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sexta-feira, 16 de agosto de 2024

O Pedestal do Neoliberalismo e a América Latina * Bernardino Brito-SP

O Pedestal do Neoliberalismo e a América Latina


Líderes políticos como Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Maduro (Venezuela), Miguel Diáz (Cuba) e Lula (Brasil), entre outros que buscam alternativas diferentes ao neoliberalismo implantado (imposto) mundialmente,
são demonizados pela mídia global (controlada pelo sistema financeiro).

No pedestal do mercado, no entanto, estão os EUA, Europa Ocidental, Japão e Israel como modelos a serem seguidos e idolatrados.

A defesa midiática do capitalismo em seu modo neoliberal, pode insistir à vontade na mentira, mas para qualquer observador atento e estudioso, a realidade se apresenta de forma bem diferente, para não dizer, contrária.

O relatório recente da Oxfam sobre a desigualdade na América Latina e Caribe, por exemplo, demonstra claramente o quanto os líderes populares de esquerda estão corretos em perseguir um modelo diferente e alternativo ao neoliberalismo.

Não se trata de uma utopia ideológica como constantemente os opositores rotulam de "comunismo", algo que, segundo eles, não teria dado certo na história, mas sim, de entender perfeitamente os danos que o neoliberalismo provocou e provoca a vida da humanidade com sua agressividade.

Também não são só os líderes de esquerda que possuem tal consciência, países capitalistas como a Coreia do Sul e a Índia tiveram excelentes resultados de crescimento nas últimas duas décadas, em função do abandono ao modelo neoliberal, permitindo assim, que um projeto de desenvolvimento nacional fosse construído.

Aliás, a Índia possui a segunda maior população do mundo, e vive sob um sistema social complicado de castas, o que atrapalha a distribuição das riquezas. Porém, devemos aceitar que eles produziram muitas riquezas nos últimos tempos, fruto da rejeição ao neoliberalismo.

O Brasil na década de 1980, por exemplo, importava 50% de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) destinado à produção de medicamentos diversos, e produzia outros 50%. Hoje, 95% desses insumos vêm da Índia e China, visto que desindustrializamos e perdemos o know-how.

Bem, vamos voltar à questão da Oxfam sobre o triste resultado produzido pelo neoliberalismo na América Latina e Caribe.

A afirmação principal aqui é: o capitalismo nunca concentrou tanta renda como atualmente, formando poucos bilionários pelo mundo, enquanto na outra ponta, foi explodindo o número de pobres e miseráveis.

Possamos conhecer os dados da América Latina e Caribe pela Oxfam:

- 1% da população da região detém 44 dólares de cada 100 dólares de renda.

- A metade da população (50%) detém apenas 0,8 dólares de cada 100 dólares de renda.

- Isso significa que o 1% mais, detém 55 vezes mais renda que a metade (50%) da população na região.

- Esses 50% da população mais pobre, representam em torno de 334 milhões de pessoas, que somadas, como vimos, não alcançam 1% da renda total. Por outro lado, 98 pessoas na América Latina e Caribe possuem uma riqueza da ordem de 480,8 bilhões de dólares. Isso representa a riqueza (PIB) do Chile somada a do Equador, segundo o relatório.

- O relatório também estima que um trabalhador com o salário médio da região, teria que trabalhar 90 anos para ganhar o que esses bilionários embolsam em um dia.

- Na região da América Latina e Caribe, 183 milhões de pessoas estão na pobreza (29,1%) e mais 72 milhões na pobreza extrema (11,4%).

Com essa triste realidade que possui sua verdade e trajetória fincada na colonização, escravidão e mecanismo da dívida, qualquer boicote ou bloqueio econômico feito pelas potências capitalistas a esses países da América Latina e Caribe, como é o caso de Cuba e Venezuela, causa um estrago gigantesco.

Então, possamos refletir:
Constitui referência democrática os países que tentam submeter outras nações à condição de fome, a fim de lhes obedecerem de forma política e econômica? Certamente, não!

Finalizando, os números apresentados falam por si, e lamentavelmente, ainda tem gente querendo justificar tal desigualdade e injustiça, se valendo, inclusive, do nome de Deus e da religião.

Ora! Tenham um mínimo de ética e caráter!

Paz e bem a todos.
Bernardino Brito.SP

sábado, 22 de julho de 2023

MANIFESTO ANTIIMPERIALISTA * MARLENE SOCCAS - SC

 MANIFESTO ANTIIMPERIALISTA

BRASILEIROS E BRASILEIRAS,  PATRIOTAS  QUE AMAMOS NOSSO BRASIL,

Victória Nuland está aqui no Brasil, certamente a mando dos norte-americanos. VICTORIA NULAND ORGANIZOU UM GOLPE NA UCRÂNIA, EM 2013, PROVOCANDO UMA SITUAÇÃO GOLPISTA, QUE AGORA ESTAMOS ASSISTINDO A TERRÍVEL GUERRA NA UCRÂNIA, COMO RESULTADO DA VISITA DA DONA VICTORIA NULAND. 


TODOS NÓS, BRASILEIROS, JÁ SABEMOS QUE O IMPERIALISMO ATRAVÉS DOS NORTEMAERICANOS JÁ DERAM O GOLPE DE 1964, EM CIMA DE JOÃO GOULART, usando nossos militares como massa de manobra;  DERAM OUTRO GOLPE, EM CIMA DA DILMA, EM 2016, PARA PEGAREM O PETRÓLEO DO PRÉ-SAL, usando nossos parlamentares desatentos, como massa de manobra. 


 Para arrastar o Brasil para a situação de colônia, retirando daqui as riquezas que temos, COMO PETRÓLEO, NOSSA AMAZÔNIA, JÁ PEGARAM FORTEMENTE NOSSA BASE DE ALCÃNTARA NO MARANHÃO, E AGORA ESTÃO DE OLHO NAS  RIQUEZAS DA NOSSA AMAZÔNIA E NO PETRÓLEO RECÉM DESCOBERTO NA FOZ DO AMAZONAS. 


Não podemos aceitar outro golpe.

Nosso Brasil já foi espoliado pelos portugueses,  a partir de 1500, depois em 1808, entraram os ingleses, também nos explorando, e depois em 1945, APÓS A Segunda Guerra,  vieram os norte-americanos, fincando suas garras em cima dos nossos trabalhadores e das nossas riquezas. 


NÃO PODEMOS ACEITAR MAIS UM GOLPE.


Temos que nos organizar. Temos que sair às ruas, dizendo que somos um povo altaneiro e que não aceitamos mais ser colonizados e explorados. 


OS EUA ESTÃO COM UMA DÍVIDA DE 33 TRILHÕES DE DÓLARES, E NÃO CONSEGUEM PAGAR SEUS COMPROMISSOS. Pretendem arrancar mais aqui do Brasil, como se fossemos seu quintal.


Vários países da América Latina já sofreram golpes dos norte-americanos, com  assassinatos de muitos Presidentes e Patriotas, E que agora, certamente, querem arrancar mais riquezas aqui do Brasil, já que gastaram o que tinham em guerras e golpes de dominação pelo mundo, com a construção de 800 bases militares pelo mundo, e agora não conseguem sustentar.  

Temos que ficar alertas. TEMOS QUE CONSTRUIR UMA GRANDE FORÇA NACIONALISTA, MUITO BEM ORGANIZADA,  CONSCIENTE DOS NOSSOS DEVERES PARA COM A PÁTRIA, o que podemos fazer facilmente pela internet, RERSPEITANDO, É CLARO,  A ESPIONAGEM QUE JÁ É ENDÊMICA EM NOSSO PAÍS. 

Vamos nos unir, pelo bem do Brasil, dos nossos filhos, das nossas famílias.


UNIDOS, SEREMOS FORTES.

FORA VICTÓRIA NULAND!

FORA IMPERIALISTAS!

FORA INTERVENCIONISTAS!! 

OU FICAR A PÁTRIA LIVRE OU MORRER PELO BRASIL!!


MARLENE SOCCAS . SC


A semana no mundo - O que Victoria Nuland, senhora da guerra e do golpe

VICTORIA NULAND
TV247

terça-feira, 4 de abril de 2023

A América Latina No Olho Do Furacão * Roberto Bergoci / SP

 A América Latina No Olho Do Furacão


o agravamento da crise orgânica do capital na raiz da nova onda golpista em nosso continente.

A América Latina no olho do furacão: o agravamento da crise orgânica do capital na raiz da nova onda golpista em nosso continente.

Toda análise mais profunda, que envolva a totalidade do modo de produção capitalista, tem chegado a conclusões de que, tal regime entrou num longo período de declínio, crises constantes e regresso civilizacional. A crise profunda que hora vivenciamos na América Latina é um momento dessa totalidade, manifesta em uma de suas cadeias mais débeis, que é justamente o capitalismo dependente. Sem uma compreensão desse fenômeno em seu conjunto, fica impossível entendermos o que de fato nos atinge em Nossa América.

A crise contemporânea que abala a sociedade burguesa em seu conjunto, possuí um caráter dialético, pluri causal, como nos ensina Marx em seus três livros que compõem O Capital: neste processo, vemos a combinação e ação recíproca influir uns sobre os outros, os problemas estruturais que envolvem o modo de produção capitalista, como superprodução, queda das taxas de lucro, sobreacumulação, financeirização, etc; em suma, a manifestação da crise de valorização do capital em sua organicidade. Este processo se torna ainda mais dramático, sobretudo pelo fato de que, uma das características do capitalismo atual é ter entrado numa fase de completo amadurecimento e mundialização, onde deslocou já para quase toda parte do globo terrestre suas contradições, como já teorizado por Rosa Luxemburgo em seu importante livro “Acumulação de Capital”.

Na verdade, como disse o economista marxista Robert Kurz em um de seus escritos: “Desde meados dos anos 1970 se multiplicam os sinais de uma séria crise da reprodução do sistema mundial produtor de mercadorias. Taxas declinantes ou estagnadas; desemprego em massa e ‘estrutural’ crescentemente desacoplado dos ciclos conjunturais tanto nos países desenvolvidos da OCDE quanto na periferia do mercado mundial [...] Tudo isso, por sua vez, é superposto pela cada vez mais ameaçadora crise do ecossistema em escala planetária: do “buraco na camada de ozônio” à destruição das florestas tropicais da África e da Amazônia, da propagação das zonas desérticas à contaminação das cadeias alimentares, da destruição dos sistemas ecológicos internos como os do Mar do Norte, dos Alpes e do Mar Mediterrâneo até a irreversível contaminação dos solos e da água potável etc.” (Robert Kurz, “A Crise do Valor de Troca”). Dessa forma, em concordância com outros importantes autores marxistas da contemporaneidade, podemos perceber que a atual crise, ao contrário das anteriores correspondentes ao capitalismo em sua fase de ascenso, atinge a totalidade do regime burguês.

O pensador revolucionário István Mészáros ensina que: “[...] a crise do capital que experimentamos hoje é fundamentalmente uma crise estrutural. Assim, não há nada especial em associar-se capital a crise. Pelo contrário, crises de intensidade e duração variadas são o modo natural de existência do capital: são maneiras de progredir para além de suas barreiras imediatas e, desse modo, estender com dinamismo cruel sua esfera de operação e dominação.”(István Mészáros, “Para além do Capital”). E um pouco mais à frente Mészáros explicita a singularidade da atual crise que, segundo ele, possui um caráter universalizante, atingindo todas as esferas da reprodução social.

Pedindo já perdão ao leitor pelas longas citações-- que ao nosso juízo são essenciais para uma melhor compreensão do que ocorre na América Latina, tema de nosso texto-- segue Mészáros: “A novidade histórica da crise de hoje torna-se manifesta em quatro aspectos principais:

(1) Seu caráter é universal, em lugar de restrito a uma esfera particular (por exemplo, financeira ou comercial, ou afetando este ou aquele ramo particular de produção[...];

(2) Seu alcance é verdadeiramente global (no sentido mais literal e ameaçador do termo), em lugar de limitado a um conjunto particular de países (como foram todas as principais crises do passado);

(3) Sua escala de tempo é extensa, continua, se preferir, permanente, em lugar de limitada e cíclica, como foram todas as crises anteriores do capital;

(4) Em contraste com as erupções e os colapsos mais espetaculares e dramáticos do passado, seu modo de se desdobrar poderia ser chamado de rastejante, desde que acrescentemos a ressalva de que nem sequer as convulsões mais veementes ou violentas poderiam ser excluídas no que se refere ao futuro: a saber, quando a complexa maquinaria agora ativamente empenhada na ‘administração da crise’ e no ‘deslocamento’ mais ou menos temporário das crescentes contradições perder sua energia.”(Idem).

Pensamos que no geral, este seja o caldo de cultura do atual período de instabilidade e golpes de Estado envolvendo praticamente todos os países latinoamericanos. Isso não exclui, pelo contrário, se combina dialeticamente com as características próprias dos países em nosso continente, marcados pela dependência e subdesenvolvimento, tornando dessa forma os efeitos da crise orgânica do capitalismo mundial muito mais perversos em nossa Grande pátria.

Instabilidade, golpes e geopolítica do caos: a América Latina e o imperialismo diante da crise estrutural

AJUDA HUMANITÁRIA IMPERIALISTA


Nesta nova etapa do capitalismo mundial, marcado pela hegemonia do capital financeiro fictício, o padrão de acumulação que caracteriza os países latinoamericanos é justamente o neoliberalismo. O padrão de acumulação neoliberal é em si, a expressão da crise da produção de mais-valia, como consequência dos processos de intensificação da automação industrial poupadora de trabalho vivo, humano, o que Marx conceitualizou como o aumento da composição orgânica do capital.

O regime neoliberal de acumulação trás em seu bojo, o incrível incremento da superexploração dos trabalhadores, desemprego crônico, recrudescimento da transferência de valor e de riquezas dos países dependentes para as metrópoles imperialistas, pauperismo absoluto das massas trabalhadoras e das classes médias, intensificação da marginalização e “lupenização” de vasta parcela das massas populares e etc.

A América Latina vive entre os fins dos anos 1980 e inicio dos anos 1990, sua primeira onda neoliberal. Na época, o continente estava marcado pela crise da divida, fuga de capitais, desinvestimentos, grande estagnação econômica e etc. O imperialismo estadunidense e toda gangue representante do grande capital financeiro internacional e sua imprensa, aliados das oligarquias latinoamericas, viam sérios riscos quanto às suas condições de lucros e espólio. Nascia assim o famigerado Consenso de Washington, pilar da generalização neoliberal-neocolonial em nossa região.

Este período se caracteriza entre outras coisas pelo assalto descarado aos ativos estatais por parte das multinacionais, através das privatizações. Boa parte das conquistas sócias foram destruídas pela via das “reformas estruturais”: trabalhistas, previdenciárias, etc. Saindo dos sanguinários regimes militares, o continente foi dominado pela ditadura do “deus” mercado, onde nossos povos eram literalmente imolados nesse altar da barbárie.

Não tardou para que as revoltas operárias e populares colocassem um duro freio a esse genocídio social. Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador entre outros países, foram sacudidos por verdadeiros processos de insurreições e\ou explosões sociais, derrotando duramente os governos títeres da Casa Branca. Na sequencia, o continente hegemonizado politicamente pelos governos nacionalistas burgueses, colocaram certo freio nas políticas neoliberais. O crescimento da economia mundial no período, sobretudo a ascensão da China como importante ator e importador de matérias primas, estimulou a valorização dos produtos agrominerais, importante base de exportação de nossas economias dependentes.

Tal conjuntura “favorável”, permitiu relativa melhora nas contas externas de nossos países, transformados em importantes concessões aos povos trabalhadores e a pequena burguesia. No entanto, os pilares da dependência e do subdesenvolvimento jamais foram tocados pelos chamados governos “progressistas”. A submissão aos imperativos da divisão mundial do trabalho, a superexploração da força de trabalho, a crônica transferência de valor e riqueza para os países imperialistas não foram revertidos, apenas “aliviados”. Em suma, as relações de exploração e opressão se mantiveram com algum freio, mas em essência continuamos sendo países dependentes.

A América do Sul em particular, se distanciou relativamente do Consenso de Washington, criando a ALBA, ou fortalecendo outros fóruns de integração regional como o Mercosul. Além disso, houve no período uma importante aproximação de países adversários dos EUA no âmbito geopolítico como Rússia e China, além da constituição dos BRICS e sua relação com a América Latina, que na prática, embora sua moderação, afrontava na região a odiosa hegemonia da Casa Branca.

De forma muito sumária, podemos afirmar que tais fatores, conjugados com a explosão em 2007-2008 de mais um momento da crise estrutural do capitalismo mundial, foram determinantes para por fim ao período que se inicia no começo dos anos 2000 em nosso continente, abrindo assim as condições objetivas para a atual quadra de barbárie em nossos países.

O neocolonialismo imperialista e o Ascenso do fascismo


A América Latina vive atualmente um período de grande turbulência e caos econômico, político e social. A intensificação da crise mundial capitalista é a base do recrudescimento de todas as contradições que envolvem o capitalismo dependente.

A burguesia imperialista e seus sócios menores na America latina tem levado adiante, como resposta à crise, uma verdadeira reestruturação do capitalismo em nosso continente: as formas políticas e jurídicas sustentáculos dos regimes políticos, estão sendo transformadas, “adaptadas” dialeticamente às novas necessidades de acumulação. Podemos dizer que um “novo” patamar de acumulação, baseado num grau muito mais intenso de superexploração e dominação neocolonial, esta sendo gestado em toda a América Latina.

Fatores geopolíticos de primeira ordem também influem neste processo. A esse respeito, o imperialismo leva adiante uma verdadeira batalha de vida ou morte para minar a influencia de Rússia e China na região e estabelecer sua “nova” doutrina Monroe, através da dominação do Spectro Total, como dizia Moniz Bandeira . A luta pela sua hegemonia incontestável, pelo controle ferrenho de fontes de matéria prima e energéticos no continente, além da dominação de importantes reservatórios de água potável, são a base da atual ofensiva imperialista contra a América latina.

Semelhanças com o que fizeram no Oriente Médio não é mera coincidência: Washington tenciona trazer o caos planejado para a nossa região, através das chamadas “guerras hibridas”, ou seja, a intensificação de conflitos irregulares e indiretos, como tem demonstrado o importante estrategista Andrew Korybko. O papel desempenhado por exemplo, das igrejas neopentecostais nos atuais golpes de Estado no continente, em muito se assemelham as atuações fundamentalistas dos wahabitas sunitas islâmicos no Oriente Médio.

A militarização da região e o ascenso de agrupamentos fascistas tem sido outro instrumento mobilizado pela Cia e Mossad atualmente. Para levar adiante a espoliação radical de nossos povos, o grande capital imperialista tem de lançar mão de seu reservatório fascista contra as organizações de luta da classe trabalhadora e quebrar a resistência das massas.

A política de roubo e pilhagens do capital financeiro atualmente na America latina, somente pode ser conseguido até suas últimas consequências, através do terrorismo de Estado. O narco Estado colombiano é um modelo que os imperialistas planejam generalizar. O crescimento das milícias bolsonaristas no Brasil, suas relações com o narcotráfico, com as Policias Militares e com o alto Comando das Forças Armadas é sintomático disso. As repressões selvagens contra as massas no Chile e na Bolívia pelos golpistas fascistas, também são exemplos do que pode se generalizar no continente, tendo como caldo de cultura a intensificação da crise de dominação burguesa.

A América Latina Resiste!

OTAN - COMANDO SUL

Os povos latinoamericanos resistem bravamente aos bárbaros ataques das burguesias nativas e do imperialismo. Os trabalhadores chilenos são um exemplo a ser seguido por nossos povos. O recrudescimento das mobilizações contra o carniceiro Sebastian Piñera tem colocado a burguesia pinochetista chilena contra a parede e promovido uma verdadeira crise de dominação no país.

O povo boliviano, como em outros momentos históricos se levanta contra o golpismo em seu país. Os golpistas lupens, verdadeiros peões da Casa Branca, Jenine Áñez, “Macho” Camacho e toda a quadrilha que usurparam o governo boliviano tem de promover um genocídio de fato contra as massas, para garantir o roubo mais vil à nação em favor do capital estrangeiro.

Equador, Haiti e Argentina, dão mostras das tendências revolucionárias do povo latinoamericano no próximo período.
No Brasil, a classe trabalhadora deste país precisa entrar em cena e por abaixo a gerencia entreguista do bandido miliciano Jair Bolsonaro. Os trabalhadores brasileiros podem desestabilizar o jogo de forças na região e arrastar a America latina para um grande ascenso antiimperialista revolucionário; para isso precisam romper a camisa de força de suas direções hegemônicas, comprometidas com a estabilidade do regime burguês decadente.

De qualquer forma, não há no próximo período, qualquer sinal de recuperação consistente da economia capitalista. Pelo contrário, o que se vê no horizonte é o aprofundamento da crise estrutural e das consequentes turbulências políticas, que podem de fato generalizar na América Latina, a crise de dominação das burguesias nativas, fator que põe na ordem do dia a luta anti imperialista e a revolução socialista continental, em direção a Grande Pátria Latinoamerica Socialista!

OTAN
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domingo, 12 de março de 2023

A MÍDIA E A SUA NOVA LAVA JATO * Ângela Carrato/MG

 A MÍDIA E A SUA NOVA LAVA JATO

Ângela Carrato

Jornalista e professora do Departamento de Comunicação Social da UFMG


Qualquer pessoa razoavelmente informada e intelectualmente honesta sabe que o roubo do pré-sal brasileiro e o desmonte da Petrobras estão no cerne do golpe que depôs a presidenta Dilma Rousseff, em 2016. 


Sabe que essas ações foram a principal razão para que a Operação Lava Jato tentasse, por todas as maneiras, desmoralizar a principal empresa estatal brasileira e a maior da América Latina, e, sobretudo, se valesse de denúncias infundadas de corrupção, para derrubar Dilma, prender Lula e evitar que ele pudesse disputar as eleições de 2018, quando era franco favorito.


Sabe também que esse golpe não foi do tipo tradicional, com tanques nas ruas, como aconteceu no Brasil em 1964 e historicamente ao longo de décadas em países da região.


O golpe que depôs Dilma atende pelo nome de guerra híbrida, uma combinação de ações e guerras não convencionais para substituir governos em diversas partes do mundo. 


Os Estados Unidos não são os únicos, mas seguramente é o país que mais se valeu e continua se valendo deste tipo de expediente, para o qual conta com o apoio de setores da classe dominante dos países alvo e da mídia corporativa.


Na guerra híbrida, o objetivo é fomentar e manejar a opinião pública contra governos progressistas ou considerados adversários com vistas a depô-los para rapinar as riquezas nacionais sem que a participação do Tio Sam e de seus aliados fique evidenciada. 


Como não há crime perfeito, as digitais dos envolvidos acabam aparecendo. 


Se no golpe de 1964 foram necessárias várias décadas para que a atuação da Casa Branca ficasse amplamente comprovada, contra Lula e Dilma foi bem mais rápido. 


Em junho de 2019 vinham a público, através de vazamentos, as conversas entre o então juiz Sérgio Moro e o promotor federal Deltan Dallagnol, ambos da Operação Lava Jato, com setores do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ). 


Por essas conversas ficava evidente não só o interesse dos Estados Unidos na desmoralização e destruição da Petrobras, como o esforço para prender Lula e mantê-lo fora das eleições de 2018. 


Aos olhos de hoje, o objetivo é claro: se Lula fosse eleito naquele ano, como tudo indicava, o golpe de 2016 chegaria ao fim, pois ele desfaria as atrocidades cometidas por Michel Temer contra o pré-sal e a Petrobras e o governo neofascista de Jair Bolsonaro  nem teria existido.


Se uma das primeiras providências do golpista Temer foi entregar o pré-sal brasileiro para a exploração das multinacionais, isentando-as de impostos, e alterar a lei das estatais, retirando poderes do governo sobre a Petrobras, Bolsonaro aprofundou a destruição da empresa.


Foi sob o comando dele e de seu ministro da Economia, Paulo Guedes, que a Petrobras foi obrigada a privatizar, a preço de banana, vários de seus ativos, a exemplo de refinarias, gasodutos e da BR Distribuidora, além de ter adotado uma modalidade para cálculo do preço dos combustíveis que os elevou às alturas. 


Visando exclusivamente os interesses estrangeiros, a Petrobras passou a praticar uma política que a transformou em mera vendedora de petróleo cru e importadora de gasolina. Política profundamente lesiva aos interesses nacionais, uma vez que o Brasil é autossuficiente em petróleo e poderia continuar refinando-o aqui, como já fazia, ao invés de passar a importá-lo em preços dolarizados. 


Em meados do ano passado, por exemplo, o litro de gasolina chegou próximo a R$ 9,00 em várias capitais brasileiras. Esse valor só foi reduzido, por apenas 60 dias, às vésperas da eleição, porque Bolsonaro temia o impacto nas urnas.


Bolsonaro e seus apoiadores internos e externos apostaram tudo na vitória.  Inconformados com a derrota nas urnas, estimularam os atos terroristas de 8 de janeiro. 


Após a nova derrota, tentam, a partir de então, transformar Lula, neste terceiro governo, numa espécie de rainha da Inglaterra, aquela que reinava sem governar.


O caminho escolhido é o de acionar as “bombas” neoliberais deixadas em vários setores da economia,  com a finalidade de travar a retomada do crescimento e do desenvolvimento, jogando o Brasil numa estagnação ou mesmo recessão.


O caso da Petrobras é, sem dúvida, dos mais emblemáticos.


Uma das principais promessas de campanha de Lula foi a redução dos preços dos combustíveis, com o fim da PPI, a paridade de preços internacionais. 


Para o cidadão comum, bastaria Lula mudar a direção da Petrobras e o problema estaria resolvido. Porém, a situação é muito mais complexa e os golpistas e seus aliados já começam a explorá-la contra Lula.


A lei das estatais de 2016 retirou do governo federal os principais instrumentos para gerir a Petrobras, mesmo sendo o seu acionista majoritário. 


O nome indicado por Lula para presidir a empresa, Jean Paul Prates, só assumirá plenamente o cargo no final de abril, quando deverão ser escolhidos os diretores e novos integrantes para os conselhos de administração e fiscal. 


Até lá, a Petrobras continuará sendo comandada por bolsonaristas e da forma que interessa exclusivamente ao chamado “mercado”. 


Na prática os interesses de grandes fundos internacionais de investimentos como o Black Rock são os que continuam mandando e desmandando na empresa.


É isso que explica, por exemplo, o fato de em pleno governo Lula, a estatal manter o pagamento de dividendos astronômicos para seus acionistas e não dispor de orçamento para investimentos, mesmo tendo acabado de anunciar um lucro recorde de R$ 188,5 bilhões em 2022, o maior de sua história.


Os golpistas desvirtuaram de tal maneira o papel da Petrobras como empresa indutora do desenvolvimento, que sua participação no PIB brasileiro nos governos petistas foi de quase 18% e agora caiu para 6%  e continuará caindo, se Lula não conseguir estancar esta sangria e recuperar a empresa para os brasileiros.


Em várias oportunidades, Lula já se posicionou contra este tipo de rapinagem, lembrando que nenhuma empresa séria no mundo destina todo o seu lucro para pagamento de dividendos, sem se preocupar em fazer novos investimentos, sem se preocupar com pesquisa e inovação, especialmente numa área como a de energia, onde a concorrência é brutal.


Durante a cerimônia de lançamento do novo Programa Bolsa Família, Lula voltou ao assunto, renovando não só suas críticas, mas deixando claro que em seu governo a Petrobras retomará o papel para o qual foi criada. Vale dizer: uma empresa pautada pela inovação e pelo desenvolvimento nacional.


Se o Brasil tivesse uma mídia corporativa minimamente comprometida com esses interesses, era para a situação da Petrobras estar sendo mostrada, em detalhes, para a população, bem como os esforços de Lula para recuperá-la.


Como historicamente esta mídia sempre jogou a favor dos interesses internacionais,  agora  ela oscila entre esconder do respeitável público o que se passa ou distorcer a realidade para divulgar apenas o que lhe é conveniente. 


Os telejornais da Globo e da Record, por exemplo, não fazem qualquer referência às críticas de Lula à situação atual da Petrobras, enquanto jornais diários criticam "interferências" do governo na empresa e  abertamente combatem qualquer mudança na politica de distribuição de dividendos.


Pior ainda. A mídia corporativa brasileira faz de tudo para destacar o lucro recorde da empresa como algo extremamente positivo, sem qualquer alusão às condições em que se deu.


As manchetes e notícias de jornais como O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo descontextualizam a situação de tal forma, que induzem o leitor a pensar que se a empresa teve lucro recorde, tudo vai às mil maravilhas e o governo Lula não tem nada para mudar ali. 


Não é dito, por exemplo, que esse lucro só foi conseguido a custa da venda de ativos  da empresa e dos preços astronômicos dos combustíveis. 


Os dividendos bilionários que os grandes acionistas receberam se devem aos altíssimos preços pagos pela população pelos combustíveis.


Com esta absurda transferência de renda, meia dúzia de bilionários ficam cada vez mais ricos à custa da pobreza e da miséria de amplos setores da população brasileira.


O festival de canalhices contra a Petrobras teve sequência,  quando da primeira entrevista coletiva do seu novo presidente.


A mídia corporativa estava presente em peso - só do grupo Globo havia cinco repórteres. Todos perguntaram as mesmas coisas: a nova gestão pretende mudar a política de preços? Como fica o pagamento dos dividendos? 


Não se ouviu uma pergunta sequer sobre as propostas do novo dirigente ou sobre os seus planos para a empresa. 


Nada. 


A única coisa que interessava aos repórteres, na realidade aos seus patrões, era saber se os acionistas continuarão recebendo os dividendos tal como vem acontecendo.


Para um toque mais canalha ainda, o jornal o Globo, em editorial, na sexta-feira (3/3) praticamente ameaçou o presidente Lula com o extermínio de sua popularidade, caso insista na defesa da retomada da Petrobras para o povo brasileiro.


Minha surpresa em relação a esse tipo de atitude da mídia corporativa brasileira é zero. 


Desde sempre estes “barões da mídia” estiveram ao lado dos lobbies internacionais e contra o Brasil quando o assunto é petróleo, Petrobras e desenvolvimento nacional. 


Assis Chateaubriand e Roberto Marinho, adversários nos negócios, se uniram nas décadas de 1950 e 1960 no combate à criação da Petrobras e ao seu desenvolvimento. 


Uma das razões do suicídio de Getúlio Vargas foram as pressões que passou a enfrentar, por ter criado a empresa, em outubro de 1953. 


Uma das razões do golpe contra João Goulart, em 1964, foi a lei da remessa de lucros aprovada em seu governo, que inverteu a política econômica dos anos anteriores, que dava tratamento privilegiado aos capitais estrangeiros.


Pelo visto, a mídia corporativa brasileira, Grupo Globo à frente, reassume o papel de porta-voz, que nunca abandonou, dos lobbies internacionais e da “casa grande” e, na cara dura, ameaça Lula.


Vale destacar que no episódio das joias dadas pelo governo saudita à Michelle e a Bolsonaro, a mídia corporativa insiste em tratar como "presentes" o que é  descaradamente propina.


Não existe presente no valor de mais de R$ 16 milhões! E, por qual razão, o governo saudita presentearia a família Bolsonaro com joias tão valiosas? 


Além de não mencionar em momento algum o termo propina, não ocorreu à  mídia corporativa brasileira atentar para uma coincidência basica: os tais presentes aconteceram no exato momento em que Bolsonaro privatizava, por menos da metade do seu valor, a refinaria Landulfo Alves, que pertencia à  Petrobras e foi comprada por um fundo de investimento árabe.


A Federação Única dos Petroleiros (FUP) tem feito esta denúncia e exigido apuração.


Como a mídia corporativa reage? Começa a tirar o caso das joias das manchetes e volta para o que realmente lhe interessa: apontar riscos para uma recessão em 2023, ao mesmo tempo em que ressalta que 2022 foi um ótimo ano para a economia brasileira.


Dispensável dizer que o objetivo é criticar a política econômica de Lula e rasgar elogios para a atuação do ultraneoliberal Paulo Guedes.


Mais uma vez, minha surpresa é zero.


Tudo leva a crer que a mídia brasileira, Globo à  frente, sonha em retomar uma espécie de Operação Lava Jato em nova roupagem, para tentar obrigar o governo a manter a Petrobras como "vaca leiteira" dos oligarcas nacionais e internacionais.


Espero que Lula esteja bem consciente e preparado para o tamanho da guerra que o aguarda.


Espero, igualmente, que a população brasileira, depois de tudo o que sofreu nos últimos seis anos, não caia novamente no canto da sereia da mídia golpista.


 Não há fim à vista para a guerra híbrida no Brasil. Onde andam as forças populares e esquerda para fazer este debate, organizar e mobilizar o povo em defesa da soberania e do desenvolvimento nacional?


sábado, 14 de janeiro de 2023

É HORA DE AÇÃO DEFINITIVA CONTRA O TERROR * Gilberto Maringoni/ GGN

É HORA DE AÇÃO DEFINITIVA CONTRA O TERROR

Gilberto Maringoni/ GGN
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Arnold Schwarzenegger antifascista

1. É possível que as corajosas medidas até aqui tomadas contra o terrorismo de extrema direita que detonou a sede física dos três Poderes no último domingo sejam insuficientes para deter o perigo real. Há um problema permanente a ser enfrentado e contemporizações apenas adiam o problema. Teria chegado a hora de uma ação mais incisiva? A resposta não é fácil.

2. A ameaça golpista/terrorista foi momentaneamente isolada, debelada e derrotada. Sublinhe-se o “momentaneamente”. A prisão de cerca de 1500 terroristas, a maioria lúmpens e zés e marias-ninguéns (a base social do fascismo, como sublinhava há oito décadas Wilhelm Reich) é algo relativamente fácil de se fazer. Intervir em um ente federado e afastar sua cúpula política e de segurança representa um grau acima na ousadia do poder central. Em breve, financiadores espalhados pelo país chegarão às barras dos tribunais. São medidas ousadas, mas não de todo inéditas por aqui. Falta algo mais.

3. A crise foi momentaneamente debelada, mas a brasa não está adormecida. O guizo da serpente fascista continua ressoando na institucionalidade. E seguirá em frente porque a cabine de comando da sedição não foi sequer responsabilizada, embora todos saibam de onde parte a intentona subversiva.

4. Ela vem de dentro do Estado brasileiro, mais precisamente de onde partiram todas as rupturas institucionais e ataques à democracia no Brasil desde o início da República. Ela parte dos porões do Exército brasileiro, secundados pela Aeronáutica e pela Marinha. Mais de 70 dias de complacência com acampamentos – celeiros de terroristas – em suas calçadas são a evidência mais completa do que todos sabem. Um ataque coordenado nacionalmente como o de domingo (8) não ocorre sem forte apoio estatal.

5. Toda a hesitação do poder civil em investigar generais e oficiais envolvidos na patranha terrorista tem um motivo: o medo. É difícil encarar quem tem a força das armas e nenhum tipo de contenção civilizada à sua frente, dada à rarefeita educação cívica promovida por escolas militares que exaltam o golpe de 1964 até hoje.

6. Empoderado – desculpem o palavrão – no governo Bolsonaro, esse setor do funcionalismo público jamais se submeteu ao poder civil eleito. Sempre que comandou o Estado, produziu atentados contra a vida de brasileiros sem conta, acobertou crimes variados, lambuzou-se em sinecuras, exibiu um patriotismo de fancaria e jamais permitiu que a luz do sol iluminasse completamente atos e fatos sob sua guarida. Na gestão Bolsonaro, tornou-se cúmplice ativo da política genocida perpetrada durante a pandemia. Não é à toa que transparência seja palavra maldita entre quem pouco cumpre a função constitucional de defender o país de ameaças externas.

7. Mas o medo que impede o poder democrático de enquadrar os militares não é um medo pessoal. É um medo cívico e político e – em muitos casos – justificável. Ninguém enfrenta ninguém armado até os dentes em situação desfavorável.

8. O que temos nesses dias iniciais de janeiro? Após a espetacular vitória da frente liderada por Lula, tiveram início dois tipos de disputa. A primeira, pelos rumos econômicos do governo. Ameaças abertas de todas as farias limas, ecoadas em oceânicos decibéis pela mídia, davam conta do desastre iminente se a nova gestão resolvesse investir parcela ínfima do orçamento para matar a fome do povo. Logo após a exuberante festa de posse, a chantagem se escancarou. O "mercado" testou diariamente Lula e seus ministros a cada declaração dada, com altas artificiais do dólar e quedas forçadas da bolsa, tudo secundado pela algaravia de editoriais e comentaristas de TV.

9. A segunda disputa, materializada no terror militar, aflorou - para o grande público - de surpresa na tarde de domingo. Houve falha - inépcia, conluio, sabotagem - do aparato de segurança na proteção do palácio. Ao fim do dia, evidenciou-se que um setor castrense havia tentado colocar a faca no pescoço do governo. A brutalidade da balbúrdia isolou tais setores no mundo político.

10. Lula moveu-se com extrema habilidade no dia dos ataques. Sua primeira manifestação, em Araraquara, foi tensa e incisiva: decretou intervenção na Segurança do DF. Logo foi secundado por Alexandre Moraes, que afastou o governador.

11. No dia seguinte, o presidente tratou de ampliar o arco de forças antiterror. Chamou reuniões com os poderes, com o ministro da Defesa e com os comandantes das Armas e com os governadores. Nessa última, deu um show. Sabendo da diversidade entre os chefes de Executivos estaduais, correu riscos. Até o meio da tarde de segunda. Tarcízio e Ratinho Jr. desafiaram sua autoridade, ameaçando boicotar o encontro. Algum assessor de bom senso deve ter-lhes assoprado nos ouvidos que daria merda: poderiam ser acusados de coniventes com o terrorismo;

12. A dinâmica imposta por Lula à reunião foi habilíssima: primeiro fala quem quer - até o Aras! - e depois falo eu. Com imensa sensibilidade, sentiu o clima e fez o mais duro discurso desde a posse. Acusou a PM-DF, setores militares, financiadores etc. etc. e teve uma sacada genial: "Essa gente não tem pauta, não quer salário, não quer verba. A pauta é o golpe". E fez - desde domingo - o que nunca antes da história desse país havia feito: reivindicou a esquerda e acusou pesadamente a direita. Um tremendo avanço em relação aos seus governos anteriores. A partir daí, a marcha até o STF foi gol atrás de gol;

13. Objetivamente, Lula isolou o fascismo. Por enquanto, vale sublinhar. Mas é preciso atentar para o fato de que nunca houve condições objetivas tão boas para efetuar uma mudança na Defesa e na cúpula militar (Comandante do EB, chefe da segurança do Palácio e GSI). O Exército se desmoralizou ainda mais ao evidenciar sua lassidão cúmplice com a balbúrdia destruidora. Não se trata de disputa política abstrata. Concretamente, com essa gente no comando, a segurança dos poderes está para lá de vulnerável, o que inclui a própria vida do presidente. Os terroristas cometeram imenso erro tático: ao invés de atacar apenas o Planalto, atacaram os 3 poderes, o que socializa o perigo da insegurança entre todos;

14. A solução das tensões só virá com uma ofensiva rápida, clara e incisiva do poder cidadão sobre o poder das armas. É o momento ideal? Talvez o momento ideal não exista, mas condições tão favoráveis como nos dias que correm nunca existiram. Há perigo de reações violentas? Há. Mas elas aconteceram também sem afronta alguma.

15. Para começar a fechar este texto já meio longo, uma historinha. Logo após o fracassado golpe de 11 a 13 de abril de 2002 na Venezuela, houve uma grita para que Hugo Chávez cortasse cabeças no alto comando das FFAA, envolvidas até o talo na empreitada. O presidente não agiu de imediato. Decidiu esperar até o início de julho, para sentir a situação. A data coincidia com o calendário de promoções e exonerações (passagem para a reserva) dos oficiais. Ali o ex-coronel foi implacável.

16. Difícil comparar as situações, é verdade. Mas entre abril e julho, Chávez fez um escarcéu, mantendo a denúncia do golpe quente na conjuntura. Assim, os meses que se passaram não diluiram a conspirata; ao contrário. Ele aumentou sua legitimidade, ampliou programas sociais (em especial o de médicos cubanos) e fez as destituições sem gritaria. O tempo cronológico se alongou, mas o tempo político foi curto.

17. Como dito no início, há duas disputas e duas tentativas de tutela sobre o governo Lula III, a dos militares e a da Faria Lima. Elas são inseparáveis, embora tenham embocaduras diferentes. As frentes políticas para o enfrentamento de cada uma são distintas; é ampla na defesa da democracia e restrita no combate ao neoliberalismo. Essa é a equação a ser levada em conta para colocar os problemas em fila e partir para sua resolução.

18. Lula nunca esteve tão forte politicamente. Há uma frente mundial antifascista em formação, com olhos focados no Brasil. Os atos populares contra o terror, na segunda, foram muito expressivos, levando-se em conta o exíguo tempo de convocação. Trava-se no Brasil uma disputa global, que se expressa no trumpismo, nos EUA, na Frente Nacional, na França, nos Fratelli, na Itália e em dezenas de países. A situação latino-americana é tensa, nos enfrentamentos da democracia com o extremismo de direita.

19. Há dois grandes estrategistas no governo, Lula e Alckmin, cada um com seu estilo. E há a coragem sempre surpreendente de Gleisi Hoffman. Torço para que os três, entre outros/as, com melhores capacidades, legitimidade e informações do que um simples palpiteiro de teclado cheguem à conclusão que a hora de resolver uma chaga histórica na democracia brasileira é agora. Passar o pano não é apenas inútil, como apenas adiará um problema que voltará ampliado em breve. E talvez, mais adiante, as condições de enfrentamento não sejam tão boas como agora. 

BOZONOVELA
Estrelando Regina Duarte e grande elenco.