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terça-feira, 7 de janeiro de 2025

domingo, 24 de novembro de 2024

RUBENS, WALDIR E AINDA ESTOU AQUI * Emiliano Jose/BA

RUBENS, WALDIR E AINDA ESTOU AQUI
19/11/2024 Emiliano Jose


Waldir Pires e Darcy Ribeiro.
Os dois, deitados na cabeceira da pista do aeroporto de Brasília, encobertos por uma moita.
Ao lado dos dois, Rubens Paiva.

Dia 4 de abril de 1964.

Quatro da manhã.
Movimento nenhum.
Tensos, os três.
Não se mexiam.

Darcy arrisca: acendeu um cigarro.
Cochicha no ouvido de Waldir, filosofa:
Como o poder é efêmero, uma gangorra
Cinco dias atrás, estavam no palácio.
Agora, deitados na grama.
À espera de um Cessna, um monomotor.
Em fuga, Waldir e Darcy.
Rubens, ficaria.

Destino: uma fazenda no Estado de Mato Grosso, próxima à fronteira com a Bolívia, de propriedade do ex-presidente João Goulart.

O acertado: o avião os pegaria logo na abertura do tráfego aéreo, a partir das seis da manhã.

Nunca depois disso.

Modo a escapar da cerrada vigilância imposta pelos primeiros instantes do golpe.

Mergulho no desconhecido

No horário marcado, ouvem o barulho do motor.

Os três levantam a cabeça e veem o Cessna amarelo taxiando em direção à cabeceira da pista.

Ao sentirem o avião em posição de decolagem, Waldir e Darcy se despedem calorosamente de Rubens Paiva, sobem rapidamente, apertam os cintos.

Prontos para um mergulho no desconhecido.

Tentavam escapar da violência do regime militar, recém-implantado por um golpe.

O avião já saía do chão, e os operadores da torre de controle ordenam o retorno da aeronave.

Desconfiaram de alguma coisa, e deram a ordem.

O piloto, ignorante de toda a operação e até do nome dos passageiros, relutou.

Ensaiou dar meia-volta para atender a ordem dos operadores de voo.

Darcy deu voz de comando, um grito:

Nada de voltar!

Finge que não ouviu!

O piloto obedeceu.

O Cessna ganhou altura, seguiu.

Waldir Pires me deu detalhes de tudo isso.

Está na abertura da biografia escrita por mim sobre ele.

Volto a isso, provocado pelo filme Ainda estou aqui.

Assisti agora, em 16 de novembro deste 2024.

Pensei: Waldir era um dos que podiam dizer, também, ainda estou aqui.

Sobreviveu.

Vocês saberão por que.

Fiquei comovido especialmente no momento da obtenção do atestado de óbito, e nem sei exatamente porque nesse exato instante.

O filme é lindo.

Violento, pela ditadura.

E delicado.

Waldir e Darcy descerão na fazenda.

Ficarão à espera de outro avião, como combinado.

Como isso não aconteceu, o piloto, já cúmplice da operação levantou voo, foi atrás de gasolina, e voltou no dia seguinte, 5 de abril.

Só conseguiu gasolina de caminhão, acondicionada em duas latas de querosene de vinte litros.

O plano original de Darcy e Waldir era seguirem para Porto Alegre, e lá participarem da resistência ao golpe, ao lado do presidente João Goulart e do general Ladário Teles, comandante do III Exército e fiel ao governo constitucional, contra os golpistas.

Na noite de 4 de abril, ouviram a notícia num pequeno rádio de pilha: naquele dia, à tarde, o presidente João Goulart, aterrissara no aeroporto de Montevidéu e pedira asilo político ao Uruguai.

O general Ladário Teles havia informado ao presidente não ter mais quaisquer condições de resistir.

Waldir e Darcy decidiram então seguir para o exílio.

Não havia saída.

Seguiram na direção do Uruguai.

Waldir e Darcy levavam no colo as latas com a gasolina de caminhão.

Teco-teco, abastecido a meio caminho.

Chegaram ao país vizinho, onde pediram asilo.

D’Artagnan sereno e corajoso

Rubens Paiva, um D’Artagnan na definição de Waldir, foi o articulador da fuga dos dois.

Na noite de 2 para 3 de abril, reunião no apartamento do deputado Bocaiúva Cunha em Brasília.

Sala lotada.

Analisada a conjuntura, decidiu-se a permanência em Brasília dos titulares de mandatos.

Waldir e Darcy voariam para o Rio Grande do Sul para ajudar e participar da organização da resistência e do governo da legalidade em Porto Alegre, resistência a se ver malograda, com Goulart sendo obrigado a se exilar no Uruguai.

Na reunião, Rubens Paiva assumiu a responsabilidade pela operação de tirar Waldir e Darcy de Brasília e fazê-los chegar ao Rio Grande do Sul.

Entre os tantos deputados presentes, Temperani Pereira, Salvador Losacco, Almino Afonso e Fernando Santana.

Na madrugada, Rubens Paiva passou na casa onde Waldir estava hospedado, os dois foram buscar Darcy, e seguiram para o aeroporto.

D’Artagnan no comando de toda a operação.

A mim, Waldir sempre falou com imenso carinho, com um profundo sentimento de amizade por Rubens Paiva.

Gratidão, orgulho de tê-conhecido e ter sido merecedor da amizade e solidariedade dele.

Testemunhou a imensa coragem do amigo.

A solidariedade naquele momento.

Ao resistir ao golpe, ao ser solidário com pessoas amigas, servia a uma causa a lhe parecer justa e correta.

Waldir me contou da reunião ocorrida no apartamento do deputado Bocaiúva Cunha, também um amigo muito querido, na noite de 2 para 3 de abril.

Noite.

Tudo recendendo terror e tensão.

Brasília ocupada militarmente.

Golpe consumado.

Uma presença firme, a recomendar serenidade: Rubens Paiva.

Não perdia a calma nos momentos difíceis.

Desesperar, jamais.

O filme revela essa personalidade.

Ele se adiantou e disse: estava pronto para adotar as providências necessárias para retirar de Brasília aqueles companheiros dispostos a cumprir as tarefas da resistência possível.

Dia seguinte, 3 de abril, Rubens Paiva se mexeu de todos os modos possíveis.

Tanto conseguir o avião com piloto quanto ir ao aeroporto escolher as moitas de vegetação entre as quais Waldir e Darcy deveriam se esconder à espera do avião.

Um irmão extraordinariamente valoroso e bom: outra definição carinhosa de Waldir quando se referia a Rubens Paiva.

Waldir voltou do exílio em 1970.

Antes mesmo da chegada ao Brasil, Gerbaldo Avena, irmão de dona Yolanda, fora ao Rio de Janeiro disposto a comprar um apartamento, onde Waldir e família morariam.

As orientações foram todas de Rubens Paiva, e Gerbaldo Avena comprou o apartamento de quatro quartos, à rua Tonelero, 4, 10º andar, 1001.

O primeiro a morar nesse apartamento antes de Waldir e família chegarem foi exatamente Darcy Ribeiro, endereço onde foi preso logo depois do AI-5.

Quando Waldir, estimulado pela família de Yolanda, resolve montar uma empresa de pedra britada, uma pedreira, procura Rubens Paiva e Max da Costa Santos.

Queria-os sócios do empreendimento.

Os três chegaram a visitar pedreiras em Bangu, Madureira e Nova Iguaçu, tradicionais produtoras de brita para o mercado carioca.

Não deu certo.

Max, envolvido em dificuldades na família.

Rubens Paiva, em virtude de compromissos assumidos ao comprar uma empresa de construção civil, não tinha condições também de assumir a sociedade.

Mas, D’Artagnan não deixa amigo na mão.

Indicou o amigo Bocaiúva Cunha no lugar dele.

Os três se reuniram e logo na sequência, ali pelo último trimestre de 1970, a empresa se constituiu.

Waldir tinha em Rubens Paiva um amigo sincero, solidário.
Convivia com ele e com a família.
Sequestro do suíço e a mão sangrenta do terror

Uma quarta-feira.
Dia 20 de janeiro de 1971.

Feriado municipal no Rio de Janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da Cidade Maravilhosa.
Rubens Paiva morava na avenida Delfim Moreira, na zona sul.
Manhã de sol no Leblon.

Rubens Paiva era o patriarca de uma casa acolhedora, e se compreenda o uso da palavra patriarca, aqui definindo um ser carinhoso e amplo, nada a ver com qualquer mandonismo.

Naquele dia, recebia os amigos Waldir Pires e Raul Riff, ex-secretário de imprensa de Goulart, contemporâneo de Waldir no exílio.
Jogavam conversa fora, pra abusar da expressão.

Maneira de dizer: conversavam sobre política. Entre taças de vinho e goles de Campari, bebida preferida de Rubens Paiva.

O uso do cachimbo faz a boca torta: os três, mesmo não envolvidos diretamente na vida política naquela conjuntura, estavam sempre atentos aos acontecimentos.

O Chile, colocado na roda.
Possibilidades e riscos do governo de Allende.
Rubens Paiva estivera no país havia pouco tempo.

Testemunhara a felicidade, a alegria do povo.
Waldir comenta sobre uma blitz em Copacabana, quando se dirigia ao Leblon.
Respirou aliviado por não ter sido parado.

Eram dias particularmente tensos no Rio de Janeiro.
Duas ou três palavras sobre a razão dessa tensão.
O embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher havia sido sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) no dia 7 de dezembro de 1970.

Solto apenas quase quarenta dias depois, dia 16 de janeiro de 1971, ação comandada pelo Capitão Carlos Lamarca.

Não fosse a serenidade e a firmeza de Lamarca, e o embaixador teria sido morto.

A maioria dos revolucionários estava inconformada pelas sucessivas negativas da ditadura quanto a alguns dos nomes indicados pela VPR para seguirem para o exílio.

Lamarca usou da prerrogativa de comandante da ação, desobedeceu a maioria e manteve a vida de Bucher.

A ação resultou na libertação de setenta prisioneiros políticos.
E numa fúria repressiva sangrenta por parte da ditadura.

Os três continuavam conversando sobre a conjuntura, marcada pelo sequestro do suíço.

Tinham consciência e posição quanto à luta armada: consideravam-na um equívoco.
Mas sustentavam: toda a radicalização fora provocada pelo AI-5.

Waldir me contou sobre a análise de Rubens Paiva: enquanto a economia crescesse, a ditadura teria espaço para continuar, e no ano anterior o crescimento havia sido de 10%.

E foi época do chamado milagre econômico: entre 1969 e 1973, crescimentos anuais próximos dos 10%.

Waldir argumentou: apesar da falta de liberdade e do crescimento econômico, havia sinais de revolta.
Uma delas, a campanha do voto nulo nas eleições do ano anterior.

Apesar de ser contra o voto nulo, considerava ter sido uma demonstração de revolta popular.

Os três não acreditavam que viesse rapidamente alguma abertura democrática.
Rubens e Eunice insistiram muito com Waldir para ficar para o almoço.
Dava não.

Com filhos crianças e adolescentes, e num feriado, impossível não estar junto com eles e Yolanda.
Se não for, levo uma bronca sem tamanho.
Sabia como era dona Yolanda.
Rubens levou Waldir até o portão.

Combinaram almoço para o sábado, bem próximo daquela quarta-feira.
Seria servido um pato no tucupi.
Ali mesmo: casa de Rubens e Eunice.
Waldir, Yolanda, e as crianças.
Eunice e todo o resto da família.
Tudo combinado.

E Waldir foi ao encontro de Yolanda, das filhas, dos filhos.
Dali a pouco, a repressão chegou e levou Rubens Paiva.
Para a morte.

E o desaparecimento.
Tal destino seria provavelmente também o de Waldir, tivesse ficado para o almoço.

Começo da tarde, ele recebe um telefonema dando conta do internamento de Rubens Paiva.

Rapidamente, informação de Waldir, promoveu-se uma reunião com advogados e amigos na casa de Bocaiúva Cunha.

Waldir me disse:
E começara o duro infortúnio que se abateu sobre toda a família de Rubens, e a dor e a angústia que envolveram todos nós, seus amigos.

A ditadura tinha os mágicos. Os monstros encarregados pelos comandantes militares de sumirem com pessoas.

Se posso, e tomo a ousadia, aconselho a leitura de recente e essencial livro de Marcelo Godoy Cachorros. Capítulo Os mágicos: Rubens Paiva e a farsa do desaparecimento.

O chefe dos mágicos, principal responsável pela morte e desaparecimento de Rubens Paiva: o então coronel José Luiz Coelho Neto, mais tarde um dos generais da linha dura do regime. Não é só isso: o capítulo é muito mais amplo, esclarecedor.

Eunice esteve na Bahia, depois da anistia, no ato de filiação de Waldir ao PMDB, quando ele iniciava a caminhada vitoriosa em direção ao governo da Bahia.
Como se fora, e era, a representação simbólica de Rubens.
Amizade eterna.

Emiliano Jose

Emiliano José da Silva Filho é jornalista, escritor, professor universitário, imortal da Academia de Letras da Bahia, formado pela Faculdade de Comunicação Universidade Federal da Bahia, onde fez Mestrado e Dourado, ex-vereador, deputado estadual e deputado federal pelo Partidos dos Trabalhadores.

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terça-feira, 2 de abril de 2024

GOLPE MILITAR, MARIELLE E O CRIME ORGANIZADO * Por: IHU e Baleia Comunicação

GOLPE MILITAR, MARIELLE E O CRIME ORGANIZADO
Por: IHU e Baleia Comunicação | 01 Abril 2024

Desde que a Polícia Federal divulgou o relatório final da investigação apontando os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, bem como o delegado Rivaldo Barbosa, responsável pelas investigações iniciais, como mandantes e artífice do crime, há uma sensação de justiçamento. Mas o caso é mais complexo.

“O caso Marielle é um ponto, uma batalha vencida no meio de uma guerra gigantesca, onde há inúmeros casos de disputas, assassinatos, homicídios, atuação miliciana brutal, violenta, desaparecimento forçado”, pondera o professor e pesquisador da UFRRJ, José Cláudio Souza Alves. “O grande problema não é o caso da Marielle em si; é todo o resto que está para além do caso Marielle e que, se ficarmos agora conversando sobre o caso, não vamos pensar e refletir sobre todo o resto que existe”, complementa.

Quando olhamos o caso em perspectiva com a Intervenção Federal, em que o general Braga Netto assumiu a segurança pública do Rio de Janeiro e nomeou um dos artífices do assassinato da ex-vereadora carioca e seu motorista, recordamo-nos de histórias perversas do regime militar e dos esquadrões da morte.

A revelação dos nomes dos artífices do crime contra a vereadora carioca e seu motorista ocorre aproximadamente uma semana antes da data que completa 60 anos do Golpe Civil-Militar de 1964. O assassinato ocorreu sob Intervenção Federal na segurança pública do Rio de Janeiro, sob o comando do general Braga Netto. Mas a escolha do governo federal diante desse contexto, ao invés de encarar a ferida aberta da ditadura no Brasil, foi a de colocar panos quentes.

“A tutela militar sobre o governo civil permanece, não se iludam. Solicitar aos ministérios todos a não memória, a não recordação, a não lembrança dos 60 anos do Golpe Militar, em mensagem enviada pelo atual presidente da República, revela muito essa subjugação do poder civil atual à tutela militar no Brasil”, critica o pesquisador. “Como estudo grupos de extermínio, sei que eles foram criados na ditadura militar a partir do Golpe Empresarial-Militar de 1964, sei muito bem que milicos e milícias estabelecem uma relação muito forte entre si, de modo que a relação entre a canalha assassina e os nobres generais é algo antiquíssimo”, acrescenta.

CONTINUA

domingo, 31 de março de 2024

1964 ESQUECER NUNCA REPETIR JAMAIS * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

1964 ESQUECER NUNCA REPETIR JAMAIS

Silêncio oficial revela que ditadura não foi superada, diz relator da ONU

Jamil Chade - Colunista do UOL, 28/03/2024

A decisão do governo Lula de não marcar os 60 anos do golpe militar de 1964 revela que a ditadura ainda não foi superada no Brasil. O alerta é do relator da ONU sobre Verdade, Justiça e Reparação, Fabian Salvioli. Para ele, o silêncio é o abandono das vítimas da repressão, algo que o estado "nunca" poderia fazer.

Responsável pelo tema nos últimos seis anos, o relator afirmou ter ficado surpreso diante da determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que seu governo mantivesse silêncio no dia 31 de março. Para ele, as autoridades brasileiras estão violando uma de suas obrigações internacionais ao escolher o silêncio. "Não se trata de uma opção", disse.

Em entrevista exclusiva ao UOL, Salvioli se mostra preocupado com a possibilidade de que essa decisão de abafar a data possa ter uma relação com uma suposta falta de liberdade do governo em relação aos militares. Para o relator da ONU, seria "muito grave" se tal decisão for parte de uma "chantagem das Forças Armadas"

Talvez, pela particular situação que atravessa o Brasil, entendo que o governo não tenha hoje a liberdade para fazer o que é devido. E isso é muito grave. Se ele obedece à chantagem das Forças Armadas, seria algo muito grave. Governos não podem funcionar sob . O golpe militar instaurou uma ditadura que duraria 21 anos.
Eis os principais trechos da entrevista:

- Chade - O que significou o golpe de 1964 no Brasil para a história da América Latina?

- Salvioli - Significou muito, no sentido que o Brasil é o país mais importante da região em muitos sentidos, e a ruptura da democracia num país assim tem um efeito dominó em outros lugares. Isso veio acompanhado com uma metodologia de violações sistemáticas de direitos humanos. No Brasil, isso teve particularidades concretas, como as violações aos povos indígenas. Tudo isso ficou muito claramente dito no informe da Comissão Nacional da Verdade.

- Por qual motivo é importante marcar datas como os 60 anos

- São muito importantes em termos de memória coletiva. Para recordar o que ocorreu, para prestar as devidas homenagens para as vítimas dessas aberrações. E para dar um sinal de que, da parte do Estado, há uma condenação. E que é uma condenação permanente a essa questão. É um erro pensar que, por ter ocorrido há 60 anos, não deve ser lembrado. Ninguém ousaria dizer que devemos deixar de marcar o dia das vítimas do Holocausto. E isso ocorreu há mais tempo. Quando os países atravessam esse tipo de questões, é muito importante sinalizar as coisas como elas são. E isso deveria ser uma política de estado. E que não dependesse de um governo ou outro. Isso deveria ser transversal a todos os governos que se dizem democráticos.

- Que papel tem essa memória para a construção da democracia hoje?

- É fundamental. Marca as regras de um pacto de convivência que não se pode quebrar em nenhum caso. Quando se esquecem esses pactos é que emergem os discursos autoritários, que reivindicam os crimes e que provocam uma permeabilidade maior das sociedades em relação ao discurso de violência. Isso é muito grave. As grandes tragédias não começam com fatos violentos. Começam com discursos violentos. E precisamos reagir rapidamente. O processo de memória é um valor em si mesmo. Não pelo que ocorreu no passado. É um valor para a construção de uma democracia forte e saudável para o futuro.

- Passamos por quatro anos de um governo que negava a existência do golpe. Isso é reflexo ainda do passado ou deste pacto democrático que não conseguiu ainda ser costurado de novo?

- Podem ser as duas coisas. A democracia precisa ser alimentada todos os dias. Não é algo que podemos dizer que conquistamos e que podemos dormir tranquilos. A democracia precisa ser construída com políticas públicas inclusivas e diárias. Talvez, pela particular situação que atravessa o Brasil, entendo que o governo não tenha hoje a liberdade para fazer o que é devido. E isso é muito grave. Se ele obedece à chantagem das Forças Armadas, seria algo muito grave. Governos não podem funcionar sob chantagem das Forças Armadas.

Além disso, os processos de memórias como garantia de não repetição para evitar futuras violações não são opcionais. São obrigações que os Estados têm diante do direito internacional. Neste caso, portanto, o Estado está descumprindo uma obrigação internacional.

- Qual é essa obrigação?

- Os estados precisam respeitar os direitos humanos e garantir os direitos humanos. Dentro dessa obrigação de garantia, existe o que se chama o dever de prevenção. E isso se faz através de políticas de memória.

- A decisão do governo Lula foi uma surpresa para o senhor?

- Sim. Fiquei surpreendido. Quando essas datas são relembradas, não é uma condenação às instituições. Mas a quem decidiram tomar ações ilegítimas e a quem cometeu crimes. Não se ataca as Forças Armadas democráticas. Não é um ataque às instituições. O que ocorre é que, quem cometeu esses crimes, têm porta-vozes e recorrem a um nocivo espírito corporativo para esconder esses fatos horríveis e que foram devidamente esclarecidos pela Comissão da Verdade.

- Que mensagem o silêncio manda para as vítimas?

- Existem diversas formas de revitimizar as vítimas e esse é um deles. O silêncio é uma maneira de abandonar a quem o estado não deve nunca mais abandonar. É uma maneira de revitimizá-las.

- Há quem diga que o Brasil não deve olhar o passado e que devemos nos concentrar nos desafios de hoje, sem fazer barulhos sobre o passado. Mas o país superou a ditadura?

- Não superou. Se tivesse superado, poderia falar disso sem problemas. O exemplo mais claro que não foi superado é o fato de que não se pode falar sobre isso sem problemas. Recordar os fatos do passado não quer dizer ficar no passado e nem quer dizer não olhar ao futuro. As sociedades recordam o passado. Todos nos lembramos das guerras de independência e ninguém diz que não devemos olhar para isso. Há uma intenção clara de não querer se abordar determinados fatos. Quando alguém diz que não quer fazer barulho ou molestar, o que isso quer dizer é que não se quer molestar os perpetradores. O problema é que, assim, se molesta a quem já foi vítima e voltam a ser vítimas.


Fernanda Montenegro interpreta Sonia de Moraes Angel

4ª Caminhada do Silêncio terá concentração na antiga sede do DOI-Codi de São Paulo

No dia 31 de março , data que marca os 60 anos do golpe civil-militar, ocorrerá em São Paulo a 4ª edição da Caminhada do Silêncio pelas Vítimas de Violência do Estado, com o lema “Para que não se esqueça, para que não continue acontecendo”.

Neste ano, a concentração para o ato será realizada no antigo Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-Codi, a partir das 16h. Já a caminhada em direção ao Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, no Parque Ibirapuera, está prevista para começar às 18h. Os participantes do ato poderão levar flores e velas, que serão depositadas aos pés do monumento junto com fotos das vítimas da violência de Estado

Data: 31/03/2024
Horário: 16h (início da caminhada às 18h)
Local da concentração: Antigo DOI-Codi (Rua Tutóia, 921, Vila Mariana)
Destino final da caminhada: Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos (próximo ao Portão 10 do Parque Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Vila Mariana)

Entidades apoiadoras
UNE - União Nacional dos Estudantes
OAB - Ordem dos Advogados do Brasil - São Paulo
Comissão Justiça e Paz de São Paulo
Filhos e Netos Memória Verdade Justiça
Coalizão Brasil Memória Verdade Justiça Reparação e Democracia

Apoio legislativo
Mandato Antonio Donato (PT)
Mandato Beth Sahão (PT)
Mandato Luna Zarattini (PT)

Realização
Instituto Vladimir Herzog
Movimento Vozes do Silêncio
Núcleo de Preservação da Memória Política
Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania

Vídeo
Fernanda Montenegro interpreta Sonia de Moraes Angel na Campanha pela Memória e pela Verdade, da OAB/RJ (2010) com apoio da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pela abertura dos arquivos da ditadura militar

Música
"Achados e Perdidos / Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória"
Compositor:
Gonzaguinha /Editora - Moleque Edições LTDA
Músicos:
Aline Deluna - Voz
Dany Roland - Edição de Vozes, Radiofonia e Samples
Murilo O'Reilly - Percussão acústica e eletrônica
SEMINÁRIO 60 ANOS DO GOLPE

UFF, UFRJ, UNIRIO, UFRRJ, UERJ, UERJ-FFP, PUC e IHGB convidam para o Seminário 60 anos do golpe: história, memória e novas abordagens da ditadura no Brasil. Organizado por Angela Moreira (UFF), Angélica Müller (UFF), Izabel Pimentel (UERJ-FFP), Larissa Corrêa (PUC), Lúcia Grinberg (UNIRIO), Maria Paula Araújo (UFRJ), Renata Moraes (UERJ) e Samantha Quadrat (UFF), o evento ocorrerá em diferentes instituições entre os dias 01 e 05 de abril. A programação está composta por mesas redondas, oficinas para professores da educação básica e licenciandos, homenagens e exposição. Esperamos vocês! #60anosdogolpe #ditaduranuncamais #lembraréresistir


Divulguem, por favor, entre seus contatos e em suas redes sociais!


Em memória de Edson Luís de Lima Souto, estudante brasileiro cujo o assassinato teve um impacto significativo durante o período da Ditadura Militar no Brasil.

Ele nasceu em 1950 e tornou-se conhecido nacionalmente após sua morte precoce em 28 de março de 1968, aos 18 anos de idade.

Edson Luís era um estudante secundarista e trabalhava como garçom para sustentar sua família. Sua morte ocorreu durante um episódio de protestos estudantis no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro.

Os estudantes protestavam contra o aumento do preço da refeição no restaurante, que era frequentado principalmente por trabalhadores e estudantes de baixa renda. Durante os protestos, houve confrontos com a polícia e Edson Luís foi morto com um tiro no peito. Sua morte gerou grande comoção e indignação popular, sendo um dos eventos que contribuíram para aumentar a pressão contra o regime militar que governava o Brasil na época. O episódio ficou conhecido como "Massacre da Boca do Lixo".

A morte de Edson Luís serviu como um catalisador para o aumento da mobilização contra a ditadura militar e é lembrada como um dos eventos marcantes da resistência estudantil e popular no Brasil durante aquele período. Hoje lembramos de sua coragem e seu sacrifício durante os protestos contra a injustiça. Sua voz continua viva, inspirando-nos a lutar por um Brasil mais justo e igualitário.

Fonte: Movimento sem terra

O BRASIL TEM MAIS DE 1600 DESAPARECIDOS NA DITADURA, NEM TODOS CONSTAM NOS ARQUIVOS OFICIAIS - LEMBRAR.PARA MAO REPETIR

60 anos da Ditadura, hoje, falaremos dos desaparecidos Políticos na Ditadura brasileira

E o que isso significa a família
Pelo direito de enterrar nossos mortos, lutemos

Fazendo um apanhado DOS desaparecidos políticos do ES ( FOTO) para levar na caravana Capixaba dos 60 anos da Ditadura, que sairá de Vitória dia 31/03 as 23h rumo a Juíz de Fora, local em que tropas golpistas, comandada por Gal Mourão, rumaram ao RJ para consolidar em o golpe MILITAR- PERIODO MAIS OBSCURO E CRUEL DA HISTORIA DO BRASIL, lembrei de dores que vi e ouvi de familiares que não tiveram o direito de enterrar seus mortos.

A dica de hoje é um documentário de 12' , contando a incansável busca da mãe de Fernando Santa Cruz, em busca do corpo de seu filho. Dona Elzita foi incansável e pouco antes de morrer,

O delegado torturador, Cláudio Guerra revela que 13 guerrilheiros foram incinerados na fazenda Cambaiba , em Campos, dentre eles, seu filho, Fernando Santa Cruz . (Livro biográfico escrito por Rogério Medeiros - Memórias de uma Guerra Suja- esgotado mas livrarias, vendido na internet) que virou documentário no filme Forro em Cambaiba
Em final de 2023 a fazenda , posta pra reforma agrária,foi assentada.

Sobre sequelas, lembro da amiga e por muitos anos revolucionária, Neuzah Cerveira, filha do major Cerveira, outro desaparecido na ditadura na operacao CONDOR , que foi incinerado em Cambaiba, a Nina , na foto de meu arquivo particular, em minha casa em JF, contou - mee muitas coisas que a faziam viva na luta: procurar por seu pai , sempre certa de seu retorno não admite que seu pai foi incinerado, acostumada a esperar por 50 anos por sua volta, sofrendo altos e baixos na saúde mental.
documentario completo Operacao Condor )
O GOLPE MILITAR

O golpe militar de 1964, o quarto golpe, não foi uma exceção. Foi uma regra.
Sempre que o país tenta algum avanço, algum progresso, no campo econômico, político ou social, sempre que tenta alguma melhoria para o povo, vem o freio, o golpe de estado.
O golpe foi executado em 1° de abril, mas os golpistas mudaram a data para 31 de março.
Foi no 1° de abril que se deram os embates físicos em quartéis, navios e bases militares, com enfrentamentos físicos, feridos e mortos!
Mudaram de data porque se envergonhavam do 1° de abril, por ser conhecido pelo povo como o dia da mentira!
Mas o “evento” foi comemorado com um jantar na embaixada americana, na noite de 1° de abril.
Além de mudarem a data, mudaram o motivo. E o golpe passou a se chamar “Revolução”.
A redentora, como ficou sendo classificada.
Desde a Revolução Francesa de 1789, a revolução é tida como um acontecimento glorioso e os revolucionários são considerados heróis do povo.
O golpe militar de 1° de abril de 64, a abrilada, não podia deixar por menos!
Baixaram o Ato Institucional, o primeiro que não levou número.
Pois acreditavam que, com aquele Ato, eles resolveriam todos os problemas brasileiros.
Nem precisariam mais da assistência direta do Império ianque, do Tio Sam.
O golpe foi um produto típico da Guerra Fria.
À época, não houve nenhum golpe militar na América latina sem o patrocínio e o aval do Império ianque.
O Tio Sam seguia os caminhos do Big Stick com rigor!
Big Stick do inglês: "grande porrete" refere-se ao estilo de diplomacia usado pelo presidente Theodore Roosevelt Jr. presidente dos Estados Unidos entre 1901 e 1909),
"fale com suavidade e tenha à mão um grande porrete.”

O comando geral do golpe ficou a cargo do embaixador americano Lincoln Gordon.
E o comando local ficou a cargo do General Golbery do Couto e Silva.
Ele foi o verdadeiro arquiteto do golpe.
Golbery era um general intelectual, leitor e escritor.
Coisa muito rara no Exército brasileiro!
Para o golpe, ele criou o IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática e o IPES, Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais.
Os dois institutos tinham a missão de propagandear a ideologia anticomunista.
O terror anticomunista era trombeteado como um mantra!
E, no caso, todo nacionalista ou democrata era apontado como perigoso comunista!
Começava ali uma forma de manipulação e controle da população!
Mas Golbery foi apenas o arquiteto. O construtor foi o embaixador Lincoln Gordon.
Lincoln Gordon, um indivíduo prepotente e ousado, verdadeiro representante da diplomacia do Império ianque para a Guerra Fria!
Vivia dando entrevistas e fazendo declarações contra o governo João Goulart, insinuando que o Presidente brasileiro estava levando o país para o comunismo.
A mão de obra, para o trabalho de campo, ficou por conta do adido militar da embaixada ianque, o coronel Vernon Walters.
Um coronel americano que falava o português sem sotaque.
Walters era parceiro e cúmplice do marechal Castello Branco.
Os dois planejaram o golpe a quatro mãos.
Castello Branco ganhou a Presidência da República, o que não é pouco!
E Walters ganhou o título de o maior e melhor especialista em golpe de estado.
Do Brasil partiu para o Chile, para preparar o golpe naquele país.
E depois voltou para os Estados Unidos para ser o chefe da CIA.
O que não se pode entender é que os intelectuais do ISEB, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, a nata de socialistas, comunistas, democratas; a academia brasileira em peso, não percebesse que estávamos em plena Guerra Fria.
E que o governo João Goulart e o programa das Reformas de Base estavam sendo violentamente contestados como medidas comunistas a serviço de Moscou, Pequim e Havana.
Por trás destas acusações estúpidas e de má fé, encontra-se o embaixador americano e toda a grande imprensa nacional e internacional.
O Presidente João Goulart, ou Jango, era um nacionalista ferrenho!
Colocava os interesses do Brasil acima de tudo! E, no caso, não vacilava!
E o povo brasileiro acordou para a exploração torpe sofrida pelo país!
E tomou as ruas gritando e defendendo o interesse nacional!
Uma onda de nacionalismo varria o país de norte a sul!
Do lado contrário, os entreguistas, defensores dos interesses do Tio Sam, tomaram posição.
Na Câmara dos Deputados a Frente Parlamentar Nacionalista contava com 150 deputados federais.
Todos foram cassados nos primeiros dias da ditadura militar.
Uma das últimas medidas do Presidente João Goulart foi assinar o decreto regulamentando a remessa de lucros que as empresas estrangeiras enviavam para suas sedes.
A maioria das empresas eram norte americanas.
Esta sangria, esta hemorragia era, e é até hoje, o que torna anêmica a nossa economia!
A rapinagem dos recursos do país é efeito da nossa condição de colônia Brazil com “Z” do Império ianque.
Remando em sentido contrário ao dos golpistas, nos últimos dias do governo Goulart, às vésperas do golpe, intelectuais do ISEB repetiam:
“No Brasil as forças armadas são democráticas.
E não há clima para golpes!
O Exército, a Marinha e a Aeronáutica estão apoiando as Reformas de Base do Presidente João Goulart.”
Não podia haver maior equívoco!
Golbery conseguiu o apoio de mais de noventa por cento da alta oficialidade das forças armadas para o golpe. Mais de oitenta por cento do grande empresariado. E a totalidade dos latifundiários.
Os latifundiários viviam apavorados com a reforma agrária pois, além do programa das Reformas de Base do Presidente João Goulart, temiam o avanço das Ligas Camponesas de Francisco Julião.
E assim, o quarto golpe patrocinado pelo Império ianque implantou uma ditadura militar que durou 20 anos. A tragédia do povo brasileiro!
Uma minoria militar resistiu nos quartéis e bases militares ao avanço dos golpistas.
Foram sacrificados, muitos presos e mortos nas câmaras de torturas!
Mas a luta continuou e continua contra os golpistas atuais.
Contra os bandidos terroristas do 8 de janeiro de 2023, e os seus patrocinadores!
Voltando ao golpe militar de 1° de abril de 64, não faz sentido se falar em golpe militar empresarial.
Pois teríamos de falar: Golpe militar empresarial, latifundiário, eclesiástico.
Eclesiástico, porque a Igreja teve um papel decisivo no preparo e desencadeamento do golpe!
E latifundiário não é empresário e o seu peso no golpe foi inegável!
Chega de penduricalhos!
Foi golpe militar mesmo, como tantos outros!
Com suas peculiaridades, evidente.
NOTA: Neste texto tratamos, apenas, do golpe militar.
A ditadura e suas consequências nefastas é outra história!
É a história da tragédia brasileira nua e crua!

E. Precílio Cavalcante
Capitão de mar e guerra ref. do Corpo de Fuzileiros Navais.
Pesquisador da História militar.
Rio de Janeiro, 30 de março de 2024.
ABAIXO O GOLPISMO E VIVA A LIBERDADE!
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quinta-feira, 28 de março de 2024

DENUNCIAR O GOLPISMO SEMPRE * Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro/OAB.RJ

DENUNCIAR O GOLPISMO SEMPRE
OAB lembra Golpe de 1964 ‘para não esquecer e jamais repetir’ em 1 de abril

Em meio a debates que antagonizam a importância de mobilizar a sociedade nos 60 anos do golpe militar de 1964 e a necessidade de não insistir no assunto para viabilizar o apaziguamento social pós-governo fascista, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) irá realizar o evento “Lembrar para não esquecer e jamais repetir – 60 anos do Golpe de 1964: violação à democracia”.

No dia 1 de abril, das 13h às 18h, no Plenário Evandro Lins e Silva, a OAB receberá a sociedade civil para uma série de atividades que lembrarão os anos de profundo autoritarismo e de crimes – até hoje não solucionados – cometidos pelo Estado durante os anos em que o Brasil teve sua democracia sequestrada pelos militares.

O presidente da Ordem, Luciano Bandeira, será acompanhado, na mesa de abertura, pela vice-presidente Ana Tereza Basilio, o secretário-geral Álvaro Quintão, Mônica Alexandre, secretária-adjunta, Marcello Oliveira, tesoureiro e Jorge Folena, presidente da Comissão de Justiça de Transição e Memória da OAB.

Após a abertura haverá a apresentação da peça “Re-acordar”, do grupo teatral Tucaarte, com direção e participação de Amir Haddad. Um painel, a partir das 13h30, com a presidência de Jorge Folena e um debate no final do dia trarão palestras que tratarão dos contextos histórico, social, ideológico e político que se somaram para criar o fato político que jogou o país em 21 anos de direitos cerceados.

Confira a programação completa:

13h – Abertura
Luciano Bandeira – presidente da OABRJ
Ana Tereza Basilio – vice-presidente da OABRJ
Álvaro Quintão – secretário-geral da OABRJ
Mônica Alexandre – secretária-adjunta da OABRJ
Marcello Oliveira – tesoureiro da OABRJ
Jorge Folena – presidente da Comissão de Justiça de Transição e Memória da OABRJ

13h30 – Apresentação da peça “Re-acordar” (Grupo Teatral Tucaarte)
Dramaturgia, direção e participação de Amir Haddad

15h – Palestras
Presidência do painel
Jorge Folena – presidente da Comissão de Justiça de Transição e Memória da OABRJ

15h15 – O que foi o golpe de 1964?
Lincoln Penna – professor de história da UFRJ e membro da Casa da América Latina

16h – Ato Institucional n 1 de 1964: violência contra a ordem constitucional
Sérgio Sant’Anna – professor de Direito Constitucional da Ucam e membro da Comissão de Justiça de Transição e memória da OABRJ

16h45 – Golpe de 1964 e os militares na política brasileira
Denise Assis – jornalista e mestre em comunicação social pela UFRJ

17h30 – Debate
Anderson Bussinger – diretor do Centro de Memória e vice-presidente da Comissão de Justiça de Transição e Memória da OABRJ
Paulo Joeal Bender Leal – coordenador do Centro de Memória do IAB e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santo Ângelo/RJ

Realização: comissão de Justiça de Transição e Memória/OABRJ
Local: Plenário Evandro Lins e Silva | Av. Marechal Câmara, 150 – 4 andar

Texto: Rodrigo Mariano/Senge RJ
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