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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

O LEGADO MILITAR BRASILEIRO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

O LEGADO MILITAR BRASILEIRO
TERRORISTAS IDENTFICADOS NO EXÉRCITO!

Não tem nenhum sentido,
As forças armadas,
Ter poder moderador,
Perante a sociedade...
O poder legislativo,
O executivo e o judiciário;
Junto ao povo,
Não pode permitir;
Que os militares,
Tenham esse poder.
Afinal, o que cabe aos militares,
É atuar nas fronteiras.
Sem o inesplicavel poder moderador.
Cabe aos três poderes,
Cada um em seu papel,
Agindo dentro da lei...
Os três poderes,
Com o aval do povo;
Por sua vez, não pode permitir,
Que se repita, os horrores
praticados...
Pelas forças armadas:
Que ultrapassando os limites:
Tem praticado golpes militar;
Atendendo as altas elites ...
De grupos parasitários;
Carrapatos e sanguessugas,
Que na usura, e na ganância,
Sugam o proletariado.
Principalmente os que produzem,
Na linha de produção.
Seja no campo na agricultura,
E, nos complexos industriais.
Ganhando o mínimo,
Para se manterem vivos;
Sofrendo na pindaíba.
Imposta no sistema selvagem.
Que roubando a mais valia,
Dos calejados operários,
Pilham fortunas exorbitante;
Sugando os operários;
Que quando decidem,
Pedir o justo, reajuste salarial:
Pelos empresários,
Os operários são surpreendidos.
Atacados por estupidos policiais,
Que chegam para torturar.
Os operários são agredidos.
Por policiais!
Que atuam a serviço,
De grupos empresariais;
Que acionam a polícia,
Para bater nos operários.
Como fizeram agindo,
No golpe de sessenta e quatro:
Perseguindo, prendendo,
Torturando e matando, líderes sindical.
Trabalhadores e professores,
Na ditadura foram torturados,
Por generais terroristas;
Em defesa do grande capital.
Todos os jagunços terroristas;
Recente, identificados no exército,
Precisam ser punidos.
E, expulsos da corporação!
Sendo poupado aqueles,
Corretos generais no seu exercício,
Que compre com o seu papel;
Se afastando dos terroristas.
Inimigos do proletariado.
Ficando os defensores do Brasil,
E, dos brasileiros explorados,
No selvagem capitalismo.

José Ernesto Dias
São Luís, 25 de novembro de 2024 – São Luís - Maranhão
QUEM MATOU TANCREDO
*
A ENCRUZILHADA

Chegamos a uma encruzilhada, a encruzilhada da história!
Caminhada difícil e lugar perigoso!
A tentativa fascista de um golpe de estado militar incruento será
um marco indelével na nossa história e demonstrativo do que é capaz o fascismo!
O fascismo não é um movimento político, o que já se sabe, mas um movimento terrorista retrógrado.
Benito Mussolini, o arquiteto do fascismo italiano, o Duce, pretendia voltar ao antigo Império romano.
Retroagir na história mais de mil anos. Absurdo!
Adolf Hitler pretendia o mesmo, com o seu Reich de três mil anos.
O fascismo brasileiro, atual, que tentou um golpe militar sanguinário, tinha como projeto assassinar o Presidente Lula, Presidente da República e o vice presidente, Geraldo Alckimin.
Além de prender e assassinar o ministro do STF, Alexandre de Moraes, queria regredir, aos tempos da ditadura militar, com todas as suas consequências:
repressão, torturas, casas da morte e assassinatos políticos!
Do que foi dito até aqui, fica bem entendido que o fascismo não é um adversário político, mas um inimigo jurado da democracia e da liberdade!

Os fascistas não têm escrúpulos!

E mais, esse fascismo que nos ameaça tem uma aliança estreita com
o crime organizado, as milícias. Tornando-se mais perigoso e agressivo!
O inquérito da Polícia Federal pois a nu toda a trama golpista!
Os golpistas estão cercados, mas não estão derrotados, destruídos!
Estão choramingando, sem motivo! Pedindo para serem perdoados.
Nenhum dos que estão presos foram torturados, não enfrentaram
a câmara de torturas, o pau-de-arara ou a cadeira do dragão!
Tortura que foi sempre defendida por Bolsonaro, com licença da palavra!
Os direitos humanos defendidos por petistas, socialistas e comunistas
os livraram das torturas!
Falam em anistia para pacificar o país, mas a paz proposta
pelos fascistas, é a paz dos cemitérios!
E isto é total e absolutamente inaceitável!
E. P. Cavalcante
Capitão de mar e guerra, ap. do Corpo de Fuzileiros Navais
Pesquisador da história militar. Rio de Janeiro, em 30 de novembro de 2024.
Se você achar este texto importante tem o dever de repassá-lo
a todos os seus contatos!

REINÍCIO CAVALCANTE, 
UM COMBATENTE ANTIFASCISTA
VIVA A LIBERDADE!
*
REDENÇÃO DE UMA PRISÃO

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

PROJETO MILITAR-FASCISTA DE CONQUISTA DO PODER NO BRASIL * CEP MAGALHÃES-SP

PROJETO MILITAR-FASCISTA DE CONQUISTA DO PODER NO BRASIL

O projeto de conquista do estado brasileiro pela direita fascista, segue historicamente uma lógica e protocolos estritamente militares. Sempre foi assim e continua sendo apesar das aparências pretensamente republicanas que o Brasil apresenta. As forças armadas, especialmente o exército, desde a sua criação, a partir da tarefa de capitães do mato/jagunços a serviço da casa grande, latifundiários, oligarquias etc., hoje representados pelo OGROnegócio, na perseguição, na prisão, nas torturas e assassinatos dos escravos que fugiam, passaram a ser o principal vetor na repressão, no controle social e no apoio militar, político e logístico dos governos, desde o império até as três repúblicas que o Brasil teve (primeira de 15 de novembro de 1889, data do primeiro golpe militar no país, até a ditadura de Vargas; do final da segunda guerra, fim do Estado Novo - 1945 - até o golpe civil militar de 1964; e de 1985, final formal da ditadura, até os dias de hoje).

Claro que os militares que sempre desejaram ser poder, estar no governo, influenciar e mandar no país sob a justificativa de atuarem como um poder moderador, algo inexistente em qualquer República, jamais deixaram de lado essa proposta, esse projeto secular. Querem porque querem mandar e terem todos e mais alguns privilégios do mando, por serem governo. Usam e abusam das desculpas esfarrapadas de defenderem o país, a sua gente, a soberania, as fronteiras, de morrerem pela Pátria, pela bandeira e pela Constituição. Pura fanfarronice, encenação de algo que nunca fizeram e que nunca farão. Os brinquedinhos de guerra que possuem, armamentos e equipamentos, de maneira geral importados e de segunda mão, são insuficientes para enfrentar qualquer força armada minimamente equipada.

Só como comparação, a batalha de Stalingrado (1942/1943, durante a segunda guerra mundial), onde milhões de soldados alemães e soviéticos morreram em pouco mais de um ano de conflito, concentrou recursos materiais e humanos que jamais as forças armadas brasileiras conseguiriam ter. A quantidade de gente, equipamentos, armamentos, munição etc. envolvidos e utilizados nesse conflito, que resultou na primeira vitória aliada contra as, até então consideradas invencíveis, forças armadas alemãs, representa uma escala absurda de tudo que se possa imaginar, algo inimaginável para as forças armadas do Brasil.

Isso significa que todo poderio bélico (equipamentos e soldados/oficiais) tem apenas um objetivo: ocupação e controle político militar do Brasil. O País sempre foi uma região invadida, ocupada, controlada e manietada pelas suas próprias forças armadas, como se os milicos fossem uma força militar internacional com o propósito de controlar o país. Essa força militar, armada e equipada para essa função, defende interesses contrários aos da população. É uma força policial que faz qualquer coisa para manter cativos e obedientes a maior parte do povo, especialmente os escravos modernos de todas as cores (pretos, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, gente pobre etc.), grande parte presos nas modernas senzalas, as favelas e periferias.

Modernamente, os milicos não mais se apresentam publicamente como os mandantes ou como faziam antes, como os que prendiam, torturavam, matavam e desapareciam com os corpos dos opositores. Não precisam mais executar essas desagradáveis tarefas que tanto prejuízo trouxe à imagem dos militares, que sempre preservaram uma aparência de serem éticos, responsáveis, honestos, cumpridores das leis, anticorrupção e defensores intransigentes da pátria. O processo de militarização da segurança pública, iniciada em 1967-1968 durante a ditadura de 64, com a criação das PM como braço armado do exército atuando na sociedade, na repressão pretensamente policial, mas totalmente militar, foi se aperfeiçoando ao longo das décadas. Hoje, não só existem as PM, mas também tem a Polícia Civil, cada vez mais militar; a Força Nacional; as GCM militarizadas nos municípios; e agora a Polícia Penal, criação paulista do governador miliciano militar.

O cenário atual é fundamentalmente militar no controle da sociedade. Mesmo os governos ditos progressistas batem na mesma tecla de que a única forma de aumentar a eficiência da segurança pública (sic) é aumentar efetivos, mais equipamentos, mais treinamento/adestramentos dos soldados travestidos de policiais (ver o programa de governo do candidato Boulos a prefeitura de São Paulo, no quesito segurança pública) etc. De concreto, o país vai paulatinamente se transformando numa sociedade militarizada, onde quase tudo tem a ver com militares. Não só na educação pública (projeto de escolas cívico militares é peça fundamental do projeto fascista militar de conquistar corações mentes das pessoas), mas também na forma como os milicos se apresentam às pessoas. Não mais aparecem como os donos do poder, mas ficam na surdina, como eminências pardas, controlando e apontando o que e como fazer. A aparência é de respeito à democracia, se curvam ao poder civil, tecem loas ao judiciário, mas na prática mantém as rédeas do governo em suas mãos.

O destino manifesto dos militares, em especial o exército, sempre foi e continua sendo, serem poder. Um poder moderador que controla e influencia tudo que os governos, principalmente os mais progressistas ou aqueles considerados comunistas (a lógica da guerra fria jamais saiu das mentes distorcidas dos milicos brasileiros), tem que fazer. Defender o Capital, os bancos/sistema financeiro nacional e internacional, os interesses multinacionais, o departamento de estado americano, o OGROnegócio e fundamentalmente a corporação militar para que possam usufruir de ganhos financeiros (altos salários, privilégios de todos os tipos, aposentadorias especiais e integrais, sistema de saúde próprio etc.) tornam de fato os militares brasileiros mercenários por excelência. A diferença é que ganham muito dinheiro para destruir e controlar o próprio país e sua gente.

 Qualquer outra coisa é conversa para boi dormir...

terça-feira, 9 de abril de 2024

Após reportagem do Plural, UFPR revoga títulos Honoris Causa de ditadores * Aline Reis/UFPR

Após reportagem do Plural, UFPR revoga títulos Honoris Causa de ditadores

Em junho do ano passado reportagem do Plural revelou a existência dos títulos de doutor Honoris Causa a agentes da ditadura. À época reitor Ricardo Marcelo Fonseca disse que levaria questão ao Conselho Universitário

Nesta segunda-feira (01) a Universidade Federal do Paraná (UFPR) revogou títulos de doutor Honoris Causa a agentes da ditadura cívico-militar no Brasil. A ação aconteceu nove meses depois de a reportagem do Plural revelar a existência de tais homenagens, após uma denúncia de um servidor.

O Conselho Universitário da Universidade Federal do Paraná (Coun) se reuniu nesta tarde e cassou os títulos de Humberto de Alencar Castelo Branco; em 18 de setembro de 1968, ao presidente Artur Costa e Silva; e em 13 de janeiro de 1976 (com a entrega ocorrendo em 16 de janeiro de 1981), ao presidente Ernesto Geisel, conforme revelou Plural.

À época o reitor Ricardo Marcelo Fonseca disse que desconhecia a existência dos títulos até ser contatado pelas repórteres do jornal. Depois declarou que analisou pessoalmente a documentação que já havia sido checada pela equipe (veja aqui) para pautar a revogação no Conselho.

Dia do Golpe

“Este é também o momento de reafirmar o compromisso da Universidade Federal do Paraná com a Justiça: termo milenar e cheio de significados, termo que em tantos momentos já serviu para implementar o seu exato oposto (a injustiça), termo complexo e equívoco, mas que aqui é usado num dos seus sentidos mais fortes, o de reparação” […] “Isso se constitui num dever nosso, um exercício absolutamente necessário”, diz texto publicado por Fonseca (leia a íntegra aqui).


FONTE
***

segunda-feira, 18 de março de 2024

Especial 60 anos do Golpe Militar com João Vicente Goulart * Trus Entrevista

Especial 60 anos do Golpe Militar
João Vicente Goulart
Trus Entrevista
13 DE MARÇO DE 1964
O Brasil Perdeu a Guerra Fria em 1964 por João Vicente Goulart

Nesta solenidade sobre a resistência, a contribuição que a família Goulart pode oferecer - é suscitar o debate de que está na hora de admitir que o BRASIL perdeu a Guerra Fria. Após 40 anos da perda da nossa soberania, podemos encerrar a controvérsia, pois com a desclassificação dos documentos secretos norte-americanos estão definitivamente comprovados o patrocínio estrangeiro do golpe militar e o tamanho da farsa orquestrada em 01 de abril de 1964. Quantas calúnias, injúrias e difamações sofreu a memória de meu pai, João Belchior Marques Goulart? Hoje, uma compreensão mais exata do processo de perda de nossa soberania demonstra de forma inequívoca que Jango foi sábio o suficiente para recusar uma guerra civil sangrenta planeada para quebrar a unidade nacional. Jango não teve como evitar a derrota de nosso país, mas é o maior responsável pela integridade nacional que ainda perdura!

Sim, o objetivo estratégico do golpe de 01 de abril de 1964 era uma guerra civil que inviabilizasse o nascimento de uma nova potência mundial no hemisfério Sul do planeta. Esta era a previsão da CIA e mais uma etapa da guerra fechada promovida contra o nosso país desde 1945. Ora, as dívidas de sangue não se apagam. Onde existem dívidas de sangue morre o bom senso, ninguém perdoa ninguém. Uma guerra civil sangrenta teria por resultado o separatismo ou o Brasil se transformaria num Líbano. Era a morte certa da 4ª. potência mundial.

Talvez poucos brasileiros tenham registro na memória que a popularidade de João Goulart na época do golpe militar alcançava a cifra de 80% (oitenta por cento) do eleitorado. O apoio de grande parte das forças armadas pode ser medido pelo fato dos golpistas precisarem afastar mais de 4.000 militares legalistas para consolidar a ditadura. A CIA contava com a resistência legalista!

A proibição de pegar em armas para resistir dada por João Goulart aos legalistas, pegou os mentores do golpe militar desprevenidos, pois do mesmo modo que Getúlio Vargas fez em outubro de 1945 diante do golpe apoiado pelo embaixador Adolfo Eberle, o exílio voluntário de Jango anunciava seu retorno quando o processo democrático fosse restabelecido. Tal como Vargas em 1950!

Daí somos obrigados a rever a morte do Marechal Castelo Branco, um marionete que não conseguiu nem ganhar a eleição para o Clube Militar em 1962, mas tinha assumido o compromisso público e moral de promover eleições democráticas em 1965. Como poderiam deixar o marechal promover eleições e restabelecer a democracia, se sob a legalidade Jango era imbatível?

Este é o legado político de Jango! A integridade Nacional. Ele sabia que por detrás dos traidores da pátria estava a maior potência militar do planeta e que não havia vitória pelo caminho das armas. Jango renunciou ao maniqueísmo estrangeiro que já tinha articulado o separatismo, conforme mostram os documentos desclassificados com a possibilidade de declaração de independência do Estado de Minas Gerais e o desembarque de tropas estrangeiras, caso houvesse resistência dos legalistas contra a insurreição militar!

Jango diminui o tamanho da derrota do Brasil com seu exílio voluntário em 01 de abril de 1964, mas o que precisamos entender é que a queda do governo de João Goulart representou um dos ápices da guerra fechada promovida contra a América Latina. O Brasil era um dos principais baluartes da democracia, da Autodeterminação e Independência dos povos. A queda do Brasil teve um efeito dominó sobre as demais democracias latino-americanas.

O Brasil de hoje precisa entender a extensão da derrota que sofremos. Como aconteceu a perda de nossa autodeterminação e de nossa vontade soberana? Precisa entender que nossa submissão à potência hegemônica foi resultante de uma estratégia de Guerra...

Ora, o que é uma guerra? Clausewitz dizia que "a guerra é mais que um duelo em grande escala. A guerra é um ato de violência que visa compelir o adversário a submeter-se à nossa vontade."

Outro estudioso, Hans Del Bruck teria sido o primeiro a assinalar que como havia duas formas de guerra, limitada ou ilimitada; deduz-se que deve haver duas modalidades de estratégia : a da aniquilação e a da exaustão. Enquanto na primeira a meta buscada é a uma batalha decisiva na forma convencional; na segunda estratégia da exaustão, a batalha representa apenas um dos vários meios utilizáveis, que incluem o ataque econômico, persuasão política e a propaganda para que o fim político seja alcançado.

A estratégia de exaustão não foi concebida por Del Bruck, pois Frederico o Grande já a chamava de Estratégia dos Acessórios e na verdade, o emprego dela tem sido glorificado por séculos. A estratégia da exaustão era chamada de tática da Espada embainhada pelo chinês Sun Tzu que afirmava em seu livro sobre a Arte da Guerra:

"Lutar e vencer em todas as batalhas não é a glória suprema; a glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar".

Especialistas afirmam que o advento das armas nucleares e que o uso da bomba atômica sobre a cidade de Hiroxima praticamente tornou obsoleta a guerra convencional. A estratégia da exaustão passou a preponderar na guerra moderna depois de 1945, sendo realizada por meio de ações indiretas ou espoliativas.

Em que consistem as ações indiretas da estratégia da exaustão? Podemos citar o general romano Flavius Vegetius: "É melhor dominar o inimigo, impondo-lhe a fome, surpresa ou terror do que por uma ação geral, pois nesta a sorte tem amiúde preponderado mais que o valor!".

Do ponto de vista dos especialistas podemos consideramos a guerra fechada uma doença do organismo social e podemos afirmar que os sinais sintomáticos que nos permitem diagnosticar sua existência são: a Miséria, a Ignorância, a Violência, a Insegurança e a Quebra da Autoridade Moral.

A Miséria resulta num quadro de injustiça que impossibilita o crescimento do organismo social, pois estabelece um conflito interno que retira energias da sociedade. Como promover a miséria de outro estado?

No Brasil, historicamente, vem se adiando a Reforma Agrária desde a abolição da escravatura. Uma redistribuição de riquezas que era necessária para nossa pacificação social e um desafio que o Governo de João Goulart resolveu enfrentar porque tinha uma agenda de interesses nacionais a cumprir!

A principal arma utilizada para promover a miséria tem sido a usura. O sistema financeiro nada produz e a cobrança de altas taxas de juros retira todo o excedente de riqueza da sociedade, estanca o crescimento econômico, a criação de empregos e a conseqüente melhora de vida do trabalhador!

Principalmente, depois do Golpe de 01 de abril de 1964, o Brasil vem mantém uma das mais altas taxas de juros do mundo. Mesmo assim, continuamos crescendo, porque o governo de Jango, ao criar meios de financiar do sistema Eletrobrás em 1962, estabeleceu a expansão da matriz energética que sustentou o "Milagre Econômico"!

O bem estar criado pelo "milagre econômico teve pouca duração diante do processo hiperinflacionário da década de 80." Outro exemplo de usura que exauriu recursos e fez cair o padrão de vida obtido pela classe média na década de setenta. Todo nosso excedente de riqueza é drenado pelo sistema financeiro e pelo endividamento do Estado.

A manutenção das altas taxas de juros de hoje não encontra justificativa na atual economia do planeta e é sintoma de que permanecêssemos sob tutela alheia. O Brasil já perdeu tanta riqueza!

Em termos econômicos o Brasil perdeu o "negócio da China". A leitura da crise de 1961 sob o ponto de vista da guerra fechada nos mostra que o objetivo principal da intervenção externa era impedir a consolidação do acordo de Pequim.

Vejamos qual foi a meta econômica visada pela guerra fechada: nós éramos 60 milhões de brasileiros e iríamos exportar para 800 milhões de chineses todo tipo de produto de alfinete à navio - o maior negócio da História da Humanidade!

O assunto era tão sério que o plano de invasão norte-americano do território do Brasil data do ano de 1961. A solução da crise pela implantação do parlamentarismo atendeu os interesses externos, pois entre os poderes do primeiro ministro estava a decisão de ratificar ou não os acordos internacionais...

Alguém quer calcular o tamanho do prejuízo que tivemos ao perder o "negócio da China"? Basta pensar que o segundo país a procurar a China foram os Estados Unidos, quando o dólar deixou de ter lastro em ouro e desvalorizou 70 % gerando uma crise econômica que nunca foi causada pelo preço do petróleo. Nixon foi à China, a guerra do Vietnam acabou e nós perdemos os frutos de um comércio bilateral explorado intensamente pelos norte-americanos desde 1971. Na verdade, o capitalismo brasileiro também foi derrotado a partir da década de 60 mediante uma estratégia de espoliação para gerar miséria no Brasil...

A estratégia da Ignorância também foi utilizada contra o Brasil primeiramente pelo uso da propaganda e da desinformação. Os documentos da CPI do IBADE mostram como a imprensa e os meios de comunicação sofreram uma investida irresistível. A imprensa nacional foi definitivamente contaminada, pois a mesma já vinha sendo utilizada para atacar o trabalhismo de Vargas.

No Governo João Goulart, a propaganda e a desinformação foram intensificadas! Além de derramar recursos em todo território nacional arrendando redações, contratando e demitindo jornalistas fornecendo recursos ao IBADE, a CIA por meio do IPES presidido pelo Golbery enviava um "informativo" semanal para a maioria dos oficiais da ativa das forças armadas, promovendo um recrutamento ideológico e buscando desestabilizar o governo por meio da difamação e da calúnia. O levantamento da pesquisadora Denise Assis, mostra que entre 16 e 1964, foram produzidos 200 filmes de propaganda pró-golpe de 1964. Um filme a cada três dias...

É óbvio que o desmantelamento da Universidade brasileira também pode ser creditado à estratégia da exaustão pelo fator da ignorância, mas o maior exemplo que podemos citar é o fim do programa de alfabetização de adultos criado por Jango em 1963 com o apoio do educador Paulo Freire. Em 1969, os analistas da CIA chegaram à conclusão que o programa de alfabetização precisa ser desativado porque estava levantando o nível de consciência política dos brasileiros...

Dá raiva saber disso, mas é preciso ter consciência de que ele usa o fator da Violência na Estratégia de exaustão para criar a insegurança pública. A insegurança contamina toda sociedade e drena energias que poderiam ser usadas para o bem estar social. Existe um estudo de uma pesquisadora norte-americana que explica que o súbito desmantelamento da polícia comunitária criada por Getúlio Vargas em 1933, a famosa dupla Cosme e Damião, tinha por objetivo desestabilizar a sociedade e favorecer o golpe de Estado com a quebra do aparato.

A retirada do policiamento das zonas pobres e periféricas teria ocorrido nos anos de 1957 e 1958 por influência do FBI e da CIA. Realmente, no ano de 1958, o Morro de São Carlos no Rio de Janeiro desceu para o asfalto para protestar contra a retirada do policiamento comunitário ali instalado há 25 anos: "Se retirar a polícia, a bandidagem vai crescer, seu doutor!".

Uma pesquisa mais atenta dos acontecimentos próximos das eleições de 1960 vai apontar a promoção de diversos atentados à bomba sem autoria e sem explicação! Os documentos secretos em posse do Instituto João Goulart mostram que havia um atentado à bomba planejado para acontecer no comício da Central do Brasil em 13 de março de 1964 do qual os traidores desistiram para não criar um mártir.

Todos estes fatores da estratégia de exaustão trabalham para a divisão e a desintegração do organismo social, mas uma das piores feridas é provocada pela quebra da autoridade moral, pela traição e pela corrupção.

A contaminação das forças armadas brasileiras tem início na Itália e têm entre seus personagens a pessoa de Vernon Walters conhecido pela capacidade de interrogar, quebrar a resistência e converter os soldados alemães em colaboradores. Em 1942, os norte-americanos tinham 11 (onze) centros de inteligência militar instalados no Brasil. Toda rede nazista de espionagem no Brasil foi herdada pelos Serviços de Inteligência norte-americana e monitorada pelo futuro diretor da CIA Allen Dulles. Em 1942, Golbery freqüentava uma academia militar nos Estados Unidos. Em 1943, 03 geólogos norte-americanos foram enviados ao Brasil para fazer um levantamento das jazidas minerais que os Estados Unidos classificaram como reserva estratégica...

A quebra da autoridade moral se dá pelo uso da calúnia. A calúnia tem a natureza do carvão quando não queima suja. Foi intensamente usada contra Getúlio Vargas, pois era preciso desmistificar o "Pai dos Pobres". E para isso se criou uma mentira fortíssima, acusaram Getúlio de mandar uma mulher grávida para os fornos nazistas, quando Olga Benário foi extraditada por ordem do Supremo Tribunal Federal em 1936, antes do Estado Novo.

O delegado Pastor que presidiu o inquérito do atentado da Toneleros está vivo e pode confirmar que o Major Vaz tinha dois tiros cruzados no coração, pelo que existiam dois atiradores de elite, e por conseqüência, podemos deduzir que Carlos Lacerda, o tal que engessou o pé ferido por bala, nunca foi o alvo real...

Golbery esteve presente em todas as insurreições militares desde o golpe de outubro de 1945 até o golpe de 01 de abril de 1964! Golbery escreveu o manifesto dos ministros militares contra a posse de Jango e presidiu o IPES sendo assalariado pela CIA. O corpo de espionagem norte-americano no Brasil inclui o embaixador brasileiro e sua esposa em Cuba em 1961 que recrutaram a irmã de Fidel para trabalhar para a CIA.

O embaixador Pio Correa antes de criar o Serviço de Informações do Itamaraty, fez trabalho de campo como espião para a CIA no México, recebendo elogios da Agência norte-americana em 1964, antes de ser nomeado embaixador no Uruguai para vigiar o presidente no exílio.

Jango foi alvo de uma intensa campanha de difamação. Antes durante e depois do governo foi acusado de comunista. Jango nunca foi comunista, mas como de fato ficou registrado pelo próprio Kennedy em gravações na Casa Branca, admitia que o presidente brasileiro não fosse, mas que esta difamação seria uma das armas usadas contra ele.

Jango foi alvo de mais de 200 processos promovidos para manchar sua reputação e honra, mas se defendeu em todos e provou sua inocência. Jango foi acusado de presidir um governo fraco, mas na verdade a história demonstra que reuniu um ministério de notáveis e desenvolveu um projeto de nação capaz de gerar o desenvolvimento nacional.

A quebra da autoridade moral não está circunscrita a pessoa do presidente João Goulart, foi extendida a todos os homens comprometidos com o nacionalismo e dois anos antes do golpe um relatório do setor de informações já apresentava a lista de todos os homens do governo Jango que seriam caçados e perseguidos em 1964.

Diversas "covers actions" forma promovidas contra o Brasil e a diversificação, o número e os recursos envolvidos são espantosamente altos. O pesquisador Carlos Fico da UFRJ lista dezenas de tipos de ações encobertas no seu livro o Grande Irmão cuja conclusão é pobre, pois responsabiliza os brasileiros pelos resultados de uma irresistível Guerra Fechada promovida por meio de ações indiretas.

A CIA patrocinou a campanha de deputados e senadores que fizeram e/ou permitiram a fraude da declaração de vacância da presidência. A CIA também patrocinou passeatas e usou o manto sagrado de Deus e da Família para recrutar colaboradores em todas as camadas de nossa sociedade. Hoje, estas pessoas, autoridades, senadores, deputados, generais, empresários, funcionários públicos e muitos outros só podem ser considerados inocentes úteis ou traidores na História do Brasil.

O departamento de Estado norte americano e a CIA tiveram de cumprir leis e divulgaram provas suficientes de que Jango é o mártir da causa republicana no século XX. Perdemos nossa soberania em 01 de abril de 1964!

A difícil decisão de Jango de combater o golpe sem fazer uso das armas, preservou nossa integridade territorial. O que fazer? Ficar em silêncio quando finalmente existem documentos que desautorizam a continuidade da Mentira e desnudam a verdadeira face dos golpistas como traidores do Brasil!

A maior autoridade diplomática norte-americana no Brasil de 1964, o embaixador Lincoln Gordon veio ao nosso país em 2002 vender a confissão de que a CIA tinha patrocinado o golpe e a eleição de membros do congresso nacional!

O que fazer? A família Goulart decidiu processar o governo norte-americano que descumpriu sua própria carta constitucional e todos os compromissos de Estado assumidos pelos Estados Unidos da América mediante a subscrição da Carta da OEA.

O Brasil precisa conhecer o valor do Estadista que preservou a unidade nacional, quando a tirania tomou conta do Brasil. Jango precisa receber o desagravo devido ao líder legítimo desta nação que foi alijado da presidência por forças e interesses estrangeiros e de traidores.

O verdadeiro resgate da soberania nacional começa com o desagravo e o reconhecimento públicos do valor da resistência pacífica de Jango contra a insurreição militar dos traidores de nossa pátria que preservou a integridade nacional.

Acreditar que não podemos mudar nosso país e que precisamos nos conformar com a situação é obedecer à psicologia de massa usada como amortecedor pelas forças que atuam para impedir o exercício de nossa soberania!

Acreditamos que, neste momento, a defesa da soberania do Brasil precisa obedecer aos princípios consagrados pela política de Estado de Jango: Resistência Pacífica, Legalidade, Diálogo, Democracia e Justiça Social!

segunda-feira, 4 de março de 2024

BICHOS ESCROTOS VOLTEM PARA OS ESGOTOS * Rossano Rafaelle Sczip / Brasil de Fato

BICHOS ESCROTOS VOLTEM PARA OS ESGOTOS

Quando a direita esbraveja raivosa e odiosamente é porque se está acertando na política.

A correta posição de Lula sobre o genocídio do povo palestino patrocinado pelo Estado de Israel atiçou os cães de guarda do fascismo.

Sempre em prontidão para defender governos algozes, calam-se frente a qualquer atrocidade cometida em nome da ordem injusta e desigual e de seus interesses contra os oprimidos e explorados. Estão sempre à espreita, esperando para se colocarem como os arautos da moralidade e dos bons costumes, mesmo que suas práticas demonstrem exatamente o contrário. Agem, sem cessar, de forma casuística e oportunista, buscando capitalizar politicamente em cima das tragédias humanas das quais são cúmplices.

O posicionamento de Lula despertou vozes que, durante o período mais duro da nossa história recente, compactuaram com as mais incabíveis e impensáveis demonstrações de desprezo pela vida alheia.

Durante uma pandemia que ceifava vidas no mundo todo, acompanhávamos, num misto de incredulidade e impotência, o chefe da nação, Jair Bolsonaro, proferir as mais bárbaras declarações de descaso toda vez que se via questionado sobre as medidas de prevenção e enfrentamento à pandemia de Covid-19.

Aqueles que agora bradam contra Lula por defender a vida de palestinos contra os horrores da guerra de extermínio, a qual Israel parece querer levar às últimas consequências, são os mesmos que reverberaram todos os impropérios e inverdades disseminados por Bolsonaro. Desde os primeiros momentos da pandemia, o inepto procurou minimizar seus efeitos, com falas marcadas por um desprezo arrogante, dando voz aos setores mais reacionários da sociedade, impulsionando o sentimento anti-vacina e anti-ciência próprios de tempos nefastos.

Nazifascismo

Bolsonaro passou todo o período da pandemia debochando das vítimas, atentando contra as medidas sanitárias, além de ter promovido e incentivado toda forma de aglomeração em flagrante desrespeito ao tão necessário isolamento social.

Enquanto fazia tudo isso, nenhuma das vozes que se erguem, agora, contra Lula, foram ouvidas. Tão grave quanto a atitude de Bolsonaro e seu séquito frente a pandemia, foi o seu flerte com o nazifascismo, o qual, em momento algum, causou desconforto ou inquietação entre sua base parlamentar ou seus fanáticos seguidores.

Durante seu mandato, não foram poucas as vezes em que Bolsonaro ou membros do seu governo demonstraram simpatia pelo nazifascimo, e, nem por isso, foram acusados de antissemitismo por aqueles que veem na postura de Lula em defesa da vida dos palestinos um ataque ao povo judeu. Antes mesmo de ser candidato a presidente, em 2015, Bolsonaro tirou uma foto com um sósia de Hitler durante uma audiência pública que discutia o projeto “escola sem partido” no Rio de Janeiro. Existe símbolo maior de antissemitismo que Hitler, mesmo que em um arremedo?

Em 2020, o secretário de cultura de Bolsonaro divulgou um vídeo reproduzindo não apenas um discurso muito semelhante ao proferido pelo ministro da propaganda de Hitler, como a própria estética do discurso. Seu ministro da Educação, encerrou uma postagem numa rede social com uma expressão alemã usada frequentemente por nazistas. Em 2021, Bolsonaro tirou uma fotografia “tietando” a neta do ministro das finanças de Hitler, uma deputada alemã de extrema-direita, anti-imigração e negacionista da pandemia de Covid-19. Outro membro de seu governo, tinha postagens em rede social reproduzindo cartazes nazistas com saudações a Hitler. No mesmo ano, um apoiador de Bolsonaro o abordou fazendo referências ao regime nazista como um modelo educacional a ser seguido, sem que fosse repreendido pelo presidente. Também em 2021, um assessor da presidência foi flagrado em foto fazendo um gesto que expressa a ideia da supremacia branca.

Em 2022, Bolsonaro foi recebido no “cercadinho” por apoiadores com a conhecida saudação nazista do braço direito levantado. Novamente, não houve reprimenda alguma por parte do presidente.

Por que então o flerte de Bolsonaro com o fascismo não resultou em acusações de antissemitimo? Por que querem imputar a Lula um epíteto que, obviamente, não lhe cabe? A direita e a extrema direita se levantaram contra Lula, pois são os representantes dos interesses imperialistas e colonialistas do sionismo, do capital internacional submetido aos ditames dos Estados Unidos da América (EUA), assim como Bolsonaro. Esses parlamentares se convertem, igualmente aos seus congêneres estadunidenses, em porta-vozes do sionismo. A diferença, no entanto, parece ser o fato de que lá, tais parlamentares são financiados para defender Israel. Ou, será que semelhante prática já estaria em execução por aqui?

Durante o governo de Bolsonaro, inúmeros pedidos de impeachment foram protocolados, no entanto, nenhum chegou a ser sequer analisado. Não que não houvesse motivo para tanto. Agora, quando o Brasil retomou a estética civilizada da política, com posicionamentos acertados do presidente Lula em relação à política externa, pautada pela autonomia e integração do sul global, os patrocinadores de toda sorte de desmandos, infortúnios, violências, os cúmplices de atrocidades, aqueles que buscaram subverter o resultado das eleições à força, que ainda ostentam bandeiras nacionais em carros, caminhões, restaurantes, etc., os representantes dos traficantes do agronegócio, das vinícolas escravagistas, dos grileiros invasores de terras indígenas, de mineradores e madeireiras ilegais que devastam as florestas, poluem os rios e assassinam quilombolas, indígenas e sem-terra, que se beneficiaram do golpe de 2016 e do governo Bolsonaro, pretendem, com o pedido de impeachment, obstar o governo e, quem sabe, fazer o Brasil retornar ao período em que a espoliação, a exploração e o desprezo à vida se converteram em normalidade.

Pedido de impeachment

Interessante ressaltar que o pedido de impeachment, que conta com mais de 100 assinaturas, foi proposto por uma deputada flagrada correndo, de arma em punho, atrás de um homem negro, pelas ruas da maior cidade do país. É a mesma que contratou um hacker para descobrir o endereço de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi multada pela disseminação de “fake news”. O mais grave, no entanto, é que o pedido de impeachment conta com a assinatura de deputados cujos partidos, supõe-se, compõem a base aliada do governo. É o caso do União Brasil (UB), com dois ministérios, o Partido Social Democrático (PSD), com três, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), também com três pastas.

Essa situação é extremamente importante, pois demonstra que o golpismo não se desarticulou com a vitória e a posse de Lula. Ao contrário, apenas se recompôs, inclusive dentro do próprio governo, acessando cargos fundamentais do primeiro escalão. Em segundo lugar, ilustra, de forma sem igual, como o jogo da barganha, da concessão e da busca do consenso com o inimigo é infrutífero. Há poucas semanas, Lula sancionou duas leis de interesse dos setores golpistas, dentre as quais, a que amplia as concessões de rádio e TV para um mesmo grupo econômico, concessões sob responsabilidade do ministério das Comunicações, ocupado pelo UB.

Não há possibilidade de “reconstrução e união” nacional com o inimigo, ainda mais quando ele atenta contra as instituições. Essa situação é agravada pela aparente paralisia do movimento social e sindical que têm se ausentado das ruas. No governo passado, dirigentes sindicais diziam não ser possível fazer mobilização porque, segundo eles, estávamos em um “estado de exceção” (como se o Estado burguês fosse outra coisa que não o estado de exceção para o proletariado). Agora, em um governo democrático, mobilizar os trabalhadores, pobres, explorados e oprimidos, pode ser arriscado, pois, se tensionarmos a correlação de forças, poderemos ter um novo golpe. Contribuem, assim, para manter as forças populares reféns da lógica eleitoral e das barganhas palacianas, alimentando o fantasma do golpismo (que exerce em setores da esquerda o mesmo papel que o fantasma do comunismo exerce sobre a direita).

As forças democráticas e da esquerda consequente não podem se eximir da disputa política e, muito menos, abandonar os seus ao infortúnio solitário do enfrentamento ao fascismo, ao imperialismo, ao reacionarismo, etc. Nesse sentido, Jaques Wagner, ao criticar a correta comparação de Lula, entre o Holocausto judeu e o massacre dos palestinos, cumpriu um desserviço tanto para a causa palestina quanto para o próprio governo. Não se deve arredar um centímetro na defesa da justa causa do povo palestino contra o colonialismo israelense.

O estrépito bolsonarista, em nome de uma suposta defesa das vítimas do holocausto, reforça a necessidade da intervenção constante dos movimentos sociais e sindical em favor de suas pautas imediatas e históricas. É preciso tomar as ruas e pautar o governo, o parlamento e a sociedade, recolocando no horizonte dos trabalhadores e trabalhadoras o internacionalismo proletário como bandeira basilar de nossas lutas, assim como a urgência histórica da construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Por outro lado, é preciso combater e isolar a direita e a extrema direita até seu aniquilamento político.

Não seria descabido, também, reescrever o refrão de um dos hinos do rock nacional: “Bichos escrotos, voltem para os esgotos”!

quarta-feira, 12 de julho de 2023

FORÇAS ARMADAS PRA QUÊ * EDSON ROSSI/ISTOEDINHEIRO

FORÇAS ARMADAS PRA QUÊ
EDSON ROSSI/ISTOEDINHEIRO

"Saber que as Forças Armadas brasileiras se incluem na rara categoria global de ter matado mais patriotas que estrangeiros mostra a sua gênese. Em seus 200 anos, o Exército lista mais batalhas contra brasileiros. Doideira, né? Matou nas revoltas todas. Sul. Maranhão. Bahia. Pernambuco. Matou em Canudos. Matou em 1932. Matou na ditadura. Matou em Volta Redonda. Metralhou no Rio. Matar brasileiros parece ser a sina dessa instituição.

O que se confirmou na pandemia. A gestão patético-criminosa de Jair Bolsonaro & Eduardo Pazuello (à frente da Saúde) deve em nome da ética e deste projeto ridículo de Nação virar inquérito. Por atrasar vacinas. Por ignorar a crise de oxigênio em Manaus — enquanto o militar ex-ministro curtia festinha regada à uísque (pelo menos foi o que disse sua ex-mulher, no ano passado). Ou por mandar a Macapá vacinas que deveriam seguir para Manaus. Erro bobo, coisa de 1.000 km. Se na Segunda Guerra os Aliados tivessem o gênio Pazuello como estrategista logístico, em 1944 o desembarque da Normandia aconteceria em Hamburgo.

Isso é o Exército brasileiro. Cujo filhote símbolo mais reluzente é o fujão Jair Messias Bolsonaro. Uma instituição que forma um presidente da República que declara “não te estupraria porque você não merece” é uma instituição falida. Medieval. Ponto.

A frase de Bolsonaro, definitiva e definidora, é a quintessência da ética-técnica-estética desse ser desprezível que simboliza nossas Forças Armadas (com camisa da Seleção e bandeira no pacote). Aliás, uma instituição que além de matar brasileiros gosta bastante de dinheiro, ce n’est pas? Com quase 380 mil militares ativos e outros 460 mil inativos & pensionistas , esse lodo burocrático consome R$ 86 bilhões com a folha de pagamentos. Mais que Educação (R$ 64 bilhões) e Saúde (R$ 17 bilhões) juntas.

Dinheirama para capacitação? Nada. Você sabia que há mais de 1,6 mil militares com rendimentos líquidos acima de R$ 100 mil? Cite aí uma empresa do planeta em que 1,6 mil funcionários colocam na conta limpinhos R$ 100 mil. E teve quem recebeu R$ 600 mil. Que façanha épica faz com que um milico brazuca tenha condições de colocar no bolso 465 salários mínimos em 30 dias? O tal Pazuello, que para a logística dos outros é bem ruim, para a logística em causa própria é gênio: em março de 2022, enfiou no cofrinho R$ 300 mil. Isso explica por que militares brasileiros odeiam comunistas. Porque querem o Estado só para eles.

Então, quando você ouvir político ou empresário dizendo que o problema do País é a educação, responda ‘não’. O problema é militar. Troque cada dois milicos por um professor e este lugar amaldiçoado se transformará no prazo de uma geração. Depois, quando você ouvir político ou empresário dizendo que o problema é a saúde, responda ‘não’. Troque outros dois militares por médicos e enfermeiros e nossa expectativa de vida dará um salto.

Tudo seria só indecência não fosse o dia 8 — iniciado com a tuitada golpista de 2018 do Eduardo Villas Boas. Esse corpo institucional não somente é caro e odeia brasileiros como prevaricou. Ao ser conivente com o assalto aos Três Poderes, mostrou que não precisa existir — Costa Rica e Islândia nem têm —, ou pelo menos deveria ser aniquilado para renascer transformado. Moderno, civilizado, cumpridor de seu papel constitucional. Enquanto não aprender que serve a uma Nação, e não a uma corporação ideologicamente falida, seu papel estará mais contra os brasileiros do que a favor."

GASTOS COM GENERAIS E FAMILIARES
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sexta-feira, 24 de março de 2023

A MINA DE OURO DA MILÍCIA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

A MINA DE OURO DA MILÍCIA

Cerca de mil armas foram apreendidas em Nova Iguaçu, um recorde da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Imaginaram o desespero do clã Bolsonaro, com esse prejuízo gigante para as milícias da sua zona de influência na capital carioca?


PF realiza maior apreensão da história: “Destino das armas eram milícias e facções do Rio de Janeiro”

Foto: PF

Na última sexta-feira (17), a Polícia Federal divulgou imagens da apreensão de cerca de mil armas na Operação Desarmada 3, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e afirmou que a ação realizada na última quarta-feira (15) foi a maior apreensão de armas já realizada em toda a história da corporação.

A região da baixada fluminense onde as armas foram apreendidas vive com forte influência das facções criminosas, escritórios do crime e da milícia.

As armas ainda eram contabilizadas e catalogadas pela Polícia Federal nesta sexta, mas a PF afirmou que são cerca de mil. Entre elas, estão cinco fuzis, três metralhadoras Uzi, diversas carabinas, pistolas, revólver, entre outros, além de milhares de unidades de munição.

O objetivo era apreender o restante do armamento irregular pertencente ao grupo alvo da Operação Desarmada (1 e 2), deflagrada em 15 de fevereiro, no mesmo município, com apreensão de 80 armas.

O alvo são duas lojas que vendiam ilegalmente o arsenal, segundo a investigação.

Na ação desta quarta, policiais federais lotados na Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas cumpriram um mandado de busca e apreensão, deferido pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Nova Iguaçu.
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sábado, 4 de março de 2023

O BANDIDO BOLSONARO E SUA GANGUE MILITAR * GUILHERME AMADO/METRÓPOLES

O BANDIDO BOLSONARO E SUA GANGUE MILITAR
GUILHERME AMADO/METRÓPOLES

*Lula herda 13 militares nomeados para agências no governo Bolsonaro*
*Cargos estratégicos em agências reguladoras no governo Lula incluem supersalário de R$ 51 mil e mandato até próximo governo, em 2027*

O governo Lula herdou pelo menos 13 militares da reserva nomeados durante o governo Jair Bolsonaro para cargos estratégicos em agências reguladoras.
A lista inclui supersalários de até R$ 51 mil e mandatos que vão até 2027, depois da atual gestão.
Os 13 militares trabalharam nas três Forças Armadas e estão empregados em cinco agências reguladoras. Dos 13, cinco são diretores e têm mandatos fixos. Os outros oito foram nomeados por eles em postos de confiança e podem ser demitidos a qualquer tempo.
Essas agências atuam em áreas como combustíveis, saúde e cultura.

BOLSONARISMO CARIOCA

O setor de combustíveis é especialmente sensível ao governo Lula, em um momento em que o Planalto avalia prorrogar a desoneração de impostos sobre a gasolina e o etanol.
As agências são: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq); Agência Nacional do Cinema (Ancine); e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
*Agência Nacional do Petróleo tem sete militares*
A ANP lidera, com sete militares. Rodolfo Saboia é diretor-geral da ANP desde 2020 e foi vice-almirante da Marinha. Com salários de civil e militar somando R$ 48,1 mil, ficará no posto por pelo menos dois anos, até dezembro de 2024. O chefe de gabinete de Saboia é o ex-capitão de mar e guerra Alexandre Grossi, nomeado em 2019 e com salário de R$ 43,5 mil.
A Inteligência da agência é comandada por Mario Menezes, outro egresso da Marinha. Recebe R$ 41,7 mil por mês e foi nomeado em 2019. O ouvidor da ANP, também da Marinha, é Marcos Antonio Souza. Desde 2019, tem vencimentos de R$ 42,3 mil.
*Nas superintendências da ANP, os militares da reserva indicados por Bolsonaro* também marcam presença. O superintendente de Gestão Administrativa e Aquisições é José Antônio Rodrigues, ex-Marinha, que ganha R$ 41,2 mil e despacha no cargo desde 2019. O seu adjunto, também ex-Marinha, é Gustavo da Silva, que foi nomeado em 2021 e tem proventos de R$ 39,1 mil.
Por fim, o coordenador da Superintendência de Segurança Operacional e Meio Ambiente da ANP é o capitão do Exército da reserva Thiago da Silva Pires. Indicado pelo governo Bolsonaro, tem salário de R$ 22,3 mil como civil. O Portal da Transparência não divulga sua remuneração de militar.
*A Anac vem em seguida, com dois militares em empregos estratégicos.*
É a agência que paga o maior salário da lista: R$ 51 mil para o diretor Luiz Ricardo de Souza, que foi major-brigadeiro da Aeronáutica e entrou para a agência em 2021. Souza tem mandato até 2026. O outro ex-fardado é Rogério Benevides, seu colega de diretoria, com vencimentos de R$ 42 mil e indicado em 2020. Fica no ofício até 2024.
*Militar virou diretor nos últimos dias do governo Bolsonaro*
Na Antaq, a nomeação do militar da reserva aconteceu no apagar das luzes do governo Bolsonaro. O diretor Wilson Pereira, egresso da Marinha, foi nomeado em 15 de dezembro do ano passado, nas últimas duas semanas de Bolsonaro e já durante o governo de transição. Pereira ganha R$ 40,7 mil por mês. Tem mandato até depois do mandato de Lula, em 2027.
*Na área cultural, a Ancine também conta com o seu ex-capitão de mar e guerra da reserva:* Eduardo Andrade, superintendente de Prestação de Contas, com salário de R$ 39,4 mil desde 2020. A Aneel, por seu turno, tem desde 2019 o coronel Ubiratã Pickrodt como superintendente de Licitações e Controle de Contratos e Convênios, com vencimentos de R$ 41,8 mil. Na Anvisa, o ex-contra-almirante da Marinha Antônio Barra Torres recebe R$ 47,1 mil e possui mandato de diretor-presidente até dezembro de 2024, quando termina este mandato de Lula.
*Supersalários foram autorizados por Bolsonaro*
Os supersalários desses militares, que ultrapassam o teto constitucional de R$ 39,3 mil, se devem a uma medida de Jair Bolsonaro em 2021. O governo permitiu que militares da reserva pudessem burlar o teto salarial e somar proventos de empregos de confiança no governo com os valores auferidos da caserna. O próprio Bolsonaro, que passou pelo Exército, foi beneficiado.