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terça-feira, 19 de agosto de 2025

AONDE MORA A SOBERANIA NACIONAL DO BRASIL? * FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES/FRT

AONDE MORA A SOBERANIA NACIONAL DO BRASIL?
"Cannabrava | Mercenários ucranianos treinando na Aman: um escândalo contra a soberania nacional

Associação com grupos mercenários estrangeiros é crime no Brasil; como signatário de convenções internacionais, o país não pode compactuar com a infiltração de estruturas ilegais em suas instituições armadas

Conteúdo da página

Um fato gravíssimo e inaceitável ocorreu recentemente em solo brasileiro. A Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), a mais prestigiada escola de formação de oficiais do Exército, abriu suas portas para um curso de “Táticas de Pequenas Unidades” ministrado por mercenários da Phantom Black Company — grupo estrangeiro diretamente subordinado à inteligência militar da Ucrânia.

Esse episódio, ocultado pela grande mídia, não é apenas uma afronta à soberania nacional. É também uma violação das leis brasileiras e dos acordos internacionais que proíbem o mercenarismo. Um escândalo que exige resposta imediata do governo, firmeza das instituições e atenção da comunidade internacional.

Um braço da inteligência ucraniana no coração do Brasil

A Phantom Black Company não é um grupo qualquer. Em seu próprio site, define-se como “destacamento de ação tática que opera nas sombras da Ucrânia, sob o comando da Legião Internacional de Defesa e da Diretoria Principal de Inteligência (GUR).” Ou seja: uma Companhia Militar Privada (PMC), criada para operações secretas, sabotagem, reconhecimento ofensivo e eliminação de alvos.

A empresa recruta estrangeiros, exige fluência em inglês e os envia para a linha de frente da guerra. Estamos, portanto, diante de uma organização paramilitar transnacional, operando como braço direto da inteligência ucraniana. A simples presença dessa estrutura no Brasil já é ilegal. Sua associação com cadetes da Aman, absolutamente inadmissível.

Cumplicidade ou omissão?

O curso foi anunciado publicamente por um mercenário brasileiro, Guilherme “Raptor”, que se apresenta como veterano da guerra na Ucrânia e atual integrante da Phantom Black Company. Mais grave: já divulgou outro treinamento semelhante, programado para setembro em Curitiba (PR).

A questão central não é apenas o envolvimento de brasileiros como mercenários em guerras estrangeiras. O que choca é a aparente permissão — ainda que tácita — do próprio Exército para que tais agentes, ligados a um serviço de inteligência estrangeiro, instruam cadetes em pleno território nacional.

FONTES

PAULO CANNABRAVA
PEPE ESCOBAR
ROBINSON FARINAZO
-YOUTUBE-

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

CÚPULA DA ÁGUA * OBSERVATÓRIO DA ÁGUA

OBSERVATÓRIO DA ÁGUA
Inscripción Cumbre del agua

21 de Septiembre, 9 am, Universidad Distrital Francisco José de Caldas, sede Macarena A. Organiza Observatorio del Agua de la Universidad Distrital francisco José de Caldas- Alianza por el Agua - Unión popular la Calera. mas información
Amigos do território onde brotam água e vida de acordo com a realidade climática que vivemos e o açambarcamento extrativista abusivo de água no país, apelamos às organizações ambientais, conselhos de ação comunitária, grupos de investigação, aquedutos comunitários, activistas e todas as pessoas que queiram fazer parte da primeira Cimeira para a Defesa da Água e do Território, encontramo-nos no próximo dia 21 de Setembro, pelas 9h00 na Universidade Distrital Francisco José de Caldas, Sede Macarena, 

você deve se cadastrar no QR do convite ou no seguinte Link

sábado, 6 de julho de 2024

OS EUA E O MUNDO SOB SUA REGÊNCIA * Roberto Amaral/SP

OS EUA E O MUNDO SOB SUA REGÊNCIA
Roberto Amaral*
https://ramaral.org/

“Roma desabara, afinal, ao peso de tanta grandeza e de tanto crime” (Afonso Arinos de Melo Franco, Amor a Roma)

No teatro elisabetano, o coro era figura sem presença na trama, inventada para anunciar ou esclarecer passagens futuras na tragédia ou no drama. Com a tosca aparição nas telas da CNN, no último 15 de junho, os atuais postulantes da Casa Branca ilustraram a decadência política da sociedade estadunidense, da qual são fruto legítimo, assim como foi produto inevitável o lento e previsível declínio do império romano, ensandecido pela loucura do poder supremo e universal.

Qualquer que seja o resultado das eleições dos EUA no próximo 5 de novembro, o constrangedor debate (pelo que anunciou) já pode se candidatar como um dos fatos históricos mais relevantes da década. Porque, na sua comédia e na sua tragédia, a cena bufa de atores medíocres mais do que revelar, em imagem de corpo inteiro, o declínio do império, projetou o inevitável fim de sua hegemonia, que não tem data para tomar forma, tanto quanto não se sabe o preço que ainda cobrará à humanidade, em sua marcha presente para um “fascismo de outro tipo”, que a imprensa e a academia batizaram de extrema-direita.

Sendo o epicentro, os EUA não encerram, porém, o universo das nuvens cinzas. A história presente nos acena com um processo político cujas pinças se espalham pelo mundo e ameaçam engolfar a Europa, fazendo-nos rever os anos 20-30 do século passado –desta vez, porém, com um elemento distintivo crucial: se naquele então os EUA cumpriam o papel militar e ideológico de esteio democrático, hoje, mil vezes mais poderosos, são a fortaleza da reversão protofascista, que, na loucura do dever missionário auto-atribuído, procuram levar ao mundo inteiro, porque seu código de valores mudou nas pegadas do capitalismo financeiro monopolista.O débil presidente de direita e o meliante que o desafia carecem de relevância. Desgraçadamente, Trump, tanto quanto Biden, ou quem venha substituí-lo na campanha mal iniciada, não constituem um ponto fora da curva na história política do império norte-americano.

A política, na parte do mundo que nos toca, regida pelos mesmos astros, marcha na toada dos tempos. Após o suicídio já quase longínquo da URSS, seguem-se a derrocada da socialdemocracia e o avanço continuado ora da direita, ora da extrema-direita. O sinal mais trágico já nos foi enviado pela Itália, e pode ser repetido por franceses no próximo domingo, como pelos alemães no ano que vem. O Fratelli d’Italia alçado ao poder pelo voto democrático – como antes foram Mussolini e Hitler, como foram recentemente as caricaturas Bolsonaro e Milei –-, colocou na chefia do governo a neofascista Giorgia Meloni. Na Alemanha, a socialdemocracia desmorona enquanto crescem os grupos nazistas (que também já proliferam por aqui). Lá, até os verdes são de direita. As eleições gerais para renovação do Bundestag devem ocorrer em 2025, e além da derrota do primeiro-ministro Olaf Scholz, e de seu SPD, que nas pesquisas recentes ocupa o terceiro lugar nas referências dos eleitores, é previsível a ascensão de uma direita patologicamente intoxicada pelo chorume nazista que nos levou ao que todos sabem, porque falou à alma profunda do pangermanismo, como o Duce sintetizou, com o fascismo, o sonho italiano de reviver as glórias de um império perdido nas brumas da história.

As eleições norte-americanas não alterarão o processo histórico: navegam em sua vaga. O governo de Meloni, que acompanha as diretrizes dos EUA na OTAN, não tem término aprazado. O movimento está na França, com o fim já proclamado da hegemonia do Em Marche de Emmanuel Macron, que, todavia, permanecerá mais três anos habitando o Palais de l’Élysée, qualquer que seja o anúncio das eleições de domingo. É delas, portanto, que devemos tratar.

Como os astros e as pesquisas aparentemente cientificas anteciparam, o primeiro turno confirmou o avanço do ultradireitista Front National, de Marine Le Pen, mas sem assegurar-lhe a maioria absoluta no parlamento (faltaram-lhe preciosos nove votos). A prevista derrota das esquerdas (comunistas, socialistas, ecologistas, progressistas) todavia, não se deu. O desempenho eleitoral da Frente de Esquerda surpreendeu, colocando-a em segundo lugar, a cinco pontos de Le Pen. O grande derrotado, qualquer que seja o resultado de domingo, é Macron. Esta é a única unanimidade entre os analistas e Marine Le Pen, anunciada candidata à sua sucessão, insinua a conveniência da renúncia do presidente em face de eventual derrota acachapante. Inábil jogador de xadrez, embaralhou as pedras com a dissolução da Assembleia e a consequente convocação das eleições, na frustrada expectativa de repetir o lance usual nas táticas da direita: apresentar-se como a alternativa salvadora entre a ameaça dos extremos. No momento em que escrevo, o professor Marco Antônio Rodrigues Dias lembra a inutilidade de qualquer tentativa de antevisão do segundo turno, por absoluta ausência de segurança empírica. Valem tanto quanto a quiromancia. Ademais, por que tanta aflição se estamos já a um passo do pleito? Tratemos, pois, daquilo que, segundo nosso ponto de vista, parece hoje definido.
Deve ser tido como favas contadas o avanço da extrema-direita, e, seja nosso consolo, a sobrevivência da esquerda, desta feita se superando numa política de frente que interrompe o divisionismo de muitas eras, vencido no Brasil em 2022. Melhorou seu desempenho em face das últimas eleições. O medo, como se vê, pode ser bom conselheiro. Descartada a vitória do En Marche, a única alternativa será a coabitação – repetindo as experiências do socialista François Mitterrand (1986-1988) com a centro-direita de Jacques Chirac, e Chirac-Jospin (1997-2002) – trazendo à tona a quase certeza da instabilidade política que, partindo da França (que com a Alemanha constitui seu centro econômico-político hegemônico) pode atingir a Comunidade Europeia e mesmo a OTAN.

É preciso, porém, pôr de manifesto o distanciamento político daquelas passadas coabitações, compreendendo esquerda e centro-direita, com a expectativa do lamentável encontro da direita de Macron com a extrema direita protofascista. A querida Rosa Freire d’Aguiar lembra que a França da Liberté, Égalité, Fraternité é a mesma que a menos de oitenta anos foi governada por um primeiro-ministro fascista, Pierre Laval, isso na “República de Vichy” chefiada pelo Marechal Philippe Pétain, a serviço do exército alemão invasor. A humilhante derrota para a Alemanha é muitas vezes invocada para explicar a indigência moral. Mas o que dizer de hoje, quando boa parte dos franceses pode estar elegendo um novo Vichy?

Tímida aragem chega da Grã-Bretanha, com a confirmação da derrocada do Partido Conservador, após 14 anos de mando e desmandos. Mas o Partido Trabalhista que controlará a Câmara dos Comuns e nomeará o primeiro-ministro não guarda raízes com o Labour Party de Jaremy Corbyn. A política externa permanecerá intocável, e o novo governo se limitará a enfrentar as consequências da desastrada saída da Comunidade Europeia. O ex-império está tão doente quanto a família real, e permanecerá como província de sua ex-colônia.

Nosso continente vive seus abalos. O Brasil, graças ao carisma e ao sacrifício de Lula, conteve a continuidade da extrema-direita. Teve, porém, o PT, na campanha e no governo, de aliar-se a setores conservadores, e, minoritário, enfrenta a oposição ativa do mais reacionário Congresso de quantos conheceu a República. E, pela primeira vez, assistimos, em país flagrantemente dividido, uma extrema-direita organizada e mobilizada, enraizada em grandes setores populares, alimentada por setores da ordem econômica, apoio que se reflete na oposição que os grandes meios de comunicação movem contra o governo de centro-esquerda.

O Paraguai segue na estabilidade dos governos de direita. O Partido Colorado permanece no poder praticamente desde 1887. São desanimadoras as perspectivas do Peru e do Equador. Na Bolívia, vítima de guerra híbrida, o governo conseguiu conter mais uma tentativa de golpe militar. Mas a guerrilha inexplicada entre Evo Morales e Luís Arce poderá afastar a esquerda nas próximas eleições, além de constituir um desserviço para a educação política das massas. Há, contudo, o que comemorar, como as indicações de que a Frente Ampla de José Mujica pode voltar ao poder no Uruguai. O grande feito, de qualquer modo, é a eleição de Claudia Sheinbaum no México, com 60% dos votos e conquistando dois terços o Congresso.

Que esse panorama ajude a esquerda e as forças populares de um modo geral a compreenderem o desafio político-ideológico das nossas eleições municipais deste ano.

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Os tropeços da pequena política- Em evento recente no Rio de Janeiro, a inauguração de um conjunto habitacional, o presidente Lula saudou Eduardo Paes como “o melhor prefeito que esse país já teve”. Uma inverdade e uma injustiça. Para citar poucos, Lula menosprezou as administrações paulistanas de seus correligionários Luiza Erundina (então no PT), Marta Suplicy e Fernando Haddad, com quem, aliás, estivera minutos antes.

Silêncio tonitruante – A louvável coragem exibida por Lula na defesa de Julian Assange, jornalista duramente perseguido pelo estado que se dizia paladino da liberdade de imprensa, bem como na denúncia do genocídio palestino (a que a “comunidade internacional” assiste perplexa e imóvel), é digna de aplauso e nos enche de orgulho. Em face dela, machuca os ouvidos o silêncio do nosso governo sobre o episódio da detenção e deportação - sumária - do professor palestino Muslim Abuumar e sua família, inclusive a esposa grávida de sete meses. Abuumar, os apoiadores de Lula e a sociedade como um todo merecem uma explicação.

-COLABORAÇÃO: PEDRO CESAR BATISTA-
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quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

DEFENDER A PALESTINA É COMBATER A EXTREMA-DIREITA NO BRASIL * Munir Naser/Monitor do Oriente

DEFENDER A PALESTINA É COMBATER A EXTREMA-DIREITA NO BRASIL

Desde a partilha da Palestina com a resolução 181 da ONU em 1947 até os dias atuais, a causa Palestina é uma referência de resistência e inspiração para os povos oprimidos em todo mundo. A relação dos Black Panter’s ( Panteras Negras ) com a OLP (Organização pela Libertação da Palestina) era notória. Para Jean Genet, militante anticolonial, antiracista, poeta e escritor, tanto os afro-americanos quanto os palestinos sofriam com a mesma opressão colonial.

No Brasil, o Movimento Negro Unificado (MNU) tem relações com a OLP desde a ditadura militar (1964-1985). Diante dessa conjuntura, a OLP em 1980 promoveu em São Paulo o encontro e a manifestação pública da organização no Teatro de resistência Ruth Escobar, porém os sionistas tentaram intimidar e silenciar vozes palestinas no ato, mas, graças à solidariedade e à força do recém fundando MNU, a garantia política do movimento e das falas foram exitosas. Além disso, juntamente com o Movimento dos Trabalhadores sem Terra, a Central Única dos Trabalhadores e o Movimento dos Trabalhadores sem Teto, o MNU entregou uma carta ao Governo Brasileiro exigindo o fim dos acordos comerciais com Israel, principalmente de caráter bélico e de inteligência/tecnologia.

Portanto, por que defender a causa Palestina no Brasil é combater a Extrema-direita?

Elencado com as principais reivindicações do povo brasileiro, que são reformas profundas diante das estruturas de poder que atualmente estão com crise de representatividade popular, descrédito nas instituições e na justiça, a causa Palestina aponta, ainda mais forte na conjuntura atual, um norte de resistência a ser seguido. O povo oprimido no Brasil colocou Luís Inácio Lula da Silva com suas próprias mãos no poder, mesmo contra a máquina pública, o assédio dos patrões, as operações golpistas da PRF, porém a estrutura do Estado ainda está bolsonarizada. O chantagista da União, Arthur Lira, o faminto centrão e a força da Extrema-direita no Brasil fazem com que a tarefa de reconstruir o país seja mais difícil.


As críticas duras do embaixador de Israel no Brasil ao Partido dos Trabalhadores, além do ferimento de protocolos diplomáticos atentando contra a soberania do país se reunindo com líderes da oposição no parlamento brasileiro, além do inelegível e investigado que promoveu o governo mais reacionário da história do Brasil até a redemocratização, Jair Bolsonaro, mostra a natureza perversa e anti-povo e o que representa o sionismo em qualquer lugar.

Desumanizando os palestinos como se fossem ‘incivilizados’ demais para serem salvos – Cartoon [Sabaaneh/Monitor do Monitor do Oriente]

Diante disso, é um aceno ditatorial e imperialista de Israel, pois, ao se reunir com os golpistas que financiaram e agitaram os atos antidemocráticos do dia 08 de janeiro de 2023, chantagea o governo brasileiro aos seus desejos perversos. Não é coincidência que golpistas e terroristas invadiram a sede dos poderes carregando bandeiras de Israel, é coerente até com suas ideologias.

Combater isso faz se necessário para sobrevivência de uma democracia popular. Como combatemos? Pedindo o fim da cooperação militar e tecnológica proposta no ano de 2019 pelo então governo genocida. Além do fim de relações diplomáticas com estado de apartheid Israelense, que apesar dos crimes contra palestinos e o genocídio em prática com mais de 70 dias de bombardeios, o agravante é o atentado contra a soberania brasileira .

O fim dos acordos militares e comerciais impactariam diretamente a relação de opressão do povo negro no Brasil e do povo indígena. Pois, as armas que são usadas nas periferias e as táticas militares são importadas do estado racista de Israel. As armas que matam o jovem negro no país são as mesmas que matam crianças e mulheres palestinas na Cisjordânia e em Gaza. Os equipamentos de inteligência, softwares, materiais de empresas mineradoras são utilizados para invasão de terra indígena no Brasil e na Palestina. Além da segurança da democracia que esteve novamente danificada, que contou com inteligência e tecnologia israelense para o grampeamento de autoridades, ministros, servidores públicos de maneira ilegal por meio de funcionários da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência).


Independentemente de ideologia, 61% dos brasileiros não concordam com a violência em Gaza promovido por Israel de acordo com a Genial Quaest. Diante desses números, a reivindicação de um cessar-fogo imediato, a autodeterminação do povo palestino e o fim da cooperação militar pode ser um caminho fértil que elenca na perspectiva de mobilização para pressionar o Governo e o parlamento em relação à desmilitarização da polícia e o fim da violência pública, em relação à reforma agrária, em relação à reforma política, dentre outras necessidades do povo brasileiro.

Consequentemente, denunciando e mostrando ao povo brasileiro quem apoia o genocídio do povo palestino e os intensos crimes contra humanidade são dos deputados e autoridades de extrema-direita.
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terça-feira, 10 de outubro de 2023

Tempestade de Al-Aqsa * (Texto atribuído a Bruno Wallace-RJ)

TEMPESTADE DE AL AQSA





VERGONHA

Depois de massacrar mais de 1.000 crianças palestinas em Gaza em menos de 10 dias, o Estado de Rondônia no Brasil concede o título de cidadão honorário ao Primeiro Ministro de Israel, o genocida Benjamin Netanyahu.
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE RONDÔNIA
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*PALESTINA LIVRE!* 
Nesta quinta-feira (19) será realizado no largo São Francisco em São Paulo o ato em defesa da paz do oriente médio! É preciso garantir o respeito às diferenças políticas, religiosas, étnicas e construir um horizonte de diretos para todas as populações que ocupam a região da Palestina Histórica.

AGENDE-SE!

AGENDE-SE













AS ARMAS QUE OS EUA ENVIARAM PARA A UCRÂNIA SÃO USADAS NO ATAQUE DO HAMAS A ISRAEL? POSSIVELMENTE… os americanos devem estar se perguntando agora…

*A profanação da Mesquita Palestina de Al Aqsa por Israel é o casus belli deste atual ataque do Hamas.*
Hamas, é o grupo de resistência indígena palestino.

O ataque alarmante e surpreendente contra alvos militares e civis israelitas, deixou mais de duzentos israelitas sionistas mortos e um grande número mantidos como reféns.

Israel e os seus apoiantes em todo o mundo encaram isto como um ato de terrorismo injustificado.

Da Mesma maneira que encaram a incursão russa para desnazificar a Ukraine, um ato de terrorismo injustificado…

Dois pesos e duas medidas …
NAZIJUDEUS ISRAELENSES

Por outro lado, o Hamas e os seus apoiantes celebram isto como um golpe contra os racistas do regime apartheid e agressores israelitas.

Isto representa uma escalada perigosa no conflito de longa data entre Israel e os palestinianos na Faixa de Gaza e não é provável que se confine a Gaza.

Enquanto escrevo isto, há relatos de disparos de morteiros contra posições israelitas ao longo da fronteira norte com o Líbano.

Manifestações em apoio ao Hamas surgiram em todo o mundo muçulmano à medida que a notícia do ataque se espalhava.

O ataque de ontem apanhou Israel totalmente desprevenido e levanta imediatamente questões sobre uma falha de inteligência.

De qualquer forma, é uma mancha negra na reputação de Israel em termos de inteligência humana superior e é provável que enfraqueça o apoio público ao governo apartheid de bibi Netanyahu.

Há vários relatórios a circular nos canais do Telegram do Oriente Médio alegando que o Hamas atacou posições israelitas com armas fornecidas por fontes ucranianas…

Acredita-se que a ajuda militar enviada à Ucrânia pelos Estados Unidos e pela OTAN foi alegadamente utilizada nos ataques lançados pelo Hamas… afinal… de onde surgiram tantas armas de repente na faixa de Gaza?

Muitos dos comentários sobre os ataques do Hamas ignoram o nome que o Hamas atribuiu a esta operação – *Tempestade Al-Aqsa.*

A Mesquita Al Aqsa em Jerusalém é um local sagrado venerado no Islã e pelos indígenas, povos originários palestinos…

O Ocidente prestou pouca atenção ao que aconteceu na Mesquita… e a mídia ocidental oligárquica escondeu do público estes atos de terrorismo contra o povo palestino…

Mais de 800 colonos israelenses invadiram o complexo da Mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém Oriental ocupada na manhã de quinta-feira, sob a proteção das forças israelenses.

Colonos, invasores de terras palestinas, Rabinos, chefes de associações de assentamentos e professores universitários de extrema direita estavam entre as 832 pessoas que forçaram a entrada no complexo do local religioso, disse uma fonte do Departamento de Doações Islâmicas em Jerusalém ao site irmão árabe do The New Arab, Al-Araby Al-Jadeed…

A invasão aconteceu durante o feriado religioso judaico de Sucot, que começou em 29 de setembro e termina na sexta-feira.

O feriado viu milhares de extremistas israelenses invadirem o complexo de Al-Aqsa, com quase 1.500 entrando no local na segunda-feira.

Os extremistas israelitas também continuaram na quinta-feira a realizar marchas provocativas tanto dentro da Cidade Velha de Jerusalém como fora dos seus muros, matando os palestinianos e atacando as suas propriedades.

Os judeus sionistas também espancaram e cuspiram em jornalistas numa área de mercado perto de Al-Aqsa, onde as lojas foram forçadas a fechar pelo sexto dia consecutivo.

Imagine a reação no mundo cristão se os muçulmanos entrassem na Basílica de São Pedro e expulsassem à força os fiéis cristãos daquele santuário…

Talvez esse exemplo paralelo nos ajude a compreender por que os muçulmanos, e não apenas o Hamas, estão reagindo com tanta violência.

Claro que você não verá isso na mídia ocidental… onde todo governo mundial acovardado esconde esses fatos…

Quero também salientar que o hábito dos extremistas israelitas de cuspir nas pessoas não se limita aos muçulmanos ou aos palestinianos.

Um vídeo mostra o que um grupo de cristãos filipinos encontrou recentemente em Jerusalém…

Israel enfrenta algumas escolhas muito difíceis na resposta ao ataque do Hamas.

O Hamas não possui instalações militares ou forças concentradas que possam ser facilmente atacadas.

Isso significa que Israel atacará áreas civis, o que levanta o espectro da morte de um grande número de civis palestinos.

Em vez de enfraquecer o Hamas, isto irá provavelmente reforçar a determinação dos palestinianos e alimentar uma indignação ainda maior no mundo árabe e muçulmano.

Israel, que recentemente manteve conversações com a Arábia Saudita numa tentativa de normalizar as relações, provavelmente será evitado em vez de bem-vindo como parceiro diplomático.

Se Israel decidir enviar o seu exército para a Faixa de Gaza, enfrentará um combate urbano brutal, o que significa um elevado número de baixas.

Dado que Israel é maioritariamente composto por reservistas, um número crescente de soldados israelitas mortos e feridos irá trazer uma enorme pressão política sobre Netanyahu.

*A profanação da Mesquita Palestina de Al Aqsa por Israel é o casus belli deste atual ataque do Hamas.*

Embora existam alguns relatos não confirmados de que o Hamas está executando os israelitas que capturou nas primeiras horas da sua ofensiva, penso que é mais provável que o Hamas utilize esses israelitas como moeda de troca para garantir a libertação dos seus prisioneiros ou mantê-los como escudos humanos para reduzir a possibilidade de Israel lançar ataques desenfreados em Gaza.

Os judeus sionistas invasores de terras palestinas estão com medo e furiosos.

Esta é uma combinação perigosa e pode levar Israel a agir mais por emoção do que por estratégia.

Os Palestinos, estão sendo sacrificados, brutalizados,assassinados há oito décadas… eles foram forçados a resistir, ou desaparecer…agora falam a linguagem da violência que Israel lhes ensinou

Os tiroteios indiscriminados contra israelitas perpetrados pelo Hamas e outras organizações de resistência palestinianas, o rapto de civis, o lançamento de foguetes contra Israel, os ataques de drones contra uma variedade de alvos, desde tanques a ninhos de metralhadoras automatizadas, são a linguagem familiar do ocupante israelita.

Israel tem falado esta linguagem sangrenta de violência aos palestinianos desde que as milícias sionistas tomaram mais de 78 por cento da Palestina histórica, destruíram cerca de 530 aldeias indígenas e cidades palestinianas e mataram cerca de 15.000 palestinianos em mais de 70 massacres.

Cerca de 750 mil palestinos foram assassinados etnicamente entre 1947 e 1949 para criar o Estado de Israel em 1948.

A resposta de Israel a estas incursões armadas será um outro ataque genocida a Gaza.

Israel matará dezenas de palestinos por cada israelense morto.

Centenas de palestinos já morreram em ataques aéreos israelenses desde o lançamento da “Operação Al-Aqsa Flood” na manhã de sábado, que deixou 700 israelenses mortos.

O primeiro-ministro Netanyahu alertou os palestinos em Gaza no domingo para “saírem agora”, porque Israel vai “transformar todos os esconderijos do Hamas em escombros”.

Mas para onde deverão ir os palestinianos em Gaza? Israel e Egito bloqueiam as fronteiras terrestres. Não há saída aérea ou marítima, que são controladas por Israel.

A retribuição colectiva contra inocentes é uma táctica familiar utilizada pelos governantes coloniais.

Usaram contra os indígenas nativos americanos e, mais tarde, nas Filipinas e no Vietnan.

Os alemães usaram-no contra os Herero e Namaqua na Namíbia.

Os britânicos no Quénia e na Malásia.

Os nazistas usaram-no nas áreas que ocuparam na União Soviética e na Europa Central e Oriental.

Israel segue o mesmo manual.

Morte por morte.

Atrocidade por atrocidade.

Mas é sempre o ocupante quem inicia esta dança macabra e troca pilhas de cadáveres por pilhas maiores de cadáveres.

Isto não é defender os crimes de guerra de nenhum dos lados.

Não é para se alegrar com os ataques.

Já vimos violência suficiente nos territórios ocupados por Israel, onde o conflito dura mais de setenta anos, de violência.

Este é o desfecho familiar para todos os projetos coloniais de colonos.

Regimes implantados e mantidos pela violência geram violência.

A guerra de libertação do Haiti. Os Mau Mau no Quênia.

O Congresso Nacional Africano na África do Sul…

Estas revoltas nem sempre são bem-sucedidas, mas seguem padrões familiares.

Os palestinianos, como todos os povos colonizados, têm direito à resistência armada ao abrigo do direito internacional.

Israel nunca teve qualquer interesse num acordo equitativo com os palestinianos.

Construiu um Estado de apartheid e tem absorvido progressivamente extensões cada vez maiores de terra palestina numa campanha de assassinatos e limpeza étnica em câmara lenta.

Os judeus sionistas transformaram Gaza (Palestina) em 2007 na maior prisão ao ar livre do mundo.

O que Israel, ou a comunidade mundial, espera?

Como é possível prender 2,3 milhões de pessoas em Gaza, metade das quais estão desempregadas, famintas, sedentas, num dos locais mais densamente povoados do planeta durante 16 anos, reduzir a vida dos seus residentes, metade dos quais são crianças, a um nível de subsistência, privar suprimentos médicos básicos, alimentos, água eeletricidade, usar aeronaves de ataque, artilharia, unidades mecanizadas, mísseis, canhões navais e unidades de infantaria para massacrar aleatoriamente civis desarmados e não esperar uma resposta violenta?

Israel está atualmente realizando ondas de ataques aéreos a Gaza, a preparar uma invasão terrestre e cortou a energia de Gaza, que normalmente só funciona duas a quatro horas por dia.

Muitos dos combatentes da resistência que se infiltraram em Israel sabiam, sem dúvida, que seriam mortos.

Mas, tal como os combatentes da resistência noutras guerras de libertação, decidiram que se não pudessem escolher como iriam viver, escolheriam como iriam morrer.

Alina Margolis-Edelman, que fez parte da resistência armada na revolta do Gueto de Varsóvia na Segunda Guerra Mundial, Seu marido, Marek Edelman, foi o vice-comandante do levante e o único líder que sobreviveu à guerra.

Naquela época, Os nazistas selaram 400 mil judeus poloneses dentro do Gueto de Varsóvia.

Os judeus presos morreram aos milhares, de fome, doenças e violência indiscriminada.

Quando os nazistas começaram a transportar os judeus restantes para os campos de extermínio, os combatentes da resistência reagiram.

Ninguém esperava sobreviver.

Edelman, depois da guerra, condenou o sionismo como uma ideologia racista usada para justificar o roubo de terras palestinas.

Ela ficou do lado dos palestinianos, apoiou a sua resistência armada e reuniu-se frequentemente com líderes palestinianos.

Ela trovejou contra a apropriação do Holocausto por Israel para justificar a sua repressão ao povo palestiniano.

Enquanto Israel apreciava a mitologia da revolta do gueto, tratava o único líder sobrevivente da revolta, que se recusou a deixar a Polônia, como um pária.

Edelman compreendeu que a lição do Holocausto e da revolta do gueto não era que os judeus fossem moralmente superiores ou vítimas eternas.

A história, disse Edelman, pertence a todos. Os oprimidos, incluindo os palestinos, tinham o direito de lutar pela igualdade, dignidade e liberdade.


“Ser judeu significa estar sempre com os oprimidos e nunca com os opressores”, disse Edelman.

A revolta de Varsóvia há muito que inspira os palestinianos.

Representantes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) costumavam depositar uma coroa de flores na comemoração anual da revolta na Polónia, no monumento do Gueto de Varsóvia.

Quanto mais violência o colonizador despende para subjugar os ocupados, mais ele se transforma num monstro.

O atual governo de Israel é povoado por extremistas judeus, sionistas fanáticos e fanáticos religiosos que estão a desmantelar a democracia israelita e a apelar à expulsão ou assassinato em massa de palestinianos, incluindo aqueles que vivem dentro de Israel.

O filósofo israelita Yeshayahu Leibowitz, a quem Isiah Berlin chamou de “a consciência de Israel”, advertiu que se Israel não separasse a Igreja do Estado, daria origem a um rabinato corrupto que transformaria o Judaísmo num culto fascista.

“O nacionalismo religioso é para a religião, o que o nacional-socialismo foi para o socialismo”, disse Leibowitz, que morreu em 1994.

Ele compreendeu que a veneração cega dos militares, especialmente depois da guerra de 1967 que capturou o Sinai do Egipto, Gaza, a Cisjordânia (incluindo Jerusalém Oriental) e as Colinas de Golã da Síria, era perigosa e levaria à destruição final de Israel, juntamente com qualquer esperança da democracia.

“A nossa situação irá deteriorar-se para a de um segundo Vietnan, para uma guerra em constante escalada sem perspectiva de resolução final”, alertou.

Ele previu que “os árabes seriam os trabalhadores e os judeus os administradores, inspetores, funcionários e policiais – principalmente a polícia secreta."

Um Estado que governa uma população hostil de 1,5 milhões a 2 milhões de estrangeiros tornar-se-ia necessariamente num Estado de polícia secreta, com tudo o que isso implica para a educação, a liberdade de expressão e as instituições democráticas.

A corrupção característica de cada regime colonial também prevalece no Estado de Israel.

A administração teria de suprimir a insurreição árabe, por um lado, e adquirir os Quislings árabes, por outro.

Há também boas razões para temer que as Forças de Defesa de Israel, que até agora têm sido um exército popular, se degenerem, ao serem transformadas num exército de ocupação, e os seus comandantes, que se tornarão governadores militares, se assemelhem seus colegas em outras nações.”

Ele viu que a ocupação prolongada dos palestinianos iria inevitavelmente gerar “campos de concentração”.

“Israel”, disse ele, “não mereceria existir e não valerá a pena preservá-lo”.

A próxima etapa desta luta será uma campanha massiva de massacre industrial em Gaza por parte de Israel, que já começou.

Israel está convencido de que maiores níveis de violência acabarão por esmagar as aspirações palestinas.

Israel está enganado. O terror que Israel inflige é o terror que irá causar para seu próprio povo.
DIPLOMATA PALESTINO



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quinta-feira, 27 de julho de 2023

A verdadeira transição energética justa * Felipe Coutinho/AEPET

A verdadeira transição energética justa

Para que a transição energética seja justa é necessário reduzir as desigualdades da renda, da riqueza, do consumo de energia e das emissões per capita, tanto entre os países quanto dentro de cada país.

Os termos sustentabilidade e transição energética são tão repetidos quanto indefinidos, e usados como peças de propaganda, manipulação e agitação. Recentemente, o atual presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, trouxe um adjetivo com sua “transição energética justa”. [1]
política de privacidade.

Matriz energética brasileira e mundial

O termo “transição energética” traz a ideia que deixaremos de usar certas fontes para usar outras, geralmente se pressupõe que as piores fontes ficam para trás e as melhores chegam para as substituir, também é comum se assumir que será rápida esta mudança.

A realidade é bem distinta. As transições energéticas são historicamente lentas; as fontes anteriores não são simplesmente substituídas por novas, mas se somam a elas. Se no passado energias piores foram somadas a energias melhores, como a biomassa (lenha) ao se somar com o carvão mineral e o petróleo, por exemplo, nas futuras transições não existe essa garantia. As melhores energias, mais baratas de serem produzidas, mais concentradas em energia, mais flexíveis e confiáveis, podem ser gradativamente extintas e se somarem a energias de pior qualidade.

CONTINUA
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sábado, 3 de junho de 2023

CARTA AOS PRESIDENTES DA AMÉRICA DO SUL * VÁRIOS AUTORES

CARTA AOS PRESIDENTES DA AMÉRICA DO SUL
Manifesto assinado por lideranças políticas do Continente, 15/11/2022.

Estimados,

Alberto Fernández, Luis Arce, Luiz Inácio Lula da Silva, Guillermo Lasso, Gabriel Boric, Gustavo Petro, Irfaan Ali, Mario Abdo Benítez, Pedro Castillo, Luis Lacalle Pou, Chan Santokhi, Nicolás Maduro.

Somos um grupo de ex-presidentes, chanceleres, ministros, parlamentares e intelectuais sul-americanos que buscam contribuir com os desafios do tempo presente. Nos anima a necessidade de deixar para trás uma história de sonhos desfeitos, promessas quebradas e oportunidades perdidas. Uma pandemia que açoita o mundo há quase três anos, a guerra de Rússia com Ucrânia e a aprofundamento da disputa entre China e Estados Unidos criaram um novo cenário internacional.

A globalização tal qual se organizou até os dias de hoje está em dúvida. Assim também estão as velhas formas de integração assimétricas entre os países centrais e periféricos. O novo mundo que emerge carrega ameaças, mas também oportunidades que não podem voltar a ser desperdiçadas. Uma crise climática que não para de se agravar e uma anomalia relativa ao respeito do direito internacional gera uma espécie de caos global no qual até o risco de uma tragédia causada por armamentos nucleares cresce. Se requer uma intervenção urgente dos organismos multilaterais que hoje estão desgraçadamente debilitados e são muitas vezes impotentes.

A hegemonia norte-americana está desafiada pela emergência da China, nação milenar governada de maneira centralizada. Por sua vez, a União Europeia procura defender seu modelo de coesão social e abrir, sem ter conseguido por ora, espaços que permitam conquistar sua autonomia estratégica. Ao mesmo tempo, o chamado Sul Global, com novas potências emergentes, busca abrir espaço e influenciar no desenho de uma nova forma de governança para o planeta.

Uma característica essencial do novo cenário é a fragmentação do espaço mundial que tende a reorganizar-se em torno de grandes blocos regionais, nos quais na medida em que se fecham, podem se tornar verdadeiras fortalezas. A geopolítica tende a deslocar a questão econômica do centro de gravidade das decisões. Neste novo contexto, noções como autonomia sanitária, alimentar e energética estão ganhando nova relevância. Neste mundo de blocos regionais, nossa América Latina aparece como uma região marginal e irrelevante. É de longe a região mais atingida pela crise econômico e social que s seguiu.

Com somente 8% da população mundial, América Latina registra mais de um quarto das vítimas de COVID-19, vive uma recessão duplamente mais profunda que da economia mundial, e viu aumentar em cerca de 50 milhões o número de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza. Primam na região a fragilidade das estruturas produtivas, a acentuação da dependência em um número reduzido de produtos primários, o enfraquecimento das instituições democráticas e a fragmentação política que impede de levantar uma voz comum frente aos assuntos globais. A recente ‘Cúpula das Américas’ mostrou de forma crua a ausência de uma posição comum de nossos governantes, a ponto de que o centro da discussão foi ocupado por exclusões e ausências.

Prezado Presidente,

Estamos convencidos de que este quadro sombrio não é inevitável. Nossa região pode fazer mais. Pouco a pouco, o processo de integração está revivendo. A iniciativa do presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador permitiu a reativação da Comunidade dos Estados da América Latina e Caribe (CELAC) criada em 2010, que estava paralisada desde 2017. A Cúpula realizada em setembro de 2021 tornou possível a reunião e a adoção de um importante plano de ação sobre autossuficiência em saúde, visando fortalecer a produção e distribuição de medicamentos, especialmente vacinas, com o objetivo de reduzir nossa dependência externa. Atualmente, a Presidência Pro Tempore assumida pelo Presidente da Argentina, Alberto Fernández, procura dar continuidade a este esforço, aprofundando a “unidade na diversidade” como um imperativo ético para crescer com mais igualdade e justiça.

A integração é hoje mais necessária do que nunca. Um esforço significativo nesta direção alimentaria um círculo virtuoso que fortaleceria os organismos multilaterais e contribuiria para um bem maior que está atualmente em perigo: a paz. Ao contrário de outras regiões, a América Latina e o Caribe erradicaram há muito tempo as guerras entre países e podem se apresentar ao mundo como uma Zona de Paz. Também pode ser uma região que contribui para a paz, praticando uma rigorosa política de autonomia em relação às grandes potências. Uma América Latina integrada, não-alinhada e pacífica recuperará o prestígio internacional e será capaz de superar a irrelevância em que nos encontramos. Estaremos então em melhor posição para enfrentar as quatro principais ameaças que a região enfrenta: mudança climática, pandemias, desigualdades sociais e regressão autoritária.

Processos eleitorais recentes permitiram o triunfo de governos e coalizões políticas favoráveis ao renascimento da integração regional. A partir de janeiro de 2023, todos os países maiores, sem exceção, terão governos a favor da retomada e do fortalecimento dos processos de integração. Esta é uma oportunidade que não pode ser perdida. Juntos podemos fazer ouvir nossa voz. Divididos, nos tornamos invisíveis e não somos ouvidos. Os esforços de integração são antigos e seus resultados até agora modestos. As diferenças com outros esquemas, como a União Europeia (UE) ou a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), entre outros, são abissais. Assim, por exemplo, enquanto na UE o comércio inter-regional representa mais de 70% do total, na América Latina, após sucessivas quedas, atualmente não chega a mais de 13%.

A nobre ideia de integração tornou-se para muitos uma tarefa impossível. Décadas de frustração corroeram o prestígio da própria ideia de integração e enfraqueceram o campo das forças sociais e políticas chamadas a sustentá-la. Para avançar, a substância deve vencer a retórica, e as conquistas devem ter precedência sobre o discurso.

A diversidade da região da América Latina e Caribe torna necessário entender a integração como um processo que necessariamente adota uma geometria variável composta de vários planos que se expandem em diferentes velocidades. Cada uma das sub-regiões tem particularidades que, se não forem levadas em conta, acabam desacelerando o processo como um todo. O México na América do Norte, América Central, Caribe e América do Sul têm objetivos e exigências em comum com relação ao mundo, mas ao mesmo tempo têm suas próprias especificidades.

É evidente que uma grande nação como o México é uma realidade muito diferente da América do Sul, dado que seu comércio está fortemente orientado para o mercado norte-americano, concentrado em produtos manufaturados e com muito menos influência da China. A natureza excepcional do México não tem que se transformar em rivalidade. Se alguma vez houve uma, é hora de ir além dela. Profundos laços históricos, culturais e linguísticos nos ligam ao México. No novo cenário internacional, organizado em torno de grandes blocos, uma estreita relação entre México, América Central, Caribe e América do Sul representa uma grande vantagem para o conjunto.

A América do Sul é uma entidade de direito próprio com 18 milhões de quilômetros quadrados e 422 milhões de habitantes, representando dois terços da população total da América Latina. Com suas costas do Atlântico e do Pacífico, tem um enorme potencial de integração física e processos de comunicação que devem ser implementados com estrito respeito aos altos padrões ambientais, à organização das cadeias produtivas e ao desenvolvimento de um mercado comum. A América do Sul também tem amplo espaço para cooperação nos campos político, cultural, financeiro, militar e científico-técnico.

Além disso, mudanças políticas muito recentes, como as que ocorreram no Chile, Colômbia e Brasil, estão gerando um novo impulso transformador nesta sub-região. O potencial da América do Sul só pode ser realizado na medida em que os países que compõem a sub-região criem um espaço no qual possam se reunir, identificar projetos comuns e desenvolver iniciativas conjuntas. Esta necessidade foi bem visualizada na época e levou à criação da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) através do Tratado Constitutivo assinado em Brasília em 2008, que entrou em vigor em 2011.

Durante seus sete anos de operação, a UNASUL desenvolveu múltiplas iniciativas de interesse. Seus esforços na área da gestão de crises político-institucionais são particularmente valorizados, e o funcionamento do Conselho de Defesa, que fez notáveis progressos nesta delicada área, se destaca.

Também foram feitos progressos no campo da saúde e no desenvolvimento de uma ampla carteira de projetos de infraestrutura física. Entretanto, sua fraca capacidade de implementação, a ausência de uma dimensão econômica, comercial e produtiva e o abuso do veto implícito na regra do consenso nos processos decisórios, inclusive para a nomeação do secretário geral, facilitaram a paralisação da UNASUL e a tentativa de substituí-la pelo chamado Fórum para o Progresso da América do Sul (PROSUR) em 2019.

Entretanto, na prática, a PROSUR não passava de um empreendimento improvisado e precário, com capacidade operacional zero, como demonstrado por sua total inoperância durante a pandemia, uma época em que a ação concertada era especialmente necessária. A PROSUR é agora um todo vazio, uma instituição fantasma.

A reconstrução de um espaço efetivo de coordenação sul-americana é, portanto, urgentemente necessária. Como documentado no estudo detalhado do Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), o Tratado Constitutivo da UNASUL de 2008 continua em vigor para todos os países que não o denunciaram, e a organização continua a existir em nível internacional. Pelo menos cinco países não denunciaram o Tratado e entre aqueles que o fizeram, pelo menos dois, Argentina e Brasil, o fizeram de forma irregular, razão pela qual puderam optar por anular suas denúncias. Além disso, como foi demonstrado no estudo acima mencionado, nenhum dos sete países que se retiraram cumpriram as disposições do Tratado Constitutivo relativas à busca do diálogo político (artigo 14) para a resolução de disputas ou o procedimento de emenda previsto no artigo 25.

Entretanto, esta não é uma reconstituição puramente nostálgica de um passado que já não existe. Uma nova UNASUL deve assumir a responsabilidade autocrítica pelas deficiências do processo anterior.

Especificamente, deve:

(i) Garantir o pluralismo e sua projeção além das afinidades ideológicas e políticas dos governos em exercício. Neste sentido, há muito a aprender com esquemas como a UE ou a ASEAN, nos quais países com governos e mesmo regimes de convicções políticas muito diferentes coexistem.

(ii) Substituir a regra do consenso, que acaba tendo um efeito paralisante, por um sistema de tomada de decisão com quóruns diferentes, dependendo das questões a serem resolvidas. Em particular, a eleição do Secretário Geral não pode estar sujeita ao direito de veto de um país.

(iii) Incorporar novos atores para complementar os esforços dos governos e parlamentos. Universidades, institutos tecnológicos, centros culturais, representantes sindicais, grandes, pequenas e médias empresas devem ser incorporados ao processo. Em sua ausência, a integração perde vitalidade e tende a se tornar burocrática.

(iv) Priorizar a implementação de uma agenda de questões prioritárias. A institucionalidade deve ser construída com base na agenda, garantindo sua viabilidade e não o contrário, como tem sido muitas vezes a tradição latino-americana.

A agenda prioritária deve incluir pelo menos o seguinte: Um plano de autossuficiência sanitária voltado especialmente para a produção e compra conjunta de vacinas e insumos essenciais à saúde; acordos para facilitar uma imigração ordenada; um programa integrado para enfrentar a mudança climática em conformidade com os Acordos de Paris; obras prioritárias de conectividade rodoviária, ferroviária e energética; a recuperação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a região e o fortalecimento do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF); medidas que favoreçam a cooperação entre empresas da região, tais como contratos públicos conjuntos e harmonização regulatória; a construção de uma abordagem regional comum aos principais desafios globais a serem apresentados ao G20 pelos três países latino-americanos participantes do G20: Argentina, Brasil e México; a criação de um grupo de trabalho para avançar em direção a um sistema financeiro comercial com vistas à futura integração monetária, quando as condições macroeconômicas o permitirem; uma abordagem comum da dívida externa e do financiamento internacional para os países de renda média que constituem a maioria dos países da região; mecanismos para facilitar a colaboração em questões de segurança pública e de segurança pública; acordos para promover programas de aprendizagem e treinamento ao longo da vida, especialmente para que o mundo do trabalho possa enfrentar o desafio da digitalização; políticas conjuntas para regular a ação dos grandes monopólios tecnológicos.

A reconstituição de um espaço regional sul-americano não é contraditória com o avanço da integração latino-americana em um sentido mais amplo. Uma Nova UNASUL pode ser perfeitamente funcional para a projeção do CELAC. Além disso, não se deve esquecer que a antiga UNASUL foi decisiva para a criação do CELAC. A Nova UNASUL pode, portanto, ser uma força que fortalece a CELAC, já que foi reconstituída a partir de 2021.

Com base no princípio da geometria variável, é possível identificar uma divisão de papéis pela qual o CELAC é chamado a tornar-se o espaço privilegiado para definir uma posição comum para a região sobre as questões da agenda multilateral: mudança climática, transição energética, comércio, investimento, finanças internacionais, direitos humanos, desarmamento, paz e segurança, migração, tráfico de drogas e crime organizado. Para isso, a CELAC precisa estar equipada com uma estrutura institucional mínima e uma secretaria técnica com capacidade executiva.

Prezado Presidente,

É em tempos de crise e adversidade que a experiência e a sabedoria daqueles que governam são particularmente necessárias. No cenário atual, os ganhos democráticos tão duramente conquistados na América Latina após a sequência de ditaduras que varreram a região nos anos 1970 estão em risco. Temos grandes expectativas quanto à liderança que você está exercendo em seus países. Confiamos em sua visão para fazer de nossa América do Sul uma força motriz para um novo nível de unidade e integração latino-americana, ancorada na solidariedade continental e nos valores permanentes da paz e da democracia.


Assinam a Carta

Ex-Presidentes: Michelle Bachelet, Chile; Rafael Correa, Equador; Eduardo Duhalde, Argentina; Ricardo Lagos, Chile; José Mujica, Uruguai;

Dilma Rousseff, Brasil; Ernesto Samper, Colombia.

Ex-Chanceleres: Celso Amorim, Brasil; Rafael Bielsa, Argentina; José Miguel Insulza, Chile; Jorge Lara, Paraguai; Guillaume Long, Equador; Heraldo Muñoz, Chile; Rodolfo Nin, Uruguai; Aloizio Nunez, Brasil; Felipe Solá, Argentina; Jorge Taiana, Argentina; Allan Wagner, Peru

Ex-Ministros: Luiz Carlos Bresser Pereira, Brasil; Manuel Canelas, Bolivia; Adriana Delpiano, Chile; José Dirceu, Brasil; Maria Do Rosário, Brasil; Daniel Filmus, Argentina; Tarso Genro, Brasil; Fernando Haddad, Brasil; Jorge Heine, Chile; Salomón Lerner, Peru; Luis Maira, Chile; Aloizio Mercadante, Brasil; Carlos Ominami, Chile; Paulo Sérgio Pinheiro, Brasil; Mariana Prado, Bolívia.

Parlamentares (ex e atuais): José Octavio Bordón, Argentina; Iván Cepeda, Senador, Colombia; Flavio Dino, Senador eleito Brasil; Guilherme Boulos, Deputado eleito, Brasil; Marco Enríquez-Ominami, ex-deputado, Chile; Gloria Florez Schneider, senadora, Colômbia; Jaime Gazmuri, ex-senador, Chile; Vilma Ibarra, ex-senadora, Argentina; Esperanza Martínez, Senadora, Paraguai; Veronika Mendoza, ex-deputada, Peru; Constanza Moreira, ex-senadora, Uruguai; María José Pizarro, Senadora, Colômbia; David Racero, Presidente Cámara, Colômbia; Mónica Xavier, ex-senadora, Uruguai.

Docentes: Humberto Campodónico, Peru; Evandro Menezes, Brasil; Javier Miranda, Uruguai; Juan Gabriel Tokatlian, Argentina; Vicente Trevas, Brasil.

Diretores de organismos internacionais: Paulo Abrão, Brasil, ex-secretário executivo da CIDH; Carlos Fortín, Chile, ex-subsecretário Geral UNCTAD; Enrique García Rodríguez, ex-Presidente CAF; Enrique Iglesias, ex Presidente BID, ex-Secretário Executivo CEPAL e SEGIB; Marta Mauras, Chile, ex-diretora regional da UNICEF para América Latina e Caribe; Juan Somavía, Chile, ex-Diretor Geral da OIT.