VERVE COMUNISTA
Sombras e sobras vivas trilhas céus
ao pôr dos meus brutos passos cruz
hão de trafegar mais tarde milhas luz
mesmo verve enferma e breve falha,
simplória poesia insistente navalha
quando mesmo ao véu do cansaço
desafiando seus vultos espasmos.
Versos feito quilhas ao mundo gás
semeadas utopias ilhas grávido pão
partidas atrevidas migalhas grãos,
como se eu alma do grito luto vão
em minhas demoras partilhasse voz
os sumos e sulcos do próprio chão.
Mesmo às repetidas palavras calhas
da imprescindível indignada razão,
desde quando flor não prive ao olhar
o odor mel buquê das devidas paixões,
sempre seguindo em frente ente vetor
dotado da arte de amar ato construção.
Meio fio um pouco eternidade grave fé
até quando o vermelho do sangue vier
fazer-me conter os mais humanos rios
passageiros perenes ritos desafios brios
além do umbigo qual me arde tentação
a ilusão da posse cernes silos quaisquer.
Jean Mendonça / CE
