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terça-feira, 12 de julho de 2022

PENA DE MORTE PARA ESTUPRADORES * Ernesto Germano Parés – no Informativo Semanal 972

PENA DE MORTE PARA ESTUPRADORES

(Ernesto Germano Parés – no Informativo Semanal 972)

O demente que nos governa e toda a cúpula da Caixa Econômica Federal sabiam das denúncias de assédio sexual contra o presidente da instituição, Pedro Guimarães, assim como o comando da instituição.
Muito antes do site Metrópoles divulgar que cinco bancárias tinham denunciado Guimarães ao Ministério Público Federal (MPF), na terça-feira (28), as denúncias já eram de conhecimento do Palácio do Planalto e da equipe presidencial, diz o jornalista Valdo Cruz, do G1.
A diretoria executiva da Caixa Econômica Federal também sabia, desde 2019, dos casos de assédio que começaram logo que Pedro Guimarães assumiu a presidência e se aproximou de Bolsonaro.
Mulheres vítimas do assédio que aceitavam não levar adiante as denúncias foram transferidas, receberam cargos em outras instituições públicas ou ficavam temporadas no exterior, em cursos, diz a colunista.
Segundo ela, um segurança foi demitido depois de flagrar um assédio de Guimarães a uma assessora dentro de um carro na garagem do banco.
Mas, quem é Pedro Guimarães e por que o insano ficou escondendo? Ah! Essa é fácil de responder quando sabemos que o seu sogro é “apenas” um tal de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS que mentiu despudoradamente durante a Operação Lava Jato acusando Lula. Seu prêmio? Não foi preso pelas falcatruas e ainda garantiu ao seu genro a Presidência da Caixa! Agora ficou fácil de entender.
O GOVERNO DO INSANO ATACA AS MULHERES VIOLENTADAS.
Está sendo muito divulgada pelas redes sociais a campanha virtual, que tem adesão de artistas e políticos, pede a revogação de um manual do Ministério da Saúde que orienta e incentiva a investigação policial de meninas e mulheres vítimas de estupro que tentam acessar o serviço de aborto legal no país.
A secretaria de Atenção Básica do ministério lançou o manual de “Atenção Técnica para Prevenção, Avaliação e Conduta nos Casos de Abortamento” no início do mês. Desde então, o documento vem sendo alvo de inúmeras críticas de movimentos pelos direitos das mulheres e de defesa dos direitos humanos.
Além da investigação criminal das vítimas que buscam o aborto legal, o documento orienta que haja uma idade gestacional limite para o procedimento e cria uma confusão jurídica ao afirmar que “todo aborto é ilegal, salvo nos caos em que há excludente de ilicitude”.
Encabeçam a iniciativa pela revogação do material organizações como Anis – Instituto de Bioética, Católicas pelo Direito de Decidir, Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), Rede Feminista de Saúde, dentre outros. Pelo site da campanha, as pessoas podem enviar emails ao ministério contra as orientações que constam no documento.
Para o governo do demente, quando a mulher é estuprada a culpa é dela... ela é a criminosa!
A FOME SE ESPALHA.
Situação é ainda pior para quem não tem emprego e para as camadas mais pobres da população
Um a cada quatro brasileiros não têm comida garantida para alimentar diariamente a família. É o que aponta pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (27) pela Folha de S. Paulo e reveladora da insegurança alimentar no País.
Nos últimos anos, sob o governo do ex-capitão e com o quadro de pandemia, a fome se espalhou. De acordo com o Datafolha, 26% dizem não ter comida o suficiente em casa. Apenas 12% têm mais do que o suficiente.
O cenário de insegurança alimentar está em alta desde que o Datafolha passou a pesquisar esse tema, em maio de 2021. Mesmo com os refluxos da crise sanitária e a reabertura da economia, a falta de alimento nos lares brasileiros não retrocedeu.
A situação é ainda pior para quem não tem emprego e para as camadas mais pobres da população: falta comida a 42% dos desempregados e a 38% dos que ganham até dois salários mínimos (R$ 2.424).

ERNESTO GERMANO PARÉS - RJ
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DISCURSO DE ÓDIO NAS REDES SOCIAIS

domingo, 1 de maio de 2022

Primeiro de Maio na História * Ernesto Germano Parés / RJ

PRIMEIRO DE MAIO NA HISTÓRIA
Uma bomba no Memorial No dia 1° de maio de 1989, em Volta Redonda (Rio de Janeiro), os metalúrgicos da Companhia Siderúrgica Nacional - CSN - inauguraram o Memorial projetado por Oscar Niemeyer em homenagem aos três metalúrgicos assassinados pelo exército durante a greve de novembro (09/11/1988). 

A Central Única dos Trabalhadores - CUT - havia indicado a cidade de Volta Redonda como a sede da comemoração oficial do 1° de maio, e caravanas de trabalhadores chegavam dos Estados próximos para a homenagem. A inauguração do Memorial foi presenciada por cerca de 20 mil trabalhadores que lotaram a praça e as ruas próximas. 

Na madrugada seguinte, dia 02, por volta das três horas, Volta Redonda acordou com o Barulho de uma explosão... Na praça, centenas de pessoas atraídas pelo barulho olhavam para o Memorial tombado por duas bombas de alto poder explosivo!
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Minha vergonha é ver toda essa história se transformando em um “bingo do trabalhador” ou em um show musical. Neste Primeiro de Maio vou ficar em casa, talvez chorando por tudo isso.
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CONVOCATÓRIAS

quarta-feira, 27 de abril de 2022

O BRASIL QUE O DEMENTE VAI DEIXAR * Ernesto Germano Parés / RJ

O BRASIL QUE O DEMENTE VAI DEIXAR

(Ernesto Germano Parés – RJ
no Informativo Semanal 959)(1).


O rendimento real habitual do trabalhador caiu 8,8% no trimestre encerrado em fevereiro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Com isso, o valor passou de R$ 2.752 em fevereiro de 2021 para R$ 2.511 um ano depois, o menor já registrado em um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A massa de rendimento ficou estável na comparação com o trimestre encerrado em novembro. Ela foi estimada em R$ 234,1 bilhões. A pesquisa também mostrou que a taxa de desemprego atingiu 11,2% no período e o número de desempregados chega a 12 milhões de pessoas.


A taxa de informalidade foi de 40,2% da população ocupada, ou 38,3 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, a taxa havia sido de 40,6% e, no mesmo trimestre do ano anterior, 39,1%. “A força de trabalho tem se recuperado a um ritmo mais lento se comparada a ocupação, em relação ao nível pré-pandemia”, ressalta análise do Banco Original.
(2).
Lucros e juros ganharam espaço no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro nos últimos dois anos, período em que a crise econômica derrubou os salários dos 95 milhões de trabalhadores do país.
Segundo o jornal O Globo, a fatia de rendimentos do trabalho correspondia a 35,4% do PIB em fevereiro de 2020, antes da pandemia. No auge do registro de casos de Covid-19, em abril de 2021, o percentual caiu para 30,2%.
O motivo central do arrocho, diz o jornal, seria a pandemia, mas não é bem isso, afirma a técnica da subseção do Dieese da CUT Nacional, Adriana Marcolino, que reconhece: “A pandemia, de fato, provocou um grande impacto negativo no mercado de trabalho, mas no período de reabertura da economia a regra para novas contratações tem sido aprofundar a precarização e informalidade e reduzir salários, facilitadas pela falta de uma ação governamental que procurasse resolver esses problemas”.
“A queda dos rendimentos do trabalho é anterior à pandemia, começou com a retirada de direitos dos trabalhadores em 2017”, diz a técnica se referindo a reforma Trabalhista do ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), que acabou com mais de 100 itens da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Dos 119 reajustes com data-base em fevereiro analisados pelo Dieese, 60,5% ficaram abaixo da variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC do IBGE. Esse dado, somado à alta rotatividade, tem achatado os salários, explica Adriana Marcolino.
Segundo a pesquisa do Globo, de março de 2020, até dezembro do ano passado, mais 6,5 milhões de trabalhadores engrossaram o grupo que ganha até um salário mínimo. “O que reforça que o problema não começou com a pandemia, foi aprofundado por ela”, afirma Adriana Marcolino.
(3).


A parcela de famílias com dívidas, em atraso ou não, no país atingiu 77,5% em março deste ano. Essa é a maior proporção de endividados desde o início da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), em 2010, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em fevereiro, o percentual era de 76,6%. Já em março do ano passado, a taxa era de 67,3%, de acordo com a Peic.
O percentual de inadimplentes, ou seja, famílias com contas ou dívidas em atraso, chegou a 27,8%, o segundo maior percentual da pesquisa, ficando abaixo apenas daquele registrado no primeiro mês da Peic, em janeiro de 2010 (29,1%). Em fevereiro, taxa ficou em 27% e em março de 2021, 24,4%. Já as famílias que não terão condição de pagar suas dívidas e contas em atraso somam 10,8%, acima dos percentuais de fevereiro deste ano e de março do ano passado (ambos 10,5%).
O cartão de crédito responde por 87% dos motivos de endividamento no país, seguido pelos carnês (18,7%), financiamento de carro (11,2%), crédito pessoal (9,4%) e financiamento de casa (8,6%).
Um novo dado da pesquisa apontou que as cinco principais despesas mais comuns entre os consumidores são, nessa ordem: cartão de crédito, contas de serviços básicos como água e luz, contas de TV a cabo, internet e telefone fixo, contas de telefone celular e cartão de loja. Cada consumidor possui, em média, o mínimo de quatro despesas fixas entre seus compromissos financeiros no mês. Sete em cada 10(72%) dos consumidores apontaram, na comparação com o ano de 2020, que o poder de compra diminuiu. E entre as despesas que mais pesaram no bolso foram: alimentação (mercado), combustível, gás, luz e água, nessa ordem.

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terça-feira, 26 de abril de 2022

E O PRIMEIRO DE MAIO? * Ernesto Germano Parés / RJ

E O PRIMEIRO DE MAIO?
(Parte 1)
(Ernesto Germano Parés)

Começo a ficar envergonhado de ter vivido mais de 40 anos dentro do movimento sindical. Nesse tempo, participei de muitas lutas e acompanhei os trabalhadores nos momentos de resistência. Agora fico com um pouco de vergonha quando nos aproximamos de uma das datas mais importantes para os trabalhadores do mundo e vejo que muito pouco (ou nada) está sendo programado pelos sindicatos.
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Exatamente quando mais precisamos de um movimento de conscientização e resistência, quando o demente que governa o país está agindo livremente e sem prestar qualquer esclarecimento ao povo, quando o Congresso vendido retira um pedido de CPI sobre a Educação, quando as forças armadas gastam dinheiro do povo comprando Viagra e remédios para a calvície, quando nossa indústria está em completo abandono e o desemprego aumentando... Enquanto tudo isso acontece os sindicatos estão calados e não preparam uma comemoração do Primeiro de Maio digna de retomar a luta dos Mártires de Chicago!
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Pelo que vi, até agora, as centrais sindicais estão preparando um show musical no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, com artistas conhecidos. E isso me lembrou o tempo da ditadura de Getúlio Vargas quando ele promovia futebol e cerveja de graça em um estádio de futebol aqui do Rio e fazia seus discursos dizendo que “preciso de vós, trabalhadores”!
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Agora tomei conhecimento que o Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro está organizando um “Bingo do Trabalhador” para esse dia! Um bingo? Só pode ser brincadeira de péssimo gosto!
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Para quem não sabe, o Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro foi fundado no dia 1 de Maio de 1917. Percebem a importância? Primeiro de Maio, “Dia de Luta e de Luto da Classe Trabalhadora”, aprovado em 1889 em um encontro ocorrido em Londres, com representantes de centenas de entidades de trabalhadores. A deliberação dizia o seguinte: “que em todos os países, em todas as cidades, os trabalhadores lutem pela redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e que se consagrasse o 1° de maio de cada ano a esta luta (em memória do ocorrido no 1° de maio de 1886, em Chicago)”. E 1917, ano da Revolução que abalou o mundo!
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Pois é! O sindicato que foi fundado em 1 de Maio de 1917 vai comemorar com um bingo!
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Vergonha de, algum dia, ter sido metalúrgico e ter brigado por aquele sindicato!
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O Primeiro de Maio não pode ser dia de festa ou de jogos. É o dia para refletir sobre todas as nossas lutas, lembrar os companheiros que tombaram e renovar nossa força em continuar lutando.
E O PRIMEIRO DE MAIO? (Parte 2)
Vou seguir expondo a minha indignação e minha vergonha, como militante e sindicalista antigo, com o que vem acontecendo. Mas gostaria de deixar bem claro que não estou me referindo a qualquer partido político. Meu dedo está apontado para o peito dos atuais dirigentes sindicais, muitos dos quais jamais participaram de um grande movimento de massas, nunca enfrentaram a ditadura, nunca sofreram com a repressão e nem estavam em “listas negras” que corriam nas fábricas, nunca participaram de piquetes que viravam dias e noites. Caíram nos atuais cargos de “dirigentes” como paraquedistas.
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Então, só para lembrar, vou fazer um breve relato:
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1894 - em Santos, no 1° de Maio, o Centro Socialista realiza palestra e debate. Alguns autores consideram a primeira comemoração da data, no Brasil.
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1900 - em 25/09, fundado em São José do Rio Pardo (SP) o Clube Democrático Socialista Os Filhos do Trabalho. O manifesto do Clube para o 1° de maio de1901 foi escrito pelo socialista Euclides da Cunha que dizia ser necessária “a reabilitação do proletariado, pela exata distribuição da justiça, cuja fórmula suprema consiste em dar a cada um o que cada um merece, abolindo-se os privilégios quer de nascimento, quer de fortuna, quer da força.”
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1906 - o 1° de maio foi comemorado em várias cidades. Em São Paulo, o Sindicato dos Gráficos uniu-se a outros sindicatos para realizar apresentações teatrais, em vários teatros da cidade. No Rio de Janeiro houve comemoração em praça pública. Em Santos houve comemoração, mesmo com uma violenta repressão enviada pelo governo (navios de guerra ancoraram no porto para intimidar). Em Campinas, surgiu o primeiro número do jornal A Voz Operária.
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1907 - o 1° de maio foi comemorado em todas as grandes cidades brasileiras e marca o início da luta pela jornada de 8 horas em nosso país.
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1909 - o número 10 do jornal A Voz do Trabalhador (1° de maio de 1909) publicava, pela primeira vez no Brasil, a letra do hino A INTERNACIONAL, composto por Pierre Degeyter e Eugène Pottier, em 1871, e que já virara o hino das comemorações do 1° de maio na Europa (junto com a bandeira vermelha usada pelos operários de Paris).
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1929 - Em 1° de Maio é criada a Confederação Geral dos Trabalhadores que, em março do ano seguinte, promove um Congresso de Agricultores e inicia a fundação de Sindicatos Rurais.
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É a partir dos primeiros anos da década de 40 que o governo passa a assumir as comemorações do 1° de maio e a transformar o dia de luta (pela jornada de 8 horas diárias de trabalho e de outras resistências para os trabalhadores) em festas com futebol de graça, shows com artistas e bailes para desviar o sentido das comemorações. O “Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora” passou a ser usado para iludir o próprio trabalhador.
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1968 – Já na ditadura militar, no 1º de maio, estudantes e trabalhadores se unem para organizar o Dia do Trabalhador. O Governador de São Paulo, Abreu Sodré, alimentava o sonho de suceder Costa e Silva e resolve se promover, autorizando o ato e mandando construir um palanque. Ao chegar à praça, com sua comitiva, é recebido com pedradas e palavras de ordem contra a ditadura, fugindo do local. Os manifestantes queimam o palanque oficial e saem em passeatas pelas ruas da capital.
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1981 - A bomba do Riocentro - A comemoração do 1° de maio, organizada pelo Centro Brasil Democrático (Cebrade), seria realizada no pavilhão do Riocentro. Cerca de 20.000 pessoas já se encontravam no local e aplaudiam um show da Elba Ramalho, quando todo o local foi sacudido por uma explosão. No estacionamento do pavilhão, perto da casa de força do Riocentro, uma bomba explodiu dentro de um carro Puma com dois oficiais do exército. O caso, até hoje, não tem explicação, e os ministros militares anunciaram, na época, que os militares é que teriam sido alvos de um atentado.
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Um 1° de Maio marcante Quando os metalúrgicos do ABC (São Paulo) entram em greve, em abril de 1980, o movimento já tinha algo de diferente, antes mesmo de começar. O adesivo que convocava para a Assembleia era claro: "Chegou a hora! Vamos matar nossa sede." Por seu lado, o governo anunciava sua determinação de reprimir e lembrava que o sindicato já sofrera intervenção em 1979. A Assembleia do dia 30 de março, um domingo, votou pela greve. O movimento começou, e todos sabiam que seria longo e difícil. Um "Comitê de Solidariedade" foi criado e contava com setores da Igreja católica, associações de moradores e setores da esquerda. No dia 17 de abril, às 18:30 h, o Ministro assina o decreto, determinando a intervenção no Sindicato e afastando a diretoria. No dia seguinte, helicópteros do exército sobrevoavam São Bernardo, enquanto tropas da Polícia Militar, com carros "brucutus" e policiais da temida ROTA (polícia do Estado de São Paulo) cercavam o Sindicato. Do outro lado, o movimento ia crescendo e conquistando todo o descontentamento popular contra o regime. A Associação Brasileira de Imprensa, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Comissão de Justiça e Paz e centenas de outras entidades e organizações passam a apoiar e mostrar adesão a uma greve iniciada pelos peões do ABC. O 1° de Maio foi comemorado em São Bernardo (eu estive lá) por lideranças de todo o país, mesmo com a sede do Sindicato fechada e sob intervenção. A greve continuava!
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Uma bomba no Memorial No dia 1° de maio de 1989, em Volta Redonda (Rio de Janeiro), os metalúrgicos da Companhia Siderúrgica Nacional - CSN - inauguraram o Memorial projetado por Oscar Niemeyer em homenagem aos três metalúrgicos assassinados pelo exército durante a greve de novembro (09/11/1988). A Central Única dos Trabalhadores - CUT - havia indicado a cidade de Volta Redonda como a sede da comemoração oficial do 1° de maio, e caravanas de trabalhadores chegavam dos Estados próximos para a homenagem. A inauguração do Memorial foi presenciada por cerca de 20 mil trabalhadores que lotaram a praça e as ruas próximas. Na madrugada seguinte, dia 02, por volta das três horas, Volta Redonda acordou com o Barulho de uma explosão... Na praça, centenas de pessoas atraídas pelo barulho olhavam para o Memorial tombado por duas bombas de alto poder explosivo!
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Minha vergonha é ver toda essa história se transformando em um “bingo do trabalhador” ou eu um show musical. Neste Primeiro de Maio vou ficar em casa, talvez chorando por tudo isso.
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domingo, 24 de abril de 2022

PLAYA GIRÓN - A GRANDE DERROTA DOS EUA! * Ernesto Germano Parés / RJ

PLAYA GIRÓN - A GRANDE DERROTA DOS EUA!
(PARA NÃO ESQUECER – 19 DE ABRIL DE 1961)
Ernesto Germano Parés / RJ


No dia 1 de janeiro de 1959 tinha êxito a resistência e as lutas guerrilheiras em Sierra Maestra. Naquela manhã os revolucionários comandados por Fidel Castro entraram vitoriosos em Havana. A Revolução Cubana era uma realidade para o mundo.
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Em 1961, poucos dias depois de assumir a presidência dos EUA, John F. Kennedy (tão amado pela burguesia e por liberais) autorizava um plano para invadir Cuba e destruir a Revolução, depondo Fidel Castro. Para isso seria usado um grupo de exilados cubanos que estava sendo treinado e dirigido pela CIA. O “plano” ganhou o nome de “Operação Mangusto”.
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A CIA havia treinado 1.297 exilados cubanos para a invasão. Os exercícios para a invasão tiveram início em abril de 1960 e os mercenários usaram inicialmente a base da Guarda Aérea Nacional do Alabama para seus treinamentos com artilharia. Os exercícios aéreos foram feitos com aviões da Força Aérea da Guatemala e os treinamentos de desembarque foram realizados na ilha Vieques, em Porto Rico. Treinos para demolições e técnicas de infiltração foram feitos em Belle Chasse, Nova Orleans.
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Acontece que Fidel, alertado por Che Guevara que conhecia um ataque feito pelos EUA contra a Guatemala, esperava algum golpe. Só para constar, até então a Revolução Cubana ainda não tinha um caráter socialista. Era uma revolução democrática para depor um ditador que estava no poder garantido pela política estadunidense: Fulgêncio Batista.
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No dia 16 de abril de 1961, em um discurso em Havana, Fidel Castro anuncia pela primeira vez o caráter socialista do movimento. No dia seguinte tem início a invasão comandada pelos EUA.
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Um mês antes, antecipando a possibilidade de uma invasão, Che Guevara defendeu a ideia de armar a população e criar milícias de defesa de Cuba. Diante do Parlamento cubano, Che teria dito que: “todo o povo cubano é convidado a integrar a guerrilha urbana; todo cidadão deve saber como usar uma arma de fogo para defender a nação”!
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Em abril de 1961 Fidel era o Comandante em Chefe das Forças Armadas de Cuba. Raul Castro era o comandante do Exército Leste, com base em Santiago de Cuba; Che era o comandante no Oeste, com base em Pinar del Río; Juan Almeida Bosque comandava as forças no centro do país, com base em Santa Clara; Raúl Cubelo Morales comandava a Força Aérea.
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No dia 15 de abril, logo pela manhã, oito aviões B-26 (bombardeiros) pintados com as cores da Força Aérea de Cuba atacaram três aeródromos em San Antonio de los Baños, em Ciudad Libertad e em Santiago de Cuba. O objetivo seria deixar a Força Aérea cubana fora de ação. E os ataques preparatórios prosseguiram durante todo o dia.
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Na manhã do dia 17 de abril de 1961 começa a invasão, como contei em outro texto. Dois navios de desembarque fornecidos pela CIA invadem a Baía dos Porcos (Bahía de Cochinos), na costa sul de Cuba. São seguidos por quatro outros navios de desembarque conduzindo 1.400 cubanos exilados. O primeiro dos navios, o Blagar, aportou em Playa Girón por volta de uma hora da madrugada! Mas foram avistados pela milícia treinada para a luta.
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Pela manhã, por volta das oito horas, um avião estadunidense começou a lançar paraquedistas e equipamentos militares, mas a maior parte caiu num pântano.
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A história das batalhas é longa, mas vamos encerrar dizendo que, no dia 19 de abril de 1961 os EUA conheciam uma das maiores derrotas militares de sua história. Morreram seis pilotos cubanos, dez pilotos mercenários e quatro estadunidenses; 114 mercenários foram presos e 2.506 morreram em combate.
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Fidel Castro e Che Guevara participaram pessoalmente dos combates e Che foi ferido no rosto.
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Em agosto de 1961, durante uma Conferência da OEA (Organização dos Estados Americanos), no Uruguai, Che Guevara pediu a palavra e enviou uma mensagem para Kennedy: “Obrigado pela Playa Girón. Antes da invasão, a revolução era fraca. Agora, ela é mais forte do que nunca”.



VIVA CUBA REVOLUCIONÁRIA!
DERROTAR O IMPERIALISMO ONDE QUER QUE ELE ESTEJA!
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FONTE

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

ASSASSINATO DE CHICO MENDES * Ernesto Germano Parés / RJ

ASSASSINATO DE CHICO MENDES

Ernesto Germano Parés / RJ

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“No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade.”
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Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes, nasceu e morreu em Xapuri, no Acre. Foi um seringueiro, sindicalista, ativista político e ambientalista brasileiro. Ficou mundialmente conhecido por sua luta a favor dos seus companheiros, seringueiros da Bacia Amazônica, cuja subsistência dependia da preservação da floresta e das seringueiras nativas. Mas, é claro que sua luta só poderia atrair toda a ira dos grandes fazendeiros locais que se sentiam prejudicados e pagaram pelo seu assassinaram.
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Chico Mendes nasceu no seringal Porto Rico, no Acre, em 15 de dezembro de 1944, filho do migrante cearense Francisco Alves Mendes e de Maria Rita Mendes. Começou no ofício de seringueiro ainda criança, acompanhando o pai em incursões pela mata. Aprendeu a ler aos 19 anos! Não havia escolas públicas nos seringais e os grandes proprietários tudo faziam para impedir que houvesse educação para as crianças. Era uma forma de ampliar a exploração e a dominação.
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Em seu depoimento, contando a sua história, ele diz que foi o militante comunista Euclides Távora, que havia participado no levante comunista de 1935 em Fortaleza e na Revolução de 1952 na Bolívia, que o ensinou a ler. Após retornar ao Brasil, Távora fixou residência em Xapuri, onde se tornou o alfabetizador de Mendes.
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Na raiz das lutas locais vamos encontrar o “dedo” da política implantada pelos militares na Região Amazônica a partir da década de 1970. O aumento da exploração, o poder desenfreado dos grandes senhores que recebiam favores dos generais e que, já naquela época, queriam impor a pecuária na Amazônia intensificou a especulação fundiária de propriedades pertencentes aos fazendeiros, dificultando o acesso de pequenos produtores às terras. Para quem não sabe, a devastação ambiental, a fim de gerar pastos para a criação de gado, teve início naquela época.
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A miséria em sua terra era muito grande. A exploração dos seringueiros e a vida na pobreza iam formando o homem e, depois, o lutador Chico Mendes.
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Em seu sistema de troca de mercadorias industriais pelo produto (látex), conhecido por aviamento, o endividamento dos seringueiros era algo constante. Trabalhadores que se rebelavam eram punidos por policiais, assim como os donos dos seringais estabeleciam um regimento para castigos físicos aos seus subordinados que protestassem.
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Em 1975 ele conheceu o “mundo sindical” e sentiu que havia encontrado a forma para lutar. Muito conhecido, tornou-se secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. A partir de 1976 participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento. A tática utilizada pelos manifestantes era o “empate” — manifestações pacíficas em que os seringueiros protegem as árvores com seus próprios corpos. Organizou também várias ações em defesa da posse da terra pelos habitantes nativos, os chamados posseiros.
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Os empates eram liderados pelo presidente do sindicato de Brasileia, Wilson Pinheiro que foi assassinado em 1980, dentro da sede do sindicato, como forma de represália ao movimento sindicalista.
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Mas ele não parava. Já em 1977 participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo eleito vereador pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) local. Recebe, então, as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros. Curiosamente (?), o seu partido não o apoia e não assume as suas bandeiras. Em 1979, usa seu mandato para promover um foro de discussões entre lideranças sindicais, populares e religiosas na Câmara Municipal de Xapuri.
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O resultado da sua ousadia, sem o apoio do partido, foi imediato. Acusado de subversão, é preso e torturado, mas, sem apoio algum das lideranças políticas locais, não consegue registrar na Polícia a ocorrência da tortura da qual fora vítima.
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E chegamos a 1980! Wilson Pinheiro, então presidente do Sindicato fundado por Chico Mendes, foi assassinado, dentro da sede da entidade, como forma de represália ao movimento sindicalista. Chico Mendes vai à São Paulo, onde foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, levou a proposta inovadora para sua terra, o Acre. Pouco depois foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional como “subversivo”, em iniciativa comandada pelos fazendeiros da região.
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Em 1983 é eleito para a presidência do Sindicato e dá continuidade à sua luta.
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Chico Mendes chegou a se candidatar a deputado estadual pelo PT, em 1982, mas não conseguiu se eleger. Em 1984, foi julgado pelo Tribunal Militar de Manaus e absolvido por falta de provas.
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Em 1985 acontece o 1º Encontro Nacional de Seringueiros, liderado por Chico Mendes. Entre as propostas vencedoras, foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), que se tornou a principal referência da categoria. Sob sua liderança, a luta dos seringueiros pela preservação do seu modo de vida adquiriu grande repercussão nacional e internacional. Do encontro saiu a proposta de criar uma “União dos Povos da Floresta”, que buscava unir os interesses de indígenas, seringueiros, castanheiros, pequenos pescadores, quebradeiras de coco e populações ribeirinhas, através da criação de reservas extrativistas.
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Voltou a disputar o cargo de deputado estadual pelo PT, mas, novamente, não conseguiu se eleger. Seus companheiros de chapa eram Marina Silva (deputada federal), José Marques de Sousa, o Matias (senador) e Hélio Pimenta (governador), que também não foram eleitos.
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Em 1987 ele recebeu a visita de alguns membros da Organização das Nações Unidas (ONU) em Xapuri. Denunciou-lhes que projetos financiados por bancos estrangeiros estavam levando à devastação da floresta e à expulsão dos seringueiros. Dois meses depois, levou estas denúncias ao Senado dos Estados Unidos e à reunião de um dos bancos financiadores do projeto, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os financiamentos a tais projetos acabaram sendo suspensos e Chico Mendes foi acusado por fazendeiros e políticos locais de “prejudicar o progresso”, acusações que não convencem a opinião pública internacional.
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Pouco depois recebeu vários prêmios internacionais, dentre eles o Global 500, oferecido pela ONU por sua luta em defesa do meio ambiente.
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No dia 22 de dezembro de 1988, exatamente uma semana após completar 44 anos, Chico Mendes foi assassinado com tiros de escopeta no peito na porta dos fundos de sua casa, quando saía para tomar banho, disparados por Darci Alves, o qual cumpria ordens de seu pai, Darly Alves, grileiro de terras da região.
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Quatro dias antes da morte do ativista, o Jornal do Brasil se recusou a publicar uma entrevista na qual Chico Mendes denunciava as ameaças de morte que havia recebido. A direção do jornal considerou que o entrevistado era desconhecido do grande público e que politizava demais a questão ambiental, optando por não publicar a matéria.
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Diz Chico Mendes:
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“Os seringueiros, os índios, os ribeirinhos há mais de 100 anos ocupam a floresta. Nunca a ameaçaram. Quem a ameaça são os projetos agropecuários, os grandes madeireiros e as hidrelétricas com suas inundações criminosas”.
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“A nossa luta é pela defesa da seringueira, da castanheira; e essa luta nós vamos levar até o fim, porque não vamos permitir que as nossas florestas sejam destruídas”.
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CHICO MENDES É UM EXEMPLO DE LUTA PELA VIDA NO PLANETA!
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VIVA CHICO MENDES!
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domingo, 11 de julho de 2021

NASCE SERGIO BUARQUE DE HOLANDA * Ernesto Germano Parés/RJ

 NASCE SERGIO BUARQUE DE HOLANDA

COMUNISMORAMA

https://cabral136.blogspot.com/2021/07/nasce-sergio-buarque-de-holanda-ernesto.html

terça-feira, 3 de novembro de 2020

PARA NÃO ESQUECER - 02 DE NOVEMBRO DE 1952 * Ernesto Germano Parés

 PARA NÃO ESQUECER – 02 DE NOVEMBRO DE 1952


UM DIA DE FINADOS PARA FICAR NA HISTÓRIA

(Ernesto Germano Parés)


Nova Lima é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Lá funciona, desde a segunda metade do século XIX, a mina de ouro de uma empresa inglesa, a AngloGold Ashanti Brasil Mineração, também conhecida como “a mina de Morro Velho”.


Um forte movimento sindical atua na região desde os primeiros anos do século XX e, mais tarde, diretores vinculados ao PCB assumiram a liderança no sindicato e levaram os operários a grandes lutas e vitórias.


Um dos dirigentes conhecidos foi William Dias Gomes, nascido em Mariana. Aos 22 anos conseguiu um emprego na mina na função de “gaioleiro”. Ou seja, trabalhando a dois mil e quinhentos metros abaixo da superfície, sob temperaturas às vezes superiores a 40 graus, sua função era empurrar com o ombro o carrinho, carregado de minério, para dentro do elevador, e dar o sinal de partida.


Em 1945, ingressou no Partido Comunista e tentava estudar nas horas vagas. Lia muito sobre a história do Brasil e estava aprendendo português para melhorar sua escrita. Em 1948, já dirigente do sindicato dos mineiros da região, liderou uma grande greve por melhores salários e condições de trabalho que teve início no dia 18 de outubro. Tudo parou. Sete mil operários cruzavam os braços.


Dois dias depois a greve teve a primeira vitória e os patrões aceitavam a readmissão de seis trabalhadores demitidos, o pagamento aos operários dos dias de paralisação e o compromisso de dar uma resposta, no prazo de 30 dias, às reivindicações de salários. 


O prazo para a resposta da empresa estava terminando quando William foi assassinado. Os jagunços o mataram, pelas costas, seis dias antes da data.


Mas a resposta ao terror foi imediata e duas mil pessoas, homens e mulheres, gente de toda idade, principalmente mineiros do Morro Velho, acompanharam os funerais de William Dias Gomes, cuja vida fora cortada aos 33 anos pelo tiro de um capanga da empresa britânica.


Mas a luta dos trabalhadores de Nova Lima não terminava ali. Aquela greve foi parcialmente vitoriosa e serviu para organizar ainda mais os mineiros. Novas lutas seriam travadas e algumas conquistas alcançadas.


No final de 1952 os mineiros de nova lima entram novamente em greve por melhores salários. Os grandes jornais começam a divulgar que a greve era coisa dos comunistas e a jogar a opinião pública contra os mineiros. As negociações não andavam e tudo fazia esperar uma derrota dos grevistas. A empresa gastava muito dinheiro na imprensa fazendo propaganda contra “os baderneiros” que queriam destruir a mina e a única fonte de trabalho da região. Amedrontavam os moradores com a possibilidade de fechamento da mina.


Mas foram surpreendidos! No dia 02 de novembro, Dia de Finados, militantes da JOC (Juventude Operária Católica) que haviam realizado uma reunião na noite anterior para apoiar a greve dos metalúrgicos, colocam uma enorme faixa nos cemitérios da região onde se lia: “VOCÊS QUE VÃO VISITAR OS MORTOS, LEMBREM-SE DOS VIVOS QUE ESTÃO MORRENDO DE FOME EM NOVA LIMA”. 


A reação popular foi surpreendente. Houve doações de alimentos e roupas para os grevistas, “caixinhas” que juntavam dinheiro que era levado para o sindicato, manifestações nas ruas da cidade. 


Depois de 33 dias de greve, a empresa se curvou e atendeu aos mineiros concedendo os aumentos salariais e melhorando as condições de trabalho no interior da mina.


VIVA A SOLIDARIEDADE ENTRE TRABALHADORES!


VIVA A LUTA DOS COMPANHEIROS DE NOVA LIMA!