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sábado, 31 de dezembro de 2022

O PAPEL TRANSVERSAL DA CULTURA * Jom Tob Azulay*/Le Monde Diplomatique

O PAPEL TRANSVERSAL DA CULTURA

Por Jom Tob Azulay*/Le Monde Diplomatique

Rememorando, em sessão histórica do plenário multilateral da Unesco em Paris, em 25 de outubro de 2005, cuja delegação do Brasil era chefiada pelo ministro Gilberto Gil.
(Imagem: Ricardo Stuckert)

No momento em que iniciamos o novo governo, é única a oportunidade para que a rica e plural cultura brasileira desempenhe por meio de políticas públicas, articuladas a nível internacional, seu papel como expressão da Diversidade Cultural, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável do país


Na revisão das políticas públicas que vem sendo executada pelo Grupo de Transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, cumpre que nas novas diretrizes das políticas da Cultura sejam levadas em conta as concepções constantes da Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, conhecida como Convenção da Unesco sobre Diversidade Cultural.

Rememorando, em sessão histórica do plenário multilateral da Unesco em Paris, em 25 de outubro de 2005, cuja delegação do Brasil era chefiada pelo ministro Gilberto Gil e da qual fazia parte o acadêmico Eduardo Portella, a Convenção da Diversidade Cultural foi aprovada por uma maioria de 148 votos a favor, dois contra (Estados Unidos e Israel) e quatro abstenções (Austrália, Honduras, Nicarágua e Libéria). Destinada a representar no século XXI o que a Carta de São Francisco de 1945 significara para a consolidação da paz internacional ao fim da Segunda Guerra Mundial, pela primeira vez equiparava-se a cultura à economia para fins da conquista dos objetivos de paz e de desenvolvimento, os quais, desde então, se tornaram faces da mesma moeda.

Consagrando a diversidade cultural como “patrimônio comum da humanidade, a ser valorizado e cultivado em benefício de todos” e como tal fator de democracia, desenvolvimento econômico, paz internacional, defesa do meio-ambiente e bem-estar social individual e coletivo, a Convenção da Unesco materializa a transversalidade da Cultura para a formulação e realização das políticas públicas.

Não obstante, desde 2005, quando a Convenção da Unesco foi incorporada ao ordenamento jurídico constitucional brasileiro, pouco se viu frutificar de suas disposições nas legislações de apoio à cultura no Brasil. Faltou-nos o essencial, isto é, o reconhecimento de que “as atividades, bens e serviços culturais possuem dupla natureza, tanto econômica quanto cultural, uma vez que são portadores de identidades, valores e significados, não devendo, portanto, ser tratados como se tivessem valor meramente comercial”, conforme prega o preâmbulo da Convenção.

A “dupla natureza” do produto cultural implica a elaboração de legislações específicas para a regulação da produção cultural que levem necessariamente em conta essa ambivalência da obra cultural. Caso nossas políticas culturais se inspirassem no que preconiza a Convenção da Unesco sobre Diversidade Cultural, muito se pouparia nos desgastantes procedimentos burocráticos relativos à legislação sobre a produção das obras de arte, tratadas restritivamente como bens econômicos de natureza estritamente material, segundo os mesmos critérios e procedimentos da lei das licitações públicas. Só o contábil vale, nada do que caracteriza o produto cultural além do seu custo econômico é levado em conta na aferição de sua adimplência e finalidade.

No momento em que iniciamos o novo governo, é única a oportunidade para que a rica e plural cultura brasileira desempenhe por meio de políticas públicas, articuladas a nível internacional, seu papel como expressão da Diversidade Cultural, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável do país. É, porém, necessário recuperar o tempo perdido pois nosso descompasso em relação ao que se evoluiu no resto do mundo na questão é flagrante. Em 4 de novembro de 2020, paralelamente à reunião do G20, que teve lugar em Riad, na Arábia Saudita, os ministros da Cultura do G20 realizaram uma reunião conjunta sobre “A ascensão da economia cultural: um novo paradigma”. Pela primeira vez as discussões políticas do G20 reconheceram a crescente contribuição da cultura para a economia global. Em uma mudança de paradigma acelerada pela pandemia de Covid-19, o G20 reconheceu a contribuição potencial da cultura em todo o espectro de políticas públicas para forjar sociedades e economias mais sustentáveis, nas quais a cultura é colocada no centro da discussão como um componente chave da recuperação econômica e social. “Repensar o futuro da cultura significa vê-la como muito mais do que um setor econômico. É uma necessidade abrangente, subjacente a todos os aspectos das nossas sociedades. Não é um custo, é um propósito. A cultura não deve ficar à margem dos esforços de recuperação, ela deve ser central para eles”, afirmou na ocasião Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco.

De certa forma tinha razão a delegada dos Estados Unidos na reunião de 2005 da Unesco, ao justificar seu voto contrário à Convenção da Diversidade Cultural afirmando que esta “tratava de comércio em lugar de cultura”. Sim, a diversidade cultural volta-se para a economia, mas também para o meio-ambiente, os direitos humanos, a educação, a cidadania e o bem-estar individual e coletivo de todos os seres humanos por intermédio do poder (soft power) intangível e imaterial da cultura, relegando a segundo plano “a ganância grotesca” do poder econômico ou bélico (hard power), parodiando recente declaração do secretário-geral da ONU António Guterres. Por essa razão, a Diversidade Cultural foi nomeada “a última das utopias do Ocidente”, na medida em que sintetiza a quintessência das ideologias que marcaram a história. O Estado brasileiro, em reconhecimento à extraordinária vocação para o desenvolvimento da diversidade cultural de nosso país, necessita atualizar-se em relação ao tratado que dezessete anos atrás, subscreveu.

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sábado, 19 de novembro de 2022

A POSSE COMO CULTURA * Augusto Boal - RJ

 A POSSE COMO CULTURA

Augusto Boal - RJ


No dia da posse, devemos decretar a prorrogação da primavera por quatro anos ininterruptos. 


Em todas cidades e em cada povoado, cada um de nós deverá dar vida à sua Imagem do Sonho.


O _Projeto Cultural do Governo Lula_ deve resplandecer desde o primeiro dia, desde a posse!


Lula falou contra a fome e a favor da solidariedade dos oprimidos: devemos transformar, em arte, suas palavras. Temos que estetizá-las.

Estetizar significa transmitir pelos sentidos e não apenas pela razão.


Lula falou palavras: temos que mostrá-las como sólidas, palpáveis e beliscáveis.


_Temos que teatralizá-las, pintá-las, esculpi-las, cantá-las, torná-las concretas, fotografáveis, filmáveis._


Como fazer? É muito simples!


_Primeiro:_ em todas as praças de todos os povoados do país inteiro, vamos realizar _Feiras Culturais_ com as quais, desde manhã bem cedo, antes que fuja a noite – desde a primeira luz! – vamos _acordar o sol_ com orquestras, bandas e blocos; pintores e escultores; artistas de circo e teatro, bordadeiras, poetas e repentistas, corais e solistas – ao ar livre, em vielas e descampados, todos em sincronia, nas cidades e nos campos, todos nós, em toda parte, vamos mostrar nossa arte. _Vamos saudar o dia!_


_Segundo:_ em praças e ruas, o povo deve instalar mesas improvisadas, com toalhas limpas e lindas – mesmo que sejam de papel de embrulho, bordadas com tesoura e lápis de cor – para as quais deve trazer pão e comida, e dividi-los com _Amor._


_Terceiro:_ isto é importantíssimo – todos devem estar _comendo_ na hora da posse do Presidente Lula! No ato do juramento, quando ele disser – _“Eu Juro!”_ – todos, no país inteiro, todos ao mesmo tempo, devemos levar à boca alimento, e mastigar com bravura, pois acabar com a fome ele jura: juremos juntos, comendo, juremos o mesmo juramento! O brinde ao seu governo deve ser mastigado com ganas e com verdade.


Devemos ser companheiros – _comer o mesmo pão, coletivo_. Em nossa mão aberta, oferecer, ao _próximo_, comida.


_Quarto_: a população deve dar o que tiver de descartável em suas casas e possa, a outros, ser útil: sapatos, roupas, móveis, espelhos, panelas, livros, quadros, violões e reco-recos, quaisquer objetos que tenham serventia, que saiam do armário e venham todos à luz do dia. _Dar e trocar!_


_Quinto:_ para essas Feiras, devem ser convidadas comunidades estrangeiras que vivam no Brasil, para que tragam sua dança, música, comida – _vamos dialogar._


_Sexto:_ após a posse, em ruas e praças, todos os esportes serão praticados; pingue-pongue, jogo de malha e peteca, bola de gude, pulo de corda e carniça, voleibol, basquete, luta romana e grega, corridas, ginástica, trapézios… _Tudo é Cultura._

 

_Sétimo:_ em uma tribuna visível, cidadãos terão direito a três minutos de fala para fazerem propostas de governo, que deverão ser levadas a sério, às Câmaras, analisadas, votadas. A sério, que com a lei não se brinca!


Enquanto em Brasília dura a festa, _no Brasil vive a alegria_. Depois, vamos dormir mais cedo: o Dia da Posse será prenúncio e mostra do _Mandato Popular_ – será proclamado o _Dia da Cultura_.


Estamos sonhando, é verdade, e o nosso sonho é sonho. Mas, se hoje sonhamos, é porque temos agora _o direito de sonhar o sonho verdadeiro:_ hoje, sonhar não é proibido: sonhar é possível. Sonhar… não é sonho. Sonhemos!

domingo, 28 de novembro de 2021

Politica Cultural * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

   Politica Cultural

AUGUSTO BOAL E O TEATRO DO OPRIMIDO

O CAPITALISMO SEMPRE FALHOU

Neste momento em que vivemos, a sociedade capitalista se assemelha a um titanic: um grande navio a mercê do mar bravio, sendo tragado irreversivelmente. Todas as suas forças voltadas para a sua salvação são inúteis, porque ela não considerou o devir. Isso ocorre em todos os campos da vida social. Do psíquico ao econômico. Todos os seus esforços tecnológicos buscando gerar lucro deram com os burros n'agua. Dos antigos parques industriais hoje constatamos metrópoles a fora imensos depósitos de ferros velhos, todos sucatas de invenções tecnológicas. Do antigo motor a carvão ao chip, assistimos ao desperdício de mão-de-obra, de pesquisas, investimentos, matérias-primas, tudo transformado em lixo.

Isso ocorre devido ao estreitamento da margem de lucro no mundo da concorrência capitalista. Hoje, não adianta mais inventar algo visando enriquecer amanhã. A disputa pelo consumidor virou guerra sem quartéis. E os produtos novíssimos hoje, amanhã, são obsoletos. Vide o celular: todo dia tem uma novidade nesse mercado. E ninguém pode se conter, nem o fabricante nem o consumidor, porque amanhã é sim outro dia e tem que haver tecnologia nova.
Quem para, morre!

O mesmo ocorre na cultura. Com o avanço tecnológico, a indústria cultural vê-se obrigada a se adaptar. A velocidade da vida cotidiana do mundo atual impede que o empreendedor cultural almeje levar o seu consumidor a uma sala de exposição, seja cinema, teatro, show e até lançamento de um simples livro. O mundo, hoje, resume-se a uma "live". E pronto!

Portanto, nós, que somos simples mortais, também somos produtores culturais, e precisamos nos encarar enquanto tal. Se hoje queremos ver um filme, com certeza não queremos aquela tecnologia antiga, do cinema mudo, em preto e branco, do Chaplin, do Mazaropi ou do Einsenstein. Claro! Nós queremos a ultima tecnologia. Mas para isso, precisamos de poder aquisitivo. Temos? Claro que não. É aí que mora o X da questão. 1/% da humanidade pode, e nós não podemos, sequer pensar em tais benesses. Por quê? Porque nós vivemos numa sociedade divida em classes. Há os que exploram e há os são explorados. Aonde você se encontra? Percebe a questão? 

Por isso, nós, os explorados, precisamos pensar numa politica cultural para nós. Precisamos produzir uma arte que reflita o nosso modo de vida e denuncie a forma porque vivemos em condições de miserabilidade. Se somos nós, os trabalhadores, que produzimos tudo, por que não desfrutamos de tudo? É isso. Nossa música precisa dizer isso. Nossas artes plásticas precisam expressar isso. Nossa literatura - conto, crônica, poesia, romance, teatro, novela - precisa refletir a nossa vida real. Nada de novelas globais, nada de livros estrangeiros, nada de nos encantarmos com sagas sobre coisas desconhecidas. Nosso mundo é o que vivemos e é sobre ele que devemos refletir para nos libertarmos da dominação capitalista. Chega de enriquecer os outros. Vamos produzir para nossos semelhantes. Eu compro o seu produto e você compra o meu.
Cooperativas de produção cultural já!!

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sábado, 2 de outubro de 2021

CARLOS PRONZATO CINEMA ENGAJADO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

 CARLOS PRONZATO CINEMA ENGAJADO

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Canal Youtube Carlos Pronzato: https://www.youtube.com/channel/UCpQbUHc34JoE-j_qQ8UOXCg 


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