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quarta-feira, 23 de março de 2022

GUERRA CONQUISTA CAPITALISMO * JOSÉ LUIS FIORI / SP

GUERRA CONQUISTA CAPITALISMO 

JOSÉ LUIS FIORI / SP

O projeto cosmopolita, pacifista e humanitário da década de 1990 foi atropelado pelo poder americano

OTAN CERCA A RÚSSIA


“Através da história, duas coisas foram ficando mais claras: em primeiro lugar, as guerras aumentam os laços de integração e dependência entre os grandes poderes territoriais deste sistema que nasceu na Europa a partir do séculos XIII e XIV; em segundo lugar, os poderes expansivos no “jogo das guerras” não podem destruir seus concorrentes/adversários, ou então são obrigados a recriá-los…E este talvez seja o maior segredo deste sistema: o próprio “poder expansivo” é quem cria ou inventa – em última instancia – os seus competidores e adversários, indispensáveis para a sua própria acumulação de poder”. (José Luís Fiori. “Formação, expansão e limites do poder global”, em O poder americano, Ed. Vozes).

É muito comum falar da aceleração do tempo histórico, apesar de que ninguém saiba exatamente o que isto significa, ou por que isto acontece.

Todos reconhecem, no entanto, que são momentos em que fatos e decisões importantes se concentram e se precipitam, alterando significativamente o rumo da história.

E hoje existe um grande consenso de que aconteceu algo desse tipo na virada dos anos 1990, provocando uma mudança radical no panorama geopolítico mundial na última década do século XX.

Tudo começou de forma surpreendente, na madrugada de 9 para 10 de novembro de 1989, quando foram abertos os portões e derrubado o muro que dividia a cidade de Berlim, separando o “Ocidente liberal” do “Leste comunista”.

O mais importante, entretanto, ocorreu logo depois, com o processo em cadeia de mudança dos regimes socialistas da Europa Central e Oriental, que levou à dissolução do Pacto de Varsóvia e à reunificação da Alemanha, no dia 3 de novembro de 1990, culminando com a dissolução da União Soviética e o fim da Guerra Fria, em 1991.

Naquele momento, muitos comemoraram a vitória definitiva (que depois não se confirmou) da “liberal-democracia” e da “economia de mercado” contra seus grandes adversários e concorrentes do século XX: o “nacionalismo”, o “fascismo” e, finalmente, o “comunismo”.

RÚSSIA OCUPA O MAR NEGRO E ISOLA A EUROPA

No entanto, o que de fato se concretizou naquela virada da História foi um velho sonho ou projeto quase utópico dos filósofos e juristas dos séculos XVIII e XIX, e dos teóricos internacionais do século XX: o aparecimento de um poder político global, quase monopólico, que fosse capaz de impor e tutelar uma ordem mundial pacífica e orientada pelos valores da “civilização ocidental”.

Uma tese que pôde finalmente ser testada depois da vitória avassaladora dos Estados Unidos na Guerra do Golfo, em 1991.

Trinta anos depois, entretanto, o panorama mundial mudou radicalmente.

Em primeiro lugar, os Estados e as “grandes potências”, com suas fronteiras e interesses nacionais, voltaram ao epicentro do sistema mundial, e a velha “geopolítica das nações” voltou a funcionar como bússola do sistema interestatal; o “protecionismo econômico” voltou a ser praticado pelas grandes potências; e os grandes “objetivos humanitários” dos anos 1990, e o próprio ideal da globalização econômica, foram relegados a um segundo plano da agenda internacional.

Mais do que isto, o fantasma do “nacionalismo de direita” e do “fascismo” voltou a assombrar o mundo, e o que é mais surpreendente, penetrou a sociedade e o sistema político norte-americano, culminando com a vitória da extrema-direita nas eleições presidenciais americanas de 2017.

Nesses trinta anos, o mundo assistiu à vertiginosa ascensão econômica da China, à reconstrução do poder militar da Rússia e ao declínio do poder global da União Europeia (UE).

Mas o mais surpreendente talvez tenha sido a forma como os próprios Estados Unidos passaram a desconhecer, atacar ou destruir as instituições globais responsáveis pela gestão da ordem liberal internacional instaurada nos anos 90, sob sua própria tutela, desde o momento em que declararam guerra contra o Afeganistão, em 2001, e contra o Iraque, em 2003, à margem – ou explicitamente contra – da posição do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Por último, e talvez o mais intrigante, é que a potência unipolar desse novo sistema, que seria teoricamente a responsável pela tutela da paz mundial, esteve em guerra durante quase todas as três décadas posteriores ao fim da Guerra Fria.

Começando imediatamente pela Guerra do Golfo, em 1991, quando as Forças Armadas americanas apresentaram ao mundo suas novas tecnologias bélicas e sua “nova forma de fazer guerra”, com o uso intensivo de armamentos operados à distância, o que lhes permitiu uma vitória imediata e arrasadora, com um mínimo de perdas e um máximo de destruição de seus adversários.
Foram 42 dias de ataques aéreos contínuos, seguidos por uma invasão terrestre rápida e contundente, com cerca de 4 mil baixas americanas e cerca de 650 mil mortos iraquianos.

Uma demonstração de força que deixou claro ao mundo a diferença de forças que havia dentro do sistema internacional depois do fim da União Soviética.

Depois disso, os Estados Unidos fizeram 48 intervenções militares na década de 1990 e se envolveram em várias guerras “sem fim”, de forma contínua, durante as duas primeiras décadas do século XXI.

Nesse período, os norte-americanos fizeram 24 intervenções militares ao redor do mundo e realizaram 100 mil bombardeios aéreos, e só no ano de 2016, ainda durante o governo de Barack Obama, lançaram 26.171 bombas sobre sete países. simultaneamente.[1]

Encerrou-se assim, definitivamente, a expectativa dos séculos XVIII, XIX e XX, de que um “superestado” ou uma “potência hegemônica” conseguiria finalmente assegurar uma paz duradoura dentro do sistema interestatal criado pela Paz de Westfália de 1648.

Ou seja, no período em que a humanidade teria estado mais próxima de uma “paz perpétua”, tutelada por uma única “potência global”, o que se assistiu foi uma sucessão quase contínua de guerras envolvendo a própria potência dominante (Fiori, 2008).

São números que não deixam dúvidas com relação ao fato de que o projeto cosmopolita, pacifista e humanitário da década de 1990 foi atropelado pelo próprio poder americano.

Uma constatação extraordinariamente intrigante, em particular se tivermos em conta que não se tratou de um acidente de percurso, ou apenas de uma reação defensiva datada.

Pelo contrário, tudo aponta para o desdobramento de uma tendência central que foi se desvelando através de uma sucessão de guerras, fossem elas defensivas, humanitárias, de combate ao terrorismo, ou simplesmente de preservação das posições de poder das grandes potências dentro do sistema internacional.

A análise dessas guerras que precederam e explicam em parte a atual Guerra da Ucrânia, somadas às guerras do século XX, permite-nos extrair algumas conclusões ou hipóteses que transcendem esta conjuntura, projetando-se sobre a história de longo prazo da guerra e da paz através da evolução das sociedades humanas.

Em primeiro lugar, a grande maioria das guerras não tem como objetivo a obtenção da paz ou da justiça, nem leva necessariamente à paz. Elas buscam sobretudo a vitória e submissão ou “conversão” dos adversários, e a expansão do poder dos vitoriosos.

A “paz” não é sinônimo de “ordem”, e a existência de uma “ordem internacional” não assegura a paz. Basta ver o que aconteceu nos últimos 30 anos, com a “ordem liberal-cosmopolita” que foi tutelada pelos Estados Unidos depois do fim da Guerra Fria, e que se transformou num dos períodos mais violentos da história norte-americana.

Como já havia acontecido, também, com a “ordem internacional” que nasceu depois da Paz de Westfália, período em que a Grã-Bretanha, sozinha, iniciou uma nova guerra a cada três anos, entre 1652 e 1919, mesma periodicidade que teriam as guerras norte-americanas, entre 1783 e 1945 (Holmes, 2001).

Dentro do sistema interestatal, a “potência dominante”, mesmo depois de conquistar a condição de um “superestado”, segue se expandindo e fazendo guerras, e necessita fazê-lo para poder preservar sua posição monopólica já adquirida.

O envolvimento dos EUA, por isso mesmo, a “potência dominante”, não tem compromisso obrigatório com o status quo que eles tutelam e ajudaram a criar. E, muitas vezes, eles são obrigados a modificar ou destruir esse status quo, uma vez que suas regras e instituições comecem a obstruir o caminho de expansão do seu poder (Fiori, 2008).

A paz é quase sempre um período de “trégua”[2] que dura o tempo imposto pela “compulsão expansiva” dos ganhadores, e pela necessidade de “revanche” dos derrotados.

Esse tempo pode ser mais ou menos longo, mas não interrompe o processo de preparação de novas guerras, seja da parte dos vitoriosos,[3] seja da parte dos derrotados.[4] Por isso se pode dizer, metaforicamente, que toda paz está sempre “grávida” de uma nova guerra.

Em todo tempo e lugar, a guerra aparece associada de forma indisfarçável com a existência de hierarquias e desigualdades, ou mais exatamente, com a existência do “poder” e da “luta pelo poder”.

Se essas hipóteses não forem refutadas, poderíamos concluir que o projeto kantiano da “paz perpétua” não é apenas uma grande utopia; é de fato um “círculo quadrado”, ou seja, uma impossibilidade absoluta.

Apesar disso, a “paz” se mantém como um desejo de todos os homens, e aparece no plano da sua consciência individual e social, como uma obrigação moral, um imperativo político e uma utopia ética quase universal.

Nesse plano, a guerra e a paz devem ser vistas e analisadas como dimensões inseparáveis de um mesmo processo contraditório, perene e agônico de anseio e busca dos homens por uma transcendência moral muito difícil de ser alcançada.

sábado, 19 de março de 2022

Folclore de guerra II * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

FOLCLORE E GUERRA II
Gabriel Doutor Jaci Beaurreau


REVISTA FORUM INFORMA:

O brasileiro Gabriel Santos Matos, que foi para a Ucrânia lutar no Exército contra a Rússia, anunciou pelas redes sociais que abandonou o país e foi para a Polônia. Natural de Canhoba, o mercenário bolsonarista disse que "foi pego de surpresa" com suas fotos "circulando pelas redes sociais e até mesmo nos jornais", já que apenas cinco pessoas sabiam da sua partida.

"Ao total foram sete dias de terreno, tive a oportunidade de filmar algumas coisas", escreveu, acrescentando que "em nenhum momento fui para Ucrânia na intenção de aparecer na mídia".

sábado, 5 de março de 2022

As Raízes Históricas do Conflito entre a Ucrânia e a Rússia * Thomas de Toledo / SP

As Raízes Históricas do Conflito entre a Ucrânia e a Rússia


THOMAS DE TOLEDO

COMO EU VIVI O NAZISMO NA UCRÂNIA


 Quem acompanha meu trabalho há vários anos sabe porque tenho um envolvimento com este tema da Ucrânia e Rússia. Quando aconteceu o golpe de estado em 2014 na Ucrânia, eu participava do Conselho Mundial da Paz e da articulação da juventude do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Na ocasião, recordo-me de algo que me dói no fundo da alma até hoje. Jamais esquecerei do depoimento de um líder sindical de Lugansk contando no Congresso da Federação Sindical Mundial os crimes do governo ucraniano em sua república. Mas nada se compara à dor que foi ter acompanhado quase em tempo real o massacre de Odessa. Eram centenas de trabalhadores voltando do protesto do 1o de maio, dia do trabalhador, que se reuniram na Casa dos Sindicatos para um ágape fraternal. Só que de forma organizada, um grupo de mais de mil nazistas ucranianos com bandeiras de suásticas, tochas e gritando "Heil Hitler!" cercou a Casa dos Sindicatos e começou a incendiá-la. Pareciam voltados das catacumbas de 70 anos atrás, sem que ninguém esperasse. Havia cerca de 250 sindicalistas lá dentro do prédio e os nazistas não os deixaram sair. Foram inúmeras mortes de pessoas carbonizadas. Outras foram agredidas e mortas por espancamento. No dia seguinte, os nazistas divulgaram memes fazendo piadas das fotos dos sindicalistas mortos. Não houve condenação por parte dos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia. Esse massacre não entrou na primeira página do Estadão nem teve editorial na Globo. Nem a Rússia interviu em Odessa. Trabalhadores jogados à própria sorte, traídos pelo seu próprio país e ignorados pelo mundo, recebendo apenas a solidariedade de outros trabalhadores internacionais. Aí, o que aconteceu na Ucrânia desde então? Os partidos de esquerda foram proibidos. Nazistas invadiram-nos queimando seus livros e violentando suas secretárias. Os sindicatos foram fechados e seus líderes perseguidos por esses nazistas. Os nazistas participaram das eleições e fizeram bancadas. A esquerda está fora da institucionalidade desde 2014. Seus partidos foram proibidos de existir e seus símbolos criminalizados. Ou seja, a UCRÂNIA NÃO É UMA DEMOCRACIA. Aí, esse tal de Zelensky foi fabricado nos porões dos serviços de inteligência ocidentais para ser uma marionete dos interesses da indústria bélica. Foi colocado no poder com um discurso de extrema-direita para transformar o seu próprio país num palco de guerra, provocando a Rússia até chegar à situação atual. Agora, simplesmente ignoram que de 2014 pra cá, o governo Ucrânia já matou 14 mil pessoas em Donetsk e Lugansk. Nunca mais tive notícias daquele dirigente que conheci na Federação Sindical Mundial. Será que está vivo? Também conheci russas da região de Donbass. Nunca mais consegui falar com elas. Será que ainda habitam o mundo dos vivos? Bom, é isso. Não virei "analista de rede social" em uma semana. Este tema faz parte da minha trajetória de vida como professor de Relações Internacionais. Inclusive orientei monografias e fiz simulação da ONU com meus alunos da época. Havia decidido sair das redes sociais, mas essa situação me fez voltar. Não vou mais me calar vendo tanta gente falando bobagem sem saber. Tá na hora de mostrar o que de fato acontece. Vim pra ficar.

(Colaboração de Camila Tenório Cunha )


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quarta-feira, 2 de março de 2022

Eu vou explicar a guerra pra quem é da quebrada * Mano Brown / SP

 Eu vou explicar a guerra pra quem é da quebrada


Mano Brown / SP

A Rússia é aquele mano folgado lá da Zona Leste que nunca se trombou com os EUA. Os EUA aqueles Playboy de Moema que andava bem vestido e só andava com os mano Europeus da Vila Olímpia e Morumbi.
Mas tinha um mano chamado Ucrânia nascido e criado na Zona Leste que começou a andar com os Boy da Europa e fica de buxixo com os EUA. Certo dia os Boy chamou o Ucrânia pra fazer parte do bonde deles e se o Rússia embaçar ia levar um cassete do bonde..
Só que o Rússia que não é bobo é fechado com os mano da 25 de Março os China , aqueles mano que vende cabo de celular e película, tá até vendendo umas Lacoste e Nike e manda no centro da porra toda
O Rússia chamou o Ucrânia pras ideias e disse que ia enfiar o cassete se ele colasse com os Boy.
O Ucrânia desacreditou e começou a levar um cassete,  os Boy aparentemente deixou o Ucrânia na mão e disse que vai brecar os rolê do Rússia na cidade toda.
Agora vai todo mundo pras ideias e quem tiver moscando vai nessa.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

O NAZISMO VOLTOU - A Ucrânia que a imprensa não mostra * Prof Lejeune Mirhan / SP

O NAZISMO VOLTOU 

A Ucrânia que a imprensa não mostra


Hitler vive na Ucrânia! O nazismo, que achávamos morto, ressurge com força a partir do golpe contra o presidente Yanucovych de fevereiro de 2014, inteiramente bancado e apoiado pelos Estados Unidos e seu lacaios europeus. São cenas fortes, chocantes. Os fracos não devem ver o vídeo. É um documentário de 13 minutos que precisa ser assistido. Temos que recortar as cenas mais fortes e divulgá-las à exaustão. Os líderes que eles clamam como herois tratam-se Stepan Banderas (1909-1959) e Roman Shukhevych (1907-1950), sendo que este último se alistou nas fileiras das tropas nazistas quando da invasão da Ucrânia após a chamada operação Barbarossa, em dezembro de 1940 que levou quatro milhões de soldado em direção à URSS para destruí-la. Ao passar pela Ucrânia, parte da população saudou os nazistas como libertadores. Shukhevych entrou em um batalhão que assassinou mais de cem mil poloneses. É contra o nazismo que assola a Ucrânia novamente desde 2014 que os antifascistas de todo o mundo lutam neste momento. Putin empreende missão de limpeza e desnazificação daquela região. Putin faz hoje o que fizeram juntos Roosevelt, Churchil e o grande comandante do exército vermelho, Joseph Stálin, odiado pela burguesia e, claro, por parte da esquerda mundial. Essa mesma dita esquerda que hoje ataca mais a Rússia do que Biden, os EUA e os governos clientes europeus. Uma vergonha para a humanidade. Divulguem à exaustão esse vídeo. Vamos enterrar de vez Hitler na Ucrânia, no Brasil e em qualquer lugar do mundo, Nazismo nunca mais. Não passarão. Abraços
Prof. Lejeune Mirhan / SP

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Granjas de bebês * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

 Granjas de bebês

ACESSE E CONFIRA
https://www.youtube.com/watch?v=qtkzpHlVuqc 

ASSIM CAMINHA A INDÚSTRIA DO TRÁFICO HUMANO

Na Ucrânia pós comunista, em que nazistas históricos assumidos voltaram ao poder queimando 40 sindicalistas vivos, em Odessa, funciona uma granja de bebê humanos.  A empresa consegue gastar só 0,5% de seu volume de negócios -6 bilhões de dólares por ano- com com a compra da força de trabalho reprodutivo, o que permite vender bebês brancos a um preço bem mais competitivo que outras empresas de tráfico humano de outros países. Desde a tragédia de Tchernobyl, Cuba oferece tratamento gratuito a crianças ucranianas atingidas pela radiação. Mas o governo ucraniano acusa Cuba de  violação dos direitos humanos.