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domingo, 2 de fevereiro de 2025

DOSSIÊ LIBERTAÇÃO DA MULHER * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT - Brasil

DOSSIÊ LIBERTAÇÃO DA MULHER
*
SÓ HOJE

Hoje eu não vou pedir desculpa
Pois sei que não tenho culpa
Das mazelas dessa vida
Que me faz sentir perdida
Deixando as lágrimas rolar
Hoje vou dizer o que sinto.
Pode acreditar, não minto
Desistir do que não sinto
E enfim eu vou dançar.

Hoje eu vou dançar na chuva.
Cantar no meio da rua.
Hoje eu vou dizer que não.
Que agora não quero mais
Viver aquilo que dói
Essa dor que me destrói
Que não vou mais entregar
Emoção e coração
A quem não sabe amar.

Só hoje eu vou dizer
Que não me entrego
A quem não se entrega.
Que não vive o que prega
Que não insistirei no que magoa
Me virar numa leoa
Não ter mais uma paixão cega.

Só hoje não me calarei
Para nenhuma injustiça.
Vou dizer não a preguiça
E também a quem é injusto.
Hoje não vou levar susto
Hoje eu vou fazer de conta
De que dou conta de tudo
E no meu sorriso mudo
Sei que coragem terei
Vou dizer tudo o que sei
E que um dia eu serei
Dona do meu próprio mundo.

Só hoje vou assumir
A mulher que sempre fui
E que eu sempre serei
Ter o que eu desejei
E mostrar que tenho força
Minhas palavras não destorça
Pois o sangue em minhas veias.
Corre forte, serpenteia
E me traz a sensação
De que posso mudar o mundo
Pois o mundo
Mudo então.

Só hoje assumo que temo
E assumo que eu também caio
Como gatos num balaio
Faço um emaranhado
Das cores do meu viver
Porque o medo que eu tenho
É a coragem de ser
E que cair
É a véspera de crescer.

Porque quem nunca caiu

É porque nunca voou.
E só hoje eu digo
Não mais viver por viver
E nem andar por andar.
E vou terminar dizendo
Que não estou mais sofrendo
Que o que sobra no final
É somente o que se sente
E enfim...
É isso o que sou.

Sou a senhora do sol
E a menina da lua
Que contempla a pele nua
Que sonhou e se perdeu
Sou humana por inteiro
Cumpro o que é verdadeiro
Essa mulher é que sou eu.

Só hoje vou dizer verdades
Que derrubam potestades
Pois quando a mágoa às vezes
Chega a me partir ao meio
Piso fundo, solto o freio
Eu sou aquela que faz
Quando tem de se fazer
Vou a luta, enfrento a guerra
E luto por minha terra
Essa é a mulher que sei ser.


DÁ LICENÇA PRA CHEGAR


Eu nasci um anjo esbelto,
Já vim tocando trombeta
Escrevi numa tabuleta
E ali anunciei:
Vai saindo do caminho
E carregue seu espinho
Sou mulher, isso é o que eu sei.

Eu nasci pra ser guerreira
E vou levantar a bandeira
Da mulher independente
Altiva e inteligente
Que nunca vai arregar
Serei livre, escudeira
E pra nenhum macho
Minha cabeça vou baixar.

No mercado de trabalho
Vou garantir meu lugar
Pois não há cargo pesado
Pra quem sabe labutar
E o chamado sexo frágil
Vai se fazer respeitar .

Enfrentar os meus percalços
Sem nunca ter que mentir
Se sou feia ou sou bonita
A mim cabe decidir
Acho o estado de Goiás
Uma beleza especial
Com seus ipês amarelos
Outro chão não há igual.

Não creio em parto sem dor.
E o que sinto vou falar
Cumprindo bem minha sina
a sorrir e a trabalhar
Vou restaurando a linhagem
Das bruxas de além mar.

A dor não é amargura.
É antes uma lição
Se no caminho tem agrura
Bate forte o coração
Seja Joana ou Maria
Minha vontade de alegria
É a mais forte emoção.

Minha raiz é bem plantada
Minha palavra serpenteia
Pois o sangue em minha veia
É indígena, confortável
Vou mostrar para os machistas
Que mulher não é dobrável.

Professora Alba
poetisa do entorno.GO
-Alba Valéria da Silva-
*
La liberación de la mujer en el siglo xxi

30 de Enero de 2025, Caracas, Venezuela. .

La liberación de la mujer en el siglo XXI es un tema complejo y multifacético, con avances significativos pero también desafíos persistentes. A continuación, se presenta un texto sobre este tema: avances y desafíos

En el siglo el XXI, las mujeres hemos logrado avances significativos en muchos ámbitos, incluyendo la educación, el empleo, la política y la participación social. Sin embargo, la igualdad de género aún no la hemos alcanzado plenamente y persistimos desafíos importantes.

Avances:

• Educación: Las mujeres hemos superado a los hombres en tasas de matriculación en la educación superior en muchos países.

• Empleo: La participación laboral femenina ha aumentado, aunque persisten brechas salariales y segregación ocupacional.

• Política: El número de mujeres en cargos de liderazgo político ha aumentado, aunque todavía están subrepresentada.

• Participación social: Las mujeres hemos ganado visibilidad, voz y voto en la sociedad, participando activamente en movimientos sociales y debates públicos.

Desafíos:

• Violencia de género: La violencia contra las mujeres sigue siendo un problema global, incluyendo la violencia doméstica, el acoso sexual y el feminicidio.

• Discriminación: Las mujeres enfrentan discriminación en muchos ámbitos, incluyendo el empleo, la educación y la política.

• Brecha salarial: Las mujeres ganan menos que los hombres por el mismo trabajo en muchos países.
Techo de cristal: Las mujeres enfrentan barreras invisibles que les impiden alcanzar los puestos de liderazgos en las empresas y organizaciones. A pesar de estos desafíos, la lucha por la igualdad de género continua y se han logrado avances importantes, demostrando su capacidad y liderazgo, alcanzando elevar su voz para exigir igualdad y justicia, promoviendo la igualdad de oportunidades y el empoderamiento femenino.

MsC. Zulay J. Maestre G. Comunicación de la CBST-CCP/Venezuela
*
MULHER MEXICANA ANTIIMPERIALISTA
CLAUDIA SHEINBAUM
&
OUTRO MÉXICO
BIOGRAFIA DE GUERRILHEIRA
Martha Isabel Ardila.

Martha Isabel Ardila, conhecida pelo pseudônimo Mariana Páez, nasceu em 1962, em Bogotá, Colômbia e foi assassinada em 27 de fevereiro de 2009, em San Juan, Cundinamarca, Colômbia. Foi uma revolucionária, política e militante guerrilheira Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP).

Ele pertencia à Juventude Comunista Colombiana (JUCO).

Ele se juntou às FARC-EP em 1989, durante o extermínio da União Patriótica.

Ela trabalhou como ideóloga e comandante do Bloco Oriental das FARC-EP dentro da Frente Antonio Nariño.

Participou do ataque a El Billar (Caquetá) e da captura de Miraflores (Guaviare) em 1998.

Ela era a única mulher no Estado-Maior das FARC-EP.

Ela foi morta em 27 de fevereiro de 2009, durante a Operação Fuerte, junto com outros 11 companheiros de guerrilha.

Resgatando a Memória Histórica.

Levante-se com aqueles que lutam! ! !

A única luta perdida é aquela que é abandonada! ! !

Só a luta nos libertará! ! !

Da Venezuela Terra dos Libertadores, 532 anos do início da Resistência Anti-Imperialista na América e 213 anos do início da nossa Independência.

Simón Bolívar Coordenador
Caracas - Venezuela
Janeiro de 2024.
*
Senhoras e mulheres
ROSA LUXEMBURGO
https://rosalux.org.br/

Começou em Berlim o Congresso Internacional da Liga daquelas mulheres que lutam pelos direitos das mulheres. Seria mais conveniente chamar esse Congresso de congresso de senhoras pois predominam claramente as representantes do belo sexo da burguesia, no máximo, da pequena burguesia.

Mulheres do povo trabalhador não participam de jeito nenhum. Não porque não tenha­m consciência política. Pelo contrário, as mulheres conscientes, que participam ativamente na vida política e na luta política, as mulheres com convicção socialista, evitam decididamente esse encontro e essa pretensa liga das mulheres porque não querem ter nada em comum com as senhoras e suas aspirações.

O que querem essas mulherzinhas reunidas em Berlim e que caráter têm suas aspirações? O movimento feminista no sentido de busca pela igualdade política entre mulheres e homens é já mais antigo e começou, sobretudo, na América. Isso foi no tempo em que a escravidão dominava nos estados do sul da América, de modo que as mulheres americanas que lutavam por seus direitos juntavam sua causa com a causa da libertação dos escravos. Corajosamente, elas entravam com a palavra oral e escrita em prol da abolição da escravidão abjeta, de modo que, quando em 1861, depois da guerra, a escravidão foi proibida na América e, quando, em 1888, o primeiro Congresso Internacional de Mulheres se realizou em Washington, ao lado da presidente [do Congresso] já bem idosa – uma lutadora pela igualdade dos direitos das mulheres – um escravo liberto falou com insistência em favor dessa igualdade.(1) Naquela época, o movimento feminista na América era permeado pela convicção de que a causa das mulheres estava estreitamente ligada à questão da mudança social em geral, de que a mulher não devia lutar apenas por seus próprios direitos e liberdade, mas também pela igualdade e fraternidade entre todos os seres humanos, pela abolição de toda desigualdade e de toda injustiça social.

Na Europa, na velha Europa burguesa, nunca o movimento feminista adquiriu caráter tão profundo e significativo. Ele foi desde o início exclusivamente um movimento das defensoras da “emancipação das mulheres”, isto é, daquelas estranhas mulheres burguesas que não conseguem compreender minimamente a conexão entre a situação das mulheres na sociedade atual e as condições sociais gerais. Para essas defensoras da “emancipação das mulheres”, o acesso das mulheres às Universidades, andar de bicicleta, a obtenção do direito de voto das mulheres para os parlamentos, ensinar floricultura e trabalhos manuais às meninas, debater sobre o melhor modo de educar as crianças, usar roupas confortáveis etc. tinham e continuam tendo a mesma importância. A senhora burguesa entediada, cansada de seu papel de boneca ou de cozinheira do marido, corre, caprichosa, para todos os lados, em busca do espetáculo que preencha o vazio de sua vida e de sua mente.

Por isso não é surpresa que, apesar do poderoso grito de combate lançado pelas mulherzinhas reunidas em Berlim, ninguém as leve a sério. Elas são visitadas tanto pelo sorridente chanceler Bülow, que recentemente insultou as jovens estudantes russas em Berlim, quanto pela esposa do imperador, conhecida por sua devoção à Igreja, e pelo ministro Conde Posadowsky, esse notório reacionário. E a imprensa burguesa descreve com grande pompa tanto os movimentos como também a aparência dessas senhoras. Elas proclamam bem alto o princípio da igualdade política entre mulher e homem, um princípio cuja realização significaria pôr a ordem burguesa de ponta-cabeça, ou seja, derrubá-la, mas a burguesia se curva gentilmente diante das senhoras barulhentas, pois sabe muito bem qual é o jogo de todo esse movimento de mulheres.

A mulher consciente do povo trabalhador observa com a devida seriedade e um sorriso desdenhoso esse “Congresso das mulheres”. Para ela está claro que, enquanto a burguesia dominar, a igualdade de direitos entre mulher e homem é uma quimera. O capitalismo introduziu faz tempo, para as mulheres proletárias, a igualdade de direitos na miséria, no trabalho, na exploração. A trabalhadora da cidade e do campo não precisa primeiro andar de bicicleta, de qualquer modo ela não pode frequentar a universidade, para alcançar alguma igualdade de direitos com o homem. No sofrimento da labuta pelo pão quotidiano para si e seus filhos, ela se equipara ao seu companheiro. A causa do proletariado lutando para melhorar sua existência tornou-se sua causa. Hoje a mulher do povo trabalhador só pode encontrar o caminho da sua emancipação no movimento sindical e no movimento socialista. E só o movimento socialista pode levar a igualdade de direitos a todo o mundo das mulheres. Assim que a classe trabalhadora vitoriosa tiver eliminado a exploração e a repressão dos seres humanos por outros seres humanos, também a longa dominação do sexo masculino sobre o da mulher chegará ao fim. A emancipação das mulheres não começa nos “Congressos de mulheres”, recebidos no mundo burguês com um sorriso indulgente e depreciativo, mas nos congressos de trabalhadores socialistas que os ministros, chanceleres e a imprensa burguesa olham com ódio sombrio escondido no coração.
*

A LIBERTAÇÃO DA MULHER SEGUNDO LÊNIN
Nadezhda Krupskaya

No curso de suas atividades revolucionárias, Lênin frequentemente escreveu e falou sobre a emancipação da mulher trabalhadora no geral e da mulher camponesa em particular. De fato, a emancipação da mulher é inseparavelmente ligada à toda a luta pela causa dos trabalhadores, pelo socialismo. Nós conhecemos Lênin como líder do povo trabalhador, como organizador do partido e do governo soviético, como um lutador e edificador. Toda mulher trabalhadora, toda mulher camponesa deve saber sobre tudo o que Lênin fez, cada aspecto de seu trabalho, sem se limitar ao que Lênin disse sobre a posição da mulher trabalhadora e sua emancipação. Mas, porque existe aí uma estreita conexão entre toda a luta da classe trabalhadora e a melhora da posição da mulher, Lênin muitas vezes – em mais de quarenta ocasiões, na verdade – se referiu a essa questão em seus discursos e artigos, e cada uma dessas referências estava inseparavelmente atrelada a todas as outras coisas que eram de interesse e que lhe preocupavam no momento.

Desde os primeiros dias de sua carreira revolucionária, o camarada Lênin prestou especial atenção à posição da mulher trabalhadora e camponesa com a intenção de atraí-las para o movimento operário. Lênin realizou seu primeiro trabalho revolucionário prático em São Petersburgo (agora Leningrado), quando ele organizou um grupo de socialdemocratas que veio a ser extremamente ativo entre os trabalhadores de São Petersburgo, publicando folhetos ilegais e os distribuindo nas fábricas. Os panfletos eram usualmente endereçados aos homens trabalhadores. Naquele momento, a consciência de classe das massas trabalhadoras ainda estava pouco desenvolvida, em especial a das mulheres trabalhadoras. Elas recebiam salários bastante baixos e seus direitos eram flagrantemente violados. Assim, os panfletos eram usualmente dirigidos aos homens (os dois panfletos endereçados às mulheres trabalhadoras da fábrica de tabaco Laferm foram exceções). Lênin também escreveu um folheto para os trabalhadores têxteis da Tornton (em 1895) e, embora as trabalhadoras fossem majoritariamente atrasadas, ele intitulou o folheto de “Aos trabalhadores e trabalhadoras do tear de Tornton”. Isso é um detalhe, mas bastante importante.

Quando estava no exílio, em 1899, Lênin trocou correspondências com a organização do partido (o Primeiro Congresso ocorreu em 1898) e mencionou os assuntos sobre os quais ele desejava escreve na imprensa ilegal. Esses incluíam um panfleto chamado “Mulheres e a Causa dos Trabalhadores”. Nesse panfleto, Lênin pretendida descrever a posição das mulheres trabalhadoras das fábricas e das mulheres camponesas, e lhes mostrar que a única salvação para elas era através de sua participação no movimento revolucionário, e que apenas a vitória da classe trabalhadora traria a emancipação às mulheres operárias e camponesas.

Escrevendo em 1901 sobre as mulheres que tomaram parte da defesa de Obukhov, sobre o discurso proferido pela trabalhadora Marfa Yakovleva no tribunal, Lênin disse:

“A memória de nossos heroicos camaradas assassinados e torturados até a morte na prisão irá multiplicar por dez a força dos novos lutadores e irá despertar milhares para mobilizar-se em seu auxílio, e como Marfa Yakovleva, de 18 anos, irão dizer abertamente: ‘Nos levantamos por nossos irmãos!’. Ademais da repressão da polícia e dos militares contra os participantes nas manifestações, o governo pretende processá-los por rebelião; nós retaliaremos através da união das nossas forças revolucionárias e ganhando para nosso lado todos que sejam oprimidos pela tirania do czarismo, e através da preparação sistemática para a rebelião de todo o povo!” [CW, Vol. 5, p. 248-9]

Lênin realizou um estudo minucioso da vida e das condições de trabalho das mulheres operárias, camponesas e mulheres empregadas nas manufaturas.

Enquanto estava na prisão, Lênin estudou a posição do campesinato conforme revelado por relatórios estatísticos; ele estudou a influência das manufaturas, o arrastamento dos camponeses para as fábricas e a influência exercida pelas fábricas em sua cultura e modo de vida. Ao mesmo tempo, ele estudou todas essas questões do ponto de vista do trabalho das mulheres. Ele ressaltou que a psicologia proprietária camponesa aloca sobre as mulheres um fardo de trabalho duro desnecessário e sem sentido (cada mulher camponesa de uma grande família limpando apenas a pequena parte da mesa na qual ela se alimenta, cozinhando alimentos separados para suas próprias crianças e ordenhando uma vaca apenas na justa medida do leite que sua própria criança necessita).

Em seu livro O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia, Lênin descreveu de que modo os criadores de gado exploram as mulheres camponesas, como os mercadores-compradores exploram as mulheres que tecem rendas; ele mostrou que a indústria em larga escala emancipa a mulher e que o trabalho na fábrica amplia suas perspectivas, as torna mais cultas e independentes e as auxilia a quebrar os grilhões da vida patriarcal. Lênin disse que o desenvolvimento da indústria em larga escala criaria as bases para a completa emancipação da mulher. Característico, a esse respeito, é o artigo de Lênin “Uma grande conquista técnica”, escrito em 1913.

A classe trabalhadora, nos países burgueses, deve lutar por direitos iguais para homens e mulheres.

No exílio, Lênin devotou muito de seu tempo à elaboração do programa do partido. Nessa época, o partido não tinha programa algum. Havia apenas um esboço de programa, compilado pelo grupo da Emancipação do Trabalho. Examinando este programa em seu artigo “Um esboço de programa de nosso partido” e comentando o ponto 9 da parte prática do programa, que demandava “a revisão de toda a nossa legislação civil e criminal, abolição das divisões em estamentos e das punições incompatíveis com a dignidade do homem”, Lenin escreveu que seria bom adicionar aqui: “completa igualdade de direitos para homens e mulheres”. [CW, Vol. 4, p. 239]

Em 1903, quando o programa do partido foi adotado, essa cláusula foi incluída nele.

Em 1907, em seu informe no Congresso Internacional de Stuttgart, Lênin notou com satisfação que o congresso condenava as práticas oportunistas dos socialdemocratas austríacos que, na condução da campanha por direitos eleitorais para os homens, adiavam a luta por direitos eleitorais para as mulheres para “um momento posterior”.

O governo soviético estabelece plena igualdade de direitos para homens e mulheres.

“Nós, na Rússia, não mais temos a baixa, má e infame recusa de direitos às mulheres ou desigualdade dos sexos, essa repugnante sobrevivência do feudalismo e do medievalismo que está sendo renovada pela burguesia avarenta em todos outros países do mundo, sem exceção”. (negrito do Cem Flores)

Em 1913, estudando as formas da democracia burguesa e expondo a hipocrisia da burguesia, Lênin inclusive lidou com o problema da prostituição e mostrou como, enquanto encorajavam o tráfico de escravas sexuais e o estupro de garotas nas colônias, os representantes da burguesia, ao mesmo tempo, hipocritamente fingiam estar em campanha contra a prostituição.

Lênin retornou a essa questão em dezembro de 1919, quando escreveu que a América “livre, civilizada” estava agenciando mulheres para bordéis nos países vencidos. [CW, Vol. 30]. Em estreita conexão com esta questão, Lênin examinou a questão da gravidez e escreveu indignadamente acerca do apelo de alguns intelectuais aos trabalhadores para que praticasse o controle de natalidade, uma vez que suas crianças estavam condenadas à pobreza e à privação. “Esta é uma perspectiva pequeno-burguesa”, escreveu Lênin. Os trabalhadores têm uma visão diferente. As crianças são nosso futuro. Quanto à pobreza e etc., isso pode ser remediado. Estamos lutando contra o capitalismo e, quando conquistarmos a vitória, nós iremos construir um futuro brilhante para nossas crianças…

E, finalmente, em 1916-17, quando ele podia ver que a revolução socialista se aproximava e estava ponderando quais seriam os elementos essenciais da construção do socialismo, e como atrair as massas para essa construção, ele salientou particularmente a necessidade de atrair as mulheres trabalhadoras para o trabalho social, a necessidade de habilitar todas as mulheres para o trabalho em benefício da sociedade. Oito de seus artigos escritos neste período lidaram com tal questão, a qual ele liga à necessidade de organizar a vida social, sob o socialismo, sobre novas linhas. Lênin viu uma conexão direta entre isso e a atração dos setores mais atrasados das mulheres para o trabalho de dirigir o país, a necessidade de reeducar as massas para o presente processo de trabalho social.

O trabalho social ensina a arte do governo.

“Nós não somos utópicos”, Lênin escreveu antes da Revolução de Outubro. “Nós sabemos que um trabalhador não-qualificado ou uma cozinheira não podem, imediatamente, assumir o trabalho da administração estatal. Nisso concordamos com os Cadetes, com Breshkovskaya e com Tsereteli. Nós diferimos, entretanto, desses cidadãos, uma vez que nós demandamos uma imediata ruptura com a visão preconceituosa de que somente o rico, ou funcionários escolhidos de famílias ricas, são capazes de administrar o estado, de desempenhar o trabalho ordinário e cotidiano da administração. Nós demandamos que o treinamento no trabalho de administrar o estado seja conduzido por trabalhadores e soldados com consciência de classe, e que esse treinamento comece imediatamente, isto é, que um começo seja feito imediatamente no treinamento de todo o povo trabalhador, todos os pobres, para esse trabalho”.

Nós sabemos que o governo soviético tem feito tudo o que pode para atrair as mulheres trabalhadoras da cidade e do campo para o trabalho da administração. E nós sabemos que grandes sucessos temos obtido nessa frente.

Lênin saudava calorosamente o despertar das mulheres do leste soviético. Uma vez que ele atribuía uma importância particular à elevação do nível das nacionalidades que tinham sido oprimidas pelo czarismo e pelo capitalismo, é bastante compreensível porque ele saudava calorosamente a conferência de delegadas do Departamento de Mulheres (Zhenotdel) das regiões e repúblicas soviética do Leste.

Abordando as conquistas do Segundo Congresso da Internacional Comunista, Lênin sublinhou que “o Congresso irá fortalecer os laços com o movimento comunista de mulheres, graças à conferência internacional de mulheres trabalhadoras convocada ao mesmo tempo”. [CW, Vol. 31]. Em outubro de 1932 nós presenciamos o 15º aniversário do poder soviético e sintetizamos nossas conquistas em todas as frentes, incluindo a da emancipação das mulheres.

Nós sabemos que as mulheres assumiram um papel bastante ativo na Guerra Civil, que muitas delas morreram em ação, mas muitas outras foram temperadas na batalha. Algumas mulheres foram condecoradas com a Ordem da Bandeira Vermelha pelo papel ativo que desempenharam na luta pelos sovietes durante a Guerra Civil. Muitas antigas combatentes agora ocupam importantes postos. As mulheres têm sido persistentes em aprender a conduzir o trabalho social.

Conferências de delegadas são uma escola de trabalho social. Em 15 anos, quase 10 milhões de mulheres delegadas passaram por essa escola.

Ao tempo em que nós assistimos ao 15º aniversário da Revolução de Outubro, de 20% a 25% dos representantes dos sovietes das vilas, comitês executivos dos distritos e sovietes da cidade são mulheres. Haviam 186 mulheres membros do Comitê Executivo Central de Toda a Rússia e do Comitê Executivo Central da URSS. Nesse trabalho elas atingem patamares cada vez mais elevados.

O número de mulheres membros do Partido Comunista também tem sido firmemente crescente. Em 1922 havia apenas 40 mil, mas em outubro de 1932 o número excedia 500 mil.

Muito progresso foi feito recentemente na satisfação da orientação de Lênin a respeito da completa emancipação da mulher.

Nos últimos anos, a indústria de larga escala tem se desenvolvido em um tremendo ritmo. Está sendo reorganizada sobre as bases da moderna tecnologia e organização científica do trabalho. A emulação socialista e o movimento dos “trabalhadores de choque” que agora tem sido amplamente adotado estimula uma nova atitude comunista em direção ao trabalho. E é preciso dizer que as mulheres não estão atrás dos homens nisso. Todos os dias nós vemos mais e mais trabalhadoras de linha de frente que apresentam grande energia e perseverança no labor. O trabalho não é algo com o que as mulheres tenham que se habituar: sob o antigo regime, as vidas das mulheres eram repletas de um contínuo, interminável trabalho, mas era o tipo de trabalho menosprezado e tedioso, sob a marca da servidão. E agora esse treinamento para o trabalho e perseverança no trabalho colocam as mulheres na linha de frente dos construtores do socialismo e heróis do trabalho.

A coletivização da agricultura era de maior importância para a emancipação das mulheres. Desde o primeiro momento, Lênin considerou a coletivização da agricultura como uma forma de reorganizá-la em marcos socialistas. Ainda em 1894, em seu livro “Quem são os amigos do povo”, Lênin citou as palavras de Marx segundo as quais, depois que a “expropriação dos expropriadores” é atingida, isso é, quando os senhores de terras são desapossados de suas propriedades fundiárias e os capitalistas de suas fábricas, os trabalhadores livres estarão unidos em cooperativas e será estabelecida a propriedade comunal (“coletiva”, como Lênin explicou) da terra e dos meios de produção que eles criem.

Na sequência da Revolução de Outubro, que marcou o começo da “expropriação dos expropriadores”, o governo soviético levantou a questão de organizar artéis[1] e comunas agrícolas. Em 1918 e 19, atenção particular foi depositada nisso, mas muitos anos passaram (como Lênin havia previsto) antes da coletivização se tornar extensiva e se enraizar profundamente. Os anos da Guerra Civil, quando a luta de classes varreu o país, o progresso do poder soviético nas vilas, a ajuda, a assistência cultural prestada pelo governo soviético ao interior – tudo isso preparou terreno para a coletivização, que está se desenvolvendo e crescendo cada vez mais forte na luta contra os kulaks.

A agricultura camponesa de pequena e média escala algemava as mulheres, as atava ao cuidado individualizado no lar e estreitava seus horizontes; elas eram, de fato, escravas de seus maridos, que muitas vezes as agrediam cruelmente. A agricultura de pequena escala pavimentava o caminho para a religião. Os camponeses costumavam dizer: “Cada homem por si e Deus por todos”. Lênin citou esse ditado em muitas ocasiões, uma vez que expressava perfeitamente a psicologia dos pequenos proprietários. A coletivização transforma o camponês de um pequeno proprietário em um coletivista, mina o isolamento camponês e o freio da religião e emancipa a mulher. Lênin disse que o socialismo, por si, traria a emancipação para as mulheres. Suas palavras agora estão se tornando verdade. Podemos ver como a posição das mulheres mudou nas fazendas coletivas.

O Congresso dos agricultores coletivos de primeira-linha, realizado no meio de fevereiro, é uma evidência contundente do progresso realizado no cultivo coletivo da terra. Há agora 200.000 fazendas coletivas, em comparação com as 6.000 que tínhamos antes. O Congresso discutiu a questão sobre o melhor modo de organizar o trabalho nas fazendas coletivas. Havia muitas mulheres na delegação. Sopina, uma agricultora coletiva da região de Chernozem Central, fez uma ótima fala que evocou aplausos estrondosos. Quando a mulher camponesa tem acesso aos desenvolvimentos da fazenda coletiva, ela cresce em estatura, aprende a governar e a lutar resolutamente contra os kulaks, o inimigo de classe…

A religião está perdendo terreno. Agora, as mulheres das fazendas coletivas vêm à biblioteca e dizem: “Você sempre me dá livros que simplesmente dizem que Deus não existe. Eu sei disso sem ler livros. Dê-me um livro que me diga como e porque a religião surgiu e como e porque ela morrerá”. Nos últimos anos houve um tremendo crescimento de consciência política das massas. Departamentos políticos nas estações de máquina e tratores (cujos membros incluem organizadoras das mulheres) ajudará não apenas a consolidar as fazendas coletivas, mas também ajudará os agricultores coletivos, homens e mulheres, a se livrarem dos preconceitos que sobrevivem e do atraso cultural; a falta de direitos para as mulheres se tornará uma coisa do passado.

Dez anos se passaram desde o dia da morte de Lênin. Neste dia triste, devemos conferir o cumprimento das orientações de Lênin. Nós devemos sintetizar seus resultados. As orientações de Lênin no tocante à emancipação das mulheres têm sido cumpridas sob o comando do partido. Nós devemos continuar a avançar nesta trajetória.
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O COMUNISMO E A FAMÍLIA
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domingo, 13 de agosto de 2023

40 ANOS SEM MARGARIDA MARIA ALVES * Silvanar Cordel/PROGRAMA SER TÃO NORDESTINO

40 ANOS SEM MARGARIDA MARIA ALVES
Hoje, o Programa SerTão Nordestino fará uma homenagem especial a Margarida Alves, pela passagem dos 40 anos de seu covarde assassinato (12 de agosto de 1983).
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DOCUMENTÁRIO: NOS CAMINHOS DE MARGARIDA
O vídeo-documentário "Nos Caminhos de Margarida" mostra a trajetória de vida e militância de Margarida Maria Alves. São depoimentos e imagens que revelam um pouco da história da heroína das terras paraibanas. Daquela que simboliza a maior marcha de mulheres do mundo, a "Marcha das Margaridas".

Realização: CONTAG, Fetag´s e Sindicatos

ANEXOS

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sexta-feira, 4 de agosto de 2023

HISTÓRIA, MEMÓRIA E PODER FEMININO EM POVOADOS AMAZÔNICOS * BENEDITA CELESTE DE MORAES PINTO/PA

HISTÓRIA, MEMÓRIA E PODER FEMININO EM POVOADOS AMAZÔNICOS
BENEDITA CELESTE DE MORAES PINTO

“O homem, também, conquistou o direito de sua
fragilidade pela força da mulher” (Ivo Pitanguy )

Resumo: baseado em fontes orais, mediante relatos orais e histórias de vida, e no cruzamento de documentos escritos disponível, o presente estudo trata das experiências históricas e das relações sociais de gênero em povoações remanescentes de antigos quilombolas na região do Tocantins, no Pará- norte da região Amazônica. Analisa, entre outras coisas, a ativa participação da mulher na constituição dos antigos redutos negros desta região, seu poder de liderança e os diferentes papéis desempenhados nos povoados remanescentes.

Palavras - chave: Memória, Poder Feminino, Quilombos, Amazônia

A historiografia brasileira sobre a escravidão pouco ressaltou o papel histórico das relações de gênero. Ao contrário dos Estados Unidos e Caribe - áreas escravistas de destaques - no Brasil são escassos os estudos que tratam especificamente da resistência da mulher escrava.1Entretanto, não só na África, como em todas as regiões das Américas negras, as mulheres africanas e suas descendentes crioulas marcaram presença com sua força e poder espiritual. Nas revoltas, nas insurreições, nas fugas, nos quilombos e nas outras formas de enfrentamento do cotidiano, a luta da mulher escrava, a despeito do silêncio da historiografia, nunca deixou de existir. Sem dúvida alguma, a mulher tinha um importante papel - digo até, que tinha um certo poder - na constituição e manutenção da comunidade escrava. Manejava, deste modo, diversas estratégias: enfrentamento, embates e rebeldia, modificando tanto as suas vidas como, as de seus familiares. De fato, contrariavam a idéia de "passividade" da mulher negra durante a escravidão. Seria possível afirmar que estava na manutenção da família uma das faces essenciais do poder da mulher escrava (Gomes 1995: 228 – 231).

No caso das fontes históricas a quase ausência de informações sobre a presença da mulher escrava nos quilombos do Brasil está se constituindo para mim numa interessante pista

∗Doutora em história Social, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Pará e Coordenadora do Centro de Pesquisa do Campus Universitário do Tocantins - UFPA/Cametá. É líder dos grupos de Pesquisas Quilombolas e Mocambeira: história da resistência negra na Amazônia (GPQUIMOHRENA) e História, Educação e Linguagem na Região Amazônica (GPHELRA).

1 Dentre os poucos estudos, ver: DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Quotidiano e Poder em São Paulo no Século XIX. São Paulo: Brasiliense, 1995; GIACOMINI, Sônia Maria. Mulher Escrava: uma introdução ao estudo da mulher negra no Brasil. Petrópolis - Rio de Janeiro: Vozes, 1988; e, MOTT, Maria Lúcia de Barros . Submissão e Resistência: a mulher na luta contra a escravidão. São Paulo: Contexto, 1988.

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metodológica. É sabido, que os quilombos possuíam várias estratégias de enfrentamentos. Sob condições de aparente inferioridade numérica e bélica, optavam, ao invés do embate direto com as tropas, pôr se refugiarem na floresta. Desse modo, protegiam seus familiares e a sua própria autonomia, formando seus mocambos em outras regiões.

Neste processo de resistência, a mulher desempenhava um papel de vital importância. Podia ajudar tanto na produção econômica como "administrar" em termos logísticos, materiais e culturais os próprios quilombos. Pois, estes eram ao mesmo tempo comunidades camponesas e unidades militares. Na manutenção material, no abastecimento de provisões, na confecção de roupas, de utensílios, no mundo espiritual e no mundo do trabalho, de forma geral, as mulheres foram muito importantes nas comunidades de quilombolas.

Na Microrregião de Cametá ou região do Tocantins,2no Pará- norte da Amazônia, emergem evidências de que a mulher negra desempenhou com força, coragem e desenvoltura o destino de quilombolas. Assumindo, entre outras tarefas, a própria chefia de quilombos e posteriormente de suas comunidades remanescentes. Como ocorreu com a negra Felipa Maria Aranha, que assumiu a liderança do quilombo do Mola ou Itapocu, localizado nas cabeceiras do Igarapé Itapocu, um braço do Rio Tocantins. O referido quilombo foi formado, na região, na segunda metade do século XVIII, constituído por mais de 300 negros, seus habitantes quilombolas, sob a responsabilidade desta mulher, viveram ali por vários anos sem serem "ameaçados" pelas forças legais. Felipa Maria Aranha deixou um legado de luta, improvisações e liderança para suas descendentes na Região do Tocantins.

Outra mulher, a negra Maria Luiza Piriá ou Pirisá, registrou sua passagem no quilombo do Mola organizando e liderando a Dança do Bambaê do Rosário3 e na administração da própria vida dos quilombolas que ali viveram. Juvita foi mais uma dessas mulheres que fizeram a sua própria história e de seus povoados. Ao sair do Quilombo do Mola ou Itapocu ela fundou o Povoado de Tomásia e liderou o mesmo por muitos anos. As Negras Leonor, Virgilina, Francisca, Maximiana e outras no quilombo do Paxibal, se embrenharam na mata para ajudar na sua constituição e ali faziam atividades, até então consideradas como afazeres só masculino, como: caçar, trabalhar na construção das improvisadas barracas de moradia - os tapiris cobertos e emparedados com palhas,

como Ubim e sororoca. Além de outras tarefas que praticavam no quilombo como, a plantação de

2 A Microrregião de Cametá ou Região do Tocantins é composta pelos seguintes municípios paraenses: Abaetetuba, Baião, Cametá, Igarapé-Miri, Limoeiro do Ajuru, Mocajuba e Oeiras do Pará.

3 O Bambaê do Rosário é uma prática cultural de caráter religioso, originária do quilombo do Mola ou Itapocu . Acontece por ocasião das festividades de Nossa Senhora do Rosário, mês de Outubro, na Vila de Juaba. Seus rituais se repetem durante nove noites consecutivas, e giram em torno da coroação, do acompanhamento e da descoroação do rei e rainha. PINTO, 1995)

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roças, coleta dos frutos do mato, pesca, marisco, fabricação de utensílios de barro, redes de dormir e roupas de fibra de curuanã e palha de palmeiras.

O presente estudo foi constituído com base nos relatos orais, na evocação da memória, que teima em reaparecer dos sótãos e quartinhos empoeirados e quase abandonados do passado, na fala trêmula com pausa e ofengância dos velhos e velhas, na maneira de sentar sem cerimônia, mas em reverência à própria vida, no gesto ritualístico de passar a rústica, calejada e pesada mão sobre o rosto num simbolismo de privacidade que despe até a alma, nas histórias de vida, nos utensílios feitos de barro e casca de pau cujo resíduos ainda se encontram nas taperas das lembranças.

Numa região, como a do Tocantins, onde são escassas as fontes documentais escritas sobre a escravidão e, principalmente sobre a figura da mulher, a História Oral tem sido útil, cúmplice e necessária na reconstituição de saberes, experiências, improvisações e lutas cotidianas vividas no âmbito de uma cultura onde a oralidade predomina. Dessa forma, os relatos orais, mediante a memória e as histórias de vida tornaram-se as fontes principais do presente estudo

Memória esta, que faz uma penosa viagem do pretérito para o presente em nome da cumplicidade, da confiança e da necessidade de se sentir vivo, capaz e sábio. A História Oral, segundo Alessandro Portelli, é como uma arte do indivíduo que leva ao reconhecimento não só da diferença, como também da igualdade. Na busca pela diferença, não podemos nos esquecer de que também acalentamos um sonho de compartilhar, de participar, de comunicar-nos e de dialogar. Nisso implica "o caráter dialógico da história oral, bem como seu trabalho de campo: a fim de sermos totalmente diferentes, precisamos ser verdadeiramente iguais se não formos totalmente verdadeiros". Ainda Portelli, "o trabalho de campo é, por necessidade, um experimento em igualdade, baseado na diferença" (PORTELLI, 1997: 17-19).

A tradição oral local tem revelado, através das histórias de vida de velhos e velhas, que as mulheres da Região do Tocantins ultrapassaram a idéia de "fragilidade" e "dependência", tornam-se personagens principais nos mitos de origem e na organização ritual, social e política dos povoados negros rurais da região. É com base na oralidade, através das memórias e no cruzamento da documentação disponível (Declaração de posse de terra, registros de termo de nascimentos e registros de termo de óbitos), que faço um estudo das experiências históricas e das relações sociais de gênero, analisando, entre outras coisas, a ativa participação das mulheres negras rurais em comunidades remanescentes de quilombos da região do Tocantins, destacando os diferentes papéis que elas desempenharam nos antigos quilombos desta região e depois nos povoados remanescentes, e quais os seus significados.

Na reconstituição da memória, minhas pesquisas nesta região têm como ferramenta principal as entrevistas com as pessoas mais velhas do povoado, homens e mulheres, os guardiões do tempo

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já vivido, da memória de sua ancestralidade. Longas horas de conversas afins ajudaram na reconstituição do mito de origem dos povoados - tanto dos antigos quilombos quanto dos povoados remanescentes- experiências cotidianas de seus habitantes, principalmente da figura feminina.

As mulheres aqui se forjam personagens de suas próprias histórias. Ultrapassam as barreiras ideológicas do silêncio da historiografia para provarem que são, igualmente, portadoras de poderes diante dos homens. Poderes nos mais diversificados âmbitos sociais, cuja simbologia procuro explicitar através deste estudo de relações de gênero4. Fracassa desse modo, a idéia de invisibilidade da mulher como sujeito histórico, uma vez que ela sempre se fez presente nos mais variados eventos da nossa história (SCOT, 1990). Embora a sua participação tenha sempre sido ignorada. A propósito, numa instigante busca pela figura feminina na historiografia brasileira, Maria Odila L. da Silva Dias, afirma que “o pressuposto de uma condição feminina, idealidade abstrata e universal, necessariamente a-histórica, empurra as mulheres de qualquer passado para espaços míticos sacralizados, onde exerceriam misteres apropriados, à margem dos fatos e ausentes da história” (DIAS, 1995:12). Dessa forma, Segundo Margareth Rago, todo "discurso sobre temas clássico, como abolição da escravatura, a imigração européia para o Brasil, a industrialização ou o movimento operário, evocava imagens da participação de homens robustos, brancos ou negros, jamais de mulheres capazes de merecerem uma melhor atenção" (RAGO, 1995: 81).

No entanto, seja de que forma for, desde a colonização brasileira, as mulheres acabam aparecendo na literatura, nos inventários, nas declarações de posse, nos processos, ou ainda nas confissões segredadas e silenciosas das páginas dos cadernos e livros de memórias. As consideradas ricas, têm seus nomes grafados nas páginas dos inventários, nos livros, com suas jóias e suas posses de terras; as mulheres negras escravas também têm os seus nomes ali registrados, embora apareçam como propriedade das ricas; as pobres livres, as lavadeiras, as doceiras, as costureiras, as rendeiras, as quebradeiras de coco, as parteiras, as quilombolas, as roceiras e outras tantas, são mulheres das quais pouco se sabe. Não deixaram nenhum bem após a morte, e "seus filhos não abriram inventário, nada falaram dos seus anseios, medos, angústias, pois eram analfabetas e tiveram, no seu dia-a-dia de trabalhar, de lutar pela sobrevivência" (FALCI, 1997: 242) .

Da vida dessas mulheres, suas histórias, lutas, experiências e saberes só emergem através do processo de esquadrinhamento e da reconstituição de uma memória quase que surda, bastante fragmentada, já quase esfacelada pelo tempo. Mas que teima em insurgir da surdez do passado para
(4 Nesse sentido, minha construção sobre a questão feminina nas comunidades rurais do Tocantins vem diferenciando-se da abordagem da antropóloga MOTTA-MAUES, na obra "Trabalhadeiras e Camarados" (1993) na Comunidade de Itapuá (Município de Vígia/Pa), onde, segundo a autora, a mulher possui um status de "inferioridade assumindo em relação ao homem uma posição de total dependência.")
o presente no exercício das lembranças e relembranças, e das histórias de vida de seus descendentes, como bem exemplificam as falas e as reminiscências.

Memória que faz ecoar dos escombros esquecidos da história os sons das cantigas em forma de murmúrio de negras fugitivas de quadris largos, canelas finas e longas, cabeleira amarrada com fibra de curuanã, envira, ou com um cipó qualquer tirado do mato. Que vagando nos caminhos de mata entre cipós e imensos troncos de acapuzeiros, seringueiras, maçarandubeiras, castanheiros, nos embrenhados da floresta amazônica ambientavam seus feitos entre os demais aquilombados, dirigindo, chefiando, defendendo, granjeando o sustento do dia-a-dia. Mulheres sábias, aprendizes da natureza, cujas lições eram as práticas de infusões, ungüento, e beberagem de folhas, cascas e raízes de pau para curar os males do corpo. São estes saberes, poderes, experiências, trabalhos, sofrimentos, modo de sobrevivência, e finalmente, suas lutas nos antigos quilombos do Tocantins, assim como de suas descendentes, que marcam o compasso de sua participação e constituição na história.

A historiografia das últimas décadas, segundo Maria Odila da Silva Dias, favorece uma história social das mulheres, pois vem se voltando para a memória de grupos marginalizados do poder. Novas abordagens e métodos adequados libertam aos poucos os historiadores de preconceitos atávicos e abrem espaço para uma história microssocial do quotidiano: a percepção de processos históricos diferentes, simultâneos, a relatividade das dimensões da história linear, de noções como progresso e evolução, dos limites de conhecimento possível diversificam os focos de atenção dos historiadores, antes restritos ao processo de acumulação de riqueza, do poder e a história política institucional (DIAS, 1995: 140).

A figura feminina, seus papéis e experiências fluem, portanto, através da evocação da memória, frutos de relações socio-culturais e históricas. A minha intenção, desde o momento inicial das pesquisas que venho desenvolvendo na região do Tocantins, não foi reconstituir as experiências históricas das mulheres dos antigos quilombos desta região, suas lutas e historicidade em oposição a figura masculina. Entendo que se assim o fizesse, estaria caindo na mesma cilada, da qual discordo, o discurso da vitimação, fragilidade e passividade da mulher. Estaria medindo força entre masculino versus feminino através, mais uma vez, da simples descrição da divisão formal dos papéis masculino e feminino.

A reconstrução histórica das relações de gênero, como afirma Marina Maluf, "recupera a importância dos papéis femininos com novos e diferenciados objetos de conhecimento que necessariamente interferem na construção de um saber histórico". E ainda mais,

"a história das mulheres não pode ser construída à margem da história oficial, mas em diálogo/ confronto com ela. Se de um lado seu registro abandona os temas padronizados da
experiência masculina e procura avivar a visibilidade das mulheres, de outro tem que considerar que a constituição do masculino e do feminino enquanto identidade de gênero é uma construção histórica que só ganha realidade se mostrada dentro de um sistema de relações que implicam dominação, tensão, resistência. Qualquer informação sobre a questão das mulheres, implica necessariamente, em informação sobre os homens" (MALUF, 1995: 19- 20).

As experiências históricas das mulheres da região tocantina nos seus povoados intercruzam se com aquelas da escravidão e dos quilombos. São mulheres que não se encontram nos "bastidores da história", pelo contrário, sempre demonstraram, através de suas estratégias e das experiências de suas ancestrais que foram sujeitos no processo histórico e nele executaram e executam papéis de destaque, quando se transformam em personagens capazes de construir tanto a história dos seus povoados como de sua própria existência. A própria tradição oral local vem revelando, através da memória, mulheres que desmentiram as idéias de "fragilidade," "submissão" e "dependência."

“Mulhé aqui no trabalho é macho. A senhora já viu o tamanho do paneiro de mandioca que elas carregam na costa? Pesa mais de cincoenta quilo. Elas trazem o paneiro na costa, o terçado na mão, a vasilha com água, e, se levá o filho zinho carrega e ainda vem bem assubiando!” [Dico Vilhena, 84 anos - Umarizal]

Nestes povoados o próprio discurso masculino evidencia a ausência da “fragilidade” e da “dependência” da mulher negra rural na região do Tocantins. A mulher ao deixar de ser “frágil”, adquire a força do homem, se equipara a ele e divide com ele o seu espaço. Porque é capaz de exercer atividades que envolvem força e vigor físico com naturalidade - como o macho -, sem no entanto deixar de ser feminina - mãe e mulher -, como afirma seu Dico Vilhena: “se levá o filho zinho carrega e ainda vem bem assubiando!” Acrescentando no trabalho cotidiano o poder e a força do macho no arremesso de peso e na vitalidade preestabelecida por ele mesmo. Qualidades que fazem delas personagens de destaques na vida dos seus povoado. Desde os antigos quilombos essas mulheres, por seus feitos, vão desfiando, como legado para aquelas que ultrapassem as suas gerações, teias tramadas em muito trabalho, solidariedade, experiências de luta, força para liderar e sobreviver.

A partir do mito de origem dos povoados remanescentes de quilombos, na Região do Tocantins, é possível reconstituir a importância local das relações de gênero. Vimos o caso de Maria Felipa Aranha, Luiza Piriá, Juvita, e, das negras Leonor, Virgilina, Maximiana, Francisca, e outras mulheres no antigo Quilombo do Paxibal, e posteriormente as mulheres de Umarizal, que em pé de igualdade com os homens construiam suas moradias, caçavam, pescavam (ainda pescam), faziam a coleta de castanha do Pará, os roçados de mandioca, a extração da borracha, do cipó de timbuí, da erva marapuama e da concha.

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O “poder” e o saber feminino, assim como, a sua luta pela sobrevivência, no Tocantins, são marcas visíveis delegadas por antigas quilombolas (suas ancestrais), as quais, através da reconstituição de suas memórias e de suas histórias fixaram normas de trabalhos não estabelecidas pelo sistema patriarcal. Sobre o qual, segundo escreveu Marisa Corrêa, “novas pesquisas indicam que a família patriarcal não pode ser vista como a única forma de organização familiar do Brasil colonial e sugerem que a colocação da figura do homem no centro de uma unidade doméstica, como regra, parece ser também uma ilusão” (CORRÊA, 1994: 34).

"Ah, minha querida, conheci muitas que caçavam. Olhe, a minha sogra caçava, a minha tia caçava, essa minha filha, que está aí, até hoje ainda caça; ela atira de espingarda, é boa de pontaria. Ela vai pra varrida, 5 vai pra espera de caça. Ás vezes ela vai com o marido, quando ele não está ela vai sozinha". [Ana Vieira Campelo, 76 anos, Umarizal]

É verdade, que a noção de trabalhos “leves” e “pesados”, afazeres masculinos e femininos também faz parte do discurso no povoado de Umarizal e em outros povoados negros rurais do Tocantins. Enquanto a mulher não se predispuser em mostrar o poder que se mantém velado, o qual só torna-se visível quando ela não obedece tal regra, corte os laços de submissão, que a liga ao outro gênero, ultrapasse o limite estabelecido pelo patriarcalismo. A partir daí evapora sua possível “fragilidade” e “dependência”, torna-se forte bastante, que as suas funções vão muito além de gerarem, parirem, criarem os filhos e executarem uma gama de trabalhos considerados “pesados”, feitos pelos homens. Na ausência do homem tornam-se chefes de casas, cuidando tanto da criação dos filhos e netos, como da manutenção de sua família mediante as feituras das roças de mandioca e posteriormente da fabricação e venda da farinha e demais atividades econômicas capazes de garantir o bem estar de sua família. Tornam-se fortes bastantes e adquirem poderes, a ponto de se transformarem em chefes de alguns povoados rurais.

Convivi e observei o cotidiano de muitas mulheres dos povoados negros rurais da região do Tocantins, dentre as quais destaco, como exemplo o caso da parteira Custódia, moradora do povoado de Umarizal, que através de sua memória reconstrói a trajetória da mulher negra rural, aquela que não vê limites para espécie alguma de trabalho. A demarcação da dependência da mulher está nos diversos ângulos em que se vê e vive. A mulher só é submissa se ela manifesta qualquer aceite para a submissão, quando se acomoda para que o homem reine. Porém, quando se

5 Uma espécie de caminho que se faz na mata. À tarde, esse caminho é muito bem varrido no qual caminha-se durante a noite a espera da caça, já que o caçador ou caçadora tem percepção do andar das caças entre as folhas; estas, por sua vez, não conseguem ouvir o barulho dos passos do caçador, pois ele caminha numa vereda varrida.

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desprende das sombras do “tutor”, exercida pelo pai ou companheiro, tal mulher é capaz de trilhar seus próprios caminhos, desempenhando papéis na vida e no plano sócio – econômico local, exercendo funções ora consideradas tarefas “só do sexo masculino”. No trabalho e na vida, as mulheres da região, desde suas ancestrais quilombolas, demonstraram exercerem importantes papéis políticos, econômicos e sociais.

“Eu tive dois filhos e não vivi com o pai deles, mas não diga a senhora que quando chegasse na hora de parí eu não tinha dinheiro pra dá alguma coisa pra parteira, pra comprá as coisas necessárias. Eu ia com a senhora: a senhora não tem roça pra capiná? Aí eu ia fazendo o trabalho e jutando o dinheirinho pra quando fosse preciso. Eu não ficava esperando de homem iguá certas mulheres. (...) Já depois de algum tempo que eu arrumei homem pra vivê comigo. Mas assim mesmo, eu nunca digo que dependi de homem, sempre fiz de tudo, rocei, cheguei a derribá, plantei, capinei, tirei concha, cortei siringa. Pra lhe dizer a verdade, que trabalho nunca teve cara pra mim, eu já fiz de tudo pra criá os meus filhos e, até hoje tô com essa idade, como a senhora vê, e ainda estou nessa luta” (Parteira Custódia Vieira, 73 anos, Povoado de Umarizal).

Sem tomar conhecimento de que alguns papéis são delegados, culturalmente definidos, como afazeres de mulher ou de homem, ou ainda, a noção de “leve” ou “pesado”. Pois, para elas “trabalho não tem cara e nem sexo, o que o homem faz a mulhê também faz”. Assim acabam tentando construir um novo espaço para a figura masculina, que tudo indica só agora quase no terceiro milênio começa a vislumbrar na sociedade. Nas falas de homens e mulheres das povoações negras rurais da região trabalhos e afazeres são executados por ambos os gêneros, são tarefas de homens e mulheres. Há uma relação de cumplicidade entre as figuras masculina e feminina: “é uma força unida na outra pra sobreviver”, como dizem. Tem razão Margareth Rago, em propor se “pensar as relações de gênero enquanto relação de poder, e nesse sentido, a dominação não se focaliza num ponto fixo, num ‘outro’, masculino, mas se constitui nos jogos relacionais de linguagem”. Ainda Rago,

“já não se trata de tematizar às mulheres ou ‘a condição feminina’, trabalhando com identidades, mas de integrar, nas análise, também os homens e pensar as relações entre os sexos e a construção das diferenças sexuais como produto culturais e não como natureza biológica.” (RAGO, 1995: 89-93)

Desde os primeiros habitantes do antigo quilombo de Paxibal, as mulheres do povoado de Umarizal, assim como as dos demais dos povoados negros rurais da região do Tocantins, tentam escapar dos laços de submissão masculina; elas estão em constante interação entre masculino e feminino. Sobressaindo-se pelas formas diversificadas de trabalho que executam, que em outros povoados rurais ou lugares podem ser considerados como “afazeres masculinos”. Fato que acaba por marcar uma certa visibilidade do poder feminino neste povoado. Em Umarizal a “mulher no
trabalho é macho”, porque tem a força do homem, faz todos os afazeres que o homem faz. A improvisação imposta pela vida, segundo escreveu Marina Maluf,
“embaralha as regras e confunde as normas. Uma coisa é o elenco de padrões, regras, interditos. Outra, bem diferente, é a experiência vivida improvisada e cotidiana da produção e reprodução da riqueza e da vida. A realidade herdada e ao mesmo tempo engendrada, por homens e mulheres coloca-os diante de necessidades que forçosamente obriga-os não só a se complementarem como também a intercambiarem papéis e experiências na construção de soluções Possíveis.” (MALUF, 1995: 252)

Nem mesmo com o “poder visível do macho” que, as mulheres de Umarizal vem conquistando, ao longo de sua historicidade, são capazes de escapar, em termos de estatística, das histórias de outras mulheres brasileiras, seja da zona urbana ou rural, onde o trabalho feminino desaparece, é invisível, contado apenas como atividades complementares ao trabalho masculino. O que, de certa forma, leva a exclusão da mulher dos benefícios conquistados pelo esforço do seu próprio trabalho, como, remuneração justa, assistência providenciaria de modo geral, proteção trabalhista e aposentadoria, direitos, estes, que são assegurados pela própria Constituição Brasileira.6

Sem ignorar essa realidade brasileira, é que as mulheres tanto de Umarizal, quanto de outros povoados remanescentes de quilombolas da região, reúnem-se em Associações para se organizarem e juntas reivindicarem os seus direitos de mulheres. Portanto, entendo que a idéia de submissão, fragilidade e dependência feminina torna-se complexa quando é vista a partir do contexto da vida cotidiana e nos espaços simbólicos de alguns povoados remanescente de quilombos. Interpretando todas as atividades desempenhadas pelas mulheres, as relações de gênero, é possível perceber, que ai residem densos significados políticos, econômicos, sociais e simbólicos de experiência, saber, força, individualização e poder. Nesse sentido, as ações dessas mulheres podem fazer “anjos” ou “demônios”, dependendo das circunstâncias e espaços em que são inseridas. Dessa forma, onde está a fragilidade e dependência feminina? Talvez, para alguns povoados negros rurais do Tocantins podemos encontrá-las na encruzilhada dos poderes invisíveis das mulheres negras rurais, quando estas, numa perspectiva de gênero, reconstroem, através de suas memórias, suas experiências, saberes e poderes, a sua historicidade.

6 O art. 5º da Constituição salienta que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à propriedade” e, no parágrafo I, se refere: “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta constituição”. Já o art. 7º estabelece que “são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que vise a melhoria de sua condição social” e mais especificamente no parágrafo xx assegura “proteção do mercado de trabalho da mulher mediante incentivos específicos, nos termos da lei”.

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BIBLIOGRAFIA

CORRÊA, Marisa. Repensando a Família Patriarcal Brasileira. In: Colcha de Retalhos; estudos sobre a família no Brasil. Campinas: UNICAMP, 1994

DIAS, Maria Odila Leite da Silva. Quotidiano e Poder em São Paulo no Século XIX. São Paulo: Brasiliense, 1995

FALCI, Miridam Knox. Mulheres do Sertão Nordestino. In: História das Mulheres no Brasil/ Mary Del Priore (org.): Carla Bassanezi (coor. de textos). - 2. ed.- São Paulo: Contexto, 1997

GOMES, Flávio dos Santos. As Raízes do Efêmero: Comunidade e Cultura Escrava na Insurreição Quilombola de Vassouras. In: História de Quilombolas: Mocambos e Comunidades de Senzalas no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995

GIACOMINI, Sônia Maria. Mulher Escrava: uma introdução ao estudo da mulher negra no Brasil. Petropolis - Rio de Janeiro: Vozes, 1988

MALUF, Marina. Ruídos da Memória. São Paulo: Siciliano, 1995

MOTT, Maria Lúcia de Barros . Submissão e Resistência: a mulher na luta contra a escravidão. São Paulo: Contexto, 1988.

PINTO, Benedita Celeste de Moraes. Filhas das Matas: práticas e saberes de mulheres quilombolas na Amazônia Tocantina. Belém: Editora Açaí, 2010.

PINTO, Benedita Celeste de Moraes. Nas Veredas da Sobrevivência: memória, gênero e símbolos de poder feminino em povoados amazônicos. Paka Tatu: Belém, 2004.

PINTO, Benedita Celeste de Moraes. Memória, oralidade, danças, cantorias e rituais em um povoado Amazônico. Cametá: B. Celeste de M. Pinto. Editora, 2007.

PINTO, Benedita Celeste de Moraes. "Bambaê do Rosário, Devoção dos Homens Pretos". IN: Manifestações Culturais da Vila de Juaba: o mínimo que restou de uma raça. Cametá, UFPA, 1995

PORTELLI, Alessandro. "Tentando Aprender Um Pouquinho. Algumas Reflexões sobre a ética na História Oral": In Revista Projeto História n.º 15. , São Paulo: EDUC, 1997

RAGO, Margareth. As mulheres na Historiografia Brasileira. In: Cultura histórica em debate. São Paulo: ed. Universidade Estadual Paulista, 1995

SCOT, Joan. "Gênero uma categoria útil de análises históricas", In: Revista Educação e Realidade. Porto Alegre, Vol. XVI n.º 2, julho- dezembro de 1990

quarta-feira, 8 de março de 2023

DIA INTERNACIONAL DA MULHER TRABALHADORA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

DIA INTERNACIONAL DA MULHER TRABALHADORA

-TRABALHADORES DE CALL CENTER EM LUTA-

SONETO EM HOMENAGEM À MULHER

 

Bendita sejas, mulher eternamente.

 Pois em teu ventre a vida é gerada.

És companheira gentil para ser amada 

Qual tesouro valoroso intensamente.


Quando estou em teus braços, sou mais gente. 

Sem gozar dos teus afetos, não sou nada 

E ao trilhar a minha longa estrada,

 Vou vagando a esmo tão somente.


 Rejeite aquele que acaso te maltrata.

Lute com garra mulher por teus direitos

Não te emudeças ante 

Tal sorte ingrata.


Sê confiante pra não seres vencida. 

Vá com as milhares contra os preconceitos

E verás o quanto é tão bela a vida!


Jorge Furtado/CE


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MULHER TODO DIA

 

não podia ser diferente

hoje é dia de pensar na gente não é dia de homenagem como se fosse um presente hoje é dia de reflexão

bater no peito reconhecer a culpa

desculpa a palavra de peso mas se você já disse

“isso é coisa de mulherzinha” duvidou

“como ela chegou lá” apontou o dedo julgando suas escolhas sua roupa

sua cama sua prole sua sorte então vai lá

faz o gesto mea-culpa se você já disse

“só podia ser mulher” apontou o dedo

pra quem usa saia curta amenizou o estupro banalizou o grito

a ofensa o “fiu fiu”

chegou a pensar

que “ela gosta de apanhar” em alguma momento concordou

que “mulher é o sexo frágil”

vai lá

tá na hora bate no peito

faz o gesto mea-culpa se você ainda pensa no rosa e no azul definindo o que é certo se você só vê valor

na mulher que te criou se confunde respeito com juízo de valor

se ainda acha

que prazer é pecado

e mulher “só faz por amor” se vê diferença

na capacidade

compara força muscular com força pra lutar

se duvida da palavra interrompe quando fala nem vem me corrigir bate no peito

faz o gesto mea-culpa

minha tão grande culpa

não podia ser diferente

hoje é dia de pensar na gente não é dia de presente

é dia de enxergar “outra pessoa” apenas

em meu lugar descarregue o preconceito quando vê uma mulher

veja que que somos “gente” apenas

no mesmo lugar

não podia ser diferente

hoje é dia de pensar na gente não é dia de homenagem como se fosse presente

hoje me dá uma rosa amanhã ri pela minhas costas

ofende e calunia, faz gracejos reprimindo meus desejos como se fosse alforria

não agradeça minha biologia não exalte a maternidade assuma a paternidade!

não fale da minha graciosidade respeite minha capacidade aceite de verdade

a tal igualdade

se você já deu risada da velha piada machista

se você criticou uma mulher usando termos sexistas

se você ainda entendeu feminismo e feminino

e ainda mistura tudo

se você cochicha ou acusa deve estar “naqueles dias”

se você ainda acha que justifica menor salário

menores cargos

“porque mulher engravida”

se você não calou

quem tanta besteira falou se você não se posicionou e defendeu a vítima aquela que outro ofendeu

ah, hoje é o dia

hoje é dia de bater no peito fazer o gesto mea-culpa minha tão grande culpa

hoje é o dia

de tornar diário esse rito bater no peito

refletir repensar

descarregar esse preconceito que permite assediar

abusar estuprar e matar

pelo simples motivo

de alguém nascer mulher…

hoje é o dia da mulher porque ser mulher todo dia

é precisar mais para sobreviver do que subsistência

é precisar resiliência paciência resistência sororidade

capacidade de perdoar compreender

superar

hoje é dia de esperançar poder ser mulher todo dia sem precisar se explicar…

ADRIANA SKAMVETSAKIS

08.03.2023

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DIA DE LUTA DE CLASSE OPERÁRIA

BRAULIO BESSA
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BLANCA LÓPEZ

 Mulheres que derrubaram ditaduras: Quem foi a "Guerrilheira de Waswalito”, protagonista da famosa fotografia que misturava amamentação e fuzil. Durante os anos 80, período da Revolução Sandinista, que depôs o ditador sanguinário Anastasio Somoza, governante da Nicarágua, o fotógrafo Orlando Valenzuela captou uma foto que correu o mundo, demonstrando a coragem das mulheres para combater ditaduras. A imagem ficou conhecida como a “Guerrilheira de Waswalito” e mostra a guerrilheira Blanca López, amamentando o filho com um fuzil nas costas, horas antes de um confronto armado contra tropas governistas. A cena só pôde ser registrada, pois as revolucionárias impuseram a livre amamentação em qualquer lugar, já que a ditadura de Somoza havia proibido a prática em público. Blanca tinha 14 filhos, morava em uma propriedade rural e pobre no interior nicaraguense e combateu durante 3 anos no exército rebelde, que, posteriormente, derrubou o governo ditatorial da família Somoza. Texto - Joel Paviotti #nicaragua #revolução #guerrilheira #revolucionarias #mulheresemluta #sandinista #lutaarmada

#8m #diainternacionaldamulher

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Bom dia a todas as mulheres nesse 8 de Março de 2023.


Proteger a mulher, é proteger a família, esse é o sentido profundo de empoderamento.


A defesa da família tradicional, que é um belo direito, não pode continuar permitindo que mulheres não tenham acesso aos recursos da família, marido e filhos, ou que seja impedida de estudar e trabalhar para sua felicidade própria. Não podemos, em nome de falsa moral, continuar a entender a mulher como serviçal da família.


É preciso abandonar a dicotomia entre emoção e razão, como se a mulher fosse toda orientada pela primeira característica e o homem pela segunda. Essa compreensão, própria do patriarcado, não resulta em outra coisa, senão a submissão da mulher, e o privilégio dos homens ao longo da história.


Aqui há duas questões de caráter histórico e antropológico que são propositalmente ignorados ou omitidos. 

O primeiro faz referência a herança da idade primitiva, onde os homens corriam sérios riscos na atividade de caça, exigindo força e planejamento, aparentemente, os colocando acima das mulheres, visto que, quem controla a produção, controla a vida social.


O segundo, é a transparência do primeiro, indo em sentido oposto, revelando sua plena falsidade. 

Isso porque houve na história em momento anterior ao patriarcado, o matriarcado, cuja centralidade de importância, estava na capacidade de gerar e preservar a vida (gravidez e amamentação).


Também, em relação ao processo de desenvolvimento e superação da idade primitiva, o domínio da agricultura e pecuária, trouxe importância as mulheres, ao permitir um trabalho mais equilibrado entre os sexos, não justificando brutais diferenças em direitos.


Fato é que, estamos no século XXI e continuamos a conviver com essas injustificáveis diferenças, carregadas de preconceitos culturais, e principalmente de crença, onde alguns usam o nome de Deus para oprimir.


Quantas mulheres estão impedidas de sair de casa, estudar, trabalhar, ir a academia, de exercer sua fé, e de ter participação política? Inúmeras!


Se tornaram escravas emocionais de homens, e na maioria das vezes, de modo suave e educado, não parecendo opressão.


O "macho", muitas vezes em auto-afirmação, exerce poder sobre a mulher como forma de se sentir superior, seja no estudo, trabalho, dinheiro e etc. A possibilidade de igualdade ou equivalência lhe perturba o sono, podendo gerar até violência e morte.


No lar, a atividade da mulher sempre foi desprezada, sendo não vista como trabalho, e no emprego, a remuneração é no mínimo 30% inferior a dos homens, para a execução de igual tarefa. Se a mulher for negra ou pobre, sofrerá demasiadamente, e se for os dois aspectos juntos (negra-pobre), aí que a situação se complica, comprometendo a própria sobrevivência.


Os desafios são gigantescos, e embora tenha ocorrido avanços, eles estão muito aquém do mínimo ideal.


Será que a sociedade tem consciência de que quase 35 milhões de mulheres são as mantenedoras financeiras das famílias no Brasil?  Esse número é mais da metade do número de mães no país, e os motivos variam, mas sempre associados a condição dos homens, seja financeira, como desemprego, ou por postura equivocada deles, como o  abandono de mãe solteira ou casada.


Devemos acrescentar aqui, o direito das mulheres não casarem ou não terem filhos por opção própria. E se algumas delas convivem com outras no mesmo lar, por livre escolha, isso não é um problema dos homens ou da sociedade, devendo-se por obrigação humana, o devido respeito, e de outra forma, por força da lei. Então, se a sociedade deseja interferir, fazer algo, que seja na defesa do direito pleno à dignidade das mulheres.


Esses são alguns aspectos, entre tantos outros, que colocam as mulheres em grande desvantagem social em relação aos homens, necessitando de um profundo comprometimento e uma postura firme por parte da sociedade, a fim de equilibrarmos tal situação desastrosa.


Seguimos na luta! Feliz dia das mulheres.


Bernardino Brito/SP

*

Dia Internacional da Mulher

DALVA SILVEIRA

flores e resistência, o que merecemos e precisamos! 

Parabenizo às Mulheres e, em especial, às minhas amigas, que são as flores do meu jardim, porque enfeitam e perfumam a minha vida! Nele, como escritora, amante dos Livros e eterna combatente a qualquer forma de opressão, condecoro algumas autoras que escreveram sobre temas relacionados à Ditadura Militar Brasileira e recito os poemas, de minha autoria, “Sistema X Mulher” e “Ser Mulher”. Acesse: 

(3) Dia Internacional da Mulher: flores e resistência, o que merecemos e precisamos! - YouTube

Se gostar,  inscreva-se no canal,  curta,  comente e compartilhe o vídeo.

Abraço da Dalva Silveira, em 08 de março de 2023


*

Minha homenagem ao dia das mulheres:


   Eu/femismo femio 


                              Genildo Mateus 


Na dor extrema nasci mulher

Sem aparência frágil,

De corpo livre

De liberdade igual

Insisto em ser o que não apavora

Sou realista 

Sou independente 

Sou sobrevivente 

Aparentemente bélica 

Outras vezes flor...

Fez-me menina 

Fez-me moça 

Fez-mulher

Escrito em uma lista

Certamente feminista 

Não anti-homem

Mas idealista.

Me disfarço, 

Me refaço,

No pula da gata

Nem ouro, nem prata

Mas um eufemismo puramente femio

Como sementes que germinam

Frutos as vezes amargos

E outras vezes doces

Que alimentam a alma

Mesmo com o coração quebrado

E juntados os pedaços 

Por um band-aids

Refazendo-se mulher...

*

MULHER


Você que ri e que chora

E vem mostrando a toda hora

Seu trabalho e seu valor

Que não é reconhecida

Mas segue adiante na vida

Cheia de fé e de amor


Às vezes desvalorizada

Tantas outras ofendida

Muitas vezes humilhada

Segue de cabeça erguida

Vivendo com emoção

Amada ou ignorada

Obedece ao coração.


Na tristeza está sorrindo

Seu caminho construindo

Sempre pronta a cooperar

Seu trabalho realiza

Ajudando a quem precisa

E nunca deixa de amar


Nesses versos que eu faço

Com eles vai meu abraço

Esteja onde estiver

Parabéns, mulheres de fibra

Companheiras tão queridas

Me orgulho de ser mulher.

Autoria da professora Alba, Poética do entorno.

Minha singela homenagem a todas as mulheres.

*

MULHER


A mulher não é só casa

mulher-loiça, mulher-cama

ela é também mulher-asa,

mulher-força, mulher-chama


E é preciso dizer

dessa antiga condição

a mulher soube trazer

a cabeça e o coração


Trouxe a fábrica ao seu lar

e ordenado à cozinha

e impôs a trabalhar

a razão que sempre tinha


Trabalho não só de parto

mas também de construção

para um filho crescer farto

para um filho crescer são


A posse vai-se acabar

no tempo da liberdade

o que importa é saber estar

juntos em pé de igualdade


Desde que as coisas se tornem

naquilo que a gente quer

é igual dizer meu homem

ou dizer minha mulher


ARY DOS SANTOS

https://www.museudofado.pt/fado/personalidade/ary-dos-santos

PORTUGUAL
&
Mulheres

Elas visão escolhida
Dum tempo de vaidade
Na palavra revalida
Qualquer um, pisa, nem sabe.
Segue sem arredar pé
Como igualdade dou fé
Conclusão sem ter metade.

Essas vêm de toda parte.
Se é ostra, nem piedade.
Tangendo vulcão aparte
Avulsas querem alarde
Confusas rende banzé
Como igualdade dou fé
Conclusão sem ter metade.

Às ternas trazem guarida
Talhando a humildade
Desde o começo quis liga:
Até feliz, vê saudade!
Seiva quimera, a mulher
Como igualdade dou fé
Conclusão sem ter metade.

Arte final ela encerra
Ser tênue é qualidade
Tratar igualmente é guerra
Carência é falta que arde!
Se lua, volta, é maré!
Como igualdade dou fé
Conclusão sem ter metade.

Mulher que sua, é mulher.
Saia justa mocidade
Na solidez voo ballet
Fidelidade é verdade
Segue em via quanto quer.
Como igualdade dou fé
Conclusão sem ter metade.

Vida pra outra pessoa
Gueixa vê simplicidade
Na puberdade entoa
Composição tempestade
Mergulhou raso, deu pé.
Guardiã fera é mulher
Como igualdade dou fé
Conclusão sem ter metade.

Lina Ramos.PI
*
HISTÓRIA DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER


A história do 8M como Dia Internacional da Mulher é muito bonita e revela a força das mulheres na luta por seus direitos

A data tem origem em uma manifestação organizada por tecelãs e costureiras de Petrogrado, durante a greve iniciada no dia 23 de fevereiro de 1917, na Rússia, por pão e paz. Esse movimento foi o estopim da primeira fase da Revolução Russa.

Alexandra Kollontai, em 1920, assim descreve o movimento:

“Em 1917, no dia 8 de março (23 de fevereiro), no Dia das Mulheres Trabalhadoras, elas saíram corajosamente às ruas de Petrogrado. As mulheres – algumas eram trabalhadoras, algumas eram esposas de soldados – reivindicavam “Pão para nossos filhos” e “Retorno de nossos maridos das trincheiras”. Nesse momento decisivo, o protesto das mulheres trabalhadoras era tão ameaçador que mesmo as forças de segurança tsaristas não ousaram tomar as medidas usuais contra as rebeldes e observavam atônitas o mar turbulento da ira do povo. O Dia das Mulheres Trabalhadoras de 1917 tornou-se memorável na história. Nesse dia as mulheres russas ergueram a tocha da revolução proletária e incendiaram todo o mundo. A revolução de fevereiro se iniciou a partir desse dia.”

Após o fim da Primeira Guerra mundial, em 1918, começa a ser retomado o dia da Mulher. Mas é só a partir de 1921 que o movimento de mulheres passará a celebrar o Dia Internacional da Mulher. Não que antes não fosse comemorado. Era sim. Só que não tinha uma data unitária em todo o mundo, como é hoje.

A II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, em 1910, decidiu pela realização de um dia internacional dedicado à luta das mulheres. O direito ao voto era a principal luta das mulheres em grande parte dos países no mundo naquele momento. A decisão diz o seguinte: "As mulheres socialistas de todas as nações organizarão um Dia das Mulheres específico, cujo primeiro objetivo será promover o direito de voto das mulheres."

Antes, já era realizado em alguns lugares. Em 3 de maio de 1908, a Federação dos Clubes de Mulheres Socialistas de Chicago realiza um ato pelo Dia da Mulher, num teatro da cidade. No ano seguinte aconteceu em Nova Iorque, em 28 de fevereiro. Em 1910, o Partido Socialista americano organiza, pela segunda vez, o Dia da Mulher, no último domingo de fevereiro, também em Nova Iorque. Foi assim em 1911, 1912 e 1913. Em 1914, foi comemorado em 19 de março.

Na Europa, a primeira celebração do Dia das Mulheres aconteceu em 19 de março de 1911, na Suécia, após a Conferência de Copenhagem. Na Itália começou no mesmo ano. Na França, o começo foi em 1914. Nesse ano pela primeira vez, na Alemanha, o ato é realizado em 8 de março.

Em 1921, Alexandra Kollontai propõe durante a conferência das Mulheres Comunistas, realizada, em Moscou, na URSS, que se adote o dia 8 de março como data unificada do Dia Internacional das Mulheres, em homenagem à greve das tecelãs em 1917. A partir dessa conferência, a data passa a ser espalhada como data das comemorações da luta das mulheres, em todo o mundo. Assim nasceu o 8 de Março.

Na década de 1960, as manifestações pelo Dia Internacional da Mulher ganham grandes proporções. Em 1975, a ONU; e logo depois com a Unesco, em 1977; reconhecem o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher.


Referências bibliográficas


. Côté, Renée. La Journée Internationale des Femmes: Les Vrais faits et les Vrais dates des Mystérieuses Origines du 8 Mars Jusqu’ici Montréal: Les Éditions du Remue-Ménage, 1984.
. Monal, Isabel. Clara Zetkin y el Día Internacional de la Mujer. La Habana: Academia de Ciencias de Cuba, 1977.
. Vasconcelos, Naumi A. “¿Existió realmente el 8 de marzo?”. Mujeres en Acción, n° 1, (1995): 58-60.
. SOF – Sempre Viva Organização Feminista, “8 de março em busca da memória perdida”. São Paulo (2001)
. Santiago Claudia, Giannotti Vito, A origem socialista do dia da mulher. NPC-8 edição - 2016.


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