POESIA VENEZUELA PALESTINA
O capitalismo está podre. Todos sabemos disso. Mas ele não cai sozinho, ele não morre de morte natural. Precisamos aliar o antifascismo e o antimperialismo ao internacionalismo proletário, e assim somar forças para construir o socialismo. Faça a sua parte. A FRENTE REVOLUCIONARIA DOS TRABALHADORES-FRT, busca unir os trabalhadores em toda sua diversidade, e formar o mais forte Movimento Popular Revolucionário em defesa de todos e construir a Sociedade dos Trabalhadores - a SOCIEDADE COMUNISTA!
Abaixo a guerra imperialista por procuração da OTAN na Ucrânia!
Pelo direito da Rússia de se defender contra a invasão imperialista!
No primeiro de maio, o dia internacional da solidariedade dos trabalhadores do mundo, os seguintes grupos e indivíduos proclamam nossa oposição unida à maior ameaça à classe trabalhadora global: a guerra imperialista.
Declaramos nossa recusa em nos acomodar sob a ofensiva de guerra do imperialismo mundial contra a Rússia. Nós hasteamos em nossas bandeiras hoje:
• Abaixo a guerra imperialista por procuração da OTAN na Ucrânia!
• Pelo direito da Rússia de se defender contra a invasão imperialista!
Aqueles da esquerda que procuram amenizar a propaganda da classe dominante reduzindo este conflito global a uma luta nacional pela “autodeterminação” ucraniana ignoram que:
Embora a Rússia seja um estado capitalista desde 1991, não é uma potência imperialista. O imperialismo é mais do que quando um Estado emprega força militar contra outro. O imperialismo é uma fase do capitalismo representada pelo domínio do capital financeiro. A Rússia não faz parte do “clube imperialista”, mas de uma economia capitalista dependente e relativamente atrasada.
A operação militar da Rússia na Ucrânia é um esforço desesperado para impedir que Kiev seja usada como ponta de lança dos planos estratégicos do imperialismo ocidental por transformar a Rússia em uma semicolônia para saquear seus vastos recursos internos. A integração da Ucrânia na máquina de guerra da OTAN estava bem avançada antes da operação militar defensiva russa. A Rússia enfrentava a perspectiva de toda a sua fronteira ocidental se tornar parte da aliança da OTAN e um palco para a implantação de armamento avançado, incluindo armas nucleares, sistemas de defesa antimísseis e tropas voltadas diretamente para a Rússia.
O Golpe Maidan de 2014, liderado por tropas de choque fascistas no país e guiado pelo imperialismo dos EUA, instalou um governo fantoche eficaz em Kiev. Desde o golpe, este governo não foi apenas uma ferramenta do imperialismo dos EUA, mas reprimiu violentamente todos os esquerdistas, reprimiu os de etnia russa e outras minorias. A repressão provocou uma sangrenta guerra civil na Ucrânia quando os moradores do Donbass criaram as Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk para se defender do regime violentamente russófobo de Kiev e seus cães de ataque fascistas.
É por isso que rejeitamos a política de “derrotismo revolucionário” defendida por muitas tendências marxistas centristas. Não basta apenas se opor à intervenção da OTAN na Ucrânia. A oposição ao imperialismo significa estender o apoio aos que estão nele diretamente em sua mira. Isso significa oferecer apoio tanto às Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk quanto ao Estado russo. A Rússia tem o direito de defender sua soberania pela força militar contra a guerra por procuração do imperialismo.
Também estamos comprometidos com a verdadeira independência da Ucrânia. No entanto, isso não pode ser alcançado sob a égide de uma aliança de guerra imperialista que está usando a Ucrânia como peão.
Opomo-nos à guerra por procuração na Ucrânia porque é parte da ofensiva do imperialismo em direção a 3ª Guerra Mundial. Isso ocorre durante esse período de declínio imperialista contra seus rivais na Europa e de crescimento da China. As rivalidades são alimentadas pela atual crise econômica capitalista aprofundada pela pandemia de Covid-19. Uma vitória da OTAN na Ucrânia não levaria à paz, mas apenas adiantaria os planos de guerra do imperialismo contra a China.
Uma guerra entre a OTAN e seus aliados contra a Rússia ou a China corre o risco de acabar com bilhões de vidas em uma guerra nuclear e desencadear horrores que fariam parecer pouco os piores infernos e sofrimentos vividos nas duas guerras mundiais do século 20.
No 1º de maio, nos comprometemos não apenas com a resistência ao imperialismo, mas também com a construção de um movimento independente da classe trabalhadora internacionalmente para derrubar o capitalismo por meio da revolução socialista mundial. A assinatura e partilha desta declaração no 1º de Maio visa começar a reconstruir ligações concretas entre as forças marxistas genuinamente anti-imperialistas como parte deste processo.
A luta contra o imperialismo deve ser forjada em uma luta contra o sistema capitalista e todas as classes dominantes capitalistas! A guerra só terminará verdadeiramente quando não houver mais estados-nação ou classes sociais!
Trabalhadores do mundo uni-vos!
Organizações que já assinaram:
Grécia
Ação Revolucionária Comunista (KED ou Κομμουνιστική Επαναστατική Δράση)
Coreia do Sul
Grupo Bolchevique (볼셰비키그룹)
Costa Rica
Partido Obrero Socialista
Nova Zelândia
Anti-imperialist Aotearoa
Austrália e EUA
Consciência de Classe (Class Conscious)
EUA
Socialist WorkersLeague / CLQI
Socialist Unity Party
PlanningBeyond Capitalism
Socialist Party
Young People’s Socialist League
Friends of the Soviet People
Communist Workers League
Reino Unido
Consistent Democrats / CLQI
Socialist Fight
New Communist Party
Argentina
Tendencia Militante Bolchevique / CLQI
Timor Leste
Komite Esperansa
Brasil
Liga Comunista / CLQI
Partido Comunista do Povo Brasileiro
Fração Trotskista / Vanguarda Proletária
Fronteira Vermelha
Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB
Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT
Assinaturas Individuais:
Bangladesh - Mohammad Basir Ul Haq Sinha
Nigéria - David Ajetunmobi, Nigeria Automobile Technicians Association, NATA
Suíça - Willi Eberle
Austrália - Irene Bolger; Anthony Hubert Codjoe; Candice McKenzie
Brasil - Joana Marisa Borges Boaventura; Marcelo Bastos; Márcia do Amaral Miranda, Daiana Correa, Chico Bernardino, editor de Ciencia dos Trabalhadores
Cazaquistão - Botagoz Datkhabaeva
Grã-Bretanha - James Hall; Jim Greenhow; Paul Humphries; Clive Healiss
EUA - Mike Gimbel, Retired Executive Board member, Local 375, AFSCME, AFL-CIO; Greg Rosen; Mike Gimbel; Alex Jordan Dillard; Mark Andresen; Elizabeth Hoskings; Moises Delgado
E-mail: vanguardaproletaria@yahoo.com.br
https://fracaotrotskistavanguardaproletaria.wordpress.com
...
UNIDADE DOS REVOLUCIONÁRIOS
A carta:
A carta-manifesto, que pedia a libertação de quinze presos políticos em troca de Elbrick, foi escrita por Franklin Martins sob supervisão de Joaquim Câmara. Nela, a ALN e a DI-GB (assinando como MR-8) assumiam a autoria do sequestro e denunciavam os crimes e torturas da ditadura. A carta foi lida em cadeia nacional de rádio e televisão. Seu texto integral era:
“Grupos revolucionários detiveram hoje o sr. Charles Burke Elbrick, embaixador dos Estados Unidos, levando-o para algum lugar do país, onde o mantêm preso. Este ato não é um episódio isolado. Ele se soma aos inúmeros atos revolucionários já levados a cabo: assaltos a bancos, nos quais se arrecadam fundos para a revolução, tomando de volta o que os banqueiros tomam do povo e de seus empregados; ocupação de quartéis e delegacias, onde se conseguem armas e munições para a luta pela derrubada da ditadura; invasões de presídios, quando se libertam revolucionários, para devolvê-los à luta do povo; explosões de prédios que simbolizam a opressão; e o justiçamento de carrascos e torturadores.
Na verdade, o rapto do embaixador é apenas mais um ato da guerra revolucionária, que avança a cada dia e que ainda este ano iniciará sua etapa de guerrilha rural.
Com o rapto do embaixador, queremos mostrar que é possível vencer a ditadura e a exploração, se nos armarmos e nos organizarmos. Apareceremos onde o inimigo menos nos espera e desapareceremos em seguida, desgastando a ditadura, levando o terror e o medo para os exploradores, a esperança e a certeza da vitória para o meio dos explorados.
O sr. Burke Elbrick representa em nosso país os interesses do imperialismo, que, aliados aos grandes patrões, aos grandes fazendeiros e aos grandes banqueiros nacionais, mantêm o regime de opressão e exploração.
Os interesses desses consórcios de se enriquecerem cada vez mais criaram e mantêm o arrocho salarial, a estrutura agrária injusta e a repressão institucionalizada. Portanto, o rapto do embaixador é uma advertência clara de que o povo brasileiro não lhes dará descanso e a todo momento fará desabar sobre eles o peso de sua luta. Saibam todos que esta é uma luta sem tréguas, uma luta longa e dura, que não termina com a troca de um ou outro general no poder, mas que só acaba com o fim do regime dos grandes exploradores e com a constituição de um governo que liberte os trabalhadores de todo o país da situação em que se encontram.
Estamos na Semana da Independência. O povo e a ditadura comemoram de maneiras diferentes. A ditadura promove festas, paradas e desfiles, solta fogos de artifício e prega cartazes. Com isso, ela não quer comemorar coisa nenhuma; quer jogar areia nos olhos dos explorados, instalando uma falsa alegria com o objetivo de esconder a vida de miséria, exploração e repressão em que vivemos. Pode-se tapar o sol com a peneira? Pode-se esconder do povo a sua miséria, quando ele a sente na carne?
Na Semana da Independência, há duas comemorações: a da elite e a do povo, a dos que promovem paradas e a dos que raptam o embaixador, símbolo da exploração.
A vida e a morte do sr. embaixador estão nas mãos da ditadura. Se ela atender a duas exigências, o sr. Burke Elbrick será libertado. Caso contrário, seremos obrigados a cumprir a justiça revolucionária. Nossas duas exigências são:
a) A libertação de quinze prisioneiros políticos. São quinze revolucionários entre os milhares que sofrem as torturas nas prisões-quartéis de todo o país, que são espancados, seviciados, e que amargam as humilhações impostas pelos militares. Não estamos exigindo o impossível. Não estamos exigindo a restituição da vida de inúmeros combatentes assassinados nas prisões. Esses não serão libertados, é lógico. Serão vingados, um dia. Exigimos apenas a libertação desses quinze homens, líderes da luta contra a ditadura. Cada um deles vale cem embaixadores, do ponto de vista do povo. Mas um embaixador dos Estados Unidos também vale muito, do ponto de vista da ditadura e da exploração.
b) A publicação e leitura desta mensagem, na íntegra, nos principais jornais, rádios e televisões de todo o país.
Os quinze prisioneiros políticos devem ser conduzidos em avião especial até um país determinado _ Argélia, Chile ou México _, onde lhes seja concedido asilo político. Contra eles não devem ser tentadas quaisquer represálias, sob pena de retaliação.
A ditadura tem 48 horas para responder publicamente se aceita ou rejeita nossa proposta. Se a resposta for positiva, divulgaremos a lista dos quinze líderes revolucionários e esperaremos 24 horas por seu transporte para um país seguro. Se a resposta for negativa, ou se não houver resposta nesse prazo, o sr. Burke Elbrick será justiçado. Os quinze companheiros devem ser libertados, estejam ou não condenados: esta é uma “situação excepcional". Nas "situações excepcionais", os juristas da ditadura sempre arranjam uma fórmula para resolver as coisas, como se viu recentemente, na subida da junta militar.
As conversações só serão iniciadas a partir de declarações públicas e oficiais da ditadura de que atenderá às exigências.
O método será sempre público por parte das autoridades e sempre imprevisto por nossa parte.
Queremos lembrar que os prazos são improrrogáveis e que não vacilaremos em cumprir nossas promessas.
Finalmente, queremos advertir aqueles que torturam, espancam e matam nossos companheiros: não vamos aceitar a continuação dessa prática odiosa. Estamos dando o último aviso. Quem prosseguir torturando, espancando e matando ponha as barbas de molho. Agora é olho por olho, dente por dente.”
—Ação Libertadora Nacional (ALN) / Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8)[4]
A histórica imagem mostra os 13 presos políticos trocados pelo embaixador Elbrick - os últimos dois subiriam a bordo do Hércules C-56 no meio da viagem - na base aérea do Galeão, Rio de Janeiro, antes de partirem para o exílio no México.
Os 15 presos políticos pedidos em troca do embaixador eram: Luís Travassos, José Dirceu e Vladimir Palmeira, líderes estudantis; José Ibrahim, líder sindical operário; Flávio Tavares, jornalista; Gregório Bezerra, dirigente do PCB em Pernambuco e um dos primeiros presos após o golpe militar; Onofre Pinto, dirigente da VPR e ex-militar; Ricardo Villas Boas, músico e integrante da Dissidência/MR-8; Ricardo Zaratini, engenheiro ligado a movimentos sindicais do Nordeste; Rolando Fratti, do PCB; Agonalto Pacheco, da ALN; Mário Zanconato, do COLINA;Ivens Marchetti, do MR-8; Leonardo Rocha, da ALN e a única mulher do grupo, Maria Augusta Carneiro, do MR-8 e da Dissidência
Leonardo Venicius Parreira PROTO – mestrando em História pela UFG – bolsista da CAPES - leoproto@hotmail.com
Prof. Dr. David MACIEL – orientador (Programa de Pós-Graduação em História da UFG)
Palavras-chaves: Intelectual orgânico, autocracia e socialismo.
Esse estudo sobre Florestan Fernandes como intelectual orgânico
sustenta- se em termos da História dos Intelectuais a partir dos anos 50 no
Brasil, com o referencial marxista como instrumental de análise e
aprofundamento das pesquisas em torno da história social dos negros em São
Paulo, numa pesquisa patrocinada pela UNESCO, que marcaria sua militância
acadêmica e política em favor dos marginalizados na história do Brasil (KONDER, 2000).
Sua condição de sociólogo marxista foi ampliada à medida de sua
formação acadêmica e atuação em torno das questões sociais do debate nacional a
respeito da condição social dos negros, em defesa da escola pública e no
próprio fazer acadêmico e termos de pensamento social posto a partir da década
de 50 em diante (SOARES, 1997; CANDIDO, 2001).
Para Octávio Ianni (2004), na história da sociologia, o esforço
intelectual de Florestan Fernandes está para consolidar esse campo das ciências
humanas num sistema de saber, desenvolvendo toda uma sistemática de
fundamentação da sociologia brasileira a partir das condições históricas da
sociedade na conjuntura do pós-30 e da institucionalização da universidade
brasileira.
O percurso intelectual de Florestan Fernandes no desenvolvimento do pensamento da história social no Brasil deve ser entendido não somente na singularidade de sua trajetória, mas como parte de um movimento histórico em que situa sua inserção na vida universitária e na consolidação da carreira acadêmica (a partir de 1940), sua aproximação inicial com o trotskismo (entre 1940 e 1950), seu envolvimento na luta contra a ditadura militar e seu exílio (a partir de 1969) e mais ao final sua militância partidária (a partir de 1985) e publicista na coluna que escrevia semanalmente para a Folha de São Paulo, na qual desenvolve os mais variados temas e debates das questões nacionais (a partir de 1983).
Nessa apresentação da trajetória histórica de Florestan Fernandes temos
o intelectual militante, ultrapassando os limites somente teóricos, aplicando o
método da práxis (GRAMSCI, 1995; MARX, 2002) em sua atuação teórica/prática,
sendo um defensor do público quanto ao tratamento das questões sociais nesse
país concentrador de riquezas e marginalizador dos/as trabalhadores/as, enfim,
da maioria da população.
Essa imagem do intelectual envolvido com o debate público traz nessa
pesquisa uma oportunidade para podermos polemizar com o conceito de intelectual
orgânico de Antônio Gramsci (1995)1 o papel do sujeito do mundo das
idéias efetivamente envolvido nas lutas sociais e na reflexão política das
décadas de 50-70 (TOLEDO, 1998).
Para Eliane Veras (1997) a condição intelectual de Florestan Fernandes é que o teria feito atuar como político na organização partidária, desenvolvendo assim uma militância diferenciada no que diz respeito a seu papel político “de natureza intelectual”. Para esta autora, Florestan Fernandes teve uma atuação radical na política no processo da Assembléia Nacional Constituinte (em 1987), com destaque para o aprofundamento dos debates no país acerca da educação, da democracia, do desenvolvimento técnico-científico; além de sua presença atuante como publicista na imprensa nacional debatendo “temas candentes” dos rumos da nação brasileira.
Essa característica de
publicista do socialismo, advinda de sua condição de intelectual orgânico foi
trabalhada por Paulo Silveira (1987) ao definir Florestan Fernandes em seu
marxismo revolucionário. Para este autor, a atuação publicista de Florestan
Fernandes reunia três condições de sua formação e trajetória histórica: a
primeira está em seu conhecimento aprofundado da história estrutural da
sociedade brasileira; a segunda está em sua
intransigência com as formas de manutenção do status quo burguês e a terceira condição situa a luta de classes não somente como desenvolvimento das condições objetivas, mas na relação entre a realidade objetiva e o campo de possibilidades envolvidos na forma expressão subjetiva.
O estudo desse intelectual da esquerda brasileira se pautará pelas idéias marxistas, de seu método
materialista histórico dialético de análise e da influência de Gramsci no
contexto brasileiro. Esse estudo do marxismo brasileiro deverá levar em conta a
historiografia das idéias na interpretação sócio-histórica do Brasil dos
governos de Jânio Quadros (61), João Goulart
(61-
64) e
todos os governos militares no pós-64, propício para a renovação do ideário das
esquerdas em nosso país.
Em termos teórico-metodológicos, o conceito de intelectual orgânico nos
acompanhará nessa pesquisa como referencial analítico das idéias de Florestan
Fernandes e do desdobramento de suas análises e influências teóricas e
políticas. A respeito desse conceito, a acepção gramsciana do termo refere-se à
questão do intelectual como
Na análise de Macciocchi
(1977), o intelectual orgânico para Gramsci é associado ao proletariado.
Segundo essa autora, “orgânico é o intelectual cuja relação com a classe
revolucionária é fonte de um pensamento comum” (p. 198). Sua atuação
intelectual está diretamente vinculada há um projeto político de engajamento na
luta pela transformação da ação histórica dos sujeitos sociais.
Em nossa metodologia de pesquisa buscaremos destacar na figura de
Florestan a representação do intelectual engajado, assumindo a práxis como projeto
militante-acadêmico, aproximando teoria e prática, mesmo em uma conjuntura
repressiva daquele Estado autoritário. Nos termos da perspectiva marxista, a
partir da década de 50,
As fontes serão utilizadas
até o final da pesquisa. As mais acessadas são:
Nas referências
bibliográficas do próprio Florestan Fernandes, especificamente o texto
Revolução Burguesa no Brasil e o que é revolução?
Entrevistas:
Encontros/Florestan Fernandes. Org. Amélia Cohn. Rio de Janeiro: Beco do
Azougue, 2008. As entrevistas presentes nessa coletânea são dos seguintes veículos:
Folha de São Paulo
(23/03/1968); Folha de São Paulo (30/03/1968); Revista Trans/form/ação (1975);
Folha de São Paulo (24/06/1977); Jornal Movimento (21/11/1977); Jornal Em Tempo
(agosto/1980); Depoimento realizado no Museu da Imagem e do Som/SP
(26/06/1981); Revista Ciência Hoje (outubro de 1983); Programa Radiofônico
Certas Palavras (maio/1989); Revista Teoria e Debate (30/03/1991); Entrevista
realizada em 1992 e inclusa no DVD do filme Cafundó em (2006);Revista Tempo
Social (outubro de 1995); 17/18 Ensaio. Florestan Fernandes: Constituinte e
Revolução. Entrevista concedida a: J. Chasin, Ricardo Antunes, Antôio Rago
Filh, Paulo Douglas Basrsotti e Maria Dolores Prades (fevereiro/1989).
Programa Roda Viva
da Emissora de Televisão Cultura em 05 de dezembro de 1994 (em DVD e transcrita).
DVD – Programa
Intérpretes do Brasil da TV Cultura. Comentado pela socióloga Maria Hermínia
Arruda (USP).
O Estado burguês era nessa visão de Florestan Fernandes uma autocracia
e a democracia dele manifestada tinha características de um sincretismo, pois
“partia do fascismo, passava pelo autoritarismo e chegava à democracia, sem que
o conteúdo autocrático e sincrético do Estado burguês fosse questionado e
colocado em xeque” (MACIEL, 2010, p. 03).
Maciel (2010) enfatiza a importância do sociólogo na leitura sobre o
Brasil e reconhece nele o esforço teórico-metodológico que não teria o mesmo
rigor sem a apropriação do marxismo como recurso heurístico e proposição
política. Sua forma de compreensão e explicitação da realidade histórica
brasileira é
advinda,
segundo este autor, de um profundo conhecimento das categorias da dialética
marxista, o que favoreceu na práxis uma “leitura original do marxismo”.
FERNANDES, Florestan. Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina. 2 ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.
. Sociedade de classes e subdesenvolvimento.
3 ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.
. Mudanças sociais no Brasil. 3 ed. São
Paulo/Rio de Janiero: Difel, 1979.
. A revolução burguesa no Brasil: ensaio de interpretação sociológica. 3 ed. Rio de
Janeiro: Guanabara, 1987.
KONDER, Leandro. História dos intelectuais nos anos 50. In: Historiografia brasileira em perspectiva. 3 ed. São Paulo: Contexto, 2000.
PORTELLI, Hugues. Gramsci e o bloco histórico. 5 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
MACIEL,
D. . Florestan Fernandes e a questão do transformismo na trasição democrática
brasileira. In: IV Simpósio Lutas Sociais na América Latina, Londrina - PR.
Anais do IV Simpósio Lutas Sociais na América Latina. Londrina
- PR : GEPAL, 2010. v. 1. p. 102-112.
MORAES,
João Quartim (Org.). História do marxismo
no Brasil. Campinas: Editora da Unicamp, v. 3, 1998, p. 201-244.