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sexta-feira, 16 de agosto de 2024

O Pedestal do Neoliberalismo e a América Latina * Bernardino Brito-SP

O Pedestal do Neoliberalismo e a América Latina


Líderes políticos como Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Maduro (Venezuela), Miguel Diáz (Cuba) e Lula (Brasil), entre outros que buscam alternativas diferentes ao neoliberalismo implantado (imposto) mundialmente,
são demonizados pela mídia global (controlada pelo sistema financeiro).

No pedestal do mercado, no entanto, estão os EUA, Europa Ocidental, Japão e Israel como modelos a serem seguidos e idolatrados.

A defesa midiática do capitalismo em seu modo neoliberal, pode insistir à vontade na mentira, mas para qualquer observador atento e estudioso, a realidade se apresenta de forma bem diferente, para não dizer, contrária.

O relatório recente da Oxfam sobre a desigualdade na América Latina e Caribe, por exemplo, demonstra claramente o quanto os líderes populares de esquerda estão corretos em perseguir um modelo diferente e alternativo ao neoliberalismo.

Não se trata de uma utopia ideológica como constantemente os opositores rotulam de "comunismo", algo que, segundo eles, não teria dado certo na história, mas sim, de entender perfeitamente os danos que o neoliberalismo provocou e provoca a vida da humanidade com sua agressividade.

Também não são só os líderes de esquerda que possuem tal consciência, países capitalistas como a Coreia do Sul e a Índia tiveram excelentes resultados de crescimento nas últimas duas décadas, em função do abandono ao modelo neoliberal, permitindo assim, que um projeto de desenvolvimento nacional fosse construído.

Aliás, a Índia possui a segunda maior população do mundo, e vive sob um sistema social complicado de castas, o que atrapalha a distribuição das riquezas. Porém, devemos aceitar que eles produziram muitas riquezas nos últimos tempos, fruto da rejeição ao neoliberalismo.

O Brasil na década de 1980, por exemplo, importava 50% de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) destinado à produção de medicamentos diversos, e produzia outros 50%. Hoje, 95% desses insumos vêm da Índia e China, visto que desindustrializamos e perdemos o know-how.

Bem, vamos voltar à questão da Oxfam sobre o triste resultado produzido pelo neoliberalismo na América Latina e Caribe.

A afirmação principal aqui é: o capitalismo nunca concentrou tanta renda como atualmente, formando poucos bilionários pelo mundo, enquanto na outra ponta, foi explodindo o número de pobres e miseráveis.

Possamos conhecer os dados da América Latina e Caribe pela Oxfam:

- 1% da população da região detém 44 dólares de cada 100 dólares de renda.

- A metade da população (50%) detém apenas 0,8 dólares de cada 100 dólares de renda.

- Isso significa que o 1% mais, detém 55 vezes mais renda que a metade (50%) da população na região.

- Esses 50% da população mais pobre, representam em torno de 334 milhões de pessoas, que somadas, como vimos, não alcançam 1% da renda total. Por outro lado, 98 pessoas na América Latina e Caribe possuem uma riqueza da ordem de 480,8 bilhões de dólares. Isso representa a riqueza (PIB) do Chile somada a do Equador, segundo o relatório.

- O relatório também estima que um trabalhador com o salário médio da região, teria que trabalhar 90 anos para ganhar o que esses bilionários embolsam em um dia.

- Na região da América Latina e Caribe, 183 milhões de pessoas estão na pobreza (29,1%) e mais 72 milhões na pobreza extrema (11,4%).

Com essa triste realidade que possui sua verdade e trajetória fincada na colonização, escravidão e mecanismo da dívida, qualquer boicote ou bloqueio econômico feito pelas potências capitalistas a esses países da América Latina e Caribe, como é o caso de Cuba e Venezuela, causa um estrago gigantesco.

Então, possamos refletir:
Constitui referência democrática os países que tentam submeter outras nações à condição de fome, a fim de lhes obedecerem de forma política e econômica? Certamente, não!

Finalizando, os números apresentados falam por si, e lamentavelmente, ainda tem gente querendo justificar tal desigualdade e injustiça, se valendo, inclusive, do nome de Deus e da religião.

Ora! Tenham um mínimo de ética e caráter!

Paz e bem a todos.
Bernardino Brito.SP

domingo, 14 de julho de 2024

CNBB E PL 1904/2024 * Bernardino Brito.SP

CNBB E PL 1904/2024
ESTUPRO CULPOSO, FSP?


Todos sabem da minha simpatia e respeito histórico à CNBB, em outro momento posso até explanar a respeito, mas o fato é que no tocante ao PL-1904, a instituição se precipitou.

Emitir respostas rápidas à sociedade, nunca foi uma característica dessa grande instituição, dado sua elevada qualidade, respeito e sensibilidade social, tendo sempre prudência.

A verdade é que falhou na precipitação, e descrevo abaixo algumas razões por tal entendimento.

Não podemos mais aceitar que desde o pecado original de Eva, a mulher continue a pagar um preço social muito alto, bem diferente da punição de Adão.

Percebemos isso na prática, onde parece que nem a escolha de Maria por parte de Deus para ser a mãe de Jesus, aplacou o ódio fundamentalista de alguns líderes religiosos.

Nem mesmo a sublime saudação do Anjo Gabriel a Virgem Maria, "Ave Cheia de Graça" lhes colocou no devido lugar, pois se acham mais verdadeiros que os próprios anjos mensageiros.

Se uma mulher cristã compreendesse a profundidade do canto Magnificat de Maria, teria um olhar diferente sobre ela mesma, e se um homem entendesse a lógica de uma sociedade machista e misógina, agiria como José em sua proteção.

O Brasil insiste em querer debater a questão do aborto, legítima por sinal, mas completamente apartado da questão da mulher, de seus dramas, o que é inaceitável.

Somos o 4° país no mundo no ranking de mulheres casadas com idade inferior a 15 anos, e também o 4° nas que possuem idade entre 16 e 18 anos. Esse fato, por si só, já deveria ser um motivo de atenção especial das autoridades, e também daqueles que se dizem cristãos. Quem de fato se preocupa com seu semelhante, não aceitaria tal situação social.

Quase 80% (79,36%) dos casos de violência contra a mulher, diz respeito a jovens menores de 19 anos. Então, como debater o aborto sem levar em consideração a situação das mulheres, sobretudo, das jovens?

Nesses 80%, temos a seguinte distribuição:

- 10 a 14 anos :
79% estupro
21% outras violências

- 15 a 19 anos:
81% estupro
19% outras violências.

Desses crimes de estupro, 30% resultaram em gravidez, é o que se sabe oficialmente para a faixa dos 10 a 14 anos, e 17% para a faixa entre 15 e 19 anos. Imaginem a quantidade de casos que não chegam ao conhecimento do sistema de saúde?

Fazer discurso moralista contra o aborto é fácil? Difícil é propor saídas a essas jovens. Aliás, quem normalmente faz discurso radical contra o aborto, se coloca sempre contra as políticas públicas e de prevenção.

Os dados citados revelam a corrosão da estrutura social e a vulnerabilidade a que estão expostas a juventude feminina.

Se o criminoso PL- 1904 for de fato aprovado, estarão condenadas 1,2% de meninas indígenas, 64,5% de pretas/pardas e 34,3% de brancas que sofreram estupro.

Elas (as meninas) serão duplamente condenadas, primeiro pela própria violência, depois pela aplicação da lei, seja por medida educativa ou prisão. Cumprirão penas sem terem culpa.

A culpa e a pena, serão, portanto, imputadas a vítima que sofreu violência.

Não há psicologia e psiquiatra que possa salvar um Ser humilhado e desprezado a tal ponto.

Devemos aceitar que o grande responsável por essa tragédia é a estrutura político-econômica desigual, que precisa ser transformada com amplas políticas públicas voltadas especialmente à juventude feminina.

De modo particular, àquelas que estão em um alto nível de vulnerabilidade, e que representam a maioria.

A CNBB, por sua elevada credibilidade, deveria propor uma Campanha da Fraternidade sobre esse tema.

Esse é o caminho!
Um abraço fraterno
Bernardino Brito
Dados: Datasus; Fiocruz; UNFPA; Ministério da Saúde
***

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

AONDE O CAPITALISMO DEU CERTO? * Bernardino Brito/SP

AONDE O CAPITALISMO DEU CERTO?

À nós, Companheiros(as) e Camaradas, a construção de um projeto socialista, permanece como a única saída possível.

Essa escolha não se traduz em nenhum capricho intelectual, ela brota da lastimável realidade do mundo.

O capitalismo se colocou em total incapacidade na distribuição de riquezas. Assim, nossa oposição a esse modelo, não parte de uma vontade própria como alguns dizem: ah, eles torcem para dar errado. Não! O errado é que está dado.

Ora! São justamente os agentes de mercado, que se dizem tão apaixonados pela ciência dos números, que ignoram e fingem não ver, as tragédias desse modelo econômico. Aliás, uma parte mais sincera, está plenamente convencida de que seu sucesso financeiro pessoal, depende da desgraça de muitos, aceitando com tranquilidade tais resultados e consequências sociais.

A degradação humana e do meio-ambiente, em nada altera suas convicções e objetivos de lucro.
São promotores da miséria, violência e das guerras instaladas pelo planeta.

Até mesmo os países considerados ricos e desenvolvidos no capitalismo, na maior parte das vezes, por explorar outras nações, não escapam da vergonha interna, como demonstra o gráfico.

O 1% mais rico da Europa ocidental (linha azul), ainda mantém uma concentração de riqueza acima dos 20%, e nos EUA (linha vermelha), acima dos 30%.

Enquanto isso, os 50% mais pobres dessas nações (linhas pontilhadas) não sofreram alterações ao longo do século, oscilando entre 2% e 7% da riqueza total.

No entanto, para aplicar o mesmo critério de análise acima (dos países ricos do capitalismo) para observar a realidade brasileira, há que se ter certos cuidados, com um olhar e parecer específico, a fim de não criarmos distorções na interpretação.

Por exemplo, os 1% do topo no Brasil, ficam com 25% da renda nacional, enquanto os 50% da base da pirâmide, com 10%.

Os 25% de riqueza (dos 1%) estaria no mesmo nível dos países do gráfico, e os 10% da riqueza na base (dos 50%), nos pareceria melhor, já que o deles não passa de 7%.
Isso engana na aparência, mas não na essência.

Aqui, as faixas de classes por riqueza estão muito próximas, daí o porquê dizemos a toda classe média: vocês são pobres.

Classe média, coloca isso na sua cabeça: "vocês são Pobres". Afinal, "faixas de classe" não se confundem com o conceito de "classe".

Para entendermos melhor o caso brasileiro, possamos observar que uma pessoa que ganha um salário mínimo por mês, está entre os 50% mais pobres do país, porém, se recebe acima de 4 ou 5 mil, já está entre os 10% mais ricos. É pobre!!!
E se recebe 10 mil? É Pobre Plus. E 20 mil? Pobre Prime, e assim por diante.

Enfim, para você:
O capitalismo é um sistema político-econômico-
social de sucesso?
***

sexta-feira, 16 de junho de 2023

O AGRO É OGRO * Bernardino Brito/Carlos Eduardo Pestana Magalhaes/SP

O AGRO É OGRO
Bernardino Brito/Carlos Eduardo Pestana Magalhaes
SP

A Concepção do Agronegócio Brasileiro, Atrapalha o Capitalismo Nacional

A postura de grande parte do agronegócio brasileiro, nos recorda os velhos tempos na história, onde uma "elite" agrária, para não dizer, feudal, difamava o Barão de Mauá, por este utilizar o trabalho livre e não escravo.

Para essa "elite" retrógrada, as indústrias de Mauá estimulavam a libertação dos escravos. Tinha ele, uma ideia tão avançada para a época, que até os ministérios do Império, sabotaram em muito seus empreendimentos, e sem nenhum peso de consciência.

Esse grave equívoco da atrasada elite agrária do século XIX, ainda parece ser um valor cultural para um segmento considerável do agronegócio atual, tão bem revelado em algumas posições políticas particulares, e especialmente, na representação do Congresso Nacional.

Ao contrário do que insistentemente afirmam como repeteco de papagaio, não somos nós da esquerda política, que impedimos ou atrasamos o desenvolvimento do capitalismo brasileiro, isso porque, sabemos bem que a realidade histórica, ao menos, até certo ponto, se impõe sobre o nosso pensamento e vontade, e mesmo que desejássemos, não seria possível.

Vemos assim, em meio a essa direita tradicional, uma certa desconexão do espírito empreendedor, fazendo eles, discurso de capitalismo desenvolvido, porém, sempre se associando politicamente na prática, com o segmento da terra plana, do garimpo e do madeireiro ilegal.

Parte dessa direita tradicional e oportunista, amenizou, na forma de silêncio e omissão, a negação sobre a periculosidade da COVID e sabotagem as vacinas, feitas pelos aliados fundamentalistas na presidência sob Bolsonaro, ou seja, agiram em cumplicidade com o sofrimento e morte de muitos.

Falsos liberais que acusam a esquerda de atrapalhar o capitalismo, sendo que eles mesmos, são os verdadeiros obstáculos ao desenvolvimento, ao abraçarem um modo de produção em condições precárias, e muitas vezes crítica.

E daí? E daí, é que para se aproveitarem da onda eleitoral bolsonarista, jogam um vale tudo, na expectativa de que amanhã, venham a substituir o capitão na vanguarda do poder, não importando se o governo venha a ter a cara ou postura pré-fascista.

Desse modo, o desenvolvimento do capitalismo brasileiro permanece limitado ao "Agro que se diz Tech". Algo que nunca foi, visto que, as máquinas e tecnologias para grande parte dessa gente, ocorre somente nos limites do interesse direto no campo, convivendo de forma "natural" com a concepção de mão obra escrava, de trabalho "livre" desregulamentado, e com práticas de perseguição étnica e de crime ambiental. Capitalismo avançado onde? Conta outra!

Maria da Conceição Tavares (vídeo) sempre teve razão, ao nos ensinar sobre o desenvolvimento capitalista brasileiro aos solavancos, misturando a estrutura feudal com escravidão e capitalismo. Um processo sempre baseado na paulada, uma punição a quem se atrasa para a modernidade.

Daí partem para a covarde justificativa: é o trabalhador brasileiro que não tem qualificação.

Falta mesmo qualificação ao povo? Embora isso seja uma realidade, não é o fator determinante do atraso econômico, sendo esse, a escolha política proposital de uma suposta "elite governamental" ao longo dos séculos, pelo latifúndio e escravidão, hoje, disfarçado de modernidade (Agro Pop).

Deduzimos, portanto, que do mesmo modo como as indústrias de Mauá arrancaram gente da exploração agrária, os programas sociais modernos, impediram a desumanização profunda da pessoa, razão pelo qual, a falsa elite odeia essas políticas.

A verdade é que o capitalismo nascente brasileiro, sem experiência com o trabalho livre, e sem escapar a força da cultura empreendedora local agrária e atrasada, reproduziria tempos depois dos ciclos do açúcar, ouro, café e algodão, a desumanização escravocrata em novos moldes, agora industriais.

Todavia, é certo que o imigrante europeu já conhecia essa realidade, e sabia bem como lutar frente à ela.

Nesse caso, não nos surpreende que até os países da Europa, que se modernizaram através das lutas anarquistas e comunistas no campo do trabalho, ameaçaram o Brasil no sentido de interromper a política de imigração, caso as más condições laborais na indústria brasileira, não se adequasse a um padrão mínimo de dignidade.

Não foi um processo fácil e rápido, e a CLT só viria se consolidar, de fato, mais de 50 anos após a proclamação da república.

Esse é o triste atraso, em que parte significativa do agronegócio deseja nos manter.

Viajados que são, deveriam conhecer um pouco de história, e não só fazer turismo. Aí saberiam que muitas bandeiras do MST, convergem na verdade, com aquilo que a elite do norte dos EUA impôs ao Sul, salvando a economia nacional, ou seja, a democratização da propriedade. E lá não se deu pela força dos movimentos sociais, mas por fatídica guerra civil (Secessão). Aqui, do que reclamam? De violência? Não sabem o que estão dizendo.

Um abraço fraterno Camaradas
Bernardino Brito


COMENTÁRIO

Carlos Eduardo Pestana Magalhaes.SP

É preciso entender de uma vez por todas que a cena dantesca de dois soldados profissionais da PM (Prontos pra Matar) paulista, corporação travestida de polícia, carregando um ser humano negro, pobre, amarrado pelos pés e pelas mãos, como se fossem um saco de bosta ou um escravo recapturado, não tem nada de novo e nem é coisa nova.

Soldados profissionais da PM fazem coisas muito pior todos os dias nas ruas, nas avenidas das quebradas da capital e de todas cidades do Estado de São Paulo. Essa corporação militar assassina é adestrada para fazer exatamente o que fazem, não são atos isolados e nem executados por psicopatas ou sociopatas. São seres que um dia foram humanos, mas que deixaram de ser após serem destruídos nas suas humanidades quando receberam o treinamento/adestramento para combater, matar, torturar, roubar, extorquir. Não são trabalhadores, são soldados...

Fazem tudo isso sem piscar e nem ter dó. Não sentem pena de ninguém, sabem da impunidade que possuem, que as autoridades, comandos, políticos, empresários, banqueiros, OGROnegócio farão de tudo para protegê-los. Tanto assim que, quem foi punido nesta torpe situação numa delegacia, foi quem gravou a cena toda. Este sim, foi preso, ameaçado, ficou horas numa delegacia para explicar ao delegado como teve a audácia de gravar a cena depravada e chocante do saco humano sendo levado por ter roubado chocolate num mercado.

E nada acontece aos responsáveis, ao governador Turista de Freitas, aquele mesmo militar que esteve no Haiti durante as matanças que aconteceram nas favelas da ilha caribenha. Soldado profissional não é gente, não são seres humanos, não são negros, nem brancos, orientais, marcianos, são apenas soldados aptos e preparados para fazerem tudo que de pior existe contra seres humanos.

Violência, crueldade, tortura, assassinato, desaparecimento dos corpos, execuções sumárias, são verdadeiros assassinos de uniformes mercenários prontos para qualquer matança que o Estado e o Capital decidam fazer. E fazem com sorriso no rosto. Eles aprenderam a gostar de tudo isso. E gostam...
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