O capitalismo está podre. Todos sabemos disso. Mas ele não cai sozinho, ele não morre de morte natural. Precisamos aliar o antifascismo e o antimperialismo ao internacionalismo proletário, e assim somar forças para construir o socialismo. Faça a sua parte. A FRENTE REVOLUCIONARIA DOS TRABALHADORES-FRT, busca unir os trabalhadores em toda sua diversidade, e formar o mais forte Movimento Popular Revolucionário em defesa de todos e construir a Sociedade dos Trabalhadores - a SOCIEDADE COMUNISTA!
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sexta-feira, 25 de julho de 2025
ACARI MANTÉM VIVA A MEMÓRIA DE SEUS MÁTIRES * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT
sábado, 7 de outubro de 2023
CRIME ORGANIZADO E PRIVATIZAÇÕES NO RIO DE JANEIRO * Felipe Annunziata/A VERDADE
quarta-feira, 21 de dezembro de 2022
ANISTIAR CRIMINOSOS JAMAIS * Vladimir Safatle-SP
ANISTIAR CRIMINOSOS JAMAIS
Muitas vozes alertam o Brasil sobre os custos impagáveis de cometer um erro similar àquele feito há 40 anos. No final da ditadura militar, setores da sociedade e do governo impuseram o silêncio duradouro sobre crimes contra a humanidade perpetrados durante os vinte anos de governo autoritário. Vendia-se a ilusão de que se tratava de astúcia política. Um país “que tem pressa”, diziam, não poderia desperdiçar tempo acertando contas com o passado, elaborando a memória de seus crimes, procurando responsáveis pelo uso do aparato do Estado para prática de tortura, assassinato, estupro e sequestro. Impôs-se a narrativa de que o dever de memória seria mero exercício de “revanchismo” – mesmo que o continente latino-americano inteiro acabasse por compreender que quem deixasse impunes os crimes do passado iria vê-los se repetirem.
Para tentar silenciar de vez as demandas de justiça e de verdade, vários setores da sociedade brasileira, desde os militares até a imprensa hegemônica, não temeram utilizar a chamada “teoria dos dois demônios”. Segundo ela, toda a violência estatal teria sido resultado de uma “guerra”, com “excessos” dos dois lados. Ignorava-se, assim, que um dos direitos humanos fundamentais na democracia é o direito de resistência contra a tirania. Já no século 18, o filósofo John Locke, fundador do liberalismo, defendia o direito de todo cidadão e de toda cidadã matar o tirano. Pois toda ação contra um estado ilegal é uma ação legal. Note-se: estamos a falar da tradição liberal.
Os liberais latino-americanos, porém, têm essa capacidade de estar sempre abaixo dos seus próprios princípios. Por isso, não é surpresa alguma ouvir um ministro do Supremo Tribunal Federal, como Dias Toffoli, declarar, em pleno 2022, pós-Bolsonaro: “Não podemos nos deixar levar pelo que aconteceu na Argentina, uma sociedade que ficou presa no passado, na vingança, no ódio e olhando para trás, para o retrovisor, sem conseguir se superar (…) o Brasil é muito mais forte do que isso”.
Afora o desrespeito a um dos países mais importantes para a diplomacia brasileira, um magistrado que confunde exigência de justiça com clamor de ódio, que vê na punição a torturadores e a perpetradores de golpes de estado apenas vingança, é a expressão mais bem acabada de um país, esse sim, que nunca deixou de olhar para o retrovisor. Um país submetido a um governo que, durante quatro anos, fez de torturadores heróis nacionais, fez de seu aparato policial uma máquina de extermínio de pobres.
Alguns deveriam pensar melhor sobre a experiência social de “elaborar o passado” como condição para preservação do presente. Não existe “superação” onde acordos são extorquidos e silenciamentos são impostos. A prova é que, até segunda ordem, a Argentina nunca mais passou por nenhuma espécie de ameaça à ordem institucional. Nós, ao contrário, enfrentamos tais ataques quase todos os dias dos últimos quatro anos. Nada do que aconteceu conosco nos últimos anos teria ocorrido se houvéssemos instaurado uma efetiva justiça de transição, capaz de impedir que integrantes de governos autoritários se auto-anistiassem. Pois dessa forma acabou-se por permitir discursos e práticas de um país que “ficou preso no passado”. Ocultar cadáveres, por exemplo, não foi algo que os militares fizeram apenas na ditadura. Eles fizeram isso agora, quando gerenciavam o combate à pandemia, escondendo números, negando informações, impondo a indiferença às mortes como afeto social, impedindo o luto coletivo.
É importante que tudo isso seja lembrado neste momento. Porque conhecemos a tendência brasileira ao esquecimento. Este foi um país feito por séculos de crimes sem imagens, de mortes sem lágrimas, de apagamento. Essa é sua tendência natural, seja qual for o governante e seu discurso. As forças seculares do apagamento são como espectros que rondam os vivos. Moldam não apenas o corpo social, mas a vida psíquica dos sujeitos.
Cometer novamente o erro do esquecimento, repetir a covardia política que instaurou a Nova República e selou seu fim, seria a maneira mais segura de fragilizar o novo governo. Não há porque deleitar-se no pensamento mágico de que tudo o que vimos foi um “pesadelo” que passará mais rapidamente quanto menos falarmos dele. O que vimos, com toda sua violência, foi o resultado direto das políticas de esquecimento no Brasil. Foi resultado direto de nossa anistia.
A sociedade civil precisa exigir do governo que se inicia a responsabilização pelos crimes cometidos por Bolsonaro e seus gerentes. Isso só poderá ser feito nos primeiros meses do novo governo, quando há ainda força para tanto. Quando falamos em crimes, falamos tanto da responsabilidade direta pela gestão da pandemia, quanto pelos crimes cometidos no processo eleitoral.
O Tribunal Penal Internacional aceitou analisar a abertura de processo contra Bolsonaro por genocídio indígena na gestão da pandemia. Há farto material levantado pela CPI da Covid, demonstrando os crimes de responsabilidade do governo que redundaram em um país com 3% da população mundial contaminada e 15% das mortes na pandemia. Punir os responsáveis não tem nada a ver com vingança, mas com respeito à população. Essa é a única maneira de fornecer ao estado nacional balizas para ações futuras relacionadas a crises sanitárias similares, que certamente ocorrerão.
Por outro lado, o Brasil conheceu duas formas de crimes eleitorais. Primeiro, o crime mais explícito, como o uso do aparato policial para impedir eleitores de votar, para dar suporte a manifestações golpistas pós-eleições. A polícia brasileira é hoje um partido político. Segundo, o pior de todos os crimes contra a democracia: a chantagem contínua das Forças Armadas contra a população. Forças que hoje atuam como um estado dentro do estado, um poder à parte.
Espera-se do governo duas atitudes enérgicas: que coloque na reserva o alto comando das Forças Armadas que chantageou a República; e que responsabilize os policiais que atentaram contra eleitores brasileiros, modificando a estrutura arcaica e militar da força policial. Se isso não for feito, veremos as cenas que nos assombraram se repetirem por tempo indefinido.
Não há nada parecido a uma democracia sem uma renovação total do comando das Forças Armadas e sem o combate à polícia como partido político. A polícia pode agir dessa forma porque sempre atuou como uma força exterior, como uma força militar a submeter a sociedade. Se errarmos mais uma vez e não compreendermos o caráter urgente e decisivo de tais ações, continuaremos a história terrível de um país fundado no esquecimento e que preserva de forma compulsiva os núcleos autoritários de quem comanda a violência do Estado. Mobilizar a sociedade para a memória coletiva e suas exigências de justiça sempre foi e continua sendo a única forma de efetivamente construir um país.
quarta-feira, 19 de outubro de 2022
Vou falar do meu lugar de pobre, favelada e que convive de verdade com povão * NATALIA ANDRADE -SP
Vou falar do meu lugar de pobre, favelada e que convive de verdade com povão
Não dá pra brincar de fazer educação política agora faltando menos de um mês pra eleição. Não dá pra faltar de orçamento secreto, centrão, compra de apoio AGORA. Educação a gente faz a longo prazo e a gente não tem prazo.
Não adianta falar de orçamento secreto pra quem ta ouvindo que se o Lula ganhar vai ter que assar o próprio cachorro e vai ter a casa invadida por sem-teto.
A gente tá numa disputa extremamente suja e se quiser ganhar é descer do salto e enfiar a mão na lama. Vídeo de artista fazendo L na frente da mansão não convence quem tá sem dormir por causa do aluguel atrasado. Passou da hora de sair da bolha, da academia e parar de pregar pra convertido.
Tem milhões de outras realidades a nossa volta, as pessoas têm fome e quem tem fome tem fome agora, não é amanhã, não é quando o programa de governo for aprovado. Essas discussões são importantíssimas, mas não são pra agora.
Tá na hora de usar a mesma arma que essa galera. Se é pra fazer terrorismo, levar pra religião, pra situações extremas, que seja. Queria demais que o adversário fosse civilizado e a gente pudesse fazer discussão decente. Mas não é e isso é o que tem pra hoje.
Já deu de ficar nessa bolha de nós somos inteligentes e especiais e estamos fazendo pelo bem da humanidade. A gente tá fazendo por nós mesmos, mas é do lado de cá que a corda arrebenta. Já deu de fazer campanha com sambinha fora da realidade, isso não cola, não convence e muitas vezes nem chega em quem mais precisa.
É isso. A gente tem que lembrar que não tá mais em 80, que Chico e Caetano são divindades, mas não falam mais com o povão. Que o mundo não é Rio e São Paulo. Quer falar com favelado? Pega o Poze, a Ludmila, os Racionais. Coloca pessoas com quem as pessoas reais se identifiquem.
Eu não quero o Lula por causa do investimento em pasta X ou Y, por causa de democracia. Com ou sem o Lula polícia sobe favela e atira primeiro pra perguntar depois, com ou sem o Lula segurança me segue em shopping, com ou sem o Lula eu tenho que pensar no que vou vestir e calçar pra evitar ser parada e não ficarem me encarando tanto quando eu vou a qualquer lugar.
Eu quero o Lula porque foi com o bolsa família que eu não passei fome, com cota que eu entrei na universidade, com farmácia popular que minha irmã teve acesso as medicações que ela precisa pra sobreviver.
Eu sou a primeira da minha família que formou e ainda passo os mesmos apertos, ainda vejo que cota vale na faculdade, mas não vale no mercado de trabalho, que os mesmos sobrenomes que escravizaram meus antepassados dominam o mercado onde eu não consigo entrar.
A vida não vai ser linda quando o Lula ganhar não, mas as pessoas merecem ao menos a oportunidade de que ela seja menos difícil. Onde eu moro posso contar quantas vezes polícia entrou lá em casa, quantas vezes acordei e tinha gente armada por lá sem mandado, sem porra nenhuma.
www.ctb.org.br /Natalia Andrade, jornalista, preta, a integrante do grupo “Esporte pela Democracia”
quinta-feira, 13 de outubro de 2022
A pior política na minha casa * Lorran Matheu / RJ
A pior política na minha casa
Sábado, 8 de outubro de 2022
Meu domingo num bairro pobre que elegeu Bolsonaro.
Domingo passado, 2 de outubro, me desloquei até minha velha e conhecida seção eleitoral. Saí dos arredores do Centro e atravessei 50 quilômetros, de trem e ao longo de duas horas, até Inhoaíba, um pequeno bairro na Zona Oeste do Rio de Janeiro. É uma região rural de 60 mil habitantes que tem um dos piores índices de desenvolvimento humano da capital fluminense – ocupa o 115º lugar em um ranking de 126 bairros.
Toda a minha vida, até o ano passado, teve a Zona Oeste como plano de fundo. Bairros como Campo Grande, Paciência, Cosmos e Santa Cruz, com todas as suas peculiaridades, fazem parte da minha história. Por isso, eu já esperava que a onda bolsonarista fosse forte na região. Mas o retrato foi bem mais radical do que eu imaginava.
Enquanto esperava na fila, percebi que pessoas vestidas de verde e amarelo não se acovardaram em recitar mentiras que eram compartilhadas havia dias na internet. Os corajosos que se permitiam usar adesivos de candidatos de esquerda, ou roupas vermelhas, eram hostilizados.
Na Zona Oeste, as igrejas evangélicas estão enraizadas na vida local. A presença é tão forte que é comum ver mais de duas por quadra em bairros pequenos – enquanto não há serviços básicos como saúde, bancos e até mesmo escolas. Em algumas regiões, nem o saneamento básico chega. Mas a igreja está lá.
Eu já vivi essa cultura e por isso sei que, em dias de votação, era comum que a tradicional escola bíblica dominical, realizada desde a manhã até o comecinho da tarde, fosse cancelada. Não foi o que aconteceu desta vez. Vi muitas pessoas pessoas com Bíblias indo votar. O Intercept já mostrou que as Assembleias de Deus adotaram uma estratégia de ataque para o período eleitoral. Nesta semana, o jornal Folha de S.Paulo também revelou que, em São Paulo, a Assembleia de Deus ameaça punir fiéis de esquerda. Essa denominação é maioria na Zona Oeste carioca.
Essa realidade teve impacto nos votos? Bem, na minha seção, em que 484 pessoas estão aptas a votar, houve 251 votos para Bolsonaro e 96 para Lula. Para o governo do estado, Cláudio Castro, do PL, que marcou presença em eventos gospel dos últimos meses, teve 188 votos contra 50 de seu adversário, Marcelo Freixo, do PSB. Ou seja: apesar de a votação de Lula ter sido maior, em geral, em regiões periféricas e de menor renda, isso não aconteceu em Inhoaíba. Lá, o PT perdeu de lavada.
Enquanto as emissoras de TV exibem o mapa do Brasil com a dualidade vermelha e azul, eu via o mapa da cidade do Rio, onde bairros com os piores índices de desenvolvimento votavam em Bolsonaro e alguns mais abastados, como Laranjeiras e Tijuca, iam com Lula.
Ontem, o teólogo e pesquisador Ronilso Pacheco publicou no Intercept um texto sobre a distância dos analistas da realidade dos evangélicos. Para ele, a categoria demorou a ser levada à sério – e, em seguida, foi simplificada sem ser compreendida. "Enquanto isso, a extrema direita no Brasil ascendeu sem ser citada, debatida em rede nacional ou sequer entrevistada. Sem profundidade – não por incompetência, mas pela limitação imposta por um tema complexo do qual se sabia pouco ou nada –, os analistas se ativeram ao trivial", ele escreveu.
O que aconteceu? Segundo Pacheco, a vitória de Bolsonaro em 2018 fez o Brasil entrar para uma articulação global focada na família e nos valores cristãos conservadores. É um movimento que avança no país camuflado de conservadorismo "evangélico" ou "católico", mas é mais profundo e amplo – passa pelo conservadorismo dos EUA e por Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, um dos principais expoentes dessa nova extrema direita. "Não havia jornalistas e analistas para discernir as dissimulações da extrema direita e dar nome aos bois", lamentou o teólogo.
Para Pacheco, é preciso "conversar com a sociedade e desarmar esse arcabouço ideológico, desfazer a captura do sentido da vida pela extrema direita". "Enquanto ideologia, o nacionalismo cristão nem de longe está circunscrito aos evangélicos. Não é religião. É política, a pior delas", ele escreveu.
Eu concordo. As regiões dominadas por esse pensamento "moralizador", tão familiares para mim, são onde a extrema direita que se camufla como defensora desses valores se enraizou. Agora finalmente vejo comentaristas tentando explicar um fenômeno que é natural para o povo de Inhoaíba e tantos outros bairros pobres. Isso deixa claro como a realidade demora a ser percebida por um jornalismo que não é feito por ou para nós. Conheço bem Silas Malafaia, Marcos Feliciano e Eduardo Cunha, três dos maiores representantes dessa política descrita por Pacheco. Eles já estavam na minha casa muito antes de estarem nos jornais.
sexta-feira, 16 de setembro de 2022
PODER PARALELO RIO DE JANEIRO * Anna Virginia Balloussier / José Lucena / FSP
domingo, 7 de agosto de 2022
SINAIS DO FASCISMO * HUMBERTO ECO / ITÁLIA
terça-feira, 28 de junho de 2022
Milícias tomam o Poder no Brasil * Lincoln Penna / MODECON
sexta-feira, 10 de junho de 2022
O AJUSTE ULTRALIBERAL EMBURACA O BRASIL E AGRAVA NOSSA CRISE SOCIAL * OC ARMA DA CRÍTICA
O AJUSTE ULTRALIBERAL EMBURACA O BRASIL E AGRAVA NOSSA CRISE SOCIAL
Por onde se olhe, a conjuntura brasileira apresenta uma deterioração do cenário econômico e social para as massas trabalhadoras. Nas condições estruturais de um capitalismo dependente e subordinado, o ajuste ultraliberal agrava as condições de vida do povo e torna a barbárie e a violência parte natural da vida cotidiana.
A burguesia brasileira associada ao imperialismo não tem do que reclamar. Insensível aos sofrimentos do povo, o governo do Capitão genocida e entreguista segue impassível a agenda de reformas ultraliberais que serve para deixar os ricos cada vez mais ricos. O novo capítulo dessa saga é o assalto ao patrimônio público através das privatizações, que tem como novo alvo a Eletrobrás. O Banco Central, com sua autonomia decretada, já foi capturado pelos parasitas do sistema financeiro. E a privatização completa da Petrobrás, grande “sonho de consumo” da burguesia brasileira e internacional, continua como sua meta mais ambiciosa. O capital requer condições de vida cada vez mais deterioradas para continuar seu processo de acumulação. O lucro das empresas de capital aberto, no primeiro trimestre deste ano, ficou 55% maior do que no mesmo período do ano passado.
A refestelança da burguesia só ocorre à custa da mega-exploração do povo. Segundo dados do IBGE divulgados em maio, a taxa de desemprego no primeiro trimestre deste ano ficou em 11,1%. Quando se analisam os dados por segmentos, as taxas ficam acima da média nacional entre as mulheres (13,7%), entre os negros (13,3%), entre os pardos (12,9%) e entre os jovens de 18 a 24 anos (22,8%). A taxa de subutilização ficou em 23,2%. Essa deterioração do mercado de trabalho se reflete no rendimento real dos trabalhadores, calculado em R$ 2.548,00, valor 8,7% menor em relação ao primeiro trimestre de 2021, quando o valor alcançou R$ 2.789,00. A proporção de trabalhadores que ganham até 1 salário mínimo saltou, de 2012 para 2021, de 33,07% da população ocupada para 36,72%. Essa queda no rendimento real se agrava com a inflação, que deteriora ainda mais o já deteriorado poder de compra dos salários. Só os alimentos, com 13%, e preços administrados como o diesel, com 22,6%, acumulam altas maiores do que a inflação geral.
Com empregos precários, renda deteriorada e políticas públicas capturadas pelos interesses do grande capital, os segmentos mais pobres da classe trabalhadora sofrem com os impactos do ajuste ultraliberal em toda a sua extensão. Um exemplo é o do direito a habitação, que subordinado aos interesses do capital imobiliário, tem expulsado as camadas de baixa renda do proletariado para viver em áreas de risco. Não é, portanto, as fortes chuvas as responsáveis por essas mortes, mas o capitalismo. Neste ano, enchentes e deslizamentos de terra já mataram centenas de pessoas pelo país. Só em Petrópolis foram mais de 230 mortos. Na grande São Paulo morreu 34 pessoas. E agora, em Recife, os deslizamentos de terra já mataram, até o momento em que fechamos essa nota, 90 pessoas.
A política permanente de ajuste ultraliberal, que nada mais é do que uma guerra de classe da burguesia contra o povo, acirra as tendências autoritárias e anti-populares do Estado brasileiro. Açulado pelo governo do Capitão genocida, o aparelho repressivo do Estado atua numa política de considerar o povo como o principal inimigo. O ajuste ultraliberal, para ser aplicado, requer um alto grau de violência do Estado contra o povo. No Rio de Janeiro, em 24 de maio, na comunidade de Vila Cruzeiro, uma ação combinada entre a Polícia Civil do estado e da Polícia Rodoviária Federal, matou 23 pessoas. De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, existem claros indícios de execução. Dentre os mortos, pelo menos 16 não tinham mandado de prisão emitido. E para encerrar uma semana em que a tônica foi o massacre do nosso povo, em 25 de maio membros da Polícia Rodoviária Federal na cidade de Umbaúba/SE, mataram asfixiado por gás lacrimogêneo, dentro de uma viatura, Genivaldo de Jesus Santos. A cena de terror foi gravada por populares e logo se espalhou por todo o país. Não demorou e logo surgiu um vídeo de instrutor da PRF a ensinar em aula a novos membros essa técnica de tortura.
Com tantas desgraças e violências cometidas pela burguesia e o Estado contra o povo era para o país estar em chamas. Porém, influenciados pelos aparelhos ideológicos estatais e privados, além de décadas de uma política majoritária na esquerda que resumiu a política ao voto, o que assistimos é o povo se resignar e naturalizar essa situação, como se todas as misérias que nos atingem compusessem o nosso cenário cultural. Educado politicamente a se mostrar passivo, restaria ao povo ver o curso dos acontecimentos como inevitável e impossível de mudar.
Cabe a nós, os comunistas, a tarefa hercúlea de mostrar que outro mundo é possível. Que nada é impossível de mudar. E que a mudança de curso do nosso país requer que o povo venha para a luta, rompa com o imobilismo e tome o controle dos destinos do Brasil em suas mãos
***
segunda-feira, 6 de junho de 2022
DERROTAR O NAZISMO AQUI OU NA COLÔMBIA É UMA LUTA SÓ * Revista Ópera
sábado, 23 de abril de 2022
ONDE ESTÁ CARLOS LANZ? * Comissão de Busca e Libertação de Carlos Lanz / Venezuela
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022
Eduardo Paes abraça o crime organizado * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
Milicianos para quê * Moisés Mendes
MILICIANOS PARA QUÊ











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