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quinta-feira, 17 de abril de 2025

PRESOS POLÍTICOS NO MUNDO ATUAL * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

PRESOS POLÍTICOS NO MUNDO ATUAL
Hoje, enquanto o mundo aguardava o veredito final sobre a libertação de Georges Abdallah, o lutador comunista libanês pela Palestina preso na França por 40 anos, o Tribunal de Apelação francês adiou sua decisão até 19 de junho.

Em novembro de 2024, um tribunal francês ordenou a libertação de Georges após 40 anos em prisões francesas, apesar de ele ter direito à libertação desde 1999. No entanto, o Estado recorreu do caso, e uma decisão era esperada para hoje; Agora a decisão foi adiada por mais quatro meses.

De acordo com seu advogado, Jean-Louis Chalanset, o tribunal adiou sua decisão para que o condenado pudesse "compensar" as "partes civis" — ou seja, o agente da CIA e o agente do Mossad mortos na operação da Facção Revolucionária Armada Libanesa — algo que ele sempre se recusou a fazer.

É urgente continuar nossa mobilização e ação para LIBERTAR GEORGES ABDALLAH AGORA

Georges Abdallah deve ser libertado!
MAIS PRESOS POLÍTICOS PALESTINOS
&
Da República Bolivariana da Venezuela 🇻🇪 o Coordenador Simón Bolívar expressa solidariedade ao nosso irmão Héctor Llaitul, líder do Povo Mapuche.
Caracas - Venezuela
Abril de 2025.
MAIS HECTOR LLAITUL
&
*
Do Coordenador Simón Bolívar, Solidariedade com nossos companheiros presos políticos no Equador.
Caracas - Venezuela.
Abril de 2025.
Coordinadora Simón Bolívar Traslado Ya para Ilich Ramírez Sánchez a Venezuela 
Caracas - Venezuela 
Abril 2025.
Do Coordenador Simón Bolívar exigimos a repatriação de Simón Trinidad, sequestrado em uma prisão do império ianque, sem ter cometido nenhum crime nos Estados Unidos.
Liberdade Agora
Caracas - Venezuela
Abril de 2025.
*
PRESOS POLÍTICOS DA COLÔMBIA
*
PRESOS POLÍTICOS DE NAIYB BUKELE
LUCAS PASSOS
BRASILEIRO PRISIONEIRO DO MOSSAD NO BRASIL

sábado, 14 de dezembro de 2024

Leitura do manifesto da AAPR - Associação de Ativistas Por Reparação

Manifesto AAPR - Associação de Ativistas Por Reparação
contra a impunidade das violações cometidas desde a ditadura

"Sem ódio. Sem rancor, mas com a firmeza de quem não se perde nas sutilezas dos meandros traçados pelas classes dominantes de ontem e de hoje. Que venhamos a ser respeitados pelos demais povos do mundo. Não podemos continuar sendo uma ilha isolada, mesmo em nossa pobre América Latina. Uma ilha de impunidade."

Antônio Pinheiro Salles, preso político por nove anos e torturado pela Ditadura Empresarial-Militar, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, publicado no livro Ninguém Pode se Calar.

Aos 60 anos do golpe, o Brasil carrega a mácula de não ter punido os agentes militares e civis responsáveis pelo financiamento e efetivação de graves violações de Direitos Humanos durante a Ditadura (1964-1988) e por seus atos preparatórios.

A cumplicidade das grandes corporações com o regime foi objeto de silêncio por muito tempo. O processo de resgate e construção da memória, sobretudo no âmbito das comissões da verdade, foi tardio e parcial; mas ele é a necessária ponta de um novelo que começa na aliança de militares com empresários para a articulação do golpe e se estende por mais de duas décadas de terrorismo de Estado, com um sistema repressivo projetado para a coerção dos trabalhadores, indígenas, quilombolas, camponeses, com vistas à maximização dos lucros das empresas, às custas da espoliação destes grupos.

Apesar das fartas provas da colaboração entre empresas e a Ditadura, até o momento apenas a Volkswagen do Brasil foi constrangida a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em razão da colaboração em crimes de lesa-humanidade. Hoje, outras 14 companhias são objeto de inquérito.

Nosso país, de uma forma geral, carece de uma cultura jurídica acerca da Justiça de Transição. Assim, juristas e ativistas vinculados historicamente à defesa da democracia e dos Direitos Humanos e sociais se unem no esforço de elaborar parâmetros teóricos e práticos, a fim de incidir sobre os inquéritos e futuros procedimentos judiciais ou extrajudiciais. Garantir a responsabilização das empresas e empresários cúmplices da Ditadura, bem como os processos de reparação completa, adequada, coletiva e efetiva, são o ponto-chave deste esforço.

Quebrar os parâmetros da impunidade corporativa pelos crimes do passado é uma tarefa de enorme relevância histórica e diz respeito a cada cidadão e cidadã. Em primeiro lugar, pela importância do passado, ao se construir coletivamente a memória política de um capítulo deplorável de nossa história. Mas também em relação ao futuro, para que se criem parâmetros legais que contribuam com a quebra de um ciclo de repetição do autoritarismo, que continuamente assombra o Brasil. A violência das polícias é realidade constante nos bairros pobres e favelas desde a Ditadura e, particularmente, com o povo negro.

Permanece um ranço antidemocrático em nossa sociedade, que tem na tutela militar o seu maior expoente, como as repetidas tentativas golpistas demonstraram, tal qual foram o 08 de janeiro de 2023 e os planos de assassinato de personalidades, inclusive do presidente da República, com vistas à insubordinação do poder militar contra a nossa frágil democracia.

Pela falta de apuração e condenação pelos crimes cometidos por empresas, predomina também na sociedade uma cultura que vigora até hoje, em que os casos mais perversos são normalizados e corriqueiros. Até hoje, os maus tratos, a discriminação, a vigilância, o controle e a submissão são naturalizados. Se houve um avanço democrático na sociedade após a Constituinte, ele não entrou nas fábricas, nas fazendas, nos locais de trabalho em geral.

O lançamento desta associação de ativistas, cujo objetivo é o apoio aos vitimados das empresas cúmplices da ditadura, é ancorada neste contexto. A partir da constituição de um corpo jurídico interessado no estudo e aplicação dos processos de reparação, esta associação deve se aproximar dos advogados e advogadas das entidades de vitimados e dar o suporte necessário aos diversos casos, por meio de atividades formativas, produção de materiais de subsídio e acompanhamento dos inquéritos hoje abertos pelo Ministério Público no caso das empresas cúmplices da Ditadura, bem como em futuros procedimentos judiciais ou extrajudiciais, nacional ou internacionalmente.

Para garantirmos o melhor acompanhamento dos inquéritos, é fundamental, após a formalização e constituição da associação, a sua habilitação nos inquéritos, em conjunto com as entidades de vitimados. Ao mesmo tempo, contribuiremos para que se criem ferramentas visando à autonomia das entidades de vitimados na defesa dos interesses dos seus representados, de forma que lhes seja garantido um processo de escuta amplo, qualificado e especializado, inclusive em espaços coletivos e deliberativos.

Essa associação também almeja atuar no apoio a pesquisas, que tenham como objetivos a revelação das graves violações de direitos cometidas pela cooperação das empresas com o regime militar e a busca por reparação. Concomitantemente, iremos incentivar e pautar a abertura dos arquivos das empresas, um passo fundamental para incentivar novas perspectivas à pesquisa histórica e, sobretudo, impulsionar as reivindicações por Memória, Verdade, Justiça e Reparação. 

As empresas cúmplices da Ditadura estão espalhadas por todo o território brasileiro. São privadas, estatais, nacionais, multinacionais, localizadas em ambiente urbano e rural. Para garantir o efetivo acompanhamento dos casos das empresas que possuem inquérito civil em andamento, ou que possuem indícios, registros ou testemunhos de cooperação, esta associação apoia a articulação das entidades de vitimados com o Fórum por Verdade, Justiça e Reparação, que já atua em algumas regiões do país. O Fórum atua para contribuir com a coesão das iniciativas por Memória, Verdade, Justiça e Reparação no país no âmbito das empresas cúmplices da Ditadura, somando-se a todos os lutadores e lutadoras que historicamente se empenham para a reparação dos malfeitos cometidos. Esta é a defesa dos interesses e autonomia dos trabalhadores, sindicalistas, indígenas, quilombolas, camponeses, ribeirinhos, populações removidas, familiares de vitimados que foram vitimados pela articulação orgânica dos interesses dos empresários com os militares e agora reivindicam reparação coletiva às violações cometidas.

A apresentação pública de um estatuto é o próximo passo a ser dado para avançarmos na busca por reparação para a sociedade brasileira e especialmente para aqueles e aquelas que foram diretamente vitimados pela ganância autoritária das empresas em cumplicidade com os militares.

Seguir com Memória e Verdade!

Avançar com Justiça e Reparação! 

Manifesto AAPR - Associação de Ativistas Por Reparação: contra a impunidade das violações cometidas desde a ditadura


AAAPR

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Campanha pela Libertação de Julian Assange * Campanha pela Libertação de Julian Assange / RJ

 Campanha pela Libertação de Julian Assange

06 de maio de 2022


Presentes: Alberto Mendes, Alessandra Scangarelli, Ana Gomes, Anna Maria, Antonieta Simões, Carlos Gustavo Moreira, Cladice Diniz, Estreliane Vidal, Iucinara Braga, Licia Hauer, Luiz Mario, Marcos Valladares, Maria Luiza Franco, Marília Guimarães, Pedro Alves, Regina Pimenta, Ricardo Quiroga, Rodrigo Teixeira, Telma Ribeiro, Valmiria Guida, Vicente Alessi-Filho.


Foram deliberadas as seguintes ações:


- Ato no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) no dia 16 ou 17 de maio a partir das 18 h. A vice-presidente, Regina Pimenta, e a Diretora de Cultura e Lazer, Maria Luiza Franco, da ABI, confirmaram a disponibilidade do auditório para o Ato.


- Transmissão de um programa ao vivo pelo Canal 247 no YouTube com o objetivo de divulgar a Campanha e o Ato na ABI. Dia 12 de maio às 19 h. Participantes sugeridos: o escritor Fernando Morais, a advogada Carol Proner, o Deputado Paulo Ramos (PDT-RJ) e um representante da ABI. Marília Guimarães contatará os responsáveis do Canal 247 para organizar a transmissão.


- Criação de um site, email e páginas nas redes sociais para a divulgação da Campanha. Licia Hauer administrará a página da Campanha no Facebook. Alessandra Scangarelli produzirá o site e o e-mail oficial da Campanha. Outras redes sociais precisam de voluntários.


- Aproveitar o Ato na ABI e colher depoimentos para serem veiculados no site e nas redes sociais da Campanha. São necessários voluntários para a tarefa.


- Solicitar ilustrações aos chargistas Carlos Latuff e Renato Aroeira para a Campanha. Responsável: Marília Guimarães. 


- Elaboração de um manifesto para a Campanha pela Libertação de Assange. Responsável: Rodrigo Teixeira.


- Colocação de um ou dois painéis (outdoors) com recursos do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ). Responsável: Luiz Mario.


- Contatar as entidades de Solidariedade a Cuba para ajudar na divulgação da Campanha. Responsável: ACJM-RJ.

Reunião virtual de avaliação da Campanha: dia 20 de maio.

https://www.facebook.com/campanhapelalibertacaodejulianassange/


Email:

cpelalibertacaodejulianassange@gmail.com

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

ENY RAIMUNDO MOREIRA, A ADVOGADA QUE ENFRENTOU A DITADURA MILITAR * FREI BETO

ENY RAIMUNDO MOREIRA, A ADVOGADA QUE ENFRENTOU A DITADURA MILITAR

Frei Betto*

Imagine uma penitenciária de presos comuns, guardados em regime de segurança máxima, no interior de São Paulo. Mude agora o foco da fantasia para o bairro do Leblon, no Rio. Acredita que uma jovem advogada possa trocar a Zona Sul carioca, em plena noite de Natal, pela convivência com presos comuns?

Em 1972, eu me encontrava na Penitenciária de Presidente Venceslau (SP), em companhia de mais cinco presos políticos – os frades Ivo Lesbaupin e Fernando de Brito, o camponês Manuel Porfírio, o jornalista Maurício Politi e o advogado Wanderley Caixe - todos misturados, por arbítrio da ditadura militar, a centenas de presos comuns. O trenó da solidariedade nos levou um presente inusitado no Natal: a presença de nossa advogada, Eny Raimundo Moreira. A direção do cárcere não conseguia entender por que ela preferiu passar ali aquele período de festas, longe de seus familiares e amigos. Por que os “terroristas” mereciam tanta atenção?

Eny era mais do que mera advogada. Destacava-se pela garra, pelo destemor frente ao aparato necrófilo da ditadura. Pequena na estatura, era grande na coragem. Mineira de Juiz de Fora, pele cor de amêndoa, tinha o raciocínio ágil e transpirava afeto.

Em 13 de junho de 1972, Paulo Vannuchi, um dos clientes da doutora Eny, compareceu à Auditoria Militar de São Paulo para depor como testemunha em um processo. Eny denunciou ao juiz Nelson da Silva Machado Guimarães a tortura que ele sofrera no DOI-CODI, a 9 de maio: apontou o hematoma no olho esquerdo e os sinais de enforcamento no pescoço. Pediu que ele abaixasse a calça e mostrasse hematomas na virilha e na perna esquerda, esfolamentos e escoriações diversas. Paulinho declarou que os torturadores, frente à sua resistência em não ingerir alimentos no decorrer da greve de fome, introduziram um tubo em seu ânus, por onde injetaram leite.

A única reação do juiz foi prometer que o prisioneiro não retornaria ao DOI-CODI.

A coragem da Eny era desproporcional ao seu tamanho. Tinha a quem puxar: trabalhou no escritório do famoso advogado Sobral Pinto, no Rio. Católico convicto, Sobral defendeu Luiz Carlos Prestes, líder comunista, sob a ditadura de Getúlio Vargas.

Graças também ao empenho de Eny, a memória nacional resgatou, na obra “Brasil Nunca Mais” (Vozes), assinada por Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright, as atrocidades cometidas pela ditadura.

Foi ela quem encontrou as vias transversas para acessar os arquivos do Superior Tribunal Militar, em Brasília, e microfilmar todos os processos de presos políticos.

Na noite de Natal de 1972, a Penitenciária de Presidente Venceslau programara missa celebrada pelo capelão, um padre espanhol mais próximo dos carcereiros que dos condenados, na contramão de Jesus. Apelamos ao diretor para que Eny pudesse participar. Seria ele tão desalmado a ponto de permitir que ela, distante do Rio, ficasse sozinha num quarto de hotel naquela noite significativa? Vencido por nossa pressão, o homem cedeu.

Armou, no pátio da penitenciária, um palanque e, dentro dele, o altar. Lá embaixo, quatrocentos presos uniformizados e enfileirados. No momento da homilia, o celebrante deu a palavra ao diretor. Pronunciou um farisaico discurso, como se todos ali não soubessem que ele era conivente com torturas, castigos abusivos em solitárias, onde presos ficavam semanas trancados nus, às escuras, suportando o frio e a água com que os guardas molhavam o chão.

Em sua ânsia demagógica, o diretor cometeu o erro de exaltar o gesto da doutora Eny Raimundo Moreira, que viera de uma cidade distante para comemorar o Natal com seus clientes. Pediu uma salva de palmas à Eny. E ainda solicitou que ela dissesse uma palavra aos “reeducandos”.

Surpresa e bastante emocionada, ela nos dirigiu a palavra. Impossível reproduzir o que disse. Um canto de amor não pode ser descrito. Como doce perfume, suas palavras contagiaram o ambiente. Seu carinho penetrou o coração de cada presidiário. Só lembro que terminou dizendo: “Beijo cada um de vocês”. Mas não se limitou à palavra. Emocionada, preferiu uma atitude:

— É noite de Natal – disse – e quero dar um abraço em cada um de vocês.

Abandonou o microfone e veio em direção aos bancos onde estávamos. Desceu do palanque-altar e, durante duas horas, sob um silêncio clamoroso, enquanto a banda de presidiários tocava as peças finais, ela caminhou lentamente entre aqueles homens uniformizados, enfileirados nos bancos, e abraçou e beijou cada um daqueles quatrocentos homens, a maioria há anos sem receber o carinho ou o toque de uma mulher. Choravam convulsivamente. Corações de pedra transmutavam-se em corações de carne, como reza a Bíblia.

Muitos companheiros não suportaram a ternura que extravasava daquele gesto. Um deles disse a ela: “É a primeira advogada que vejo advogar com amor”. Outros disseram: “Frei, por esta mulher, eu mato qualquer um” (dentro daquele mundo, isto era uma forma de elogio); “Eu não acreditava em gente boa, mas agora sou obrigado a reconhecer que estava errado”; “Não podia haver melhor presente”.

Durante muito tempo, o assunto ali foi a presença de Eny.

Na segunda-feira, 25 de dezembro, Eny voltou cedo para passar o dia conosco. Foi a única visita que nós seis recebemos. Demos a ela, de presente, desenhos feitos pelo Caixe e o Mané. O time campeão da casa ofertou medalhas e faixas, que ela recebeu feliz. Todos queriam agradecer-lhe de alguma forma.

Eny partiu na manhã seguinte. Mas sua presença perdurou.

Assim era Eny, advogada que não sabia atuar, em nível efetivo, sem o complemento do afetivo. Foi o anjo da guarda de centenas de presos políticos da ditadura e, como discípula de Sobral Pinto, defensora intransigente dos direitos humanos.

A história do Brasil a merece. E as vítimas da ditadura agradecem a vida, a coragem e a competência desta encantadora mulher, que aos 77 anos transvivenciou em São Paulo, acometida por problemas no coração e nos rins, na terça, 4 de janeiro de 2022.

Frei Betto é escritor, autor de “Batismo de Sangue” (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

DONDE ESTÁ CARLOS LANZ * Comité de Búsqueda y Liberación de Carlos Lanz / Venezuela

 DONDE ESTÁ CARLOS LANZ

República Bolivariana de Venezuela

Comité de Búsqueda y Liberación de Carlos Lanz


Venezuela, 12 de diciembre de 2021



*BALANCE*

*de la*

*ASN*



El miércoles 8 de diciembre de 2021 el Comité de Búsqueda y Liberación de Carlos Lanz ejecutó la Acción Simultánea Nacional (ASN), consistente en la consignación de un documento en la sede principal de la Defensoría del Pueblo así como en las demás sedes de las defensorías delegadas en todos los estados de la República. También abarcó la ASN la realización de un Tuitazo nacional a las 8 pm del aludido día.


Se procede de seguida a efectuar un BALANCE de la ASN, es decir, a determinar el nivel de realización de los objetivos y metas perseguidas en comparación con los resultados obtenidos producto de la misma. 


Para el Comité, el Balance es parte integrante de todo proceso de acción, de allí la pertinencia y obligación de su realización, pues con él se logra identificar las debilidades, errores, carencias, desviaciones, fortalezas, potencialidades, etcétera, en función de formular los planes dirigidos a corregir y superar todo cuanto afecte negativamente las capacidades combativas, así como para consolidar y ampliar las cualidades positivas con las que se cuenta.


Se fijaron como objetivos generales de la Acción Simultánea Nacional (ASN) los siguientes: 


*A.-* Mantener activa la agitación sobre el caso del camarada Carlos Lanz, en función de evitar que el conjunto de maniobras puestas en marcha para silenciarlo, promover el olvido y, finalmente, instaurar la impunidad logren su cometido.


*B.-* Continuar la denuncia sobre las irregularidades que presenta la investigación que sustancia el Ministerio Público, pues si las mismas no se subsanan no habrá posibilidad de liberar sano y salvo a Carlos Lanz del secuestro político del cual es objeto, menos aún, identificar a los responsables intelectuales y materiales del hecho y, por tanto, que se les imponga el castigo que les corresponde conforme a derecho.


*C.-* Requerir la intervención de la Defensoría del Pueblo, en tanto institución de rango constitucional encargada de promover y defender los derechos humanos, para que se haga parte en el proceso de investigación y, en tal sentido, coadyuve a su reactivación y garantice la realización de las diligencias investigativas que son necesarias para esclarecer el caso.


*D.-* Estimar la capacidad de convocatoria y movilización del Comité, en la perspectiva de evaluar la factibilidad de realizar con éxito una Macha Popular Nacional hacia Miraflores en enero o febrero del año 2022.


*E.-* Evaluar el desempeño de las vocerías del Comité en los estados y el Distrito Capital, a objeto de adoptar las medidas que sean pertinentes para su mejoramiento, fortalecimiento y ampliación.


*F.-* Profundizar y ampliar las relaciones con las diversas organizaciones que integran el Campo Popular y Revolucionario Venezolanos, en tal contexto, avanzar en la elaboración e implementación de un PLAN DE FORMACIÓN Y CAPACITACIÓN DE LA MILITANCIA que conduzca a elevar el nivel de combatividad de las organizaciones y, por tanto, propicie la reactivación y reorganización del Movimiento Popular y Revolucionario en Venezuela.

  

En lo tocante a las metas, no se establecieron en correspondencia directa con los objetivos trazados, sino en relación a las dos (2) actividades constitutivas de la ASN, valga decir, la consignación del documento y el Tuitazo nacional.


He aquí el Balance por actividades: 


*1.- CONSIGNACIÓN DEL DOCUMENTO:* 


Se contempló como meta consignar el documento en la mayor cantidad de defensorías delegadas del Pueblo, aspirando cubrir la totalidad del país, sin embargo, como límite mínimo se fijó los trece (13) estados en que se había actuado en la oportunidad en que se ejecutó la Acción Simultánea Nacional ante el Ministerio Público, es decir, en agosto de 2020. 


En esta ocasión se incorporaron a la ASN estados que no habían actuado en la anterior Acción, lográndose un total de dieciocho (18) entidades federales, a saber: Mérida, Táchira, Trujillo, Lara, Yaracuy, Portuguesa, Carabobo, Aragua, Miranda, La Guaira, Apure, Barinas, Nueva Esparta, Anzoátegui, Sucre, Monagas, Bolívar y Zulia. No se pudo concretar la participación en los estados Guárico, Delta Amacuro, Falcón, Cojedes y Amazonas.


En este sentido, se puede afirmar categóricamente que no sólo la meta fue cumplida en términos cuantitativos, sino que adicionalmente se logró que dicha ejecución se materializara en el marco de una activa agitación propagandística en las redes sociales.


Adicionalmente, con ocasión de la consignación del documento, en la mayoría de las defensorías delegadas del Pueblo con sede en los estados y en el Distrito Capital, se celebraron reuniones entre voceras y voceros del Comité y las y los titulares de dicha institución. Destacó como aspecto relevante de estas reuniones la cordialidad y diligencia brindada por las delegadas y los delegados de la Defensoría del Pueblo. 


En el caso de Caracas se contó con la participación del Dr. Isaías Rodríguez, ex Fiscal General de la República y el Dr. Ignacio Ramírez, Primer Suplente de la Defensoría Pública y Presidente de la Federación Nacional de Defensa de los Derechos Humanos. Ambos compatriotas exhiben una honrosa hoja de servicio a favor de la defensa de los derechos del Pueblo. 

 

Se subraya como un aspecto significativo, en el marco de esta actividad, el rol desempeñado por las Radios Comunitarias, las comunicadoras populares y los comunicadores populares, quienes con su labor contribuyen a romper el cerco informativo que han instaurado los grandes medios de difusión públicos y privados sobre el caso de Carlos Lanz.


Es importante tener presente que la logística para llevar a cabo esta actividad se basó exclusivamente en el esfuerzo y aporte hecho por las organizaciones e individualidades que participaron en la misma, toda vez que el Comité como dispositivo organizacional que aglutina a no menos de un centenar de grupos populares y revolucionarios no ha recibido ni recibe financiamiento de ningún ente público o privado, nacional o extranjero.


En efecto, la lucha por la liberación del camarada Carlos Lanz ha sido el fruto del trabajo voluntario, consciente y militante de un grueso contingente de activistas revolucionarios a lo largo y ancho de todo el país, quienes guiados por la firme convicción de la pertinencia histórica de combatir las injusticias, arbitrariedades y la impunidad no han cesado en la labor de denunciar, agitar, educar, organizar y luchar por la edificación de una Patria Socialista. 


Como aspecto relevante en el ámbito cualitativo es conveniente anotar que la Acción Simultánea Nacional implica y significa una actitud de nuevo tipo en el actual quehacer político, ya que si bien es cierto que no niega la centralización en los procesos de conducción de las luchas, no es menos cierto que concibe la amplitud y pluralidad como rasgos estructurantes del devenir en materia de organización y luchas populares, por cuya razón en las filas del Comité concurren organizaciones e individualidades diversas que tienen como elemento común y unificador el trabajo militante a favor de la defensa y rectificación de la Revolución Bolivariana.

    

En este sentido, para el Comité de Búsqueda y Liberación de Carlos Lanz no es posible construir una Patria Socialista sin combatir resueltamente las desviaciones en que incurren quienes asumen el ejercicio de funciones públicas, en especial, cuando las desviaciones implican la negación o trasgresión del orden jurídico institucional que adoptamos como Nación con motivo de la aprobación de la Constitución de la República Bolivariana de Venezuela en el año 1999. 


Asimismo, tampoco es posible dicha construcción si no se impulsa el protagonismo popular; si no se activan mecanismos para controlar el ejercicio del poder estatal; si no se avanza en la reactivación y reorganización del Movimiento Popular y Revolucionario como Sujeto Constructor de una nueva realidad histórica, habida cuenta que el destino de la Patria no es una cuestión que le pertenezca de forma exclusiva y excluyente a las personas que desempeñan altas funciones de Estado, sino que debe ser la sumatoria de múltiples esfuerzos que deben desarrollarse en una dinámica de apego absoluto a los mandatos Constitucionales y en ejercicio pleno e intenso de la democracia participativa.


Este es el aporte que el Comité viene realizando en silencio y consecuentemente al pueblo de Venezuela, valga decir, que mientras combate a quienes pretenden encubrir a los responsables del agravio contra Carlos Lanz, promueve una dinámica de lucha dirigida al rearme teórico, político y organizacional de los sectores populares con potencialidades revolucionarias. 


 Finalmente, cabe referir que en algunos estados los Enlaces que fueron designados para la coordinación de la ASN no ejecutaron las tareas que les correspondían realizar. Tal situación fue superada satisfactoriamente por la iniciativa de organizaciones y  militantes revolucionarios que asumieron la responsabilidad de ejecutar la acción, dando así, testimonio de su alto compromiso con las luchas populares.

 

*2.- TUITAZO NACIONAL:*


En esta actividad, más que metas, se estableció el objetivo de realizar un Tuitazo nacional a fin de difundir todos los registros fotográficos y de audiovisuales que se hicieran durante la consignación del documento en las oficinas de las defensorías delegadas del Pueblo. 


En esta oportunidad no se aspiraba a posicionarnos como primera tendencia nacional en la plataforma Twitter, incluso, no se habló de posiciones dentro del rating de etiquetas, ya que, se reitera, éste no era la actividad principal de la Acción Simultánea Nacional, lo cual no implica desmeritar su importancia y significado.


De otra parte, se tiene plena consciencia de las dificultades que en materia de propaganda electrónica han estado presentes a lo largo de la lucha por la liberación de Carlos Lanz.


 A título de ejemplo, cabe mencionar que a finales del mes de noviembre de 2021 fue designado el camarada Vichini Squillachy como responsable nacional de la Brigada Tuitera del Comité, a objeto de que dirigiera el trabajo relacionado con la propaganda electrónica, dado que se había paralizado en virtud de la ausencia justificada de la camarada que estaba encargada de dicha labor.


Para el momento en que se llevó a cabo el Tuitazo nacional no todos los estados y el Distrito Capital habían nombrado sus correspondientes Enlaces para integrar el Equipo Nacional de Propaganda Electrónica, lo cual, obviamente, repercute en el desempeño efectivo y eficiente de tan estratégica actividad.


Luego,  la convocatoria al Tuitazo se hizo tardíamente y con cierta debilidad, lo que también evidentemente influyó en el posicionamiento de la etiqueta elegida    para ese día 8 de diciembre de 2021.


Pese a toda esta adversa situación hubo una participación significativa de compañeras y compañeros que a título personal expresaron su solidaridad y opiniones en lo atinente a la situación que está viviendo el camarada Carlos Lanz, lo cual hizo posible que la etiqueta se posicionara por más de dos (2) hora en la posición séptima del rating nacional, al tiempo que se logró difundir todos los registros fotográficos y de audiovisual de los dieciocho (18) estados participantes más el Distrito Capital.


Es justo reconocer que en esta oportunidad se contó con un conjunto de flayers de mayor calidad, tanto en su arte como en su contenido, lo que indiscutiblemente redunda a favor de la imagen y fuerza de la gestión propagandística que ha emprendido el precitado camarada a cargo de la Brigada Tuitera del Comité.


En conclusión, se consiguió concretar el objetivo trazado para el Tuitazo, adicionalmente se logró posicionar la etiqueta en la tendencia nacional de la plataforma Twitter, todo lo cual equivale a reconocer que se alcanzaron resultados satisfactorios, aún hay muchas cosas que deben ser mejoradas y fortalecidas en esta materia.


*REUNIÓN CON EL DEFENSOR DEL PUEBLO:* 


No se fijó como meta reunirse con el Defensor del Pueblo, razón por la cual en la planificación inicial no se establecieron gestiones destinadas con tal propósito. No obstante, en las labores de coordinación con dicha institución para la consignación del documento, se abrió la posibilidad de llevar a cabo dicha reunión. En tal contexto, el Comité expresó su supremo interés en reunirse con el Prof. Alfredo Ruiz Angulo, quien oportuna y diligentemente tomó previsiones para asegurar que la reunión se concretara ese mismo día a las 4 pm en la sala de reuniones de su Despacho.


La reunión se desarrolló en un ambiente de mutuo respeto y cordialidad, correspondiéndole a la vocería del Comité iniciar el dialogo con una exposición en la que, entre otras cosas, manifestó:


Que agradecía la prontitud con que el Defensor del Pueblo atendió al Comité de Búsqueda y Liberación de Carlos Lanz; que la Acción Simultánea Nacional ejecutada ante la Defensoría del Pueblo no debía ser valorada como un acto de beligerancia u hostilidad para con la institución; que el Comité requería la intervención del Defensor del Pueblo para restablecerle los derechos humanos a Carlos Lanz que se les están violando doblemente, principalmente por el hecho de que el Estado no cumple con su obligación de investigar el caso con celeridad y exhaustividad. 


Continuó manifestando la vocería del Comité que el Ministerio Público no es su enemigo y, menos aún, el Fiscal General de la República; que la diferencia con el Ministerio Público reside en la actitud y forma como ha llevado la investigación sobre la desaparición forzosa de Carlos Lanz, ya que la misma presenta un cúmulo de irregularidades que conduce a pensar que no hay voluntad ni interés en que se sepa la verdad de lo que está ocurriendo con el camarada; que la única manera de liberar sano y salvo a Carlos Lanz y saber la verdad sobre su situación es que se reactive la investigación y se subsanen y corrijan todas las irregularidades que afectan la efectividad y objetividad de la investigación.


Finalizó la vocería del Comité su exposición afirmando que espera que la Defensoría del Pueblo en ejercicio de las atribuciones que le confiere el Texto Constitucional y la Sentencia número 469 que con fuerza vinculante dictó en fecha 27 de junio de 2017 la Sala Constitucional del Tribunal Supremo de Justicia intervenga en el caso a fin de coadyuvar en la reactivación de la investigación, se corrijan las irregularidades y se practiquen las diligencias investigativas que se requieren para esclarecer la situación. 


Por su parte, el Defensor del Pueblo expuso que el Despacho estaba en la mejor disposición para asumir las gestiones y diligencias necesarias en función de contribuir al esclarecimiento del caso; que iba a someter el documento consignado por el Comité al estudio de la Dirección General de los Servicios Jurídicos de la Defensoría del Pueblo para determinar qué actuaciones podía realizar la Defensoría en atención a sus atribuciones; que consideraba conveniente que se estableciera un enlace entre la Defensoría y el Comité para adelantar todos los trámites y gestiones necesarias en aras de concretar las diligencias que se vayan a realizar.


En síntesis, la reunión arrojó como resultado concreto el hecho de que el Defensor del Pueblo asumió el compromiso de comunicarse con los Enlaces designados por el Comité para sostener una nueva reunión una vez tuviera la opinión de la Dirección General de Servicios Jurídicos de la Defensoría del Pueblo sobre la petición formulada por el Comité de Búsqueda y Liberación de Carlos Lanz.


El Comité aprecia como altamente positiva la reunión sostenida con el Defensor del Pueblo, no sólo por la cordialidad que privó en el desarrollo de ésta, sino por la actitud asumida de entrar a conocer el caso, a pocas horas de habérsele planteado, todo lo cual marca una diferencia radical con la actitud asumida por el Fiscal General de la República, el Presidente de la Asamblea Nacional y el Presidente de la República en la que se ha hecho evidente el incumplimiento de sus obligaciones, la indolencia, negligencia y la más absoluta carencia de solidaridad ante el secuestro del que es objeto Carlos Lanz.

.

En consideración a todo lo precedentemente expuesto la Coordinación Nacional del Comité de Búsqueda y Liberación de Carlos Lanz, *ACUERDA:*


*PRIMERO:* Declarar que los objetivos y metas de la Acción Simultanea Nacional fueron alcanzados satisfactoriamente, en consecuencia, dicha jornada de organización y lucha resultó un éxito, pese a los problemas que se confrontaron tanto en la fase de su preparación como de su ejecución.


*SEGUNDO:* Reconocer que el éxito de la ASN obedeció esencialmente al trabajo militante de todas y todos quienes a lo largo y ancho del país asumieron voluntaria y conscientemente las tareas que ésta implicaba. En definitiva, las auténticas revolucionarias y los auténticos revolucionarios son la garantía de la realización de las tareas que demanda el proceso revolucionario en estas complejas y exigentes horas por la que atraviesa la Patria Bolivariana.  

 

*TERCERO:* Implementar medidas destinadas a la ampliación y fortalecimiento de la Coordinación Nacional del Comité, procurando que en lo inmediato todos los estados cuenten con sus correspondientes vocería.


*CUARTO:* Centrarse en atender la situación de los estados Guárico, Delta Amacuro, Falcón, Cojedes y Amazonas para asegurar su actuación en futuras acciones.


*QUINTO:* Ratificar la pertinencia de la conformación del Equipo Nacional de Propaganda Electrónica, en consecuencia, exhortar a las entidades que no han designado a sus correspondientes enlaces que procedan a hacerlo en lo inmediato.


*SEXTO:* Previa evaluación especial, fijar la fecha para la realización de la Marcha Popular Nacional hacia Miraflores, de ser el caso.


*SÉPTIMO:* Crear el FONDO COMÚN del Comité de Búsqueda y Liberación de Carlos Lanz,  en la perspectiva de prever, en lo posible, la satisfacción del requerimiento  logístico que supone e implica el conjunto de actividades que se realizan en procura de alcanzar sus objetivos. En tal contexto, en lo inmediato se elaborará el Reglamente de Administración del Fondo Común del Comité, el cual regulará todo lo atinente a las actividades de recaudación, registro, uso,  administración,  rendición de cuentas, etc., del conjunto de recursos que por cualquier título se obtengan y, subsiguientemente, se empleen o egresen.  


*OCTAVO:* Reconocer el valioso rol desempeñado por las Radios Comunitarias, las comunicadoras populares y los comunicadores populares, quienes con su labor contribuyen a romper el cerco informativo que han instaurado los grandes medios de difusión públicos y privados sobre el caso de Carlos Lanz. En consecuencia, se hace necesario profundizar y ampliar las relaciones, en la perspectiva de organizar una fuerza comunicacional al servicio de los intereses y derechos del Pueblo. 


*NOVENO:* Continuar la ejecución del Plan de Distribución y Presentación del libro: Secuestro Político en Nuestra América ¿Dónde Está Carlos Lanz? 



*CARLOS ESTÁ VIVO Y LO VAMOS A RESCATAR*


*EL AGRAVIO CONTRA CARLOS LANZ NO QUEDARÁ IMPUNE*


*FLORES ROJAS, PUÑO EN ALTO, A CARLOS LANZ LO De!*


Comuníquese y ejecútese. 


Suscribe en Venezuela, a los 12 días del mes de diciembre del año 2021, la Coordinación Nacional del *COMITÉ DE BÚSQUEDA Y LIBERACIÓN  DE CARLOS LANZ RODRÍGUEZ.*

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sexta-feira, 25 de junho de 2021

Elizabeth Franco Fortes em Documentos Revelados * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

Elizabeth Franco Fortes em Documentos Revelados


 Ano de 1971, Ana Beatriz (Bia) tem 17 anos e estuda na 2ª. Série do Colegial. Ela trabalha num escritório de arquitetura e tem seus movimentos seguidos pelos militares. Em uma manhã fria de Curitiba, Bia sai para seu primeiro dia de trabalho num novo emprego em uma estatal. Ao chegar ao departamento de Recursos Humanos da empresa é surpreendida por policiais da DOPS, que a levam detida sob a acusação de ser colaboradora de estudantes subversivos ligados a UNE e ao DCE da Universidade Federal do Paraná.

SEGUE

"NUNCA MAIS EU QUIS VISITAR AS CATARATAS", DISSE BEATRIZ FORTES, AO RELATAR TORTURAS EM FOZ DO IGUAÇU - Documentos Revelados 

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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Vera Magalhães presente! * Vinicius Shumacher Santa Maria

VERA MAGALHÃES PRESENTE

ENTREVISTA 
https://www.youtube.com/watch?v=8gXE_-rNoSE

"No último dia 5 de fevereiro ela faria 72 anos. Vera Sílvia Araújo de Magalhães, levou um tiro na cabeça e mesmo ferida foi torturada por três meses. Pendurada no pau-de-arara, respondeu aos torturadores: "Minha profissão é ser guerrilheira."

Bisneta do líder republicano Augusto Pestana, Vera Sílvia Araújo de Magalhães nasceu em uma família de classe média gaúcha radicada no Rio de Janeiro. 


Ainda criança, estudando na tradicional escola carioca Chapéuzinho Vermelho, em Ipanema, Vera brigava com as professoras porque a escola queria que os alunos fizessem exercícios em inglês. Ganhou de seu tio Carlos Manoel, aos onze anos, o livro "Manifesto do Partido Comunista", de Marx e Engels, e começou a militar na política com apenas quinze anos de idade, na Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas (Ames).

Ainda no início da adolescência, influenciada pelo que lia e como o pai dava algumas roupas a parentes e companheiros comunistas que viviam na clandestinidade e tinham dificuldade de trabalhar, saiu dando suas bicicletas e bonecas às vizinhas e amigas, acreditando ser isso o "socialismo". Adolescente, estudando no Colégio Andrews e participando do grêmio estudantil, comandou uma greve contra o aumento das mensalidades colocando cimento no portão, o que impediu a entrada de todos na escola, professores e alunos.


Aos 16 anos, participou do comício de João Goulart na Central do Brasil e ao prestar vestibular para Economia, em 1966, passou a integrar a Dissidência Comunista da Guanabara, na ala da Economia, para a qual cooptava estudantes amigos da mesma área, entre eles Franklin Martins e José Roberto Spigner, com quem passou a viver maritalmente. 


Aos vinte, em 1968 e já na universidade, organizava passeatas e passou à clandestinidade, integrando a luta armada contra a ditadura militar.


Ela passaria para a história como uma das mais famosas guerrilheiras do Brasil da ditadura militar, quando foi a única mulher a participar do seqüestro do embaixador norte-americano no país, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969.


Ela foi presa em março de 1970, numa casa do bairro do Jacarezinho, junto com outros companheiros denunciados por uma vizinha e levando um tiro que lhe trespassou a cabeça.


Depois de retirada do hospital com um ferimento à bala na cabeça, Vera Sílvia foi torturada nas dependências do DOI-CODI do Rio de Janeiro, baseado num quartel da Polícia do Exército na Rua Barão de Mesquita, bairro da Tijuca, zona norte da cidade.


Pendurada no pau-de-arara, respondeu aos torturadores quando lhe perguntaram sua profissão: "Minha profissão é ser guerrilheira." 


Nas mãos do exército e da polícia por três meses, passou por choques elétricos, espancamento, simulação de execução, queimaduras, isolamento completo em ambientes gelados e muita tortura psicológica – tentativa de destruição da personalidade e da dignidade do indivíduo e suas crenças – causadas por remédios psiquiátricos ministrados pelo Dr. Amílcar Lobo, seu principal algoz. 

Lobo, codinome Dr. Cordeiro, depois denunciado também por envolvimentos com tortura na famosa Casa da Morte, em Petrópolis, teve seu registro como médico cassado em 1989. 


Chegou a sair ensanguentada direto de uma sessão de torturas para uma audiência no Supremo Tribunal Militar. 


A tortura lhe valeu uma hemorragia renal, o que a fez ser transferida para o Hospital Central do Exército, pesando 37 quilos e sem mais conseguir se locomover. Do HCE ela acabou sendo libertada junto com outros 39 presos políticos, em 15 de junho do mesmo ano, em troca do embaixador alemão no Brasil, Ehrenfried von Holleben, sequestrado por outro grupo guerrilheiro, do qual fazia parte Alfredo Sirkis. 


Banida do país para a Argélia, retornou ao Brasil em 1979 após a aprovação da Lei da Anistia, e depois de quatro anos vivendo em Recife com o companheiro, voltou ao Rio de Janeiro e trabalhou no governo estadual como planejadora urbana, até se aposentar por invalidez.


Vera, musa dos integrantes da guerrilha carioca, foi presa após levar um tiro na cabeça e, mesmo ferida, foi torturada por três meses e após dias em estado de coma; entre outras sequelas, sofreu o resto da vida de surtos psicóticos, sangramento da gengiva e crises renais, combateu um linfoma nos últimos anos de vida e morreu de infarto em 2007. 


Por causa de seus problemas permanentes de saúde causados pela tortura, em 2002 ela foi a primeira mulher a receber reparação financeira do Estado, através da 23ª Vara Federal do Rio, com uma pensão mensal vitalícia garantida por lei".


Texto do Vinícius Shumacher Santa Maria