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quinta-feira, 31 de julho de 2025

VERSOS DO BRASIL PATRIÓTICO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

VERSOS DO BRASIL PATRIÓTICO
Canção do exílio


Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

De Primeiros cantos (1847)

Gonçalves Dias/Maranhão 
BRASILEIRO


Eu sou brasileiro
E isso aqui é Brasil!
Então, não me venha ameaçar
Utilizando dinheiro,
Que eu não me curvo
Ao seu delírio
E te mando para alguém
Que te pariu.
Pois eu sou brasileiro
E amo o meu país.
Então, não me venha com bravatas
Tentando me constranger,
Pois eu te mostro
Que somos soberanos
E que estamos firmes e dispostos a nos defender.
Eu sou brasileiro
E sei quais são as cores da minha bandeira,
E o nosso povo está conhecendo
Quem é você de verdade:
Um autocrata sem cultura,
Um arrogante ignorante
Que vai ter que aprender
Que essa terra aqui tem dono
E esse dono jamais será você.


Wladimir Tadeu Baptista Soares
Cambuci/Niterói - RJ
17/07/2025
POESIAS DE LUTA DA AMÉRICA LATINA
*Para reflexão*

A direita sempre esteve no comando da governança do Brasil, explorando a força de trabalho, extorquindo os cofres públicos, sonegando impostos, produzindo e promovendo a corrupção estrutural em nosso país. Isso sem falar da violência coronelista, responsável pelo assassinato de vários líderes populares e trabalhadores, exterminados por contrariar em os interesses gananciosos desses genocidas!

Essa turma não se conforma que um trabalhador assuma o comando do governo central do Brasil. Isto os põe em condição de igualdade com o povo brasileiro. E isso, de certo, é o maior incômodo pelo qual tiveram que passar, ao longo dos 525 anos da história brasileira!

Logo, a destruição de qualquer possibilidade de esperança que mire na emancipação e libertação dos trabalhadores, na consolidação da soberania nacional, de fato, os incomodará! São filhos, portanto, herdeiros da escória europeia que invadiu nosso país e o tem saqueado desenfreadamente, a serviço do grande capital.

O Brasil é dos brasileiros! Vocês passarão e nós, passarinhos livres, libertos de toda sorte de maldade que vocês são mestres em produzir!

*_(Iraquitan Palmares)_*
BATALHA COMUM

A luta contra a jornada 
De trabalho seis por um
Urgente é necessário 
Nessa batalha comum

A cobrança de impostos
Dos barões, é necessário 
todos eles pagando,
O justo imposto, sem escapar

Dos operários, o imposto:
A cobrança é automático
Descontado em folha
Sem brecha para escapar

Ao contrário os empresários 
Escapam por brechas
Negando o que deveriam pagar
Sonegando a devida taxa


José Ernesto Dias
São Luís ,18 de julho de 2025
Os Doentes (fragmentos)
Um poema anti-imperialista em 1912


Começára a chover. Pelas algentes
Ruas, a agua, em cachoeiras desobstruidas,
Encharcava os buracos das feridas,
Alagava a medulla dos Doentes!

Do fundo do meu trágico destino,
Onde a Resignação os braços cruza,
Sahia, com o vexame de uma fusa,
A magua gaguejada de um cretino.

Aquelle ruido obscuro de gagueira
Que a noite, em sonhos mórbidos, me acórda,
Vinha da vibração bruta da córda
Mais recondita da alma brasileira!

Aturdia-me a tétrica miragem
De que, naquelle instante, no Amazonas,
Fedia, entregue a visceras glutonas,
A carcassa esquecida de um selvagem.

A civilisação entrou na tába
Em que elle estava. O genio de Colombo
Manchou de opprobrios a alma do mazombo,
Cuspiu na cóva do morubichaba!

E o indio, por fim, adstricto á ethnica escória,
Recebeu, tendo o horror no rosto impresso,
Esse achincalhamento do progresso
Que o annullava na critica da Historia!

Como quem analysa uma apostema,
De repente, acordando na desgraça,
Viu toda a podridão de sua raça
Na tumba de Iracema!.

Ah! Tudo, como um lúgubre cyclone,
Exercia sobre elle acção funesta
Desde o desbravamento da floresta
Á ultrajante invenção do telephone.

E sentia-se peor que um vagabundo
Microcéphalo vil que a especie encerra,
Desterrado na sua propria terra,
Diminuido na chrónica do mundo!

A hereditariedade dessa pécha
Seguiria seus filhos. Dóra em diante
Seu povo tombaria agonisante
Na lucta da espingarda contra a flécha!

Veio-lhe então como á femea veem antojos,
Uma desesperada ancia improficua
De estrangular aquella gente iniqua
Que progredia sobre os seus despojos!

Mas, deante a xantochroide raça loura,
Jazem, caladas, todas as inubias,
E agora, sem difficeis nuanças dubias,
Com uma clarividencia aterradora,

Em vez da prisca tribu e indiana tropa
A gente deste seculo, espantada,
Vê sómente a caveira abandonada
De uma raça esmagada pela Europa!

Augusto dos Anjos

Era assim os governos militares,
claro que quem MANDAVA mesmo
era o governo ESTADUNIDENSE!
Não existia Educação
Não existia assistência social
Não existia assistência previdenciária
Não existia merenda escolar
Não existia direito algum
Não existia garantias legais
Não existia humanismo
O que tinha era muita fome
O que tinha era muita miséria
O que tinha era muita desgraça
Só imbecis quem defende

AFONSO ROMANO DE SANT'ANNA/MG
Quem USA quem?

USA a África
USA às Américas
USA o mundo como quintal
USA do mundo o capital
Capital humano, intelectual...
USA sobretudo o vil metal...

USA governos
USA sociedades
USA guerras
Como brincadeiras,
Jogos de xadrez...
USA e como USA!

Rasga do peito
A porra dessa blusa!
Arranca esse troço da alma!
Não vá na onda da mídia e tal...

Sugiro-te
Com o amor te lambuza
E dê um foda-se
Para tudo que for te USA!

Agora use
Tua inteligência
Tua raça , tua crença,
Teu pertencimento
Mira no teu futuro
E acredite:
Juntos somos mais que
Massa de manobra...

Do contrário
Pede a benção
A quem te USA!

Autor: Iraquitan Palmares
Brasília-DF

O JUDAS BRASILEIRO 

Traição, palavra vil
Uma atitude hostil 
Vinda de um homem covarde
Que quer fugir da verdade 
E ferrar com o Brasil.

Na espinha um golpe tremendo 
Da alma o sangue escorrendo 
De um golpe que a feriu 
Que quer provocar uma guerra 
Alguém que jurou defender a terra
Provoca até arrepio.

Ele vendeu sua honra por um preço baixo e vil.

O país que o criou, 
O chão que o alimentou
Recebe essa traição 
Ele renega a própria história 
Numa atitude inglória 
Sem pudor, sem coração.

Ao Tio Sam pede abrigo e do Brasil é inimigo.

Seu nome será falado
Nas rimas de um cordel
O retrato da vergonha
Que passa a viver ao léu 
Será sempre um fugitivo 
E viverá escondido
Como um pária num bordel.

 Será um homem sem honra, sem emoção 
Um traidor da pátria
Que nunca terá perdão.

Aquele que trai a pátria 
Não pode ser perdoado
Como traidor asqueroso 
Pra sempre será lembrado 
Esse ato tão indigno
Jamais será esquecido 
Viverá sempre escondido 
Fará parte da escória 
Será julgado pela história 
E em próprio detrimento 
Será condenado ao ostracismo
E ao mais cruel esquecimento.

Professora Alba, poetisa do entorno.GO
TRUMP E A ESTUPIDEZ

Estamos tratando o Trump como o valentão do bairro, aquele que provoca medo. O chefe do tráfico, da boca, por exemplo.
Tem gente morrendo de medo dele!
Mas vejamos, o pequeno Panamá já lhe disse não! Sobre a tomada do Canal que ele se propôs. Disse o Presidente do Panamá: “Não e Não!”
E a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, já deu um chega pra lá no valentão!
Inteligente, ele já comprovou que não é. E muito menos um político, mesmo medíocre!
Está mais para um gângster aposentado do que para um político medíocre!
É muito estúpido! E deixa dúvidas se é primário ou primata!
Mas é um nazifascista sem rodeios!
E se enquadra muito bem no que disse Albert Einstein:
“Só há duas coisas infinitas, a estupidez humana e as dimensões do Universo,
quanto as dimensões do Universo eu ainda tenho as minhas dúvidas!”
A volta do nazifascismo é uma prova cabal da estupidez humana.
Entre outras!
Aliado ao Steve Bannon e Elon Musk, constituem a Internacional nazifascista e pretendem escravizar todo o mundo!
O Império ianque nunca viu coisa semelhante! Um imperador lançando desafios a todo o mundo!
Além de supremacista branco, defensor da ku klux klan, é um inimigo declarado da humanidade!
O Tio Sam, apontando o dedo desafiador, e as centenas de intervenções militares dos seus antecessores, parece coisa de criança perto do que se propõe o monstrengo indigitado!
Mas ele tem um objetivo: salvar o capitalismo moribundo.
E não é a primeira vez que o nazifascismo se apresenta como salvador do capitalismo em crise.
Na crise de 1929, com a quebra da bolsa de Nova Iorque, foi Adolf Hitler que salvou o capitalismo da crise braba em que mergulhou!
E Hitler se tornou herói para toda a burguesia alemã e internacional! A França, Inglaterra e Estados Unidos, entre outros, o exaltaram como herói!
Só que agora, o remédio vem em dose cavalar e poderá matar o paciente!
Façamos votos para que isto aconteça!

E. P. Cavalcante
Capitão de mar e guerra ap. do Corpo de Fuzileiros Navais.
Pesquisador da história militar.
Se você achou este texto interessante transmita-o aos seus contatos.
Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2025.
MANIFESTO DA FRT

O capitalismo está podre. Todos sabemos disso. Mas ele não cai sozinho, ele não morre de morte natural. Precisamos aliar o antifascismo e o antiimperialismo ao internacionalismo proletário, e assim somar forças para construir o socialismo. 

Faça a sua parte.
VICTOR FAMEJO
VIVA A TORNOZELEIRA ELETRÔNICA
NO MOCOTÓ DO FASCISTA
DITADURA NUNCA MAIS
WLADIMIR TADEU BAPTISTA SOARES/RJ
Só pra irritar Trump, a França adotou o pix brasileiro e vestiu a Torre Eifel com as nossas cores.
NÃO TEM PREÇO!
CARTA DE MİCHELLE PARA ALEXANDRE DE MORÃES
(em cordel)

Senhor Ministro
O que diabo aconteceu?
Que medidas foram estas
Que o defunto reviveu?
Você prendeu um imbrichável
Mas quem se lascou foi eu.

Eu saia toda hora
Na rua para passear
Combinava com meu maquiador
Para a gente se encontrar.
E tinha tempo de sobra
Pra ele me maquiar.

Agora é 24 hs em casa
Com o imbrichável chorando
Só vivo acudindo ele
Pelo os cantos reclamando.
Ainda tenho que passar pomada
Na tornozeleira coçando.

Aquele imbrichável que eu tinha
Agora mija pra trás
São muitas tentativas
Com meu desejo voraz
Com o susto que o senhor deu
O trem não levanta mais.

Nesta, conto com o senhor
Sei que está me libertando.
Quero ficar livre dessa peste
Que tá me atormentando
Prenda logo essa mulesta
Para me comemorar cantando.

Chico Poeta/GO

NOTA

Nosso objetivo é fazer uma seleção de poesias de carater ANTIIMPERIALISTA. Mande a sua!
EMAIL: frevtrab@gmail.com 

quarta-feira, 5 de março de 2025

ALÔ COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE: AINDA ESTAMOS AQUI * (Profª Alba Valéria - GO)FRT-BRASIL

AINDA ESTAMOS AQUI

"Ainda Estou Aqui"
Quer dizer coisas demais
É a vida se afirmando
A despeito dos seus ais
As circunstâncias cruéis
Idealismos fiéis
Mostrando a necessidade
De preservar a felicidade
Ante "omens" tão cruéis.

As memórias resgatadas
De uma vida que foi tirada
E foi alvo de violência
Que desnudou a demência
De um sistema injustificável
Que violou o direito
De um valor inegociável

Fala da maternidade
Que foi marcada pela dor
Mas também pelo amor
De uma mulher valente
Que ousou e teve coragem
De seguir sempre em frente.

E o público respondeu
De uma maneira segura
Que vamos gritar bem alto
E dizer NÃO à ditadura
Foi uma mensagem forte:
Desafiou a própria morte
Eunice, uma alma pura.

Mesmo que entre nós os fantasmas
Da ditadura inda possam pairar
Não estamos mais dispostos
A desviar o olhar
E se preciso for de novo
Voltaremos a lutar.

A a ausência do pai amoroso
A nossa atenção requer
Pois para sempre afetou
Seus filhos e sua mulher
Que em meio à sua dor disse:
Sorriam. Vamos sorrir.
Pelo eterno RUBENS PAIVA
NÓS AINDA ESTAMOS AQUI

Professora Alba, poetisa do entorno.GO
-ALBA VALÉRIA DA SILVA-
ATOR ERNESTO JOSÉ DE CARVALHO
DEPUTADO RUBENS PAIVA
CHICO BUARQUE DE HOLANDA
ASSASSINOS DE RUBENS PAIVA AINDA ESTÃO SOLTOS

domingo, 24 de novembro de 2024

RUBENS, WALDIR E AINDA ESTOU AQUI * Emiliano Jose/BA

RUBENS, WALDIR E AINDA ESTOU AQUI
19/11/2024 Emiliano Jose


Waldir Pires e Darcy Ribeiro.
Os dois, deitados na cabeceira da pista do aeroporto de Brasília, encobertos por uma moita.
Ao lado dos dois, Rubens Paiva.

Dia 4 de abril de 1964.

Quatro da manhã.
Movimento nenhum.
Tensos, os três.
Não se mexiam.

Darcy arrisca: acendeu um cigarro.
Cochicha no ouvido de Waldir, filosofa:
Como o poder é efêmero, uma gangorra
Cinco dias atrás, estavam no palácio.
Agora, deitados na grama.
À espera de um Cessna, um monomotor.
Em fuga, Waldir e Darcy.
Rubens, ficaria.

Destino: uma fazenda no Estado de Mato Grosso, próxima à fronteira com a Bolívia, de propriedade do ex-presidente João Goulart.

O acertado: o avião os pegaria logo na abertura do tráfego aéreo, a partir das seis da manhã.

Nunca depois disso.

Modo a escapar da cerrada vigilância imposta pelos primeiros instantes do golpe.

Mergulho no desconhecido

No horário marcado, ouvem o barulho do motor.

Os três levantam a cabeça e veem o Cessna amarelo taxiando em direção à cabeceira da pista.

Ao sentirem o avião em posição de decolagem, Waldir e Darcy se despedem calorosamente de Rubens Paiva, sobem rapidamente, apertam os cintos.

Prontos para um mergulho no desconhecido.

Tentavam escapar da violência do regime militar, recém-implantado por um golpe.

O avião já saía do chão, e os operadores da torre de controle ordenam o retorno da aeronave.

Desconfiaram de alguma coisa, e deram a ordem.

O piloto, ignorante de toda a operação e até do nome dos passageiros, relutou.

Ensaiou dar meia-volta para atender a ordem dos operadores de voo.

Darcy deu voz de comando, um grito:

Nada de voltar!

Finge que não ouviu!

O piloto obedeceu.

O Cessna ganhou altura, seguiu.

Waldir Pires me deu detalhes de tudo isso.

Está na abertura da biografia escrita por mim sobre ele.

Volto a isso, provocado pelo filme Ainda estou aqui.

Assisti agora, em 16 de novembro deste 2024.

Pensei: Waldir era um dos que podiam dizer, também, ainda estou aqui.

Sobreviveu.

Vocês saberão por que.

Fiquei comovido especialmente no momento da obtenção do atestado de óbito, e nem sei exatamente porque nesse exato instante.

O filme é lindo.

Violento, pela ditadura.

E delicado.

Waldir e Darcy descerão na fazenda.

Ficarão à espera de outro avião, como combinado.

Como isso não aconteceu, o piloto, já cúmplice da operação levantou voo, foi atrás de gasolina, e voltou no dia seguinte, 5 de abril.

Só conseguiu gasolina de caminhão, acondicionada em duas latas de querosene de vinte litros.

O plano original de Darcy e Waldir era seguirem para Porto Alegre, e lá participarem da resistência ao golpe, ao lado do presidente João Goulart e do general Ladário Teles, comandante do III Exército e fiel ao governo constitucional, contra os golpistas.

Na noite de 4 de abril, ouviram a notícia num pequeno rádio de pilha: naquele dia, à tarde, o presidente João Goulart, aterrissara no aeroporto de Montevidéu e pedira asilo político ao Uruguai.

O general Ladário Teles havia informado ao presidente não ter mais quaisquer condições de resistir.

Waldir e Darcy decidiram então seguir para o exílio.

Não havia saída.

Seguiram na direção do Uruguai.

Waldir e Darcy levavam no colo as latas com a gasolina de caminhão.

Teco-teco, abastecido a meio caminho.

Chegaram ao país vizinho, onde pediram asilo.

D’Artagnan sereno e corajoso

Rubens Paiva, um D’Artagnan na definição de Waldir, foi o articulador da fuga dos dois.

Na noite de 2 para 3 de abril, reunião no apartamento do deputado Bocaiúva Cunha em Brasília.

Sala lotada.

Analisada a conjuntura, decidiu-se a permanência em Brasília dos titulares de mandatos.

Waldir e Darcy voariam para o Rio Grande do Sul para ajudar e participar da organização da resistência e do governo da legalidade em Porto Alegre, resistência a se ver malograda, com Goulart sendo obrigado a se exilar no Uruguai.

Na reunião, Rubens Paiva assumiu a responsabilidade pela operação de tirar Waldir e Darcy de Brasília e fazê-los chegar ao Rio Grande do Sul.

Entre os tantos deputados presentes, Temperani Pereira, Salvador Losacco, Almino Afonso e Fernando Santana.

Na madrugada, Rubens Paiva passou na casa onde Waldir estava hospedado, os dois foram buscar Darcy, e seguiram para o aeroporto.

D’Artagnan no comando de toda a operação.

A mim, Waldir sempre falou com imenso carinho, com um profundo sentimento de amizade por Rubens Paiva.

Gratidão, orgulho de tê-conhecido e ter sido merecedor da amizade e solidariedade dele.

Testemunhou a imensa coragem do amigo.

A solidariedade naquele momento.

Ao resistir ao golpe, ao ser solidário com pessoas amigas, servia a uma causa a lhe parecer justa e correta.

Waldir me contou da reunião ocorrida no apartamento do deputado Bocaiúva Cunha, também um amigo muito querido, na noite de 2 para 3 de abril.

Noite.

Tudo recendendo terror e tensão.

Brasília ocupada militarmente.

Golpe consumado.

Uma presença firme, a recomendar serenidade: Rubens Paiva.

Não perdia a calma nos momentos difíceis.

Desesperar, jamais.

O filme revela essa personalidade.

Ele se adiantou e disse: estava pronto para adotar as providências necessárias para retirar de Brasília aqueles companheiros dispostos a cumprir as tarefas da resistência possível.

Dia seguinte, 3 de abril, Rubens Paiva se mexeu de todos os modos possíveis.

Tanto conseguir o avião com piloto quanto ir ao aeroporto escolher as moitas de vegetação entre as quais Waldir e Darcy deveriam se esconder à espera do avião.

Um irmão extraordinariamente valoroso e bom: outra definição carinhosa de Waldir quando se referia a Rubens Paiva.

Waldir voltou do exílio em 1970.

Antes mesmo da chegada ao Brasil, Gerbaldo Avena, irmão de dona Yolanda, fora ao Rio de Janeiro disposto a comprar um apartamento, onde Waldir e família morariam.

As orientações foram todas de Rubens Paiva, e Gerbaldo Avena comprou o apartamento de quatro quartos, à rua Tonelero, 4, 10º andar, 1001.

O primeiro a morar nesse apartamento antes de Waldir e família chegarem foi exatamente Darcy Ribeiro, endereço onde foi preso logo depois do AI-5.

Quando Waldir, estimulado pela família de Yolanda, resolve montar uma empresa de pedra britada, uma pedreira, procura Rubens Paiva e Max da Costa Santos.

Queria-os sócios do empreendimento.

Os três chegaram a visitar pedreiras em Bangu, Madureira e Nova Iguaçu, tradicionais produtoras de brita para o mercado carioca.

Não deu certo.

Max, envolvido em dificuldades na família.

Rubens Paiva, em virtude de compromissos assumidos ao comprar uma empresa de construção civil, não tinha condições também de assumir a sociedade.

Mas, D’Artagnan não deixa amigo na mão.

Indicou o amigo Bocaiúva Cunha no lugar dele.

Os três se reuniram e logo na sequência, ali pelo último trimestre de 1970, a empresa se constituiu.

Waldir tinha em Rubens Paiva um amigo sincero, solidário.
Convivia com ele e com a família.
Sequestro do suíço e a mão sangrenta do terror

Uma quarta-feira.
Dia 20 de janeiro de 1971.

Feriado municipal no Rio de Janeiro, dia de São Sebastião, padroeiro da Cidade Maravilhosa.
Rubens Paiva morava na avenida Delfim Moreira, na zona sul.
Manhã de sol no Leblon.

Rubens Paiva era o patriarca de uma casa acolhedora, e se compreenda o uso da palavra patriarca, aqui definindo um ser carinhoso e amplo, nada a ver com qualquer mandonismo.

Naquele dia, recebia os amigos Waldir Pires e Raul Riff, ex-secretário de imprensa de Goulart, contemporâneo de Waldir no exílio.
Jogavam conversa fora, pra abusar da expressão.

Maneira de dizer: conversavam sobre política. Entre taças de vinho e goles de Campari, bebida preferida de Rubens Paiva.

O uso do cachimbo faz a boca torta: os três, mesmo não envolvidos diretamente na vida política naquela conjuntura, estavam sempre atentos aos acontecimentos.

O Chile, colocado na roda.
Possibilidades e riscos do governo de Allende.
Rubens Paiva estivera no país havia pouco tempo.

Testemunhara a felicidade, a alegria do povo.
Waldir comenta sobre uma blitz em Copacabana, quando se dirigia ao Leblon.
Respirou aliviado por não ter sido parado.

Eram dias particularmente tensos no Rio de Janeiro.
Duas ou três palavras sobre a razão dessa tensão.
O embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher havia sido sequestrado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) no dia 7 de dezembro de 1970.

Solto apenas quase quarenta dias depois, dia 16 de janeiro de 1971, ação comandada pelo Capitão Carlos Lamarca.

Não fosse a serenidade e a firmeza de Lamarca, e o embaixador teria sido morto.

A maioria dos revolucionários estava inconformada pelas sucessivas negativas da ditadura quanto a alguns dos nomes indicados pela VPR para seguirem para o exílio.

Lamarca usou da prerrogativa de comandante da ação, desobedeceu a maioria e manteve a vida de Bucher.

A ação resultou na libertação de setenta prisioneiros políticos.
E numa fúria repressiva sangrenta por parte da ditadura.

Os três continuavam conversando sobre a conjuntura, marcada pelo sequestro do suíço.

Tinham consciência e posição quanto à luta armada: consideravam-na um equívoco.
Mas sustentavam: toda a radicalização fora provocada pelo AI-5.

Waldir me contou sobre a análise de Rubens Paiva: enquanto a economia crescesse, a ditadura teria espaço para continuar, e no ano anterior o crescimento havia sido de 10%.

E foi época do chamado milagre econômico: entre 1969 e 1973, crescimentos anuais próximos dos 10%.

Waldir argumentou: apesar da falta de liberdade e do crescimento econômico, havia sinais de revolta.
Uma delas, a campanha do voto nulo nas eleições do ano anterior.

Apesar de ser contra o voto nulo, considerava ter sido uma demonstração de revolta popular.

Os três não acreditavam que viesse rapidamente alguma abertura democrática.
Rubens e Eunice insistiram muito com Waldir para ficar para o almoço.
Dava não.

Com filhos crianças e adolescentes, e num feriado, impossível não estar junto com eles e Yolanda.
Se não for, levo uma bronca sem tamanho.
Sabia como era dona Yolanda.
Rubens levou Waldir até o portão.

Combinaram almoço para o sábado, bem próximo daquela quarta-feira.
Seria servido um pato no tucupi.
Ali mesmo: casa de Rubens e Eunice.
Waldir, Yolanda, e as crianças.
Eunice e todo o resto da família.
Tudo combinado.

E Waldir foi ao encontro de Yolanda, das filhas, dos filhos.
Dali a pouco, a repressão chegou e levou Rubens Paiva.
Para a morte.

E o desaparecimento.
Tal destino seria provavelmente também o de Waldir, tivesse ficado para o almoço.

Começo da tarde, ele recebe um telefonema dando conta do internamento de Rubens Paiva.

Rapidamente, informação de Waldir, promoveu-se uma reunião com advogados e amigos na casa de Bocaiúva Cunha.

Waldir me disse:
E começara o duro infortúnio que se abateu sobre toda a família de Rubens, e a dor e a angústia que envolveram todos nós, seus amigos.

A ditadura tinha os mágicos. Os monstros encarregados pelos comandantes militares de sumirem com pessoas.

Se posso, e tomo a ousadia, aconselho a leitura de recente e essencial livro de Marcelo Godoy Cachorros. Capítulo Os mágicos: Rubens Paiva e a farsa do desaparecimento.

O chefe dos mágicos, principal responsável pela morte e desaparecimento de Rubens Paiva: o então coronel José Luiz Coelho Neto, mais tarde um dos generais da linha dura do regime. Não é só isso: o capítulo é muito mais amplo, esclarecedor.

Eunice esteve na Bahia, depois da anistia, no ato de filiação de Waldir ao PMDB, quando ele iniciava a caminhada vitoriosa em direção ao governo da Bahia.
Como se fora, e era, a representação simbólica de Rubens.
Amizade eterna.

Emiliano Jose

Emiliano José da Silva Filho é jornalista, escritor, professor universitário, imortal da Academia de Letras da Bahia, formado pela Faculdade de Comunicação Universidade Federal da Bahia, onde fez Mestrado e Dourado, ex-vereador, deputado estadual e deputado federal pelo Partidos dos Trabalhadores.

**

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

MARIGHELLA HERÓI DO POVO BRASILEIRO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

MARIGHELLA HERÓI DO POVO BRASILEIRO

Não pretendo nada,
nem flores, louvores, triunfos.
nada de nada.
Somente um protesto,
uma brecha no muro,
e fazer ecoar,
com voz surda que seja,
e sem outro valor,
o que se esconde no peito,
no fundo da alma
de milhões de sufocados.
Algo por onde possa filtrar o pensamento,
a ideia que puseram no cárcere.

A passagem subiu,
o leite acabou,
a criança morreu,
a carne sumiu,
o IPM prendeu,
o DOPS torturou,
o deputado cedeu,
a linha dura vetou,
a censura proibiu,
o governo entregou,
o desemprego cresceu,
a carestia aumentou,
o Nordeste encolheu,
o país resvalou.


Tudo dó,
tudo dó,
tudo dó...


E em todo o país
repercute o tom
de uma nota só...
de uma nota só...


O País de Uma Nota Só
Carlos Marighella
&
Carlos Marighella

Carlos Marighella essa mensagem é para os operários de Sao Paulo
Da Guanabara, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio Grande Do Sul
Incluindo os trabalhadores do interior
Para criar o núcleo do exército de libertação

Carlos Marighella, Carlos Marighella
Carlos Marighella (Carlos Marighella) o poder pertence ao povo
(Carlos Marighella) nosso lema é unir as forças revolucionarias
(Em qualquer parte do Brasil, compatriotas de todas parte
Podem surgir dos bairros, das ruas, dos conjuntos residenciais
Das favelas, mocambos, malocas e alagados
A missão de todos os revolucionários é fazer revolução
Cada patriota deve saber manejar sua arma de fogo

(Carlos Marighella) aumentar sua resistência física (Carlos Marighella)
O principal mesmo para destruir seus inimigos é aprender a atirar
(Carlos Marighella)

Carlos Marighella, atenção, atenção, atenção
A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal (vamo! Oi!)
A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal
Protetor das multidões
Três encarnações de célebres malandros
De cérebros brilhantes
Reuniram-se no céu
O destino de um fiel, se é o céu o que Deus quer
Consumado, é o que é, assim foi escrito
Mártir, o mito ou Maldito sonhador
Bandido da minha cor
Um novo Messias
Se o povo domina ou não
Se poucos sabiam ler
E eu morrer em vão
Leso e louco sem saber
Coisas do Brasil, super-herói, mulato
Defensor dos fracos, assaltante nato
Ouçam, é foto e é fato a planos cruéis
Tramam 30 fariseus contra Moisés, morô
Reaja ao revés, seja alvo de inveja, irmão
Esquinas revelam a sina de um rebelde, óh meu
Que ousou lutar, honrou a raça
Honrou a causa que adotou
Aplauso é pra poucos
Revolução no Brasil tem um nome
Vejam o homem
Sei que esse era um homem também
A imagem e o gesto
Lutar por amor
Indigesto como o sequestro do embaixador
O resto é flor, se tem festa eu vou
Eu peço, leia os meus versos, e o protesto é show
Presta atenção que o sucesso em excesso é cão
Que se habilita a lutar, fome grita horrível
A todo ouvido insensível que evita escutar
Acredita lutar, quanto custa ligar?
Cidade chama vida que esvai por quem ama
Quem clama por socorro, quem ouvirá?
Crianças, velhos e cachorros sem temor
Clara meu eterno amor, sara minhas dores
Pra não dizer que eu não falei das flores
Da Bahia de São Salvador Brasil
Capoeira mata um mata mil, porque
Me fez hábil como um cão
Sábio como um monge
Antirreflexo de longe
Homem complexo sim
Confesso que queria
Ver Davi matar Golias
Nos trevos e cancelas
Becos e vielas
Guetos e favelas
Quero ver você trocar de igual
Subir os degraus, precipício
Ê vida difícil, ô povo feliz
Quem samba fica
Quem não samba, camba
Chegou, salve geral da mansão dos bamba
Não se faz revolução sem um fura na mão
Sem justiça não há paz, é escravidão
Revolução no Brasil tem um nome
A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal
A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal
Nessa noite em São Paulo um anjo vai morrer
Por mim e por você, por ter coragem de dizer
Todos nós devemos nos preparar para combater
É o momento para trabalhar pela base
Mais embaixo pela base
Chamemos os nossos amigos mais dispostos
Tenhamos decisão
Mesmo que seja enfrentando a morte
Por que para viver com dignidade
Para conquistar o poder para o povo
Para viver em liberdade
Construir o socialismo, o progresso
Vale mais a disposição
Cada um deve aprender a lutar em sua defesa pessoal
Aumentar a sua resistência física
Subir ou descer
Numa escada de barrancos
A medida que se for organizando a luta revolucionária
A luta armada, a luta de guerrilha
Que já venha com a sua arma

(Atenção)
Muito obrigado Marighella pela sua participação (Carlos Marighella)
Muito obrigado Carlos Marighella
Carlos Marighella

Eh Marighella agradecemos-lhe pela sua participação para o Brasil
Que com estes princípios se pode obter as mudanças
Carlos Marighella hoje vem para falarmos a cerca da conferencia da Orla
Marighella que impressões você teve da conferencia
Marighella em que outro aspecto você considera importante
Entre os vários temas tratados na conferencia da OLAS?
Marighella e sobre a questão da tomada do poder pelas forças revolucionarias
Também discutida na OLAS?
O que você tem a dizer a respeito?
Marighella, passando a outro ponto
Muito obrigado Marighella pela sua colaboração com o nosso programa! 

CARLOS MARIGHELLA

*
PERSIGO


Persigo tua lembrança
Tua cidade
Teu bairro
A Rua do Desterro
O Ginásio
A Politécnica baiana
A Baixa dos Sapateiros

Persigo
O itinerário
O Partido
São Paulo
Tuas viagens pelo mundo
URSS
China
Cuba
Algumas fotos
Como aquelas dos disparos
No cinema do Rio

Cadernos com frases
Poemas
Recortes amarelos de jornais
Persigo tua lembrança
Tuas palavras
Tuas ideias
Sem licença
Para praticar
Ações revolucionárias

Persigo tua lembrança
Algumas flores
Que cresceram
Do teu sangue
Na Alameda
Embora nunca mais
Tenha pisado ali
A primavera

Persigo tua lembrança
Tuas prisões
Tuas torturas
Fernando de Noronha
E a Ilha Grande
Teus discursos deputados
Tuas poesias guerrilheiras
Tuas ações
O Guerrilheiro
A OLAS

Persigo
Teu exemplo
Tuas lições
Até hoje
Proibidas nas Escolas...


(Do livro POESIAS SEM LICENÇA PARA CARLOS MARIGHELLA, Carlos Pronzato, 2014, Editoras Plena e Red, SP)
UMPOEMA PARA MARIGHELLA


Disciplina/ ousadia/ esperança/ liberdade/ Sonho de pais, avós, criança...//1964. Primeiro de abril/ ditadura. Prisões, tortura/ juventude, atitude, bravura// um tiro pela manhã/um encontro frustrado/ alguém espreita de uma janela/ psiu, passos rápidos/ emboscada/É Marighela/Tá lá o corpo do herói, no chão/A luta continua... Apesar das fake news/De uma direita repelente/bora povo, o Brasil precisa de nós/Borá pra rua.

Graça Andreatta 4/11/2024
*
 *BOM DIA MEUS IRMÃOS DE LUTAS*
ANTONIO CABRAL FILHO.RJ

Preciso desabafar com vocês: sempre fiz tudo que acho necessário para organizar a nossa classe e o povo de nosso país. 

Vivi o golpe de 1964 e tudo fiz pela sua derrubada e só não entrei na luta armada graças à morte do Comandante Marighella. Naquele momento as lutas mudaram de forma. 

A forma organização operária e popular sempre foi o grande mote. Deu nas DIRETAS JÁ, na constituinte e culminou na "redemocratizaçao" golpeada em 2016. 

Desde então todos sabemos o resultado: elegemos  Lula presidente. Mas essa "eleiçao" trás o quê de concreto para todos nós?  Primeiro, uma grande preocupação  com os rumos do novo mandato LULA.PT&CIA. Segundo, por mais que tenhamos conquistas, elas dependerão mais de nossa capacidade de organização . mobilização do que efetivamente da boa vontade política do conglomerado de forças da coligação que envolve o presidente eleito. 

Portanto, sem meias vacilações,  vamos ao que interessa. Tudo que tenho visto no campo das iniciativas de organização.mobilizacao dos oprimidos tem sido sistematicamente posto no lixo pelas forças inimigas. Isso nos obriga a fazer um exercício de pensar as nossas ações e ver onde estamos errando. Porque efetivamente estamos errando. Será que temos priorizado demais o trabalho virtual? Será que abandonamos o contato direto com nossos irmãos?  Será que temos recriado o suficiente as formas de organização?  

Bom, são perguntas. Perguntas feitas por mim. Não estou me respaldando em nada nem ninguém além da minha militância nos últimos 50 anos de Brasil. 

Creio que temos em nossos ombros a responsabilidade de não permitir mais o retrocesso na luta de nossa classe e do nosso povo. Até porque todos nós estamos vendo quem é o nosso inimigo fundamental: O CAPITAL.  Ele lança mão de qualquer fascistóide de aluguel para nos massacrar.  E não cabe mais titubeação. 

Como dizia Marighella: 
*A AÇÃO FAZ A VANGUARDA*
*

MARIGHELLA, PRESENTE!


O filme Marighella de Wagner Moura é um soco no estômago, uma tapa na cara, um gancho no queixo. Você bate, apanha, vai quase a nocaute, levanta, desperta e pensa qual será o próximo movimento físico e metafísico.


O filme prende a respiração, não oferece espaço pra distração, deixando-nos atentos, fortes e mobilizados o tempo todo. E agora.


Marighella é um filme phodda! Põe a gente num ringue. Ou melhor, numa luta. Ao final do último round somos tomados por um impulso no pulso erguido e cerrado em duas palavras de ordem: “Marighella, presente!” Seguido, imediatamente, por um “Fora Bolsonaro!”. 


Noutras palavras, Marighella é um filme de ação. Ele nos coloca em estado de luta. Ele nos mobiliza por dentro e por fora no sentido de que outro país mais justo e democrático não é só mais possível e sim, necessário. 


O filme de Wagner Moura não é só uma representação histórica ou narrativa cinematográfica de um passado ditatorial civil-militar violento e bem recente na história de nosso país.  Como disse Wagner Moura, o filme fala muito mais do Brasil de hoje, deste tempo sombrio que ataca por dentro do próprio governo, o estado democrático de direito.


A exibição do filme Marighela no dia 26 de outubro no Cineteatro São Luiz em Fortaleza, Ceará, foi uma noite memorável e encantadora. Façamos de cada exibição do filme Marighella nas salas de cinema um ato artístico e político pela redemocratização do Brasil. Mas também um ato de amor pelo Brasil, como grita a atriz Maria Marighella, numa das cenas mais emocionantes do filme. 


Dentre as várias leituras possíveis, o filme veio para nos tocar e mobilizar pela redemocratização do Brasil. Nossos corações democratas agradecem e se sentem comovidos (comover é mover com) e mais mobilizados pela reconstrução, refundação e regeneração do Brasil. Isso é urgente, enquanto ainda temos tempo. Numa frase de Marighella que capturo do filme, “as pessoas precisam saber que no Brasil tem gente resistindo”. Sim Marighella, sim Wagner, estamos na r(e)xistência. Eles não vencerão. A liberdade é uma luta constante.


No mais, Salve Wagner Moura! 

Marighella, presente!


Saudações ternas e (in)tensas


Fabiano dos Santos Piúba

Fortaleza, 27/10/2022 

(um texto ainda com a temperatura do filme em mais do que meu corpo)

JOAQUIM CÂMARA FERREIRA, 2º HOMEM NA ALN.
*
Perseguição Política e Ideológica 


Quem quis matar a luta 

do Martin Luther King?

 

Por que puseram Gandhi atrás das grades? 

 

Por que mandaram prender Mandela?

 

Quem mandou matar Marielle? 

 

Quem deu guela 

de onde tava o 

Marighella?

 

A prisão do Rafael Braga ainda indaga:

ver o sol nascer quadrado 

por portar um Pinho Sol?

 

E o Malcolm X, então,

precisa dizer 

qual foi o X da questão? 

 

E o Chico Mendes? Me diz 

E o que devia Angela Davis?

 

E a Carolina Maria, 

que foi presa porque lia?

 

Lição da Malala:

educação não é balela

 

E por que mantiveram o homem

que tirou o país da fome

quinhentos e oitenta dias 

trancado numa cela?


 Rafael de Noronha (São Paulo/SP)

A Marighella - CPR] [Marighella Vive!]

Aos 4 dias do mês de novembro de 1969, em noite de terça-feira, em São Paulo capital, Carlos Marighella, Comandante da Revolução Socialista Brasileira, era brutalmente assassinado pelas forças repressivas da ditadura militar, então instalada no Brasil após o golpe de 1964.

Naquela ocasião, o movimento comunista do Brasil, a tradição combativa de nosso povo, e a luta revolucionária pela Libertação Nacional e pelo Socialismo, enfim, perderiam um homem de pensamento e ação, um militante da teoria e da prática, que perto de completar 58 anos de vida, estava liderando a única resistência possível diante dos idos ditatoriais. O povo brasileiro perderia naquele momento o seu filho mais completo politicamente, a brava gente deste país perderia um verdadeiro herói.

Aqueles que mataram Marighella não conseguem ocupar a memória nem mesmo dos canalhas que tentam ainda hoje defender o indefensável regime facínora militar. Aqueles que mataram Marighella acabaram fuzilados pela História. Aqueles que mataram Marighella, e nisso estão também os que mandaram matar, inclusive o próprio imperialismo ianque e seus títeres da ditadura no Brasil, todos esses, mais cedo ou mais tarde, terão as contas acertadas com o povo explorado do Brasil e de todo o mundo.

O corpo de Marighella descansa em Salvador, a capital baiana onde nasceu o Comandante em 5 de dezembro de 1911. Mas a sua presença nunca parou. Marighella está presente em todas as lutas do povo brasileiro.

Carlos Marighella vive, Carlos Marighella para sempre viverá!

Há 55 anos ele morria por nós, ele morria pelo povo, ele morria pelo Brasil...
MARIGHELLA, O HERÓI INDÔMITO

Carlos Marighella é um símbolo das lutas pela libertação do povo brasileiro.

Filho de Augusto Marighella, operário metalúrgico imigrante italiano e de Maria Rita do Nascimento, negra descendente dos malês. Fez seus estudos secundários no antigo Ginásio da Bahia, hoje Colégio Central. Em 1932, ingressou na Escola Politécnica da Bahia, onde se torna líder estudantil. Abandona o curso para seguir para o Rio de Janeiro para dirigir o PCB, em 1934.

Preso em 1936, foi torturado pela polícia política de Filinto Muller. Solto, passa a clandestinidade, sendo preso novamente em 1939. Só é solto em 1945, com a anistia aos presos políticos no fim do governo Vargas. É eleito deputado constituinte pelo PCB da Bahia, tendo atuação destacada na Assembleia que redigiu a Carta de 46.

O PCB teve seu registro cassado em 1947, e os deputados comunistas perderam o mandato em 1948. Mais uma vez na clandestinidade, Marighella exerce várias funções na direção do Partido. Nos anos de 1953 e 1954, Marighella viaja pelo mundo socialista, inclusive a China Popular.

Com o golpe de 64 é preso novamente. Resistiu à prisão em um cinema do Rio de Janeiro. Descreveu o episódio no texto Porque Resisti à Prisão. Em seguida, se estabelece em São Paulo, onde assume a direção regional do Partido.

Logo no início da ditadura, Marighella abre divergência com a direção do Partido. Em 1966, comparece ao encontro da OLAS, Organização Latino-Americana de Solidariedade, em Havana. Rompe com a Comissão Executiva do Partido e, em 1967, é expulso. Organiza o Agrupamento Comunista de São Paulo, que viria a nuclear a Ação Libertadora Nacional, fundada em 1968.

A ALN se tornou a mais importante organização armada de luta contra a ditadura. A captura do embaixador estadunidense, em 1969, em conjunto com o MR8, seria uma das ações mais espetaculares da organização.

Marighella foi elevado a inimigo número 1 do regime. Após a prisão dos padres dominicanos que contribuíam com a ALN, armou-se uma operação para assassinar o líder revolucionário. Na noite de 4 de novembro de 1969, Marighella foi assassinado pela equipe comandada pelo delegado Fleury.

Marighella se tornou uma lenda. Não à toa, a extrema-direita ainda hoje o considera o inimigo número 1. Marighella inspira as novas gerações de revolucionários, com a sua coragem e espírito de luta.

Marighella é a expressão de toda uma geração de comunistas em nosso país. Para quem quiser conhecer mais a vida de Carlos Marighella indicamos o livro Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo, de Mário Magalhães, publicado pela editora Companhia das Letras. Também indicamos a música Mil Faces de um Homem Leal, feita pelos Racionais em 2012 para o documentário Marighella, de Isa Grinspum Ferraz: https://www.youtube.com/watch?v=5Os1zJQALz8

ORGANIZAÇÃO COMUNISTA ARMA DA CRÍTICA
OCAC
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