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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

OS TRABALHADORES E AS ELEIÇÕES 2026 * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

OS TRABALHADORES E AS ELEIÇÕES 2026
Nota pública da Frente Revolucionária dos Trabalhadores (FRT) sobre as eleições brasileiras.


O período eleitoral no Brasil já está aberto. Em 2026 as eleições abarcam a presidência da república, governadores e cargos parlamentares.

O fator marcante nas eleições brasileiras desde há muito, tem sido a mais completa carência de qualquer debate sério sobre os grandes temas de interesse nacional e do povo trabalhador.

Especialmente em 2026, temos , em relação à disputa presidencial (o cerne eleitoral no país), em linhas gerais a manutenção do projeto liberal dependente, que tem amarrado o Brasil na cadeia da subserviência diante do rentismo internacional e do latifúndio "moderno", alcunhado pelo nome pomposo de "agronegócio".

O Brasil está absolutamente entregue ao capital financeiro imperialista, sobretudo desde o advento do famigerado Plano Real, dos anos 1990. De lá para cá, independente de quem seja o gerente da vez a ocupar o Palácio do Planalto, o modelo econômico rentista e exportador primário permanece.

Nos últimos 30 anos, o regime neoliberal de reprodução do capitalismo dependente brasileiro foi consolidado e institucionalizado. A institucionalização das metas de superávit primário, teto de gastos--sociais--, arcabouço fiscal, remuneração da sobra dos caixas de bancos, etc., nada mais são do que o reflexo da dominância do Estado brasileiro, por grupos de parasitas membros das altas cúpulas do sistema financeiro internacional.

Na divisão mundial do trabalho, o Brasil passa por uma profunda regressão, se comparado há cerca de 50 anos atrás. O país que possuía um setor manufatureiro pujante, apesar da estrutura dependente da industrialização nacional, hoje tornou-se o grande centro mundial de valorização do capital rentista e vadio, devido às maiores taxas de juros do planeta.

Desde os anos de 1990, o país gasta, em média, metade do seu orçamento público com a remuneração da dívida pública (externa e interna) aos grandes sangues sugas e magnatas imperialistas, comungados com a burguesia lumpen brasileira, parasitando as riquezas e potenciais de nossa nação.

Os governos petistas, por exemplo, mantiveram intacto em todos os seus mandatos, absolutamente todo o conjunto do regime neoliberal de reprodução do capitalismo no Brasil.

Lógico, precisamos ser responsáveis, não estamos colocando um selo de iguais entre petismo e bolsonarismo; pois o primeiro administra o suicídio da nação a conta gotas, enquanto o segundo pretende degolar e estropiar sem piedade e de uma vez o povo trabalhador. E isso não é pouca coisa para a massa trabalhadora em seu cotidiano na luta pela sobrevivência.

Na verdade, independente de quem ganhe o pleito eleitoral deste ano, os interesses das frações dominantes do capitalismo brasileiro--leia-se o capital financeiro, os latifundiários, o capital comercial monopolista--estarão assegurados.

O ministro da fazenda do atual governo, Dário Durigan, por exemplo, já sinalizou que num próximo mandato, a equipe econômica de Lula teria de atacar os pisos constitucionais da saúde e educação, avançar sobre o salário mínimo dos aposentados e estrangular até o limite, o Benefício de Prestação Continuada, que atinge as parcelas mais empobrecidas das massas, para garantir a manutenção do odioso arcabouço fiscal, menina dos olhos dos parasitas agiotas que dão as cartas na economia nacional.

Por outro lado, uma presidência de Flávio Bolsonaro significaria com toda certeza, a completa entrega sem peias, do país ao imperialismo americano.

As forças imperialistas, diante do agravamento de sua crise de hegemonia e por conta da derrota que vêm sofrendo militarmente para o Irã, o que coloca em xeque sua dominação inconteste no Golfo Pérsico ameaçando inclusive o sistema do petrodólares, obriga Washington a recrudescer sua agressividade neocolonial e centrar fogo contra todos os países da América Latina.

A corrida para dominar por completo e de forma direta as fontes de minerais críticos, água doce, reservas de petróleo, biodiversidade, etc., em nossa região, exige da parte dos estrategistas imperiais uma ofensiva muito dura e contra nossos países.

O "corolário" trumpista da Doutrina Monroe e do Destino Manifesto, levado a cabo pela anturragem supremacista e fascio-sionista que compõem o atual governo criminoso em Washington, expressa essa necessidade imperialista para contrarrestar sua crise e decadência histórica.

A agressividade acelerada e radical que os peões da extrema direita latinoamericana impõe contra os trabalhadores nos países que gerenciam, expõe claramente o que certamente ocorrerá com o Brasil num suposto novo governo Bolsonaro, agora o filho.

Para não falar das implicações geopolíticas e seu significado para o povo cubano, por exemplo. Um Brasil governado pela extrema direita neocolonial fascista, significaria na prática, um avanço qualitativo do domínio imperialista direto, colonial em toda a nossa região. Também abriria a quase certa possibilidade de um regime de caráter terrorista estatal ascender sobre nosso país.

Por outro lado nunca as massas trabalhadoras em nosso país estiveram tão órfãs politicamente e ideologicamente como agora.

A esquerda brasileira se encontra praticamente ausente, fragmentada, sem rumo, sem programa e sem projeto.
Em tais circunstâncias históricas gravíssimas, não podemos de forma nenhuma permitir que a extrema direita bolsonarista procônsul da Casa Branca assuma o comando direto da máquina estatal no país.

E isso vai além do debate em torno da campanha pelo voto nulo, como alguns setores da esquerda têm defendido, ou apoiar acriticamente o governo neoliberal de Lula.

Aqui entra uma importante consideração de ordem tática:
Seria o mesmo, para um trabalhador individual e mesmo para o conjunto da classe, se deparar com um governo oportunista, demagogico, porém sem condições políticas por sua origem social e composição, de impor sobre as massas populares uma radical terapia de choque monetarista ultraliberal como o grande capital necessita; do que enfrentar a extrema direita abertamente fascistóide, que se declara comprometida em suprimir a ferro e fogo as conquistas sociais e ávida por participar diretamente, abrindo mão de intermediários, da entrega sem precedentes da nação ao Imperialismo?

Seria o mesmo para a classe operária argentina, por exemplo, em tais circunstâncias históricas concretas, enfrentar um governo de Cristina Kirchner e Javier Milei?

Não se trata de uma suposta defesa simplista do "mau menor", como alguns nos acusarão. Mas de uma análise concreta da realidade brasileira e latinoamericana.

Numa conjuntura onde os trabalhadores se encon
tram desmobilizados, desorganizados, sem uma referência concreta de protagonismo político claro, seria trágico um governo da extrema direita tomar o Brasil hoje.

É preciso toda precaução para não cairmos num ultra esquerdismo semelhante ao que ocorreu com os partidos comunistas europeus quando adotaram a infantil postura sectária conhecida como o "terceiro período", e da teoria infantil conhecida como "social fascismo", comparando a social-democracia ao fascismo.

Com isso não queremos dizer que vivemos atualmente uma conjuntura idêntica aos europeus dos anos 1930/40. No entanto, também vivemos um momento muito grave e que requer o maior cuidado político possível.

Nessas condições, nós da Frente Revolucionária dos Trabalhadores, sem qualquer ilusão na possibilidade de Lula supostamente dar um giro em sua política liberal, avaliamos que a vitória petista seria muito menos danosa às condições de sobrevivência e luta de todo o proletariado e das massas populares no Brasil na atual conjuntura histórica concreta.

No entanto, os trabalhadores brasileiros não podem de forma nenhuma continuarem reféns e à mercê das disputas no interior da burguesia. Necessitam urgentemente construírem um projeto próprio e se constituírem como uma força política e social capaz de confrontar e superar o capitalismo e tomar os destinos da nação em suas mãos, coisa que o petismo e o lulismo já deram provas incontestes de fracasso e comprometimento com os interesses alheios aos do povo trabalhador.


FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES
FRT
20/08/2026

sábado, 18 de julho de 2026

A DIREITA NÃO QUER QUE AS MULHERES VOTEM * Maria Teresa Cruz+Raquel Setz/Brasil de Fato

A DIREITA NÃO QUER QUE AS MULHERES VOTEM
Por que o voto feminino voltou a ser questionado pela extrema direita.

Em pleno 2026, um debate que parecia superado há quase um século retorna ao cenário político: a legitimidade do voto feminino. O que começou como um movimento em nichos da extrema direita nos Estados Unidos chegou no Brasil, impulsionado por influenciadores e figuras políticas conservadoras que questionam se as mulheres deveriam, de fato, participar das decisões democráticas.

Para a historiadora Joana Maria Pedro, professora emérita da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), esse fenômeno não é um caso isolado, mas uma estratégia recorrente em períodos de crise e autoritarismo.

“Não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece. Nos anos 1930, quando veio a crise da bolsa de valores, os empregos desapareceram, as fábricas quebraram, a economia quebrou, vários países cogitaram retirar direitos conquistados pelas mulheres”, alerta a pesquisadora. “O máximo que conseguiram foi parar os avanços”, completa, citando exemplos de Portugal, onde efetivamente o direito amplo ao voto feminino data de 1975, e da Alemanha nazista, quando mulheres perderam o direito de serem juízas ou ocuparem cargos em universidades, e a possibilidade de serem eleitas foi reduzida a zero.

No Brasil, o voto conquistado em 1932 era inicialmente restrito a mulheres viúvas ou solteiras com profissão, só se tornando plenamente obrigatório e equivalente ao dos homens em 1946. “Em todo esse período, havia o nazismo, os fascismos, salazarismo. No Brasil, nós tínhamos Getúlio Vargas, que também estancou as possibilidades de avanço, mas a gente não chegou a perder”, detalha. “A gente vai conseguir mesmo [ampliar o direito ao voto] em 1988, quando até votos de analfabetos serão conseguidos.”

Segundo Joana Maria Pedro, a fragilidade desses direitos reside na própria estrutura da sociedade ocidental. “Nós temos na nossa cultura ocidental a ideia de que o próprio direito individual vem com a sociedade burguesa. Se você olhar as narrativas gregas, que a burguesia do século 18 se utilizou, as mulheres não tinham direito algum a qualquer participação política. Aliás, nem eram todos os homens: somente homens com propriedades que poderiam participar das discussões políticas”, explica a historiadora, ressaltando que o modelo de “família ideal”, com a figura do homem provedor e a mulher dedicada ao lar, é uma invenção política para controlar o mercado de trabalho e a moralidade social.

Os argumentos atuais da extrema direita bolsonarista frequentemente classificam as mulheres como “más eleitoras” por suas inclinações políticas e pelo machismo sobre o qual se estrutura nossa sociedade. “O principal argumento é que haveria destruição da família, porque as mulheres que tinham uma constituição tão frágil, tão emocional, não saberiam votar, porque isso exige um raciocínio lógico do qual as mulheres tinham deficiência. Elas eram mais emoção do que razão”, explica.

Contudo, por trás dessa retórica, esconde-se um projeto econômico e social. Ao defender que o voto seja “por família” e, portanto, representado pelo homem, esses grupos buscam restaurar uma hierarquia que retira as mulheres da concorrência no mercado de trabalho em tempos de desemprego.

“Os colonizadores conquistaram os homens prometendo que eram eles que iam mandar. Nas famílias, era a voz deles que iria prevalecer, o mando deles que iria prevalecer. Então, quando eu vejo um pastor dizendo isso, eu entendo que ele está usando os livros religiosos, as questões religiosas, para ter de volta a tal família. Mas por que essa tal família é tão importante? Porque tira da concorrência de trabalho um contingente significativo de pessoas”, revela.

A pesquisadora aponta uma convergência com o pensamento neoliberal. “Esse discurso ajuda muito os empresários, porque, se o Estado não precisar de dinheiro para oferecer equipamentos para as famílias [como creches e saúde], não vai precisar de tantos impostos”, afirma Joana Maria Pedro.

A historiadora adverte que a maior ameaça ao voto feminino hoje não viria de uma canetada autoritária imediata, mas de um processo de convencimento moral por meio de doutrinas religiosas fundamentalistas. “O risco seria através da religião. Eu acho que é a coisa mais eficiente que existe. Se eles conseguirem, de fato, convencer a maioria das pessoas de que o voto das mulheres é uma coisa imoral perante Deus, que isso destrói a família sagrada, a gente perde o direito ao voto, assim como perde outros direitos”, pontua a professora.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O FUTURO JÁ CHEGOU * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

O FUTURO JÁ CHEGOU
OU A GENTE SE UNE OU A GENTE SE ESTINGUE
OU TU CORRE OU O TREM TE PEGA
OU VAI OU RACHA
CHEGOU A HORA DA ONÇA BEBER ÁGUA
OU VAI DAR UMA DE "TÕ-NEM-AÍ?
SE CORRER, O BICHO PEGA
MAS SE SI UNIR O BICHO FOGE...

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

NOTA DE APOIO AO DEPUTADO FEDERAL GLAUBER BRAGA * FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES/FRT-PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES BRASILEIROS/PCTB

NOTA DE APOIO AO DEPUTADO FEDERAL GLAUBER BRAGA
ARTISTAS GLAUBER FICA

Manifestamos nossa irrestrita solidariedade ao DEPUTADO FEDERAL GLAUBER BRAGA neste momento de extrema perseguição política realizado pela extrema direita brasileira representada pelo CENTRÃO e pelo BOLSONARISMO.

Observamos que essa ação fascista vem sendo arquitetada desde os ambientes aonde o parlamentar atua com maior incidência e para efetivar seu intuito, a mesma contratou o mercenário MBL - Movimento Brasil Livre, liderado pelo verme-líder Kataguiri.

Esse engendramento ficou patente quando essa organização terrorista invadiu as dependências da Câmara Federal e, livremente, ofendeu de diversas formas o referido parlamentar, levando-o a tomar iniciativa individual para expulsar daquela egrégia casa parlamentar o referido energúmeno.

A partir daí a extrema direita brasileira se jogou em campo buscando todas as formas possíveis para cassar o mandato do DEPUTADO FEDERAL GLAUBER BRAGA. Segundo tramitações na mesa da câmara, a proposta de cassação será levada a votação em 10/12/2025.

Cônscios da gravidade de tal medida, registramos aqui os nossos mais elevados protestos em defesa do direito de exercer seu mandato livremente, uma vez que a segurança da câmara não providenciou a defesa da pessoa do parlamentar durante o incidente da agressão ao mesmo.

Por isso, alertamos a todos os cidadãos antifascista do Brasil que se mobilizem rumo a Brasília para efetuar a defesa do DEPUTADO FEDERAL GLAUBER BRAGA.

FORA HUGO MOTTA E CONSORTES!
FORA CENTRÃO!!
MORTE AO BOLSONARISMO!!!

GLAUBER BRAGA FICA!!!!

FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES/FRT
PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES BRASILEIROS/PCTB
REPERCUÇÃO

"Câmara votará cassação de Zambelli, Ramagem e Glauber Braga
Mesa Diretora vai decidir cassação de Eduardo Bolsonaro por faltas.


O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta terça-feira (9) que vai levar ao plenário os processos contra os deputados Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ), já condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e o do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), a partir desta quarta-feira (10). Motta também anunciou que vai levar à avaliação da Mesa Diretora o caso do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente nos Estados Unidos.

Os anúncios foram feitos após a reunião de líderes partidários, no mesmo dia em que Motta prometeu pautar o Projeto de Lei 2162/23, que reduz as penas para os envolvidos com os atos golpistas, inclusive a do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Zambelli

O processo contra Zambelli será encaminhado ao plenário após ser finalizado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), suspenso após um pedido de vista coletivo ao relatório do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) com parecer contrário à cassação da parlamentar. Para que a deputada seja cassada são necessários pelo menos 257 votos no plenário.

Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão, multa e a perda do mandato por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A deputada, entretanto, fugiu para a Itália, em julho, pouco antes de sua prisão ser decretada.

A parlamentar está presa no país europeu, esperando uma decisão da Justiça italiana do pedido de extradição feito pelo Brasil. Na movimentação mais recente, o Ministério Público de Itália deu parecer favorável à extradição, mas a Justiça quer saber onde Zambelli ficará presa.

“Para proteger as prerrogativas parlamentares, nós estamos trazendo essas condenações para que o Plenário da Câmara possa dar o seu veredito final acerca desses mandatos. Então, concluindo amanhã [quarta-feira] na CCJ o posicionamento acerca da deputada Carla Zambelli, nós já traremos diretamente ao plenário”, disse Motta.

Ramagem

O presidente da Câmara disse que quanto ao caso do deputado Ramagem, vai levar ao plenário, sem passar pela CCJ. O deputado ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo de Jair Bolsonaro está foragido, em Miami, nos Estados Unidos.

Durante a investigação da trama golpista, Ramagem foi proibido pelo ministro Alexandre de Moraes de sair do país e teve que entregar os passaportes.

Após a descoberta da fuga, a Câmara informou que não foi comunicada sobre o afastamento do parlamentar do território nacional nem autorizou nenhuma missão oficial no exterior.

A defesa de Ramagem apresentou um novo recurso contra a condenação a 16 anos de prisão na ação penal da trama golpista.

Nos dois casos, o presidente da Câmara desconsiderou a decisão do STF que determinava a perda do mandato dos parlamentares. No caso de Ramagem, a Corte determinou a edição de ato da Mesa Diretora por ele ter sido condenado em regime fechado em período superior a 120 dias, o prazo máximo de faltas à Câmara permitido pela Constituição.

Em relação a Zambelli, Motta chegou a anunciar que a Mesa decretaria, conforme decisão do STF, a perda do mandato, mas voltou atrás e encaminhou o caso para a CCJ e posteriormente ao plenário.

No dia 10 de novembro, Motta anunciou que caberia ao plenário da Casa decidir sobre a perda do mandato da deputada. Um dia antes, ele informou que acataria a determinação do STF de declarar a cassação do mandato da deputada sem consultar o plenário.

Eduardo Bolsonaro

Em relação ao deputado Eduardo Bolsonaro, Motta disse que o processo deverá ser deliberado por ato da Mesa Diretora, devido ao deputado ter faltado a mais de 1/3 das sessões da Câmara neste ano, ultrapassando o limite de faltas permitido pela Constituição.

Eduardo Bolsonaro pediu licença do cargo em março e viajou para os Estados Unidos, onde fixou residência. A licença terminou em 21 de julho, mas o parlamentar não retornou ao Brasil e já acumula faltas não justificadas nas sessões plenárias.

Em setembro, Motta rejeitou a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para exercer a liderança da minoria na Casa, com o argumento de não haver possibilidade do exercício de mandato parlamentar estando ausente do território nacional.

“O deputado Eduardo Bolsonaro já tem o número de faltas que são suficientes para a cassação do seu mandato. Como todos sabem, ele está no exterior por decisão dele, foi para os Estados Unidos, não tem frequentado as sessões da Casa, é impossível o exercício do mandato parlamentar fora do território nacional e com esse cumprimento de faltas”, disse o presidente da Câmara.
Glauber Braga

Outro processo pautado para esta quarta-feira é o do pedido de cassação do deputado Glauber Braga. O parlamentar foi acusado pelo partido Novo de ter faltado ao decoro parlamentar ao expulsar da Câmara, em abril do ano passado, com empurrões e chutes, o integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) Gabriel Costenaro.

Glauber argumenta que a pena é desproporcional e que o processo é uma perseguição política. O deputado sustenta que está sendo cassado devido a uma articulação do ex-presidente da Câmara deputado Arthur Lira (PP-AL), devido às denúncias que faz do chamado orçamento secreto. Lira nega as acusações.

Na avaliação do parlamentar, a pena que poderia ser aplicada era a de censura verbal ou escrita para atos que infringissem as regras de boa conduta, para ofensas físicas ou morais e desacato nas dependências da Câmara dos Deputados, conforme prevê o regimento.

“É também um processo que já deveria ter sido levado ao plenário desde o dia 22 de abril deste ano. Todos sabem que esse processo foi concluído lá no Conselho de Ética e que o Plenário precisa dar o seu veredito final. Vamos enfrentar esse caso do deputado Glauber nesta semana, para que o Plenário possa dar a sua posição”, anunciou Motta.
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domingo, 23 de novembro de 2025

GUERRA DE PASTORES POR PONTOS RELIGIOSOS * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

GUERRA DE PASTORES POR PONTOS RELIGIOSOS

Houve casos noticiados no Brasil onde pastores se envolveram em crimes, incluindo homicídios de outros religiosos, motivados por desentendimentos que, em algumas ocasiões, podem estar relacionados a questões de disputa por fiéis, poder ou dinheiro, mas nem sempre especificamente por um "ponto religioso" físico, como um imóvel.

Um caso de grande repercussão ocorreu em Pernambuco em 2019, onde um pastor matou outro a facadas e pedradas após uma discussão que, segundo a polícia, teve início por causa da "palavra de Deus" ou desentendimentos doutrinários.

Outro caso envolveu um ex-pastor na Bahia, que foi investigado e condenado por ordenar a morte de fiéis que decidiram abandonar sua igreja, o que pode ser interpretado como uma disputa indireta por "pontos" ou, mais precisamente, por manter sua congregação e influência.

É importante ressaltar que os crimes envolvendo líderes religiosos geralmente são casos isolados e não representam a totalidade das comunidades de fé. As motivações variam desde disputas pessoais e financeiras até crimes passionais ou violência comum.
O DEUS DO LIVRE MERCADO JÁ TEM TEMPLO NA AMÉRICA LATINA
CRENTES
CRENTES
CRENTES NA POLÍTICA

O deputado evangélico Euclides Pettersen, do Republicanos, Minas Gerais (Partido da Igreja Universal), foi apontado pela Polícia Federal como um dos principais beneficiados nas suspeitas de fraudes envolvendo o INSS, com valores estimados em cerca de R$ 14 milhões. O parlamentar bolsonarista, conhecido pelos discursos firmes, agora ganha destaque também no centro das investigações, *Deus Pátria e Família* 
MACEDÃO DA GRANA
RELIGIÃO, SEGUNDO KARL MARX

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

21 DE SETEMBRO ABRIU UM ESPAÇO PARA A RETOMADA DA LUTA DE MASSA * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA - LCB

21 DE SETEMBRO ABRIU UM ESPAÇO PARA A RETOMADA DA LUTA DE MASSA

Domingo, 21 de setembro, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas contra a PEC da bandidagem e a anistia aos golpistas. Na semana seguinte, a Comissão de Constituição e Justiça sepultou a PEC da Bandidagem, em um claro reflexo da mobilização popular.

Os deputados da extrema-direita e da direita disfarçada de Centrão acreditavam que poderiam aprovar medidas de acordo com seus interesses. Escudados em uma maioria eventual, eleita com dinheiro do orçamento secreto, chantagem religiosa e domínio territorial do crime organizado, os deputados fascistas e fisiológicos tentaram criar parlamentarismo de fato.

A tentativa de blindagem e autoanistia foi a gota d'água. É visível o cansaço da população com a pauta fascista, a constante perda de direitos e as derrotas impostas à classe trabalhadora.

Abre-se um espaço significativo para a retomada da luta política de massas.

Os acontecimentos da semana passada provam que mesmo o Congresso mais reacionário desde o fim da ditadura não passa infenso à mobilização de massas. Não se pode parar a mobilização depois dessa vitória pontual. Existem diversas bandeiras justas, que sensibilizam a classe trabalhadora e o povo, como a luta pelo fim da escala 6x1 e pela afirmação da soberania nacional.

O plebiscito pelo fim da escala 6x1, apesar das limitações e da mobilização abaixo do potencial, foi um marco importante. A partir dos resultados do plebiscito, é necessário intensificar a campanha do fim da escala 6x1.

O fascismo ainda não foi derrotado, apesar de seu evidente desgaste. A condenação de Bolsonaro e de quatro generais de último posto é um duro golpe para a corrente fascista. Porém, a ideologia e a prática fascista tem disseminação social. A corrente bolsonarista tem força nas Forças Armadas, no judiciário, no ministério público e nas polícias, além de várias categorias da burocracia pública.

Para derrotar o fascismo é preciso que a classe trabalhadora e os setores populares superem a armadilha do eleitoralismo, mantendo mobilização permanente nas ruas.

Manter a força nas redes e nas ruas. Unificar as lutas. Defender os direitos sociais e do trabalho, as liberdades democráticas e a soberania nacional.

LIGA COMUNISTA BRASILEIRA - LCB

domingo, 7 de setembro de 2025

O PATRIOTISMO DOS VENDEPÁTRIAS * EUGÊNIO BUCCI/A Terra é Redonda

O PATRIOTISMO DOS VENDEPÁTRIAS
EUGÊNIO BUCCI

A frase de Jacques Lacan – “o desejo do homem é o desejo do Outro” – ensina que um cidadão genérico, quando deseja, expressa menos um desejo original, pessoal, e mais o desejo dominante da ordem simbólica que o contém

1.

Os “patriotas” das arruaças, do culto às armas e das camisetas amareladas ganharam votos gritando “Brasil acima de tudo” e “Deus acima de todos”. Dupla pobreza de espírito.

O primeiro slogan nunca passou de um plágio de mau gosto do bordão nazista “Deutchland über alles” (“Alemanha acima de tudo”). Quanto a “Deus acima de todos”, bem, nenhuma novidade. O Altíssimo assim é chamado por habitar supostamente píncaros celestiais insuperáveis. Quanto ao mais, o dístico nunca parou de pé: Deus deveria ser posto acima do Brasil ou seria o contrário?

Com o tempo, ficou evidente que os tais “patriotas” eram na verdade “estrangeirotas”: patriotas do estrangeiro. Um deles, em 2017, numa excursão à Flórida, chegou a bater continência para uma bandeira dos Estados Unidos estampada numa tela eletrônica. Ao microfone, o voluntário da servidão incondicional confessou: “A minha continência à bandeira americana”.

Em 2019, o mesmo personagem arriscou um “I love you” para Donald Trump, que passava por ali apressado. Em síntese, o que eles queriam dizer era “Brasil acima de tudo”, desde que não acima dos Estados Unidos, e “Deus acima de todos”, menos de Donald Trump.

Outro dos “patriotas” fugiu do Brasil e dá expediente em Washington, onde faz reuniões obscuras com autoridades obtusas de um governo tanático para articular sabotagens contra a economia brasileira e chantagens contra as autoridades daqui. A infâmia chegou a tal ponto de histeria e absurdos que o clã vem sendo classificado como traidor. Procede.

2.

Há gente capacitada escarafunchando os regimentos do Poder Legislativo para detectar as tipificações do desvio, enquanto bons oradores vão a comícios para criticar esse “patriotismo” lesa-pátria. Têm razão. O problema é que existem aqueles que fingem não ver nada de esquisito. Como alertá-los? Incrível como não querem enxergar. O esquisito, o atípico, é o que temos hoje de mais fatídico, mais cínico, mais explícito e mais apodítico.

Num dos livros do psicanalista francês Jacques Lacan, Quatro conceitos fundamentais da psicanálise, lemos que “o desejo do homem é o desejo do Outro”. Devíamos buscar nessa chave analítica uma luz para entender o “patriotismo” que se define pelo negacionismo da Pátria e se ajoelha diante da bandeira alheia para rifar a sua própria.

A frase de Jacques Lacan – “o desejo do homem é o desejo do Outro” – ensina, entre outras coisas, que um cidadão genérico, uma pessoa como eu ou você, com todo o respeito, quando deseja, expressa menos um desejo original, pessoal, e mais o desejo dominante da ordem simbólica que o contém.

Esse Outro com “O” maiúsculo não é um outro qualquer, como um cunhado ou um colega da repartição, mas um senhor sobre-humano, capaz de ordenar o desejo dos mortais de carne e osso – sobretudo daqueles mortais que não têm nada de coluna vertebral, como é o caso.

O Outro maiúsculo não se compadece de nada nem de ninguém. Exemplos? Aqui estão: a autoridade sobre a qual se erigiu a Igreja Católica, ou a sua pedra fundamental; o capital, igualmente; o imperialismo que anima a Casa Branca. O desejo do homem é o desejo que o Outro, maiúsculo, diz ao homem, minúsculo, para fazer de conta que sente.

Você pergunta a um gerente de marketing, um dirigente sindical ou um operador da bolsa qual o ideal de beleza que ele tem e ele começa a descrever minuciosamente a Barbie. O desejo, nele, é o dedo em riste do Tio Sam, mas ele mesmo não sabe. Barbie para todos.

3.

O “patriotismo” dos trumpatetas brasileiros reproduz a fórmula do “desejo do Outro”, mas em tintas rastaqueras. Adestrados pelos filmes de Tom Cruise, de Stallone e de Chuck Norris, os “patriotas” do Outro são tão rasteiros que nem souberam substituir a bandeira dos Estados Unidos pela do Brasil na hora de fazer seu teatrinho. Encenam uma paródia tosca: adoram uma bandeira que não é a deles, numa terra que não lhes concede um reles passaporte.

Dá pena. Tanta pena que o suposto Deus poderá perdoá-los, pois eles, ainda que premeditem com vileza o mal que querem fazer ao Brasil, não sabem o que fazem. Talvez seus pecados sejam redimidos pelo ente que paira “acima de todos”, menos de Donald Trump. Mas e quanto à nação brasileira? Poderá ela anistiá-los por antecipação? Poderá tratá-los como como semoventes inconscientes e inconsequentes – o que, de resto, eles são?

Espera-se que não. Em 1947, o Partido Comunista Brasileiro foi cassado porque seu líder, Luiz Carlos Prestes, teria dito numa entrevista que, numa guerra entre Brasil e União Soviética, ficaria do lado de Stalin. A verdade é que Prestes nunca disse isso, apenas fez um raciocínio hipotético: se o Brasil apoiasse uma guerra imperialista contra o Kremlin, ele lutaria para derrubar o governo brasileiro. Foi uma declaração de mau jeito, sem dúvida, e ela serviu de pretexto para colocarem o PCB na clandestinidade, injustamente. Agora, o caso é muito mais sério.

Os “patriotas” do Outro se associaram ativa e publicamente a uma potência estrangeira para mover covardemente uma guerra comercial, diplomática e moral contra o Brasil. E aí?

*Eugênio Bucci é professor titular na Escola de Comunicações e Artes da USP. Autor, entre outros livros, de Incerteza, um ensaio: como pensamos a ideia que nos desorienta (e oriente o mundo digital) (Autêntica). [https://amzn.to/3SytDKl]

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domingo, 10 de agosto de 2025

A Última Cartada do Bolsonarismo * Reynaldo Aragon

A Última Cartada do Bolsonarismo
Reynaldo Aragon

Eduardo Bolsonaro aposta na radicalização internacional para sabotar o Brasil soberano que desafia Trump, as Big Techs e o império digital. Mas a tarifa de Trump não é pelo clã — é contra a autonomia brasileira.

O pretexto e o alvo real.

Não é por Bolsonaro. Nunca foi. A tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre todas as importações brasileiras não é um gesto de solidariedade pessoal nem de lealdade ideológica. É um ataque estratégico. É o movimento inaugural de uma nova etapa da guerra híbrida declarada contra o Brasil, que tem como verdadeiro objetivo impedir a consolidação de um projeto nacional soberano em pleno século XXI.

A narrativa de retaliação pela “perseguição” ao ex-presidente e seus filhos é apenas a camada superficial do conflito. Serve para mobilizar a base radicalizada da extrema-direita, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, mas não explica a profundidade geopolítica e econômica da ofensiva. A real motivação dessa escalada é outra — e bem mais estrutural: a crescente autonomia do Brasil na cena internacional, seu protagonismo no BRICS, sua aproximação com a China e o Sul Global, e a decisão política de avançar na regulação das plataformas digitais, desafiando o poder concentrado das Big Techs norte-americanas.

A eleição de Lula e a postura externa de seu governo — altiva, multilateral, e voltada para a reconstrução de alianças do hemisfério sul — ativaram os alarmes em Washington e no Vale do Silício. A retomada de uma política externa soberana e de políticas de enfrentamento à desinformação, à captura algorítmica e ao abuso das plataformas digitais representam, juntas, uma ameaça sistêmica à hegemonia norte-americana no campo econômico, cultural e informacional.

A resposta de Trump, embora apresentada como defesa da liberdade de expressão ou da “injustiça” cometida contra Bolsonaro, na verdade, é parte de uma engenharia de contenção. Uma forma de conter, pelo colapso tarifário e pelo caos simbólico, o avanço de um Brasil que ousa querer ser mais do que mercado: que quer ser ator, e não apenas território ocupado. O nome disso é guerra — uma guerra em que o bolsonarismo serve como cortina de fumaça e instrumento de desgaste, mas já não é protagonista da história.

A engrenagem da guerra híbrida: EUA, Big Techs e domínio digital.

A aliança entre o governo dos Estados Unidos e as Big Techs forma o núcleo duro do novo imperialismo — um imperialismo de dados, de plataformas e de controle cognitivo. O que está em curso no Brasil, portanto, não é apenas uma disputa comercial, mas uma operação articulada para reverter avanços que ameaçam esse poder.

A recente decisão do Supremo Tribunal Federal de responsabilizar plataformas pelos conteúdos que divulgam e se recusam a moderar foi interpretada, em Washington e na Califórnia, como uma ruptura intolerável. O Brasil tornou-se o primeiro grande país do Ocidente a declarar que o espaço digital não é uma terra sem lei. A regulação, mesmo em estágio inicial, foi suficiente para acionar mecanismos de retaliação. Da mesma forma como o petróleo foi o estopim de guerras convencionais, a moderação de conteúdo e a responsabilização de plataformas se tornaram gatilhos para sanções econômicas e chantagem política.

Trump, ao alinhar sua retórica à defesa irrestrita das Big Techs, não apenas reafirma sua subordinação aos interesses do Vale do Silício como também instrumentaliza o caso brasileiro para enviar um recado global: qualquer nação que desafiar a supremacia digital norte-americana será punida. Não por meio de mísseis, mas por meio de tarifas, manipulação de mercados, desestabilização institucional e campanhas de desinformação internacional.

Esse processo é parte do que muitos já chamam de complexo civil-militar informacional — um aparato que funde a lógica de guerra do Pentágono com a arquitetura de dados das empresas privadas. As plataformas, longe de serem neutras, são agentes ativos na disputa por hegemonia. Elas moldam comportamentos, modulam afetos e operam como braços de um sistema de dominação silenciosa, mas eficaz. Quando o Brasil ameaça reverter essa lógica, torna-se alvo.

O governo Lula, ao insistir na regulação democrática do ambiente digital, tocou numa das feridas mais sensíveis do capitalismo contemporâneo. Não se trata apenas de legislar sobre fake news. Trata-se de afirmar que a soberania informacional é um direito do povo e uma condição para a existência de qualquer projeto nacional de longo prazo. O tarifaço, nesse contexto, deve ser lido como um ato de guerra: um sinal de que a autonomia digital passou a ser tratada como insurreição geopolítica.

O bolsonarismo como instrumento esgotado.

Durante quatro anos, o bolsonarismo foi o agente ideal para a execução da agenda imperial no Brasil. Entregou tudo o que lhe foi pedido: desmonte de políticas públicas, destruição da soberania ambiental, militarização do governo civil, privatizações de infraestrutura estratégica, paralisação de mecanismos de integração regional e — o mais importante — uma relação de completa subserviência à lógica das plataformas digitais e ao eixo geopolítico Washington-Silicon Valley.

Mas agora, fora do poder, essa aliança entra em crise. O bolsonarismo já não controla ministérios, nem embaixadas, nem orçamento. Não tem como romper com o BRICS, nem vetar a regulação da internet, nem entregar ativos nacionais. O que resta é sua utilidade residual: servir de massa de manobra, de gatilho narrativo, de bucha de canhão. Os filhos de Bolsonaro e seus aliados sabem disso. Eles não são mais os operadores da máquina — são apenas os provocadores que ainda têm algum valor simbólico enquanto conseguirem gerar instabilidade.

A reação histérica de Eduardo Bolsonaro — criticando o Itamaraty, ameaçando não voltar ao Brasil, apelando por sanções internacionais contra juízes brasileiros — não é apenas desespero. É cálculo. Ele sabe que Trump não vai salvar sua família. Mas aposta que, ao dobrar a aposta na radicalização, poderá criar um ambiente suficientemente caótico para interferir nas eleições de 2026. O exílio voluntário é transformado em narrativa messiânica. O golpismo fracassado vira martírio estratégico.

Esse movimento, porém, carrega uma contradição central: os EUA — e as Big Techs — não precisam mais do bolsonarismo para operarem seus interesses. O que eles querem é o enfraquecimento do governo Lula, seja com Eduardo, com Tarcísio, com o Centrão ou com um avatar novo. O bolsonarismo, nesse arranjo, tornou-se um problema tático. Ele é instável, ruidoso, exposto. A tática agora é usá-lo para romper o tecido institucional brasileiro e, quando não for mais funcional, abandoná-lo à própria sorte — como fizeram com tantos “aliados descartáveis” na história da geopolítica imperial.

O problema, para o Brasil, é que enquanto esse resíduo tóxico da extrema-direita continuar operando como força de sabotagem interna, a instabilidade será permanente. O bolsonarismo não governa, mas impede que o país governe. Não propõe, mas bloqueia. Seu papel hoje não é mais ser governo. É ser vírus.

Eduardo Bolsonaro e a aposta desesperada na escalada internacional.

Eduardo Bolsonaro não é ingênuo. Ele sabe que seu pai não será salvo por Trump. Sabe que a anistia não virá do Congresso e que o Supremo não recuará. Sabe que os Estados Unidos não moverão uma única engrenagem de seu complexo militar-jurídico-informacional por lealdade pessoal à família Bolsonaro. Mas mesmo diante desse diagnóstico, Eduardo dobra a aposta. E o faz não por convicção, mas por desespero estratégico.

Ao abandonar o Brasil e instalar-se no exterior como suposto “refugiado político”, Eduardo assume um novo papel: o de operador internacional de guerra cultural e sabotagem diplomática. Sua atuação passa a ser simbólica e estratégica — ele se converte em instrumento para acionar forças externas contra a institucionalidade brasileira. É isso que explica suas declarações recentes: o pedido para que Trump sancione juízes do STF, a ameaça de renunciar ao mandato, os ataques ao Itamaraty e até ao governador Tarcísio de Freitas. Eduardo não está apenas se defendendo — está tentando incendiar o cenário institucional brasileiro a partir de fora.

Essa estratégia carrega a lógica clássica da guerra híbrida: deslegitimar as instituições por dentro e por fora, forçar reações desproporcionais, desestabilizar alianças diplomáticas e apresentar o Brasil como uma “ditadura disfarçada” que precisa ser corrigida pelos “verdadeiros defensores da liberdade”. É a cartilha de Steve Bannon adaptada às condições de um país que ousou dizer não ao império.

Mas o que Eduardo ignora — ou finge ignorar — é que ele não é mais um protagonista necessário. O trumpismo tem outras prioridades. As Big Techs também. E se em algum momento ele for considerado um peso, será descartado com a mesma frieza com que o Departamento de Estado abandonou tantos outros agentes provocadores mundo afora. O exílio simbólico pode se transformar em exílio real. E a cruzada que hoje lhe rende manchetes poderá, em breve, render silêncio — ou prisão, se decidir voltar ao Brasil.

O cálculo de Eduardo é claro: ele não quer vencer dentro das regras. Ele quer destruir o tabuleiro. E sua aposta é que Trump o ajudará nisso — não por lealdade, mas porque a destruição do Brasil como projeto soberano interessa ao capital que Trump representa. A questão é: até onde Eduardo está disposto a ir para provocar essa ruptura? E o que ele arrasta junto consigo?

O empresariado brasileiro: rachaduras na base da direita.

Se Eduardo Bolsonaro joga no caos, o empresariado brasileiro joga no cálculo. E a conta, para quem tem investimentos, cadeia de produção e folha de pagamento, não fecha. A radicalização da extrema-direita, longe de representar estabilidade ou previsibilidade, virou um risco de negócio — um risco político, jurídico, diplomático e agora comercial. A tarifa de Trump acendeu o sinal vermelho nos gabinetes da FIESP, da CNI e dos fundos de investimento: apoiar aventureiros digitais pode sair caro.

A reação do setor produtivo não tem sido ruidosa, mas é visível. Empresários que até pouco tempo toleravam o bolsonarismo como um “mal necessário” para conter a esquerda já não escondem o incômodo. O tarifaço imposto por Trump, supostamente para “defender” Bolsonaro, prejudica exportações, encarece insumos e ameaça empregos. Mais do que isso: torna o Brasil um país imprevisível para o comércio internacional — e a instabilidade, como todo capitalista sabe, é o pior dos ambientes para o lucro.

Essa cisão explica o silêncio de boa parte da elite econômica diante das bravatas de Eduardo. Ninguém do setor financeiro, industrial ou do agronegócio de médio porte saiu em defesa da família Bolsonaro. Pelo contrário, há um movimento gradual de realinhamento com figuras como Tarcísio de Freitas, que encarnam o mesmo projeto de subordinação ao capital internacional, mas com uma estética mais polida, mais tecnocrática, mais vendável. Tarcísio fala inglês, usa terno sim e não pede golpe em live de domingo — e isso basta para parte da elite econômica que quer seguir entregando o país, mas sem ruído.

No entanto, essa aposta também carrega riscos. Tarcísio representa uma continuidade da lógica de submissão, da entrega, da alienação do que resta do Estado brasileiro. Seu projeto, embora mais silencioso, é igualmente hostil à soberania. Ele não repele o bolsonarismo: apenas o encapsula numa embalagem aceitável. É a ultradireita de gravata, o golpismo por dentro da norma, a captura neoliberal disfarçada de eficiência.

O empresariado brasileiro, nesse jogo, está dividido entre dois erros: a instabilidade alucinada dos Bolsonaro e a tecnocracia colonizada dos “liberais racionais”. Nenhum dos dois projetos serve ao país. Ambos respondem, em última instância, ao mesmo centro de comando: o capital estrangeiro, suas corporações e seus algoritmos.

BRICS, Sul Global e soberania digital: o que realmente está em jogo.

O tarifaço de Trump é o pavio visível; o barril de pólvora, porém, está nas transformações que o Brasil passou a liderar no eixo Sul Global. Desde que assumiu a presidência do BRICS em 2025, Brasília deu ao bloco um rumo claro: cooperação financeira em moedas locais, integração industrial entre América do Sul, África e Ásia e uma agenda de governança global centrada na redistribuição de poder hoje concentrado no FMI e no Conselho de Segurança da ONU. A Declaração do Rio de Janeiro, aprovada há poucos dias, coloca em texto corrido o que Washington sempre temeu: “fortalecer mecanismos de financiamento que reduzam a dependência do dólar” e “promover padrões regulatórios comuns para a economia digital”

É contra esse enunciado que a Casa Branca Dispara tarifas.

Trump reage porque os números já contam a história. Em 2003, os EUA absorviam quase um quarto das exportações brasileiras; hoje recebem 12%, enquanto a China saltou para 28%.

Cada ponto percentual que o Brasil desloca para o mercado asiático é uma fissura na arquitetura unipolar que sustenta o poder norte-americano. E não se trata apenas de soja ou minério: falamos de semicondutores produzidos em parceria com a Índia, cabos de dados submarinos conectando Fortaleza a Luanda, satélites geoestacionários cofinanciados pelo Novo Banco de Desenvolvimento. A tarifa, nesse jogo, não busca proteger empregos em Ohio; ela tenta conter a geometria de um mundo em que o Atlântico deixa de ser o meridiano definitivo do comércio e da cultura.

No plano doméstico, Lula apoiou outro movimento que irrita Silicon Valley: a responsabilização legal das plataformas digitais. Em 26 de junho, o Supremo Tribunal Federal declarou parcialmente inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet, exigindo pronta remoção de conteúdos ilícitos e estabelecendo dever de cuidado algorítmico

A decisão converte o Brasil em laboratório jurídico para qualquer país que pretenda quebrar a imunidade das Big Techs. Se a sentença se consolidar, cria-se jurisprudência capaz de atravessar oceanos. A tarifa, portanto, é mensagem cifrada: “regulem e pagarão”.

A convergência de soberania econômica (BRICS) e soberania informacional (regulação das plataformas) compõe o coração estratégico do conflito. Ao articular-se com Pequim, Joanesburgo e New Delhi para monetizar comércio em moedas locais, o Brasil desafia o privilégio exorbitante do dólar. Ao impor barreiras jurídicas ao poder algorítmico, desafia a renda de monopólio dos conglomerados digitais que sustentam a máquina de inteligência dos EUA. Essa dupla audácia altera o centro de gravidade do sistema-mundo: já não basta controlar portos e minas — é preciso submeter cabos de fibra e leis de dados.

Trump, estrategista do choque, escolheu a arma tarifária porque é rápida, concentrada e fácil de vender a um eleitorado protegido por slogans nacionalistas. Mas o alvo real não está nos contêineres que deixam Santos; está no cabo óptico que liga Santos a Xiamen, nos pilotos de IA que rodam em nuvem brasileira sem intermediação da Califórnia, no estatuto jurídico que pode obrigar o Facebook a contratar moderadores em Recife ao invés de automatizar censura em Boston.

Por isso o conflito de 2025 é qualitativamente distinto das guerras tarifárias dos séculos passados. É disputa sobre quem define as regras do tráfego de bits, sobre quem captura excedentes cognitivos, sobre quem registra a contabilidade em qual moeda. E, nesse xadrez, o Brasil tornou-se, num mesmo lance, peça-chave e peça-alvo: se conseguir manter a rota BRICS e consolidar a regulação digital, abre precedente para todo o Sul Global; se recuar, reforça a tese de que nenhuma potência periférica pode ousar reformar o sistema sem sofrer retaliação exemplar.

Cenários até 2026: o confronto inevitável entre soberania e submissão.

Até outubro de 2026, o Brasil enfrentará uma encruzilhada histórica. O que está em jogo não é apenas a reeleição de um presidente ou a sobrevivência política de um grupo extremista. Está em jogo a possibilidade — talvez a última em décadas — de consolidar um projeto de país soberano em meio a uma ofensiva global coordenada que combina guerra comercial, sabotagem informacional e chantagem diplomática.

A máquina de guerra híbrida já está em operação. A tarifa de 50% imposta por Trump é apenas o início. Fontes próximas ao Departamento de Comércio dos EUA falam em ativar a seção 301 para iniciar investigações formais contra o Brasil por “restrições à liberdade de expressão e ao livre mercado digital” — linguagem fabricada sob medida para proteger os interesses das Big Techs. A Meta, o Google, a Amazon e o X, cada uma à sua maneira, vêm pressionando parlamentares brasileiros, ameaçando suspender serviços, alegando insegurança jurídica, enquanto injetam recursos em campanhas de desinformação e manipulação do debate público.

Nesse ambiente, o bolsonarismo seguirá operando como força de sabotagem. Sem poder institucional, funcionará como milícia digital, como rede paralela de influência e como elo informal entre os interesses do trumpismo, da extrema-direita europeia e dos grupos que operam nas sombras do capital financeiro e tecnológico. Não se trata de disputar eleições para vencer — trata-se de inviabilizar o processo eleitoral, esgarçar a credibilidade das instituições, plantar a dúvida, esticar a corda.

A aposta de Eduardo Bolsonaro é clara: transformar 2026 em um plebiscito entre “a ditadura do STF” e “a liberdade”, entre “o comunismo do BRICS” e “o Ocidente cristão”, entre “a censura petista” e “a verdade do povo”. Trata-se de um roteiro pronto para ser executado em plataformas controladas por interesses estrangeiros, operado com inteligência artificial generativa, redes de bots, influenciadores pagos e o apoio silencioso — mas ativo — de think tanks, fundações e setores do próprio empresariado internacional.

Mas essa narrativa não encontrará terreno fértil com a mesma facilidade de 2018. O cenário mudou. A pandemia desnudou o custo da irresponsabilidade. O 8 de janeiro revelou os limites do golpismo. E o tarifaço de Trump expôs a fratura entre os interesses do povo brasileiro e os da extrema-direita internacional. O empresariado está dividido. O eleitorado está mais desconfiado. E o campo democrático aprendeu a reconhecer que as eleições já não são apenas disputa de votos — são guerra de percepção.

Do lado do governo, o desafio é enorme: manter a estabilidade institucional, ampliar a frente de defesa da soberania, comunicar com clareza o que está em jogo e resistir à tentação de responder no mesmo tom da provocação. Lula sabe que não basta vencer. É preciso vencer com legitimidade inquestionável, com mobilização popular, com articulação internacional — e com um novo pacto nacional que não inclua golpistas nem neoliberais envernizados.

Se o Brasil resistir até 2026, terá vencido não apenas uma eleição, mas uma guerra. Uma guerra contra o projeto de recolonização digital e financeira, contra a tentativa de transformar o país numa filial algorítmica da política externa norte-americana. E essa vitória — se acontecer — não será de Lula apenas, mas do povo brasileiro e de todas as nações que ousam desafiar a ordem imperial.

A hora de nomear a guerra e decidir o lado da História.

A tarifa de Trump não é sobre Bolsonaro. É sobre o Brasil. É sobre impedir que um país do Sul Global alcance maturidade geopolítica, autonomia digital e protagonismo internacional fora da órbita imperial. Bolsonaro é apenas o biombo — uma figura útil enquanto servia para desmontar o Estado por dentro, hoje reciclada como peça de agitação simbólica na guerra informacional travada contra a soberania.

Estamos diante de uma operação coordenada que articula governo dos Estados Unidos, Big Techs e setores do capital financeiro internacional para reverter um ciclo que ameaça escapar do controle do centro. O Brasil do BRICS, da regulação digital, das parcerias sul-sul, da desdolarização e da reconstrução do Estado não pode ser permitido. Não porque seja radical — mas porque é exemplo.

Nesse contexto, o bolsonarismo é o vírus e o vetor, mas não é o cérebro. É o agente do caos, mas não o autor da ofensiva. Eduardo sabe disso. Por isso radicaliza. Por isso se exila. Porque o que está em disputa não é mais o destino de sua família, mas o futuro da própria arquitetura de poder que sua família serviu. E se ele tiver que incendiar o país para voltar ao jogo, ele o fará.

Do outro lado, o Brasil tem uma chance histórica. Mas não pode errar a leitura. O que se desenha até 2026 não é apenas uma eleição. É um campo de batalha entre dois projetos antagônicos: soberania ou submissão. Multipolaridade ou dependência. Civilização ou colônia digital.

É preciso nomear a guerra. E é preciso decidir, sem ambiguidade, de que lado da História o Brasil quer estar. Não haverá mais neutralidade possível. A guerra já começou — e ela não é pelo Bolsonaro. Ela é contra o Brasil.


Reynaldo Aragon é jornalista especializado em geopolítica da informação e da tecnologia, com foco nas relações entre tecnologia, cognição e comportamento. É pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação (NEECCC – INCT DSI) e integra o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberania Informacional (INCT DSI), onde investiga os impactos da tecnopolítica sobre os processos cognitivos e as dinâmicas sociais no Sul Global.