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sábado, 29 de março de 2025

CHACINAS DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

CHACINAS DA DITADURA MILITAR BRASILEIRA
Vera Sílvia Araújo de Magalhães

Vera levou um tiro na cabeça e mesmo ferida foi torturada por três meses!
Pendurada no pau-de-arara, respondeu: "Minha profissão é ser guerrilheira."
Nas mãos do exército e da polícia por três meses, passou por choques elétricos, espancamento, simulação de execução, queimaduras, isolamento completo em ambientes gelados e muita tortura psicológica.

A tortura lhe valeu uma hemorragia renal, o que a fez ser transferida para o Hospital Central do Exército, pesando 37 quilos e sem mais conseguir se locomover.

Vera Sílvia Araújo de Magalhães, Bisneta do líder republicano Augusto Pestana, nasceu em uma família de classe média gaúcha radicada no Rio de Janeiro.
Ainda criança, estudando na tradicional escola carioca Chapéuzinho Vermelho, em Ipanema, Vera brigava com as professoras porque a escola queria que os alunos fizessem exercícios em inglês. Ganhou de seu tio Carlos Manoel, aos onze anos, o livro "Manifesto do Partido Comunista", de Marx e Engels, e começou a militar na política com apenas quinze anos de idade, na Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas (Ames).

Ainda no início da adolescência, influenciada pelo que lia e como o pai dava algumas roupas a parentes e companheiros comunistas que viviam na clandestinidade e tinham dificuldade de trabalhar, saiu dando suas bicicletas e bonecas às vizinhas e amigas, acreditando ser isso o "socialismo". Adolescente, estudando no Colégio Andrews e participando do grêmio estudantil, comandou uma greve contra o aumento das mensalidades colocando cimento no portão, o que impediu a entrada de todos na escola, professores e alunos.

Aos 16 anos, participou do comício de João Goulart na Central do Brasil e ao prestar vestibular para Economia, em 1966, passou a integrar a Dissidência Comunista da Guanabara, na ala da Economia, para a qual cooptava estudantes amigos da mesma área, entre eles Franklin Martins e José Roberto Spigner, com quem passou a viver maritalmente.

Aos vinte, em 1968 e já na universidade, organizava passeatas e passou à clandestinidade, integrando a luta armada contra a ditadura militar.
Ela passaria para a história como uma das mais famosas guerrilheiras do Brasil da ditadura militar, quando foi a única mulher a participar do seqüestro do embaixador norte-americano no país, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969.
Ela foi presa em março de 1970, numa casa do bairro do Jacarezinho, junto com outros companheiros denunciados por uma vizinha e levando um tiro que lhe trespassou a cabeça.

Depois de retirada do hospital com um ferimento à bala na cabeça, Vera Sílvia foi torturada nas dependências do DOI-CODI do Rio de Janeiro, baseado num quartel da Polícia do Exército na Rua Barão de Mesquita, bairro da Tijuca, zona norte da cidade.

Pendurada no pau-de-arara, respondeu aos torturadores quando lhe perguntaram sua profissão: "Minha profissão é ser guerrilheira." Nas mãos do exército e da polícia por três meses, passou por choques elétricos, espancamento, simulação de execução, queimaduras, isolamento completo em ambientes gelados e muita tortura psicológica – tentativa de destruição da personalidade e da dignidade do indivíduo e suas crenças – causadas por remédios psiquiátricos ministrados pelo Dr. Amílcar Lobo, seu principal algoz.

Lobo, codinome Dr. Cordeiro, depois denunciado também por envolvimentos com tortura na famosa Casa da Morte, em Petrópolis, teve seu registro como médico cassado em 1989. Chegou a sair ensanguentada direto de uma sessão de torturas para uma audiência no Supremo Tribunal Militar.

A tortura lhe valeu uma hemorragia renal, o que a fez ser transferida para o Hospital Central do Exército, pesando 37 quilos e sem mais conseguir se locomover. Do HCE ela acabou sendo libertada junto com outros 39 presos políticos, em 15 de junho do mesmo ano, em troca do embaixador alemão no Brasil, Ehrenfried von Holleben, sequestrado por outro grupo guerrilheiro, do qual fazia parte Alfredo Sirkis.
Banida do país para a Argélia, retornou ao Brasil em 1979 após a aprovação da Lei da Anistia, e depois de quatro anos vivendo em Recife com o companheiro, voltou ao Rio de Janeiro e trabalhou no governo estadual como planejadora urbana, até se aposentar por invalidez.

Vera, musa dos integrantes da guerrilha carioca, foi presa após levar um tiro na cabeça e, mesmo ferida, foi torturada por três meses e após dias em estado de coma; entre outras sequelas, sofreu o resto da vida de surtos psicóticos, sangramento da gengiva e crises renais, combateu um linfoma nos últimos anos de vida e morreu de infarto em 2007.

Por causa de seus problemas permanentes de saúde causados pela tortura, em 2002 ela foi a primeira mulher a receber reparação financeira do Estado, através da 23ª Vara Federal do Rio, com uma pensão mensal vitalícia garantida por lei.
HELENIRA RESENDE
JACINTA PASSOS
*
PARA NÃO ESQUECER - 29 DE MARÇO DE 1972
A CHACINA DE QUINTINO
(Ernesto Germano Parés)
Você lembra desse fato? Ao menos já ouviu falar? Não! Pois é, os mesmos que comandaram o
Brasil recentemente e não achavam estranho fazer sinais de “arminhas” com as mãos e que ameaçavam
abertamente os seus opositores são os que fazem todo o possível para você não tomar
conhecimento da nossa história e de como age o fascismo em nosso país, há muito tempo.
Para quem não conhece, a “Chacina de Quintino”, escondida pela nossa imprensa “tão livre”,
foi uma ação policial (fascista) realizada na época mais escura da ditadura militar no Brasil. A ação
dos “agentes da ordem pública” terminou com a morte de três lutadores brasileiros que faziam parte
da resistência armada contra o regime imposto ao país.
No dia 29 de março de 1972, no bairro carioca de Quintino, na Av. Dom Helder Câmara n°
8988, casa 72, mais alguns lutadores tombaram diante da força mais retrógrada que já tivemos.
Lígia Maria Salgado Nóbrega, Antônio Marcos Pinto de Oliveira e Maria Regina Lobo Leite Figueiredo
foram assassinados pelos agentes do DOI/CODI do Rio de Janeiro.
Precisamos esperar 41 anos e apenas em 2013 a história da “Chacina de Quintino” foi
contada com base em provas reais, derrubando a versão oficial da ditadura. Depois de realizar
pesquisas e coleta de testemunhos, como entrevistas com os vizinhos da vila 8985, em Quintino, e
com o médico-legista Valdecir Tagliare, responsável por assinar a declaração de óbito das vítimas da
chacina, a Comissão da Verdade do Rio realizou um Testemunho da Verdade, em parceria com a
Comissão Nacional da Verdade. A audiência, realizada no auditório da Caarj (Caixa de Assistência da
Advocacia do Estado do Rio de Janeiro), ouviu familiares e amigos de Antônio Marcos Pinto de
Oliveira, Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo e Lígia Maria Salgado Nóbrega, mortos na ocasião.
Os três companheiros eram membros da VAR-Palmares, movimento de resistência armada
que denunciava a entrega do país ao grande capital internacional.
“Neste episódio, conseguimos desmontar uma farsa da ditadura. Esse aparelho, de acordo
com a versão oficial, foi estourado num suposto confronto entre os militantes que estavam lá dentro
e agentes de segurança do DOI-Codi. Ou seja, segundo a Ditadura houve uma troca de tiros, mas
essa foi a verdade montada pela Ditadura e que vai parar de vigorar a partir de hoje”, destacou o
presidente da CEV-Rio, Wadih Damous.
Os laudos cadavéricos foram escondidos do público, na época, mas agora sabemos que
mostravam não haver qualquer resquício de pólvora nas mãos dos militantes mortos, jogando por
terra a versão de que tenha havido um confronto armado.
Uma das provas mais contundentes de que as mortes foram resultado de execução
extrajudicial e não de troca de tiros em “legítima defesa”, como divulgado à época, foi a entrevista
com o médico-legista Valdecir Tagliare. Ele revela que os corpos apresentavam esmagamento total
das mãos e parte dos braços o que comprovaria os golpes causados por “armamento pesado”. Ele
contou ainda que o laudo enviado para a direção, como era o procedimento, foi adulterado. “Só tive
acesso ao microfilme anos mais tarde”.
Testemunhas ouvidas muito depois dizem que tudo foi uma execução, com os militantes
sendo mortos depois de rendidos na lateral da casa com tiros na cabeça e que nenhum tiro foi
escutado como saindo da casa.
A isso se somam documentos e depoimentos de vizinhos que afirmam que os militantes não
ofereceram resistência. Eles declararam à comissão que os tiros não partiam de dentro da casa e
que os policiais, ao entrarem na vila, pediram aos moradores que fizessem silêncio e se
escondessem embaixo da cama.
Naquele dia, apenas James Allen da Luz, um dos comandantes da VAR-Palmares, e que ali
morava com a mulher Lígia Maria, grávida de dois meses, conseguiu escapar vivo do cerco, fugindo
pelos fundos da casa em direção à linha de trem que corta o bairro.
Vale registrar que ele “desapareceu” em 1973 em Porto Alegre. Seu corpo nunca foi
encontrado.
Toda a documentação sobre a Chacina de Quintino está com a Comissão Nacional da Verdade
e pode ser facilmente obtida pelos interessados, inclusive pela Internet.
Quando vivemos em um país que foi dirigido por um insano que elogiava o fascismo e as torturas
ocorridas durante o regime militar, mas agora vai para a cadeia; quando vivemos em um país onde um demente e seus filhos
apoiavam e defendiam a existência de milícias que exterminavam abertamente os opositores e a população; ... Então é hora de lembrar da “chacina de Quintino”.
EM MEMÓRIA DE LÍGIA MARIA SALGADO NÓBREGA, ANTÔNIO MARCOS PINTO DE OLIVEIRA E MARIA REGINA LOBO LEITE FIGUEIREDO!
PELO RESTABELECIMENTO DA VERDADE E DO DIREITO À VIDA NO PAÍS!
UM VIVA A TODOS OS QUE LUTARAM, LUTAM E LUTARÃO!
*

domingo, 23 de março de 2025

CHEGA DE CHACINA, JUSTIÇA JÁ! * Coalizão Negra por Direitos/RJ

CHEGA DE CHACINA, JUSTIÇA JÁ!
Chega de chacina! Investigação e punição já!

Ao Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva;

ao Ministro da Justiça Ricardo Lewandowski,

a Ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo e

a Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

Enviamos esta carta como um pedido de resposta do governo federal à violência policial nos Estados.

Chega de chacina!
Investigação e punição já!

No dia 28 de julho de 2023 foi deflagrada a Operação Escudo no estado de São Paulo. Foi a segunda operação coordenada mais violenta da história do estado, estando atrás apenas do massacre do Carandiru. No dia 6 de fevereiro de 2015, ocorreu na Bahia a chacina do Cabula. Chacina essa que marcou a vida da população baiana com 12 jovens negros mortos por policiais. A mesma se soma a diversas outras, nos números de escalada de violência da polícia baiana que a levou, hoje, ser a mais letal do país.

 Contraditoriamente, o estado é governado pelo PT, com números inaceitáveis. No dia 6 de maio de 2021, aconteceu, na cidade do Rio de Janeiro, o massacre da favela do Jacarezinho. Uma das operações mais violentas da história do Rio, com 28 mortos.

O que presenciamos nesses estados é o reflexo nacional da violência policial. Um reflexo da escalada da violência, principalmente, contra negros, sejam eles jovens, crianças, trabalhadores e mulheres. O que há em comum entre São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, assim, como, geralmente, em quase todas as ações de violência policial, é a impunidade.

Em São Paulo, o Ministério Público mandou arquivar 23 das 27 investigações sobre as mortes cometidas pela PM na Operação Escudo. O governador Tarcísio de Freitas defendeu a operação e deu a ela todo apoio e suporte. O resultado dessa defesa, somada ao arquivamento da investigação pelo MP, será a escalada, maior ainda, no próximo período, da violência policial desenfreada. Na Bahia, o processo de julgamento da chacina corre em segredo de justiça. Quase 10 anos depois não há punição àqueles que mataram 12 jovens negros. No Rio, inquéritos foram arquivados, sem nenhuma resposta à barbárie.

A desmilitarização da polícia e o fim a tutela militar são fundamentais no combate pela vida da população. A PM funciona como uma máquina de guerra contra o povo. É da sua natureza institucional militarizada estar em guerra em todo o território nacional, principalmente, nas periferias. Da mesma forma que é preciso desmilitarizar e por fim à tutela militar, é importante a punição.

Deixar de punir os crimes e excessos praticados pela polícia é uma sinalização dos governos dos estados para continuação da barbárie. Nos últimos 3 anos, 2427 crianças foram mortas em ação policial. 2023 foi o ano que a polícia brasileira mais matou crianças, uma a cada cinco foram vítimas de operações policiais. Frear e responder à altura esses números passa por investigação e punição de todos os crimes.

Acreditamos que hoje, a Bahia — tendo a polícia que mais mata no Brasil —, SP, — principal estado econômico e político nacional — e o Rio de Janeiro representam, concentradamente, o que vem vivendo a população pobre do país, principalmente, a negra, nos últimos anos. Por isso viemos, por meio desta, exigir a federalização da investigação dos crimes da Operação Escudo (SP), Massacre do Jacarezinho (RJ) e chacina do Cabula (BA) como uma resposta, contundente, do governo Lula para situação, para que se investigue e puna todos os que cometeram crimes contra o povo.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

O SILÊNCIO DE LULA * CEP MAGALHÃES - SP

O SILÊNCIO DE LULA

Incomoda muito não ver nenhuma manifestação oficial do governo Lula contra as chacinas que as corporações militares PM (Prontos pra Matar), travestidas de polícia, tem realizado pelo país. Cadê o L feito na eleição?

As matanças aconteceram e ainda acontecem em São Paulo, Rio de Janeiro e na Bahia, um governo petista. Deixa claro que as corporações militares não respondem aos governadores, mas sim ao exército, visto serem forças auxiliares desta arma.

Em São Paulo, o atual governador eleito é ex-oficial, saiu do exército como capitão e serviu no Haiti nas forças de intervenção da ONU, no país caribenho. O secretário da (in)segurança pública foi oficial da PM paulista, da ROTA, talvez o batalhão mais assassino do estado, se é que isso é possível. Foi expulso por ter matado gente demais (sic).

A política de chacina da corporação militar paulista segue um protocolo específico de matar quem o estado e a própria corporação decidir quem deve morrer. São estimulados e protegidos nas ações de extermínio das populações pobres, pretas e das periferias.

Agem como jagunços, verdadeiros pistoleiros, por isso que nas operações não carregam as câmaras obrigatórias nos uniformes ou as desligam durante as chacinas. Há uma verdadeira operação de limpeza étnica nas matanças dos miseráveis, criminalizando a pobreza. São assassinos de uniformes, jamais policiais...

terça-feira, 18 de julho de 2023

Mães de Acari: um legado histórico * Luciene Silva / FIOCRUZ


Mães de Acari: um legado histórico
*
Marcha das Mães de Acari 
(Foto: Alaor Filho tirada da exposição Mães de Acari 30 anos)

Luciene Silva
 é integrante da Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência da Baixada Fluminense (RJ) e do Radar Covid-19 Favela/Fiocruz
fevereiro 10, 2023

A impunidade do caso de Acari trouxe a indignação, que foi a motivação para que esse grupo de mães, do luto, tenha se levantado para lutar. A partir daí, as Mães de Acari ficaram conhecidas por sua determinação, coragem e ousadia de ir em busca da justiça. Algumas delas, nessa busca, perderam a própria vida.

No dia 26 de julho de 1990, uma tragédia modificou para sempre a vida de 10 mães, na comunidade de Acari, zona norte do Rio de Janeiro, trazendo sofrimento e muita dor. Jovens e adolescentes saíram para se divertir em um sítio, em Suruí, município de Magé, Baixada Fluminense, e dali foram retirados, levados por um grupo de extermínio e nunca mais encontrados.

Indignação, revolta. “Onde estão os nossos filhos? Queremos eles de volta”. Um silêncio pavoroso é o que as mães tiveram como resposta! Passaram-se 32 anos e o que se tem são investigações sem resultado, suposições que o grupo chamado Cavalos Corredores é o responsável, mas ninguém foi julgado, nem preso, nem condenado, e os corpos das vítimas jamais foram encontrados. A impunidade trouxe a indignação, que foi a motivação para que esse grupo de mães, do luto, tenha se levantado para lutar. A partir daí, as Mães de Acari ficaram conhecidas no mundo inteiro por sua determinação, coragem e ousadia de ir em busca da justiça e da memória dos filhos que sumiram, mas que jamais foram esquecidos. Algumas delas, nessa busca, perderam a própria vida.

Essas mulheres foram a inspiração para que o movimento de mães e familiares vítimas de violência do estado do Rio de Janeiro conquistasse empoderamento, ganhando autonomia para incidir politicamente, ocupando cada espaço de fala para dar voz e visibilidade a todo esse processo de adoecimento que atinge a cada uma dessas pessoas, e as deficiências e violações de direitos que são realidades em seus territórios. Essa iniciativa alcançou outros estados e assim se consolidou como um movimento nacional. Por isso, nunca poderemos nos esquecer que se as Mães de Acari não se erguessem, esse movimento jamais nasceria, cresceria e ganharia força, e muitas mães e familiares hoje estariam sem rumo e não encontrariam o apoio que necessitam para seguir na luta por justiça, por direitos e memória.

Infelizmente, após a Chacina de Acari, várias outras aconteceram em todo o estado e no país (e continuam acontecendo), não importando como, onde e nem contra quem. Vidas foram ceifadas nesses 32 anos: Chacina do Carandiru (1992), Chacina da Candelária (1993), Vigário Geral (1993), Chacina do Eldorado dos Carajás/PA (1996), Chacina do Castelinho/SP (2002), Chacina do Borel/RJ (2003), Chacina da Via Show/RJ (2003), Chacina da Baixada/RJ (2005) e, mais recentemente, Chacina do Jacarezinho/RJ (2021) e Chacina em Manguinhos/RJ (2022). Essas são só algumas das que ganharam destaque na mídia, contudo, muitas outras aconteceram e ficaram ocultas, sem denúncia por vários motivos, principalmente, pelo medo, pelo silenciamento. Covardia? Não! Sobrevivência!

Por esse motivo, a luta que começou há 32 anos nunca pode deixar de ser lembrada, porque foi através dela que o coletivo de mães conquistou direitos, reconhecimento e autonomia em escala nacional.

Da mesma forma, após a tragédia que ficou conhecida como a “Chacina da Baixada”, em 31 de Março de 2005, quando um grupo de policiais militares passou atirando e matou 29 pessoas em uma única noite entre os municípios de Nova Iguaçu e Queimados, surgiu o movimento de mães e familiares de vítimas de violência da Baixada Fluminense, que anos mais tarde ganharia um novo nome: Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência da Baixada Fluminense. Seu objetivo é continuar acolhendo, apoiando mães e familiares, ocupando os espaços para dar voz às várias formas de violências que são cometidas no território da Baixada, que tem as suas especificidades em relação à capital do estado.

Vera Flores, Marilene Lima e Patrícia Oliveira (Foto: Carlos Cruz Nobre tirada da exposição Mães de Acari 30 anos)

Essa população vive em um lugar dominado por múltiplas formas de poder armado: tráfico, milícias, grupos de extermínio, justiceiros (matadores) e violência policial, todos atuando com práticas truculentas, cruéis e abusivas. E as pessoas são obrigadas a conviver com isso.

O grupo de mães e familiares, infelizmente, cresceu ao longo desses 17 anos e as práticas das barbáries foram se modificando. Hoje, o modus operandi dos grupos criminosos que dominam a maior parte dos municípios da Baixada – as milícias – faz com que a cada dia cresçam os casos idênticos ao de Acari: desaparecimentos forçados, cada vez em maior quantidade, isso para que não se configure o homicídio, já que pela lei, dizem, não há corpo, não há prova de crime! Não há indícios, não há como se apontar o culpado. Na maioria dos casos, não há investigações, eles ficam sem respostas.

Com o passar do tempo, cada vez fica mais claro quem são os alvos dessas mortes e desaparecimentos: jovens pobres, favelados, periféricos e negros! O racismo é sim o que impulsiona a criminalização desse povo negro, dessa juventude, julgando-os sem defesa e condenando-os à morte! E pior que isso, condenando suas mães e familiares também a um sofrimento que perpassa suas vidas, trazendo consequências para a saúde mental e física, com sequelas terríveis que destroem vidas! É desumano não dar o direito a uma mãe de enterrar seu filho. Certa vez, escutei algo de uma mãe que me marcou para sempre: “Como vou acreditar que ele morreu se eu não senti seu corpo gelado? Se eu ainda sinto seu abraço quente? Só vou acreditar se eu ver ele sem vida, se eu tocar”. Como impedir as depressões, os suicídios, a perda da auto estima, as separações, a dependência química, as doenças psicossomáticas? Precisamos de cuidados!

Uma das conquistas que o movimento de mães e familiares conseguiu em Nova Iguaçu, através de incidência política, foi a aprovação da Lei municipal que instituiu a semana de 24 a 31 de março como a “Semana municipal de conscientização da luta de mães e familiares de vítimas de violência em Nova Iguaçu”, e o Decreto Lei: 12.091 de 7 de Outubro de 2020, que também instituiu o “Núcleo de atendimento a mães e familiares vítimas de violência” (NAMFIV) como atendimento psicossocial municipal, o primeiro em todo país. Expandir esse atendimento em todos os municípios da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro e em todo o país, é uma das prioridades do movimento de mães, pois é certo que o tratamento a essas famílias tem que ser específico para elas, com profissionais capacitados para saber diferenciar o quanto essa dor é inigualável e como não pode ser vista como outra qualquer e nem ser tratada da mesma forma. Perdemos várias companheiras e familiares nesses 32 anos. Quantos (as) mais iremos perder?

A perda de um filho assassinado se torna para uma mãe uma doença crônica, incurável. Precisa ser tratada para que seja controlada e não leve à morte!

Parem de nos matar! Nossos mortos têm voz!

***

segunda-feira, 27 de junho de 2022

O rastro das chacinas * Antonio Cabral Filho / FRT-RJ

O RASTRO DAS CHACINAS
Aline dos Santos, mãe de Thiago dos Santos, morto em chacina na Penha - RIO

SOBRE ALINE DOS SANTOS 

Toda violência deixa sequelas. E elas causam um amálgama profundo na alma da gente. Desde o parto até à morte. É como uma dor infinita, para a qual não sabemos a cura. Mas há violências que são assustadoras, como a das chacinas no mundo atual - JUNHO 2022 - que não sabemos as raízes mas conhecemos suas flores: famílias destruídas. 

Muitas vezes devido a um membro que se desviou para o crime, seja ativa ou passivamente. Ou seja, às vezes um consumidor de substâncias ilícitas pensa que ELE não está fazendo mal a ninguém com o seu hábito, mas se esquece da situação causada pelo efeito do seu consumo: geralmente desequilíbrios, distúrbios, brigas, quando não degenera para ações criminosas, como assaltos, estupros etc. 

No caso do DESVIO PASSIVO - o consumidor - se considera no direito de realizar seus atos porque se considera dono do seu destino, da sua vida etc, sem avaliar os efeitos de seus atos. Mas no caso do DESVIO ATIVO - tráfico, assalto, furtos, milícia etc - o sujeito tem SIM consciência de seus atos, até porque não pode realizá-los inconscientemente, sob pena de ser executado. Neste caso, a relação com seus familiares acaba destruída. Ele se afasta da família ou ela se junta a ele. São situações inusitadas, que podem levar ao apodrecimento do ambiente social: essa comunidade familiar não terá - jamais - uma vida de paz. Muitas vezes a morte do membro da família que se desviou para o crime parece a solução, mas não é: a família continua traumatizada. Afinal, uma parte dela foi retirada, violentamente.

Mas no caso das chacinas, isso é ainda pior: leva ao suicídio, de pelo menos um membro da família: geralmente a mãe.
O AVC de Aline não foi natural:
Mãe de Thiago Santos, estudante morto dentro de casa na Penha, falece no Rio.
Aline Santos já estava internada há dias devido ao AVC que teve; família informou que ela vinha sofrendo muito com a perda do filho.

CONFIRA

Mas essa violência tem história e tem raízes na divisão social do trabalho. A classe dominante precisa se defender do perigo criado por ela: a miséria causada pela depreciação da mão de obra, a exclusão do trabalhador do mercado formal de trabalho, seu afastamento lá para as periferias desassistidas do mundo, formando os bolsões de marginalizados, que servirão de mão de obra para a sua sub-indústria, o narcotráfico e as milícias, civis ou paramilitares. Este é o efeito da divisão social do mundo em classes - primeiro nos exclui, depois nos mata.

No entanto, podemos verificar que no período bozonazista, o Brasil se vê mergulhado num mar de sangue, uma vez que se trata de um representante das milícias, do campo e da cidade, cujo único investimento é na eliminação de indefesos.

Agora, neste momento, me pergunto qual o metro quadrado do mundo não está contaminado por essa desgraça. Ela precisa ser destruída, mas apenas as sua vítima pode exterminá-la. 

ANEXO
POLÍCIA DE MIAMI COMPRANDO ARMAS DA POPULAÇÃO DEVIDO A EXPLOSÃO DE VIOLÊNCIA NA CIDADE.
***

sábado, 28 de maio de 2022

REPÚBLICA DE NECRÓPOLIS * Adão Alves dos Santos / SP

 REPÚBLICA DE NECRÓPOLIS

CRÔNICAS PARA DESEMBURRECER TOMO DCCLI

AS FESTAS DE MORTE E DA (DÁ) MORTE)


Para todo bom idiota, os últimos dias foram de festas, tanto cá, "no Brasil", como lá, " nas terras do péssimo irmão do Norte, as mortes tem se acumulada com uma veracidade que só encontra eco, nos defensores da política de morte e de armas, que vieram no bojo das últimas eleições.


Ações desastrosas da polícia, se a ação é desastrosas em si, agravada nominalmente pela morte de uma moradora por tiro de fuzil, disparado a longa distância, onde as facilicitações da compra de armas a vilá esperada para uma política genocida.


O péssimo exemplo que os amantes da imponência importaram do modelo americano devolve ao dias atuais cenas do velho Oste yanque.


Apesar do verdadeiro festival de mortes e de horrores a claque dos bolzominiuns segue fiel, apesar o quê são vinte e cinco mortes anti a liberdade de ser um completo idiota. Poderíamos até mergulhar na psiquiatria falar da castração do processo de desenvolvimento da masculinid mas para esta discussão a interlocução teria que ser tátil, precisaríamos que houvesse por parte dos bolzominiuns uma leitura aceitável da realidade, se os bolzominius fossem capaz de ler a realidade, não seriam bolzominius.


Apesar de implorar para que não peçam para eu não  desista, não quer dizer que eu não saiba quanto inglória e penosa é nossa tarefa. A tarefa de elucidar que a ostentação de contribui em nada para uma política de oaz.


Adão Alves dos Santos.SP


ANEXOS

VIGÁRIO GERAL
JACAREZINHO
REALENGO
***