Mostrando postagens com marcador violencia no campo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador violencia no campo. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de agosto de 2023

40 ANOS SEM MARGARIDA MARIA ALVES * Silvanar Cordel/PROGRAMA SER TÃO NORDESTINO

40 ANOS SEM MARGARIDA MARIA ALVES
Hoje, o Programa SerTão Nordestino fará uma homenagem especial a Margarida Alves, pela passagem dos 40 anos de seu covarde assassinato (12 de agosto de 1983).
*
DOCUMENTÁRIO: NOS CAMINHOS DE MARGARIDA
O vídeo-documentário "Nos Caminhos de Margarida" mostra a trajetória de vida e militância de Margarida Maria Alves. São depoimentos e imagens que revelam um pouco da história da heroína das terras paraibanas. Daquela que simboliza a maior marcha de mulheres do mundo, a "Marcha das Margaridas".

Realização: CONTAG, Fetag´s e Sindicatos

ANEXOS

*

sexta-feira, 16 de junho de 2023

O AGRO É OGRO * Bernardino Brito/Carlos Eduardo Pestana Magalhaes/SP

O AGRO É OGRO
Bernardino Brito/Carlos Eduardo Pestana Magalhaes
SP

A Concepção do Agronegócio Brasileiro, Atrapalha o Capitalismo Nacional

A postura de grande parte do agronegócio brasileiro, nos recorda os velhos tempos na história, onde uma "elite" agrária, para não dizer, feudal, difamava o Barão de Mauá, por este utilizar o trabalho livre e não escravo.

Para essa "elite" retrógrada, as indústrias de Mauá estimulavam a libertação dos escravos. Tinha ele, uma ideia tão avançada para a época, que até os ministérios do Império, sabotaram em muito seus empreendimentos, e sem nenhum peso de consciência.

Esse grave equívoco da atrasada elite agrária do século XIX, ainda parece ser um valor cultural para um segmento considerável do agronegócio atual, tão bem revelado em algumas posições políticas particulares, e especialmente, na representação do Congresso Nacional.

Ao contrário do que insistentemente afirmam como repeteco de papagaio, não somos nós da esquerda política, que impedimos ou atrasamos o desenvolvimento do capitalismo brasileiro, isso porque, sabemos bem que a realidade histórica, ao menos, até certo ponto, se impõe sobre o nosso pensamento e vontade, e mesmo que desejássemos, não seria possível.

Vemos assim, em meio a essa direita tradicional, uma certa desconexão do espírito empreendedor, fazendo eles, discurso de capitalismo desenvolvido, porém, sempre se associando politicamente na prática, com o segmento da terra plana, do garimpo e do madeireiro ilegal.

Parte dessa direita tradicional e oportunista, amenizou, na forma de silêncio e omissão, a negação sobre a periculosidade da COVID e sabotagem as vacinas, feitas pelos aliados fundamentalistas na presidência sob Bolsonaro, ou seja, agiram em cumplicidade com o sofrimento e morte de muitos.

Falsos liberais que acusam a esquerda de atrapalhar o capitalismo, sendo que eles mesmos, são os verdadeiros obstáculos ao desenvolvimento, ao abraçarem um modo de produção em condições precárias, e muitas vezes crítica.

E daí? E daí, é que para se aproveitarem da onda eleitoral bolsonarista, jogam um vale tudo, na expectativa de que amanhã, venham a substituir o capitão na vanguarda do poder, não importando se o governo venha a ter a cara ou postura pré-fascista.

Desse modo, o desenvolvimento do capitalismo brasileiro permanece limitado ao "Agro que se diz Tech". Algo que nunca foi, visto que, as máquinas e tecnologias para grande parte dessa gente, ocorre somente nos limites do interesse direto no campo, convivendo de forma "natural" com a concepção de mão obra escrava, de trabalho "livre" desregulamentado, e com práticas de perseguição étnica e de crime ambiental. Capitalismo avançado onde? Conta outra!

Maria da Conceição Tavares (vídeo) sempre teve razão, ao nos ensinar sobre o desenvolvimento capitalista brasileiro aos solavancos, misturando a estrutura feudal com escravidão e capitalismo. Um processo sempre baseado na paulada, uma punição a quem se atrasa para a modernidade.

Daí partem para a covarde justificativa: é o trabalhador brasileiro que não tem qualificação.

Falta mesmo qualificação ao povo? Embora isso seja uma realidade, não é o fator determinante do atraso econômico, sendo esse, a escolha política proposital de uma suposta "elite governamental" ao longo dos séculos, pelo latifúndio e escravidão, hoje, disfarçado de modernidade (Agro Pop).

Deduzimos, portanto, que do mesmo modo como as indústrias de Mauá arrancaram gente da exploração agrária, os programas sociais modernos, impediram a desumanização profunda da pessoa, razão pelo qual, a falsa elite odeia essas políticas.

A verdade é que o capitalismo nascente brasileiro, sem experiência com o trabalho livre, e sem escapar a força da cultura empreendedora local agrária e atrasada, reproduziria tempos depois dos ciclos do açúcar, ouro, café e algodão, a desumanização escravocrata em novos moldes, agora industriais.

Todavia, é certo que o imigrante europeu já conhecia essa realidade, e sabia bem como lutar frente à ela.

Nesse caso, não nos surpreende que até os países da Europa, que se modernizaram através das lutas anarquistas e comunistas no campo do trabalho, ameaçaram o Brasil no sentido de interromper a política de imigração, caso as más condições laborais na indústria brasileira, não se adequasse a um padrão mínimo de dignidade.

Não foi um processo fácil e rápido, e a CLT só viria se consolidar, de fato, mais de 50 anos após a proclamação da república.

Esse é o triste atraso, em que parte significativa do agronegócio deseja nos manter.

Viajados que são, deveriam conhecer um pouco de história, e não só fazer turismo. Aí saberiam que muitas bandeiras do MST, convergem na verdade, com aquilo que a elite do norte dos EUA impôs ao Sul, salvando a economia nacional, ou seja, a democratização da propriedade. E lá não se deu pela força dos movimentos sociais, mas por fatídica guerra civil (Secessão). Aqui, do que reclamam? De violência? Não sabem o que estão dizendo.

Um abraço fraterno Camaradas
Bernardino Brito


COMENTÁRIO

Carlos Eduardo Pestana Magalhaes.SP

É preciso entender de uma vez por todas que a cena dantesca de dois soldados profissionais da PM (Prontos pra Matar) paulista, corporação travestida de polícia, carregando um ser humano negro, pobre, amarrado pelos pés e pelas mãos, como se fossem um saco de bosta ou um escravo recapturado, não tem nada de novo e nem é coisa nova.

Soldados profissionais da PM fazem coisas muito pior todos os dias nas ruas, nas avenidas das quebradas da capital e de todas cidades do Estado de São Paulo. Essa corporação militar assassina é adestrada para fazer exatamente o que fazem, não são atos isolados e nem executados por psicopatas ou sociopatas. São seres que um dia foram humanos, mas que deixaram de ser após serem destruídos nas suas humanidades quando receberam o treinamento/adestramento para combater, matar, torturar, roubar, extorquir. Não são trabalhadores, são soldados...

Fazem tudo isso sem piscar e nem ter dó. Não sentem pena de ninguém, sabem da impunidade que possuem, que as autoridades, comandos, políticos, empresários, banqueiros, OGROnegócio farão de tudo para protegê-los. Tanto assim que, quem foi punido nesta torpe situação numa delegacia, foi quem gravou a cena toda. Este sim, foi preso, ameaçado, ficou horas numa delegacia para explicar ao delegado como teve a audácia de gravar a cena depravada e chocante do saco humano sendo levado por ter roubado chocolate num mercado.

E nada acontece aos responsáveis, ao governador Turista de Freitas, aquele mesmo militar que esteve no Haiti durante as matanças que aconteceram nas favelas da ilha caribenha. Soldado profissional não é gente, não são seres humanos, não são negros, nem brancos, orientais, marcianos, são apenas soldados aptos e preparados para fazerem tudo que de pior existe contra seres humanos.

Violência, crueldade, tortura, assassinato, desaparecimento dos corpos, execuções sumárias, são verdadeiros assassinos de uniformes mercenários prontos para qualquer matança que o Estado e o Capital decidam fazer. E fazem com sorriso no rosto. Eles aprenderam a gostar de tudo isso. E gostam...
*

quarta-feira, 19 de abril de 2023

É O SANGUE DE TRINTA E SETE TRABALHADORES RURAIS, QUE FAZEM O ABRIL VERMELHO * Adão Alves dos Santos.SP

 É O SANGUE DE TRINTA E SETE TRABALHADORES RURAIS, QUE FAZEM O ABRIL VERMELHO

CRÔNICAS PARA ORGANIZAR TOMO MLXXXVII

Nossas fúnebres lembranças encontram uma  sangrenta cena, no dia dezessete de abril de 1997, trinta e sete corpos de trabalhadores rurais sem terra, o massacre, não se limita, ao número, mas soma-se a estes o assassinato violento de trabalhadores e, estes assassinatos violentos não se limitam em si, na verdade ele é mesmo um "cala a boca" ainda mais violento que os próprios assassinatos.


É inegável que estes assassinatos são justificados com a criminalização da ação reinvindicatório, o problema é quem criminaliza as reivindicações, são justamente, aqueles  que interpretam todos os textos religiosos, para se apoderar daquilo que os textos religiosos dizem ser de todos.


Ainda que criminalizada pela cultura, pela religião, a tal criminalização não se encerra na teoria, ela vai a prática e criminaliza todo aquele ser humano que ousa ler que na bíblia está escrito que um Deus único, "fez o mundo e o homem". A estranha limitação subverte a fé cristã ao direito Romano, que é fundamentado na posse de bens.


Para que esta interpretação continue possível, amplos setores religiosos vão atualizando pareceres religiosos em defesa de uma sociedade de consumo. Consumo com exploração potencializada dos recursos naturais. 


O dezessete de abril, vermelho pelo sangue, precisa ser vermelho pela implementação da forma de pensar pelo dono do sangue derramado a mais de dois mil anos, não só para os apossadores da terra de todos, venham criminalizar que só pretende um pedaço de chão para plantar.


Adão Alves dos Santos.SP

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

MILÍCIA RURAL MATOU CACHEADO * Thalita Pires/MST

MILÍCIA RURAL MATOU CACHEADO

Raimundo Nonato Silva de Oliveira, 
o Cacheado, morto a tiros na terça-feira (13) - Reprodução/MST

VIOLÊNCIA NO CAMPO. Assassinato de líder do MST pode ter ligação com milícias rurais no Tocantins. Liderança histórica na região, "Cacheado" comandou acampamentos sem terra e escapou de tentativas de assassinato.

O militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Tocantins, Raimundo Nonato Silva de Oliveira, 46 anos, conhecido como Cacheado, foi assassinado dentro de casa, na frente da companheira, durante a madrugada desta terça-feira (13). Segundo o MST, três homens encapuzados arrombaram a porta dos fundos e o executaram a tiros em Araguatins (TO), na região chamada de Bico do Papagaio.

Movimentos ligados à luta pela terra no estado suspeitam que o crime tenha participação de uma milícia rural paga por grileiros de terras. Cacheado teve o pai assassinado por pistoleiros, antes de se tornar líder do acampamento sem terra Alto da Paz em Araguatins (TO), localizado na fazenda Santo Ilário, área reivindicada para reforma agrária.


Por isso, segundo o MST, Cacheado escapou de várias tentativas de assassinato entre os anos 2000 e 2015, quando desempenhou papel central na liderança do movimento. "Cacheado ficou muito visado pelo latifúndio, pelo poder judiciário e pela polícia. Ele se tornou uma pessoa muito vigiada e monitorada pelo poder político local do município de Araguatins e toda a região", afirmou o dirigente do MST no Tocantins, Antônio Marcos.

Com a morte de Cacheado, a segurança dos acampados no norte do Tocantins volta ser uma preocupação nacional do MST. "A violência pode crescer nos anos que virão pela frente, por essa onda do estímulo ao ódio e violência. no campo. É uma grande preocupação, porque há muitos anos não se ouvia falar em liderança do Bico do Papagaio sendo assassinado", afirmou o integrante do MST.

O Brasil de Fato perguntou à Secretaria de Segurança Pública de Tocantins em qual estágio estão as investigações, mas não houve resposta.

Campanha de Bolsonaro agravou clima de violência

O clima se acirrou na região durante as eleições de 2022. O MST diz que a campanha dos latifundiários pela reeleição de Jair Bolsonaro (PL) inaugurou uma nova investida dos fazendeiros contra os sem terra. O movimento considera que atuação das polícias e do poder Judiciário, sempre em favor dos latifundiários, aumenta a vulnerabilidade de camponeses que lutam pela reforma agrária.


Bolsonaro discursa em Araguatins (TO) e promete "varrer" PT para o "lixo da história" / Reprodução/Redes Sociais

Em setembro deste ano, Bolsonaro cumpriu agenda de campanha em Araguatins (TO), município marcado por conflitos agrários. Em discurso, o presidente chamou o Partido dos Trabalhadores (PT) de "praga" e defendeu "varrer" o partido para o "lixo da história". "Aqui é uma área grande voltada para o agronegócio. Vocês são orgulho do nosso Brasil", afirmou Bolsonaro para apoiadores.

"Bolsonaro mais uma vez reafirmou a nossa destruição. Talvez esse cenário de violência e ódio também esteja ligado à execução do companheiro Cacheado", avaliou Antônio Marcos.

Cacheado foi procurado por desconhecidos no dia da morte

Um dia antes do assassinato de Cacheado, homens desconhecidos foram até o acampamento Carlos Marighella e perguntaram por Cacheado. Na mesma data, o local recebeu a visita de policiais e de um oficial de justiça. O acampamento, localizado às margens da rodovia TO-404 e a 15 quilômetros de Araguatins (TO), foi alvo de um interdito proibitório, medida judicial que impede a permanência dos assentados.


"Nós ainda não sabemos quem esteve lá [no acampamento Carlos Marighella] perguntando pelo Cacheado. Então isso vai nos deixando um monte de dúvidas. Por que pessoas estranhas foram procurar por ele?", disse o dirigente do MST.

Risco de novas mortes

Cacheado lutava para que a fazenda Santa Ilário, situada em terras públicas, fosse desapropriada e destinada à reforma agrária. Mas o cenário de grilagem de terras com aval do poder local se repete em outras propriedades no Bico do Papagaio. Do outro lado, estão famílias de sem terra em luta pela reforma agrária. Os conflitos são frequentemente marcados pela prática da pistolagem e execução de lideranças.


"A solução é a reforma agrária. Enquanto o Estado brasileiro se nega a fazê-la, o latifúndio, o poder judiciário e as milícias seguem organizadas na região. Ainda existem vários acampamentos na região ameaçados por fazendeiros e pelo poder Judiciário", alerta Antônio Marcos.

Cacheado deixa filho, netos e legado de luta

Natural de Barra da Corda (MA), Raimundo Nonato Silva de Oliveira, o Cacheado, iniciou a militância ainda jovem nas Comunidades Eclesiais de Base (CEB). Participou da Pastoral da Juventude Rural (PJR/CPT) antes de ingressar no MST. Contribuiu ainda com movimentos sindicais e partidos políticos do campo progressista.


Atuação de Cacheado (foto) bateu de frente com interesse de grileiros de terras no Tocantins / Reprodução/MST

"Cacheados deixa filhos e netos além de um legado de resistência, persistência e coragem, com uma continua preocupação com as bases e com 'Trabalho de Base Dentro na Base', algo que sempre deve ser lembrado e praticado", escreveu em nota o MST.

No comunicado, o Movimento afirma ainda que lutará "incansavelmente" pelo esclarecimento da autoria e por justiça por Cacheado.

Edição: Thalita Pires/MST

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

ASSASSINATO DE CHICO MENDES * Ernesto Germano Parés / RJ

ASSASSINATO DE CHICO MENDES

Ernesto Germano Parés / RJ

*
“No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade.”
*
Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes, nasceu e morreu em Xapuri, no Acre. Foi um seringueiro, sindicalista, ativista político e ambientalista brasileiro. Ficou mundialmente conhecido por sua luta a favor dos seus companheiros, seringueiros da Bacia Amazônica, cuja subsistência dependia da preservação da floresta e das seringueiras nativas. Mas, é claro que sua luta só poderia atrair toda a ira dos grandes fazendeiros locais que se sentiam prejudicados e pagaram pelo seu assassinaram.
*
Chico Mendes nasceu no seringal Porto Rico, no Acre, em 15 de dezembro de 1944, filho do migrante cearense Francisco Alves Mendes e de Maria Rita Mendes. Começou no ofício de seringueiro ainda criança, acompanhando o pai em incursões pela mata. Aprendeu a ler aos 19 anos! Não havia escolas públicas nos seringais e os grandes proprietários tudo faziam para impedir que houvesse educação para as crianças. Era uma forma de ampliar a exploração e a dominação.
*
Em seu depoimento, contando a sua história, ele diz que foi o militante comunista Euclides Távora, que havia participado no levante comunista de 1935 em Fortaleza e na Revolução de 1952 na Bolívia, que o ensinou a ler. Após retornar ao Brasil, Távora fixou residência em Xapuri, onde se tornou o alfabetizador de Mendes.
*
Na raiz das lutas locais vamos encontrar o “dedo” da política implantada pelos militares na Região Amazônica a partir da década de 1970. O aumento da exploração, o poder desenfreado dos grandes senhores que recebiam favores dos generais e que, já naquela época, queriam impor a pecuária na Amazônia intensificou a especulação fundiária de propriedades pertencentes aos fazendeiros, dificultando o acesso de pequenos produtores às terras. Para quem não sabe, a devastação ambiental, a fim de gerar pastos para a criação de gado, teve início naquela época.
*
A miséria em sua terra era muito grande. A exploração dos seringueiros e a vida na pobreza iam formando o homem e, depois, o lutador Chico Mendes.
*
Em seu sistema de troca de mercadorias industriais pelo produto (látex), conhecido por aviamento, o endividamento dos seringueiros era algo constante. Trabalhadores que se rebelavam eram punidos por policiais, assim como os donos dos seringais estabeleciam um regimento para castigos físicos aos seus subordinados que protestassem.
*
Em 1975 ele conheceu o “mundo sindical” e sentiu que havia encontrado a forma para lutar. Muito conhecido, tornou-se secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. A partir de 1976 participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento. A tática utilizada pelos manifestantes era o “empate” — manifestações pacíficas em que os seringueiros protegem as árvores com seus próprios corpos. Organizou também várias ações em defesa da posse da terra pelos habitantes nativos, os chamados posseiros.
*
Os empates eram liderados pelo presidente do sindicato de Brasileia, Wilson Pinheiro que foi assassinado em 1980, dentro da sede do sindicato, como forma de represália ao movimento sindicalista.
*
Mas ele não parava. Já em 1977 participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo eleito vereador pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) local. Recebe, então, as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros. Curiosamente (?), o seu partido não o apoia e não assume as suas bandeiras. Em 1979, usa seu mandato para promover um foro de discussões entre lideranças sindicais, populares e religiosas na Câmara Municipal de Xapuri.
*
O resultado da sua ousadia, sem o apoio do partido, foi imediato. Acusado de subversão, é preso e torturado, mas, sem apoio algum das lideranças políticas locais, não consegue registrar na Polícia a ocorrência da tortura da qual fora vítima.
*
E chegamos a 1980! Wilson Pinheiro, então presidente do Sindicato fundado por Chico Mendes, foi assassinado, dentro da sede da entidade, como forma de represália ao movimento sindicalista. Chico Mendes vai à São Paulo, onde foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, levou a proposta inovadora para sua terra, o Acre. Pouco depois foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional como “subversivo”, em iniciativa comandada pelos fazendeiros da região.
*
Em 1983 é eleito para a presidência do Sindicato e dá continuidade à sua luta.
*
Chico Mendes chegou a se candidatar a deputado estadual pelo PT, em 1982, mas não conseguiu se eleger. Em 1984, foi julgado pelo Tribunal Militar de Manaus e absolvido por falta de provas.
*
Em 1985 acontece o 1º Encontro Nacional de Seringueiros, liderado por Chico Mendes. Entre as propostas vencedoras, foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), que se tornou a principal referência da categoria. Sob sua liderança, a luta dos seringueiros pela preservação do seu modo de vida adquiriu grande repercussão nacional e internacional. Do encontro saiu a proposta de criar uma “União dos Povos da Floresta”, que buscava unir os interesses de indígenas, seringueiros, castanheiros, pequenos pescadores, quebradeiras de coco e populações ribeirinhas, através da criação de reservas extrativistas.
*
Voltou a disputar o cargo de deputado estadual pelo PT, mas, novamente, não conseguiu se eleger. Seus companheiros de chapa eram Marina Silva (deputada federal), José Marques de Sousa, o Matias (senador) e Hélio Pimenta (governador), que também não foram eleitos.
*
Em 1987 ele recebeu a visita de alguns membros da Organização das Nações Unidas (ONU) em Xapuri. Denunciou-lhes que projetos financiados por bancos estrangeiros estavam levando à devastação da floresta e à expulsão dos seringueiros. Dois meses depois, levou estas denúncias ao Senado dos Estados Unidos e à reunião de um dos bancos financiadores do projeto, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os financiamentos a tais projetos acabaram sendo suspensos e Chico Mendes foi acusado por fazendeiros e políticos locais de “prejudicar o progresso”, acusações que não convencem a opinião pública internacional.
*
Pouco depois recebeu vários prêmios internacionais, dentre eles o Global 500, oferecido pela ONU por sua luta em defesa do meio ambiente.
*
No dia 22 de dezembro de 1988, exatamente uma semana após completar 44 anos, Chico Mendes foi assassinado com tiros de escopeta no peito na porta dos fundos de sua casa, quando saía para tomar banho, disparados por Darci Alves, o qual cumpria ordens de seu pai, Darly Alves, grileiro de terras da região.
*
Quatro dias antes da morte do ativista, o Jornal do Brasil se recusou a publicar uma entrevista na qual Chico Mendes denunciava as ameaças de morte que havia recebido. A direção do jornal considerou que o entrevistado era desconhecido do grande público e que politizava demais a questão ambiental, optando por não publicar a matéria.
*
Diz Chico Mendes:
*
“Os seringueiros, os índios, os ribeirinhos há mais de 100 anos ocupam a floresta. Nunca a ameaçaram. Quem a ameaça são os projetos agropecuários, os grandes madeireiros e as hidrelétricas com suas inundações criminosas”.
*
“A nossa luta é pela defesa da seringueira, da castanheira; e essa luta nós vamos levar até o fim, porque não vamos permitir que as nossas florestas sejam destruídas”.
*
CHICO MENDES É UM EXEMPLO DE LUTA PELA VIDA NO PLANETA!
*
VIVA CHICO MENDES!
*

terça-feira, 10 de agosto de 2021

OUSAR LUTAR OUSAR VENCER *Coletivo Sopa de Lutas do Quilombo Fé em Deus / MA

 OUSAR LUTAR OUSAR VENCER

Aqui funcionava a casa de farinha deste senhor: José da Cruz.

CARTA CONVITE AOS MOVIMENTOS SOCIAIS, PARTIDOS POLÍTICOS, AOS MILITANTES DOS DIREITOS HUMANOS E A TODAS AS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA DO ESTADO DO MARANHÃO



CONTRA A VIOLÊNCIA POLICIAL E EM DEFESA DA VIDA DOS TRABALHADORES, DOS NEGROS, INDÍGENAS E DO POVO POBRE!



Um dos atos mais vis cometidos pelas forças policiais do estado foi o assassinato da vereadora Marielle Franco no dia 14 de março, morta por milicianos. No Maranhão o repentista Gerô, o Padre Josimo e muitos outros são as vítimas das mesmas armas utilizadas contra tantos mártires da violência estatal que tem recrutado os mais impiedosos carrascos e servos da morte para os seus conglomerados de interesses político-empresariais.


O Maranhão tem sido, mais ainda recentemente, grande palco de conflitos agrários, evidenciando grande brutalidade policialesca tanto pela participação quanto pela omissão estatal bem como pela lógica latifundiária que aflige os trabalhadores no campo.


Vivemos uma época pré-histórica na qual todas as formas de alienação e estranhamento (des)humano consignam a existência do estado e seu inevitável aparato repressor. Deve-se portanto trabalhar para extinguir as raízes antissociais do crime libertando homens e mulheres da necessidade de estado e suprimindo a polícia como corpo separado e distante da totalidade do povo. Entretanto no intuito de amenizar o sofrimento, e longe de qualquer ilusão humanizadora, colocam-se no horizonte tarefas imediatas: reforma da polícia e das demais instâncias, em todos os níveis e âmbitos, que possam eliminar seus aspectos mais gravosos.


Ou então, estaremos continuamente condenados a assistir sucessivas tragédias como a do jovem médico, em Imperatriz, assassinado por um agente do Estado; continuaremos a presenciar o assassinato de Brunas Lícias, de Gerôs e de jovens autistas como Hamilton César Bandeira, de 23 anos, assassinado após sua casa ser invadida por policiais civis; a lamentar a morte do jovem Caio de 22 anos, morto brutalmente pela polícia no dia 25 de janeiro de 2020 no Quilombo Liberdade.

Aqui foi a pequena roça do Sr José da Cruz

Estamos em tempo decisivo onde precisamos romper com a lógica beligerante da Segurança Pública, servir ao povo e a democracia, no que exigimos ao Governo do Maranhão que cumpra o seu papel e mude a formação policial promovendo responsabilidade e eficiência cidadã ainda que constrangidos no interior da lógica societária do capital.


Esta Carta Convite visa denunciar e exigir proteção ao povo pobre do Maranhão, urgência de Segurança Pública, entendido como o direito à vida e proteção dos desfavorecidos. Por Segurança Pública também traduzimos um baluarte popular para a manutenção da democracia, da liberdade de expressão e proteção dos sem terra, sem moradia e sem assistência estatal.


Nosso luto pelas vidas ceifadas e nosso REPÚDIO ao Governo do Estado do Maranhão por sua negligência e por sua não-atuação ESTRUTURAL no sistema de Segurança Pública, mantendo a lógica desumana e militarista da política de segurança como arma engatilhada contra o povo do estado do Maranhão.


Dito isso, os movimentos sociais independentes convidam e pedem seu apoio para uma manifestação em São Luís dia 25 agosto em frente ao comando geral da polícia militar do estado do Maranhão, no Calhau. Faça-se presente, vamos juntos repudiar e cobrar medidas pra conter a escalada de assassinatos e atrocidades cometidos pelo estado. Estamos em favor da paz, do pão, terra e trabalho! 


"Ousar lutar. Ousar vencer"


_Lamarca


Organização: Coletivo Sopa de Lutas do Quilombo Fé em Deus

*

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Milícias infestam o INCRA-RJ * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/BR

 Milícias infestam o INCRA-RJ

Cassius - INCRA-RJ

O INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, é uma autarquia federal da Administração Pública brasileira. Foi criado pelo decreto nº 1 110, de 9 de julho de 1970, com a missão prioritária de realizar a reforma agrária, manter o cadastro nacional de imóveis rurais e administrar as terras públicas da União.

No entanto, uma coisa é a lei e outra, a pena. E o que acontece, via de regra, é o desvio da função, não só de órgãos, mas de servidores, inclusive. E o INCRA não poderia ser diferente. Num passado não tão remoto, foi instrumentalizado pelos coronéis do Brasil profundo, e ajudou na grilagem de muitas terras com propriedade duvidosa ou documentação precária. Depois de algumas águas por baixo das pontes, levando corpos de vítimas, da ditadura militar inclusive, adquiriu algum status de entidade cidadã, graças à força adquirida pelo MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Mas em algumas regiões do país, por exemplo, Minas Gerais e Goiás, virou braço das UDRs - União Democrática Ruralista, milícia formada por fazendeiros, sob o comando de oligarquias poderosas, tais como os Tancredo Neves de Minas e os Caiados, de Goiás.

Mas a quantidade de vítimas acabou por afogar seus anseios políticos no mar de sangue, incluindo líderes agrícolas, religiosos, jornalistas, caciques indígenas, todos mortos pela capangagem ruralista. E por mais que os movimentos de Direitos Humanos contem com a colaboração de órgãos da imprensa nacional e internacional, esse é um setor do conflito de classes no Brasil que exige de todos nós o máximo de atenção.

Nesse período pós golpe 2016, o aumento da violência no campo tomou proporções idênticas ao período da ditadura militar. Hoje, nós trabalhadores agrícolas com terras reconhecidas, dos assentamentos, dos quilombos,  e inclusive das reservas, temos sofrido constantes ataques da grilagem,  oriunda de diversas fontes. Mas após as eleições de 2018, com a chegada do "bolsonarismo" ao governo nacional,  isso tomou proporções assustadoras, inclusive graças à manipulação através do INCRA em diversos estados. 

Vamos deixar aqui o registro apenas sobre o Estado do Rio de Janeiro, o que está acontecendo neste momento, no município de Bom Jesus de Itabapoana, com a Comunidade de Barreirinha, onde o projeto de construção de um porto põe em risco a vida da população local, passando por cima de toda a legislação pertinente.  Para isso, os interessados nesse projeto, contam com o beneplácito da Equipe do INCRA estadual, integrada pelo Superintendente Cassius 

(foto abaixo).

-Cassius, primeiro a esquerda-

A seguir, algumas fotos que dispensam texto:



Mais sobre o mesmo

JORNAL VOZ DA RESISTÊNCIA

https://www.vozdaresistencia.com.br/2021/06/16/chefe-do-incra-no-rj-posta-foto-armado-e-camponeses-veem-ameaca/ 

***