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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

O FASCISMO ODEIA LEIS * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

O FASCISMO ODEIA LEIS
Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

NO CAMINHO COM MAIACOVSKI

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nota: Trecho do poema "NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI", muitas vezes erroneamente atribuído a Vladimir Maiakóvski. O poeta Eduardo Alves da Costa garantiu que Maiakóvski nada tem a ver com o poema, na Folha de São Paulo, edição de 20.9.2003.
*
DONALD TRUMP E O FASCISMO
A violência do Chega é estratégica
CHEGA, PARTIDO FASCISTA PORTUGUÊS.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

A propósito da crítica da VAI-VAI à violência da polícia brasileira *João Batista*SP

A propósito da crítica da VAI-VAI à violência da polícia brasileira
*João Batista*


Sou professor de Direito e também policial civil. Enquanto servidor público (trinta anos já se foram), sempre tive a exata noção do meu papel e dos meus deveres como membro de uma das forças da segurança pública nacional.

Um debate interessante veio à tona por ocasião do desfile da Escola de samba VAI-VAI, de São Paulo, onde uma crítica contundente foi feita à atuação da polícia brasileira. O contexto era o da violência policial praticada contra a população pobre e negra das periferias do país.

A meu ver, a crítica é pertinente, adequada e não atinge de forma alguma a honra das instituições policiais. Ao contrário. Pensar dessa forma é ignorar as atrocidades e ilegalidades praticadas historicamente contra a população - POBRE, OBVIAMENTE -, país afora.

Há atos em excesso que justificam a crítica à atuação da polícia brasileira: policiais matando cidadão em câmara de gás improvisada em viatura; policial torturando suspeito com saco plástico na cabeça, tapas na cara de pessoas indefesas, prisões arbitrárias e operações em favela com dezenas de pobres mortos. Há violência para todos os gostos.

Gostaria de entender de onde saiu essa ideia de que não se pode criticar as ações policiais notadamente ilegais. É como se o policial brasileiro fosse uma espécie de ídolo, um mártir intocável, inatacável.

Ora, que diferença há entre um policial e um professor da rede pública? E entre o policial e um técnico da secretaria da Fazenda? Respondo: NENHUMA!!! Todos são servidores públicos e têm o mesmo patrão: A SOCIEDADE BRASILEIRA!

Todos nós, que somos agentes públicos, estamos sujeitos às mesmas normas administrativas e às mesmas leis. Temos direitos e deveres e devemos agir estritamente dentro dos princípios que norteiam a administração pública.

Por fim, uma pergunta àqueles que criticam a crítica da VAI-VAI à atuação da polícia brasileira: ONDE vocês estavam quando o bolsonarista Roberto Jefferson atirou de fuzil contra policiais federais que cumpriam com suas funções, sendo uma policial ferida a tiros?

Mais uma: ONDE vocês estavam quando criminosos golpistas destruíram as sedes dos 3 Poderes em Brasília e atacaram dezenas de policiais que defenderam as sedes das instituições democráticas? Vários policiais quase foram mortos naquela ocasião.

Em ambas as situações, policiais foram atacados por bandidos e não lembro de ter visto uma única manifestação de apoio aos policiais ou crítica dessa gente que agora finge estar indignada com a mensagem legítima e pertinente da escola de samba paulista.

Um recado a essa gente que usa de dois pesos e duas medidas em suas avaliações: vocês não defendem a polícia enquanto instituição.

Defendem as ilegalidades praticadas por certos membros das forças policiais contra a parte mais pobre e vulnerável do nosso povo.

HIPÓCRITAS é o que vocês são.


*João Batista* é Especialista em Direito Penal e Processo Penal, Mestre em Ciências Jurídicas, professor universitário de Direito Penal, Processo Penal e Direitos Humanos, Cientista Jurídico e Escritor.

domingo, 13 de agosto de 2023

40 ANOS SEM MARGARIDA MARIA ALVES * Silvanar Cordel/PROGRAMA SER TÃO NORDESTINO

40 ANOS SEM MARGARIDA MARIA ALVES
Hoje, o Programa SerTão Nordestino fará uma homenagem especial a Margarida Alves, pela passagem dos 40 anos de seu covarde assassinato (12 de agosto de 1983).
*
DOCUMENTÁRIO: NOS CAMINHOS DE MARGARIDA
O vídeo-documentário "Nos Caminhos de Margarida" mostra a trajetória de vida e militância de Margarida Maria Alves. São depoimentos e imagens que revelam um pouco da história da heroína das terras paraibanas. Daquela que simboliza a maior marcha de mulheres do mundo, a "Marcha das Margaridas".

Realização: CONTAG, Fetag´s e Sindicatos

ANEXOS

*

domingo, 18 de junho de 2023

O JOGO BRUTO DOS RURALISTAS * Silvio Caccia Bava/Le Mond Diplomatique - Brasil

O JOGO BRUTO DOS RURALISTAS
TEXTO: Silvio Caccia Bava/LE MOND DIPLOMATIQUE

"Os empresários da agroindústria são hoje o grupo mais forte e mais ativo que busca desestabilizar o governo Lula, se possível derrubá-lo. Continuam não aceitando o resultado das eleições. Eles se opõem às políticas de regulação fundiária e defesa do meio ambiente, à reforma agrária. E querem manter os privilégios que os governos anteriores, especialmente os governos Temer e Bolsonaro, lhes outorgaram.

Seus motivos são sólidos: seus lucros dependem da destruição do meio ambiente; muitas áreas de suas propriedades são fruto de desmatamentos, são griladas e têm documentação irregular; até o fim do governo Bolsonaro, controlaram todas as instituições que deveriam fiscalizá-los e hoje não é mais assim; para o acúmulo de suas riquezas, dependem profundamente do financiamento público, dos subsídios, dos perdões de dívidas, das isenções tributárias.

Os empresários da agroindústria são poderosos em muitos sentidos. Associados ao bolsonarismo, nas eleições de 2022 conquistaram uma bancada no Congresso que cresceu 24% na Câmara dos Deputados, alcançando o número de trezentos deputados, num total de 513; no Senado cresceram 20%, totalizando 47 dos 81 senadores. Todos se agrupam na Frente Parlamentar da Agropecuária, que conta com um think tank criado em 2011 para assessorar as pautas legislativas, o Instituto Pensar Agro, financiado tanto por 48 associações patronais do agronegócio como por multinacionais como Cargill, Syngenta, Nestlé e Bunge.1

Em sua atuação parlamentar, pretendem defender seus privilégios – isenções tributárias, crédito subsidiado, perdão de dívidas com o Estado, uso de agrotóxicos proibidos. Mas também estão mobilizados para manter o desmatamento, o assédio aos territórios indígenas e a retomada do controle dos órgãos de gestão das políticas públicas, e criminalizar as ocupações realizadas pelos sem-terra em defesa da reforma agrária.

Tem muita coisa em jogo. Olhando apenas para a dívida que eles têm para com o Estado, dados de pesquisa da Oxfam, de 2006, já mostravam que 4.013 pessoas físicas e jurídicas do agronegócio deviam ao Estado brasileiro R$ 906 bilhões. Desses, 729 proprietários possuem 4.057 propriedades rurais, com 6,5 milhões de hectares, e uma dívida de R$ 200 bilhões. A Medida Provisória n. 733, editada por Michel Temer, oferecia descontos entre 60% e 95% a esses devedores, quando inscritos na Dívida Ativa.2

Sua atuação, porém, não se restringe a impor suas regras no Parlamento. Sua radicalização vem de longa data, reeditando, se se pode dizer, as práticas da União Democrática Ruralista, a UDR, não só por pressionar autoridades públicas eleitas, mas também por disseminar a violência no campo.3

Estão sendo organizadas milícias rurais que atacam os acampamentos dos sem-terra, como é o caso do Movimento Invasão Zero, na Bahia, criado este ano, mas que já conta com oitocentos fazendeiros de 130 cidades que resolveram defender seus interesses com as próprias mãos, ou as próprias armas, para dizer melhor. Um de seus coordenadores, Luiz Uaquin, declara com todas as letras: “A Constituição não existe no estado. E também não se prende ninguém pela invasão de propriedade. Dessa forma tivemos que reagir e nos organizar para expulsar os invasores por conta própria”.4

Casos como o de Jacobina, na Bahia, ilustram o que eles querem dizer. Em 3 de março passado, uma carreata de caminhonetes de fazendeiros, ao som do Hino Nacional, desmanchou barracos e incendiou colchões de um acampamento dos sem-terra. A facilidade na compra de armas e o incentivo do governo Bolsonaro aparelharam essas milícias.5

As investigações sobre a tentativa de golpe de 8 de janeiro, sobre os acampamentos em frente aos quartéis, sobre os bloqueios de estradas por tratores e caminhões, todas identificam as digitais do agronegócio como financiador e organizador.

Depois do impacto das eleições, os agropecuaristas retomaram as iniciativas. Criaram e controlam a CPI do MST, buscando criminalizar os movimentos dos sem-terra e combater qualquer iniciativa de reforma agrária. Por tabela, mas como principal alvo, querem criminalizar também o governo Lula, acusando-o de cumplicidade com esses movimentos sociais.

Buscam retomar o controle de órgãos públicos, como a Agência Nacional das Águas e Saneamento, que estava no Ministério do Meio Ambiente e passou, por iniciativa do Congresso, para o comando da União Brasil, que controla o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Mesmo o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que monitora as terras privadas e conflitos em áreas de preservação, saiu do Ministério do Meio Ambiente e passou para o Ministério da Gestão e Inovação, depois de uma negociação do governo Lula, pois o agronegócio queria colocá-lo no Ministério da Agricultura, dirigido por um integrante do agronegócio. A demarcação dos territórios indígenas saiu da responsabilidade do Ministério dos Povos Indígenas. E a ofensiva continua.6

As eleições não pacificaram o país. E os ruralistas entendem que aqueles que se opõem a seus interesses têm de ser destruídos. Hoje em dia, isso significa destruí-los politicamente e mesmo fisicamente.

Sem maioria no Congresso, o governo busca negociar e defender sua agenda de preservação do meio ambiente e de segurança alimentar, mas para ter sucesso vai precisar da mobilização da sociedade civil."

domingo, 6 de novembro de 2022

HOMENAGEM * Andréa Matos - RO/Alba Valéria Aparecida da Silva-GO

HOMENAGEM


Um brinde a você que sobreviveu à longa noite fascista que se instalou no Brasil, desde 2016;


Um brinde a você que foi chamado de petralha, comunista, apenas por ter demonstrado apreço à democracia e à liberdade;


Um brinde a você que inúmeras vezes foi ameaçado e ironizado nas redes sociais;


Um brinde a você que não desistiu de lutar, mesmo quando toda a massa ignara e a grande imprensa insistia no seu discurso neo-fascista;


Um brinde a você que, pra se preservar, cortou laços com tantas pessoas com quem tinha ,antes da grande noite , um convívio sadio;


Um brinde a você que não bebeu da fonte do ódio que se espalhou pela Nação, disfarçada de justiça;


Um brinde a você que descartou o rótulo de “cidadão de bem”, enquanto milhões perdiam os direitos previdenciários e trabalhistas;


Um brinde a você que sempre foi solidário com a parcela mais frágil da sociedade;


Um brinde a você que se indignou diante das tragédias ambientais;


Um brinde a você que se entristeceu diante da verdadeira chacina que foi a pandemia de Covid;


Um brinde a você que sempre acreditou na Ciência, na vacina e não na cloroquina;


Um brinde a você que não se curvou aos falsos profetas, disfarçados de Messias;


Um brinde a você que nunca abriu os dedos das mãos pra fazer gesto de “arminha”;


Um brinde a você que resistiu, mesmo, quando milhões acreditavam no falso mito;


O percurso será longo e duro para reconstruir tudo o que destruíram, mas um brinde a você que acreditou que a primavera chegaria.

UM BRINDE À ESPERANÇA 


Eu hoje brindo a você

Que é um sobrevivente

De um governo demente Incompetente

 e fascista Tirano e egoísta 

Que no Brasil se instalou

Mas em trinta de outubro

O povo decidiu tudo

E o fascismo derrotou


Hoje eu brindo a você

Que foi chamado de petralha

De jumento com cangalha

E de pão com mortadela

Brindo a você, brindo a ela

Que resistiu a esse relho

O nosso sangue é vermelho

A bandeira verde e amarela. 


Eu hoje brindo a você

Que foi chamado comunista

De vagabundo petista

Mas que manteve a labuta

Que nunca fugiu da luta

Foi na urna e votou

E com seu voto derrotou

O genocida egoísta



 Eu hoje brindo a você

Que votou por liberdade

Que acreditou na igualdade

De um país mais humano

Botou pra fora o tirano

Trouxe de volta a alegria

Pois nossa democracia

Já não suporta esse dano.


Eu hoje brindo a você

Que nas redes sociais

Sofreu por coisas banais

Ironias, ameaça

Levante agora sua taça

E comemore feliz

Pois vencida a desgraça

Que assolava o país.


Eu hoje brindo a você

Que não deixou de lutar

Não deixou de acreditar

E de esperar por bonança 

Que manteve a esperança 

De ver chegar a justiça

Que com muita temperança 

Pôs fim a tanta injustiça

Derrotando o fascista

Que causava insegurança.


Eu hoje brindo a você 

Que viveu esse episódio

Vendo imperar o ódio 

Aqui, ali, mais além

Pelo " cidadão de bem "

Que fez arminha com a mão

Que ameaçou a nação 

E hoje está sem ninguém.


Eu hoje brindo a você

Que sempre foi solidário

Com índio e o operário 

E com a causa indigenista

Que o governo salafrário

Tratou com tanta injustiça.


Eu hoje brindo a você

Que perdeu gente com COVID

Eu peço ninguém duvide

Acreditou na vacina 

Mas esse tal presidente

Sociopata, incompetente

Quis tratar com cloroquina


Sei que o percurso foi longo

Foi triste, foi dolorido

Seu caminho foi sofrido

Mas você ficou na espera

Do raiar de um novo dia

Fé, confiança e alegria

Eis chegada a primavera.


Professora Alba, poetisa do entorno.

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quinta-feira, 13 de outubro de 2022

A pior política na minha casa * Lorran Matheu / RJ

 A pior política na minha casa

Lorran Matheu / RJ

Sábado, 8 de outubro de 2022


Meu domingo num bairro pobre que elegeu Bolsonaro.

Domingo passado, 2 de outubro, me desloquei até minha velha e conhecida seção eleitoral. Saí dos arredores do Centro e atravessei 50 quilômetros, de trem e ao longo de duas horas, até Inhoaíba, um pequeno bairro na Zona Oeste do Rio de Janeiro. É uma região rural de 60 mil habitantes que tem um dos piores índices de desenvolvimento humano da capital fluminense – ocupa o 115º lugar em um ranking de 126 bairros.


Toda a minha vida, até o ano passado, teve a Zona Oeste como plano de fundo. Bairros como Campo Grande, Paciência, Cosmos e Santa Cruz, com todas as suas peculiaridades, fazem parte da minha história. Por isso, eu já esperava que a onda bolsonarista fosse forte na região. Mas o retrato foi bem mais radical do que eu imaginava.


Enquanto esperava na fila, percebi que pessoas vestidas de verde e amarelo não se acovardaram em recitar mentiras que eram compartilhadas havia dias na internet. Os corajosos que se permitiam usar adesivos de candidatos de esquerda, ou roupas vermelhas, eram hostilizados. 


Na Zona Oeste, as igrejas evangélicas estão enraizadas na vida local. A presença é tão forte que é comum ver mais de duas por quadra em bairros pequenos – enquanto não há serviços básicos como saúde, bancos e até mesmo escolas. Em algumas regiões, nem o saneamento básico chega. Mas a igreja está lá.


Eu já vivi essa cultura e por isso sei que, em dias de votação, era comum que a tradicional escola bíblica dominical, realizada desde a manhã até o comecinho da tarde, fosse cancelada. Não foi o que aconteceu desta vez. Vi muitas pessoas pessoas com Bíblias indo votar. O Intercept já mostrou que as Assembleias de Deus adotaram uma estratégia de ataque para o período eleitoral. Nesta semana, o jornal Folha de S.Paulo também revelou que, em São Paulo, a Assembleia de Deus ameaça punir fiéis de esquerda. Essa denominação é maioria na Zona Oeste carioca. 


Essa realidade teve impacto nos votos? Bem, na minha seção, em que 484 pessoas estão aptas a votar, houve 251 votos para Bolsonaro e 96 para Lula. Para o governo do estado, Cláudio Castro, do PL, que marcou presença em eventos gospel dos últimos meses, teve 188 votos contra 50 de seu adversário, Marcelo Freixo, do PSB. Ou seja: apesar de a votação de Lula ter sido maior, em geral, em regiões periféricas e de menor renda, isso não aconteceu em Inhoaíba. Lá, o PT perdeu de lavada.  


Enquanto as emissoras de TV exibem o mapa do Brasil com a dualidade vermelha e azul, eu via o mapa da cidade do Rio, onde bairros com os piores índices de desenvolvimento votavam em Bolsonaro e alguns mais abastados, como Laranjeiras e Tijuca, iam com Lula. 


Ontem, o teólogo e pesquisador Ronilso Pacheco publicou no Intercept um texto sobre a distância dos analistas da realidade dos evangélicos. Para ele, a categoria demorou a ser levada à sério – e, em seguida, foi simplificada sem ser compreendida. "Enquanto isso, a extrema direita no Brasil ascendeu sem ser citada, debatida em rede nacional ou sequer entrevistada. Sem profundidade – não por incompetência, mas pela limitação imposta por um tema complexo do qual se sabia pouco ou nada –, os analistas se ativeram ao trivial", ele escreveu. 


O que aconteceu? Segundo Pacheco, a vitória de Bolsonaro em 2018 fez o Brasil entrar para uma articulação global focada na família e nos valores cristãos conservadores. É um movimento que avança no país camuflado de conservadorismo "evangélico" ou "católico", mas é mais profundo e amplo –  passa pelo conservadorismo dos EUA e por Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, um dos principais expoentes dessa nova extrema direita. "Não havia jornalistas e analistas para discernir as dissimulações da extrema direita e dar nome aos bois", lamentou o teólogo.


Para Pacheco, é preciso "conversar com a sociedade e desarmar esse arcabouço ideológico, desfazer a captura do sentido da vida pela extrema direita". "Enquanto ideologia, o nacionalismo cristão nem de longe está circunscrito aos evangélicos. Não é religião. É política, a pior delas", ele escreveu. 


Eu concordo. As regiões dominadas por esse pensamento "moralizador", tão familiares para mim, são onde a extrema direita que se camufla como defensora desses valores se enraizou. Agora finalmente vejo comentaristas tentando explicar um fenômeno que é natural para o povo de Inhoaíba e tantos outros bairros pobres. Isso deixa claro como a realidade demora a ser percebida por um jornalismo que não é feito por ou para nós. Conheço bem Silas Malafaia, Marcos Feliciano e Eduardo Cunha, três dos maiores representantes dessa política descrita por Pacheco. Eles já estavam na minha casa muito antes de estarem nos jornais.


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sexta-feira, 2 de setembro de 2022

AS SEMELHANÇAS NÃO SÃO MERAS COINCIDÊNCIAS * RUY LEITÃO - WEB

 AS SEMELHANÇAS NÃO SÃO MERAS COINCIDÊNCIAS 


"DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA "  é o lema que marcou o movimento conhecido na História como Ação Integralista Brasileira, em 1932, liderado por Plínio Salgado, inspirado no fascismo italiano. O presidente candidato à reeleição se apropriou dele e foi assim que se despediu no recente debate promovido pela TV Bandeirantes. 

O integralismo dava ênfase à figura do chefe como fonte máxima de poder. Algo muito parecido com a postura autoritária do atual mandatário da Nação, quando desrespeita as instituições democráticas, chegando a dizer “a Constituição sou eu”. Comportamento próprio dos regimes totalitários, onde a palavra do líder jamais pode ser questionada. Sua propaganda doutrinária se baseia num falso moralismo e amor cívico.

Para sorte nossa esse movimento não foi bem aceito. Ficou facilmente percebido que havia um interesse em ludibriar a mente dos brasileiros sendo alvo, portanto, de severas críticas. Apresentava-se, falsamente, como um movimento de renovação social, mental e política. O medo do comunismo colocado como pauta na retórica proclamada, estimulando a luta contra o “inimigo interno”.

A bandeira da trilogia: Deus, Pátria e Família, defendida ardorosamente, tentando passar a impressão de que eles eram os únicos que se interessavam pelo destino da Nação, com as bênçãos divinas e pregando o falso moralismo. Fundamentavam-se na ideia da luta do bem contra o mau. 

Qualquer semelhança com o ideário político do bolsonarismo, não é mera coincidência. Repetem-se os discursos da valorização nacional ufanista, da defesa da família tradicional, dos valores morais, contra a ilusória ameaça comunista. O integralismo fracassou no Brasil, o que nos anima a acreditar que o movimento contemporâneo que se assemelha, também terá vida curta. Num país pluricultural como o nosso, desconsiderar as diferenças entre os cidadãos, usando o nome de Deus em vão e, na prática, contrariando o discurso moralista, não prospera. Articulações golpistas perceptíveis provocam uma reação coletiva em sentido contrário. No Brasil dificilmente vc encontra quem não acredita em Deus, não  ama a Pátria e não respeita e valoriza a Família. O Deus cristão zela pelo amor ao próximo, não prega o armamentismo, nem homenageia os torturadores. Ele é paz, fraternidade e justiça social. Não estimula os discursos de ódio. Não divide. Ele une. 

Rui Leitão

quarta-feira, 13 de julho de 2022

A mídia mata a verdade 24 horas por dia * Malu Aires/Jair Galvão

A mídia mata a verdade 24 horas por dia

Malu Aires


A mesma mídia que criminalizou toda a política apresentada pelo Partido dos Trabalhadores, durante aqueles 13 anos de fartura e sossego na vida dos brasileiros, hoje naturaliza todos os crimes hediondos cometidos pelo bolsonarismo. 

A mídia chamou o assassino que entrou numa festa de aniversário para cometer chacina de uma família, de "vítima".

Quando a gente acha que já viu de tudo, eles nos lembram que não têm limites.

A mídia vê crescimento econômico. Vê "chance de recuperação". Vê essa fome e essa pobreza e não diz quem mandou empobrecer e matar de fome os brasileiros. 

Tanto se esforça a mídia para dizer que o radicalismo bolsonarista está liberado, que fica difícil saber a diferença entre um Diretor de Jornalismo da Globo e um operador do esquema do Gabinete do Ódio.

Essa violência contra o PT, as mulheres, os pobres, os índios, começou no antipetismo, propagado 24h por dia na grande mídia. A gente avisava que aquilo que fazia plim-plim era Goebbels.

Bolsonaro foi autorizado a matar quantos brasileiros ele quisesse, fosse por violência, sabotagem, sadismo ou negligência.

A mídia chamará a vítima de culpada - foi o combinado. 

A midia chamará para se pronunciar, o aparelho federal mais podre da história da República e oficializará a mentira numa coletiva. 

A violência é reproduzida para inspirar mais violência. Mesmo com tudo gravado e exibido, a mídia ainda afirma que o culpado é "suspeito" e que a vítima merecia. 

A mídia brasileira é responsável pela volta do Brasil ao Mapa da Fome. Tirou a vara, a isca, o anzol, a lagoa e ensinou o brasileiro a pescar comida no lixão com as mãos. Essa e outras violências, a mídia incita.

Em 2016, interromperam o rito Democrático. Em 2018, também. Em 2022 não está sendo diferente e essa escalada de violência alimenta a criminalização que a mídia propaga do petismo. 

Eles mataram mais de 700 mil brasileiros negligenciando a saúde no país. Montaram coletivas para oficializar a subnotificação. 

A mídia ameaça a vida do povo brasileiro e chama a maioria do eleitorado brasileiro de "agressor".

O papel da mídia não é diferente do papel que ela já realizou na Ditadura.

Não estamos na Ditadura.

Estamos na Democracia, cuja beleza é a de permitir ao povo brasileiro que mande Bolsonaro pra cadeia, daqui 90 dias. 

A mídia propagará toda a violência que ela protege e fomenta. Nos próximos 90 dias, o povo não deve esperar da mídia brasileira menos que agressão. 

A mídia que negligencia as ameaças de Bolsonaro contra Lula e seu gigantesco eleitorado, é a mesma que mandou um juiz chinfrim tirar Lula das eleições de 2018. 

Em 2018, queriam Lula morto na cadeia. Mas a cadeia não pertence a Lula. Pertence a eles. Daqui 90 dias, o Brasil vai ser feliz de novo e que a gente prometa que este país nunca mais será ameaçado por estes cínicos!

FASCISTAS NÃO PASSARÃO

!!!

A Violência Política  Bolsonarista - Linha do Tempo - Jair Galvão

terça-feira, 12 de julho de 2022

PENA DE MORTE PARA ESTUPRADORES * Ernesto Germano Parés – no Informativo Semanal 972

PENA DE MORTE PARA ESTUPRADORES

(Ernesto Germano Parés – no Informativo Semanal 972)

O demente que nos governa e toda a cúpula da Caixa Econômica Federal sabiam das denúncias de assédio sexual contra o presidente da instituição, Pedro Guimarães, assim como o comando da instituição.
Muito antes do site Metrópoles divulgar que cinco bancárias tinham denunciado Guimarães ao Ministério Público Federal (MPF), na terça-feira (28), as denúncias já eram de conhecimento do Palácio do Planalto e da equipe presidencial, diz o jornalista Valdo Cruz, do G1.
A diretoria executiva da Caixa Econômica Federal também sabia, desde 2019, dos casos de assédio que começaram logo que Pedro Guimarães assumiu a presidência e se aproximou de Bolsonaro.
Mulheres vítimas do assédio que aceitavam não levar adiante as denúncias foram transferidas, receberam cargos em outras instituições públicas ou ficavam temporadas no exterior, em cursos, diz a colunista.
Segundo ela, um segurança foi demitido depois de flagrar um assédio de Guimarães a uma assessora dentro de um carro na garagem do banco.
Mas, quem é Pedro Guimarães e por que o insano ficou escondendo? Ah! Essa é fácil de responder quando sabemos que o seu sogro é “apenas” um tal de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS que mentiu despudoradamente durante a Operação Lava Jato acusando Lula. Seu prêmio? Não foi preso pelas falcatruas e ainda garantiu ao seu genro a Presidência da Caixa! Agora ficou fácil de entender.
O GOVERNO DO INSANO ATACA AS MULHERES VIOLENTADAS.
Está sendo muito divulgada pelas redes sociais a campanha virtual, que tem adesão de artistas e políticos, pede a revogação de um manual do Ministério da Saúde que orienta e incentiva a investigação policial de meninas e mulheres vítimas de estupro que tentam acessar o serviço de aborto legal no país.
A secretaria de Atenção Básica do ministério lançou o manual de “Atenção Técnica para Prevenção, Avaliação e Conduta nos Casos de Abortamento” no início do mês. Desde então, o documento vem sendo alvo de inúmeras críticas de movimentos pelos direitos das mulheres e de defesa dos direitos humanos.
Além da investigação criminal das vítimas que buscam o aborto legal, o documento orienta que haja uma idade gestacional limite para o procedimento e cria uma confusão jurídica ao afirmar que “todo aborto é ilegal, salvo nos caos em que há excludente de ilicitude”.
Encabeçam a iniciativa pela revogação do material organizações como Anis – Instituto de Bioética, Católicas pelo Direito de Decidir, Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Rede Feminista de Saúde, dentre outros. Pelo site da campanha, as pessoas podem enviar emails ao ministério contra as orientações que constam no documento.
Para o governo do demente, quando a mulher é estuprada a culpa é dela... ela é a criminosa!
A FOME SE ESPALHA.
Situação é ainda pior para quem não tem emprego e para as camadas mais pobres da população
Um a cada quatro brasileiros não têm comida garantida para alimentar diariamente a família. É o que aponta pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (27) pela Folha de S. Paulo e reveladora da insegurança alimentar no País.
Nos últimos anos, sob o governo do ex-capitão e com o quadro de pandemia, a fome se espalhou. De acordo com o Datafolha, 26% dizem não ter comida o suficiente em casa. Apenas 12% têm mais do que o suficiente.
O cenário de insegurança alimentar está em alta desde que o Datafolha passou a pesquisar esse tema, em maio de 2021. Mesmo com os refluxos da crise sanitária e a reabertura da economia, a falta de alimento nos lares brasileiros não retrocedeu.
A situação é ainda pior para quem não tem emprego e para as camadas mais pobres da população: falta comida a 42% dos desempregados e a 38% dos que ganham até dois salários mínimos (R$ 2.424).

ERNESTO GERMANO PARÉS - RJ
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DISCURSO DE ÓDIO NAS REDES SOCIAIS

domingo, 3 de julho de 2022

O LÍDER INDÍGENA VIRGILIO TRUJILLO É ASSASSINADO NO AMAZONAS * A.C.Kapé Kapé/VE


O líder indígena Virgilio Trujillo é assassinado no Amazonas 1º de julho de 2022

Virgilio Trujillo, líder indígena e coordenador dos Guardiões Territoriais Uwottüja do município de Autana, no Amazonas, foi morto na quinta-feira, 30 de junho, por vários tiros. O incidente ocorreu em um bairro de Puerto Ayacucho.

O observatório de direitos humanos indígenas Kapé Kapé e jornalistas da entidade confirmaram o assassinato do guarda territorial, que era conhecido por suas repetidas denúncias sobre a presença de grupos irregulares e a exploração ilegal de mineração em territórios indígenas.

“Virgilio Trujillo Arana, um índio Uwottuja de 38 anos, foi um dos primeiros guardiões territoriais indígenas do município de Autana e um defensor comprometido da Amazônia”, relatou Kapé Kapé no Twitter.

O jornal El Nacional informou que o evento ocorreu no setor Escondido 3 de Puerto Ayacucho. De acordo com testemunhas no local, a vítima desceu de um veículo com outras pessoas, que atiraram contra ele e fugiram imediatamente do local.

Pessoas próximas a Trujillo indicaram que ele vinha recebendo ameaças. Isso foi confirmado pela jornalista correspondente do IPYS Venezuela no Amazonas, Carolina Azavache.

Trujillo, junto com outras pessoas, solicitou durante anos a expulsão dos grupos irregulares de seus territórios. Além disso, denunciaram a violência, a invasão de terras, o porte de armas, entre outras atividades ilegais.

Da mesma forma, fez parte da guarda territorial que localizou uma trilha clandestina em San Pedro del Orinoco, Amazonas.

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