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sexta-feira, 25 de abril de 2025

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

SOLIDARIEDADE AO PROF. ALYSSON MASCARO * Dom Orvandil/RS

SOLIDARIEDADE AO PROF. ALYSSON MASCARO

Creio em cada palavra dita neste vídeo pelo prof. Alysson Mascaro. Por isso me solidarizo incondicionalmente com ele, com seus familiares, alunos, militantes que o leem e com todo o povo brasileiro que o reconhece e respeita.

Já me manifestei pessoalmente em solidariedade ao prof. Alysson, por isso me sinto incluído no agradecimento que ele faz às pessoas que, ancoradas na verdade, na justiça e na luta contra o capitalismo em sua forma fascista, o abraçam e consolam neste comento de guerra e carnificina no ato satânico de cancelamentos de imagens e até das pessoas, fisicamente.

O objetivo de mais esta minha manifestação pública é a de reiterar a solidariedade ao intelectual perseguido, a de demonstrar fé na verdade e de apelar pela investigação dos criminosos e assassinos.

Abraços profundamente sensibilizados e solidários, companheiro Prof. Alysson Mascaro.

REVOLUÇÃO, JUSTIÇA E PAZ. VENCEREMOS!

Dom Orvandil.RS

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MASCARO COMENTA NOTA PÚBLICA
ALYSSON MASCARO - DOM ORVANDIL

segunda-feira, 10 de junho de 2024

DITADORES FAKENEWS * Rudá Ricci/SP

DITADORES FAKENEWS
"Sobre os novos tipos de governos de extrema-direita

Rudá Ricci

Já citei em muitas lives o livro do ex-reitor do Institut d´Études Politiques de Paris, Sergei Guriev, e do professor de Ciência Política da Universidade da Califórnia, Daniel Treisman, que analisam a metamorfose dos governos extremistas no século XXI cujo título é “Democracia fake: a metamorfose da tirania no século XXI”.

Os autores sustentam que há um novo tipo de governante que atua na franja das democracias que eles denominam de “doctors spin” ou, numa tradução livre, “especialistas em manipulação” (ou distorção).

O conceito, de certa maneira, se aproxima da lógica do Estado de Exceção, que ocorreria nas lacunas legais das democracias para impor leis ou ações governamentais tirânicas, inauguradas recentemente a partir da resposta de Bush ao atentado de 11 de Setembro. Bastava ser suspeito para ser caçado e preso sem contato algum com advogados e familiares, muitas vezes torturados pelo Estado.

Já no caso dos “doctors spin”, que os autores citam como exemplo Lee Kuan Yew, ex-primeiro-ministro de Singapura de 1959 a 1990, mas também Orbán, governante da Hungria e Putin, da Rússia, os atos autoritários são mais seletivos, tópicos e o jogo com a comunicação é mais sútil.

A seguir, vou reproduzir as seis características principais do modelo desses governantes tirânicos que os autores destacam. Começando pela substituição do medo pela imagem de competência. Aqui, ternos bem cortados e um ar de profissionalismo e modernidade substituem fardas militares e ar sisudo. As fotos divulgadas pelas agências de comunicação oficial quase sempre revelam governantes em mesas de trabalho, falas em conferências ou visitas às fábricas e empresas. A intenção é revelar um trabalhador incansável que foca nos investimentos para uma vida próspera. Segundo os autores, “em vez de exigir sangue e sacrifício, eles oferecem conforto e respeito.”

A segunda característica é a dos múltiplos apelos, ao contrário do perfil de tiranos anteriores que pregavam ideologias. Lee Juan Yew gostava de dizer ser pragmático, sem qualquer proximidade com ideologias. Putin teria dito que odeia a palavra ideologia, segundo Brian Taylor, em seu livro “The code of putinism”. Para desconcertar, tais líderes associam práticas e ideários do passado sem grande sentido, numa bricolagem que agrada gregos e troianos. É o caso de Putin, que cita e valoriza o período czarista da grande unidade eslava aos clichês da era soviética salpicados de ultradicionalismo conservador anti-LGBT.

Deriva das duas primeiras características a de afastamento do culto à personalidade, agora substituída pelo de celebridade. As celebridades são cultuadas, é verdade, mas oferecem algo de sua intimidade, incluindo gafes e histrionismo. Se antes havia veneração oficial, agora, a construção do perfil de celebridade se faz nas redes sociais, por agentes privados e de maneira descentralizada, muitas vezes adotando um tom perto do deboche. Governantes aparecem voando em asas-deltas ou montando cavalos sem camisa mas, agora, logo é desvendado que tudo foi cena montada e a situação vira até galhofa. Imagens dos novos tiranos viram estampas de canecas à venda em barracas de rua, como iniciativa de ambulantes que oferecem souvenirs. A masculinidade é motivo de riso e até borrifar a marca de perfume lançado pelo manipulador passa a ser objeto de colecionadores e brincadeiras de jovens debochando do “tiozinho”. O ditador é comentado nas ruas e os autores chegam a comparar com a fase mais popular de Obama.

A quarta característica é a da busca de credibilidade, o que foge completamente da imposição pelo medo. Esses novos governantes autoritários permitem imprensa livre – embora ataquem publicamente as mais críticas – e apostam em blogueiros e influencers para responder ou alterar os temas quentes de uma conjuntura. Até tragédias são exploradas por blogueiros aliciados ou disparos de notas e comentários nas redes sociais. Muitos se utilizam de “trolls” ou mesmo pesquisas manipuladas com resultados previsíveis, denominadas de “push poll”. 

Os autores citam uma pesquisa encomendada pelo governo da Hungria que apresentava perguntas que induziam às respostas como “há quem pense que os migrantes colocam em risco os empregos e meios de subsistência dos húngaros e queremos saber se você concorda com eles”.

A quinta característica é a de transformar o entretenimento em arma. Fofocas sobre celebridades e adversários se transformam em temas quentes numa espécie de metapolítica (comentar política sem falar diretamente). O ex-presidente Fujimori em 2000, em meio à ofensiva contra grupos oposicionistas, divulgou a informação sobre a filha ilegítima de um dos seus adversários. A explosão de talk shows ácidos forja um ambiente tóxico de comentários rebaixados sobre temas políticos e, muitas vezes, são patrocinados indiretamente por esses governantes.

Finalmente, reinterpretar acontecimentos geram versões rapidamente disseminadas nas redes sociais. Essa modalidade deriva, quase sempre, para as fake news. Não raro, a versão adota tons de exagero e indignação, procurando estimular emoções fortes no público-alvo. O emocionalismo é a tônica para gerar revolta em recém-demitidos de uma fábrica que fechou por fraude, mas que é reinterpretado como resultado da política econômica de um governo. 

Nem sempre as notícias divulgadas são invenções, mas as interpretações carregam no ataque aos alvos políticos pré-determinados.

Em todos os casos, viceja uma “coerção calibrada” pelos novos governantes. Temos aqui no Brasil alguns protótipos recentes, em especial, governadores que se jogam para angariar o espólio de Jair Bolsonaro.

Não é o caso dos exageros cometidos por jovens parlamentares arrivistas, muito mais agressivos e que comumente ultrapassam as linhas do razoável para poder aparecer. No caso dos “doctors spin”, a sutileza é sua arma, o confronto é indireto e a estampa de competência e celebridade é construída.

Com a vitória da extrema-direita nas eleições europeias deste final-de-semana, teremos possivelmente mais exemplos deste novo tipo de tirania e manipulação política. Nos países nórdicos, mais uma vez, o risco é bem pequeno. Mas, na França, aquela da revolução que destruiu a monarquia, há enormes chances do próximo primeiro-ministro adotar este figurino."

sábado, 27 de abril de 2024

RAÍZES DO ÓDIO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

RAÍZES DO ÓDIO
ONDAS DE ÓDIO
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(Teaser do Onda de Ódios, 20/02/2024)

Ondas de ódio é uma série de podcasts para você entender o papel que a televisão teve – e tem – na ascensão da extrema direita e na normalização do discurso de ódio no Brasil. Para além do inegável protagonismo das redes sociais, queremos compreender como o meio de comunicação mais popular do país contribuiu para a crise atual da nossa democracia. Vamos tratar da histórica convergência de valores e interesses entre políticos e donos de emissoras, programas jornalísticos populares e de entretenimento, apresentadores e comentaristas da TV aberta. Nossa escuta não se restringe aos fatos recentes e que culminaram em mais uma tentativa de golpe. Voltaremos no tempo, abordando desde as raízes clientelistas do nosso sistema midiático até o processo de formação da nossa sociedade, marcado por desigualdades e violências estruturantes, para desvendar os entrelaçamentos atuais entre discurso de ódio, mídia e política.

Essa é uma série que apresenta os primeiros resultados da pesquisa de doutorado Discurso de ódio na TV: a legitimação da retórica bolsonarista através do ataque à dignidade humana, às instituições e à democracia, desenvolvida no Programa de Pós-graduação da Escola de Comunicação da UFRJ por Rosangela Fernandes, coordenadora do CRIAR Brasil, e coorientada pelo professor da UFJF, João Paulo Malerba, ambos narradores, roteiristas e idealizadores da série.

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https://youtu.be/rHUQdudrx0k?si=aAqt0mYvN8yM8BVs (Podcast Ondas de Ódio - Episódio 1, 20/02/2024)
https://youtu.be/5qCiOOH4ARs?si=p7myJC6wq91mslXp (Podcast Ondas de Ódio - Episódio 2, 20/02/2024)
https://youtu.be/YcW3pFwuFng?si=EbHui6GgDC3faKlE (Podcast Ondas de Ódio - Episódio 3, 20/02/2024)
https://youtu.be/nJoQ3BKDjLA?si=mCqBSL1hzX5Uc2oB (Seminário: "Palavras Matam. Como enfrentar a Desinformação e o Discurso de Ódio", 06/06/2023)
https://www.brasil247.com/blog/sobre-o-odio-voce-autoriza (Brasil 247: Blog de Rosangela Fernandes, Coordenadora Criar Brasil/Pesquisadora PEIC/UFRJ, 28/10/2022)
https://www.brasil247.com/blog/e-preciso-falar-sobre-a-ditadura-militar-e-sobre-a-conivencia-da-midia (Brasil 247, 30/03/2023, atualizado em 31/03/2023: por Isabelle Gomes e Rosangela Fernandes)
https://www.brasil247.com/blog/o-alivio-de-2023-s5b6bg4x (Brasil 247: Rosangela Fernandes, 29/12/2023)
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segunda-feira, 8 de agosto de 2022

DIZEM AS MÁS LÍNGUAS QUE O BOZO AMARELOU * Camilo Vannuchi/Colunista do UOL

DIZEM AS MÁS LÍNGUAS QUE O BOZO AMARELOU

Jair Bolsonaro tem até o dia 15 para se tornar candidato a deputado.
Camilo Vannuchi/Colunista do UOL

Vai por mim, presidente. Pensa nos teus filhos. Pensa na tua esposa. A melhor opção que você tem, talvez a única, é disputar uma vaga na Câmara. E você só tem dez dias para bater o martelo. O prazo para registrar a candidatura acaba no dia 15.

Não vou dizer que é conselho de amigo, porque estaria mentindo. Mas, cara, é só analisar os dados. Coisa de vagabundo da USP? Não! Analisar dados é tipo inspecionar o terreno, reconhecer o exército inimigo, saca? Estratégia, capitão!

Bom, em primeiro lugar, tem o fator Lula. Ele é foda. O cara ia ganhar de você quatro anos atrás, você sabe, sem nem pôr os pé pra fora da superintendência da PF. Bom, em primeiro lugar, tem o fator Lula. Ele é foda. O cara ia ganhar de você quatro anos atrás, você sabe, sem nem pôr os pé pra fora da superintendência da Polícia Federal. Agora, rodando o país, não tem escapatória. A campanha nem começou e ele já bateu nos 47 pontos. O recorde de intenção de votos que você teve no primeiro turno de 2018 foi 36 pontos, lembra? Tanto no Ibope quanto no Datafolha. Percebe o enrosco? E não é só o Lula, não. Os caras se uniram, capitão. Tá tudo armado. Tem assinatura pra dedéu naquela carta pela democracia. Fora um monte de partidos e uma cambada de artista apoiando. A propósito, acho que você bobeou. Devia ter esculhambado menos a Lei Rouanet. E a Anitta também. Acabou se queimando também entre os mais jovens. Sem falar no Nordeste. Ali, tá tudo dominado. Só proibindo essa galera de votar? Que é isso, capitão? Não fala um troço desse nem de brincadeira. As paredes têm ouvidos..

Presidente, tô falando essas coisas pro seu bem. Minha vó dizia que, quanto maior a queda, pior o tombo. A Janja que me desculpe, mas o cara é sedutor demais. Só falta conquistar os votos dos ciristas. E olha que eu não duvido nada. Mas é aí que entra o segundo fator para ser analisado: o xadrez.

Não, presidente, eu sei que você não joga xadrez. Me refiro à cadeia, prisão, xilindró. Você sabe que, sem o foro privilegiado, pode rolar um indiciamento, um pedido de busca e apreensão, uma condução coercitiva e até uma prisão preventiva. Já pensou? Imagina você sem cargo nenhum, nem no Parlamento. São 32 anos com mandatos ininterruptos e, de repente, cataploft. Vai arriscar? Pensa nos meninos. Pensa na patroa.

Olha, capitão, eu até consigo entender que você, no fundo, esteja doido para ficar sem mandato. Imagina, que maravilha! Passeio de moto todo dia, churrasco no Vivendas da Barra, sem aquele bando de jornalista pegando no seu pé. Convenhamos que você nem trabalhou tanto assim nesses últimos anos - desde o primeiro mandato como deputado, na real -, mas não dá para exigir que todo político tenha o pique dos caras da esquerda. De qualquer forma, cara, acho melhor não bobear. Não é hora de querer descansar. Não agora.

O melhor que você tem a fazer é garantir um mandato, pelo menos mais um, não importa o cargo. Em pouco tempo, o brasileiro vai voltar a comer, a economia vai voltar a girar, os preços vão baixar e logo essa gente vai se esquecer de você. Até o Alexandre de Moraes vai se esquecer de você, tenho certeza. Mas, nesses próximos quatro anos, você não pode baixar a guarda. Por isso insisto: volta pra Câmara, presidente.

Os gabinetes no Legislativo não são tão espaçosos e aconchegantes quanto o do Palácio do Planalto, eu sei. Também fazem falta os cartões corporativos da Presidência da República. E nenhum apartamento funcional chega aos pés do Alvorada. Mas logo você se acostuma. Cara, foram 28 anos circulando por ali, não é possível que você não sinta saudade. Nenhuma? Aliás, tem muito parlamentar que vai ficar feliz em ver você de volta. Talvez não sejam tantos, mas certamente haverá alguns. Bom, pelo menos o Zero Três.

Não, presidente, ninguém vai dizer que você amarelou. Nem que você deu uma fraquejada. É só você falar que existe um complô contra você, que o STF é o maior partido de esquerda do Brasil, tudo isso que você tem feito. Já sei: compara com o Trump. Você vai sair aplaudido, um mártir da liberdade de expressão e contra isso tudo que está aí. E ainda por cima com a glória de ser o deputado mais votado do país. Ah, capitão, tive um insight! Não, presidente, eu sei que você não fala inglês. O que eu quis dizer é que tive uma ideia, me acorreu um pensamento. Sabe aquela parede em que você exibia os retratos de todos os presidentes da ditadura, todos os militares? Pois é, agora você também vai poder pendurar um retrato seu ali! Não é o máximo?

Vai por mim, presidente. Bolsonaro pra deputado federal! Já reserva o número 2222 antes que alguém pegue. Esse é bom de decorar. São quatro patinhos na lagoa. Você ainda pode encomendar uma vinheta com cinco patos de verde-e-amarelo fazendo arminha no espelho d'água do Congresso. Olha que genial. Quem precisa de Steve Bannon? Ah, também pode tirar foto pra campanha fazendo o número 2. Não, presidente, não é pra tirar foto cagando. É pra mostrar dois dedos pra foto, tipo o V da vitória. Eu, hein.

Pensando bem, será que não é mais prudente concorrer à Assembleia Legislativa?
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domingo, 17 de julho de 2022

Bolsonaro é terrorista * Fernando Horta/BRASIL247

 Bolsonaro é terrorista

Fernando Horta

10 de julho de 2022

brasil247.com

É preciso chamar as coisas pelo nome. Passamos anos chamando fascistas de “coxinhas” e, de alguma forma, me parece que demos tempo demais para essa gente se organizar, naturalizando monstruosidades com tom de humor.


De fato, precisamos abrir os olhos. Quaisquer ações que impliquem no uso da violência para atacar a sociedade civil (ou suas instituições) com objetivos políticos ou com a restrição de alguma das garantias estabelecidas em lei é sim terrorismo. A ação pode ser pensada para efetivamente causar dano (como bombas em garrafas pet, ou ataques com drones em comícios políticos) ou visando apenas incutir medo na população toda ou parte dela. Se, nos últimos dias, as ações em comícios e atos políticos e Lula SÃO SIM enquadradas como terrorismo, é preciso reconhecer que as ameaças contra as instituições, feitas pelo próprio Bolsonaro e seu filhos, também o são.


A forma de agir político de Bolsonaro não mudou ao longo do tempo. Sempre foi terrorista. Ele foi expulso do exército exatamente por esse motivo. O processo desta expulsão termina num grande “acordão” em segundo grau, garantindo que Bolsonaro não iria continuar no exército mas dando a ele os proventos da reserva. O gesto que fez nascer o líder fascista brasileiro é um acordão político, realizado nas instâncias superiores do judiciário militar para que um militar não aparecesse novamente ao povo brasileiro explodindo coisas. Bolsonaro foi para a reserva em 1988 e o atentado ao Rio-Centro (outro momento em que militares foram pegos planejando explosões terroristas no Brasil) ocorreu em 1981. O esforço para fazer parecer que que os militares envolvidos no atentado ao Rio-Centro eram “lobos solitários” poderia ir por água abaixo com um capitão-terrorista explodindo bombas nas vilas militares em troca de “aumento de salário”. Além disso, no início da redemocratização, não estava claro se os civis iriam manter o acordo velado de não investigar nem punir nenhum militar pelos crimes cometidos entre 1964-1988.


Aqui, quero um pouco mais de atenção do leitor. Temos os três níveis possíveis de atos terroristas em exercício, hoje, no Brasil. Por um lado, o terrorismo de Estado, engendrado pelas autoridades que ameaçam instituições ou garantias individuais pétreas (como faz TODO DIA Bolsonaro), que sonegam informações públicas com o objetivo (ou resultado) de promover medo e mortes (como Bolsonaro fez durante a pandemia) ou que usam as ferramentas de violência do Estado não para proteger o corpo social, mas para ameaçá-lo. Terrorismo de Estado que Bolsonaro aprendeu exatamente com os militares no regime ditatorial iniciado em 1964.


Por outro lado, já temos no Brasil grupos organizados e perpetrando ações terroristas. Os assaltos espetaculosos a bancos que o Brasil viu nos últimos anos não são apenas assaltos. Na prática de amarrar reféns no capô de carros, de usar sirenes e luzes para amedrontar a população, fechar ruas e atirar a esmo para o alto está claramente estampada a vontade de gerar medo e incutir desespero na população. É terrorismo. Jair Bolsonaro armou, com suas políticas criminosas, toda uma quantidade de loucos e insanos que estão organizados em “clubes de tiro”, de clubes de colecionadores de armas, mas que são – de fato – grupos paramilitares organizados a serviço do fascismo de Bolsonaro esperando apenas “uma ordem do capitão”. São esses grupos que estão “testando a água”, fazendo explodir artefatos em comícios da esquerda. Estão treinando terroristas de baixo dos nossos narizes. Testando engenhocas e práticas para quando surgir a oportunidade serem mais efetivos e mortais. Essas organizações criminosas são parte da base de apoio do presidente fascista e já estão organizadas para serem a vanguarda dos ataques contra a democracia. São compostas por pessoas com efetivo treinamento militar e policial ou apenas idiotas úteis que se pensam serem o Rambo (e são incentivados a isso) para “dar a vida pelo Brasil”. A lógica doentia do ultranacionalismo ensinado pelos velhos quarteis é nada mais do que um adágio fascista há muito usado por Hitler e Mussolini.


O ponto aqui é desvelar o terceiro nível do terrorismo numa sociedade: o nível dos “lobos solitários” dispostos a “fazer sacrifícios” pelo capitão. Jorge José Rocha Garanho, o policial federal que invadiu e assassinou o petista Marcelo Arruda provavelmente, em seus últimos minutos de vida (eis que também foi alvejado) realmente acreditou que estava morrendo “por uma causa nobre”. “Matar um comunista” é algo nobre para os apoiadores do fascista-presidente. Bolsonaro diz, prega e incentiva isso a todo momento em todas as suas falas. A doença social transmitida por Bolsonaro já chegou na cabeça dos mais insanos dos seus apoiadores que estão dispostos sim a invadir festas de aniversário, matar e morrer, pela ideologia fascista que Bolsonaro representa e professa. Assim como o louco do atirador Jorge Garanho, milhares de indivíduos perversos estão esperando a oportunidade para fazer atos semelhantes.


É impossível prever onde e quando isso vai voltar a acontecer no Brasil. O certo é que vai. E o responsável direto por tudo isso é Jair Bolsonaro. Bolsonaro nunca mudou sua forma de operar. Foi sempre um terrorista. Antes, a serviço dos militares. Passou a usar seu aprendizado para objetivos políticos pessoais e foi expulso pelo exército. A instituição, porém, preferiu se proteger, entregando um louco perverso à sociedade sem nenhum demérito.


O resultado serão 90 dias de medo até as eleições. O presidente sonha com levantes de seus apoiadores atacando mesários e seções eleitorais para que ele possa tentar evitar a derrota em primeiro turno. Os sonhos de Bolsonaro deviam, há muito, estarem sendo construídos na Papuda. A prisão é o local que terroristas devem ficar, sendo ou não um ex-presidente. 

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quinta-feira, 28 de abril de 2022

OS MOTIVOS PARA O CRESCIMENTO DA EXTREMA-DIREITA ENTRE OS POBRES NA FRANÇA E NO MUNDO * HEITOR SILVA.RJ

OS MOTIVOS PARA O CRESCIMENTO DA EXTREMA-DIREITA ENTRE OS POBRES NA FRANÇA E NO MUNDO
HEITOR SILVA.RJ

O quadro acima mostra que a candidata da extrema-direita na França foi a favorita entre os trabalhadores de mais baixas rendas. Lembramos que além dos que votaram na Le Pen ainda houve 28,3% dos eleitores que não compareceram para votar, ou seja, mais de 1 em cada 4 franceses se recusa a acreditar no sistema eleitoral.

Este não é um fenômeno francês, há uma tendência mundial de ampliação dos votos dos mais pobres na extrema-direita. Por que aqueles que defendem a concentração de riqueza, os que não dão valor a vida humana, conseguem os votos dos mais pobres?

A resposta está, ao nosso modo de ver, na incapacidade da esquerda de garantir emprego, perspectiva de vida ou de apontar para mudanças, o que abre uma insatisfação dos mais prejudicados que só encontram como contestação do status-quo a extrema-direita. A dificuldade é que eles não percebem que o ataque da extrema-direita a democracia não é para ampliar direitos, mas para ampliar a exploração dos trabalhadores.

A esquerda vem se comportando não como parteira de uma nova ordem, mas como guardiã de uma ordem injusta e recolhe a repulsa daqueles que mais sentem na pele as injustiças.

Para fazer frente a extrema-direita precisamos de uma esquerda que também queira, pense e trabalhe pela mudança, mas não mudanças cosméticas, mas sim mudanças radicais.
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sábado, 23 de abril de 2022

AS FORÇAS ARMADAS FORAM AO PARAISO * Adão Alves dos Santos / SP

AS FORÇAS ARMADAS FORAM AO PARAISO

FORÇAS ARMADAS E BRASIL, O CASAMENTO QUE NUNCA HOUVE!

 (CRÔNICAS PARA DESEMBURRECER TOMO DCCXXVI)

Os patéticos pronunciamentos de militares e, inclusive de um ministro do STM, debochando da existência da tortura, ignoro aqui as falas do inqualificável despresidente. 


Se eu lembrasse apenas do período da minha vida, não poderia generalizar, já que o Marechal Lott, morreu com as poupanças fruto de soldos militares e só.


GOLPE DE 1964

Mas falando especificamente das forças armadas, sou sempre levado a refletir sobre o DNA, destas forças, o dia 19/04, dia do excercicio, em homenagem ao Duque de Caxias, nos leva de imediato à guerra do Paraguai, onde as marcantes cenas do Conde D'eu, genro do imperador branindo  sua espada atrás de mulheres e meninos pelas ruas de Assunção, mesmo depois da rendição do exército paraguaio, não é necessariamente um exemplo de dignidade, voltando então ao DNA das tais forças armadas, "um grupo de mercenários ingleses", que alugavam suas armas onde houvesse conflito, mas sempre fiéis a coroa.


No Brasil, o papel constitucional das forças armadas deveria ser a defesa das legislação, no entanto, aqui voltando apenas aos últimos sessenta anos, período em não preciso de livros de história para contar, o papel destas forças, sempre foram o golpe, sempre alegando uma questão ideológica, que se houvesse, não seria papel dos militares interferir, repito, se houvesse, o tal medo da inexsistente ameaça comunista, não havia em 64, como também não houve em 2016, e não há hoje, quando os militares se colocam inclusive com terceira via, nossa pergunta continua, terceira via, ou só uma variante da via nazi-fascista?


Tortura é crime hediondo, onde a própria defesa se constitui crime, punível com prisão.


Adão Alves dos Santos

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