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sexta-feira, 18 de abril de 2025

Massacre de Eldorado do Carajás * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

MASSACRE DE ELDORADO DO CARAJÁS
Airton Souza nasceu em Marabá e publicou em 2023 o livro Outono de Carne Estranha, premiado pelo Sesc de melhor romance do ano. 
Quinta, 17 de abril de 2025
Neste 17 de abril se completam 29 anos do dia que a PM do Pará matou 21 sem-terra

Outono de Carne Estranha, romance premiado do escritor marabaense Airton Souza, é um relato ficcional, com altos traços de realidade, sobre a crise humanitária que foi Serra Pelada, entre o final dos anos 1970 e início dos 1980.

Segundo o autor, a obra é inspirada nas memórias do seu pai, que atuou como garimpeiro na região, e também da sua mãe, mais uma das migrantes atraída pelos relatos de fartura e abundância que levaram o Brasil à febre do ouro.

A inquietação para o livro veio de uma percepção do escritor de como major Curió, que foi designado como gestor do garimpo pela ditadura, não foi devidamente reconhecido como um torturador nas diversas produções que contam a história de Serra Pelada.

“Isso me levou a escrever essa história e fazer esse recorte para também mostrar essa face horrenda ou esse modo de poder exercido por esse personagem real e que no romance é ficcionalizado”, explica em entrevista ao Conversa Bem Viver desta quinta-feira (17), quando se completam 29 anos do Massacre de Eldorado do Carajás.

Para Airton Souza, mesmo separados por quase duas décadas, os dois episódios são intimamente ligados e indissociáveis. Cerca de 50 quilômetros separam a Curva do S, onde a polícia executou os 21 sem-terra, da Serra Pelada.

Mas, para além da proximidade geográfica, o que liga os dois acontecimento é a perpetuação da violência e o “estado de barbárie”, que segundo Airton Souza segue predominante na região sudoeste do Pará.

“Isso é barbárie, a região vive esse isolamento não só geográfico, mas o isolamento de todos os níveis que você possa imaginar. Isolamento cultural, social, histórico. E isso é proposital. É proposital justamente por conta das riquezas que a região tem. Isso tem a ver com essa apropriação dessas riquezas também.”

Confira a entrevista na íntegra:

Conversa Bem Viver: Você relaciona esses dois episódios, Serra Pelada e o Massacre do Carajás?

Airton Souza: Esses dois episódios, realmente, fazem parte de um contexto histórico da região sudoeste do Pará e eles estão intimamente ligados. Um tem a ver com o outro.

Sobretudo quando se descobre o garimpo, já no final da década de 1970 e início da década de 1980. Esse povoamento exacerbado da região vai provocar, no final das contas também, o nascimento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra [MST] na região.

Vai ampliar a luta pela terra por conta dessa grande quantidade de pessoas que vão vir à região. Então são dois episódios que estão intimamente ligados.

Antes de desenvolver mais essa sua ideia, conta pra gente qual a sua relação com Serra Pelada. Como ela fez parte da sua vida?

O meu livro Outono de Carne Estranha é parte da minha experiência com o garimpo de modo indireto, porque meu pai foi garimpeiro de Serra Pelada e minha mãe fugiu de casa no Maranhão também por conta das notícias do garimpo, ela era uma menina de 17 anos de idade.

O garimpo é uma espécie de ferida que atravessou a minha família inteira, atravessou a nossa casa o tempo todo e a maneira que eu encontrei pra mostrar essa ferida aberta foi escrever um romance.

O garimpo assombrou a nossa casa a vida toda.

O livro faz esse relato da Serra Pelada a partir da história de dois garimpeiros que têm um relacionamento homoafetivo. Por que você escolheu esse recorte?

O recorte parte, principalmente, da experiência dos meus pais. Mas tinha uma coisa que me incomodava muito, que continua me incomodando na história do do Brasil, principalmente ligada ao garimpo de Serra Pelada.

Que é a nuance de esconder os principais personagens que criaram o horror na região.

Então você tem várias produções sobre o garimpo, incluindo livros, incluindo filmes, documentários, matérias de jornais e em todos os casos tem uma figura muito emblemática que fica escondida por trás de toda essa produção e que deveria ser, na verdade, a figura de linha de frente.

Que é o major Curió. Então eu tinha essa inquietação, porque eu não conseguia enxergar nessas produções sobre o garimpo esse sujeito que era a representação do poder governamental na região sudeste do Pará.

Então isso também me levou a escrever essa história e fazer esse recorte para também mostrar essa face horrenda ou esse modo de poder exercido por esse personagem real e que no romance ele é ficcionalizado.

Então provavelmente é uma das primeiras produções ligadas à arte que você vai ter a representação desse sujeito.

O major Curió é a representação do Estado na região. Então ele é a representação do poder. E todas as mazelas que vão surgir e que vão se perpetuar na região, elas devem justamente essa relação de poder entre o Estado e a sociedade.

E eu precisava contar essa história para mostrar como essa máquina de poder agia na região, a partir de execuções, de tortura, a partir de ameaça, de ocupação dos espaços e de ocupação do discurso também.

A chegada do major Curió em Serra Pelada acontece nos últimos anos de ditadura militar, próximo a chamada transição democrática, mas ainda era ditadura. Te parece que tudo que aconteceu, todas essas cenas de horror e tortura, só aconteceram porque ainda vivíamos ditadura militar?

Essa é uma boa pergunta e tem uma resposta também muito boa. Provavelmente, aconteceria da mesma forma.

Porque a região de um modo geral ainda é uma região isolada. E não me refiro ao isolamento territorial, ao isolamento geográfico.

Mas há um isolamento feito dessa região que parte também do pensamento, da intelectualidade.

A nossa região é vista ainda como um espaço selvagem. Então, provavelmente, mesmo que a gente tivesse diante de um governo democrático, essa história também teria se dado nesse contorno de violência.

Porque se você pegar os índices de violência que acontecem no Brasil e fazer uma comparação por região, você vai ver que nós vivemos em uma na região de barbárie, numa região muito, muito problemática.

Não há um exemplo maior para mostrar para você como o Massacre do Carajás. Nós estávamos em um momento democrático, de retomada da democracia, já tinha havido eleições e mesmo assim você tem o Estado brasileiro assassinando 21 trabalhadores sem-terra, assassinados ao vivo, sendo transmitido ao vivo pela TV.

Isso é barbárie, a região vive esse isolamento não só geográfico, mas o isolamento de todos os níveis que você possa imaginar. Isolamento cultural, social, histórico. E isso é proposital.

Isso é proposital justamente por conta das riquezas que a região tem e que isso tem a ver com essa apropriação dessas riquezas também.

Te ouvindo, fiquei com a sensação que você está dizendo que a violência legitimada durante a Serra Pelada foi o combustível para que Carajás fosse possível…

É isso. Eu sempre enxerguei os dois episódios muito intimamente ligados. Depois que o garimpo surge, todas as lógicas que vão acontecer na região se dão a partir disso.

Então, eu nunca consegui desassociar essa ideia. A partir disso está vindo um novo romance meu que se passa no contexto do Massacre de Eldorado do Carajás, ele termina naquela cena do Massacre.

Importante comentar que toda essa barbárie foi implantada na região antes de tudo disso, a partir da década de 60, com a abertura das rodovias. São coisas que foram criando esses mecanismos de violência de modo mais efetivo.

A partir de tudo isso, como você define seu sentimento sobre o garimpo? É ódio, raiva?

Na verdade, eu nem sei explicar, porque é uma mistura, é uma mistura de sentimentos

Até por conta de eu ter nascido nessa região…eu devo isso também ao garimpo, em parte.

Dizer que eu sinto ódio, sinto raiva, seria um pouco raso da minha parte, porque foi o espaço também que configurou a relação amorosa entre meu pai e minha mãe. Foi o que gerou um aspecto de sobrevivência, não só para eles, mas para os filhos também deles.

Em diferentes horários, de segunda a sexta-feira, o programa é transmitido na Rádio Super de Sorocaba (SP); Rádio Palermo (SP); Rádio Cantareira (SP); Rádio Interativa, de Senador Alexandre Costa (MA); Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, de São João do Piauí (PI); Rádio Terra Livre (MST), de Abelardo Luz (SC); Rádio Timbira, de São Luís (MA); Rádio Terra Livre de Hulha Negra (RN), Rádio Camponesa, em Itapeva (SP), Rádio Onda FM, de Novo Cruzeiro (MG), Rádio Pife, de Brasília (DF), Rádio Cidade, de João Pessoa (PB), Rádio Palermo (SP), Rádio Torres Cidade (RS); Rádio Cantareira (SP); Rádio Keraz; Web Rádio Studio F; Rádio Seguros MA; Rádio Iguaçu FM; Rádio Unidade Digital ; Rádio Cidade Classic HIts; Playlisten; Rádio Cidade; Web Rádio Apocalipse; Rádio; Alternativa Sul FM; Alberto dos Anjos; Rádio Voz da Cidade; Rádio Nativa FM; Rádio News 77; Web Rádio Líder Baixio; Rádio Super Nova; Rádio Ribeirinha Libertadora; Uruguaiana FM; Serra Azul FM; Folha 390; Rádio Chapada FM; Rbn; Web Rádio Mombassom; Fogão 24 Horas; Web Rádio Brisa; Rádio Palermo; Rádio Web Estação Mirim; Rádio Líder; Nova Geração; Ana Terra FM; Rádio Metropolitana de Piracicaba; Rádio Alternativa FM; Rádio Web Torres Cidade; Objetiva Cast; DMnews Web Rádio; Criativa Web Rádio; Rádio Notícias; Topmix Digital MS; Rádio Oriental Sul; Mogiana Web; Rádio Atalaia FM Rio; Rádio Vila Mix; Web Rádio Palmeira; Web Rádio Travessia; Rádio Millennium; Rádio EsportesNet; Rádio Altura FM; Web Rádio Cidade; Rádio Viva a Vida; Rádio Regional Vale FM; Rádio Gerasom; Coruja Web; Vale do Tempo; Servo do Rei; Rádio Best Sound; Rádio Lagoa Azul; Rádio Show Livre; Web Rádio Sintonizando os Corações; Rádio Campos Belos; Rádio Mundial; Clic Rádio Porto Alegre; Web Rádio Rosana; Rádio Cidade Light; União FM; Rádio Araras FM; Rádios Educadora e Transamérica; Rádio Jerônimo; Web Rádio Imaculado Coração; Rede Líder Web; Rádio Club; Rede dos Trabalhadores; Angelu’Song; Web Rádio Nacional; Rádio SINTSEPANSA; Luz News; Montanha Rádio; Rede Vida Brasil; Rádio Broto FM; Rádio Campestre; Rádio Profética Gospel; Chip i7 FM; Rádio Breganejo; Rádio Web Live; Ldnews; Rádio Clube Campos Novos; Rádio Terra Viva; Rádio interativa; Cristofm.net; Rádio Master Net; Rádio Barreto Web; Radio RockChat; Rádio Happiness; Mex FM; Voadeira Rádio Web; Lully FM; Web Rádionin; Rádio Interação; Web Rádio Engeforest; Web Rádio Pentecoste; Web Rádio Liverock; Web Rádio Fatos; Rádio Augusto Barbosa Online; Super FM; Rádio Interação Arcoverde; Rádio; Independência Recife; Rádio Cidadania FM; Web Rádio 102; Web Rádio Fonte da Vida; Rádio Web Studio P; São José Web Rádio – Prados (MG); Webrádio Cultura de Santa Maria; Web Rádio Universo Livre; Rádio Villa; Rádio Farol FM; Viva FM; Rádio Interativa de Jequitinhonha; Estilo – WebRádio; Rede Nova Sat FM; Rádio Comunitária Impacto 87,9FM; Web Rádio DNA Brasil; Nova onda FM; Cabn; Leal FM; Rádio Itapetininga; Rádio Vidas; Primeflashits; Rádio Deus Vivo; Rádio Cuieiras FM; Rádio Comunitária Tupancy; Sete News; Moreno Rádio Web; Rádio Web Esperança; Vila Boa FM; Novataweb; Rural FM Web; Bela Vista Web; Rádio Senzala; Rádio Pagu; Rádio Santidade; M’ysa; Criativa FM de Capitólio; Rádio Nordeste da Bahia; Rádio Central; Rádio VHV; Cultura1 Web Rádio; Rádio da Rua; Web Music; Piedade FM; Rádio 94 FM Itararé; Rádio Luna Rio; Mar Azul FM; Rádio Web Piauí; Savic; Web Rádio Link; EG Link; Web Rádio Brasil Sertaneja; Web Rádio Sindviarios/CUT.

O programa de rádio Bem Viver vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 11h às 12h, com reprise aos domingos, às 10h, na Rádio Brasil de Fato. A sintonia é 98,9 FM na Grande São Paulo. A versão em vídeo é semanal e vai ao ar aos sábados a partir das 13h30 no YouTube do Brasil de Fato e TVs retransmissoras: Basta clicar aqui.

A programação também fica disponível na Rádio Brasil de Fato, das 11h às 12h, de segunda a sexta-feira. O programa Bem Viver está nas plataformas: Spotify, Google Podcasts, Itunes, Pocket Casts e Deezer.

Assim como os demais conteúdos, o Brasil de Fato disponibiliza o programa Bem Viver de forma gratuita para rádios comunitárias, rádios-poste e outras emissoras que manifestarem interesse em veicular o conteúdo. Para ser incluído na nossa lista de distribuição, entre em contato por meio do formulário.

Massacre de Eldorado do Carajás segue impune há 29 anos
BRASIL DE FATO

Nos anos 90, um massacre marcou para sempre a luta dos trabalhadores rurais no Brasil. Em Eldorado do Carajás, no Pará, 21 camponeses foram mortos pela polícia durante uma manifestação. Foi uma das ações mais violentas do Estado contra o povo do campo — e o mundo todo ficou sabendo. Hoje, 29 anos depois, a memória das vítimas segue viva através de homenagens, protestos e resistência.

terça-feira, 4 de março de 2025

COM LUTA, COM GARRA, TERRA SÓ NA MARRA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

COM LUTA, COM GARRA, TERRA SÓ NA MARRA
"Famílias acampadas à espera de um lote de terra para cultivar. Pará, Mato Grosso do Sul e Bahia são os estados com famílias esperando (Mapa: Rodrigo Bento/Repórter Brasil)

O Brasil tem pelo menos 145.100 famílias acampadas à espera de um lote de terra para cultivar. O número foi levantado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e obtido pela Repórter Brasil por meio da Lei de Acesso à Informação.

A pesquisa revela que há mais pessoas militando por terras do que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o próprio MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) pensavam. Até então, o movimento estimava cerca de 100 mil famílias acampadas.

Este é o primeiro dado oficial sobre a demanda nacional por assentamentos e atende a uma determinação do presidente Lula, expressa em decreto assinado em agosto de 2023. Segundo o levantamento, são 2.045 acampamentos de sem-terra no país.

Para o governo federal, as operações de combate a garimpos ilegais e para desintrusão de terras indígenas na Amazônia contribuíram para o aumento do número de acampados, já que milhares de trabalhadores teriam sido retirados dessas cadeias econômicas ilegais.

Já lideranças do MST apontam outros motivos. Eles afirmam que famílias pobres de zonas urbanas estão migrando para o campo em busca de melhores condições de vida. Além disso, o movimento critica a política de reforma agrária do governo e diz que o total de novos assentamentos é insuficiente para a demanda.

Até o final de 2024, o governo informava ter assentado 71 mil famílias, mas o MST diz que os dados são inflados, pois o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) contabiliza não só as famílias alocadas em terras novas (que seriam apenas 5.800), mas também as famílias que já estavam em lotes e passaram por processos de “regularização” ou “reconhecimento”. As 5.800 famílias assentadas, portanto, representariam apenas 4% da demanda total de acampados no país.

O Pará é o estado com a maior demanda por terra, com 29 mil famílias acampadas. De acordo com o Incra, no maior acampamento do Brasil, o Terra e Liberdade, em Parauapebas (PA), há pelo menos 3.500 famílias ligadas ao MST à espera de terra.

Muitas pessoas que compõem a demanda da reforma agrária são, na verdade, ex-moradores de cidades brasileiras pobres, que decidiram migrar em busca de melhores oportunidades de trabalho em municípios grandes, mas não as encontraram e, em vez de se estabelecerem em favelas, aderiram aos acampamentos.

Parauapebas-PA, por exemplo, é um centro de atração de migrantes. A população do município cresceu 73% entre 2010 e 2022, segundo o Censo de 2022, passando de 153 mil para 263 mil habitantes. É hoje uma das maiores cidades do estado. A migração para lá é explicada pelo aumento da atividade de mineração. No município está a mina de Carajás, explorada pela Vale. Mas o trabalho da multinacional não garante empregos nem desenvolvimento para Parauapebas.

Os maiores acampamentos do país e os locais onde mais crescem são justamente nos territórios em que projetos extrativistas, de produção de commodities minerais e agrícolas, mais avançam.

A luta pela reforma agrária sob o controle dos trabalhadores deve ser acompanda pela transformação das grandes empresas capitalistas do campo em propriedade social do povo brasileiro. Pois, o latiifúndio é a outra perna do capitalismo no campo. É preciso que as direções dos movimentos camponês, sindical e popular levantem essa bandeira.

Fonte: https://reporterbrasil.org.br/2025/02/brasil-familias-acampadas-reforma-agraria/ "
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terça-feira, 7 de março de 2023

LIBERDADE PARA ZÉ RAINHA E LUCIANO DE LIMA * FASUBRA SINDICAL

LIBERDADE PARA ZÉ RAINHA E LUCIANO DE LIMA

Nota da FASUBRA pela liberdade de Zé Rainha e Luciano de Lima
Março de 2023

“Mas, apesar de tudo isso
O latifúndio é feito um inço
Que precisa acabar
Romper as cercas da ignorância
Que produz a intolerância
Terra é de quem plantar”

Pedro Munhoz, Canção da Terra

Na tarde deste sábado dois companheiros de muitas lutas, linha de frente das batalhas pela reforma agrária foram presos na cidade de Mirante do Paranapanema. Em uma região de histórica violência de latifundiários que invadem terras públicas e as tomam com força das armas.

Os companheiros José Rainha e Luciano de Lima fazem parte da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade, movimento que coordenou várias manifestações e ocupação em defesa da reforma agrária nas últimas semanas na região e em outras localidades do país.

Lutar não é crime, seja por salário, emprego, terra ou liberdade.

A FASUBRA é contra a criminalização dos movimentos sociais e defende que os companheiros possam responder em liberdade, denunciado esta ação do estado de São Paulo como uma prisão política, que não se sustenta juridicamente.

A reforma agrária é mais necessária do que nunca, para trazer trabalho, renda e alimento saudável para a população, para mudar um país onde milhões estão passando fome, o cenário do mundo do trabalho é cada vez mais de redução de direitos, os investimentos nos serviços públicos que atendem a população foram drasticamente reduzidos nos últimos anos.

O predomínio do latifúndio no Brasil é um dos maiores responsáveis pela grande desigualdade social do país. Não há explicação que se sustente para concentrar tanta terra nas mãos de poucos que não seja a necessidade de perpetuar miséria, fome e violência para o lucro de uma minoria.

Reforma agrária Já
Liberdade para José Rainha e Luciano de Lima

FASUBRA SINDICAL
MARÇO DE 2023
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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Elizabeth Teixeira vive e luta * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

*ELIZABETH TEIXEIRA VIVE E LUTA*

ELIZABETH TEIXEIRA

CABRAL MARCADO PRA MORRER


O filme, de autoria do cineasta e documentarista Ronaldo Coutinho, retrata a história de João Pedro Teixeira, líder camponês assassinado pelo latifúndio.
*

Esta data, 28/9, é o 94º aniversário de uma das mulheres mais importantes na história da luta camponesa do Brasil, a paraibana  Elizabeth Teixeira! 

Líder camponesa que, após o assassinato do seu BB companheiro João Pedro Teixeira, recusou o convite de Fidel Castro para viver em Cuba com seus filhos para dar continuidade à luta  pela Reforma Agrária.  Foi presa por várias vezes e, numa delas, retorna à casa para se deparar com a tragédia do suicídio da filha mais velha, que não suportou conviver com a possibilidade de a mãe ter o mesmo destino do pai.


Em 1964, com a instalação do regime Militar, Elizabeth é presa pelo Exército e passa oito meses na cadeia. Na volta, precisa fugir para não ser morta. Muda  de cidade e nome, com apenas um dos 11 filhos – Carlos, que é rejeitado pelo avô por se parecer muito com o pai. Passa 17 anos afastada da família, vivendo com a identidade de Marta Maria da Costa.


Permaneceu clandestina até 1981, quando foi encontrada pelo cineasta Eduardo Coutinho, que retomara as filmagens de seu documentário Cabra Marcado para Morrer. Foi morar em João Pessoa, numa casa que ganhou de Coutinho.


Nas suas palavras: *"Enquanto houver a fome e a miséria atingindo a classe trabalhadora, tem que haver luta dos camponeses, dos operários, das mulheres, dos estudantes e de todos aqueles que são oprimidos e explorados. Não pode parar."* Parabéns Elizabeth, que sua história seja sempre lembrada como símbolo vivo de resistência e luta do povo camponês. 


#SemAMulherALutaVaiPelaMetade

terça-feira, 10 de agosto de 2021

OUSAR LUTAR OUSAR VENCER *Coletivo Sopa de Lutas do Quilombo Fé em Deus / MA

 OUSAR LUTAR OUSAR VENCER

Aqui funcionava a casa de farinha deste senhor: José da Cruz.

CARTA CONVITE AOS MOVIMENTOS SOCIAIS, PARTIDOS POLÍTICOS, AOS MILITANTES DOS DIREITOS HUMANOS E A TODAS AS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA DO ESTADO DO MARANHÃO



CONTRA A VIOLÊNCIA POLICIAL E EM DEFESA DA VIDA DOS TRABALHADORES, DOS NEGROS, INDÍGENAS E DO POVO POBRE!



Um dos atos mais vis cometidos pelas forças policiais do estado foi o assassinato da vereadora Marielle Franco no dia 14 de março, morta por milicianos. No Maranhão o repentista Gerô, o Padre Josimo e muitos outros são as vítimas das mesmas armas utilizadas contra tantos mártires da violência estatal que tem recrutado os mais impiedosos carrascos e servos da morte para os seus conglomerados de interesses político-empresariais.


O Maranhão tem sido, mais ainda recentemente, grande palco de conflitos agrários, evidenciando grande brutalidade policialesca tanto pela participação quanto pela omissão estatal bem como pela lógica latifundiária que aflige os trabalhadores no campo.


Vivemos uma época pré-histórica na qual todas as formas de alienação e estranhamento (des)humano consignam a existência do estado e seu inevitável aparato repressor. Deve-se portanto trabalhar para extinguir as raízes antissociais do crime libertando homens e mulheres da necessidade de estado e suprimindo a polícia como corpo separado e distante da totalidade do povo. Entretanto no intuito de amenizar o sofrimento, e longe de qualquer ilusão humanizadora, colocam-se no horizonte tarefas imediatas: reforma da polícia e das demais instâncias, em todos os níveis e âmbitos, que possam eliminar seus aspectos mais gravosos.


Ou então, estaremos continuamente condenados a assistir sucessivas tragédias como a do jovem médico, em Imperatriz, assassinado por um agente do Estado; continuaremos a presenciar o assassinato de Brunas Lícias, de Gerôs e de jovens autistas como Hamilton César Bandeira, de 23 anos, assassinado após sua casa ser invadida por policiais civis; a lamentar a morte do jovem Caio de 22 anos, morto brutalmente pela polícia no dia 25 de janeiro de 2020 no Quilombo Liberdade.

Aqui foi a pequena roça do Sr José da Cruz

Estamos em tempo decisivo onde precisamos romper com a lógica beligerante da Segurança Pública, servir ao povo e a democracia, no que exigimos ao Governo do Maranhão que cumpra o seu papel e mude a formação policial promovendo responsabilidade e eficiência cidadã ainda que constrangidos no interior da lógica societária do capital.


Esta Carta Convite visa denunciar e exigir proteção ao povo pobre do Maranhão, urgência de Segurança Pública, entendido como o direito à vida e proteção dos desfavorecidos. Por Segurança Pública também traduzimos um baluarte popular para a manutenção da democracia, da liberdade de expressão e proteção dos sem terra, sem moradia e sem assistência estatal.


Nosso luto pelas vidas ceifadas e nosso REPÚDIO ao Governo do Estado do Maranhão por sua negligência e por sua não-atuação ESTRUTURAL no sistema de Segurança Pública, mantendo a lógica desumana e militarista da política de segurança como arma engatilhada contra o povo do estado do Maranhão.


Dito isso, os movimentos sociais independentes convidam e pedem seu apoio para uma manifestação em São Luís dia 25 agosto em frente ao comando geral da polícia militar do estado do Maranhão, no Calhau. Faça-se presente, vamos juntos repudiar e cobrar medidas pra conter a escalada de assassinatos e atrocidades cometidos pelo estado. Estamos em favor da paz, do pão, terra e trabalho! 


"Ousar lutar. Ousar vencer"


_Lamarca


Organização: Coletivo Sopa de Lutas do Quilombo Fé em Deus

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