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domingo, 18 de janeiro de 2026

DITADURA. ORA, DITADURA! * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

DITADURA. ORA, DITADURA!
BOLSONARO NA PAPUDA NÃO TEM PREÇO!
NADA MELHOR QUE GOLPISTA NA PAPUDA
GOLPISTA BOM É GOLPISTA NA PAPUDA

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

BYE BYE DITADURA * Adão Alves dos Santos/SP

BYE BYE DITADURA
"CRÔNICAS PARA ORGANIZAR TOMO MMXXIV"


ENTRE PRAÇAS


a) minha memória vai à base aérea de "Val-de-Cans" os anos eram de chumbo, os corpos mortos "pedaços de carne", não eram vítimas da repressão, ah, ainda estavam vivos, por mero detalhe, já que suas vidas poucos valiam, eles enfrentavam o regime, o regime como em qualquer seita, é soberano.

Eu ouvi tal relato, de um ébrio, no "VER-O-PESO", peguei um táxi, corri para o aeroporto, se houvesse sangue no chão, tinha sido lavado, era inútil minha falsa credencial de repórter, não passou do saguão. Isto no dolorido ano de 1970, depois da copa, depois da seleção, ir a Brasília, tirar fotos com o ditador de plantão, o cara que estava azul, mas, "sentando a pua" slogan nos aviões da FAB, nas campanhas na terra da bota, ah, o presidente era Emílio Garrastazu Médice, um dos mais "tortuosos" e assassinos anos da ditadura, quando voltei ao mercado, nem sombras do ébrio, nem nas minhas viagens seguintes, à terra do Círio de Nazaré.

Apesar, desta, que não é, mina única lembrança ruim de Belém do Pará, lá tenho muitos amigos, lá, participei de "FORUNS SOCIAIS MUNDIAL" e de encontros da educação popular, o bairro da Pratinha, nos muros da base aérea, a cerâmica Marajoara, a casa do seu Bajico e da D. Inês, meus velhos novos amigos, amigos dos tempos dos fóruns, não dos anos de chumbo.

"VER-O-PESO, HANGAR, DOCAS" espaços de concentração popular, praça da República, praça quinze, seus mangueiras derrubando mangas nas ruas, mangas, ainda com o verde na casca, poupa amarela, sem nenhum fiapo, um prato de açaí com farinha, uma cuia de tacacá, tudo isto são memórias de além& século, são memórias vivas e descartáveis, por qualquer um que vá a Belém do Pará.

Mas, a lembrança que não sai da memória são as palavras de ébrio, verdades, realmente, não sei.

Seu que as praças de hoje em Belém do Pará, estão cheias de vendedores ambulantes, vendendo iguarias, que só em Belém há, tudo isto por causa e consequência, de um cara, muito boa praça, o tal do Luiz Inácio, que muito diferente do cara que sentava na praça, aquele humorista que nos tempos, tortuosos tempos da ditadura, fingia, ou deixava transparecer, que não jorrava sangue nos porões da ditadura, ele, poderia até não saber mesmo, só que hoje, depois de tudo revelado, depois do juizeco, o marreco de Maringá, ser exposto, ele ainda não mudou o discurso.

Há, realmente, no mínimo , quatro , na verdade muito mais, falemos destes quatro tipos de praças, os pracinhas do exército, aqueles que o deputado Rubens Paiva, recomendou para que os pais de boa índole, não deixassem suas filhas dançarem, o Rubens Paiva, teve seu sangue lavado, deu corpo desaparecido, o ébrio tinha razão, as as praças das iguarias, não só em Belém Pará, há o boa praça Luiz Inácio.

Há, o cara da praça, que era "nossa" nos tempos" da ditadura, acho que a praça, era mesmo da ditadura.


Adão Alves dos Santos/SP"
*

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Anivaldo Padilha - entrevista: Ditadura nunca mais! - Xadrez Político

CONVERSANDO COM ANIVALDO PADILHA

Este convite anuncia um debate ainda meio "proibido" no meio evangélico. 

O grupo de Direitos Humanos da Metodista convida para um momento de oração seguido de conversa com o metodista Anivaldo Padilha. Foi preso e torturado, entregue pela própria cúpula da Igreja 


É um depoimento muito importante cuja história, só recentemente está escrita e discutida. 


A Igreja Metodista fica na Av Santos Dumont, 33 bem perto do Metró estação Tiradentes. 


Logo após um momento de oração teremos uma *RODA DE CONVERSA"* com *Anivaldo Padilha* sobre o *TEMA:* _" *Igrejas Evangélicas na Ditadura Militar:* dos abusos do poder à resistência cristã"_  


Será uma boa discussão!! 

AS IGREJAS EVANGÉLICAS NA DITADURA MILITAR

ANIVALDO PADILHA

quinta-feira, 30 de março de 2023

Todos às ruas em 31 de março! * FRENTE ANTIFASCISTA DO DF/FRT BR

Todos às ruas em 31 de março!



Em 31 de março de 2023 fará 59 anos do golpe civil-militar, quando os golpistas ficaram 21 anos do poder. Deixaram um rastro de dor, tornaram pratica oficial a tortura e assassinatos dos opositores, praticada por agentes do Estado, dentro de quarteis e prisões. Outros milhares foram presos ou exilados; até hoje mais de 400 vítimas nem mesmo tiveram seus corpos localizados.

Apoiados diretamente pelos EUA, que estacionou a Quarta Frota no litoral brasileiro, pela burguesia e latifundiários, pelos reacionários que fizeram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, permaneceram, apesar de tantos crimes, após a Anistia promulgada em 1979, impunes. Não sentaram no banco dos réus, não foram julgados e continuaram praticando seus crimes. Na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia os generais e seus aliados foram julgados e presos.

Livres e impunes, seguiram mentindo e semeando o fascismo, que levou ao golpe de Dilma Roussef, em 2016, à prisão de Lula, em 2018, e à eleição de um miliciano fascista para a Presidência da República. Isso levou ao fortalecimento de grupos paramilitares, fundamentalistas neopentecostais e outros bandos criminosos nazifascistas que tentaram, mais uma vez, dar outro golpe em 8 de janeiro, ocuparam Brasília, destruíram as sedes dos três poderes da República. Isso após quatro anos de um governo que se sustentou na prática permanente de propagação de mentiras, genocídios, roubos e ataques aos setores mais consequentes da classe trabalhadora. Tudo com o apoio de um parlamento antipovo, majoritariamente fascista e corrupto.

A criação da Frente Antifascista do DF tem a finalidade de forjar a unidade e organização necessária para defender os direitos da classe trabalhadora, golpeada nos 6 anos com Temer e Bolsonaro/Guedes com a imposição de uma política neoliberal.
Construir a unidade para fazer avançar a luta do povo, exigir a punição dos golpistas de 8 de janeiro, para que não se repita a impunidade de 1979.

Ir às ruas é uma necessidade. Somente a organização, consciência e unidade da classe trabalhadora, da juventude, mulheres e de todo o povo poderá retomar a marcha das conquistas sociais e impedir novos retrocessos.

*Compareçam!*
*Dia 31 de março de 2023, sexta-feira, com concentração a partir das 17h, na Praça Zumbi dos Palmares (CONIC).*
*Ditadura nunca mais!*
*Sem anistia!*
*FRENTE ANTIFASCISTA DO DF*

quinta-feira, 31 de março de 2022

31 DE MARÇO 58 ANOS DO GOLPE MILITAR DE 1964 * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

31 DE MARÇO 58 ANOS DO GOLPE MILITAR DE 1964

Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto. Na sala do delegado Fleury, num papelão, uma caveira desenhada e, embaixo, as letras EM, de Esquadrão da Morte. Todos deram risada quando entrei. ‘Olha aí a Miss Brasil. Pariu noutro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca’, disse ele. Um outro: ‘Só pode ser uma vaca terrorista’. Mostrou uma página de jornal com a matéria sobre o prêmio da vaca leiteira Miss Brasil numa exposição de gado. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Picou a página do jornal e atirou em mim. Segurei os seios, o leite escorreu. Ele ficou olhando um momento e fechou o vestido. Me virou de costas, me pegando pela cintura e começaram os beliscões nas nádegas, nas costas, com o vestido levantado. Um outro segurava meus braços, minha cabeça, me dobrando sobre a mesa. E u chorava, gritava, e eles riam muito, gritavam palavrões. Só pararam quando viram o sangue escorrer nas minhas pernas. Aí me deram muitas palmadas e um empurrão. Passaram-se alguns dias e ‘subi’ de novo. Lá estava ele, esfregando as mãos como se me esperasse. Tirou meu vestido e novamente escondi os seios. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. No meio desse terror, levaram-me para a carceragem, onde um enfermeiro preparava uma injeção. Lutei como podia, joguei a latinha da seringa no chão, mas um outro segurou-me e o enfermeiro aplicou a injeção na minha coxa. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’. ‘E se não melhorar, vai para o barranco, porque aqui ninguém fica doente.’ Esse foi o começo da pior parte. Passaram a ameaçar buscar meu fillho. ‘Vamos quebrar a perna’, dizia um. ‘Queimar com cigarro’, dizia outro.

*ROSE NOGUEIRA, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), era jornalista quando foi presa em 4 de novembro de 1969, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade, onde é jornalista e defensora dos direitos humanos.*

Vamos ajudar o presidente a celebrar a ditadura, compartilhando relatos de quem viveu aquela “festa”

REDE GLOBO GOLPISTA
*

D E S A B A F O

D E S A B A F O

Marcelo Mário de Melo

Em memória de Wladimir Herzog e Manoel Fiel Filho (*)


Isto não é uma exposição acadêmica nem um requebro retórico. É um desabafo. 


Talvez muitos preferissem a linguagem das estatísticas.


Esta a coluninha dos torturados.


Aqui os estropiados fisicamente com subdivisões para hematomas cicatrizes fraturas lesões e toda a nomenclatura da medicina torturante de urgência. 


Aqui os mutilados mentalmente com sub-sessões reservadas a psicoses neuroses fobias úlceras gastrites insônias obsessões apatias. 


Neste espaço reservado a Torturas/Mortes computem-se “Suicídios”, “Mortos em Tiroteio” e “Tentativas de Fuga”. 


E nesta linha verde-acinzentada escreva-se com sangue: Distensão/Desaparecidos.


Poderia preencher um gráfico que satisfaria ao esteticismo seco do mais exigente burocrata. Tão imponente e preciso aos espíritos formalistas como as tabelas do imposto de renda e os projetos de reforma administrativa.


Mas os que precisassem disso para avalizar nossas denúncias jamais seriam convencidos de nada porque há muito estariam vacinados contra a verdade ou formados nas filas do lado de lá.


Quem não puder ser convencido hoje pelos exemplos esparsos indícios ruídos abafados da máquina de triturar presos políticos abrirá certamente os olhos só se os abrir quando as verdades vivas de agora passarem à respeitabilidade morta dos museus de amanhã ou se a máquina começar a moer a sua própria carne os próximos.


Nós os presos políticos do Brasil atual nos dirigimos àqueles que sabem pressentir a cascavel pelo sibilo e se dispõem a renegar o seu veneno. 


Mesmo que apenas com o grito de alerta ou o gesto mudo repulsa de quem se associa à dor.


(*) Escrito em outubro de 1975, em cela do Esquadrão Dias Cardoso, Bongi, Recife-PE, no intervalo entre uma greve de fome e outra, depois dos assassinatos sob tortura, em São Paulo, do jornalista Wladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho.


QUEM O FARÁ?


Purgar os erros.

Lembrar os mortos.

Fecundar os sonhos.

Festejar as vitórias.

Se não fizermos isto

pela nossa história 

Quem o fará?

*

DIRETAS JÁ O GRITO AS RUAS

MARIA MAIA / DF

O Movimento por Memória, Verdade e Justiça do Ceará, por meio da Associação dos Amigos da Casa frei Tito de Alencar, convoca familiares de mortos e desaparecidos políticos do Ceará, comitês, comissões, coletivos, sindicatos, instituições, partidos políticos e parlamentares, para a II Marcha do Silêncio, em consonância com o movimento nacional Vozes do Silêncio e a Marcha do Silêncio do Uruguai, que acontece desde 1966 em memória dos presos políticos desaparecidos no período da ditadura militar daquele país. Nasce, assim, o Movimento Vozes do Silêncio do Ceará.
Nosso movimento se propõe a denunciar as graves violações de direitos humanos cometidas pelo Estado brasileiro no período da Ditadura Civil Militar (1964 - 1985), violações essas que se perpetuam até nossos dias, reivindicar o tombamento definitivo e a conclusão das obras da Casa frei Tito de Alencar e a manutenção e estruturação do Memorial da Resistência - Arquivo das Sombras (antiga sede da polícia federal no Ceará e centro clandestino de torturas).

LEMBRANÇAS E BANDEIRAS

Marcelo Mário de Melo


Tremulam as bandeiras da lembrança.


Os estudantes de direito carregando a bandeira de Demócrito de Souza Filho nas passeatas e a levantando, frente aos pelotões da polícia do governo de Cid Sampaio e das tropas do Exército, quando foram expulsos a coronhadas da Faculdade, por ordem do presidente Jânio Quadros, em 1961, durante o movimento nacional que reivindicava a representação estudantil de 1/3 nos conselhos universitários.


Na tarde de 1º de abril de 1964, depois de uma assembléia na Escola de Engenharia, ainda funcionando na R. do Hospício, seguíamos em passeata para o Palácio das Princesas, no intento de defender o Governo de Miguel Arraes. 


Carregando a bandeira brasileira e cantando o hino nacional, formos atingidos por tiros de fuzil, restando mortos os estudantes comunistas Jonas Barros, do Ginásio Pernambucano, e Ivan Aguiar, aprovado no vestibular para Engenharia, e que não chegou a iniciar o curso. Passando por diversas mãos,  restou caída e manchada de sangue, a bandeira brasileira.


Em 1964, quando os militares quiseram fazer com o governador Miguel Arraes uma negociata política em troca da sua liberdade, ele lhes respondeu que tinha sido eleito pelo povo e não reconhecia neles autoridade para lhes dar ordens de governo, que tinha nove filhos e, um dia, queria poder lhes contar essa história olhando nos olhos. O governador Miguel Arraes foi coerente com as suas bandeiras e fiel aos seus compromissos com o povo. Os militares o levaram para a prisão em Fernando de Noronha.


Quando o Coronel Ibiapina, em 1964, disse na porta da cela do menino David Capistrano Filho, com 16 anos, que a culpa da sua situação era do seu pai, um comunista irresponsável, teve a resposta de que o seu pai era um homem sério e honesto, e ele é que era um golpista. O coronel mandou retirar o colchão de David e o transferiu para o juizado de menores, onde passou três meses, preso entre meninos infratores.


Naquele momento histórico, um homem maduro, governador de estado, pai de dez filhos, e um menino, estudante de colégio, foram fieis às bandeiras do povo. mostrando que coerência não tem idade. E também que as bandeiras podem e devem passar de pai para filho, de avô para neto.


As conjunturas mudam e há necessidade de se atualizarem estratégias, táticas e formas de luta no processo de mobilização por liberdade, democracia e mudança social. Mas é fundamental que isto ocorra sob a base de uma linha de coerência e continuidade histórica em matéria de campos e objetivos centrais.


Acima e além dos interesses de facções e da promoção de grupos ou personalidades, a ampliação dos espaços para as camadas populares, nos dispositivos legais, nas políticas públicas e nas representações políticas formais e informais, deve fundamentar o critério de avaliação. Aí está a substância da simbologia das bandeiras.


AOS QUE CUIDAM DE BANDEIRAS

(Em memória de Miguel Arraes)

Marcelo Mário de Melo


Há aqueles que levantam uma bandeira

e prosseguem.


Aqueles que afrouxam as mãos

e abandonam as bandeiras no caminho.


Aqueles que rasgam queimam

renegam bandeiras e se recolhem.


Aqueles que se bandeiam

e passam a defender 

bandeiras contrárias.


Aqueles que refletem

e escolhem bandeiras melhores.


Aqueles que encerram as bandeiras

em gavetas vitrines e altares.


Aqueles que colocam as bandeiras a venda.


É triste ver bandeiras abandonadas 

vendidas ou sacralizadas no céu distante.


As bandeiras não são entidades

para comércio adoração e arquivo


Expostas ao vento e ao tempo

as bandeiras são coisas simples da vida

que exigem cuidado: 

como uma casa

uma roupa

um filho

uma flor.

&

1964:JONAS E IVAN: 

O SENTIDO SIMBÓLICO

Marcelo Mário de Melo


Em 1964 havia no Colégio Estadual de Pernambuco – CEP, antigo Ginásio Pernambucano, hoje novamente com o velho nome, no Recife, uma base do Partido Comunista Brasileiro com 25 jovens militantes, homens e algumas mulheres. A ação política se desdobrava nas reivindicações locais, nas campanhas pelo diretório estudantil e nas disputas com a direita em torno das entidades municipal e estadual dos secundaristas: a Associação Recifense dos Estudantes Secundários – ARES e o CESP – Centro dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco. 

 

Os estudantes também eram convocados a atuar nas campanhas eleitorais e em mobilizações vinculadas às bandeiras políticas da época. Defendíamos as reformas de base, entre elas a reforma agrária, a reforma urbana, a reforma do ensino. Éramos pelo direito de voto para os analfabetos e soldados e cabos das forças armadas.


Combatíamos o colonialismo e as ditaduras no mundo, com destaque para a libertação das colônias africanas, as ditaduras de Salazar em Portugal, Franco na Espanha e Strossner no Paraguai. Defendíamos ardorosamente a jovem revolução cubana e, muitas vezes, participávamos de atos públicos, panfletagens e pichações em defesa de Cuba, contra as ameaças e as tentativas de invasão comandadas pelo imperialismo norte-americano, então sob a batuta do bonitão John Kennedy.


Na base do CEP havia um grupo de companheiros que participava do Clube Literário Monteiro Lobato, o famoso CLML, que ativava um concurso permanente de crônicas, tinha reuniões sistemáticas, possuía centenas de filiados de diversos colégios e chegou a publicar alguns números do jornal Juvenília, inviabilizado a partir do golpe de abril de 1964.


O CLML tinha uma grande força atrativa entre os secundaristas mais novos. Os seus integrantes comunistas formavam um grupo com identidade própria, inclusive, com uma organização de base específica, vinculada ao Comitê Secundarista. Jonas fazia parte desse grupo, juntamente com David Capistrano Filho, Francisco de Assis Barreto da Rocha, Amaro Quintino, Dmitri, Rogério Jansen e outros companheiros.


Eu não tinha muita aproximação com Jonas. Convivia com ele nas reuniões e o encontrava constantemente nas agitações de rua e em eventos políticos. Via-o muito ao lado de Davizinho, outras vezes com Davizinho e Rosa Barros, que participava da base do Colégio Estadual do Recife, de alunado feminino, e, como ele, morava no bairro de Santo Amaro. Tinha maior aproximação com o seu irmão mais velho, Carlos Augusto, que participava da base do CEP e chegou a disputar a presidência do diretório. 


No dia 1º de abril de 1964, no meio da tarde, saímos em passeata da Escola de Engenharia, na Rua do Hospício, em direção ao Palácio das Princesas, cercado por tropas verde-oliva, para defender o governo de Miguel Arraes. Quando estávamos na altura da Pracinha do Diário, no cruzamento com a Av. Dantas Barreto, em marcha passo de ganso, avançou contra nós um pelotão vindo das imediações do Palácio da Justiça, que começou a disparar, inicialmente, para cima. Depois foi baixando o ângulo até o nível dos manifestantes. 

 

Alguns companheiros gritaram: "é festim"! Mas eu vi os pedaços de reboco caindo do alto de um edifício, sob o efeito das balas, e dei o grito de alarme: "não é festim, não! É bala!” Entre correrias e tiros, avistei o companheiro Oswaldo Coelho, que me havia recrutado para a base do CEP e agora estudava Direito, carregando um corpo masculino com um grande buraco se estendendo pelo pescoço, o queixo arrancado a tiros. Somente depois, voltando para casa, soube que o ferido era Jonas.


Junto a Jonas também tombou o jovem Ivan Aguiar, comunista de nascença, filho de Severino Aguiar, que morreu na década de 90 com mais de noventa anos, ostentando o orgulho de ser o mais antigo comunista vivo do Brasil. Ivan havia sido aprovado no vestibular para engenharia e aguardava o momento de começar a fazer o curso. Já ferido, ele ainda conseguiu disparar um tiro de um revólver 38 que Antônio Florêncio, comunista de Palmares, recolheu e guardava como relíquia. 


A Ivan, um brinde pela iniciativa desse  - lamentavelmente único -  tiro dado em Pernambuco em defesa da democracia e contra os golpistas de 1964. Diz-se que, ao lado de Ivan e Jonas, também tombaram um homem desconhecido e uma funcionária da loja de produtos masculinos - Remilet - colhida por um tiro no seu local de trabalho, na Av. Dantas Barreto.


Aos 16 anos, depois de passar por três meses de prisão, quando perguntado, num inquérito, o que achava da "Revolução de 31 de Março de 1964", Davizinho Capistrano  respondeu que não poderia achar nada de bom, porque o seu pai estava sendo perseguido, ele fora preso e o seu melhor amigo havia sido morto. Em cartas a mim, na década de 1960, David se refere a momentos de profundo sofrimento pela perda de Jonas, denominando-os de "jonismo".


Vim saber mais de Jonas depois da sua morte. Li poemas seus. Apreendi a dimensão da sua amizade grudenta com Davizinho e Rosa, formando um trio inseparável. Um dia, em 1964, acompanhei numa homenagem a Jonas o poeta Albérgio Maia de Farias, também companheiro do PCB e das lutas estudantis. Na Galeria de Arte, da qual Jonas era freqüentador, suspensa na margem do Rio Capibaribe, em frente aos Correios, destruída na cheia de 1965, ele deixou fixado no mural um poema que começava assim: "Na Galeria de Arte/há um banco de saudade/e há gestos de futuro/quebrando a serenidade".


Jonas e Ivan Aguiar tiveram suas vidas interrompidas na juventude. Passaram à condição de referências simbólicas dos jovens que lutaram pela democracia e contra a implantação da ditadura de 1964. Transformaram-se em bandeiras de idealismo e resistência, tremulando em nossos corações e apontando para a coerência dos nossos passos.

sábado, 11 de dezembro de 2021

MEDALHA CHICO MENDES * Grupo Tortura Nunca Mais / GTNM

 *Medalha Chico Mendes*

Entrega aos homenageados de 2020 pelo *Grupo Tortura Nunca Mais/RJ*
 A pandemia de covid 19 nos impediu de realizar a entrega da Medalha Chico Mendes de Resistência de 2020 no dia 1° de abril do ano passado.

Referência na luta contra toda violência de Estado, a *Medalha Chico Mendes* será entregue, excepcionalmente, no dia 13 de dezembro de 2021, data em que lembramos a promulgação, há 53 anos, do famigerado AI-5.

Todos estão convidados a assistir ao evento que será transmitido pelo canal:
 *https://youtube.com/c/GrupoTorturaNuncaMaisRJ*, às *18h*.

*AI-5 Nunca Mais!*
*Ditadura Nunca Mais!*
*Pela vida, pela paz, Tortura Nunca Mais!*

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Arruaceiros são elles * Iracildo Binichevski / RS

Arruaceiros são elles

Tive a ventura de ser atuante na saída da ditadura para a redemocratização. Muitos de nós realmente ajudaram a escrever a história daquela época, fazendo a sociedade se organizar e evoluir: Associações de Bairro, Movimentos dos Desapropriados, Reorganização dos Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Movimento dos Sem-terra. Grãos de democracia, que, tal qual grãos de areia, formaram o areal da redemocratização.


DITADURA NUNCA MAIS


Éramos e ainda carregamos o estigma de “arruaceiros”, pois gritávamos pela liberdade de expressar a necessidade de um pedaço de terra, uma casa para morar, um emprego para sobreviver, a aposentadoria para as agricultoras, e o fim da fila de pedintes que tocavam a campainha de nossa casa pedindo comida.

Por isso éramos, e muitos ainda assim nos consideram, “arruaceiros”.

Claro, entramos à força de pequenos grupos em órgãos públicos, em terras de fazendeiros, e ocupamos ruas das cidades. Organizados, fazíamos com tais gestos apenas atos políticos, reivindicando direitos legítimos, negociando em favor de todos, e progredindo no rumo das conquistas sociais.

Jamais ameaçamos a democracia que ressurgia. Criticamos os poderes, até de modo ácido, mas sem atentar contra eles. Nunca reclamamos a falta de oportunidade de fazer confusão por interesses pessoais, de xingar de forma animalesca, de ofender as minorias. Nem mesmo, no MST, reclamamos por ter apenas foices e forcas para nos depender das forças opressoras.

No dia 7 de setembro os não “arruaceiros” planejam tomar as ruas das grandes cidades. Têm as costas quentes pelo dinheiro dos poderosos, rugem guarnecidos por forças militares clandestinas que afrontam as leis e seus regulamentos, defendem o direito de comprar armas, reivindicam o direito de xingar, de atentar contra os poderes, de vender o Brasil aos americanos, de desmatar e de espoliar os cofres públicos.

Não dizem uma única palavra em favor dos fracos e desprotegidos, nunca defendem os direitos das minorias e das maiorias pobres, ameaçam com a ditadura, não lamentam a crise social e econômica, não se importam com a fome que campeia e com as mortes, não estão nem aí se os pobres têm que escolher entre o almoço ou a janta (ou nenhum deles).

Nós éramos arruaceiros. E eles são o que?

Você, cidadão verdadeiramente de bem, pensa um pouco e não vá às manifestações dos que somente pensam em si e na violência. Pense em seus filhos e netos, e nos ajudem a devolver a paz e o progresso ao Brasil. 

Arruaceiros são eles, nós sempre fomos cidadãos de bem e democráticos. 


Texto de Iracildo Binicheski / RS - Escritório Binicheski Advogados

***

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

CARTA ABERTA DA GERAÇÃO 68 SEMPRE NA LUTA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

CARTA ABERTA DA GERAÇÃO 68 SEMPRE NA LUTA

GERAÇÃO 68
https://www.youtube.com/watch?v=LlaSUAwm5Qk 
GERALDO VANDRÉ

  “Geração 68” entrega Carta Aberta para OAB, ABI e CNBB, em defesa da vida e da democracia.

O movimento Geração 68 Sempre na luta fará a entrega de sua Carta Aberta à OAB, à ABI e à CNBB como ato simbólico, buscando dialogar com três das organizações comprometidas com as lutas democráticas no Brasil. 


A entrega da Carta Aberta será feita individualmente, a cada entidade, neste 30 de agosto, por comissões representando o Geração 68. 


Às 11 horas, ao presidente da OAB no Rio de Janeiro, Felipe Santa Cruz. 


Ainda no Rio, às 13:30, ao presidente da ABI, o jornalista Paulo Gerônimo. 


E às 15 horas, na sede da CNBB, em Brasília, ao bispo Dom Joel Portella Amado, secretário geral da entidade. 


A ida das comissões às entidades ocorre no momento em que a democracia brasileira está ameaçada pelo presidente da República, por sua desastrada condução do enfrentamento à pandemia, pelo aprofundamento do desemprego, da miséria e da estagnação da economia brasileira e, particularmente, pelas suas constantes falas prometendo golpe de estado e ofendendo diretamente instituições e seus representantes, iniciativas desestabilizadoras da democracia.


A Carta Aberta e o Movimento Geração 68 Sempre na luta Quando a Carta Aberta do Geração 68 foi lançada, em 13 de maio, o Brasil contava com "mais de 400 mil mortes". 


Três meses depois, esse número já se aproxima de 600 mil mortes, parte substancial delas evitável, como demonstram inúmeras pesquisas e trabalhos científicos. 


A Carta é também o marco do lançamento do próprio Movimento Geração 68 Sempre na luta, voltado para agregar forças "pelo Direito à Vida, contra o genocídio em curso, pela interdição do governo do presidente" da República, responsável por uma política que leva milhares de brasileiros à morte, e "pelo direito do povo de viver e de ter esperança.


A entrega da Carta Aberta ocorrerá na segunda-feira, 30 de agosto, nos seguintes endereços e horários: 

– À Ordem dos Advogados do Brasil, será na Rua Araújo Porto Alegre, 36, grupo 1.208, ed. Aliança da Bahia, Rio de Janeiro, centro, às 11 horas; 

– À Associação Brasileira de Imprensa – ABI, na sede à Rua Araújo Porto Alegre, 71 – Rio de Janeiro – Centro, às 13:30; e 

– À Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, na sede, em Brasília, Setor de Embaixadas Sul, Quadra 801, Conjunto B – Asa Sul, às 15 horas.


Carta Aberta do movimento Geração 68 Sempre na luta, seguida de 68 assinaturas, entre as mais de 2 mil e quinhentas colhidas. Em seguida, as comissões que farão as entregas da Carta.


Carta Aberta da Geração 68

Basta de Genocídio! Fora Bolsonaro!

Às brasileiras e aos brasileiros, aos movimentos sociais, partidos, sindicatos, centrais, ONG’s, organizações da sociedade civil, redes e a todas(os) que estejam dispostas(os) a lutar pelo Direito à Vida e pela Democracia. Somos parte da Geração 68, uma das gerações que ao longo do tempo participaram de inúmeras passeatas e lutaram contra a Ditadura Militar e por um Brasil mais justo e igualitário. Nesse momento, no ano de 2021, estamos agregando forças para lutar pelo Direito à Vida, contra o genocídio em curso, pela interdição do governo do presidente que intencionalmente tem induzido a morte de milhares de brasileiros, pelo direito do povo de viver e de ter esperança. Nosso país já tem mais de 400 mil mortos em fins de abril. Em maio poderá chegar a meio milhão de óbitos. Conjugada à pandemia, pela inépcia governamental, se abateu sobre os segmentos mais fragilizados a miséria e a fome. Quantos ainda terão de morrer pelo negacionismo do governo federal? Assinar esta carta não representa apenas um desejo de viver, mas de lutar para proteger as pessoas que amamos, a economia local e nacional, um futuro melhor sem o risco mortal de uma doença que assola todo o planeta. Todos sabemos que o epicentro da pandemia, o maior aliado da propagação do vírus, é o atual presidente da república e seu governo, sendo o único dirigente do mundo a sabotar a política de vacinação, deixando de adquirir vacinas quando elas estavam disponíveis. Tornou o Brasil em berçário de variantes do coronavírus e uma ameaça não apenas para a nossa população como para o mundo inteiro. 

Assinar esta carta representa igualmente lutar pela democracia que tem sido cotidianamente ameaçada pelo atual governo desde que tomou posse. Significa, ainda, lutar contra a violência que está presente no país aniquilando jovens pobres, pretos e os povos originários. Deste modo, participamos e convidamos todos os movimentos organizados e a população em geral a se unirem nesta luta, pela vida e pela democracia, que é de todo o povo. Iremos, em princípio, realizar uma manifestação pública - com toda a segurança sanitária necessária frente à pandemia - em diversas cidades do país no dia 26 de junho. Nesta data serão comemorados os 53 anos da gigantesca passeata dos 100 mil no Rio de Janeiro. Se, então, gritávamos ‘Abaixo a Ditadura!’, hoje gritaremos em alto e bom som que ‘Ditadura Nunca Mais!’. Estamos dispostos a participar de qualquer outra manifestação, em qualquer outra data, que tenha os mesmos objetivos que expusemos acima. Esperamos encontrá-la(o) na manifestação, ou através das redes sociais, unindo forças pelo direito à vida e pela democracia.POR UM AUXILIO EMERGENCIAL DE R$ 600 PELA DEMOCRACIA SEMPRE. DITADURA NUNCA MAIS! BASTA DE GENOCÍDIO! FORA BOLSONARO!


https://blogdojuca.uol.com.br/2021/08/geracao-68-entrega-carta-aberta-para-oab-abi-e-cnbb-em-defesa-da-vida-e-da-democracia/


Assinam: 

Afonsinho (ex-jogador de futebol) 

André Singer 

Bete Mendes 

Carlos Minc 

Celso Amorim 

Chico Alencar 

Chico Buarque 

Cristovam Buarque 

Dalmo Dallari 

Dilma Rousseff 

Djalma Bom 

Eduardo Jorge 

Eduardo Suplicy 

Emir Sader 

Ermínia Maricato 

Fábio Konder Comparato Fernando Gabeira 

Fernando Morais 

Fernando Pimentel 

Flávio Tavares 

Franklin Martins 

Frei Beto 

Hildegard Angel 

Humberto Costa 

Idibal Pivetta 

Ivan Valente 

Jean Marc von der Weid 

João Alberto Capiberibe 

José Álvaro Moisés 

José Aníbal Peres de Pontes José Dirceu 

José Genoíno 

José Miguel Wisnik 

José Trajano 

Juca Ferreira 

Juca Kfouri 

Laerte Coutinho 

Leci Brandão 

Leonardo Boff 

Lucélia Santos 

Lucia Murat 

Luiz Carlos Barreto 

Luiz Gonzaga Belluzzo 

Luiz Nassif 

Luiza Erundina 

Manoel Conceição 

Maria Rita Kehl 

Maria Victoria Benevides Marieta Severo 

Marilena Chaui 

Marina Silva 

Max Mauro 

Olívio Dutra 

Paulo Sérgio Pinheiro 

Renan Calheiros 

Renato Janine Ribeiro Roberto Amaral 

Roberto Freire 

Roberto Requião 

Sebastião Salgado 

Sérgio Mamberti 

Silvio Tendler 

Sueli Carneiro 

Tânia Bacelar 

Tarso Genro 

Vitor Buaiz 

Vladimir Palmeira

Walter Lima Jr.


Participarão das comissões para a entrega da Carta Aberta: 


Na OAB e na ABI 

Afonsinho 

Beluce Belucci 

Carlos Alberto Muniz 

Cid Benjamin 

Dulce Pandolfi 

Edival Nunes Cajá 

Eliete Ferrer 

Elinor Brito 

Eny Moreira 

Fernando Gabeira 

Heloísa Buarque de Holanda

Lizst Vieira 

Lúcia Murat 

Marcelo Santa Cruz 

Mozart Campos Luna 

Paulo Ramos 

Pedro C Cunca Bocayuva Renata Sorrah 

Umberto Trigueiros.


Na CNBB 

Betty Almeida,  

Hélio Doyle, 

José Geraldo de Souza Jr

Madalena Rodrigues 

Suely Belatto


Conheça o Movimento Geração 68 Sempre na luta: Site: https://68naluta.org/ *

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