fazer seu papel de esclarecer e despertar as massas trabalhadoras. Que saiba, em seu cotidiano e intervenção, fazer a ponte dialética entre o programa mínimo e as necessidades históricas da revolução brasileira em nossa agitação e propaganda;


*Propomos fortalecer a Frente Única Revolucionária dos trabalhadores brasileiros, que centralize as organizações revolucionárias, no sentido de superar nossa fragmentação e fortalecer nossa atuação junto às massas;


*Propomos deliberar uma agenda de atuação e intervenção na atual conjuntura  histórica gravíssima, visto que o tempo corre.


Com a perspectiva de avançarmos para a construção de um instrumental para potencializar as lutas dos explorados, diante de uma conjuntura  marcada pela guerra de classe que a burguesia declarou ao povo brasileiro, é que apresentamos as propostas acima aos demais camaradas. 


Saudações revolucionárias

!!!!!!

Frente Revolucionária dos Trabalhadores

FRT

...

domingo, 7 de julho de 2024

MANIFESTO DA FRENTE AMPLA POLÍTICO-IDEOLÓGICA DE ESQUERDA * Frente Ampla de Organizações de Esquerda/Bolívia

MANIFESTO DA FRENTE AMPLA POLÍTICO-IDEOLÓGICA DE ESQUERDA
Pronunciamento de mobilização e corrida de protesto do 4 de Julho

... 4 de julho , nos reunimos como forças de esquerda, movimentos e organizações social, sob um único slogan que é o solidariedade internacionalista com o cidades que são vítimas de desumano bloqueando econômico, ele genocídio sistemático e ele papel de as grande correntes meios de comunicação que eles controlam o imprensa mundo, contra a flagrante intervenção à soberania dos Estados sob doutrinas políticas e ações militares promovidas pelos Estados Unidos através suas 800 bases militares em todo o mundo.

Em ele dia que estado Ingressou comemora dele independência, nos unimos nosso vozes denunciando o Os duplos padrões ianques e os cipaios da nossa região, que ELE eles emprestam e eles fazem parte do jogo midiático encarregado de manipular o verdade e memória histórica de acordo com mais sanguinário, como o genocídio de Benjamin Netanyahu, antes as 198 nações que formar a ONU, a retornar do fascismo, conflitos de guerra, extermínio étnica, com o objetivo de o recursos naturais dos países subdesenvolvidos e que o avançar grande crise de sistema capitalista.

Apoio histórico dos EUA EUA As ditaduras e golpes de estado na região sempre tiveram como objetivo a apropriação dos recursos naturais dos países sul-americanos. Argentina, Bolívia e Chile compõem hoje o Triângulo do Lítio de grande interesse para o Departamento de Estado, considerando-o de interesse para a segurança nacional. O imperialismo era culpado de Milhares de pessoas torturado, assassinado e ausente.

EUA Os EUA usaram as forças militares dos países intervencionados para perseguir, prender e assassinar líderes políticos.

O governo argentino demonstrou o seu franco alinhamento com os Estados Unidos e as suas políticas intervencionistas. PARA através de o presença de Antônio Piscar, secretário de estado de 
o governo dos EUA alinhou-se fortemente com o início de sua administração, obtendo uma série de armas de guerra como aeronaves F16 usadas e outros equipamentos militares, instalando bases militares buscando fazer do país vizinho uma base geopolítica dentro dos seus interesses, os quais são como mencionados. Laura Richardson, general e comandante do cone sul do exército dos Estados Unidos: “a Amazônia com 31% da água doce do mundo, combustível, ouro, cobre, reservas de elementos raros, o triângulo do lítio; que representa 60% do lítio do planeta e é encontrado nesta região.” O governo argentino iniciou a construção de uma nova base militar integrada na província da Terra do Fogo, extremo sul do país, sendo a entrada do cone sul para obtenção de recursos naturais.

Em Cuba, o bloqueio é um ato de guerra em tempos de paz Antes mesmo do triunfo da revolução cubana, o presidente dos Estados Unidos colaborou com a ditadura de Fulgêncio Batista para impedir o triunfo do Exército Rebelde, comandado por Fidel Castro. , quando sua vitória era iminente. A agressividade da Administração Eisenhower contra Cuba manifestou-se de ele mesmo 1º de Janeiro de 1959, para o abraçar para o assassinos e torturadores de a ditadura de Batista, que fugiu para os Estados Unidos com mais de 400 milhões de dólares pertencentes a fundos públicos cubanos.

São mais de 62 anos de bloqueio económico, financeiro e comercial aos quais o povo cubano resiste. Nos últimos anos, o bloqueio criminoso do governo dos EUA contra Cuba intensificou-se “extremamente a níveis sem precedentes” desde 2019 e durante a pandemia, com o objetivo de superar a fome e a necessidade do povo cubano. Como consequência do bloqueio, de facto, a economia cubana tem sofrido pressões extraordinárias que se manifestam na indústria, na prestação de serviços, na escassez de alimentos e medicamentos e na deterioração do nível de consumo e do bem-estar geral da população.

A Palestina vive o momento mais crítico e mortal de anos de isolamento, desmembramento do seu território e Após o massacre sistemático da sua população, é necessário compreender o papel do sionismo como ideologia na negação e ocupação do território palestino, bem como na criação do Estado de Israel.

Durante 76 anos a expulsão violenta de centenas de milhares de palestinianos das suas casas, cometendo crimes de guerra. Ainda mais, em 7 de outubro de 2023, o A maior ofensiva de Israel contra o povo palestino, desde então assistimos a um genocídio em tempo real que nenhum estado Ingressou, ele principal financista desta barbárie, Nem mesmo os países da NATO conseguiram censurar completamente. Diante desta realidade, mobilizações têm sido realizadas de protesto em todos ele mundo, que eram objeto de brutal repressão polícia.

Denunciamos os bombardeamentos contínuos, o uso de armas químicas ilegais, a destruição de campos de refugiados, de hospitais, todos os espaços habitáveis ​​estão a ser destruídos, mergulhando a população na miséria e na morte. Embora o Tribunal Internacional de Justiça tenha reconhecido que Israel está cometendo atos do genocídio, esse Não ha parou. estado Os Estados Unidos atribuíram mil milhões de dólares para continuar a armar Israel na guerra contra o povo palestiniano, considerando isso como imperativo para a sua segurança nacional. A luta da Palestina é hoje a luta de todos os povos.

Na Bolívia e na região com o “Plano Condor” da década de 1960, os Estados Unidos da América desencadearam uma campanha de repressão política e terrorismo de Estado. Este plano foi organizado e financiado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos que envolve uma série de ditaduras militares na região; Bolívia com Banzer Suarez – 1971; Argentina com Jorge Videla 1975; Chile com Augusto Pinochet - 1974. Neste contexto, operações de inteligência, perseguição política, prisão e assassinato de opositores, e foi causa de mais de 80 mil assassinatos e de mais de 400 mil presos políticos. Em 1980, o General Luis García Meza deu um golpe de Estado, um dos avançar sangrento de o história de Bolívia, que tive como mirar eliminar todos vestígio socialista na Bolívia, antes do retorno à democracia em 10 de outubro de 1982.

O golpe de estado de 2019 na Bolívia, nos Estados Unidos, apesar de sua interferência usando Luis Almagro, secretário da OEA, e agentes da CIA como Carlos como cúmplice e ator Sánchez Berzaín; o oposição de extrema-direita como ser Fernando Camacho, Jeanine Añez, Tuto Quiroga, Doria Medina, Carlos Mesa e a Igreja Católica não conseguiram lidar com o povo boliviano. Quando ocorreu a ruptura constitucional, geraram-se revoltas populares em luta e protestos, que eles acabaram em o repressão e abate contra ele cidade boliviano com ele lamentável número de 36 morto, 832 ferido e avançar de 1500 detido em Senkata, Sacaba e outras partes do país.

El 8 de octubre de 2019 doce días antes a través de una página de inteligencia de los Estados unidos “BEHIND BACK DOORS” anunciaba el golpe en Bolivia, donde a través de la USAID, se financiarán los movimientos y la aplicación de los planes para derrocar a nós governo democrático, ELE indica também o coordenação com alto controles de militares reformados pela coordenação do plano, começando pelo motim policial e pela greve cívica, tudo isto graças a Peter Brennan, encarregado de negócios dos Estados Unidos Unidos en Bolivia que se reunió con Carlos Mesa y los demás opositores, después Mariane Scott ministra consejera de la embajada y otros, se reunieron con los cancilleres de Bolsonaro, Piñera y Macri para denunciar el falso “fraude” y dar inicio a la desestabilización del País.

Hoje a Bolívia atravessa um dos momentos mais críticos de sua história. O imperialismo ianque procura novamente o controlo do nosso território, tanto pelas imensas riquezas que possui, como o lítio e as terras raras, como pela sua localização geoestratégica que o torna um actor fundamental na integração regional. A lógica económica do imperialismo é avassaladora. O processo de implosão do MAS foi perfeito para eles, com alto impacto nas organizações sociais. Portanto, o Golpe de Estado fracassado de Zúñiga não é apenas um ensaio na implementação deste plano macabro, mas também tem continuidade na narrativa do Autogolpe, criado artificialmente para continuar a guerra de desgaste contra o governo e o povo boliviano. Neste contexto, as declarações falsas e provocativas do governo Milei correspondem ao papel que o imperialismo lhe atribuiu, de gerar uma corrente fascista no continente que semeia a discórdia entre os países para impedir por qualquer meio a integração regional. Na hora de Para rejeitar esta provocação, devemos denunciar que os capangas do novo bloco de direita se prestam a estes propósitos anti-nacionais e contra a unidade da Grande Pátria.

Que é com justiça o razão por o que Débora Hévia era designada Gerente de Negócios dos EUA na Bolívia, está na Bolívia para materializar a implosão do MAS e do processo democrático, em uma gravação de áudio com total clareza, explica sua estratégia e tática para expulsar o MAS do poder, em suas duas versões, destruí-los organicamente , confrontá-los, levando-os ao caos e à beira de uma guerra civil.

Nesse sentido, o povo boliviano rejeita os abusos e a interferência norte-americana em nosso território, nos declaramos em mobilização permanente e em estado de emergência diante de qualquer tipo de tentativa de golpe ou tentativa de desestabilizar nosso governo democrático.

Resoluções

1. Expulsão de Debra Hevia, Encarregada de Negócios dos EUA na Bolívia , por não respeitar a soberania e o carácter intervencionista do nosso país, e evitar mais um golpe de Estado, concebido a partir do seu gabinete, e salvaguardar a nossa democracia.

2. Cessação imediata de todas as agressões, bloqueios e genocídios na Faixa de Gaza . Ratificamos o direito inalienável do povo palestino à sua livre autodeterminação, a um Estado independente e soberano com as fronteiras anteriores a 1967.

quarta-feira, 1 de maio de 2024

INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO # Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO

LER E SER

Acordo
Ou adormeço?
Olho para os livros,
E esqueço!
Queria ser livre...
Correndo em meu ninho
Lá fora, asa e passarinho!
Em casa, vontade de berço!
Sonho com cada História...
Aconteço num espaço imperfeito,
E sem vitória,
Me desfaço e aceito!
Eles estão na estante
E tenho poucos instantes
De liberdade!
Viagem...
Sou covarde ?
Ou a necessidade
De sobrevivência
É que arde?

Dalva Silveira/MG

Morreram? Quem disse, se vivos estão!
Não morre a semente lançada na terra.
Os frutos virão.
Morreram? Quem disse, se vivos estão!
As flores de hoje, darão novos frutos.
Meus olhos verão
Lila Ripoll

DOCUMENTÁRIO LUTA DE CLASSE
COORDENADORIA SIMON BOLÍVAR
ARGENTINA
A INTERNACIONAL / GRUPO MUSICAL COLÔMBIA
BOLÍVIA
JOSÉ ANTONIO BENITEZ BUAIS
Desde Palestina les mandamos un saludo solidario y afectuoso a todos los trabajadores y trabajadoras en el Día Internacional del Trabajador.

FIST.RJ
PRIMEIRO DE MAIO FRANCÊS

DIA DE REFLEXÃO E PROTEXTO!

Primeiri de maio
Dia do trabalhador
Que alta burguesia dominante
Não se cansa em tentar apagar a historio;
Destorcendo a realidada
Anuncia o dia do trabalho...
Na farsa nazifascista
Tentam transformar
O dia do trabalhador
Em data festiva...
... O dia do trabalhador
É dia de reflexão e protesto
Contra os massacres constantes
Das classes dominantes.
Históricos inimigos
Dos massacrados trabalhadores...
...Tabalhadores, uni-vos em todo o planeta
Contra o imperialismo selvagem!

São Luís, 1 de maio de 2o24

J. Ernesto Dias
AO TRABALHADOR

Ruben Dário

Canto ao trabalhador: o seu desejo
e seu braço e seu tesouro;
trabalhando ganhe ouro,
ouro, pai do pão.

Eu canto para aquele que é fiel ao dever,
do mundo diante do sopro bruto,
com sua enxó, com seu cinzel,
com sua lima e seu cinzel.

Para quem está em seu trabalho,
onde espaços de pensamento,
da augusta aristocracia
de dever e honra.

Mulher e homem, ambos em dois,
fazem o trabalho irradiar;
eles cumprem como ninguém
os mandamentos de Deus.

Faixa brilhante
isso deveria ser abençoado,
a de quem ganha a vida
com o suor do seu rosto.

E o bom trabalhador
que, para onde vai, disse sai;
é mel, como a abelha;
sua casa, como o castor.

O braço vem do coração,
o poderoso instrumento,
e pensar é trabalho
e oração é trabalho

Deus, que fez todas as coisas,
Ele é um ótimo trabalhador:
Ele é o pintor divino
que pintou todas as rosas.

E reunindo seu poder
uma estátua e uma estrela,
ele fez a coisa mais linda
deste mundo: a mulher.

Deus conceda esse trabalho
tudo o que é concebido:
as estrelas lá em cima
e as flores aqui embaixo.

Em duas coisas que anseio
a felicidade está bloqueada:
trabalhar aqui na terra
e adorar lá no céu.

Eu concluo. Tenha coragem.
O cara que te abandona fala com você:
Trabalhador, imite a abelha;
trabalhador, imite o castor!


Valparaíso, fevereiro de 1889
NICARÁGUA
Primeiro de Maio - Chico Buarque

Hoje a cidade está parada
E ele apressa a caminhada
Pra acordar a namorada logo ali
E vai sorrindo, vai aflito
Pra mostrar, cheio de si
Que hoje ele é senhor das suas mãos
E das ferramentas
Quando a sirene não apita
Ela acorda mais bonita
Sua pele é sua chita, seu fustão
E, bem ou mal, é seu veludo
É o tafetá que Deus lhe deu
E é bendito o fruto do suor
Do trabalho que é só seu
Hoje eles hão de consagrar
O dia inteiro pra se amar tanto
Ele, o artesão
Faz dentro dela a sua oficina
E ela, a tecelã
Vai fiar nas malhar do seu ventre
O homem de amanhã
*

segunda-feira, 27 de março de 2023

CARTAS A CHÊ GUEVARA * FREI BETTO-SP

CARTAS A CHÊ GUEVARA - I

FREI BETTO/SP

Querido Che,

Passaram-se muitos anos desde que a CIA te assassinou nas selvas da Bolívia, em 8 de outubro de 1967. Tu tinhas, então, 39 anos de idade. Pensavam teus algozes que, ao cravar balas em teu corpo, após te capturarem vivo, condenariam tua memória ao olvido. Ignoravam que, ao contrário dos egoístas, os altruístas jamais morrem.

Mudanças radicais ocorreram nesses trinta e seis anos. O muro de Berlim caiu e soterrou o socialismo europeu. Muitos de nós só agora compreendem tua ousadia ao apontar, em Argel, em 1962, as rachaduras nas muralhas do Kremlin, que nos pareciam tão sólidas.

Quem sabe a história do socialismo seria outra, hoje, se tivessem dado ouvido às tuas palavras: “O Estado às vezes se equivoca. Quando ocorre um desses equívocos, percebe-se uma diminuição do entusiasmo coletivo devido a uma redução quantitativa de cada um dos elementos que o formam, e o trabalho se paralisa até ficar reduzido a magnitudes insignificantes: é o momento de retificar”.

Che, muitos de teus receios se confirmaram ao longo desses anos e contribuíram para o fracasso de nossos movimentos de libertação. Não te ouvimos o suficiente. Da áfrica, em 1965, escreveste a Carlos Quijano, do jornal Marcha, de Montevidéo: “Deixe-me dize-lo, sob o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar num revolucionário autêntico sem essa qualidade”.

Alguns de nós, Che, abandonaram o amor aos pobres que, hoje, se multiplicam no mundo. Deixaram de se guiar por grandes sentimentos de amor para serem absorvidos por estéreis disputas partidárias e, por vezes, fazem de amigos, inimigos, e dos verdadeiros inimigos aliados. Minados pela vaidade e pela disputa de espaços políticos, já não trazem o coração aquecido por ideais de justiça.

Quando o amor esfria, o entusiasmo arrefece e a dedicação retrai-se. A causa como paixão desaparece. O que era “nosso” ressoa como “meu” e as seduções do capitalismo afrouxam princípios, transmutam valores e, se ainda prosseguimos na luta, é porque a estética do poder exerce maior fascínio que a ética do serviço.

Teu coração, Che, pulsava ao ritmo de todos os povos oprimidos e espoliados. Saíste todo o tempo de ti mesmo, incandescido pelo amor que, em tua vida, se traduzia em libertação. Por isso podias afirmar, com autoridade, que é preciso ter uma grande dose de humanidade, de sentido de justiça e de verdade para não cair em extremos dogmáticos, em escolasticismos frios, em isolamento das massas. Todos os dias é necessário lutar para que este amor à humanidade viva se transforme em fatos concretos, em gestos que sirvam de exemplo, de mobilização”.

Quantas vezes Che, nossa dose de humanidade ressecou-se calcinada por dogmatismos que nos inflaram de certezas e nos deixaram vazios de sensibilidade com os dramas dos condenados da Terra! Quantas vezes nosso senso de verdade cristalizou-se em exercício de autoridade.

Apesar de tantas derrotas e erros, tivemos conquistas importantes. Movimentos populares irromperam em todo o continente. Hoje, em muitos países, são mais bem organizados as mulheres, os camponeses, os operários, os índios e os negros. Entre os cristãos, parcela expressiva optou pelos pobres engedrou a Teologia da Libertação. Extraímos s consideráveis lições das guerrilhas urbanas dos anos ; da breve gestão de Salvador Allende; do governo democrático de Maurice Bishop, em Granada, massacrado pelas tropas dos EUA; da ascenção e queda da Revolução Sandinista; da luta do povo de El Salvador. No Brasil, o Partido dos Trabalhadores chegou ao governo com a eleição de Lula na Guatemala, as pressões indígenas conquistam espaços significativos no México, os zapatistas de Chiapas põem a nu a política neoliberal.

Há muito a fazer. De onde estás, Che, abençoa todos nós que comungamos teus ideais e tuas esperanças. Abençoa todos nós que, diante de tanta miséria a erradicar vidas humanas, sabemos que não nos resta outra vocação senão converter corações e mentes, revolucionar sociedades e continentes. Sobretudo, abençoa-nos para que, todos os dias, sejamos motivados por grandes sentimentos de amor, de modo a colher o fruto do homem e da mulher novos.

CARTAS A CHÊ GUEVARA II

Querido Che,

Trinta anos após seu assassinato na Bolívia, escrevi-lhe a primeira carta aberta. Agora, às vésperas de se completarem 50 anos, no dia 8 de outubro de 2017, volto a escrever-lhe esta nova carta.

Você deu a vida pela libertação da América Latina e de todos os povos oprimidos. Seu exemplo simboliza uma esquerda que, dentro da própria esquerda, é considerada romântica. Há companheiros e companheiras que miram a sua trajetória como equivocada por ter valorizado a luta armada e mergulhado nas selvas da Bolívia, acreditando que a penúria em que viviam os camponeses seria um fator propício a despertar-lhes a consciência política.

Não concordo com tais críticas. Considero-o um asceta da utopia. Não eram os conceitos marxistas que, prioritariamente, o mobilizavam. Era a sensibilidade indignada frente à miséria e ao desamparo. Por isso se fez médico. E por isso percorreu a América Latina para, voluntariamente, cuidar de enfermos desprovidos de recursos. A dor humana o comovia. A exclusão social o revoltava. O marxismo serviu-lhe de método para desvendar as causas da injustiça.

Essa busca o levou ao México e, lá, a unir-se aos revolucionários cubanos, sobreviventes do ataque ao quartel Moncada, em 1956, na luta contra a tirania de Fulgêncio Batista. Além de médico em Sierra Maestra, você se destacou como líder guerrilheiro e se tornou um dos comandantes do Exército Rebelde. Vitoriosa a Revolução Cubana em 1959, você ocupou funções ministeriais importantes, inclusive a presidência do Banco Central, para forjar os alicerces da sociedade socialista da ilha revolucionária.

Você estava em paz consigo mesmo e com a história, querido Che. Poderia ter permanecido em Cuba até o fim de seus dias. No entanto, ousou fazer um gesto semelhante ao do jovem Francisco de Assis, no século XIII: abandonou o poder e, anonimamente, deslocou-se para o Congo e, em seguida, para a Bolívia, coração da América do Sul, movido pelo sonho de emancipar a Pátria Grande Latino-Americana. Como me disse Fidel, fosse você católico, a Igreja o proclamaria santo, como fez com a guerreira francesa Joana D’Arc.

Os tempos mudaram e, hoje, guerrilhas já não se justificam na América Latina. A última que resta, a das FARC na Colômbia, busca em Havana um acordo de paz com o governo colombiano. Isso não significa que a luta armada esteja definitivamente riscada da agenda da esquerda. Na atual conjuntura democrática, na qual não nos defrontamos com regimes ditatoriais, a luta armada interessa apenas a dois setores: à extrema direita e aos fabricantes de armas.

Porém, se no futuro as vias democráticas forem de novo suprimidas, não restará ao nosso povo senão o recurso tomista do tiranicídio. Quando a força do direito é negada pelos opressores, não resta aos oprimidos senão o direito à força.

A atual conjuntura do nosso continente é substancialmente diferente da que você conheceu nas décadas de 1950 e 1960, e também de quando lhe escrevi a primeira carta aberta, em 1997. Nos últimos 50 anos, a América Latina passou por três grandes ciclos. Primeiro, a partir de 1960, as ditaduras que proliferaram por quase todos os países da região, patrocinadas pelo sucessivos governos dos EUA. Elas deixaram um rastro indelével de sangue mas, felizmente, foram vencidas pelas forças democráticas.

Em seguida, veio o ciclo dos governos “messiânicos” neoliberais: Collor no Brasil; Menem na Argentina; Fujimori no Peru; Caldera na Venezuela; García Meza na Bolívia etc. Todos fracassaram e, nas urnas, foram rechaçados pelo povo.

Após um breve período de governos social democratas, a via democrática burguesa não impediu o surgimento de governos democrático-populares: Ortega na Nicarágua; Chávez e Maduro na Venzuela; Lula e Dilma no Brasil; Morales na Bolívia; Salvador Sánchez en El Salvador; os Kirchner na Argentina; Correa no Equador; e Mujica no Uruguai.

Agora, Che, parece que esse ciclo progressista se esgota. Se salva Cuba, a única nação socialista da América Latina e do Ocidente. É nosso dever indagar por que nossos governos de centro-esquerda não lograram conquistar sustentabilidade. Atribuir a causa apenas à ofensiva imperialista estadunidense é fácil. Difícil é fazer autocrítica e admitir os erros cometidos, de modo a superar o atual impasse.

Nossos governos democrático-populares confiaram demasiadamente na reprimarização de suas economias. Investiram prioritariamente no mercado de commodities. Adotaram uma política de expansão agropecuária e extrativista profundamente danosa ao meio ambiente e às comunidades rurais, indígenas e quilombolas.

Graças à alta do preço do barril de petróleo, e também de minerais e produtos do agronegócio, como a soja e a carne, nossos governos amealharam suficientes recursos para equilibrar suas contas, romper vínculos com o FMI, reunificar a América Latina e o Caribe, tirar Cuba do limbo diplomático e, sobretudo, financiar programas sociais que livraram da miséria milhões de famílias. Contudo, não souberam aproveitar a maré favorável para tornar nossos países menos dependentes das flutuações do comércio exterior e das oscilações econômicas das nações metropolitanas.

A estratégia para promover a inclusão dos mais pobres foi equivocada – pela via do consumo. Não se propiciou a eles condições de produção e, portanto, emancipação. Não se tocou nas estruturas que, ainda hoje, fazem de nosso continente o primeiro em desigualdade social.

No caso do Brasil, os pobres foram integrados como consumidores, e não como cidadãos. Tiveram acesso a bens pessoais (celular, computador, geladeira, TV, micro-ondas, fogão etc.) e não a bens sociais de qualidade (educação, saúde, moradia, saneamento, transporte coletivoetc.). Alguns de nossos governos julgaram, equivocadamente, que agradariam aos ricos ao evitar a revolta dos pobres, e também contentariam os pobres ao canalizar recursos, antes destinados aos ricos, a programas sociais.

Essa política compensatória contentou, principalmente, o sistema financeiro, responsável pela ampliação do crédito e beneficiado regiamente pelas extorsivas taxas de juros.

Frente à pobreza, adotou-se exatamente a receita prescrita pelo Banco Mundial: tratá-la com medidas administrativas, sem alterar as estruturas causadoras de desigualdade social. Não se promoveram reformas estruturais, como a agrária, a trabalhista, a política e a tributária.

Tal assistencialismo de Estado favoreceu a despolitização dos segmentos populares. Maquiou-se a luta de classes, pois o consumismo cria no pobre a ilusão de ascensão social, graças ao acesso a mercadorias impregnadas de fetiche ou a produtos símbolos de status, como celular e carro.

Ao contrário de Cuba, que criou uma cultura de resistência e partilha, em nossos países a consciência de classe foi ofuscada pela aspiração de alpinismo social. Muitos sonham em ser ricos, e a classe média se sente incomodada por ver o “pobretariado” ameaçando ocupar os seus espaços, inclusive o político, como a eleição a presidente de um metalúrgico no Brasil e de um índígena na Bolívia.

Abandonou-se o trabalho político de base. Acreditou-se que a máquina governamental seria suficiente para mobilizar a população. Não houve o cuidado de organizar politicamente os beneficiários dos programas sociais. E, no Brasil, o inimigo encontrou suficiente espaço para prosseguir utilizando a mídia segundo seus interesses, e revestir o seu discurso político de exacerbado moralismo, sobretudo no combate seletivo à corrupção, sem que os corruptos de direita fossem igualmente punidos.

Depois das análises de Piketty, querido Che, estou convencido de que não se erradica a pobreza sem combater a riqueza. Sem reduzir o poder da especulação financeira e priorizar a atividade produtiva. Sem impor regras ao capital financeiro e limites ao mercado. Sem abraçar convictamente um amplo programa de preservação ambiental, do qual os principais protagonistas têm que ser os que, hoje, são as maiores vítimas da degradação, os camponeses, os povos indígenas e os quilombolas.

Nem tudo, entretanto, está perdido. Há que guardar o pessimismo para dias melhores. Na base social, brilham luzes de esperança, como as mobilizações estudantis, operárias e camponesas; as iniciativas de economia solidária; o paradigma indígena do “bem viver”; os novos partidos que não se envergonham de afirmar que “o outro mundo possível” terá de ser socialista ou simplesmente não será, considerando que o capitalismo esgotou a sua cota de relativo humanismo após a queda do Muro de Berlim. Hoje, até o papa Francisco ousa denunciá-lo, considera-o uma “ditadura sutil”, como declarou em sua visita à Bolívia, em 2015, uma vez que, caída a máscara do capitalismo, é notória sua natureza bélica (guerras), excludente (refugiados e desempregados), desumana (apropriação privada da riqueza) e antiecológica.

Che, mais do que nunca nos enche de esperança e ânimo o seu testemunho exemplar de que, assim como o caminho se faz ao caminhar, a vitória se alcança ao lutar.

CARTAS A CHÊ GUEVARA III

Querido Che,

Escrevi-lhe em 1997 e 2011. Agora, vinte e seis anos depois da primeira carta, e doze da segunda, envio-lhe esta terceira.

Tenho ido com muita frequência à nossa amada Cuba. Em 2022, foram cinco visitas, quase todas por períodos de duas semanas. Não viajo como turista, e sim como assessor do governo cubano e da FAO para a implementação do Plan San, o Plano de Soberania Alimentar e Educação Nutricional, já regularizado em lei aprovada pela Assembleia Nacional do Poder Popular.

A Revolução atravessa um momento muito difícil, resultado da soma de fatores adversos: o bloqueio genocida imposto pela Casa Branca, que já dura mais de 60 anos (Biden mantém as medidas criminosas do governo Trump que revogaram as flexibilizações adotadas pelo governo Obama); a pandemia, que fez refluir as atividades laborais e desaparecer os turistas que traziam divisas; as frequentes mudanças climáticas, como secas, tufões e furacões; e, agora, a guerra entre Rússia e Ucrânia, dois importantes fornecedores de insumos agrícolas e fertilizantes, e também de fluxos turísticos.

A população padece o desabastecimento de alimentos essenciais e ainda não houve tempo para o Plan San demonstrar resultados efetivos. O governo faz o que pode para minorar esse estado de coisas, como renegociar as dívidas do país e permitir investimentos estrangeiros. Felizmente, Cuba não figura no Mapa da Fome da ONU e não se vê nas ruas o cenário tão comum na maioria dos países do Continente, nos quais hordas de famílias desamparadas reviram o lixo em busca do que lhes possa aplacar a fome.

Sei bem, querido Che, que Cuba enfrentou, após a vitória da Revolução, períodos muito difíceis. E não soçobrou. Enfrentou a invasão mercenária de Playa Girón; a crise dos mísseis; atentados terroristas; o Período Especial após o desaparecimento da União Soviética. A resiliência cubana demonstrou força inquebrantável diante de tantas adversidades. Nenhuma delas fez diminuir a vocação internacionalista da pátria de Martí e sua solidariedade com povos carentes de médicos e professores ou afetados por calamidades naturais. O avanço da ciência cubana, capaz de produzir cinco vacinas contra o vírus da Covid-19, permite, hoje, que outras nações sejam beneficiadas com este recurso imprescindível frente à gravidade da pandemia.

No entanto é preocupante o aumento do fluxo migratório, em especial rumo aos EUA. Muitos deixam a Ilha – a maioria jovens – não por razões políticas, e sim por razões econômicas. São igualmente preocupantes a espiral inflacionária, o mercado paralelo de alimentos, a corrupção que ameaça a moral revolucionária.

O que diria você, querido Che, diante dessa desafiadora conjuntura? Talvez haja quem imagine que você dissesse que o comando da Revolução ficou prejudicado com o desaparecimento físico de Fidel e o afastamento de Raúl das funções de governo. Isso não me soa justo. Diaz-Canel é um homem preparado, teve desempenho exitoso no combate à pandemia em Cuba, e o Birô Político e a direção do PCC são integrados por homens e mulheres de comprovada capacidade e firmeza revolucionárias.

Contudo, uma revolução não pode depender apenas de sua superestrutura de governo. Isso ocorre nas democracias burguesas, onde o povo é tido como beneficiário das iniciativas governamentais, majoritariamente voltadas aos interesses da classe dominante.

Na democracia socialista o governo é, por excelência, o povo politizado, organizado e mobilizado. Talvez falte maior empenho na formação ideológica das novas gerações, hoje muito conectadas com as redes digitais que, controladas por corporações capitalistas (big techs), disseminam a ideologia marcadamente consumista e individualista.

Em Cuba, é preciso transformar as redes digitais em trincheiras revolucionárias. E fortalecer política e ideologicamente as organizações de massa, como os CDRs. Você e Fidel são a prova, a exemplo de Martí, que adversidades são vencidas com firmeza ideológica. Se as condições objetivas não são favoráveis ao desenvolvimento das forças produtivas, então é preciso priorizar o aprimoramento das forças indutivas – aquela disposição subjetiva que fez do fracasso de Moncada a vitória de Sierra Maestra, ou da sua morte nas selvas da Bolívia um icônico alento a tantas gerações de revolucionários.

Não se pode reduzir a proposta socialista ao consumismo burguês. Ela deve se sustentar nas raízes da subjetividade, nos valores morais tão enfatizados por Martí, na espiritualidade combativa de Fidel, no seu exemplo ao dar a vida para que o povo latino-americano e caribenho tivesse vida.

Querido Che: sua emulação, sua ética revolucionária, seu testemunho despojado de quem não se apegou ao poder, são qualidades essenciais na atual conjuntura de Cuba. É imprescindível que as novas gerações conheçam sempre mais o seu exemplo e a sua obra e, martinianamente, sejam dotadas desse sentimento de amor que forja o homem e a mulher novos. Como declarou Fidel, “hago una apelación a nuestros militantes, a nuestros jóvenes, a nuestros estudiantes, nuestros economistas, para que estudien y conozcan el pensamiento político y el pesamiento económico del Che”[1]

* Frei Betto é escritor, autor de Paraíso perdido – Viajes por el mundo socialista – Editorial de Ciencias Sociales, La Habana, Cuba, 2016, entre otras obras. Site: freibetto.org