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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

DE GAZA AO RIO DE JANEIRO FORA GENOCIDAS * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

DE GAZA AO RIO DE JANEIRO, FORA GENOCIDAS!
FORA GENOCIDAS
FORA GENOCIDAS
NARCO/ESTADO/IMPERIALISMO
UM DIÁLOGO ENTRE CAMARADAS:

CAMARADA 1

- Seria o momento de abordar o narco como instrumento do imperialismo. O desgaste que um ataque desse tipo, coordenado em várias cidades de um Estado como o Rio de Janeiro, tomando toda a região metropolitana, com milhões de habitantes, paralisando toda atividade econômica, é exatamente o tipo de evento que interessa às figuras tipo Trump para decretar intervenção militar estrangeira, a título de que o governo local não tem condições para combater o narcotráfico. Ou seja, a acusação de terrorismo que antes era a ferramenta para justificar essas intervenções, agora é um simples "sacode " do crime organizado contra uma população indefesa exposta a todo tipo de violência, desde a inoperância do governo de plantão até a inexistência de articulação das forças militares institucionais.


CAMARADA 2

- Olha, camarada. Esse fortalecimento dos "exércitos" de lumpens desclassados, tem se dado em todo o Brasil praticamente. São Paulo, o centro burguês do Brasil, também está sendo tomado pelo crime.

O narcotráfico e os ganhos com as drogas de tipo mafioso, tem sido uma forma alternativa de acumulação capitalista num contexto marcado pela queda das taxas de lucros na economia real, devido ao que Marx caracterizou como avanço da composição orgânica do capital, ou seja, a sobreposição do trabalho morto sobre o vivo.

No outro lado da moeda estão os contingentes de jovens desempregados estruturalmente, expulsos do mercado formal de trabalho, viraram massas sobrantes na sociedade burguesa tardia, que não pode mais inserir produtivamente enormes quantidades de seres humanos. Esse "dejeto" humano-pela ótica do capital-é a mão de obra não qualificada desse crime "organizado" que cresce em todo o nosso continente, e são os soldados razos, buchas de canhão nessa guerra informal que atinge os centros urbanos nas grandes cidades de nossa América. Expressão clara, objetiva da decomposição mesmo da civilização burguesa.

O que fica claro, é que as políticas de militarização exacerbada e encarceramento sistemático das massas empobrecidas, faliram inapelavelmente. O narcotráfico é um dos grandes negócios no mundo business e fonte de ganhos bilionários no capitalismo em crise estrutural. Portanto, na fase de decomposição geral da civilização burguesa, o mundo do crime é algo que se confunde com a forma de ser da sociedade do capital.

Material e espiritualmente, o narcótico tornou-se algo
que não mais pode ser superado dentro do capitalismo.

CAMARADA 1

....a direita está encurralada tanto pelas políticas internas quanto externas do Lula. A aproximação com Trump fudeu a porra toda, até ao Trump. Com isso, a direita tem que buscar saídas e a pauta segurança é um ponto franco na visão da direita porque o Lula está propondo o uso da inteligência ao invés do ataque frontal ao crime organizado. Esse é  o X da questão. E esse massacre foi pura armação do C. Castro, porque o narco não precisa disso. Ele deu um banho de sangue gratuito até porque o Crime sabe antecipado quando vai ter operação. Quem foi preso ou morto também foi decisão do crime.

Veja que o local escolhido foi só pra fazer mídia, pois esse local - Penha/Complexo do Alemão - é dos mais tranquilos da cidade, não tem disputa com milícia nem concorrente.

Até poderia me estender mas essa cena faz parte do teatro exigido pelo imperialismo pra tentar manter a ofensiva. São atores do segundo e terceiro planos de uma peça que todos sabemos o final: ou Vietnam/Afeganistão ou Líbia/Iraque/Síria.

Mas o ingrediente neste momento inclui Colômbia, onde toda a política "gustavopetrina" não tem sido suficientemente ofensiva pra embananar a direita, o que faz o Trump ficar no ataque o tempo todo. Inclui também a Bolívia, o Peru, Chile, Argentina e todo o cone sul. A exceção é o Brasil. Isso devido as políticas sociais do Lula, que apesar do cerco neoliberal/centrão, tem posto o Lula no topo rumo a 2026. E inclusive Trump com suas taxações esdruxulas, tem concorrido pra isso. 

Nesse caldo todo, o isolamento da direita e o enquadramento do Bolsonarismo pela via judicial, o resultado é o desespero. É isso que estamos vendo no ataque "netanyahuano" de Claudio Castro. Mas tem um detalhe: todas as câmaras corporais dos policiais estavam desligadas durante a operação. Esse dado é o ônus da prova pra incriminar o ainda governador.

Sobre o tema, sugiro os livros:

"Los Narcos Gringos", de Jesus Esquivel;
"As Delícias do Crime ", de Ernest Mandel;
"O Terrorismo de Estado na Colômbia", de Hernando Calvo Ospina


Frente Revolucionária dos Trabalhadores/Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros
FORA CLAUDIO CASTRO GENOCIDA! INTERVENÇÃO FEDERAL NO RIO DE JANEIRO PARA ACABAR COM A MATANÇA!

Claudio Castro é o promotor do maior massacre policial da história do Brasil. São 128 mortos contabilizados e o número de corpos não para de aumentar. São números de países em guerra.

Como primeiro resultado, a operação trouxe cenas indescritíveis. Dezenas de corpos enfileirados em praça pública, a população em desespero, com sinais de tortura. Alguns corpos decapitados, inclusive. Crimes hediondos sendo cometidos sob pretexto de combater o crime. O cenário estarrecedor corre o mundo, e mostra a face da política de segurança pública dirigida por um governador fascista.

O crime organizado domina vastos territórios no Rio de Janeiro, tanto na forma de grupos de traficantes de drogas quanto de milícias. Esse domínio, que oprime a população social e economicamente, se espalha com o beneplácito de autoridades governamentais e policiais. O crime organizado elege parlamentares, influencia o poder judiciário e o executivo.

As atividades criminosas se convertem em um dos mais lucrativos meios de acumulação de capital. Recentes operações dos órgãos de controle revelaram vasto esquema de lavagem de dinheiro que envolve instituições financeiras situadas na avenida Faria Lima. Políticos e autoridades são partícipes dos esquemas.

Periodicamente, a secretaria de segurança pública do Rio de Janeiro realiza operações com grande aparato, resultando em dezenas de mortes. Essas operações são comprovadamente ineficazes, gerando medo na população e prejudicando o cotidiano das cidades. As circunstâncias das mortes, e a identificação dos mortos, nunca são esclarecidas. Membros das forças de segurança, inclusive, engrossam o número de vítimas.

A operação é criminosa em todos os sentidos - sem planejamento, colocando em risco a vida da população e dos policiais, criando o caos, violando direitos e procedimentos regulamentares. Grave, também, é a motivação da operação, de caráter político e eleitoral.

O governador Cláudio Castro enviou para o consulado dos EUA no Rio de Janeiro, relatório do setor de inteligência da segurança pública do Estado. Consta que tal relatório corrobora a narrativa de narcoterrorismo do governo Trump, que justifica os ataques à Colômbia e à Venezuela. Castro trabalha, comprovadamente, com serviços de informações estrangeiros, o que configura traição nacional.

A legislação brasileira tipifica o crime de terrorismo por sua motivação político-ideológica. As facções criminosas têm como motivação ganhos financeiros. Aceitar o conceito de narcoterrorismo é expor o país à intervenção militar estadunidense, desejo expresso dos filhos do ex-presidente.

Está claro que o massacre promovido pelo governador fluminense tem motivação desestabilizadora. Enquanto os governos brasileiros e estadunidenses negociam tarifas e sanções, a ações de desestabilização e desgaste acontecem sem limites.

O governador Cláudio Castro tem de ser afastado do cargo e o Rio de Janeiro sofrer intervenção federal. A possibilidade de uma operação de GLO deve ser afastada. A presença das Forças Armadas só agravaria a situação e configuraria uma ingerência militar em uma questão eminentemente civil, que é a segurança pública.

O fascismo nacional, agente do imperialismo estadunidense, é uma ameaça à classe trabalhadora e ao povo. Deve ser combatido e derrotado. Os fascistas não se furtam de lançar mão da força armada para atingir seus objetivos. Os acontecimentos desse 28 de outubro servem de alerta e mostram a necessidade de mobilização para derrotar essa ameaça.

Liga Comunista Brasileira
A MEGA OPERAÇÃO GENOCIDA NO RIO DE JANEIRO

 Os Estados Unidos vêm exercendo intensa pressão sobre o Brasil na luta contra o narcotráfico desde a posse de Donald Trump. Para intensificar ainda mais essa pressão, Trump aumentou as tarifas de exportação para os Estados Unidos em até 50%. Diante dessa imensa pressão política, o governo Lula resistiu a aceitar essas medidas. Após vários meses de pressão dos EUA e da oligarquia brasileira, o governo brasileiro foi forçado a uma luta completa e implacável contra o narcotráfico, condicionada à normalização do comércio bilateral. O resultado dessa negociação foi uma mega operação nas favelas do Rio de Janeiro, que resultou em um genocídio horrível com mais de 120 mortos, mais de 500 feridos e centenas de detidos. Essa política dos EUA deverá se estender por toda a América Latina.
Gaza é o Rio de Janeiro. Gaza é o mundo inteiro.
Gaza é o Rio de Janeiro. Gaza é o mundo inteiro.

Raúl Zibechi
29 de outubro de 2025

Não há palavras suficientes para descrever o horror que sentimos com o massacre de mais de 130 jovens negros pobres mortos pela polícia do Rio de Janeiro, sob o pretexto de combater o tráfico de drogas.

Foi uma operação de guerra urbana na qual o governo estadual mobilizou 2.500 policiais militares fortemente armados, juntamente com veículos blindados e helicópteros, para atacar os complexos de favelas da Penha e do Alemão, na zona norte da cidade, uma área com alta concentração de pessoas pobres. Esses dois complexos de favelas têm mais de 150 habitantes cada, com uma densidade populacional extremamente alta.

O governo do Rio de Janeiro reportou 60 mortes, mas moradores das favelas levaram mais de 50 corpos às praças, que não foram incluídos na contagem oficial, deixando o número real de vítimas incerto. O número de mortos já subiu para mais de 120.

As reações foram imediatas, desde organizações de direitos humanos até as Nações Unidas, que disseram estar "horrorizadas" com o massacre. Além das estatísticas, existem fatos relevantes.

O genocídio palestino em Gaza é o espelho no qual nós, os povos oprimidos do mundo, devemos nos ver refletidos. Para aqueles no poder, começou um período de caça indiscriminada à população "excedente", porque a impunidade é garantida. Agora, mais do que nunca, Gaza somos todos nós. Poderia ser Quito, San Salvador, Rosário ou Tegucigalpa; o Cauca colombiano ou Wallmapu; talvez as montanhas de Guerrero ou as comunidades de Chiapas. Agora, todos estamos na mira de um capitalismo que mata para acumular riqueza mais rapidamente.

Os traficantes de drogas falam com a mesma insensibilidade com que se referem aos palestinos, aos mapuches ou aos maias. São apenas desculpas. Argumentos para a classe média urbana. Mas a história recente nos mostra que eles estão criando laboratórios para o genocídio.

No Equador pacífico, quando o povo os derrotou na revolta de 2019, eles reagiram libertando criminosos de prisões transformadas em espaços de extermínio, onde a mídia mostrou prisioneiros jogando futebol com a cabeça de um homem decapitado.

Em Cauca, a mineração a céu aberto e o cultivo de drogas exacerbaram a violência paramilitar contra as comunidades Nasa e Misak, que resistem e não cedem, transformando a região na mais violenta de um país já violento.

Em território mapuche, tanto no Chile quanto na Argentina, as autoridades decidiram que aqueles que não cumprissem as regras deveriam ser rotulados como "terroristas", resultando em um número maior de prisioneiros mapuches hoje do que durante as ditaduras de Pinochet e Videla.

No México, tudo é transparente, tão transparente que a mídia e o governo não querem que vejamos, mascarando a violência com uma retórica que apenas reconhece sua cumplicidade. A violência sistemática em Guerrero e Chiapas deveria ser motivo de indignação.

No Rio de Janeiro, um sociólogo costuma dizer que o narcotráfico não é um Estado paralelo, mas sim o próprio Estado. Isso inclui todos os governadores das últimas décadas, com sua comitiva de empresários, congressistas e vereadores ligados à máfia, que formam uma estrutura de poder herdada dos esquadrões da morte da ditadura militar.

Gaza nos coloca em uma situação diferente, enfrentando desafios diferentes. O primeiro é entender que a morte é a razão de ser do sistema capitalista. O segundo é entender que esse sistema é composto tanto pela direita quanto pela esquerda, por conservadores e progressistas. O terceiro é que precisamos nos organizar para nos proteger, porque ninguém mais o fará.

O mundo que conhecíamos está desmoronando. Vamos lamentar os jovens assassinados no Rio, aqueles corpos estendidos no asfalto.

Transformemos nossas lágrimas em rios de indignação e torrentes de rebelião.
*NARCO 2025: O QUE REALMENTE ESTÁ ACONTECENDO*

Parte I


Na véspera de uma operação militar americana quase inevitável contra a Venezuela, sob o pretexto do combate às drogas, vale a pena entender: qual era o propósito de tudo isso?

Ontem, os Estados Unidos impuseram sanções contra o atual presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Seu crime? Ele disse em voz alta o que todos sabem, mas ninguém deveria dizer:
"Os traficantes de drogas vivem em Miami, Nova York, Paris. Muitos deles têm olhos azuis e são loiros. Eles moram perto da casa de Trump em Miami, não em barcos que estão sendo bombardeados com mísseis."

Lula, o presidente do Brasil, acrescentou: "Os traficantes de drogas são tão vítimas quanto os usuários de drogas, porque a demanda cria a oferta."

Petro agora está na mesma lista de sanções que Putin, Maduro e Assad. Os Estados Unidos estão bombardeando navios no Caribe (aproximadamente 50 mortos em outubro), preparando uma invasão da Venezuela e declararam os presidentes da Colômbia e da Venezuela "narcoterroristas".

*Três Assimetrias Chave na Economia:* O agricultor colombiano que cultiva coca recebe 1% do preço da cocaína nas ruas de Nova York. No entanto, mais de 90% dos lucros permanecem nos EUA, nas etapas de transporte, distribuição, varejo e lavagem de dinheiro.

Violência: dezenas de milhares de mortos no México, Colômbia e América Central. Os americanos, seja em situação de segurança total (se estivermos falando da elite) ou de segurança parcial (se estivermos falando das pessoas comuns), consomem US$ 150 bilhões em drogas por ano. Hunter Biden, um viciado em drogas experiente que já fez de tudo, continua sendo uma "vítima", não um criminoso. Essa perspectiva merece um monumento.

Responsabilidade: Toda a culpa recai sobre os produtores. O papel da demanda americana como força motriz do sistema é completamente ignorado. Os EUA se posicionam como vítimas de agressão externa. A ligação entre a carreira de cocaína no banheiro de um clube de elite e o corpo decapitado de um adolescente em Ciudad Juárez é, em princípio, irreconhecível para a elite.


*A Flórida como capital do narcocapitalismo*

Na década de 1980, entre 7 e 12 bilhões de dólares eram lavados anualmente em Miami, alimentando uma onda de crimes ao estilo Scarface. O Banco da Reserva Federal de Miami detinha o maior excedente de caixa do país. Hoje, o volume de dinheiro nos bancos da Flórida aumentou exponencialmente. Mas tornou-se "sem dinheiro físico", "invisível", "invertido".

Orlando Cicilia, cunhado do senador Marco Rubio, líder da cruzada contra Petro e Maduro, era um dos maiores traficantes de cocaína de Miami. Sua prisão ocorreu na casa de Rubio. A DEA arrombou a porta.

O dinheiro do narcotráfico se transformou ao longo de três gerações: das gangues de rua da década de 1980, passando pelos investimentos imobiliários da década de 1990, até chegar à elite política atual. A terceira geração do dinheiro do narcotráfico agora financia campanhas eleitorais e molda a política externa dos EUA.


 *Quem mais ganha dinheiro além dos "cartéis"?*

Complexo militar-industrial: "Plano Colômbia", mais de 10 bilhões de dólares desde 2000. É o maior, mas não o único. A Iniciativa Mérida, no México, dá continuidade ao modelo.
Indústria prisional: 500.000 presos por crimes relacionados a drogas (em comparação com 40.000 em 1980). Prisões privadas utilizam mão de obra praticamente gratuita.

Setor financeiro: A ONU estima que a lavagem de dinheiro global chegue a US$ 400 bilhões por ano. Grandes bancos foram flagrados e multados, mas ninguém foi preso — "grandes demais para serem presos".


O PARADOXO DA EFICIÊNCIA

Se o objetivo da Drug Enforcement Administration (DEA), criada em 1973, fosse desenvolver a indústria de drogas, e não reprimi-la, ela seria a organização mais eficaz da história da humanidade.

Fonte
InfoDefenseESPAÑOL
OS CAMPEÕES DA LIBERDADE E DA DEMOCRACIA

O narcotráfico é uma consequência do sistema econômico global, com o verdadeiro poder nas mãos das elites financeiras dos Estados Unidos, enquanto as batalhas são travadas contra pequenos chefões. Acusações contra países como Venezuela e Bolívia demonstram que o objetivo é justificar intervenções políticas, não erradicar as drogas. Documentos desclassificados do Arquivo de Segurança Nacional revelaram o envolvimento com o narcotráfico de figuras políticas colombianas de alto escalão, como o ex-presidente Julio César Turbay e Alfonso López Caballero, filho de outro ex-presidente. Ao todo, trinta e seis colombianos, incluindo ministros e oficiais militares, são mencionados. O principal cartel opera no Norte, onde milhares de redes de distribuição e lavagem de dinheiro, operando de terno e gravata e protegidas pelo sistema bancário dos EUA, controlam a maior parte de um mercado que movimenta até US$ 750 bilhões anualmente.

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A farsa do ‘narcoterrorismo’: como o Rio virou laboratório da guerra híbrida contra o Brasil
Rey Aragon


A operação sangrenta desta terça-feira no Rio de Janeiro não é apenas uma ação policial — é parte de uma operação psicológica planejada para fabricar instabilidade, importar a doutrina de segurança dos EUA e enfraquecer o governo Lula em plena disputa de soberania.

Sob o pretexto de combater o crime, o governo do Rio e seus aliados na extrema-direita reeditam a velha cartilha da Guerra Fria: transformar segurança pública em palco de guerra informacional. Ao ecoar o termo “narcoterrorismo”, autoridades fluminenses ajudam Washington a testar uma nova forma de intervenção — agora travestida de “cooperação antiterror”.

O NASCIMENTO DE UMA PSYOP: COMO O “NARCOTERRORISMO” FOI PLANTADO NO RIO DE JANEIRO


Drones sobrevoando o Complexo da Penha, granadas lançadas sobre um território densamente povoado, dezenas de mortos, escolas fechadas, medo generalizado. As imagens correram o mundo antes mesmo que os fatos fossem apurados — e bastou uma frase do governador Cláudio Castro para fixar o enquadramento desejado: “é narcoterrorismo”. Essa palavra, lançada ao espaço informacional com a frieza de quem sabe o que diz, não é apenas um erro semântico. É uma arma.

O episódio desta terça-feira, 28 de outubro de 2025, marca o ápice de uma operação psicológica cuidadosamente calibrada para fabricar a sensação de colapso da segurança pública e, com isso, legitimar uma agenda geopolítica que não nasce no Brasil. O termo “narcoterrorismo” — juridicamente inexistente no direito brasileiro — serve como chave simbólica para importar o vocabulário estratégico de Washington e deslocar o eixo da narrativa nacional: o que era crime organizado se transforma, subitamente, em “ameaça hemisférica”.

Essa manipulação discursiva tem objetivos precisos. Internamente, consolida o projeto de poder da extrema-direita, que precisa do medo como combustível político; externamente, reabre a porta para a doutrina de segurança dos Estados Unidos, que volta a enxergar a América do Sul como um campo de “risco híbrido” a ser contido. O governo do Rio, ao adotar esse léxico, atua como vetor de uma psyop de alcance internacional: produz instabilidade, fragiliza o governo federal e fornece à imprensa estrangeira o argumento pronto de que o Brasil perdeu o controle sobre seu território.

No campo informacional, não há improviso. A sincronização entre a operação militar, o uso do termo “narcoterrorismo” e sua replicação imediata por agências internacionais forma um roteiro já conhecido da guerra híbrida contemporânea: criar o caos, nomeá-lo sob o signo do inimigo global e exigir intervenção sob o pretexto da ordem. O que se passa hoje no Rio de Janeiro é menos sobre segurança e mais sobre soberania. É o ensaio de uma nova ofensiva cognitiva contra o Brasil.

O ESPETÁCULO OPERACIONAL: A GUERRA QUE PRECISA SER VISTA


Nada em uma psyop acontece por acaso — nem o horário da operação, nem os enquadramentos, nem o som das explosões. O que se viu nas ruas do Rio de Janeiro, na manhã de 28 de outubro de 2025, não foi apenas uma ação policial de grande porte: foi a encenação de uma guerra cuidadosamente coreografada para as câmeras. Blindados, helicópteros, drones e rajadas de fuzil compuseram a mise-en-scène perfeita para a criação de uma narrativa de colapso.

A operação “Contenção”, mobilizando mais de 2.500 agentes em uma única manhã, foi vendida como resposta ao avanço das facções criminosas, mas seu resultado real foi outro: gerar imagens de caos controlado, capazes de circular instantaneamente nas redes, nas TVs e nos portais internacionais. A guerra híbrida, afinal, depende da visibilidade — sem imagem, não há medo; sem medo, não há consentimento.

O impacto simbólico foi imediato. As cenas de granadas lançadas por drones e das favelas cobertas por fumaça não apenas criaram pânico, mas legitimaram o discurso de exceção. Em poucas horas, escolas fecharam, ônibus pararam, e a cidade mergulhou em um estado de paralisia emocional. Esse é o objetivo da operação psicológica: gerar percepção de perda de controle, mesmo quando o controle — militar e narrativo — está nas mãos de quem manipula a cena.

Ao transformar a segurança pública em espetáculo bélico, o governo do Rio recriou a estética do medo, fundamento essencial das democracias sitiadas. As câmeras da imprensa, estrategicamente posicionadas, captaram não apenas o confronto, mas o argumento: “o Estado enfrenta terroristas”. O que se transmite ao mundo, no entanto, é outro enredo — o de um país em colapso, incapaz de governar seus próprios territórios.

A guerra híbrida se alimenta desse paradoxo: quanto mais o Estado aparece como forte, mais ele se revela vulnerável; quanto mais promete segurança, mais fabrica insegurança. Essa é a lógica do espetáculo operacional — a guerra que precisa ser vista para cumprir sua função simbólica.

A ENGENHARIA DISCURSIVA: COMO SE FABRICA UM INIMIGO INTERNO


Nenhuma guerra híbrida se sustenta sem narrativa, e nenhuma narrativa se impõe sem engenharia discursiva. No caso do “narcoterrorismo”, o processo foi milimetricamente orquestrado: primeiro a imagem, depois o rótulo, em seguida a viralização, e por fim, a legitimação política.

O ciclo começa nas imagens. Drones, explosões, correria, fumaça — tudo registrado, editado e difundido em tempo real por canais oficiais e perfis aliados ao governo do Rio. O objetivo: criar o clima de guerra. Na sequência, surge a palavra-chave — “narcoterrorismo” — pronunciada por uma autoridade e imediatamente reproduzida por toda a máquina de comunicação bolsonarista. O termo não tem base legal, mas tem valor simbólico. Ele transforma criminosos em “inimigos do Estado” e o Estado em “bastião da civilização”, invertendo completamente a lógica jurídica e democrática.

Essa retórica é amplificada por um ecossistema previsível: portais da extrema-direita, influenciadores que orbitam o bolsonarismo digital e veículos internacionais predispostos a enquadrar o Brasil como “país em colapso”. A palavra é o vetor. Quando o rótulo chega à Reuters, à CNN en Español e ao El País, ele já cumpre sua função — legitimar o medo como verdade global e transferir o eixo do debate do campo policial para o campo geopolítico.
ANEXOS
BANCADA PL.RJ
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sexta-feira, 16 de maio de 2025

Ditadura Civil – Militar na Favela do Moinho na Cidade de São Paulo * Liga Comunista Brasileira/LCB

Ditadura Civil – Militar na Favela do Moinho na Cidade de São Paulo

A favela do Moinho é denominada como a última no centro velho de São Paulo. Seus moradores, em sua maioria pessoas pobres e trabalhadoras, vivem a mais de 30 anos no local, na região do velho Campos Elísios. Muitos desses são trabalhadores em situação de subemprego, informalidade e vivendo da baixa renda e ajuda coletiva entre os próprios moradores.

O Governo Federal em gestões passadas acordou que o terreno da União fosse cedido para fazer um parque no local, em troca do remanejamento cuidadoso da população para apartamentos da CDHU. No entanto, a CDHU tem entregado cada vez menos unidades habitacionais populares — muitas delas pequenas, inadequadas e distantes do centro. Isso desconsidera o fato de que os moradores da Favela do Moinho possuem, há décadas, suas vidas organizadas na região central, onde mantêm laços familiares, atividades econômicas e meios de sobrevivência.

Há tempos, o plano diretor tem São Paulo tem sido descumprido, ações que possibilitem a moradia social digna tem sido escanteadas de forma que a população é sempre deslocada cada vez mais às periferias e longe do centro. A tentativa de remover a “última favela do centro” com violência é apenas uma demonstração do caráter higienista da política de habitação no estado de São Paulo.

Em ação autoritária e sem cumprir com a contrapartida da moradia social o Desgoverno ditador de Tarcísio de Freitas resolveu expulsar os moradores da favela, para tomar posse do terreno, com o uso da força policial sob o comando do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, cuja postura tem sido comparada à de um "carniceiro", ao liberar a repressão contra a população, com argumento que a favela fornece drogas para Cracolândia, generalizando um problema que está em toda cidade e não somente no centro.

O governo Federal emitiu nota solicitando paralização do processo de cessão do terreno, mas a ditadura de Tarcísio resolveu tomar o terreno na marra e expulsar os moradores.

Além de denunciarmos a Ditadura de Tarcísio, é necessário o Governo Federal sair da apatia de enviar apenas uma nota para imprensa, sair da apatia imposta pela Frente Ampla e aceita passivamente.

É preciso que o Ministério da Cidades/Governo Federal rompa com a apatia da Frente Ampla e atue na questão e faça cumprir o acordo feito com a CDHU nesse 15 de maio, pois o que a tirania de Tarcísio está fazendo nesse momento é além de tudo tentativa de roubo de um terreno da União.

Não a desapropriação na favela do Moinho, chega de repressão!

- Liga Comunista Brasileira - Núcleo Grande São Paulo.

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Imperialismo Genocida * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

Imperialismo Genocida

Ganhe quem ganhar, o imperialismo segue avançando seus interesses contra os povos.

O Republicano de extrema direita Donald Trump foi eleito pela segunda vez à frente da presidência da república da principal potência imperialista do mundo, contra a Democrata Kamala Harrís.

Segundo o jornal O Globo, "Até o momento, Trump vence em 27 estados. Há ainda cinco onde não foi declarado o vencedor" ("O Globo ", 06/11/2024).

O direitista Republicano retorna a gerência da pátria estadunidense após quatro anos, num contexto marcado pelo agravamento do declínio histórico do imperialismo no mundo. O regime político interno dos Estados Unidos, apesar do relativo crescimento econômico conjuntural e superficial, vive uma crise persistente, o agravamento da decadência social do país é algo inédito; o irracionalismo, a decadência cultural e a barbárie ideológica tomaram por completo o espírito geral que impera na sociedade estadunidense.

Externamente, o imperialismo sofre uma derrota de grandes proporções geoestratégicas na Ucrânia, vê seu posto avançado no Oriente Médio chamado "Israel", atolado num duro combate com o "Eixo da Resistência" árabe e isolado mundialmente. Por outro lado, a ascensão de China e Rússia como importantes atores geopolíticos internacionais e o crescimento dos BRICS na arena internacional, ameaçam colocar freios ao poder unipolar dos Estados Unidos e sua hegemonia terrorista no mundo; também, o imperialismo já pode ver no horizonte a decadência e contestação do sistema monetário do petrodólares, uma das colunas centrais de sustentação de seu poderio guerreirista sobre os povos.

Em tal conjuntura, a tendência é que o próximo governo Republicano, embora em grande medida assentado numa fração da burguesia estadunidense, mais ligada ao mercado interno, dar continuidade em linhas gerais à política imperialista terrorista agressiva do Democrata Joe Biden. Sobretudo porque trata-se de defender interesses estratégicos fundamentais do Estado imperialista Norte Americano diante de seu franco declínio mundial. Republicanos e Democratas, embora relativas às diferenças por expressarem determinadas frações das classes dominantes ianques, com determinados interesses econômicos, representam naquilo que se torna estratégico e fundamental, alas diferentes do partido único da burguesia imperialista.
Os Democratas, inclusive, tem se mostrado mais alinhados com as frações mais expansionistas de sua burguesia. Basta vermos que foi durante o governo do negro simpático e Democrata Barack Obama, que explodiu um processo avassalador do golpismo imperialista no mundo sob as formas de revolução colorida e guerras híbridas.

Tanto a região do Oriente Médio, como América Latina, Norte da África e Europa do Leste sofreram, ou estão sofrendo processos de reconfiguração em seus respectivos mapas geopolíticos, devido às guerras híbridas ou convencionais, articuladas por Washington e seus pré postos cabeças de ponte nas respectivas regiões.. As chamadas "Primaveras Árabes", o golpismo generalizado que promoveu mudanças de regime em diversos países latino-americanos desde 2009, o golpe nazista na Ucrânia em 2014, o genocídio contra o povo palestino e libanês de agora, etc., tiveram origem e/ou continuidade durante os sanguinários governos Democratas nos Estados Unidos, desde o negro Obama, até o velhinho gagá identitário Biden.

O direitista fascista Trump por exemplo, apesar das bravatas e torpezas, não cometeu nem de longe nada parecido com os crimes da dupla Democrata Obama/Biden (poderíamos acrescentar nesta lista a criminosa e assassina madame Hilary Clinton).

Não queremos dizer com isso, que o fanfarrão Donald Trump seja supostamente mais "moderado" ou "comedido" como gerente do agressivo império estadunidense. Não, de forma alguma. Trump, assim como seus antecessores, não passa de um serviçal dos interesses das classes dominantes imperialistas e portanto, apesar de diferenças pontuais com seus parceiros Democratas, terá de cumprir no essencial, aquilo que for de interesse da hegemonia guerreirista imperial.

A classe operária e os povos oprimidos do mundo, não podem ter o mínimo de ilusões em quem quer que seja o gerente da vez na pátria ianque. A chamada "esquerda" brasileira da atualidade, pequena burguesa e vinculada ideologicamente com os modismos universitários identitários que vêm dos Estados Unidos, há demonstrado histeria e desespero diante da vitória do direitista Trump, como se sua concorrente, Kamala Harrís, não estivesse envolvida diretamente com o genocídio do povo palestino e as provocações contra a Venezuela, Rússia, Irã e China, que podem levar o mundo a uma terceira guerra mundial nuclear. Isso mostra a falência total dessa "esquerda" identitária e do governo petista de Lula, alinhado até a medula com o partido Democrata e o genocida Joe Biden.

Ganhe quem ganhar, o imperialismo estadunidense, base de sustentação do modo de produção capitalista no mundo e bastião Internacional da contra-revolução e do irracionalismo, guia-se por seus interesses de dominação total contra os povos, nem que para isso leve a humanidade toda a sua destruição.

A esquerda no mundo precisa voltar às suas origens históricas. Retornar aos ensinamentos de Marx, Engels, Lenin, Trotsky, Mao TSE Tung, Guevara, etc., é fundamental para superar a atual confusão ideológica pós moderna que ganhou terreno nas últimas décadas de auge da contra-revolução mundial.

Voltar-se à luta antiimperialista irredutível, ao combate internacional contra o capital e pelo comunismo, deve ser nosso norte e de todos os trabalhadores conscientes do mundo, no atual período de decadência geral do regime burguês e que tem se expressado no declínio histórico do imperialismo americano.

MAIS IMPERIALISMO GENOCIDA

Frente Revolucionária dos Trabalhadores
FRT

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

As palavras apodrecem * Luiz Eduardo Soares/RJ

As palavras apodrecem
Luiz Eduardo Soares


O mais dilacerante sofrimento humano não é nomeável, descritível, muito menos mensurável. Transborda os limites da linguagem e de qualquer medida. Sua natureza é a incomensurabilidade. Por isso, quando provocado, este sofrimento, por ações alheias evitáveis, não pode ser justificado, não cabe em nenhuma sequência moralmente motivada de atos.

 Milhares de crianças mutiladas, membros amputados sem anestesia, espíritos destroçados, seus mundos familiares arruinados, seu espaço devastado, as coisas que as cercam estilhaçadas e calcinadas. Essas palavras estão vazias, evocam mas não substituem os corpos empilhados em Gaza, apodrecendo em Gaza: as palavras também apodrecem. 

Nenhum sofrimento extremo é comparável a nenhum outro, porque não pode ser partido em unidades, pesado, delimitado, contabilizado, apreendido fora de si mesmo, dado a outrem como um dom, devolvido por seu preço em moeda comum, a moeda que se troca entre mãos hábeis. 

O sofrimento excruciante da criança em agonia é um só, um oceano e um deserto, sem começo nem fim: a história interminável do avesso do que gostaríamos de chamar humano. A criança em pânico, agonizando em Gaza, é a mesma criança em pânico agonizando no campo de concentração nazista. 

As duas agonias não são comparáveis porque são uma só e a mesma agonia. Nenhum de nós, nenhuma testemunha tem medida para distinguir, hierarquizar e comparar. Nenhum de nós tem o direito de sugerir que sabe o que é isso de que falamos para velar. 

Mas temos o dever de nos postar como guardiões da inexpugnabilidade do sofrimento extremo, de sua incomparabilidade, de sua incomensurabilidade, de sua irredutibilidade à linguagem e a toda forma de neutralização. E temos também o dever de nomear os carniceiros. 

Os agentes das carnificinas, o governo de Israel e os nazistas, cometeram crimes contra a humanidade e têm de responder perante a história. Seus crimes não são comparáveis. São um só.


(Luiz Eduardo Soares).
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terça-feira, 29 de agosto de 2023

quarta-feira, 31 de maio de 2023

LISTA NEGRA DO GENOCÍDIO INDÍGENA * FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES?/FRT

LISTA NEGRA DO GENOCÍDIO INDÍGENA
*Você vai se calar ?* 

Há 523 anos atrás houve um grande genocídio nesta terra.
Uma grande devastação!
Naquela época foi impossível prever o que aconteceria. 
Que territórios seriam devastados , que a natureza seria usurpada, que haveriam estupros , sangue e morte.
Que pessoas seriam escravizadas e violadas.
Queimadas vivas, destroçadas.
Que muitos teriam que fugir para não morrerem como sua gente.
Por isto não culpo meus ancestrais por terem acreditado nos invasores. Eles não tinham como saber....
Mas...e vocês ?
O que há com vocês ?
Não estamos em séculos atrás . Estamos em 2023 e é uma vergonha a gente achar que o que está acontecendo com os indígenas hoje não vai te afetar.
Você vai se calar?
Fico me perguntando as vezes se os invasores que assassinaram , invadiram e mataram tivessem a oportunidade de voltar o que diriam para o Brasil de hoje? Será que pediriam desculpa e tentariam fazer algum tipo de reparação dos danos causados?
E vocês no futuro? Em tendo se calado diante do Marco temporal e do PL 490 , o que dirão aos seus descendentes?
Teriam coragem de dizer que se calaram e por isso as aldeias indígenas foram com a permissão do governo, invadidas, EXPLORADAS, massacradas?
Dirão que os povos isolados por sua permissão foram violados? Que florestas deram lugar a pastos e rios foram poluídos por minérios ?
Quero que saibam que haverá guerra ! 
Assim como houve no passado os povos indígenas irão lutar até a morte.
E o que você dirá ? 
Irá permitir que nos livros das escolas esteja escrito a história de um povo covarde e egoísta que não raciocinou que não eram somente os indígenas que seriam atingidos , mas todo o planeta sofreria as consequências dos atos de gente genocida e usurpadora?
Cocar não é enfeite.
Cocar é resistência.
Honre seus ancestrais. Faça a reparação agora dizendo Não ao Marco temporal e o PL 490.
E se for indígena ou negro fique muito atento.
Primeiro eles fazem leis para retirar seus direitos .
Depois eles voltam para terminar o que os seus ancestrais deixaram pela metade por conta da resistência de nosso povo.
Não queremos reviver o que nossos ancestrais passaram na mão desse povo.
Há muito mais em jogo. Se essa boiada passar, passará nosso direito de sermos livres e escolhermos nossos caminhos.
Voltaremos a senzala. Seremos expulsos de nossas aldeias.
Morreremos pela segunda vez na história.
Não se cale. Lute como pode, mas lute.
Não podemos trazer de volta o Brasil de 523 anos atrás , nosso PINDORAMA.
Mas podemos não ser responsáveis pela destruição do nosso próprio hábitat natural e da nossa liberdade.

Awery

Texto: Rita Capotira 
@rita_capotira

quarta-feira, 17 de maio de 2023

TRANSGÊNICOS DÃO CÂNCER * Naiara Bittencourt/Terra de Direitos

TRANSGÊNICOS DÃO CÂNCER 

Base da alimentação e da cultura brasileira, o milho sofreu um duro golpe em 2007. No dia 16 de maio daquele ano e sem a adequada análise de impactos ao meio ambiente e à saúde, o milho _Liberty Link_ foi aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Da empresa transnacional Bayer, o milho Liberty deu abertura aos registros de demais variedades de milho geneticamente modificado (OGM) no país.

Passados 16 anos muita coisa aconteceu. Houve a resistência de organizações sociais - entre ela a Terra de Direitos – à liberação da variedade, com a denúncia pública e o acionamento da justiça para anulação da decisão. O país também viveu e vive uma percepção crescente da população sobre o quão danoso é o modelo de produção agrícola pelo agronegócio.

E o que a liberação pelo CTNBio, em março deste ano, do cultivo de trigo transgênico HB4 nos diz sobre como o país trata o dever de preservar a saúde e o meio ambiente, como determina a Constituição? A assessora jurídica da Terra de Direitos Naiara Bittencourt relata como foi essa história.


Saiba mais sobre a Ação Civil Pública movida pelas organizações:
ANEXO
DESVIO DE VERBAS
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

CPI DO GENOCÍDIO YANOMAMI JÁ! * Alceu Castilho - SP

CPI DO GENOCÍDIO YANOMAMI JÁ!

Eu quero uma CPI dos Yanonami que investigue o dinheiro do garimpo que foi parar nos bancos. Que investigue também os bancos.

Ou o capital continuará sendo indiferente à origem do dinheiro?

Eu quero uma CPI dos Yanonami que investigue os donos da logística e dos portos, os donos dos hotéis e postos de combustível.

Vou insistir: quero uma investigação que envolva o dinheiro.

Eu quero um Tribunal Internacional que investigue os compradores estrangeiros desse ouro, os donos dos equipamentos — e os donos dos portos e bancos localizados em outros países.

Eu quero investigações sinceras. E elas passam pelo caminho do dinheiro. Da riqueza. Da desigualdade. Da ostentação. Da dolce vita.

Eu não quero só comoção, não, eu não quero um jornalismo compungido, eu quero um jornalismo crítico, um jornalismo que não seja distraído em relação aos interesses do capital.

Um jornalismo que entenda os fatos, que entenda a cadeia dos fatos, que entenda a cadeia econômica dos fatos, a singela e escancarada evidência de que o garimpo é uma das pontas de lança do capital, intrinsecamente expansionista.

Eu quero uma discussão acadêmica internacional sobre as origens econômicas (e agrárias, territoriais) dessa violência, sobre a presença obrigatória da economia ilegal no circuito de expansão da economia supostamente legal — a dos portos e hotéis e bancos.

Eu quero a Globo falando desse circuito, eu quero ver a Globo dizendo que o agro (negócio) é também garimpo e crianças famélicas e indígenas dizimados. A apontar o papel do negócio na matança, a união entre fazendeiros, garimpeiros e madeireiros.

Eu quero ver essa gente cínica chorando durante a CPI dos Yanonami ou em um Tribunal Internacional como cúmplice e como artífice, essa gente cínica respondendo como artífice da defesa de um modelo insustentável — violento.

Eu quero ver os apresentadores passarem da comoção para a consciência, a mostrar o papel sangrento do modelo, a face genocida desse sistema, sem distrações, manipulações e foco apenas nos braços armados do garimpo, nos coitados violentos com dente de ouro.

Eu quero os nomes dos mandantes, os nomes poupados dos mandantes, os nomes omitidos dos financiadores, os nomes de cada um dos engravatados (ok, o nome dos políticos também, esses despachantes), dos empresários que ganharam nas últimas décadas, com a morte de rios e indígenas, e daqueles que celebraram a expansão econômica responsável por essa mesma morte de rios e indígenas, inclusive daqueles que fazem de conta que se comovem com a morte de rios e indígenas, aí incluídas as grandes corporações, multinacionais, banqueiros.

Porque o resto é conversa para boi dormir, enganação cíclica, matança, matança igual, mais matança, matança simbólica e matança efetiva.

Alceu Castilho - SP

sábado, 28 de janeiro de 2023

ROTEIRO DO HOLOCAUSTO BOLSONARO * LIRA NETO / JORGE PONTES . BR

ROTEIRO DO HOLOCAUSTO BOLSONARO











BOLSONARIM GRILEIRO
SONIA BRIDI

Bolsonarismo é a raiz da tragédia ianomâmi


A tragédia humanitária que atingiu comunidades indígenas que fazem parte da Reserva Yanomami não foi um desastre, mas um projeto - e um projeto com as digitais de Jair Bolsonaro e de seus generais palacianos.


Para entendermos como o ex-presidente está imbricado nesta crise, temos de considerar que os teóricos do bolsonarismo ainda professam doutrinas e objetivos absurdamente anacrônicos e equivocados - do período do governo militar - quando o general Golbery do Couto e Silva, segundo suas próprias palavras, preconizava “inundar de civilização a hileia amazônica, a coberto dos nódulos fronteiriços, partindo de uma base avançada constituída no Centro-Oeste, em ação coordenada com a progressão Leste-Oeste segundo o eixo grande rio”.


Ora, simplesmente “inundar de civilização” a Amazônia não nos parece medida que harmonize com os modernos ideais de equilíbrio, conservação e sustentabilidade, e tampouco respeita a necessidade de preservação da biodiversidade da região.


A complacência e, até certo ponto, a permissividade com que esse pensamento, nos dias atuais, não apenas aceita como incentiva algumas atividades econômicas extremamente destrutivas para a Amazônia, como garimpos, lavra de arrozeiros e madeireiros, talvez seja um resquício dessa visão de Golbery, na qual “inundar a região de gente" era o que mais importava, sem se levar em conta o grande número de pessoas que explorariam atividades não sustentáveis e extremamente danosas ao meio ambiente.


E, coincidentemente, há uma outra obsessão, também presente na "doutrina" bolsonarista: a defasada ideia fixa da cobiça internacional sobre a Amazônia. É aí que entra exatamente a questão da Reserva Indígena Yanomami, onde o ideário do ex-capitão a enxerga, em delírio, por conta de suas dimensões e da contiguidade com o território venezuelano, como um grande perigo para a nossa soberania.


A par da expressiva quantidade de militares - da reserva e da ativa - que apoiaram (e ainda apoiam) Jair Bolsonaro, nos parece que tais idéias e premissas defasadas ainda seriam compartilhadas nas fileiras, e até nas escolas de formação e aperfeiçoamento, do nosso Exército.


De volta aos dias atuais, lembramos que os yanomami enfrentam essa crise sanitária e humanitária sem precedentes, exatamente devido ao avanço do garimpo ilegal na região. Só na última semana quase mil indígenas foram socorridos em estado de saúde gravíssimo.


E essa percepção em relação à tolerância do pensamento militar com algumas atividades que degradam o meio ambiente infelizmente vem se sedimentando aos olhos da sociedade. Exemplos não faltaram ao longo do tempo: da crise dos arrozeiros em Roraima nos idos de 2008, até a tragédia do meio ambiente do governo de Bolsonaro, cuja administração ambiental foi inundada de policiais militares e oficiais do Exército, sem qualquer ligação direta com temas ambientais.


Um exemplo - recente - dessa situação foram as sete autorizações concedidas, em dezembro de 2021, pelo general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), para projetos de mineração de ouro em uma das regiões mais preservadas do país, em São Gabriel da Cachoeira, na Cabeça do Cachorro, extremo noroeste do Amazonas, fronteira do Brasil com a Colômbia e a Venezuela.


Nessa área encontram-se o Parque Nacional do Pico da Neblina e algumas terras indígenas. Segundo matéria da Folha de São Paulo, em 5 de dezembro de 2021, a região onde as permissões de pesquisas foram concedidas abrigam 23 etnias indígenas. Esses projetos na região de São Gabriel da Cachoeira representam uma área de 12,7 mil hectares, e seis desses empreendimentos ocorrem em “terras da União”.


O general Heleno, que claramente extrapolou ao expedir essas concessões de pesquisa, foi um dos principais conselheiros de Bolsonaro, e foi também secretário-executivo do Conselho de Defesa, órgão consultivo do presidente da República em temas de soberania e defesa.


Infelizmente, podemos estar testemunhando o início do processo de degradação de uma das áreas mais protegidas e intocadas da nossa floresta, e, por consequência, a ocorrência de outras crises humanitárias, tendo como vítimas as respectivas populações indígenas que habitam aquela região.


Com esse derrame de autorizações, Augusto Heleno provavelmente tenha atuado conforme a velha e retrógrada cartilha de Golbery.


Por oportuno, é chegada finalmente a hora do atual governo promover uma revisão nos currículos, doutrinas e conceitos ministrados nas escolas de formação das nossas forças terrestres, visando atualizá-los. Nada mais importante para o nosso Exército do que se descolar do trágico ideário bolsonarista.


E, finalmente, o ex-presidente Jair Bolsonaro e, principalmente, o seu vice-presidente, Hamilton Mourão, que era coordenador do Conselho Nacional da Amazônia Legal, deverão ser formalmente questionados sobre as medidas que tomaram - e deixaram de tomar - para evitar a tragédia que atingiu o povo ianomâmi.


https://veja.abril.com.br/coluna/jorge-pontes/bolsonarismo-e-a-raiz-da-tragedia-ianomami/ 

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