quinta-feira, 22 de julho de 2021

Literatura de cordel pela revolução * Allan Sales / PE

LITERATURA DE CORDEL PELA REVOLUÇÃO
ALLAN SALES / PE

"Eu me chamo Allan Sales
Menestrel do Cariri
Vim do Crato pra o Recife
Até hoje vivo aqui
Nesta terra hospitaleira
Na Veneza Brasileira
Onde criei-me e cresci."

"Saravá seu Nildo Ouriques
Um doutor que nos ensina
Sobre nossa PÁTRIA GRANDE
Na América Latina
O valor que isso revela
Salve o povo do IELA
Lá em Santa Catarina

*
Sobre a América Latina

Varridos do oriente
Os cães imperialistas
Vorazes capitalistas
Vem pra nosso continente
Explorar a nossa gente
Com a fome mais lupina
Aqui a elite suína
Que que dar pra tais boçais
Os recursos naturais
Da América Latina

E pra isso o fascismo
Que engendram pra domar
Os direitos detonar
Sem falar do entreguismo
Todo autoritarismo
Com a fúria vil canina
Pois aqui é uma mina
De riquezas minerais
Os recursos naturais
Da América Latina

Ouro negro do pré-sal
Também na Venezuela
A Bolívia por tabela
Padece do mesmo mal
Traição de general
Tribunal nesta latrina
O império determina
E o conluio dos venais
Por recursos naturais
Da América Latina

Mão de obra bem barata
Uma massa que é refém
Não se vê quem os detém
Tais bandidos de gravata
O passado nos relata
Todo saque e chacina
Isso sempre que culmina
Em matanças bestiais
Por recursos naturais
Da América Latina

"Deep state" americano
Porco imperialismo
Quer o autoritarismo
Pra manter poder insano
Anti povo e desumano
Um processo de rapina
Com a casta mais ladina
Magistrados generais
Por recursos naturais
Da América Latina

É tão pouca reação
Com esquerda dividida
Novamente desunida
Vai sem rumo sem noção
Se não quer revolução
Pra desgraça não atina
De encenar fala ferina
Não muda coisas reais
Por recursos naturais
Da América Latina

*
Sobre a política brasileira

O Lulinha operário
Que chegou a presidente
Pra uma elite resistente
Ficou menos temerário
Não revolucionário
Fez acordo com chacais
Alencar e industriais
A governabilidade
E fez com habilidade
E os tempos não voltam mais

Mas pensou em inclusão
E criou uns instrumentos
Sociais esses fomentos
Algo de compensação
E sem ter revolução
Azeitou as estatais
Os programas sociais
Negros na universidade
Com a batuta do Hadad
E os tempos não voltam mais

E nos BRICS se juntou
Índia com a Rússia e China
África do Sul na sina
E o império não gostou
O Lulinha encarou
Fúrias internacionais
De ianques tão brutais
E europeus seus aliados
Da OTAN os paus mandados
E os tempos não voltam mais

E a Dilma indicou
Para sua sucessão
Oito anos teve então
E a tantos agradou
O burguês se arretou
E aos poucos deu sinais
As TVs e os jornais
Detonando os petistas
O ensaio dos golpistas
E os tempos não voltam mais

O mandato que primeiro
Teve sim a turbulência
Estrangeira ingerência
Teve aqui o tempo inteiro
O império interesseiro
No pré sal e outros mais
Fez as coisas imorais
Pra evitar reeleição
Mas Dilmou nossa nação
E os tempos não voltam mais

E assim foi conspirando
Toda mídia com congresso
O golpismo no processo
Aqui foi realizando
O PT demonizando
Lava jato tribunais
Por detrás os vis metais
Sérgio Moro cão da CIA
Pra ferrar democracia
E os tempos não voltam mais

Lula foi encarcerado
Dona Dilma derrubada
Nos direitos só patada
Foi o Temer um desgraçado
O desmonte do estado
Caros gasolina e o gás
Para as multinacionais
O pré sal foi repartido
E o Brasil nosso vendido
E os tempos não voltam mais

O fascismo em nossa porta
Assombrando esta nação
Lula a conciliação
Hoje ela está morta
E a lei hoje é torta
Golpistas os tribunais
Aloprados generais
A esquerda em polvorosa
Que já foi mais corajosa
E os tempos não voltam mais

As milícias do fascismo
Com policiais no meio
E os crentes no recheio
Tosco fundamentalismo
Que se dane o pacifismo
Reações sejam reais
De esquerdas viscerais
Eles vem com violência
Eu perdi a paciência
E os tempos não voltam mais

Os direitos do povão
As riquezas do pré sal
O golpista mais venal
Nos vendeu por um tostão
Um fascista fi do cão
E fascistas bestiais
A TV e seus canais
Tudo foi manipulado
Lula foi encarcerado
E os tempos não voltam mais

Esquerda demonizada
Por matérias na TV
A caçada ao PT
Na pressão a milicada
Classe média alienada
Contra cotas raciais
Um congresso de venais
Dos maiores mandriões
Os calhordas mais ladrões
E os tempos não voltam mais

Reação muito mirrada
Que o diga o PCO
Desatar aqui o nó
Combater essa cambada
A população lesada
No salário dos braçais
Abraçaram capitais
A ganância do rentismo
E namoram com o fascismo
E os tempos não voltam mais

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Protesto de mercenários em Cuba * Jeferson Miola

 *PROTESTO DE MERCENÁRIOS/EUA DENTRO DE CUBA PRETENDE POR OVO DA MESMA SERPENTE QUE NO BRASIL EM 2013 E PARIU UM BOLSONARO EM 2018*


Por Jeferson Miola

"EUA agravaram o bloqueio ilegal a Cuba para asfixiar o país e causar o caos social que anima reações contrarrevolucionárias como as que estão em curso.

A América Latina está no centro da disputa geopolítica que os EUA travam com Rússia e, principalmente, com a China, por isso a intensificação do ativismo imperial para derrubar governos e mudar regimes."

(...)" de modo geral, se observa que os estratagemas para a recolonização hemisférica passaram a ser mais elaborados, como se observa no inventário parcial da atuação – por vezes nem tão oculta – dos EUA nos últimos anos:– 2008: governo boliviano acusou os EUA de patrocinarem conflito separatista no departamento de Santa Cruz de La Sierra [Meia Lua]. Líderes da extrema-direita boliviana reuniram-se diversas vezes na embaixada dos EUA para planejar o plano de secessão;

– 2009: golpe em Honduras com a destituição, prisão e exílio ilegal do presidente Manuel Zelaya;

– 2012: golpe no Paraguai, com o impeachment sumário perpetrado em menos de 72 horas sem causa, sem processo e sem direito à defesa do presidente Fernando Lugo;

– 2012: criação da Aliança do Pacífico com governos vassalos para debilitar papel da UNASUL e CELAC;

– 2013: espionagem da presidente Dilma e da PETROBRÁS que pode estar relacionada com os preparativos da Lava Jato;

– 2013: cursos dos Departamentos de Justiça e de Estado e agências de inteligência dos EUA para procuradores, juízes, políticos, policiais federais e oficiais das Forças Armadas;

– 2013: “primavera brasileira” com as jornadas de junho e processos de desestabilização;

– 2013: avião presidencial de Evo Morales foi obrigado a fazer pouso de emergência em Viena depois dos EUA obrigarem países europeus a proibirem pouso técnico para reabastecimento em viagem de regresso de Evo da Rússia, colocando a vida do presidente em risco. Motivo: suspeitavam que Evo trazia Edward Snowden para conceder-lhe exílio na Bolívia;

– 2013: diplomata tucano Eduardo Saboia, encarregado de negócios da embaixada do Brasil em La Paz arquitetou e executou pessoalmente a fuga do senador oposicionista Roger Pinto, condenado criminalmente pela justiça da Bolívia [como prêmio, o diplomata tucano tornou-se chefe de gabinete de Aloysio Nunes no Itamaraty no governo golpista e ilegítimo de Temer];

– 2015/2016: derrubada da presidente Dilma. Em 18 de abril de 2016, dia seguinte à aprovação da fraude do impeachment na Câmara, o senador tucano Aloysio Nunes viajou a Washington para 3 dias de encontros com altas autoridades estadunidenses;

– 2017: eleição de Lenin Moreno para reverter a “revolução cidadã” no Equador;

– 2017: formação do Grupo de Lima com governos vassalos para avançar plano de atacar a Venezuela;

– 2018: governos vassalos dos EUA abandonam a UNASUL, organismo pelo qual os países da região equacionavam conflitos regionais pacificamente e sem interferência da OEA, organismo totalmente teleguiado por Washington;

– 2018: esvaziamento da CELAC, organismo que congrega todos países do hemisfério americano e que deixa de fora apenas EUA e Canadá [espécie de OEA sem EUA e Canadá];

– 2018: pressão dos EUA para FMI conceder empréstimo eleitoral de US$ 57 bilhões ao governo Macri, da Argentina, para impedir a eleição do peronismo [Alberto e Cristina] ao governo;

– 2019: designação de Juan Guaidó como “presidente autoproclamado” [sic] da Venezuela;

– 2019: simulacro de ajuda humanitária para invadir a Venezuela com apoio dos governos Bolsonaro e Ivan Duque;

– 2019: Luís Almagro, da OEA, falsificou informes para anular eleição legítima de Evo Morales e justificar o golpe perpetrado pela extrema-direita boliviana com o apoio material, político e diplomático dos governos Macri/Argentina, e Bolsonaro/Brasil;

– 2020: enfraquecimento do MERCOSUL por meio do acordo com a União Européia e tentativas de flexibilização da Tarifa Externa Comum do Bloco;

– 2020: agentes e apoiadores do governo brasileiro seguem caminho de Olavo de Carvalho e refugiam-se nos EUA – irmãos Weintraub, blogueiro Allan dos Santos, empresário cloroquiner Carlos Wizard, juiz-ladrão Sérgio Moro etc;

– 2021: viagem da vice-presidente dos EUA à América Central para difundir o eixo de ação dos EUA de “combate à corrupção” para a região [sic];

– 2021: presidente venezuelano Nicolás Maduro denunciou que o comandante do Comando Sul dos Estados Unidos Craig Faller e o diretor da CIA William Burns visitaram Colômbia e Brasil com objetivo de preparar plano para assassiná-lo;

– 2021: diretor da CIA se reuniu no Brasil com o chefe da ABIN, generais do governo militar e com Bolsonaro.

No último 7 de julho o presidente do Haiti Jovenel Moïse foi assassinado por mercenários de nacionalidade colombiana e estadunidense.

E, para completar este inventário provisório, destacam-se ainda os estranhos protestos “patrióticos” que espocaram em Cuba neste domingo, 11 de julho. Neles, “patriotas” usavam máscaras faciais estampadas com a bandeira dos EUA, também agitadas nos protestos."

PROTAGONISTAS DA CONTRAREVOLUÇÃO CUBANA
Luiz Almagro, pela OEA e Rosa Maria Payá, pelo Movimento Cristão de Libertação.
Almagro com um grupo de CONTRAS de San Isidro - Cuba.

Mais em:
*

Angola expulsa Universal e Mourão também * Beto Almeida / 247

ANGOLA EXPULSA UNIVERSAL E MOURÃO TAMBÉM

Foto: 247

 Mourão, o anti-Geisel, e sua fracassada tarefa em Angola


O General Mourão foi indevidamente encarregado, pelo Presidente Bolsonaro, de fazer gestões junto ao presidente de Angola, João Lourenço, em favor dos interesses da Igreja Universal, empresa que foi expulsa de solo angolano por lavagem de dinheiro. O vice-presidente brasileiro ainda solicitou a mandatário angolano que recebesse uma delegação parlamentar brasileira, chefiada por um parlamentar que é bispo, para , de algum modo, evitar que a punição soberana do estado angolano fosse cumprida.


Além do evidente rebaixamento do cargo de vice-presidente da república às funções de operador em favor dos interesses de uma empresa cuja matéria-prima é a circulação manipulada da  fé, mas é possuidora de meios de comunicação (televisoras, rádios, editoras, jornal, gravadora de discos etc), a gestão feita por Mourão constitui-se em lamentável ingerência em assuntos internos de estado soberano, com o qual o Brasil possui larga e expressiva tradição de amizade, e, também, significativas ações de cooperação.


Estatizante X Neoliberal


É possível que o General Mourão, que durante a campanha eleitoral, em programa na Globo News, definiu-se como um "anti-Geisel",  explicando que considerava o ex-Presidente brasileiro "um estatizante", enquanto ele era neoliberal -   não tenha sabido  valorizar a importância que o MPLA, partido a que pertence o presidente Lourenço,  atribui ao mandatário gaúcho. Foi o governo do Presidente Geisel o primeiro a reconhecer a Independência de Angola e o governo do Presidente Agostinho Neto, em 1975, quando a nação angolana ainda lutava para expulsar o exército da África do Sul, então sob o regime do Apartheid. 


A decisão de Ernesto Geisel foi imensamente valorizada pela comunidade de países que lutava contra o colonialismo, entre eles a URSS, e, muito especialmente pela República de Cuba, que em solidariedade à justa luta de Angola por sua independência, enviou-lhe cooperação militar de envergadura, com cerca de 400 mil homens e mulheres cubanos que, ao final de uma longa guerra, foi fator determinante para derrotar o Exército da África do Sul, na memorável Batalha de Cuito Cuanavale, mesmo com o régio apoio que as tropas do Apartheid recebiam dos Estados Unidos e de Israel, países de submissa simpatia do General Mourão. Entrevistando a jornalista e escritora Katiusca Blanco,  biógrafa de Fidel, que também integrou as forças militares cubanas que derrotaram o exército mercenário de Jonas Savimbi , a UNITA, soube que a notícia da decisão do Presidente Geisel pela TV foi aplaudida pelas tropas cubanas e angolanas.


Kissinger, fora da agenda


Se por um lado Fidel Castro e Agostinho Neto, com o apoio da URSS, aplaudiam o pioneiro reconhecimento feito pelo governo Geisel,  de outro, o então Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, mais conhecido como o "viajante da morte", desembarcou em Brasília , onde queixou-se do presidente brasileiro , alegando que "o governo brasileiro está fazendo o jogo dos comunistas em Angola com aquela linha em sua política exterior". De poucas palavras, Geisel respondeu em tom firme e surpreendente ao intervencionismo gringo: " Senhor Secretário, a nossa política externa não está na agenda da reunião".


Na realidade, os EUA  tinham alguma expectativa de que o Brasil algo pudesse fazer contra aquela histórica Operação Carlota, -   nome de uma negra cubana que lutou heroicamente contra a escravidão  -    que, em rota contrária à dos Navios Negreiros, ao longo de anos, cruzou o  Atlântico levando tropas e armamentos de Cuba para a libertação Angola. Entretanto, como Kissinger pode constatar, aquele reconhecimento pioneiro do Governo de Agostinho Neto por Ernesto Geisel não era um ato isolado da política externa brasileira de então. Enquanto naquela época defendiam-se interesses estratégicos do Brasil, Mourão,hoje,  rebaixa o Estado Brasileiro a um varejismo desqualificado em defesa de uma empresa atravessadora  da fé.


Geisel furou o bloqueio dos EUA ao Iraque


 A política externa brasileira, naquela época,  também registrou apoio e reconhecimento aos governos de Moçambique, Guiné, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Além disso, sustentava o Direito ao Mar para a Bolívia, ao mesmo tempo que reatava relações com a República Popular da China, então sob o comando de Mao Tsé Tung. Além disso, adotava nova postura em relação aos países árabes, impulsionando as relações com a Líbia e Iraque, ao ponto do Brasil enviar para este país a estatal Braspetro, responsável pela descoberta do maior manancial de petróleo por lá, em equipe sob o comando do geólogo Guilherme Estrella, que, mais tarde, teria grande responsabilidade na coordenação dos trabalhos de equipe que levaram à descoberta do Petróleo Pré-Sal. Quando o Iraque, na década de 70, passa a explorar o poço gigante de Majnou, os EUA impõem bloqueio contra o governo de Sadam Housseim, o qual o governo de Ernesto Geisel furou, comprando enormes quantidades de petróleo iraquiano, apesar da proibição imperial estadunidense.


O episódio em que o vice-presidente Mourão, em desqualificada tentativa de imiscuir-se em assuntos de outros estados para defender empresa punida por leis angolanas, é uma flor de oportunidade para refletir sobre o rebaixamento da política externa brasileira hoje, permitindo realçar o contraste com uma linha terceiro-mundista  praticada pelo Itamaraty por décadas. O soberano e altivo NÃO que o vice-presidente Mourão recebeu do presidente angolano João Lourenço, tornar-se-á ,certamente,  uma espécie de  paradigma negativo da involução da política exterior do Brasil, similar à batida de continência de Jair Bolsonaro ante a bandeira dos EUA.


 No contraste, está a postura de Geisel que, ao reconhecer o governo do MPLA, liderado por Agostinho Neto, inscreveu o Brasil na página da descolonização da África, em sintonia com o heroico esforço empreendido por Cuba que, ao derrotar o poderoso e bem armado exército sul-africano, libertou Angola e a Namíbia, desestabilizando o regime do Apartheid, contribuindo decisivamente para a libertação de Nelson Mandela. Ao sair da prisão, Nelson Mandela viaja a Cuba onde, agradecido, declara, em comício ao lado de Fidel Castro: "Devemos a Cuba o fim do Apartheid". A política externa brasileira estava do lado certo da História. 


Beto Almeida, jornalista

https://www.brasil247.com/brasil/presidente-da-angola-rejeitou-pedido-de-mourao-para-receber-delegacao-de-parlamentares-brasileiros-pro-universal

***

Granjas de bebês * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

 Granjas de bebês

ACESSE E CONFIRA
https://www.youtube.com/watch?v=qtkzpHlVuqc 

ASSIM CAMINHA A INDÚSTRIA DO TRÁFICO HUMANO

Na Ucrânia pós comunista, em que nazistas históricos assumidos voltaram ao poder queimando 40 sindicalistas vivos, em Odessa, funciona uma granja de bebê humanos.  A empresa consegue gastar só 0,5% de seu volume de negócios -6 bilhões de dólares por ano- com com a compra da força de trabalho reprodutivo, o que permite vender bebês brancos a um preço bem mais competitivo que outras empresas de tráfico humano de outros países. Desde a tragédia de Tchernobyl, Cuba oferece tratamento gratuito a crianças ucranianas atingidas pela radiação. Mas o governo ucraniano acusa Cuba de  violação dos direitos humanos.

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO * Vinicius de Moraes / RJ

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO



Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia…
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão —
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão —
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– “Convençam-no” do contrário —
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! — gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! — disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

Rio de Janeiro, 1959.

terça-feira, 20 de julho de 2021

POESIA E REVOLUÇÃO * Vladimir Maiakovski = Russia

POESIA E REVOLUÇÃO

 Vladimir Vladimirovich Mayakovsky nasceu em 19 de julho de 1893. Para celebrar sua vida e obra, publicamos um de seus mais importantes poemas, onde critica o papel dos escritores na revolução e advoga por uma literatura que fosse para as massas.


Poema extraído de Antologia Poética (1983), com tradução de E. Carrera Guerra.


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Entre escritor

e leitor

posta-se o intermediário,

e o gosto

do intermediário

é bastante intermédio.


Medíocre

mesnada

de medianeiros médios

pulula

na crítica

e nos hebdomadários.


Aonde

galopando

chega teu pensamento,

um deles

considera tudo

sonolento:

– Sou homem

de outra têmpera! Perdão,

lembra-me agora

um verso

de Nadson…

O operário

Não tolera

linhas breves.

E com tal

mediador

ainda se entende Assiéiev


Sinais de pontuação?

São marcas de nascença!

O senhor

corta os versos

toma muitas licenças.


Továrich Maiacóvski,

porque não escreve iambos?

Vinte copeques

por linha

eu lhe garanto, a mais.

E narra

não sei quantas

lendas medievais,

e fala quatro horas

longas como anos.

O mestre lamentável

repete

um só refrão:

– Camponês

e operário

não vos compreenderão.

O peso da consciência

pulveriza

o autor.

Mas voltemos agora

ao conspícuo censor:

Camponês só viu

há tempo

antes da guerra,

na datcha,

ao comprar

mocotós de vitela.


Operários?

Viu menos.

Deu com dois

uma vez

por ocasião da cheia,

dois pontos

numa ponte

contemplando o terreno,

vendo a água subir

e a fusão das geleiras.


Em muitos milhões

para servir de lastro

colheu dois exemplares

o nosso criticastro.

Isto não lhe faz mossa –

é tudo a mesma massa…

Gente – de carne e osso!!


E à hora do chá

expende

sua sentença:

– A classe

operária?

Conheço-a como a palma!

Por trás

do seu silêncio,

posso ler-lhe na alma –

Nem dor

nem decadência.

Que autores

então

há de ler essa classe?

Só Gógol,

só os clássicos.

Camponeses?

Também.

O quadro não se altera.

Lembra-me e agora –

a datcha, a primavera…

Este palrar

de literatos

muitas vezes passa

entre nós

por convívio com a massa.


E impige

modelos

pré-revolucionários

da arte do pincel,

do cinzel,

do vocábulo.


E para a massa

flutuam

dádivas de letrados –

lírios,

delírios,

trinos dulcificados.


Aos pávidos

poetas

aqui vai meu aparte:

Chega

de chuchotar

versos para os pobres.

A classe condutora,

também ela pode

compreender a arte.


Logo:

que se eleve

a cultura do povo!

Uma só,

para todos.

O livro bom

é claro

e necessário

a vós,

a mim,

ao camponês

e ao operário.


SOBRE O AUTOR


Militante comunista,  Vladimir Mayakovsky (1893-1930) foi um poeta, dramaturgo e teórico russo. Conhecido como o "Poeta da Revolução" e considerado um dos maiores poetas do século XX, a poesia e a propaganda revolucionária de Mayakovsky revolucionaram o idioma russo contemporâneo.