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sábado, 22 de fevereiro de 2025

DOSSIÊ REFORMA AGRÁRIA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

DOSSIÊ REFORMA AGRÁRIA
*II JORNADAS NACIONALES DE EDUCACIÓN RURAL – COLOMBIA*
Retos contemporáneos y nuevas desigualdades en educación Rural
15 y 16 de mayo - 2025
Universidad Surcolombiana Neiva-Huila
MODALIDAD DE PARTICIPACIÓN
Ponencias.
Prácticas educativas rurales .
Experiencias solidarias.
EJES TEMÁTICOS
- El campesinado en la educación rural.
- Arte, juego e identidades en la educación.
- Memoria, paz y educaciones rurales.
- Nuevos y viejos conflictos territoriales.
- Interculturalidad y educación propia.
- Docentes rurales: retos y perspectivas.
- La investigación y la sistematización educativa.

FECHAS IMPORTANTES:

Registro resumen: hasta 28 de febrero de 2025: https://forms.gle/8x6cGJYuXmegnq7h9
Registro ponencia: hasta 14 de marzo de 2025
Mayor Información en:
Contactos:
(57)3127860956
(57)3192752480

CADERNO DE TEXTOS

AGRO JOGA FORA MAS NÃO DÁ NEM VENDE MAIS BARATO
*
REFORMA AGRÁRIA NA MARRA

João Pedro Stédile, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), me disse certa vez que a maioria dos países já fizeram, desfizeram e refizeram a reforma agrária, enquanto que no Brasil até hoje não saiu do papel. Governos de diferente cor política se sucedem uns trás outros e nada acontece.

A redistribuição fundiária aconteceu na Europa com a Revolução Francesa (1789) que deu início aos grandes movimentos políticos pela reforma agrária na Modernidade. Já no século XIX, ocorre a reforma agrária nos Estados Unidos da América do Norte, de forma lenta e sem profundas influências políticas ideológicas. No México, a reforma agrária só aconteceu após a Revolução de 1910, liderada pelos camponeses Emiliano Zapata (1879 - 1919) e Pancho Villa (1878 - 1923), confiscando e redistribuindo propriedades de mais de dois mil hectares. No Brasil, após a implantação da Lei de Terras (1850), prática de apropriação e anexação de terras através de falsificação de documentos imobiliários (grilagem) por grandes proprietários, a concentração fundiária perdura até hoje.

As Ligas Camponesas, organização surgida em 1945, formadas pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi um movimento de fundamental importância da luta pela terra “a quem nela trabalha”. Após um interregno durante o governo Vargas, ressurgem em 1954, no início em Pernambuco e em seguida na Paraíba e outros estados, atuando de forma contundente até a derrocada do governo João Goulart (1919 - 1976) pela ditadura militar em 1964. Os seus líderes proeminentes foram Gregório Bezerra (1900 - 1983) e Francisco Julião (1915 - 1999), este último autor da célebre frase “reforma agrária na lei ou na marra”. E em 1984, após inúmeras lutas é fundado o MST, organizado em 24 estados da federação com 450 mil famílias que conquistaram a terra, produzindo alimentos de qualidade. Mas a reforma agrária, apesar desse intenso percurso histórico de lutas no campo, com centenas de mortos pela repressão policial (exemplos: Massacres de Corumbiara, Rondônia,1995 e Eldorado do Carajás, Pará, 1996) e a infinita papelada no labirinto jurídico/político dos órgãos do estado burguês, ainda não foi conquistada no Brasil.

Símbolo da resistência no campo, Elizabeth Teixeira - viúva do líder camponês João Pedro Teixeira, assassinado em 1962 - fez cem anos no dia 13 de fevereiro, quando teve início o Festival Cultural da Memória Camponesa em Sapé, Paraíba. Camponeses, movimentos sociais e autoridades participaram do evento na cidade e no Memorial das Ligas e Lutas Camponesas. O ministro do Desenvolvimento Agrário lhe foi apresentado: “Este é o Paulo Teixeira que vai fazer a reforma agrária” ao que ela respondeu “E é?”.

Carlos Pronzato
Cineasta, diretor teatral, poeta e escritor
Sócio do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB)
*
REFORMA AGRÁRIA DE PETRO
*
AGRO NO PERU

Lei Climper 2.0: Mais exploração para os trabalhadores e lucros multimilionários para os agroexportadores

Por Cesar Zelada*

Apesar das severas críticas técnicas, a Comissão de Agricultura do Congresso da República acaba de aprovar uma Lei escandalosa chamada Climber 2.0. Até José Arista, ex-ministro da Economia e Finanças (MEF), questionou, indicando que, “…o custo fiscal desta proposta ascende a S/1.850 milhões anuais…”, (Infobae, 24/11/24). Além disso, apenas 18 empresas poderosas seriam beneficiadas. Segundo o pesquisador do GRADE Eduardo Zegarra, “…em 10 anos, que é o período de vigência da proposta do Congresso, o custo para os cofres públicos seria próximo de S/20.000 milhões…”, (AE, 28/11/24).

É verdade que a agroexportação criou mais de meio milhão de empregos. Mas os benefícios fiscais estaduais (redução do imposto de renda de 30% para 15%, depreciação acelerada, redução antecipada do IVA, etc.) não eram gratuitos. Os lucros tinham que ser reinvestidos em nosso país e criar empregos decentes. E não estamos falando de uma pequena quantia de dinheiro. O PIB dos poderosos agroexportadores aumentou de S/. 9,5 bilhões (anos 90) para S/. 33.000 milhões (2023). Estima-se que somente em 2023 os lucros dos agroexportadores foram de 74% e as vendas de 3% (LR, 24/11/24).

Para o renomado jornalista Paolo Benza, apesar de estar ciente dos enormes lucros e da deslealdade dos patrões, por causa de sua posição como jornalista corporativo, ele tenta justificar que a Petroperú gasta muito mais, etc. O que isso não indica é que os lucros multimilionários da agroexportação foram obtidos às custas da exploração fenomenal da classe trabalhadora agroexportadora (sem direitos trabalhistas), que nem sequer lhes permite estudar ou passar tempo adequado com suas famílias.

Justamente essas razões da semiescravidão foram as que produziram a revolta operária de novembro de 2020, quando Francisco Sagasti e Mirtha Vásquez eram presidentes do Executivo e do Legislativo, respectivamente. Após uma greve geral vitoriosa e inspiradora (com bloqueios de estradas) e o assassinato policial de jovens trabalhadores (Kanuner Rodríguez e Reynaldo Reyes), o Congresso foi forçado a revogar a Lei Climper.

Foi assim que surgiu a Lei Agrária 31310, que conseguiu algumas reivindicações limitadas como “mobilidade e alimentação… um bônus não remuneratório de 30% de 279 soles. O salário diário básico passaria assim de 39,19 para 48,48 soles…” No entanto, “…a remuneração diária e o CTS continuam a ser diluídos…os contratos de trabalho são mantidos…e o direito à negociação coletiva por ramo de atividade é negado…”, escrevemos na época (Prensa obrera, Tres obreros muertos, 04/01/21). Cabe destacar que existem “…2,2 milhões de unidades agrícolas, mas apenas 25.703 estão registradas na SUNAT, das quais apenas 3.511 estão abrangidas pelo Regime Agrário da Lei nº 31110…”, (Infobae, 24/11/24).

Em meio à crise política da época, foi aprovada a equalização do Imposto de Renda (IR) em até 25% e o aumento da contribuição patronal para o plano de saúde para 9% até 2025. No entanto, a nova lei Climper 2.0, que envolve um pacote de 15 medidas, reduz a contribuição do seguro para 6% e o IR para 15%. Para o dirigente Andy Requejo, "...a Lei é antidemocrática porque foi aprovada sem a participação dos diretamente afetados e por isso avaliarão as respectivas medidas de luta como Federação Regional de Trabalhadores Industriais e Agroexportadores de La Libertad, em coordenação com a FENTEAGRO e os trabalhadores do sul...", (19/02).

E de fato, em meio a um novo cenário onde a ditadura impôs um refluxo aos movimentos sociais, o elemento surpresa, uma declaração combativa das bases da CGTP (e outros sindicatos), um Plano de luta e uma Reunião Operária e Popular serão fundamentais para conseguir a unidade do movimento operário e derrotar esta nova ofensiva dos patrões abusivos que na época clamavam por "atirar nos trabalhadores".

*Diretor da revista The Worker Bee. Escritor e colaborador de vários meios de comunicação populares e da classe trabalhadora.
*
O QUE É QUESTÃO AGRÁRIA

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

MARIGHELLA HERÓI DO POVO BRASILEIRO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

MARIGHELLA HERÓI DO POVO BRASILEIRO

Não pretendo nada,
nem flores, louvores, triunfos.
nada de nada.
Somente um protesto,
uma brecha no muro,
e fazer ecoar,
com voz surda que seja,
e sem outro valor,
o que se esconde no peito,
no fundo da alma
de milhões de sufocados.
Algo por onde possa filtrar o pensamento,
a ideia que puseram no cárcere.

A passagem subiu,
o leite acabou,
a criança morreu,
a carne sumiu,
o IPM prendeu,
o DOPS torturou,
o deputado cedeu,
a linha dura vetou,
a censura proibiu,
o governo entregou,
o desemprego cresceu,
a carestia aumentou,
o Nordeste encolheu,
o país resvalou.


Tudo dó,
tudo dó,
tudo dó...


E em todo o país
repercute o tom
de uma nota só...
de uma nota só...


O País de Uma Nota Só
Carlos Marighella
&
Carlos Marighella

Carlos Marighella essa mensagem é para os operários de Sao Paulo
Da Guanabara, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Rio Grande Do Sul
Incluindo os trabalhadores do interior
Para criar o núcleo do exército de libertação

Carlos Marighella, Carlos Marighella
Carlos Marighella (Carlos Marighella) o poder pertence ao povo
(Carlos Marighella) nosso lema é unir as forças revolucionarias
(Em qualquer parte do Brasil, compatriotas de todas parte
Podem surgir dos bairros, das ruas, dos conjuntos residenciais
Das favelas, mocambos, malocas e alagados
A missão de todos os revolucionários é fazer revolução
Cada patriota deve saber manejar sua arma de fogo

(Carlos Marighella) aumentar sua resistência física (Carlos Marighella)
O principal mesmo para destruir seus inimigos é aprender a atirar
(Carlos Marighella)

Carlos Marighella, atenção, atenção, atenção
A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal (vamo! Oi!)
A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal
Protetor das multidões
Três encarnações de célebres malandros
De cérebros brilhantes
Reuniram-se no céu
O destino de um fiel, se é o céu o que Deus quer
Consumado, é o que é, assim foi escrito
Mártir, o mito ou Maldito sonhador
Bandido da minha cor
Um novo Messias
Se o povo domina ou não
Se poucos sabiam ler
E eu morrer em vão
Leso e louco sem saber
Coisas do Brasil, super-herói, mulato
Defensor dos fracos, assaltante nato
Ouçam, é foto e é fato a planos cruéis
Tramam 30 fariseus contra Moisés, morô
Reaja ao revés, seja alvo de inveja, irmão
Esquinas revelam a sina de um rebelde, óh meu
Que ousou lutar, honrou a raça
Honrou a causa que adotou
Aplauso é pra poucos
Revolução no Brasil tem um nome
Vejam o homem
Sei que esse era um homem também
A imagem e o gesto
Lutar por amor
Indigesto como o sequestro do embaixador
O resto é flor, se tem festa eu vou
Eu peço, leia os meus versos, e o protesto é show
Presta atenção que o sucesso em excesso é cão
Que se habilita a lutar, fome grita horrível
A todo ouvido insensível que evita escutar
Acredita lutar, quanto custa ligar?
Cidade chama vida que esvai por quem ama
Quem clama por socorro, quem ouvirá?
Crianças, velhos e cachorros sem temor
Clara meu eterno amor, sara minhas dores
Pra não dizer que eu não falei das flores
Da Bahia de São Salvador Brasil
Capoeira mata um mata mil, porque
Me fez hábil como um cão
Sábio como um monge
Antirreflexo de longe
Homem complexo sim
Confesso que queria
Ver Davi matar Golias
Nos trevos e cancelas
Becos e vielas
Guetos e favelas
Quero ver você trocar de igual
Subir os degraus, precipício
Ê vida difícil, ô povo feliz
Quem samba fica
Quem não samba, camba
Chegou, salve geral da mansão dos bamba
Não se faz revolução sem um fura na mão
Sem justiça não há paz, é escravidão
Revolução no Brasil tem um nome
A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal
A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal
Nessa noite em São Paulo um anjo vai morrer
Por mim e por você, por ter coragem de dizer
Todos nós devemos nos preparar para combater
É o momento para trabalhar pela base
Mais embaixo pela base
Chamemos os nossos amigos mais dispostos
Tenhamos decisão
Mesmo que seja enfrentando a morte
Por que para viver com dignidade
Para conquistar o poder para o povo
Para viver em liberdade
Construir o socialismo, o progresso
Vale mais a disposição
Cada um deve aprender a lutar em sua defesa pessoal
Aumentar a sua resistência física
Subir ou descer
Numa escada de barrancos
A medida que se for organizando a luta revolucionária
A luta armada, a luta de guerrilha
Que já venha com a sua arma

(Atenção)
Muito obrigado Marighella pela sua participação (Carlos Marighella)
Muito obrigado Carlos Marighella
Carlos Marighella

Eh Marighella agradecemos-lhe pela sua participação para o Brasil
Que com estes princípios se pode obter as mudanças
Carlos Marighella hoje vem para falarmos a cerca da conferencia da Orla
Marighella que impressões você teve da conferencia
Marighella em que outro aspecto você considera importante
Entre os vários temas tratados na conferencia da OLAS?
Marighella e sobre a questão da tomada do poder pelas forças revolucionarias
Também discutida na OLAS?
O que você tem a dizer a respeito?
Marighella, passando a outro ponto
Muito obrigado Marighella pela sua colaboração com o nosso programa! 

CARLOS MARIGHELLA

*
PERSIGO


Persigo tua lembrança
Tua cidade
Teu bairro
A Rua do Desterro
O Ginásio
A Politécnica baiana
A Baixa dos Sapateiros

Persigo
O itinerário
O Partido
São Paulo
Tuas viagens pelo mundo
URSS
China
Cuba
Algumas fotos
Como aquelas dos disparos
No cinema do Rio

Cadernos com frases
Poemas
Recortes amarelos de jornais
Persigo tua lembrança
Tuas palavras
Tuas ideias
Sem licença
Para praticar
Ações revolucionárias

Persigo tua lembrança
Algumas flores
Que cresceram
Do teu sangue
Na Alameda
Embora nunca mais
Tenha pisado ali
A primavera

Persigo tua lembrança
Tuas prisões
Tuas torturas
Fernando de Noronha
E a Ilha Grande
Teus discursos deputados
Tuas poesias guerrilheiras
Tuas ações
O Guerrilheiro
A OLAS

Persigo
Teu exemplo
Tuas lições
Até hoje
Proibidas nas Escolas...


(Do livro POESIAS SEM LICENÇA PARA CARLOS MARIGHELLA, Carlos Pronzato, 2014, Editoras Plena e Red, SP)
UMPOEMA PARA MARIGHELLA


Disciplina/ ousadia/ esperança/ liberdade/ Sonho de pais, avós, criança...//1964. Primeiro de abril/ ditadura. Prisões, tortura/ juventude, atitude, bravura// um tiro pela manhã/um encontro frustrado/ alguém espreita de uma janela/ psiu, passos rápidos/ emboscada/É Marighela/Tá lá o corpo do herói, no chão/A luta continua... Apesar das fake news/De uma direita repelente/bora povo, o Brasil precisa de nós/Borá pra rua.

Graça Andreatta 4/11/2024
*
 *BOM DIA MEUS IRMÃOS DE LUTAS*
ANTONIO CABRAL FILHO.RJ

Preciso desabafar com vocês: sempre fiz tudo que acho necessário para organizar a nossa classe e o povo de nosso país. 

Vivi o golpe de 1964 e tudo fiz pela sua derrubada e só não entrei na luta armada graças à morte do Comandante Marighella. Naquele momento as lutas mudaram de forma. 

A forma organização operária e popular sempre foi o grande mote. Deu nas DIRETAS JÁ, na constituinte e culminou na "redemocratizaçao" golpeada em 2016. 

Desde então todos sabemos o resultado: elegemos  Lula presidente. Mas essa "eleiçao" trás o quê de concreto para todos nós?  Primeiro, uma grande preocupação  com os rumos do novo mandato LULA.PT&CIA. Segundo, por mais que tenhamos conquistas, elas dependerão mais de nossa capacidade de organização . mobilização do que efetivamente da boa vontade política do conglomerado de forças da coligação que envolve o presidente eleito. 

Portanto, sem meias vacilações,  vamos ao que interessa. Tudo que tenho visto no campo das iniciativas de organização.mobilizacao dos oprimidos tem sido sistematicamente posto no lixo pelas forças inimigas. Isso nos obriga a fazer um exercício de pensar as nossas ações e ver onde estamos errando. Porque efetivamente estamos errando. Será que temos priorizado demais o trabalho virtual? Será que abandonamos o contato direto com nossos irmãos?  Será que temos recriado o suficiente as formas de organização?  

Bom, são perguntas. Perguntas feitas por mim. Não estou me respaldando em nada nem ninguém além da minha militância nos últimos 50 anos de Brasil. 

Creio que temos em nossos ombros a responsabilidade de não permitir mais o retrocesso na luta de nossa classe e do nosso povo. Até porque todos nós estamos vendo quem é o nosso inimigo fundamental: O CAPITAL.  Ele lança mão de qualquer fascistóide de aluguel para nos massacrar.  E não cabe mais titubeação. 

Como dizia Marighella: 
*A AÇÃO FAZ A VANGUARDA*
*

MARIGHELLA, PRESENTE!


O filme Marighella de Wagner Moura é um soco no estômago, uma tapa na cara, um gancho no queixo. Você bate, apanha, vai quase a nocaute, levanta, desperta e pensa qual será o próximo movimento físico e metafísico.


O filme prende a respiração, não oferece espaço pra distração, deixando-nos atentos, fortes e mobilizados o tempo todo. E agora.


Marighella é um filme phodda! Põe a gente num ringue. Ou melhor, numa luta. Ao final do último round somos tomados por um impulso no pulso erguido e cerrado em duas palavras de ordem: “Marighella, presente!” Seguido, imediatamente, por um “Fora Bolsonaro!”. 


Noutras palavras, Marighella é um filme de ação. Ele nos coloca em estado de luta. Ele nos mobiliza por dentro e por fora no sentido de que outro país mais justo e democrático não é só mais possível e sim, necessário. 


O filme de Wagner Moura não é só uma representação histórica ou narrativa cinematográfica de um passado ditatorial civil-militar violento e bem recente na história de nosso país.  Como disse Wagner Moura, o filme fala muito mais do Brasil de hoje, deste tempo sombrio que ataca por dentro do próprio governo, o estado democrático de direito.


A exibição do filme Marighela no dia 26 de outubro no Cineteatro São Luiz em Fortaleza, Ceará, foi uma noite memorável e encantadora. Façamos de cada exibição do filme Marighella nas salas de cinema um ato artístico e político pela redemocratização do Brasil. Mas também um ato de amor pelo Brasil, como grita a atriz Maria Marighella, numa das cenas mais emocionantes do filme. 


Dentre as várias leituras possíveis, o filme veio para nos tocar e mobilizar pela redemocratização do Brasil. Nossos corações democratas agradecem e se sentem comovidos (comover é mover com) e mais mobilizados pela reconstrução, refundação e regeneração do Brasil. Isso é urgente, enquanto ainda temos tempo. Numa frase de Marighella que capturo do filme, “as pessoas precisam saber que no Brasil tem gente resistindo”. Sim Marighella, sim Wagner, estamos na r(e)xistência. Eles não vencerão. A liberdade é uma luta constante.


No mais, Salve Wagner Moura! 

Marighella, presente!


Saudações ternas e (in)tensas


Fabiano dos Santos Piúba

Fortaleza, 27/10/2022 

(um texto ainda com a temperatura do filme em mais do que meu corpo)

JOAQUIM CÂMARA FERREIRA, 2º HOMEM NA ALN.
*
Perseguição Política e Ideológica 


Quem quis matar a luta 

do Martin Luther King?

 

Por que puseram Gandhi atrás das grades? 

 

Por que mandaram prender Mandela?

 

Quem mandou matar Marielle? 

 

Quem deu guela 

de onde tava o 

Marighella?

 

A prisão do Rafael Braga ainda indaga:

ver o sol nascer quadrado 

por portar um Pinho Sol?

 

E o Malcolm X, então,

precisa dizer 

qual foi o X da questão? 

 

E o Chico Mendes? Me diz 

E o que devia Angela Davis?

 

E a Carolina Maria, 

que foi presa porque lia?

 

Lição da Malala:

educação não é balela

 

E por que mantiveram o homem

que tirou o país da fome

quinhentos e oitenta dias 

trancado numa cela?


 Rafael de Noronha (São Paulo/SP)

A Marighella - CPR] [Marighella Vive!]

Aos 4 dias do mês de novembro de 1969, em noite de terça-feira, em São Paulo capital, Carlos Marighella, Comandante da Revolução Socialista Brasileira, era brutalmente assassinado pelas forças repressivas da ditadura militar, então instalada no Brasil após o golpe de 1964.

Naquela ocasião, o movimento comunista do Brasil, a tradição combativa de nosso povo, e a luta revolucionária pela Libertação Nacional e pelo Socialismo, enfim, perderiam um homem de pensamento e ação, um militante da teoria e da prática, que perto de completar 58 anos de vida, estava liderando a única resistência possível diante dos idos ditatoriais. O povo brasileiro perderia naquele momento o seu filho mais completo politicamente, a brava gente deste país perderia um verdadeiro herói.

Aqueles que mataram Marighella não conseguem ocupar a memória nem mesmo dos canalhas que tentam ainda hoje defender o indefensável regime facínora militar. Aqueles que mataram Marighella acabaram fuzilados pela História. Aqueles que mataram Marighella, e nisso estão também os que mandaram matar, inclusive o próprio imperialismo ianque e seus títeres da ditadura no Brasil, todos esses, mais cedo ou mais tarde, terão as contas acertadas com o povo explorado do Brasil e de todo o mundo.

O corpo de Marighella descansa em Salvador, a capital baiana onde nasceu o Comandante em 5 de dezembro de 1911. Mas a sua presença nunca parou. Marighella está presente em todas as lutas do povo brasileiro.

Carlos Marighella vive, Carlos Marighella para sempre viverá!

Há 55 anos ele morria por nós, ele morria pelo povo, ele morria pelo Brasil...
MARIGHELLA, O HERÓI INDÔMITO

Carlos Marighella é um símbolo das lutas pela libertação do povo brasileiro.

Filho de Augusto Marighella, operário metalúrgico imigrante italiano e de Maria Rita do Nascimento, negra descendente dos malês. Fez seus estudos secundários no antigo Ginásio da Bahia, hoje Colégio Central. Em 1932, ingressou na Escola Politécnica da Bahia, onde se torna líder estudantil. Abandona o curso para seguir para o Rio de Janeiro para dirigir o PCB, em 1934.

Preso em 1936, foi torturado pela polícia política de Filinto Muller. Solto, passa a clandestinidade, sendo preso novamente em 1939. Só é solto em 1945, com a anistia aos presos políticos no fim do governo Vargas. É eleito deputado constituinte pelo PCB da Bahia, tendo atuação destacada na Assembleia que redigiu a Carta de 46.

O PCB teve seu registro cassado em 1947, e os deputados comunistas perderam o mandato em 1948. Mais uma vez na clandestinidade, Marighella exerce várias funções na direção do Partido. Nos anos de 1953 e 1954, Marighella viaja pelo mundo socialista, inclusive a China Popular.

Com o golpe de 64 é preso novamente. Resistiu à prisão em um cinema do Rio de Janeiro. Descreveu o episódio no texto Porque Resisti à Prisão. Em seguida, se estabelece em São Paulo, onde assume a direção regional do Partido.

Logo no início da ditadura, Marighella abre divergência com a direção do Partido. Em 1966, comparece ao encontro da OLAS, Organização Latino-Americana de Solidariedade, em Havana. Rompe com a Comissão Executiva do Partido e, em 1967, é expulso. Organiza o Agrupamento Comunista de São Paulo, que viria a nuclear a Ação Libertadora Nacional, fundada em 1968.

A ALN se tornou a mais importante organização armada de luta contra a ditadura. A captura do embaixador estadunidense, em 1969, em conjunto com o MR8, seria uma das ações mais espetaculares da organização.

Marighella foi elevado a inimigo número 1 do regime. Após a prisão dos padres dominicanos que contribuíam com a ALN, armou-se uma operação para assassinar o líder revolucionário. Na noite de 4 de novembro de 1969, Marighella foi assassinado pela equipe comandada pelo delegado Fleury.

Marighella se tornou uma lenda. Não à toa, a extrema-direita ainda hoje o considera o inimigo número 1. Marighella inspira as novas gerações de revolucionários, com a sua coragem e espírito de luta.

Marighella é a expressão de toda uma geração de comunistas em nosso país. Para quem quiser conhecer mais a vida de Carlos Marighella indicamos o livro Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo, de Mário Magalhães, publicado pela editora Companhia das Letras. Também indicamos a música Mil Faces de um Homem Leal, feita pelos Racionais em 2012 para o documentário Marighella, de Isa Grinspum Ferraz: https://www.youtube.com/watch?v=5Os1zJQALz8

ORGANIZAÇÃO COMUNISTA ARMA DA CRÍTICA
OCAC
*

segunda-feira, 27 de março de 2023

OUTRA VEZ RUMO AO PERU * Carlos Pronzato/RJ

 OUTRA VEZ RUMO AO PERU

*
O cineasta documentarista, poeta, ficcionista, dramaturgo e diretor teatral Carlos Pronzato, argentino/brasileiro, encara mais uma vez as estradas de "Nuestra América". Com pouca equipagem e uma câmera na mão o foco inicial agora é o Peru e as mobilizações indígenas e camponesas que tomaram conta do país desde dezembro de 2022. Documentar esses processos desde uma perspectiva autônoma é parte da construção de um acervo de memórias críticas da América Latina, úteis também para o debate e a ação política contemporâneas.

Além dos muitos documentários realizados no Brasil, Carlos Pronzato realizou, nos anos 2000, documentários na Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia. E durante grande parte da década de 80 percorreu de carona e morou em diversos países da América Latina, desde o México no norte até o Chile, no sul, sendo esta viagem a sua grande escola cultural e política. Carlos Pronzato não retorna ao Peru desde 1985, portanto será um reencontro com a História desse país e a oportunidade de construir novas narrativas audiovisuais.

Rumo a esta nova missão do cinema revolucionário!

Rumo ao Peru!

Para apoiar:

Conta PIX : carlospronzato@gmail.com

ou

Banco do Brasil

Agência: 0346 - 8

Conta Corrente: 222.567 - 0

Obs. Quem quiser colaborar também pode adquirir Caixa com 85 DVDs (catálogo completo). O investimento é de R$ 1.500,00 (incluído frete).

Contatos: 21 9 79957981

Face e Insta: Carlos Pronzato

Canal YT: Carlos Pronzato

Catálogo de filmes e livros:

www.lamestizaaudiovisual.com.br


"Caminante no hay camino

Se hace camino al andar..."

***

sábado, 22 de outubro de 2022

JANGADEIROS ALAGOANOS * Carlos Pronzato - RJ

JANGADEIROS ALAGOANOS
O QUE ORSON WELLES NÃO VIU

O documentário JANGADEIROS ALAGOANOS, O QUE ORSON WELLES NAO VIU (52 min./2022) com direção de Carlos Pronzato, conta a história dos pescadores Umbelino José dos Santos, Joaquim Faustilino de Sant’Ana, Eugênio Antônio de Oliveira e Pedro Ganhado da Silva, cidadãos originários de diversas cidades do Litoral Alagoano que saíram de Maceió em 27 de agosto de 1922 para o Rio de Janeiro. Eles sofreram os mais diversos revezes na viagem. Só para ilustrar destas dificuldades, na costa da Bahia, enfrentaram um grande temporal, quando foram atirados ao mar e perderam suas provisões, roupas e a vela da jangada Independência. A solidariedade do povo baiano foi decisiva para a continuidade da viagem.

Após noventa e oito dias, mais de mil milhas percorridas e nove tempestades enfrentadas, no dia 2 de dezembro os Jangadeiros Alagoanos chegaram à Cidade Maravilhosa, onde foram recebidos como heróis. A população, o governo e a imprensa queriam estar próximos dos alagoanos, que talvez ainda não tivessem se dado conta da proeza que realizaram. Além da proeza dessa viagem, um fato curioso e que estará presente no documentário é que os pecadores resolveram empreender esta jornada dois dias antes dela ter início. O objetivo foi participar dos festejos pelo centenário das comemorações da Independência do Brasil.

"Conheci este episódio em 2021, através do monumento aos Jangadeiros, próximo à estátua de Graciliano Ramos, em Maceió, inaugurada na gestão anterior e na placa tinha algumas informações sobre essa viagem. A partir disso me interessei pela história e comecei a fazer as pesquisas. Eu sabia da viagem dos jangadeiros cearenses em 1941 ao Rio de Janeiro e isso ficou famoso no mundo por causa do documentário de Orson Welles. Então quis mostrar também a história pouco conhecida dos jangadeiros alagoanos", conta o diretor.

O documentário já teve duas exibições de pré estréia em Maceió, no Cine Arte Pajuçara, em agosto e setembro deste ano.

O diretor Carlos Pronzato, que também é escritor e diretor teatral, é conhecido por muitos dos seus mais de 85 documentários sobre questões políticas, sociais e culturais.

O Cine Joia fica na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 680, Rio de Janeiro. A sessão única será no sábado 22 de outubro às 19 h (com debate posterior com o diretor) e o ingresso é R$ 20 e pode ser reservado pela chave PIX: carlospronzatodoc@gmail.com (e-mail).

Com informações do jornal Tribuna Independente de Maceió, AL.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

TREM DO SUBÚRBIO, TRILHOS DE RESISTÊNCIA | Documentário completo de Carlos Pronzato

TREM DO SUBÚRBIO, TRILHOS DE RESISTÊNCIA
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A Tv Kirimurê está passando aqui no seu feed convidando a todas, todos e todes para assistir ao documentário Trem do Subúrbio - Trilhos de Resistência, uma bela obra do cineasta Carlos Pronzato que retrata a relação das comunidades do subúrbio com o sistema ferroviário da capital baiana.
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Através de relatos dos moradores, lideranças comunitárias, pescadores e marisqueiras que em seus depoimentos revelam a importância desse meio de transporte na vida de todos!

sábado, 2 de outubro de 2021

CARLOS PRONZATO CINEMA ENGAJADO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

 CARLOS PRONZATO CINEMA ENGAJADO

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https://drive.google.com/file/d/1rWC3uua9IYHGCFLmSLVtg6x1KnH1DEp8/view?usp=sharing

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quinta-feira, 23 de setembro de 2021

UMA PAULICEIA NEM TÃO DESVAIRADA ASSIM – Wilson Coêlho / ES

 UMA PAULICEIA NEM TÃO DESVAIRADA ASSIM

Wilson Coêlho / ES

Neste ano de 2021 em que Dom Paulo Evaristo Arns e Paulo Freire fariam 100 anos em setembro, pudemos desfrutar da grande homenagem que o cineasta Carlos Pronzato faz em seu documentário “Dois Paulos na Pauliceia”. Uma obra responsável e de fôlego, além de muito oportuna nos tempos que correm. Carlos Pronzato nos devolve as vozes dos dois Paulos a partir dos testemunhos de Nita Freire, Frei Betto, Luiza Erundina, Juca Kfouri, Ivo Herzog, Paulo Vanucchi, Dom Angélico Sândalo Bernardino, Margarida Genevois, Salvador Pires, Adolfo Perez Esquivel, Maria Ângela Borsoi, entre alguns outros, permeados com imagens que nos transportam para aquele momento em que esses dois defensores da liberdade estavam em ação. Dessa liberdade, no depoimento do padre Júlio Lancellotte ele declara que “Os dois têm uma chave em comum, a autonomia. Dom Paulo, uma pastoral de autonomia e, Paulo Freire, uma pedagogia da autonomia”.


Na verdade, tanto pela competência do cineasta Carlos Pronzato quanto pelo tema que ele aborda, esse filme se basta e nem necessita de uma apresentação, considerando que esses dois grandes mestres, Dom Paulo Evaristo Arns e Paulo Freire, que dedicaram suas vidas à reflexão e ao pensamento crítico a partir de seus compromissos humanistas na organização popular, arautos da esperança na possibilidade de transformar a realidade dos povos oprimidos, são em si mesmos um acontecimento.


Ainda no que diz respeito a essa obra de arte de Carlos Pronzato, também não poderia passar em brancas nuvens a beleza, o lugar e a precisão da música original de Gereba em parceria com Paulinho Pedra Azul e Xico Bizerra, ilustrando essa belíssima homenagem aos dois Paulos imprescindíveis para entender a história do pensamento e da resistência à ditadura no Brasil.


Enfim, quanto intitulo o texto de “Uma Pauliceia nem tão desvairada assim”, trata-se de uma alusão à “Pauliceia Desvairada”, de Mário de Andrade que,

na conferência “O Movimento Modernista”, quando o escritor definiu seu livro como “áspero de insulto, gargalhante de ironia”, para Carlos Pronzato, a Pauliceia significa um apelo à memória desses dois Paulos que dedicaram toda a vida em defesa da democracia que nada têm a ver com a aspereza do insulto ou gargalhante ironia, mas comprometidos com a liberdade dos oprimidos. Contando ainda com a cuidadosa produção de Paulo Pedrini e a precisa edição de Gabriel Figueira, “Dois Paulos na Pauliceia”, mais que um documentário é uma obra de arte viva e que muito pode contribuir para que as novas gerações possam conhecer um pouco da história do ponto de vista dos que resistiram e enfrentaram o autoritarismo em nosso país.

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