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sábado, 7 de outubro de 2023

CRIME ORGANIZADO E PRIVATIZAÇÕES NO RIO DE JANEIRO * Felipe Annunziata/A VERDADE

CRIME ORGANIZADO E PRIVATIZAÇÕES NO RIO DE JANEIRO
Felipe Annunziata/A VERDADE


Como as privatizações fortaleceram as milícias no Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro foi um dos estados mais afetados pelas políticas de privatizações das últimas décadas. A venda das estatais pode ter ajudado as milícias a se fortalecerem e expandirem no estado.

Nos últimos 30 anos, o povo brasileiro sofreu com a onda neoliberal de privatizações que entregou nossas riquezas naturais, parques industriais estratégicos e serviços essenciais para o capital financeiro. Aqui mesmo, no Jornal A Verdade, denunciamos cotidianamente os efeitos desta política na piora das condições de vida da população.

No entanto, um efeito pouco conhecido é como as privatizações influenciaram diretamente na consolidação e fortalecimento das milícias do Rio de Janeiro. Não foram, evidentemente, a venda das nossas estatais quem criou as milícias, mas a ausência delas na economia do estado foi determinante para o processo.

A “milicianização” da economia do Rio de Janeiro

Comunicação, distribuição de combustíveis e transportes são alguns dos principais setores privatizados nas últimas décadas no Rio de Janeiro. Todas elas feitas com o argumento de que estes serviços iriam melhorar a vida do povo.

A privatização do serviço de telefonia, pelo governo FHC nos anos 1990, se deu logo antes da expansão dos serviços de internet no Brasil. Uma das características desta privatização foi a criação de monopólios nos serviços de telefonia móvel e fixa controlados pelo capital estrangeiro.

No entanto, no Rio de Janeiro, os serviços de internet de banda larga em domicílio não conseguiram estabelecer estes mesmos monopólios na parte final da cadeia, isto é, na chegada da internet na casa das pessoas. Na capital e região metropolitana, cada bairro ou área conta com empresas de internet locais.

A distribuição pelos domicílios é na prática descentralizada, apesar do sinal de internet ainda ser controlado pelos grandes monopólios. Este cenário é tão complexo, que recentemente 2 bairros da Zona Norte ficaram sem internet por 15 dias pois havia uma guerra entre grupos rivais que levou à explosão da estação provedora de internet.

Estas empresas locais são em sua maioria controladas ou atuam com autorização da milícia ou do tráfico. A exceção das áreas nobres do Rio e de Niterói, todos os demais territórios têm o mercado de internet monopolizado por estas empresas.

O mesmo acontece com o setor de combustíveis. Com o avanço da privatização dos setores de óleo e gás, as prefeituras do Rio e o governo do estado paralisaram a expansão da rede de gás encanado, levando este mercado a ser ocupado pelas revendedoras de botijão de gás.

Em cada bairro, as revendedoras também são controladas pelos grupos criminosos ou atuam em acordo com eles para não sofrerem represálias. Segundo o sindicato patronal das revendedoras de gás, em 2022, 80% dos botijões vendidos no estado do Rio eram de empresas ligadas à milícia.

Nos transportes nem se fala. Já é bem conhecido o controle de grupos criminosos sobre os serviços de vans no RJ. O serviço de vans teve grande ampliação depois das privatizações do metrô e trens urbanos.

Este processo foi feito para paralisar a expansão da malha ferroviária do estado e garantir o controle das empresas privadas de ônibus do setor de transporte público. O que ocorreu na prática foi a união das empresas de ônibus com os grupos criminosos, que na prática dividem os territórios entre si para explorar este serviço.

Reestatização dos setores estratégicos pode reverter aumento da violência no RJ

Todos estes exemplos são provas da situação em que o estado do RJ está sendo jogado. Mesmo sendo mais comum associarmos o crime organizado ao tráfico de drogas, no estado do Rio ele avança agora sobre vários setores da economia, em aliança com a burguesia carioca.

Hoje, os chefes das milícias e do tráfico se organizam para explorar da melhor forma a força de trabalho do povo do Rio. Se aproveitam de uma política local favorável a seus interesses, dado que o estado passou por décadas de governos privatistas e reacionários.

O próprio capital que estas facções acumularam, com décadas de tráfico de drogas e armas, é hoje usado para expandir sua atuação em outros setores da economia capitalista. Tudo isso, apoiado pelas crescentes privatizações em diversos setores.

A reestatização de todos estes serviços, estabelecendo um monopólio estatal, irá destruir uma importante sustentação econômica desses grupos. Portanto, lutar contra as privatizações é também lutar contra a violência urbana no Rio de Janeiro.

MAIS MILÍCIAS NA ZONA OESTE DO RIO DE JNEIRO
https://jornaldobeijo.blogspot.com/2023/09/milicia-terrorista-jornal-do-bairro-rj.html
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

ANISTIAR CRIMINOSOS JAMAIS * Vladimir Safatle-SP

 ANISTIAR CRIMINOSOS JAMAIS

Vladimir Safatle-SP


Muitas vozes alertam o Brasil sobre os custos impagáveis de cometer um erro similar àquele feito há 40 anos. No final da ditadura militar, setores da sociedade e do governo impuseram o silêncio duradouro sobre crimes contra a humanidade perpetrados durante os vinte anos de governo autoritário. Vendia-se a ilusão de que se tratava de astúcia política. Um país “que tem pressa”, diziam, não poderia desperdiçar tempo acertando contas com o passado, elaborando a memória de seus crimes, procurando responsáveis pelo uso do aparato do Estado para prática de tortura, assassinato, estupro e sequestro. Impôs-se a narrativa de que o dever de memória seria mero exercício de “revanchismo” – mesmo que o continente latino-americano inteiro acabasse por compreender que quem deixasse impunes os crimes do passado iria vê-los se repetirem.


Para tentar silenciar de vez as demandas de justiça e de verdade, vários setores da sociedade brasileira, desde os militares até a imprensa hegemônica, não temeram utilizar a chamada “teoria dos dois demônios”. Segundo ela, toda a violência estatal teria sido resultado de uma “guerra”, com “excessos” dos dois lados. Ignorava-se, assim, que um dos direitos humanos fundamentais na democracia é o direito de resistência contra a tirania. Já no século 18, o filósofo John Locke, fundador do liberalismo, defendia o direito de todo cidadão e de toda cidadã matar o tirano. Pois toda ação contra um estado ilegal é uma ação legal. Note-se: estamos a falar da tradição liberal.


Os liberais latino-americanos, porém, têm essa capacidade de estar sempre abaixo dos seus próprios princípios. Por isso, não é surpresa alguma ouvir um ministro do Supremo Tribunal Federal, como Dias Toffoli, declarar, em pleno 2022, pós-Bolsonaro: “Não podemos nos deixar levar pelo que aconteceu na Argentina, uma sociedade que ficou presa no passado, na vingança, no ódio e olhando para trás, para o retrovisor, sem conseguir se superar (…) o Brasil é muito mais forte do que isso”.


Afora o desrespeito a um dos países mais importantes para a diplomacia brasileira, um magistrado que confunde exigência de justiça com clamor de ódio, que vê na punição a torturadores e a perpetradores de golpes de estado apenas vingança, é a expressão mais bem acabada de um país, esse sim, que nunca deixou de olhar para o retrovisor. Um país submetido a um governo que, durante quatro anos, fez de torturadores heróis nacionais, fez de seu aparato policial uma máquina de extermínio de pobres.


Alguns deveriam pensar melhor sobre a experiência social de “elaborar o passado” como condição para preservação do presente. Não existe “superação” onde acordos são extorquidos e silenciamentos são impostos. A prova é que, até segunda ordem, a Argentina nunca mais passou por nenhuma espécie de ameaça à ordem institucional. Nós, ao contrário, enfrentamos tais ataques quase todos os dias dos últimos quatro anos. Nada do que aconteceu conosco nos últimos anos teria ocorrido se houvéssemos instaurado uma efetiva justiça de transição, capaz de impedir que integrantes de governos autoritários se auto-anistiassem. Pois dessa forma acabou-se por permitir discursos e práticas de um país que “ficou preso no passado”. Ocultar cadáveres, por exemplo, não foi algo que os militares fizeram apenas na ditadura. Eles fizeram isso agora, quando gerenciavam o combate à pandemia, escondendo números, negando informações, impondo a indiferença às mortes como afeto social, impedindo o luto coletivo.


É importante que tudo isso seja lembrado neste momento. Porque conhecemos a tendência brasileira ao esquecimento. Este foi um país feito por séculos de crimes sem imagens, de mortes sem lágrimas, de apagamento. Essa é sua tendência natural, seja qual for o governante e seu discurso. As forças seculares do apagamento são como espectros que rondam os vivos. Moldam não apenas o corpo social, mas a vida psíquica dos sujeitos.


Cometer novamente o erro do esquecimento, repetir a covardia política que instaurou a Nova República e selou seu fim, seria a maneira mais segura de fragilizar o novo governo. Não há porque deleitar-se no pensamento mágico de que tudo o que vimos foi um “pesadelo” que passará mais rapidamente quanto menos falarmos dele. O que vimos, com toda sua violência, foi o resultado direto das políticas de esquecimento no Brasil. Foi resultado direto de nossa anistia.


A sociedade civil precisa exigir do governo que se inicia a responsabilização pelos crimes cometidos por Bolsonaro e seus gerentes. Isso só poderá ser feito nos primeiros meses do novo governo, quando há ainda força para tanto. Quando falamos em crimes, falamos tanto da responsabilidade direta pela gestão da pandemia, quanto pelos crimes cometidos no processo eleitoral.


O Tribunal Penal Internacional aceitou analisar a abertura de processo contra Bolsonaro por genocídio indígena na gestão da pandemia. Há farto material levantado pela CPI da Covid, demonstrando os crimes de responsabilidade do governo que redundaram em um país com 3% da população mundial contaminada e 15% das mortes na pandemia. Punir os responsáveis não tem nada a ver com vingança, mas com respeito à população. Essa é a única maneira de fornecer ao estado nacional balizas para ações futuras relacionadas a crises sanitárias similares, que certamente ocorrerão.


Por outro lado, o Brasil conheceu duas formas de crimes eleitorais. Primeiro, o crime mais explícito, como o uso do aparato policial para impedir eleitores de votar, para dar suporte a manifestações golpistas pós-eleições. A polícia brasileira é hoje um partido político. Segundo, o pior de todos os crimes contra a democracia: a chantagem contínua das Forças Armadas contra a população. Forças que hoje atuam como um estado dentro do estado, um poder à parte.


Espera-se do governo duas atitudes enérgicas: que coloque na reserva o alto comando das Forças Armadas que chantageou a República; e que responsabilize os policiais que atentaram contra eleitores brasileiros, modificando a estrutura arcaica e militar da força policial. Se isso não for feito, veremos as cenas que nos assombraram se repetirem por tempo indefinido.


Não há nada parecido a uma democracia sem uma renovação total do comando das Forças Armadas e sem o combate à polícia como partido político. A polícia pode agir dessa forma porque sempre atuou como uma força exterior, como uma força militar a submeter a sociedade. Se errarmos mais uma vez e não compreendermos o caráter urgente e decisivo de tais ações, continuaremos a história terrível de um país fundado no esquecimento e que preserva de forma compulsiva os núcleos autoritários de quem comanda a violência do Estado. Mobilizar a sociedade para a memória coletiva e suas exigências de justiça sempre foi e continua sendo a única forma de efetivamente construir um país.


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quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Vou falar do meu lugar de pobre, favelada e que convive de verdade com povão * NATALIA ANDRADE -SP

Vou falar do meu lugar de pobre, favelada e que convive de verdade com povão

Não dá pra brincar de fazer educação política agora faltando menos de um mês pra eleição. Não dá pra faltar de orçamento secreto, centrão, compra de apoio AGORA. Educação a gente faz a longo prazo e a gente não tem prazo.

Não adianta falar de orçamento secreto pra quem ta ouvindo que se o Lula ganhar vai ter que assar o próprio cachorro e vai ter a casa invadida por sem-teto.

A gente tá numa disputa extremamente suja e se quiser ganhar é descer do salto e enfiar a mão na lama. Vídeo de artista fazendo L na frente da mansão não convence quem tá sem dormir por causa do aluguel atrasado. Passou da hora de sair da bolha, da academia e parar de pregar pra convertido.

Tem milhões de outras realidades a nossa volta, as pessoas têm fome e quem tem fome tem fome agora, não é amanhã, não é quando o programa de governo for aprovado. Essas discussões são importantíssimas, mas não são pra agora.

Tá na hora de usar a mesma arma que essa galera. Se é pra fazer terrorismo, levar pra religião, pra situações extremas, que seja. Queria demais que o adversário fosse civilizado e a gente pudesse fazer discussão decente. Mas não é e isso é o que tem pra hoje.

Já deu de ficar nessa bolha de nós somos inteligentes e especiais e estamos fazendo pelo bem da humanidade. A gente tá fazendo por nós mesmos, mas é do lado de cá que a corda arrebenta. Já deu de fazer campanha com sambinha fora da realidade, isso não cola, não convence e muitas vezes nem chega em quem mais precisa.

É isso. A gente tem que lembrar que não tá mais em 80, que Chico e Caetano são divindades, mas não falam mais com o povão. Que o mundo não é Rio e São Paulo. Quer falar com favelado? Pega o Poze, a Ludmila, os Racionais. Coloca pessoas com quem as pessoas reais se identifiquem.

Eu não quero o Lula por causa do investimento em pasta X ou Y, por causa de democracia. Com ou sem o Lula polícia sobe favela e atira primeiro pra perguntar depois, com ou sem o Lula segurança me segue em shopping, com ou sem o Lula eu tenho que pensar no que vou vestir e calçar pra evitar ser parada e não ficarem me encarando tanto quando eu vou a qualquer lugar.

Eu quero o Lula porque foi com o bolsa família que eu não passei fome, com cota que eu entrei na universidade, com farmácia popular que minha irmã teve acesso as medicações que ela precisa pra sobreviver.

Não é questão de defender democracia, isso é abstrato demais. É defender sobrevivência
Não adianta fazer discurso abstrato, é pegar a realidade das pessoas. E também não é pregar mundo mágico de Oz porque não existe.

Eu sou a primeira da minha família que formou e ainda passo os mesmos apertos, ainda vejo que cota vale na faculdade, mas não vale no mercado de trabalho, que os mesmos sobrenomes que escravizaram meus antepassados dominam o mercado onde eu não consigo entrar.

A vida não vai ser linda quando o Lula ganhar não, mas as pessoas merecem ao menos a oportunidade de que ela seja menos difícil. Onde eu moro posso contar quantas vezes polícia entrou lá em casa, quantas vezes acordei e tinha gente armada por lá sem mandado, sem porra nenhuma.

NATALIA ANDRADE

www.ctb.org.br /Natalia Andrade, jornalista, preta, a integrante do grupo “Esporte pela Democracia”

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

A pior política na minha casa * Lorran Matheu / RJ

 A pior política na minha casa

Lorran Matheu / RJ

Sábado, 8 de outubro de 2022


Meu domingo num bairro pobre que elegeu Bolsonaro.

Domingo passado, 2 de outubro, me desloquei até minha velha e conhecida seção eleitoral. Saí dos arredores do Centro e atravessei 50 quilômetros, de trem e ao longo de duas horas, até Inhoaíba, um pequeno bairro na Zona Oeste do Rio de Janeiro. É uma região rural de 60 mil habitantes que tem um dos piores índices de desenvolvimento humano da capital fluminense – ocupa o 115º lugar em um ranking de 126 bairros.


Toda a minha vida, até o ano passado, teve a Zona Oeste como plano de fundo. Bairros como Campo Grande, Paciência, Cosmos e Santa Cruz, com todas as suas peculiaridades, fazem parte da minha história. Por isso, eu já esperava que a onda bolsonarista fosse forte na região. Mas o retrato foi bem mais radical do que eu imaginava.


Enquanto esperava na fila, percebi que pessoas vestidas de verde e amarelo não se acovardaram em recitar mentiras que eram compartilhadas havia dias na internet. Os corajosos que se permitiam usar adesivos de candidatos de esquerda, ou roupas vermelhas, eram hostilizados. 


Na Zona Oeste, as igrejas evangélicas estão enraizadas na vida local. A presença é tão forte que é comum ver mais de duas por quadra em bairros pequenos – enquanto não há serviços básicos como saúde, bancos e até mesmo escolas. Em algumas regiões, nem o saneamento básico chega. Mas a igreja está lá.


Eu já vivi essa cultura e por isso sei que, em dias de votação, era comum que a tradicional escola bíblica dominical, realizada desde a manhã até o comecinho da tarde, fosse cancelada. Não foi o que aconteceu desta vez. Vi muitas pessoas pessoas com Bíblias indo votar. O Intercept já mostrou que as Assembleias de Deus adotaram uma estratégia de ataque para o período eleitoral. Nesta semana, o jornal Folha de S.Paulo também revelou que, em São Paulo, a Assembleia de Deus ameaça punir fiéis de esquerda. Essa denominação é maioria na Zona Oeste carioca. 


Essa realidade teve impacto nos votos? Bem, na minha seção, em que 484 pessoas estão aptas a votar, houve 251 votos para Bolsonaro e 96 para Lula. Para o governo do estado, Cláudio Castro, do PL, que marcou presença em eventos gospel dos últimos meses, teve 188 votos contra 50 de seu adversário, Marcelo Freixo, do PSB. Ou seja: apesar de a votação de Lula ter sido maior, em geral, em regiões periféricas e de menor renda, isso não aconteceu em Inhoaíba. Lá, o PT perdeu de lavada.  


Enquanto as emissoras de TV exibem o mapa do Brasil com a dualidade vermelha e azul, eu via o mapa da cidade do Rio, onde bairros com os piores índices de desenvolvimento votavam em Bolsonaro e alguns mais abastados, como Laranjeiras e Tijuca, iam com Lula. 


Ontem, o teólogo e pesquisador Ronilso Pacheco publicou no Intercept um texto sobre a distância dos analistas da realidade dos evangélicos. Para ele, a categoria demorou a ser levada à sério – e, em seguida, foi simplificada sem ser compreendida. "Enquanto isso, a extrema direita no Brasil ascendeu sem ser citada, debatida em rede nacional ou sequer entrevistada. Sem profundidade – não por incompetência, mas pela limitação imposta por um tema complexo do qual se sabia pouco ou nada –, os analistas se ativeram ao trivial", ele escreveu. 


O que aconteceu? Segundo Pacheco, a vitória de Bolsonaro em 2018 fez o Brasil entrar para uma articulação global focada na família e nos valores cristãos conservadores. É um movimento que avança no país camuflado de conservadorismo "evangélico" ou "católico", mas é mais profundo e amplo –  passa pelo conservadorismo dos EUA e por Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, um dos principais expoentes dessa nova extrema direita. "Não havia jornalistas e analistas para discernir as dissimulações da extrema direita e dar nome aos bois", lamentou o teólogo.


Para Pacheco, é preciso "conversar com a sociedade e desarmar esse arcabouço ideológico, desfazer a captura do sentido da vida pela extrema direita". "Enquanto ideologia, o nacionalismo cristão nem de longe está circunscrito aos evangélicos. Não é religião. É política, a pior delas", ele escreveu. 


Eu concordo. As regiões dominadas por esse pensamento "moralizador", tão familiares para mim, são onde a extrema direita que se camufla como defensora desses valores se enraizou. Agora finalmente vejo comentaristas tentando explicar um fenômeno que é natural para o povo de Inhoaíba e tantos outros bairros pobres. Isso deixa claro como a realidade demora a ser percebida por um jornalismo que não é feito por ou para nós. Conheço bem Silas Malafaia, Marcos Feliciano e Eduardo Cunha, três dos maiores representantes dessa política descrita por Pacheco. Eles já estavam na minha casa muito antes de estarem nos jornais.


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sexta-feira, 16 de setembro de 2022

PODER PARALELO RIO DE JANEIRO * Anna Virginia Balloussier / José Lucena / FSP

PODER PARALELO RIO DE JANEIRO
Anna Virginia Balloussier


Milícias crescem quase 400% em 16 anos e já ocupam 10% do Grande Rio
Estudo mapeia presença de grupos armados na região metropolitana; Comando Vermelho ainda controla territórios mais populosos
13.set.2022 à 0h05

As milícias chegaram com atraso à leva de grupos armados que agem como se fossem Estados paralelos no Rio de Janeiro, mas ganharam terreno rápido. As áreas sob seu domínio cresceram 387% num período de 16 anos, pulando de 52,6 km² para 256,3 km² na região metropolitana. É como se mandassem num espaço equivalente a 64 Copacabanas, o bairro cartão-postal dos cariocas.

Os milicianos, claro, não se concentram na turística zona sul, mas sobretudo na zona oeste da capital e na Baixada Fluminense. Hoje, 10% de toda a extensão do Grande Rio está sob controle desse poder ilegal, metade de todo o território submetido ao crime.

O levantamento é fruto de uma parceria do Instituto Fogo Cruzado com o Geni (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos), da UFF (Universidade Federal Fluminense). O apanhado histórico dos grupos armados foi feito a partir do cruzamento de quase 700 mil denúncias obtidas via Disque Denúncia, sobre milícia e tráfico de drogas, com um mapa construído especificamente para esse projeto, que retrata mais de 13 mil sub-bairros, conjuntos habitacionais e favelas em toda a região.

Policial conduz homem algemado para fora de viatura

Suspeito é preso durante operação contra milícia comandada por Zinho em 25 de agosto - José Lucena -
25.ago.2022/TheNews2/Agência O Globo

O ritmo da expansão miliciana superou o de qualquer concorrente de criminalidade. São três, a saber: CV (Comando Vermelho), TCP (Terceiro Comando Puro) e ADA (Amigos dos Amigos), facções associadas ao tráfico de drogas.

A fatia geográfica dominada pelo quarteto subiu 131% desde 2008 e hoje corresponde a 20% da região metropolitana. Divide-se assim: milícias detêm 50% desse naco, CV fica com 40%, TCP subjuga 9% e à ADA resta 1%.

O pioneiro dos quatro tem mais gente sob seu controle. São 2 milhões morando em áreas sob o jugo do CV, como a Rocinha e Complexo do Alemão, com favelas de alta densidade demográfica, e a quase onipresença nas populosas Niterói e São Gonçalo.

Sua hegemonia, porém, vem murchando, enquanto a competição paramilitar dilata. Entre 2012 e 2018, a facção comandava áreas maiores e mais populosas do que todos os outros grupos (TCP, ADA e milícias) somados.

Nesse "Game of Thrones" do poder paralelo, a presença miliciana afeta territórios ocupados por 1,7 milhão de habitantes. No começo da série histórica, eram 600 mil. O aumento, portanto, foi de 185%. O CV também espichou no mesmo intervalo, mas em velocidade menor: 42%.

O próprio estudo antevê problemas no recorte populacional, por usar dados do Censo de 2010, muito desatualizados. O novo levantamento do IBGE sofreu atrasos e está sendo feito só neste ano.

Também há chances de distorção ao considerar apenas quem reside nesses locais, já que o poder paralelo também tem impacto, por exemplo, na vida de trabalhadores. Acontece se eles se locomovem em transportes clandestinos, importante filão da milícia, ou param na farmácia perto do trabalho —segundo a Polícia Civil, milicianos já controlam mais de 1.200 drogarias no Rio.

O movimento paramilitar arrefeceu um pouco após a CPI das Milícias, realizada em 2008 na Assembleia Legislativa fluminense. A comissão pediu o indiciamento de 7 políticos e outras 259 pessoas. Os milicianos voltaram a se fortalecer nos últimos anos, beneficiados por um combo de más notícias para o estado, como explica a socióloga Maria Isabel Couto (Instituto Fogo Cruzado), coordenadora do estudo junto com Daniel Hirata (Geni/UFF).

Entre 2016 e 2018, o país acompanhou traficantes se engalfinharem em violentas batalhas por controle territorial, com reflexo no Rio. "Aqui, a disputa entre PCC e CV se materializou com o investimento da facção paulista em grupos rivais do Comando e foi potencializada porque a crise fiscal, econômica e de gestão que o estado enfrentou fragilizou a capacidade de respostas do poder público", afirma Couto. "Essas mesmas condições facilitaram o crescimento explosivo das milícias."

Os anos 1960 pariram esquadrões da morte que serviram de embriões às milícias como hoje as conhecemos. O mais famoso deles, a Scuderie Le Cocq, homenageia no nome um detetive morto pelo bandido Cara de Cavalo, depois executado ao arrepio do devido processo legal.

Grupos de extermínio estiveram por trás de várias chacinas ao longo desses anos, mas o modelo miliciano clássico se fortaleceria só nos anos 2000, com policiais e ex-policiais em seu esqueleto.

Milicianos não são menos tirânicos do que traficantes, mas "se vendem como fiadores de mercadorias valiosíssimas", aponta Bruno Paes Manso no livro "A República das Milícias" (Todavia). Eles prometem ordem e parceria com a polícia, o que diminui o risco de operações policiais e tiroteios nas comunidades.

"Você tem o envolvimento direto dos agentes de segurança pública, então é por dentro do Estado que a milícia cresce, com toda a proteção e a informação privilegiada", afirma o sociólogo José Cláudio Souza Alves, pesquisador do fenômeno.

No começo, havia uma aura justiceira associada à milícia, como se ela tivesse autorização para combater a qualquer custo traficantes que inundavam as comunidades com drogas. Hoje isso é balela. "Milicianos também têm relação com o tráfico, apesar do discurso de que impediriam bandidos de crescer", diz Alves.

"O discurso ‘legitimador’ das milícias faz parte do passado", segundo Couto, do Instituto Fogo Cruzado. "Agora, milícias e traficantes atuam em parceria e fizeram um ‘intercâmbio’. A milícia vende drogas e o tráfico cobra taxas de moradores. A milícia hoje é uma grande holding, já que tem em seu modelo a detenção de ‘participação acionária’ nas atividades do tráfico."

Milicianos já se uniram ao TCP para tomar espaços da ADA e também arrendaram áreas inteiras para traficantes explorarem economicamente uma região. "Como as milícias são compostas também por servidores da administração pública, elas têm acesso a informações que valem muito", diz a socióloga.

Têm também ascendência sobre boa parte de serviços e comércio. Controlam a venda do gás de cozinha, a segurança local, a cobrança de aluguel das casas, o acesso a consultas médicas, a circulação das vans, entre outras frentes de negócio clandestino.

A atuação é quase sempre imposta na base da força. Alguém que se recuse a pagar pela proteção oferecida por milicianos, por exemplo, pode ser coibido a mudar de ideia após sofrer atentados.

Suspeita-se que algo assim aconteceu no latrocínio de um advogado de 27 anos que saía de uma roda de samba no centro do Rio. A Polícia Civil prendeu em agosto um segurança acusado de encomendar o roubo por R$ 400 para o homem que acabou esfaqueando Victor Stephen Pereira.

"Ao ampliar seu domínio territorial, a milícia amplia também sua ‘cartela compulsória de clientes’", diz Couto. "Ela atua fortemente no setor de construção civil, grilando terras, drenando e roubando areia, construindo empreendimentos imobiliários."

A cada dois anos, esse batalhão de criminosos tenta intervir no processo eleitoral, muitas vezes com êxito. Uma das táticas é permitir que apenas candidatos chancelados pela milícia façam campanha nos territórios dominados. Em última instância, chegam a matar potenciais concorrentes.

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sexta-feira, 10 de junho de 2022

O AJUSTE ULTRALIBERAL EMBURACA O BRASIL E AGRAVA NOSSA CRISE SOCIAL * OC ARMA DA CRÍTICA

 O AJUSTE ULTRALIBERAL EMBURACA O BRASIL E AGRAVA NOSSA CRISE SOCIAL

OC ARMA DA CRÍTICA

Por onde se olhe, a conjuntura brasileira apresenta uma deterioração do cenário econômico e social para as massas trabalhadoras. Nas condições estruturais de um capitalismo dependente e subordinado, o ajuste ultraliberal agrava as condições de vida do povo e torna a barbárie e a violência parte natural da vida cotidiana.


A burguesia brasileira associada ao imperialismo não tem do que reclamar. Insensível aos sofrimentos do povo, o governo do Capitão genocida e entreguista segue impassível a agenda de reformas ultraliberais que serve para deixar os ricos cada vez mais ricos. O novo capítulo dessa saga é o assalto ao patrimônio público através das privatizações, que tem como novo alvo a Eletrobrás. O Banco Central, com sua autonomia decretada, já foi capturado pelos parasitas do sistema financeiro. E a privatização completa da Petrobrás, grande “sonho de consumo” da burguesia brasileira e internacional, continua como sua meta mais ambiciosa. O capital requer condições de vida cada vez mais deterioradas para continuar seu processo de acumulação. O lucro das empresas de capital aberto, no primeiro trimestre deste ano, ficou 55% maior do que no mesmo período do ano passado. 


A refestelança da burguesia só ocorre à custa da mega-exploração do povo. Segundo dados do IBGE divulgados em maio, a taxa de desemprego no primeiro trimestre deste ano ficou em 11,1%. Quando se analisam os dados por segmentos, as taxas ficam acima da média nacional entre as mulheres (13,7%), entre os negros (13,3%), entre os pardos (12,9%) e entre os jovens de 18 a 24 anos (22,8%). A taxa de subutilização ficou em 23,2%. Essa deterioração do mercado de trabalho se reflete no rendimento real dos trabalhadores, calculado em R$ 2.548,00, valor 8,7% menor em relação ao primeiro trimestre de 2021, quando o valor alcançou R$ 2.789,00. A proporção de trabalhadores que ganham até 1 salário mínimo saltou, de 2012 para 2021, de 33,07% da população ocupada para 36,72%. Essa queda no rendimento real se agrava com a inflação, que deteriora ainda mais o já deteriorado poder de compra dos salários. Só os alimentos, com 13%, e preços administrados como o diesel, com 22,6%, acumulam altas maiores do que a inflação geral. 


Com empregos precários, renda deteriorada e políticas públicas capturadas pelos interesses do grande capital, os segmentos mais pobres da classe trabalhadora sofrem com os impactos do ajuste ultraliberal em toda a sua extensão. Um exemplo é o do direito a habitação, que subordinado aos interesses do capital imobiliário, tem expulsado as camadas de baixa renda do proletariado para viver em áreas de risco. Não é, portanto, as fortes chuvas as responsáveis por essas mortes, mas o capitalismo. Neste ano, enchentes e deslizamentos de terra já mataram centenas de pessoas pelo país. Só em Petrópolis foram mais de 230 mortos. Na grande São Paulo morreu 34 pessoas. E agora, em Recife, os deslizamentos de terra já mataram, até o momento em que fechamos essa nota, 90 pessoas. 


A política permanente de ajuste ultraliberal, que nada mais é do que uma guerra de classe da burguesia contra o povo, acirra as tendências autoritárias e anti-populares do Estado brasileiro. Açulado pelo governo do Capitão genocida, o aparelho repressivo do Estado atua numa política de considerar o povo como o principal inimigo. O ajuste ultraliberal, para ser aplicado, requer um alto grau de violência do Estado contra o povo. No Rio de Janeiro, em 24 de maio, na comunidade de Vila Cruzeiro, uma ação combinada entre a Polícia Civil do estado e da Polícia Rodoviária Federal, matou 23 pessoas. De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ, existem claros indícios de execução. Dentre os mortos, pelo menos 16 não tinham mandado de prisão emitido. E para encerrar uma semana em que a tônica foi o massacre do nosso povo, em 25 de maio membros da Polícia Rodoviária Federal na cidade de Umbaúba/SE, mataram asfixiado por gás lacrimogêneo, dentro de uma viatura, Genivaldo de Jesus Santos. A cena de terror foi gravada por populares e logo se espalhou por todo o país. Não demorou e logo surgiu um vídeo de instrutor da PRF a ensinar em aula a novos membros essa técnica de tortura. 


Com tantas desgraças e violências cometidas pela burguesia e o Estado contra o povo era para o país estar em chamas. Porém, influenciados pelos aparelhos ideológicos estatais e privados, além de décadas de uma política majoritária na esquerda que resumiu a política ao voto, o que assistimos é o povo se resignar e naturalizar essa situação, como se todas as misérias que nos atingem compusessem o nosso cenário cultural. Educado politicamente a se mostrar passivo, restaria ao povo ver o curso dos acontecimentos como inevitável e impossível de mudar. 


Cabe a nós, os comunistas, a tarefa hercúlea de mostrar que outro mundo é possível. Que nada é impossível de mudar. E que a mudança de curso do nosso país requer que o povo venha para a luta, rompa com o imobilismo e tome o controle dos destinos do Brasil em suas mãos


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segunda-feira, 6 de junho de 2022

DERROTAR O NAZISMO AQUI OU NA COLÔMBIA É UMA LUTA SÓ * Revista Ópera

DERROTAR O NAZISMO AQUI OU NA COLÔMBIA É UMA LUTA SÓ
Colômbia: na periferia de Bogotá, jovens disputam “até último voto” contra direita.

Lideranças de Ciudad Bolívar, bairro mais pobre da capital da Colômbia, trabalham para reverter abstenções: “Quatro anos com uma figura como Hernández, teremos uma guerra terrível”. 

Por Vanessa Martina Silva, Felipe Bianchi, Leonardo Wexell Severo e Caio Teixeira
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sábado, 23 de abril de 2022

ONDE ESTÁ CARLOS LANZ? * Comissão de Busca e Libertação de Carlos Lanz / Venezuela

ONDE ESTÁ CARLOS LANZ?
República Bolivariana da Venezuela

Comissão de Busca e Libertação de Carlos Lanz

CARLOS LANZ E TODAS AS MÃOS AO SEMEAR


O dia 15 de abril de 2022 marca o 13º aniversário da ativação oficial do Programa Todos las Manos a la Siembra, conforme evidenciado no calendário institucional do Ministério do Poder Popular pela Educação.

O referido Programa foi idealizado e promovido militantemente pelo nosso camarada Carlos Lanz, que, até hoje, está ilegalmente privado de sua liberdade há 20 meses por setores inimigos da Revolução Bolivariana.

É no mínimo paradoxal que, por um lado, estejamos exultantes com a celebração do Programa e, por outro, sejamos tomados por um profundo sentimento de indignação pela atitude desleal e cúmplice do público competente autoridades em matéria de investigação criminal que, no seu conjunto, optaram por silenciar o processo; deixar de investigar com a exaustividade necessária para identificar os mandantes e autores de um crime tão hediondo; enfim, por facilitar as condições para o estabelecimento, mais uma vez, da impunidade diante do uso do desaparecimento forçado como medida ou recurso contra a insurgência popular e revolucionária.



A Venezuela vive tempos de paradoxos e profundas inconsistências, porque as contradições em que nos movemos como grupo social são óbvias.

Com efeito, a título de exemplo, deve-se notar que enquanto se fala em Revolução Judicial, um grupo de trabalhadores permanece preso e submetido a processos judiciais em que seus direitos humanos mais básicos são violados, enquanto Guaidó e a quadrilha de criminosos ao serviço das políticas imperialistas dos governos dos EUA, gozam das mais amplas liberdades sem limitação e pressão, apesar de serem responsáveis ​​pela perpetração de crimes graves contra a Nação.

A Comissão de Busca e Libertação de Carlos Lanz tem plena consciência da complexa, contraditória e difícil realidade em que se desenvolve o país, no quadro da convulsiva situação mundial em que vivemos.

Assim, todos os seus esforços visam resgatar Carlos Lanz são e salvo, pois uma vitória nesta batalha supõe e representa uma contribuição significativa para o fortalecimento e desenvolvimento do Estado Democrático e Social de Direito e Justiça em que a Venezuela foi constituída em 1999, desde tal vitória implicaria uma derrota para aqueles que ocupam altos cargos dentro do Estado, propiciaria a não observância e minar o mandato popular contido na atual Constituição.

Em suma, libertar Carlos Lanz das garras de seus captores constitui uma contribuição decisiva no modo de revelar uma das muitas contradições que nos afligem atualmente, vale dizer, a existência de compatriotas realizando em nome e representação do Partido Bolivariano Revolução altas responsabilidades do Estado, enquanto com seu comportamento negam e contradizem as razões e propósitos que animam a revolução.



O Comitê participa de todas as atividades e eventos que são planejados e realizados para celebrar o Programa Todas as Mãos ao Plantar, apesar do paradoxo que poderia representar o fato de seu idealizador e promotor não poder participar deles, uma vez que setores contrarrevolucionários e um Estado que omite o cumprimento de suas obrigações não o permite, por enquanto.

Devemos redobrar nosso trabalho para elevar os níveis de articulação e organização popular; promover e desenvolver a luta pela concretização e defesa dos direitos que o povo venezuelano se conferiu ao aprovar a Constituição vigente por maioria; denunciar, protestar e enfrentar energicamente nas ruas tudo o que representa e implica ignorância e violação do nosso ordenamento jurídico institucional; em suma, aumentar as capacidades combativas da classe trabalhadora e de outros setores oprimidos e explorados da nação com base no processo de construção socialista.

Em consideração ao exposto, a Comissão de Busca e Libertação de Carlos Lanz,

CONCORDAR:

PRIMEIRO: No âmbito da celebração do décimo terceiro (13) aniversário do Programa Todos las Manos a la Siembra, executar nesta segunda-feira, 18 de abril de 2022, uma Ação Simultânea Nacional para reivindicar sua relevância educacional, social, econômica e política, nesse contexto, ratificar e aprofundar a luta que visa exigir que as autoridades competentes do Estado cumpram sua obrigação de investigar exaustivamente a situação atual do camarada Carlos Lanz, que, como foi dito, é o idealizador do Programa Todas as Mãos ao semente.



Esta Ação Nacional Simultânea consistirá em realizar, entre outras, as seguintes atividades:

1.- Às 8 horas da manhã transmissão simultânea da leitura deste comunicado pelas Rádios Comunitárias, Livres e Alternativas que venham a aderir a esta ação. No entanto, não é negado ou excluído que outras rádios, no âmbito da referida celebração, transmitam materiais alusivos ao referido Programa e a Carlos Lanz em horário diferente do pré-indicado.

2.- Divulgar por todos os meios, especialmente através de plataformas digitais, vídeos que exibam ou tornem visíveis as experiências agroecológicas inscritas na motivação, abordagens e propósitos perseguidos pelo Programa Todas as Mãos para Plantar. Nesse sentido, para reconhecer publicamente o ideólogo do referido Programa, vale dizer, o Professor Carlos Lanz, bem como todo o pessoal do Ministério do Poder Popular para a Educação que, superando todas as adversidades com seu esforço altruísta, conseguiram preservar Ativo o Programa como dinâmica pedagógica efetiva para a formação humana e como prática revolucionária destinada a alcançar a soberania alimentar.

3.- Tweet Nacional às 19h, com a seguinte etiqueta:
CarlosLanzYTodasLasManosAlaSiembra

Consequentemente, todas as organizações membros do Campo Popular e Revolucionário são convidadas a participar da referida atividade de propaganda. Da mesma forma, todos os povos progressistas, democráticos, patrióticos e revolucionários que decidam se juntar ao Tuitazo Nacional são bem-vindos.



SEGUNDA: Participar de todas as atividades que, em comemoração aos 13 anos do Programa Mãos para Plantar, sejam planejadas e executadas pelas diferentes dependências constitutivas do Ministério do Poder Popular para a Educação e, em geral, qualquer organização ou entidade que toma a iniciativa de celebrar este evento.

TERCEIRO: Reconhecer publicamente o esforço e perseverança demonstrados ao longo dos anos pelo pessoal do Programa Mãos de Obra do Ministério do Poder Popular para a Educação. Nesse sentido, instam as autoridades do referido gabinete ministerial a ditarem as medidas necessárias para assegurar a sua consolidação, fortalecimento e expansão.

QUARTO: Saudar a atitude solidária e militante das Rádios Comunitárias, Livres e Alternativas que manifestaram a sua vontade de participar na referida transmissão simultânea, com a qual ratificam o cumprimento do seu dever de informar, comunicar, formar valores e promover a organização e luta pelo engrandecimento da Pátria Bolivariana.

QUINTO: Convidar todas as organizações e pessoas que estão desenvolvendo atividades agroecológicas a gravar vídeos sobre essas experiências para divulgá-las no âmbito da Ação Simultânea Nacional que será realizada por ocasião da celebração do 13º aniversário do All Hands to Planting Programa e como requisito às autoridades públicas competentes que realizem todas as ações pertinentes a fim de resgatar o professor Carlos Lanz são e salvo.



CARLOS ESTÁ VIVO E VAMOS RESGATÁ-LO

PARA COMBATER A INJUSTIÇA E A IMPUNIDADE NAS RUAS

COM CARLOS LANCEI TODAS AS MÃOS À SEMEADURA

FLORES VERMELHAS, PUNHO LEVANTADO, QUEREMOS CARLOS LANZ SEGURO E SEGURO

CHAVEZ VIVE, A LUTA CONTINUA!

Entre em contato e corra.

Assinou na Venezuela, em 15 de abril de 2022, a Coordenação Nacional do COMITÊ DE BUSCA E LIBERAÇÃO DE CARLOS LANZ.

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Milicianos para quê * Moisés Mendes

MILICIANOS PARA QUÊ 

Como a extrema-direita abandona seus milicianos

por Moisés Mendes - 02.01.2022

_O experiente jornalista Moisés Mendes escreve em seu blog sobre como as milícias são abandonadas pela extrema-direita. Dá o exemplo da Bolívia, cita o filme da Netflix e pensa o Brasil_

O filme ‘Não olhe para cima’ tem uma situação exemplar do destino de subalternos e bajuladores (incluindo parentes) que se consideram parte da estrutura de poder montada por direita e extrema-direita no século 21.

Digo isso e aviso que esse texto é para quem já viu o filme e para quem não liga para spoiler. Porque vou contar uma cena decisiva, para falar do que acontece com os que se acham parte orgânica de governos totalitários e negacionistas condenados à extinção, como foi o de Trump e como é o de Bolsonaro.

Déspotas, mesmo os eleitos, abandonam trastes pelo caminho, para salvar a própria pele. Essa é a lição final do filme.

É o que faz a presidente dos Estados Unidos (Meryl Streep), quando foge do fim do mundo e deixa para trás o próprio filho, um personagem escrachadamente inspirado em Carluxo.

Na Bolívia, golpistas civis de 2019 deixaram para trás os comandantes, oficiais e soldadama da Polícia Nacional, que puxaram o golpe com o motim que desencadeou a queda de Evo Morales.

Esta semana, mais 13 oficiais da Polícia Nacional foram expulsos da corporação, por decisão administrativa do comando da organização, e ainda enfrentarão processos criminais na Justiça.

Um dos principais personagens do grupo de 13 golpistas da Polícia Nacional é o major Daniel Capriles. O major fomentava e participava de ações de milicianos civis armados que se autodenominavam Resistencia Juvenil Cochala, de Cochabamba.

O fascista Yassir Molina, líder da milícia, está preso com outros companheiros. Também estão presos o chefe da Polícia Nacional, o general Yuri Calderón, e oficiais envolvidos na organização e liderança do motim e de atos contra o governo eleito.

No total, são 26 os integrantes da Polícia Nacional (que é a PM nacional deles) denunciados por envolvimento em algum tipo de ilegalidade, quando das ações golpistas de 2019.

Perguntem se eles têm o apoio de algum líder civil do golpe. Não têm nada. Os golpistas civis, quase todos com origem na província de Santa Cruz de la Sierra, abandonaram os policiais e os milicianos.

Grupos paramilitares, como os que Bolsonaro imagina criar no Brasil, só funcionam quando seus idealizadores e protetores estão no poder.

Na Bolívia, tiveram força e se sentiram impunes durante o ano em que durou o golpe. Quando o "Movimento ao Socialismo" venceu as eleições, em 2020, e voltou ao poder, os golpistas fardados caíram em desgraça.

Todos os líderes foram encarcerados preventivamente por decisões do Ministério Público e da Justiça. Já foi divulgado à exaustão, mas vamos repetir: estão presos os chefes da Polícia Nacional e os chefes das Forças Armadas.

Todos foram abandonados por políticos, empresários, latifundiários, contrabandistas e mafiosos que organizaram e patrocinaram o golpe.

Candidatos à criação de milícias semelhantes no Brasil devem prestar atenção ao caso boliviano. Não esperem que, depois de derrotado e com mais de 30 processos na Justiça, Bolsonaro fique por perto para socorrê-los.

Não haverá socorro nem de Bolsonaro nem dos participantes da estrutura de poder montada pelo sujeito.

Policiais e milicianos não valem nada para a extrema-direita boliviana. Com Bolsonaro sem poder, milicianos de verde-amarelo não valerão nada para os fascistas brasileiros.