O capitalismo está podre. Todos sabemos disso. Mas ele não cai sozinho, ele não morre de morte natural. Precisamos aliar o antifascismo e o antimperialismo ao internacionalismo proletário, e assim somar forças para construir o socialismo. Faça a sua parte. A FRENTE REVOLUCIONARIA DOS TRABALHADORES-FRT, busca unir os trabalhadores em toda sua diversidade, e formar o mais forte Movimento Popular Revolucionário em defesa de todos e construir a Sociedade dos Trabalhadores - a SOCIEDADE COMUNISTA!
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terça-feira, 11 de novembro de 2025
OPERAÇÃO CONDOR * Diálogos do Sul Global
segunda-feira, 10 de novembro de 2025
BYE BYE DITADURA * Adão Alves dos Santos/SP
sábado, 11 de janeiro de 2025
ATO PELO TOMBAMENTO DO QUARTEL DA PE NA TIJUCA.RJ * Ana Cristina Campos/Agência Brasil
Um ato em frente ao 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, reivindica neste sábado (11) a necessidade de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) do local com o para instalar ali um centro de memória e resistência contra os regimes de exceção. 

A manifestação foi em memória de Rubens Paiva e de outros 52 mortos ou desaparecidos por ação direta dos agentes do Destacamento de Operações de Informação-Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio de Janeiro que funcionava no quartel na Tijuca. Na Praça Lamartine Babo, está instalado o busto de Rubens Paiva, inaugurado em 12 de setembro de 2014, pelo Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio e pela Comissão Estadual da Verdade.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o Grupo Tortura Nunca Mais RJ e a ONG Rio de Paz se uniram para realizar o ato com apoio da Justiça Global e da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia Núcleo-RJ.
Segundo a ABI, a proposta de tombamento não visa ofender a instituição do Exército, mas contribuir para que as próprias Forças Armadas se abram para a perspectiva de rever os crimes praticados por seus agentes dentro de suas organizações militares, para que não se repitam nunca mais.
ATO CONVOCADO PELA ABI -
Associação Brasileira de Imprensa
2 - Ato pede centro de memória em quartel que abrigou DOI-Codi no RJ | Agência Brasil
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sábado, 30 de março de 2024
1964 NUNCA MAIS * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT
É isto que significou o 8 de Janeiro.
Passado um ano da tentativa de golpe, o antropólogo Orlando Calheiros reflete sobre o que os terroristas realmente queriam.
Já faz um ano que assistimos à barbárie causada por apoiadores de Jair Bolsonaro em Brasília. Mas o que esses golpistas realmente desejavam?
Vou dizer algo contraintuitivo: não há nada historicamente excepcional no 8 de Janeiro. E compreendo seu estranhamento lendo isso e lembrando da quebradeira. Afinal, quando vimos algo semelhante?
Esse é nosso primeiro ponto crucial: o que assistimos no 8 de Janeiro foi “apenas” o aspecto mais superficial de um evento cujas raízes estão plantadas no centro da nossa ideia de nação. Apesar de toda a selvageria, não havia nada de novo ali.
Bolsonaro e seus apoiadores não representam um desvio sombrio na marcha civilizacional brasileira. Uma marcha que supostamente se reinicia com o fim da ditadura, se consolida com a eleição de Fernando Henrique Cardoso e atinge o seu ápice durante os primeiros governos Lula.
Tratá-los assim reforça as paixões que mobilizam os movimentos de extrema direita no país. Afinal, eles próprios se imaginam como uma resposta à suposta marcha progressista, tida como um projeto de destruição.
Quando olhamos para o contexto político que antecede o golpe de 1964 e para o que antecede o 8 de Janeiro, vemos que os movimentos conservadores se imaginavam como os últimos defensores de uma nação em declínio moral.
Houve nos dois momentos, também, uma campanha de terror promovida por veículos de comunicação (e hoje por meio das redes) sobre o que poderia acontecer se o que consideravam como “esquerda” continuasse no poder.
Não por coincidência, João Goulart foi deposto antes mesmo de poder implementar as reformas de base que prometiam revolucionar as estruturas sociais. “Prometiam”, pois Jango não tinha apoio político para implementá-las.
O apoio popular ao golpe de 1964 se constrói pelo medo do que imaginavam que ele poderia fazer, e não pelo que fazia. Afinal, os grupos políticos que se sentiam ameaçados estavam e permaneceram no poder.
Há algo semelhante no contexto que antecede o 8 de Janeiro. A despeito de bons avanços em algumas áreas cruciais, como a distribuição de renda e o acesso à saúde e à educação, a marcha que supostamente se reinicia com a redemocratização nunca foi capaz de cumprir as promessas de transformar o país em uma democracia.
Seguimos com dispositivos herdados da ditadura e do próprio período colonial, como a estrutura racista da sociedade e as questões fundiárias.
Não por acidente, alguns dos avanços desse período, como a citada melhora na distribuição de renda, acabaram sendo rapidamente fagocitados pela estrutura conservadora da sociedade brasileira, terminando por reforçá-la.
Digo isso mirando o posicionamento político de boa parte da classe média que se formou durante os primeiros anos do governo do PT, especialmente no Sul e no Sudeste.
Na política institucional, a situação é ainda pior. Grupos políticos conservadores e/ou oriundos da ditadura nunca estiveram longe do poder. Diria, inclusive, o contrário.
Os movimentos conservadores vêm aumentando consideravelmente a sua presença no Parlamento, tornando-se base de governos progressistas, como o próprio PT.
O golpe em 2016 é um sintoma desse movimento: a forma como o impeachment de Dilma Rousseff é aprovado sem grande resistência, inclusive com o apoio de ministros do próprio governo, demonstra como o país jamais se libertou da ordem conservadora.
A emergência do bolsonarismo e a eleição de Jair Bolsonaro são apenas uma consequência natural da permanência dessa estrutura. O 8 de Janeiro também.
Concebê-los como movimentos extraordinários seria uma postura negacionista, que ignora a permanência dessa estrutura e seu fortalecimento.
Isso porque a tal ordem que eles defendiam nunca esteve de fato ameaçada. Ela apenas cresce e se fortalece no país.
Até políticos e grupos que se consideram progressistas ou de esquerda defendem abertamente alguns de seus valores – especialmente em áreas como a segurança pública ou a defesa dos interesses do agronegócio.
A tal ameaça à “ordem” que mobilizou os golpistas do 8 de Janeiro não passa de uma realidade alternativa, um pânico moral alimentado constantemente pela propaganda de setores que se beneficiam dessa mesma ordem, como os militares.
Setores que nunca foram de fato ameaçados. Por isso, repito: o que os golpistas realmente desejavam? O Brasil de sempre.
E isso nos ensina que, enquanto não houver uma ruptura efetiva com essa “ordem”, uma política que busque fugir dessa lógica antiga que rege o Brasil, veremos outros 8 de Janeiro se repetindo.
O retorno de alguns militares ao poder no governo anterior, abriu esse horror político que presenciamos. O país precisa ser devolvido "de fato" à população civil. Infelizmente, a ditadura militar no Brasil não foi superada.
Em delação, Mauro Cid revela que Bolsonaro fez reunião com cúpula militar para avaliar golpe no país
https://oglobo.globo.com/blogs/bela-megale/post/2023/09/em-delacao-mauro-cid-revela-que-bolsonaro-fez-reuniao-com-cupula-militar-para-avaliar-golpe-no-pais.ghtml
21/09/2023 08:23 - César Gomes. RJ:
Bela Megale
O ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniu, no ano passado, com a cúpula das Forças Armadas e ministros da ala militar de seu governo, para discutir detalhes de uma minuta que abriria possibilidade para uma intervenção militar. Se colocado em prática, o plano de golpe impediria a troca de governo no Brasil. A informação chegou à atua chefia das Forças Armadas, como um dos fatos narrados em delação premiada pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid.
O relato caiu como uma bomba entre os militares. Segundo informações apuradas pela coluna, Cid relatou que ele próprio foi um dos participantes de uma reunião, onde uma minuta de golpe foi debatida entre os presentes.
O dado que mais criou tensão na cúpula das Forças é o de que Cid revelou que o então comandante da Marinha, o almirante Almir Garnier Santos, teria dito a Bolsonaro que sua tropa estaria pronta para aderir a um chamamento do então presidente. Já o comando do Exército afirmou, naquela ocasião, que não embarcaria no plano golpista.
A delação premiada de Mauro Cid é considerada um ponto de partida das investigações. A Polícia Federal tem tratado o tema com cautela e sigilo. Para os fatos serem validados e as pessoas citadas pelo tenente-coronel serem eventualmente responsabilizadas, é preciso que haja provas que corroborem as informações repassadas pelo ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.
É grande a preocupação entre os militares, sobre os efeitos que o relato de Mauro Cid pode ter, principalmente por envolver membros da cúpula das Forças e ministros que, apesar de estarem na reserva, foram generais de alta patente.
domingo, 24 de março de 2024
ESQUECER JAMAIS LULA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT
terça-feira, 20 de junho de 2023
PATRÕES E DITADURAS I * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT
quarta-feira, 21 de dezembro de 2022
ANISTIAR CRIMINOSOS JAMAIS * Vladimir Safatle-SP
ANISTIAR CRIMINOSOS JAMAIS
Muitas vozes alertam o Brasil sobre os custos impagáveis de cometer um erro similar àquele feito há 40 anos. No final da ditadura militar, setores da sociedade e do governo impuseram o silêncio duradouro sobre crimes contra a humanidade perpetrados durante os vinte anos de governo autoritário. Vendia-se a ilusão de que se tratava de astúcia política. Um país “que tem pressa”, diziam, não poderia desperdiçar tempo acertando contas com o passado, elaborando a memória de seus crimes, procurando responsáveis pelo uso do aparato do Estado para prática de tortura, assassinato, estupro e sequestro. Impôs-se a narrativa de que o dever de memória seria mero exercício de “revanchismo” – mesmo que o continente latino-americano inteiro acabasse por compreender que quem deixasse impunes os crimes do passado iria vê-los se repetirem.
Para tentar silenciar de vez as demandas de justiça e de verdade, vários setores da sociedade brasileira, desde os militares até a imprensa hegemônica, não temeram utilizar a chamada “teoria dos dois demônios”. Segundo ela, toda a violência estatal teria sido resultado de uma “guerra”, com “excessos” dos dois lados. Ignorava-se, assim, que um dos direitos humanos fundamentais na democracia é o direito de resistência contra a tirania. Já no século 18, o filósofo John Locke, fundador do liberalismo, defendia o direito de todo cidadão e de toda cidadã matar o tirano. Pois toda ação contra um estado ilegal é uma ação legal. Note-se: estamos a falar da tradição liberal.
Os liberais latino-americanos, porém, têm essa capacidade de estar sempre abaixo dos seus próprios princípios. Por isso, não é surpresa alguma ouvir um ministro do Supremo Tribunal Federal, como Dias Toffoli, declarar, em pleno 2022, pós-Bolsonaro: “Não podemos nos deixar levar pelo que aconteceu na Argentina, uma sociedade que ficou presa no passado, na vingança, no ódio e olhando para trás, para o retrovisor, sem conseguir se superar (…) o Brasil é muito mais forte do que isso”.
Afora o desrespeito a um dos países mais importantes para a diplomacia brasileira, um magistrado que confunde exigência de justiça com clamor de ódio, que vê na punição a torturadores e a perpetradores de golpes de estado apenas vingança, é a expressão mais bem acabada de um país, esse sim, que nunca deixou de olhar para o retrovisor. Um país submetido a um governo que, durante quatro anos, fez de torturadores heróis nacionais, fez de seu aparato policial uma máquina de extermínio de pobres.
Alguns deveriam pensar melhor sobre a experiência social de “elaborar o passado” como condição para preservação do presente. Não existe “superação” onde acordos são extorquidos e silenciamentos são impostos. A prova é que, até segunda ordem, a Argentina nunca mais passou por nenhuma espécie de ameaça à ordem institucional. Nós, ao contrário, enfrentamos tais ataques quase todos os dias dos últimos quatro anos. Nada do que aconteceu conosco nos últimos anos teria ocorrido se houvéssemos instaurado uma efetiva justiça de transição, capaz de impedir que integrantes de governos autoritários se auto-anistiassem. Pois dessa forma acabou-se por permitir discursos e práticas de um país que “ficou preso no passado”. Ocultar cadáveres, por exemplo, não foi algo que os militares fizeram apenas na ditadura. Eles fizeram isso agora, quando gerenciavam o combate à pandemia, escondendo números, negando informações, impondo a indiferença às mortes como afeto social, impedindo o luto coletivo.
É importante que tudo isso seja lembrado neste momento. Porque conhecemos a tendência brasileira ao esquecimento. Este foi um país feito por séculos de crimes sem imagens, de mortes sem lágrimas, de apagamento. Essa é sua tendência natural, seja qual for o governante e seu discurso. As forças seculares do apagamento são como espectros que rondam os vivos. Moldam não apenas o corpo social, mas a vida psíquica dos sujeitos.
Cometer novamente o erro do esquecimento, repetir a covardia política que instaurou a Nova República e selou seu fim, seria a maneira mais segura de fragilizar o novo governo. Não há porque deleitar-se no pensamento mágico de que tudo o que vimos foi um “pesadelo” que passará mais rapidamente quanto menos falarmos dele. O que vimos, com toda sua violência, foi o resultado direto das políticas de esquecimento no Brasil. Foi resultado direto de nossa anistia.
A sociedade civil precisa exigir do governo que se inicia a responsabilização pelos crimes cometidos por Bolsonaro e seus gerentes. Isso só poderá ser feito nos primeiros meses do novo governo, quando há ainda força para tanto. Quando falamos em crimes, falamos tanto da responsabilidade direta pela gestão da pandemia, quanto pelos crimes cometidos no processo eleitoral.
O Tribunal Penal Internacional aceitou analisar a abertura de processo contra Bolsonaro por genocídio indígena na gestão da pandemia. Há farto material levantado pela CPI da Covid, demonstrando os crimes de responsabilidade do governo que redundaram em um país com 3% da população mundial contaminada e 15% das mortes na pandemia. Punir os responsáveis não tem nada a ver com vingança, mas com respeito à população. Essa é a única maneira de fornecer ao estado nacional balizas para ações futuras relacionadas a crises sanitárias similares, que certamente ocorrerão.
Por outro lado, o Brasil conheceu duas formas de crimes eleitorais. Primeiro, o crime mais explícito, como o uso do aparato policial para impedir eleitores de votar, para dar suporte a manifestações golpistas pós-eleições. A polícia brasileira é hoje um partido político. Segundo, o pior de todos os crimes contra a democracia: a chantagem contínua das Forças Armadas contra a população. Forças que hoje atuam como um estado dentro do estado, um poder à parte.
Espera-se do governo duas atitudes enérgicas: que coloque na reserva o alto comando das Forças Armadas que chantageou a República; e que responsabilize os policiais que atentaram contra eleitores brasileiros, modificando a estrutura arcaica e militar da força policial. Se isso não for feito, veremos as cenas que nos assombraram se repetirem por tempo indefinido.
Não há nada parecido a uma democracia sem uma renovação total do comando das Forças Armadas e sem o combate à polícia como partido político. A polícia pode agir dessa forma porque sempre atuou como uma força exterior, como uma força militar a submeter a sociedade. Se errarmos mais uma vez e não compreendermos o caráter urgente e decisivo de tais ações, continuaremos a história terrível de um país fundado no esquecimento e que preserva de forma compulsiva os núcleos autoritários de quem comanda a violência do Estado. Mobilizar a sociedade para a memória coletiva e suas exigências de justiça sempre foi e continua sendo a única forma de efetivamente construir um país.
segunda-feira, 23 de maio de 2022
A ILHA DAS FLORES * E. Precílio Cavalcante * RJ
A ILHA DAS FLORES
Esta simples palavra da língua portuguesa é a lembrança na distância de marcas que a vida nos deixou.
No dia, 16, anteontem, pela manhã, passando o dedo no zap, dei com uma nota que me deu um choque! Como um raio caiu-me um texto falando das cinzas da companheira Marta Klagsbrunn. Não! Pensei. Não pode ser verdade! Mas, infelizmente, era!
Não posso falar do casal de companheiros Victor Hugo Klagsbrunn e Marta sem falar da prisão da Ilha das Flores, onde os conheci. Os dois muito jovens, em torno de 20 e 21 anos. Victor com um sorriso de menino travesso e Marta era a beleza, serenidade e alegria. Sempre rindo!
Embora presos, e em alas separadas, nós sentíamos emoção ao vê-las passar para o banho de sol. Elas mais do que nós, os homens, sentiam a humilhação e a perversidade dos torturadores. Pois todos os presos políticos, homens ou mulheres, eram interrogados nus. Muitas companheiras foram estupradas nas câmaras de torturas, durante a ditadura.
Naquela prisão tinha de tudo: da tortura, na Casa da Ponta dos Oitis, à resistência heroica dos presos políticos que não se dobravam.
O prédio da prisão tinha duas alas. Uma, na frente, voltada para a Baia de Guanabara e a outra, nos fundos, voltada para o bairro de Neves, em Niterói. Na ala da frente ficava a prisão das mulheres.
As presas políticas resistiam cantando canções com letras improvisadas e fazendo política com os guardas.
Os soldados da guarda conversavam muito com elas. E ouviam mais a elas do que aos homens, presos.
Eles ficavam impressionados ao verem mulheres jovens e cultas presas fazendo política. Política que, à época, era uma atividade exclusiva de homens. Mulher era para ser dona de casa, criar filhos!
Elas mandavam o discurso contra a ditadura, a miséria no Brasil e a terrível desigualdade em que vivíamos.
Eles ouviam e alguns acabaram aliados aos presos políticos. Levavam recados e davam informações sobre o que se passava em torno de tudo que nos interessava.
Entre as dezoito ou vinte companheiras presas, eu me lembro da Márcia Savaget, de Marijane Vieira Lisboa, Marta Klagsbrunn e Solange Santana. Estas eram as mais ativas.
Cheguei à Ilha em 18 de dezembro de 1969, à noite. E fui para uma cela dos presos incomunicáveis. Mas no dia seguinte passei a saber tudo o que estava se passando naquele presídio político.
O companheiro Rodrigo Farias Lima organizara uma produção de cinzeiros feitos de palitos de fósforos para arrecadar dinheiro e ajudar às famílias dos companheiros mais humildes. Depois passou a produzir cartões de Natal.
Isto tudo tem uma história dos presos políticos da Ilha das Flores e do espírito empreendedor e humanista do companheiro Rodrigo.
Na segunda quinzena de janeiro de 1970, chegou a notícia da “queda” da direção do PCBR e a morte de Mário Alves, na tortura, na PE da Rua Barão de Mesquita. Os companheiros Apolônio de Carvalho, Miguel Batista, Nicolau Abrantes, entre outros companheiros da direção, estavam sofrendo horrores, torturas cruéis.
A notícia veio por dois companheiros da Marinha que foram depor na Auditoria Militar e os advogados informaram.
Na prisão havia uma liderança muito firme e decidida, exercida por dois companheiros: Wilson do Nascimento Barbosa e Cláudio Torres da Silva.
Ao sabermos da notícia das quedas no PCBR e a morte trágica de Mário Alves, o companheiro Wilson avisou:
“Vamos prestar uma homenagem hoje à noite aos companheiros do PCBR. Quando der a última nota do toque de silêncio, vamos cantar a Internacional e dar vivas ao companheiro Mário Alves. Depois cairemos em sono profundo em todas as celas, em silêncio total. Ninguém dá um pio!”
Dito e feito! Quando o corneteiro deu a última nota do toque de silêncio o brado da Internacional irrompeu. Cantada em português, espanhol, portonhol e finalmente, um “Viva Mário Alves!!” E um “abaixo a ditadura!!” que não constava do script.
A sirene do Batalhão Paissandu berrou, quebrando o silêncio e a tropa se preparou para invadir a ala dos presos políticos.
Mas a montanha pariu um rato! Deu em nada!
Dali em diante, a relação entre os presos e a direção do presídio, que já era muito ruim, ficou péssima. Passamos a ser provocados a todo instante.
E por tão insuportável que a coisa se tornou, acabamos partindo para uma greve de fome. A primeira greve de fome de presos políticos no Brasil no pós 64, durou cerca de 8 dias, mas foi firme e decidida!
As mulheres não participaram da greve, pois já tinham sido enviadas para a prisão de mulheres em Bangu.
Antes das mulheres serem transferidas da Ilha, tínhamos o banho de sol pela manhã. Os presos e as presas iam, um grupo em seguida ao outro.
Mas um certo dia, ao terminar o banho de sol dos homens, a guarda mandou eles subirem para as celas, enquanto as presas desciam.
Naquela hora íamos passando bem ao lado delas, separados, apenas, por uma cerca viva de menos de um metro de altura.
A companheira Marta moderou o passo e quando o Vic foi passando, ela jogou os braços por cima da cerca e agarrou-o dando um beijo de chupão estridente na boca do companheiro Vic!
Os guardas surpreendidos e nervosos gritaram: “Para de galinhagem!” ao que uma das companheiras gritou: “Galinha é a sua mãe!”
O cabo da guarda berrou: “Acabou o banho de sol delas! Não tem mais banho de sol para as mulheres!”
E nós gritamos: “Já estamos em greve de fome, em solidariedade às companheiras!”
O oficial de dia, que não era capitão, veio correndo e desfez as ordens do cabo. E dando ordem falou: “Vai ter banho de sol para as presas, sim! E os presos vão para as celas!”
Não ouve “a greve do beijo” que o amor da companheira Marta Klagsbrunn pelo seu companheiro Victor Hugo provocara.
Foi bonito! Quantas saudades!
A inesquecível companheira Marta Klagsbrunn, com o seu sorriso, a sua alegria e o seu amor, pela causa que abraçamos, lutou a vida inteira por um mundo melhor, por uma sociedade mais justa!
Glória eterna à companheira MARTA KLAGSBRUNN!
E. Precílio Cavalcante, Ilha de Paquetá, 18 de novembro de 2021
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