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domingo, 2 de fevereiro de 2025

DOSSIÊ LIBERTAÇÃO DA MULHER * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT - Brasil

DOSSIÊ LIBERTAÇÃO DA MULHER
*
SÓ HOJE

Hoje eu não vou pedir desculpa
Pois sei que não tenho culpa
Das mazelas dessa vida
Que me faz sentir perdida
Deixando as lágrimas rolar
Hoje vou dizer o que sinto.
Pode acreditar, não minto
Desistir do que não sinto
E enfim eu vou dançar.

Hoje eu vou dançar na chuva.
Cantar no meio da rua.
Hoje eu vou dizer que não.
Que agora não quero mais
Viver aquilo que dói
Essa dor que me destrói
Que não vou mais entregar
Emoção e coração
A quem não sabe amar.

Só hoje eu vou dizer
Que não me entrego
A quem não se entrega.
Que não vive o que prega
Que não insistirei no que magoa
Me virar numa leoa
Não ter mais uma paixão cega.

Só hoje não me calarei
Para nenhuma injustiça.
Vou dizer não a preguiça
E também a quem é injusto.
Hoje não vou levar susto
Hoje eu vou fazer de conta
De que dou conta de tudo
E no meu sorriso mudo
Sei que coragem terei
Vou dizer tudo o que sei
E que um dia eu serei
Dona do meu próprio mundo.

Só hoje vou assumir
A mulher que sempre fui
E que eu sempre serei
Ter o que eu desejei
E mostrar que tenho força
Minhas palavras não destorça
Pois o sangue em minhas veias.
Corre forte, serpenteia
E me traz a sensação
De que posso mudar o mundo
Pois o mundo
Mudo então.

Só hoje assumo que temo
E assumo que eu também caio
Como gatos num balaio
Faço um emaranhado
Das cores do meu viver
Porque o medo que eu tenho
É a coragem de ser
E que cair
É a véspera de crescer.

Porque quem nunca caiu

É porque nunca voou.
E só hoje eu digo
Não mais viver por viver
E nem andar por andar.
E vou terminar dizendo
Que não estou mais sofrendo
Que o que sobra no final
É somente o que se sente
E enfim...
É isso o que sou.

Sou a senhora do sol
E a menina da lua
Que contempla a pele nua
Que sonhou e se perdeu
Sou humana por inteiro
Cumpro o que é verdadeiro
Essa mulher é que sou eu.

Só hoje vou dizer verdades
Que derrubam potestades
Pois quando a mágoa às vezes
Chega a me partir ao meio
Piso fundo, solto o freio
Eu sou aquela que faz
Quando tem de se fazer
Vou a luta, enfrento a guerra
E luto por minha terra
Essa é a mulher que sei ser.


DÁ LICENÇA PRA CHEGAR


Eu nasci um anjo esbelto,
Já vim tocando trombeta
Escrevi numa tabuleta
E ali anunciei:
Vai saindo do caminho
E carregue seu espinho
Sou mulher, isso é o que eu sei.

Eu nasci pra ser guerreira
E vou levantar a bandeira
Da mulher independente
Altiva e inteligente
Que nunca vai arregar
Serei livre, escudeira
E pra nenhum macho
Minha cabeça vou baixar.

No mercado de trabalho
Vou garantir meu lugar
Pois não há cargo pesado
Pra quem sabe labutar
E o chamado sexo frágil
Vai se fazer respeitar .

Enfrentar os meus percalços
Sem nunca ter que mentir
Se sou feia ou sou bonita
A mim cabe decidir
Acho o estado de Goiás
Uma beleza especial
Com seus ipês amarelos
Outro chão não há igual.

Não creio em parto sem dor.
E o que sinto vou falar
Cumprindo bem minha sina
a sorrir e a trabalhar
Vou restaurando a linhagem
Das bruxas de além mar.

A dor não é amargura.
É antes uma lição
Se no caminho tem agrura
Bate forte o coração
Seja Joana ou Maria
Minha vontade de alegria
É a mais forte emoção.

Minha raiz é bem plantada
Minha palavra serpenteia
Pois o sangue em minha veia
É indígena, confortável
Vou mostrar para os machistas
Que mulher não é dobrável.

Professora Alba
poetisa do entorno.GO
-Alba Valéria da Silva-
*
La liberación de la mujer en el siglo xxi

30 de Enero de 2025, Caracas, Venezuela. .

La liberación de la mujer en el siglo XXI es un tema complejo y multifacético, con avances significativos pero también desafíos persistentes. A continuación, se presenta un texto sobre este tema: avances y desafíos

En el siglo el XXI, las mujeres hemos logrado avances significativos en muchos ámbitos, incluyendo la educación, el empleo, la política y la participación social. Sin embargo, la igualdad de género aún no la hemos alcanzado plenamente y persistimos desafíos importantes.

Avances:

• Educación: Las mujeres hemos superado a los hombres en tasas de matriculación en la educación superior en muchos países.

• Empleo: La participación laboral femenina ha aumentado, aunque persisten brechas salariales y segregación ocupacional.

• Política: El número de mujeres en cargos de liderazgo político ha aumentado, aunque todavía están subrepresentada.

• Participación social: Las mujeres hemos ganado visibilidad, voz y voto en la sociedad, participando activamente en movimientos sociales y debates públicos.

Desafíos:

• Violencia de género: La violencia contra las mujeres sigue siendo un problema global, incluyendo la violencia doméstica, el acoso sexual y el feminicidio.

• Discriminación: Las mujeres enfrentan discriminación en muchos ámbitos, incluyendo el empleo, la educación y la política.

• Brecha salarial: Las mujeres ganan menos que los hombres por el mismo trabajo en muchos países.
Techo de cristal: Las mujeres enfrentan barreras invisibles que les impiden alcanzar los puestos de liderazgos en las empresas y organizaciones. A pesar de estos desafíos, la lucha por la igualdad de género continua y se han logrado avances importantes, demostrando su capacidad y liderazgo, alcanzando elevar su voz para exigir igualdad y justicia, promoviendo la igualdad de oportunidades y el empoderamiento femenino.

MsC. Zulay J. Maestre G. Comunicación de la CBST-CCP/Venezuela
*
MULHER MEXICANA ANTIIMPERIALISTA
CLAUDIA SHEINBAUM
&
OUTRO MÉXICO
BIOGRAFIA DE GUERRILHEIRA
Martha Isabel Ardila.

Martha Isabel Ardila, conhecida pelo pseudônimo Mariana Páez, nasceu em 1962, em Bogotá, Colômbia e foi assassinada em 27 de fevereiro de 2009, em San Juan, Cundinamarca, Colômbia. Foi uma revolucionária, política e militante guerrilheira Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP).

Ele pertencia à Juventude Comunista Colombiana (JUCO).

Ele se juntou às FARC-EP em 1989, durante o extermínio da União Patriótica.

Ela trabalhou como ideóloga e comandante do Bloco Oriental das FARC-EP dentro da Frente Antonio Nariño.

Participou do ataque a El Billar (Caquetá) e da captura de Miraflores (Guaviare) em 1998.

Ela era a única mulher no Estado-Maior das FARC-EP.

Ela foi morta em 27 de fevereiro de 2009, durante a Operação Fuerte, junto com outros 11 companheiros de guerrilha.

Resgatando a Memória Histórica.

Levante-se com aqueles que lutam! ! !

A única luta perdida é aquela que é abandonada! ! !

Só a luta nos libertará! ! !

Da Venezuela Terra dos Libertadores, 532 anos do início da Resistência Anti-Imperialista na América e 213 anos do início da nossa Independência.

Simón Bolívar Coordenador
Caracas - Venezuela
Janeiro de 2024.
*
Senhoras e mulheres
ROSA LUXEMBURGO
https://rosalux.org.br/

Começou em Berlim o Congresso Internacional da Liga daquelas mulheres que lutam pelos direitos das mulheres. Seria mais conveniente chamar esse Congresso de congresso de senhoras pois predominam claramente as representantes do belo sexo da burguesia, no máximo, da pequena burguesia.

Mulheres do povo trabalhador não participam de jeito nenhum. Não porque não tenha­m consciência política. Pelo contrário, as mulheres conscientes, que participam ativamente na vida política e na luta política, as mulheres com convicção socialista, evitam decididamente esse encontro e essa pretensa liga das mulheres porque não querem ter nada em comum com as senhoras e suas aspirações.

O que querem essas mulherzinhas reunidas em Berlim e que caráter têm suas aspirações? O movimento feminista no sentido de busca pela igualdade política entre mulheres e homens é já mais antigo e começou, sobretudo, na América. Isso foi no tempo em que a escravidão dominava nos estados do sul da América, de modo que as mulheres americanas que lutavam por seus direitos juntavam sua causa com a causa da libertação dos escravos. Corajosamente, elas entravam com a palavra oral e escrita em prol da abolição da escravidão abjeta, de modo que, quando em 1861, depois da guerra, a escravidão foi proibida na América e, quando, em 1888, o primeiro Congresso Internacional de Mulheres se realizou em Washington, ao lado da presidente [do Congresso] já bem idosa – uma lutadora pela igualdade dos direitos das mulheres – um escravo liberto falou com insistência em favor dessa igualdade.(1) Naquela época, o movimento feminista na América era permeado pela convicção de que a causa das mulheres estava estreitamente ligada à questão da mudança social em geral, de que a mulher não devia lutar apenas por seus próprios direitos e liberdade, mas também pela igualdade e fraternidade entre todos os seres humanos, pela abolição de toda desigualdade e de toda injustiça social.

Na Europa, na velha Europa burguesa, nunca o movimento feminista adquiriu caráter tão profundo e significativo. Ele foi desde o início exclusivamente um movimento das defensoras da “emancipação das mulheres”, isto é, daquelas estranhas mulheres burguesas que não conseguem compreender minimamente a conexão entre a situação das mulheres na sociedade atual e as condições sociais gerais. Para essas defensoras da “emancipação das mulheres”, o acesso das mulheres às Universidades, andar de bicicleta, a obtenção do direito de voto das mulheres para os parlamentos, ensinar floricultura e trabalhos manuais às meninas, debater sobre o melhor modo de educar as crianças, usar roupas confortáveis etc. tinham e continuam tendo a mesma importância. A senhora burguesa entediada, cansada de seu papel de boneca ou de cozinheira do marido, corre, caprichosa, para todos os lados, em busca do espetáculo que preencha o vazio de sua vida e de sua mente.

Por isso não é surpresa que, apesar do poderoso grito de combate lançado pelas mulherzinhas reunidas em Berlim, ninguém as leve a sério. Elas são visitadas tanto pelo sorridente chanceler Bülow, que recentemente insultou as jovens estudantes russas em Berlim, quanto pela esposa do imperador, conhecida por sua devoção à Igreja, e pelo ministro Conde Posadowsky, esse notório reacionário. E a imprensa burguesa descreve com grande pompa tanto os movimentos como também a aparência dessas senhoras. Elas proclamam bem alto o princípio da igualdade política entre mulher e homem, um princípio cuja realização significaria pôr a ordem burguesa de ponta-cabeça, ou seja, derrubá-la, mas a burguesia se curva gentilmente diante das senhoras barulhentas, pois sabe muito bem qual é o jogo de todo esse movimento de mulheres.

A mulher consciente do povo trabalhador observa com a devida seriedade e um sorriso desdenhoso esse “Congresso das mulheres”. Para ela está claro que, enquanto a burguesia dominar, a igualdade de direitos entre mulher e homem é uma quimera. O capitalismo introduziu faz tempo, para as mulheres proletárias, a igualdade de direitos na miséria, no trabalho, na exploração. A trabalhadora da cidade e do campo não precisa primeiro andar de bicicleta, de qualquer modo ela não pode frequentar a universidade, para alcançar alguma igualdade de direitos com o homem. No sofrimento da labuta pelo pão quotidiano para si e seus filhos, ela se equipara ao seu companheiro. A causa do proletariado lutando para melhorar sua existência tornou-se sua causa. Hoje a mulher do povo trabalhador só pode encontrar o caminho da sua emancipação no movimento sindical e no movimento socialista. E só o movimento socialista pode levar a igualdade de direitos a todo o mundo das mulheres. Assim que a classe trabalhadora vitoriosa tiver eliminado a exploração e a repressão dos seres humanos por outros seres humanos, também a longa dominação do sexo masculino sobre o da mulher chegará ao fim. A emancipação das mulheres não começa nos “Congressos de mulheres”, recebidos no mundo burguês com um sorriso indulgente e depreciativo, mas nos congressos de trabalhadores socialistas que os ministros, chanceleres e a imprensa burguesa olham com ódio sombrio escondido no coração.
*

A LIBERTAÇÃO DA MULHER SEGUNDO LÊNIN
Nadezhda Krupskaya

No curso de suas atividades revolucionárias, Lênin frequentemente escreveu e falou sobre a emancipação da mulher trabalhadora no geral e da mulher camponesa em particular. De fato, a emancipação da mulher é inseparavelmente ligada à toda a luta pela causa dos trabalhadores, pelo socialismo. Nós conhecemos Lênin como líder do povo trabalhador, como organizador do partido e do governo soviético, como um lutador e edificador. Toda mulher trabalhadora, toda mulher camponesa deve saber sobre tudo o que Lênin fez, cada aspecto de seu trabalho, sem se limitar ao que Lênin disse sobre a posição da mulher trabalhadora e sua emancipação. Mas, porque existe aí uma estreita conexão entre toda a luta da classe trabalhadora e a melhora da posição da mulher, Lênin muitas vezes – em mais de quarenta ocasiões, na verdade – se referiu a essa questão em seus discursos e artigos, e cada uma dessas referências estava inseparavelmente atrelada a todas as outras coisas que eram de interesse e que lhe preocupavam no momento.

Desde os primeiros dias de sua carreira revolucionária, o camarada Lênin prestou especial atenção à posição da mulher trabalhadora e camponesa com a intenção de atraí-las para o movimento operário. Lênin realizou seu primeiro trabalho revolucionário prático em São Petersburgo (agora Leningrado), quando ele organizou um grupo de socialdemocratas que veio a ser extremamente ativo entre os trabalhadores de São Petersburgo, publicando folhetos ilegais e os distribuindo nas fábricas. Os panfletos eram usualmente endereçados aos homens trabalhadores. Naquele momento, a consciência de classe das massas trabalhadoras ainda estava pouco desenvolvida, em especial a das mulheres trabalhadoras. Elas recebiam salários bastante baixos e seus direitos eram flagrantemente violados. Assim, os panfletos eram usualmente dirigidos aos homens (os dois panfletos endereçados às mulheres trabalhadoras da fábrica de tabaco Laferm foram exceções). Lênin também escreveu um folheto para os trabalhadores têxteis da Tornton (em 1895) e, embora as trabalhadoras fossem majoritariamente atrasadas, ele intitulou o folheto de “Aos trabalhadores e trabalhadoras do tear de Tornton”. Isso é um detalhe, mas bastante importante.

Quando estava no exílio, em 1899, Lênin trocou correspondências com a organização do partido (o Primeiro Congresso ocorreu em 1898) e mencionou os assuntos sobre os quais ele desejava escreve na imprensa ilegal. Esses incluíam um panfleto chamado “Mulheres e a Causa dos Trabalhadores”. Nesse panfleto, Lênin pretendida descrever a posição das mulheres trabalhadoras das fábricas e das mulheres camponesas, e lhes mostrar que a única salvação para elas era através de sua participação no movimento revolucionário, e que apenas a vitória da classe trabalhadora traria a emancipação às mulheres operárias e camponesas.

Escrevendo em 1901 sobre as mulheres que tomaram parte da defesa de Obukhov, sobre o discurso proferido pela trabalhadora Marfa Yakovleva no tribunal, Lênin disse:

“A memória de nossos heroicos camaradas assassinados e torturados até a morte na prisão irá multiplicar por dez a força dos novos lutadores e irá despertar milhares para mobilizar-se em seu auxílio, e como Marfa Yakovleva, de 18 anos, irão dizer abertamente: ‘Nos levantamos por nossos irmãos!’. Ademais da repressão da polícia e dos militares contra os participantes nas manifestações, o governo pretende processá-los por rebelião; nós retaliaremos através da união das nossas forças revolucionárias e ganhando para nosso lado todos que sejam oprimidos pela tirania do czarismo, e através da preparação sistemática para a rebelião de todo o povo!” [CW, Vol. 5, p. 248-9]

Lênin realizou um estudo minucioso da vida e das condições de trabalho das mulheres operárias, camponesas e mulheres empregadas nas manufaturas.

Enquanto estava na prisão, Lênin estudou a posição do campesinato conforme revelado por relatórios estatísticos; ele estudou a influência das manufaturas, o arrastamento dos camponeses para as fábricas e a influência exercida pelas fábricas em sua cultura e modo de vida. Ao mesmo tempo, ele estudou todas essas questões do ponto de vista do trabalho das mulheres. Ele ressaltou que a psicologia proprietária camponesa aloca sobre as mulheres um fardo de trabalho duro desnecessário e sem sentido (cada mulher camponesa de uma grande família limpando apenas a pequena parte da mesa na qual ela se alimenta, cozinhando alimentos separados para suas próprias crianças e ordenhando uma vaca apenas na justa medida do leite que sua própria criança necessita).

Em seu livro O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia, Lênin descreveu de que modo os criadores de gado exploram as mulheres camponesas, como os mercadores-compradores exploram as mulheres que tecem rendas; ele mostrou que a indústria em larga escala emancipa a mulher e que o trabalho na fábrica amplia suas perspectivas, as torna mais cultas e independentes e as auxilia a quebrar os grilhões da vida patriarcal. Lênin disse que o desenvolvimento da indústria em larga escala criaria as bases para a completa emancipação da mulher. Característico, a esse respeito, é o artigo de Lênin “Uma grande conquista técnica”, escrito em 1913.

A classe trabalhadora, nos países burgueses, deve lutar por direitos iguais para homens e mulheres.

No exílio, Lênin devotou muito de seu tempo à elaboração do programa do partido. Nessa época, o partido não tinha programa algum. Havia apenas um esboço de programa, compilado pelo grupo da Emancipação do Trabalho. Examinando este programa em seu artigo “Um esboço de programa de nosso partido” e comentando o ponto 9 da parte prática do programa, que demandava “a revisão de toda a nossa legislação civil e criminal, abolição das divisões em estamentos e das punições incompatíveis com a dignidade do homem”, Lenin escreveu que seria bom adicionar aqui: “completa igualdade de direitos para homens e mulheres”. [CW, Vol. 4, p. 239]

Em 1903, quando o programa do partido foi adotado, essa cláusula foi incluída nele.

Em 1907, em seu informe no Congresso Internacional de Stuttgart, Lênin notou com satisfação que o congresso condenava as práticas oportunistas dos socialdemocratas austríacos que, na condução da campanha por direitos eleitorais para os homens, adiavam a luta por direitos eleitorais para as mulheres para “um momento posterior”.

O governo soviético estabelece plena igualdade de direitos para homens e mulheres.

“Nós, na Rússia, não mais temos a baixa, má e infame recusa de direitos às mulheres ou desigualdade dos sexos, essa repugnante sobrevivência do feudalismo e do medievalismo que está sendo renovada pela burguesia avarenta em todos outros países do mundo, sem exceção”. (negrito do Cem Flores)

Em 1913, estudando as formas da democracia burguesa e expondo a hipocrisia da burguesia, Lênin inclusive lidou com o problema da prostituição e mostrou como, enquanto encorajavam o tráfico de escravas sexuais e o estupro de garotas nas colônias, os representantes da burguesia, ao mesmo tempo, hipocritamente fingiam estar em campanha contra a prostituição.

Lênin retornou a essa questão em dezembro de 1919, quando escreveu que a América “livre, civilizada” estava agenciando mulheres para bordéis nos países vencidos. [CW, Vol. 30]. Em estreita conexão com esta questão, Lênin examinou a questão da gravidez e escreveu indignadamente acerca do apelo de alguns intelectuais aos trabalhadores para que praticasse o controle de natalidade, uma vez que suas crianças estavam condenadas à pobreza e à privação. “Esta é uma perspectiva pequeno-burguesa”, escreveu Lênin. Os trabalhadores têm uma visão diferente. As crianças são nosso futuro. Quanto à pobreza e etc., isso pode ser remediado. Estamos lutando contra o capitalismo e, quando conquistarmos a vitória, nós iremos construir um futuro brilhante para nossas crianças…

E, finalmente, em 1916-17, quando ele podia ver que a revolução socialista se aproximava e estava ponderando quais seriam os elementos essenciais da construção do socialismo, e como atrair as massas para essa construção, ele salientou particularmente a necessidade de atrair as mulheres trabalhadoras para o trabalho social, a necessidade de habilitar todas as mulheres para o trabalho em benefício da sociedade. Oito de seus artigos escritos neste período lidaram com tal questão, a qual ele liga à necessidade de organizar a vida social, sob o socialismo, sobre novas linhas. Lênin viu uma conexão direta entre isso e a atração dos setores mais atrasados das mulheres para o trabalho de dirigir o país, a necessidade de reeducar as massas para o presente processo de trabalho social.

O trabalho social ensina a arte do governo.

“Nós não somos utópicos”, Lênin escreveu antes da Revolução de Outubro. “Nós sabemos que um trabalhador não-qualificado ou uma cozinheira não podem, imediatamente, assumir o trabalho da administração estatal. Nisso concordamos com os Cadetes, com Breshkovskaya e com Tsereteli. Nós diferimos, entretanto, desses cidadãos, uma vez que nós demandamos uma imediata ruptura com a visão preconceituosa de que somente o rico, ou funcionários escolhidos de famílias ricas, são capazes de administrar o estado, de desempenhar o trabalho ordinário e cotidiano da administração. Nós demandamos que o treinamento no trabalho de administrar o estado seja conduzido por trabalhadores e soldados com consciência de classe, e que esse treinamento comece imediatamente, isto é, que um começo seja feito imediatamente no treinamento de todo o povo trabalhador, todos os pobres, para esse trabalho”.

Nós sabemos que o governo soviético tem feito tudo o que pode para atrair as mulheres trabalhadoras da cidade e do campo para o trabalho da administração. E nós sabemos que grandes sucessos temos obtido nessa frente.

Lênin saudava calorosamente o despertar das mulheres do leste soviético. Uma vez que ele atribuía uma importância particular à elevação do nível das nacionalidades que tinham sido oprimidas pelo czarismo e pelo capitalismo, é bastante compreensível porque ele saudava calorosamente a conferência de delegadas do Departamento de Mulheres (Zhenotdel) das regiões e repúblicas soviética do Leste.

Abordando as conquistas do Segundo Congresso da Internacional Comunista, Lênin sublinhou que “o Congresso irá fortalecer os laços com o movimento comunista de mulheres, graças à conferência internacional de mulheres trabalhadoras convocada ao mesmo tempo”. [CW, Vol. 31]. Em outubro de 1932 nós presenciamos o 15º aniversário do poder soviético e sintetizamos nossas conquistas em todas as frentes, incluindo a da emancipação das mulheres.

Nós sabemos que as mulheres assumiram um papel bastante ativo na Guerra Civil, que muitas delas morreram em ação, mas muitas outras foram temperadas na batalha. Algumas mulheres foram condecoradas com a Ordem da Bandeira Vermelha pelo papel ativo que desempenharam na luta pelos sovietes durante a Guerra Civil. Muitas antigas combatentes agora ocupam importantes postos. As mulheres têm sido persistentes em aprender a conduzir o trabalho social.

Conferências de delegadas são uma escola de trabalho social. Em 15 anos, quase 10 milhões de mulheres delegadas passaram por essa escola.

Ao tempo em que nós assistimos ao 15º aniversário da Revolução de Outubro, de 20% a 25% dos representantes dos sovietes das vilas, comitês executivos dos distritos e sovietes da cidade são mulheres. Haviam 186 mulheres membros do Comitê Executivo Central de Toda a Rússia e do Comitê Executivo Central da URSS. Nesse trabalho elas atingem patamares cada vez mais elevados.

O número de mulheres membros do Partido Comunista também tem sido firmemente crescente. Em 1922 havia apenas 40 mil, mas em outubro de 1932 o número excedia 500 mil.

Muito progresso foi feito recentemente na satisfação da orientação de Lênin a respeito da completa emancipação da mulher.

Nos últimos anos, a indústria de larga escala tem se desenvolvido em um tremendo ritmo. Está sendo reorganizada sobre as bases da moderna tecnologia e organização científica do trabalho. A emulação socialista e o movimento dos “trabalhadores de choque” que agora tem sido amplamente adotado estimula uma nova atitude comunista em direção ao trabalho. E é preciso dizer que as mulheres não estão atrás dos homens nisso. Todos os dias nós vemos mais e mais trabalhadoras de linha de frente que apresentam grande energia e perseverança no labor. O trabalho não é algo com o que as mulheres tenham que se habituar: sob o antigo regime, as vidas das mulheres eram repletas de um contínuo, interminável trabalho, mas era o tipo de trabalho menosprezado e tedioso, sob a marca da servidão. E agora esse treinamento para o trabalho e perseverança no trabalho colocam as mulheres na linha de frente dos construtores do socialismo e heróis do trabalho.

A coletivização da agricultura era de maior importância para a emancipação das mulheres. Desde o primeiro momento, Lênin considerou a coletivização da agricultura como uma forma de reorganizá-la em marcos socialistas. Ainda em 1894, em seu livro “Quem são os amigos do povo”, Lênin citou as palavras de Marx segundo as quais, depois que a “expropriação dos expropriadores” é atingida, isso é, quando os senhores de terras são desapossados de suas propriedades fundiárias e os capitalistas de suas fábricas, os trabalhadores livres estarão unidos em cooperativas e será estabelecida a propriedade comunal (“coletiva”, como Lênin explicou) da terra e dos meios de produção que eles criem.

Na sequência da Revolução de Outubro, que marcou o começo da “expropriação dos expropriadores”, o governo soviético levantou a questão de organizar artéis[1] e comunas agrícolas. Em 1918 e 19, atenção particular foi depositada nisso, mas muitos anos passaram (como Lênin havia previsto) antes da coletivização se tornar extensiva e se enraizar profundamente. Os anos da Guerra Civil, quando a luta de classes varreu o país, o progresso do poder soviético nas vilas, a ajuda, a assistência cultural prestada pelo governo soviético ao interior – tudo isso preparou terreno para a coletivização, que está se desenvolvendo e crescendo cada vez mais forte na luta contra os kulaks.

A agricultura camponesa de pequena e média escala algemava as mulheres, as atava ao cuidado individualizado no lar e estreitava seus horizontes; elas eram, de fato, escravas de seus maridos, que muitas vezes as agrediam cruelmente. A agricultura de pequena escala pavimentava o caminho para a religião. Os camponeses costumavam dizer: “Cada homem por si e Deus por todos”. Lênin citou esse ditado em muitas ocasiões, uma vez que expressava perfeitamente a psicologia dos pequenos proprietários. A coletivização transforma o camponês de um pequeno proprietário em um coletivista, mina o isolamento camponês e o freio da religião e emancipa a mulher. Lênin disse que o socialismo, por si, traria a emancipação para as mulheres. Suas palavras agora estão se tornando verdade. Podemos ver como a posição das mulheres mudou nas fazendas coletivas.

O Congresso dos agricultores coletivos de primeira-linha, realizado no meio de fevereiro, é uma evidência contundente do progresso realizado no cultivo coletivo da terra. Há agora 200.000 fazendas coletivas, em comparação com as 6.000 que tínhamos antes. O Congresso discutiu a questão sobre o melhor modo de organizar o trabalho nas fazendas coletivas. Havia muitas mulheres na delegação. Sopina, uma agricultora coletiva da região de Chernozem Central, fez uma ótima fala que evocou aplausos estrondosos. Quando a mulher camponesa tem acesso aos desenvolvimentos da fazenda coletiva, ela cresce em estatura, aprende a governar e a lutar resolutamente contra os kulaks, o inimigo de classe…

A religião está perdendo terreno. Agora, as mulheres das fazendas coletivas vêm à biblioteca e dizem: “Você sempre me dá livros que simplesmente dizem que Deus não existe. Eu sei disso sem ler livros. Dê-me um livro que me diga como e porque a religião surgiu e como e porque ela morrerá”. Nos últimos anos houve um tremendo crescimento de consciência política das massas. Departamentos políticos nas estações de máquina e tratores (cujos membros incluem organizadoras das mulheres) ajudará não apenas a consolidar as fazendas coletivas, mas também ajudará os agricultores coletivos, homens e mulheres, a se livrarem dos preconceitos que sobrevivem e do atraso cultural; a falta de direitos para as mulheres se tornará uma coisa do passado.

Dez anos se passaram desde o dia da morte de Lênin. Neste dia triste, devemos conferir o cumprimento das orientações de Lênin. Nós devemos sintetizar seus resultados. As orientações de Lênin no tocante à emancipação das mulheres têm sido cumpridas sob o comando do partido. Nós devemos continuar a avançar nesta trajetória.
*
O COMUNISMO E A FAMÍLIA
...

terça-feira, 8 de março de 2022

8 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER * Federação Sindical Mundial

MANIFESTO 8 DE MARÇO
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
*

PALAVRAS E MULHERES 

Marcelo Mario de Melo / PE


Não se trata de olhar 

palavras e mulheres

pelo buraco da fechadura

nem de tentar arrastá-las

como invasor

ou acionista majoritário.


É preciso atraí-las 

encantá-las 

para que elas caminhem   

ao instante comum.


Queremos vê-las nuas 

mas não nus 

precipitemos.


Palavras e mulheres

têm calendário 

e estações.


Os brotos da rosa 

detém um tempo 

para se enfolhar 

e criar pétalas. 


As rosas maduras 

soltam as pétalas 

pouco a pouco.


Palavras e mulheres 

têm mil faces 

de baton 

nuvem

cristal 

toque de sino 

ópera 

valsa 

tango argentino

ou se enfrevam 

se enrockam 

viram banda marcial 

hino de guerra 

toque de alvorada 

ou de silêncio.


Palavras e mulheres  

gostam de mágica

brincar de se esconder 

e serem descobertas 

atrás da cortina.


Brincam  

de faz de conta 

e se fantasiam 

de fada 

bruxa 

freira 

puta.


E essas fantasias 

são visíveis  

somente para elas 

que ainda fazem 

cara de uma 

enquanto outra.


Palavras e mulheres

têm cios e silêncios 

sobre o muro

das lamentações

ou em rumorosos

comí

cios

ardentes.


Palavras e mulheres 

não  são

estrelas  ilhadas 

nuvens distantes.


São flores 

de mãos abertas 

atentas 

para dançar

com autonomia 

não meras 

montarias

mas cavaleiras livres

esperando 

montar

serem montadas

em cavalgadas

aladas.


Palavras e mulheres

querem ser amadas

fecundadas

mas para isto 

precisam ser 

adivinhadas.


O sonho do poeta 

e ter na mão

a chave do segredo

da adivinhação.

***

Con motivo de la celebración del 8 de marzo, Día de la Mujer trabajadora, este año 2022 observamos la evolución que ha sufrido la situación de la mujer en el mundo, y las transformaciones que los conceptos de género y sexo están sufriendo desde hace algún tiempo.

Del “Segundo sexo” pasamos a la categoría analítica del “género”, y el uso y abuso del género creó la necesidad de avanzar en el análisis de las condiciones materiales y económicas, causantes de la imposición de los roles y estereotipos, con las que el patriarcado y el capitalismo nos oprimen . Es importante recordar que, desde su introducción en los estudios feministas, el género fue acompañado de la exigencia de su abolición. Como desde los estudios socialistas se acuñó la categoría clase, para abolirla.

No es de extrañar que el capitalismo, en su fase neoliberal salvaje se haya aliado con el patriarcado de siempre y le haya financiado su actual disfraz. Entre ambos han construido un discurso retrógrado con apariencia progresista que inunda los medios y las mentes, a una velocidad que demuestra la mentira de ese supuesto progreso revolucionario. Nunca una revolución dispuso de los medios materiales que la llevaran al éxito con tal rapidez.

Y para que el análisis no progrese en la línea de las condiciones materiales y económicas, dan un paso atrás y aprovechan el terreno abonado por el abuso del término género, que ya había calado de forma acrítica en la sociedad y las instituciones.

Generalizar acríticamente la palabra género, ha permitido el juego de trileros en el que nos encontramos: la confusión intencionada de sexo con género, que borra el primero y lo sustituye por el segundo, para convertir deseos subjetivos en derechos, en detrimento de los derechos objetivos de igualdad entre mujeres y hombres, conseguidos a través de la larga lucha contra el capitalismo y el patriarcado.

Se trata de una reacción desesperada del capitalismo agonizante por su propia naturaleza y del patriarcado acorralado por movimientos feministas valientes y masivos en todo el mundo.

Por todo ello, las mujeres:

1. NO ACEPTAMOS, como solución a nuestro estado, un empoderamiento personal. LUCHAMOS por nuestra emancipación colectiva

2. NO QUEREMOS permanecer atrapadas en los supuestos privilegios de nuestro “género”, SINO ABOLIR EL GÉNERO Y LAS CLASES, y a sus secuelas de desigualdades y esclavitudes. En consecuencia, somos abolicionistas de la prostitución, de los vientres de alquiler, de la pornografía y de todo lo que concierne a la industria del sexo.

3. NO ACEPTAMOS ser personas útero portantes, o personas gestantes, como el nuevo mercado de las identidades genéricas pretende, en beneficio de la industria global del género.

4. NO ACEPTAMOS un mundo en el que la feminización de la pobreza va en aumento. Pobreza que es el origen de tantas violencias contra las mujeres. No solo de las sexualmente útiles a las industrias del sexo y del género, sino también a aquellas que siguen cuidando en su vejez o las que siguen luchando desde su juventud y ahora son atacadas por ello.

5. NO ACEPTAMOS los cánones de belleza patriarcales que imponen la hipersexualización a las jóvenes y someten al ridículo a aquellas que, cuando envejecen, se niegan a aceptar el paso del tiempo, porque el canon exige juventud..

6. NO ACEPTAMOS la devaluación de nuestra experiencia en la vejez.

7. NO ACEPTAMOS una vejez sin recursos suficientes para una vida digna.

8. NO ACEPTAMOS ser descalificadas o excluidas de posiciones de dirección política importantes por el solo hecho de ser mujeres.

9. NO ACEPTAMOS ser responsabilizadas de la opresión que sufrimos ni que sean borradas las razones que tenemos para organizarnos colectivamente ni que se encubran las desigualdades borrándonos de los registros estadísticos, al eliminar la desagregación por sexo.

Desde nuestra experiencia de vidas compartidas y desde nuestra organización mundial estamos dispuestas a luchar por una vida digna para todas las mujeres en edad de disfrutar de una jubilación digna, en esta generación y las siguientes. Las generaciones jóvenes son nuestras hijas y nietas. Por su futuro y nuestro presente, NO ACEPTAMOS la nueva embestida bicéfala del CAPITALISMO Y EL PATRIARCADO.

TODAS JUNTAS CONSEGUIREMOS ERRADICARLOS
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domingo, 20 de junho de 2021

Os afazeres domésticos são "coisas de mulher?" * Nadezhda Krupskaia / Russia

OS AFAZERES DOMÉSTICOS SÃO "COISAS DE MULHER?"


N. Krupskaia: os afazeres domésticos são “coisas de mulher”?
Nadezhda Konstantínovna Krúpskaia (1869-1939) foi uma revolucionária, escritora e educadora, tendo sido destacada personalidade do Partido Comunista e do Estado Soviético. Foi esposa de Lênin, com quem se casou em 1898.

Em seu texto “Deve-se ensinar ‘Coisas de Mulher’ aos meninos?”, de 1910, ela defende que os meninos devem começar a se familiarizar com as tarefas domésticas desde cedo, da mesma forma como ocorre com as meninas. A autora entende que a escola tem um papel fundamental a realizar neste sentido.

Na análise de Krupskaia, nas famílias mais abastadas os trabalhos domésticos cabem a uma empregada contratada (cozinheira, faxineira, babá). De forma que “a mulher de posses liberta-se de tais tarefas, encarregando outra mulher que não tem, ela mesma, chance de se libertar. De uma forma ou de outra, todo o trabalho doméstico recai exclusivamente sobre a mulher. No meio operário, o marido às vezes contribui com a esposa nos afazeres. A necessidade o obriga. Ao retornar do trabalho, nos feriados, nos dias de folga, o trabalhador por vezes vai até a mercearia, varre o chão e cuida das crianças. É claro, nem sempre e nem todos fazem isso; além do mais, muitos nem sequer sabem fazê-lo (costurar, lavar), e a esposa, que às vezes também passa o dia trabalhando fora de casa, quando volta, põe-se a lavar roupa, a limpar o chão e fica até tarde da noite costurando, quando o marido há muito está dormindo. Mas se entre os trabalhadores às vezes ocorre de o marido ajudar a esposa com o trabalho doméstico, nas assim chamadas famílias da intelligentsia, por mais desprovidas que sejam, o homem nunca participa desse serviço, deixando que a esposa faça suas ‘coisas de mulher’ da maneira como ela sabe. Um ‘intelligent’ limpando o chão ou remendando a roupa branca seria alvo de gozação de todos à sua volta”.¹

A autora denuncia a hipocrisia presente no discurso de homens que anunciam “seu grande respeito pelo trabalho doméstico”, mas que jamais se rebaixam a efetivamente realizá-lo. Para Krupskaia, estes hipócritas “no fundo de sua alma, desprezam essa tarefa, consideram-na coisa de seres menos evoluídos, possuidores de necessidades mais simplórias”.¹

A revolucionária reconhece que “certos trabalhos que exigem grande força física estão acima da capacidade das mulheres”; entretanto, não há justificativa para que os homens não dividam o trabalho em casa pois “à medida que a mulher é cada vez mais forçada a também se dedicar a assegurar seu ganha-pão, os afazeres domésticos tomam um tempo adicional, e não é justo que os homens não contribuam para a sua realização. Da mesma forma, se a profissão do marido permite que ele tenha muito tempo livre, não é justo que ele considere indigno se dedicar ao trabalho doméstico em pé de igualdade com a esposa”.¹

A autora descreve o papel da “escola livre” na luta contra preconceitos e na superação do princípio da desigualdade entre homens e mulheres: “A escola livre é uma ardente defensora da educação conjunta, uma vez que considera que o trabalho coletivo e as condições iguais de desenvolvimento favorecem a compreensão mútua e a aproximação espiritual dos jovens de ambos os sexos e, assim, servem de garantia para relações saudáveis entre homens e mulheres. A partir desse ponto de vista, a escola livre, ao ensinar trabalhos manuais, não deve diferenciar crianças de sexos distintos. É preciso que meninos e meninas aprendam da mesma forma a fazer todo o necessário no trabalho doméstico e não se considerem indignos de realizá-lo”.¹

A autora descreve como, desde cedo, a desigualdade é reforçada, de maneira que “as meninas recebem a incumbência de lavar as xícaras, de arrumar a mesa”, e são presenteadas com bonecas e louças. Enquanto isso, os meninos, brincam com trens e soldadinhos. Desta forma, embora Krupskaia soubesse da necessidade de mudanças mais profundas, estruturais, na sociedade, ela não deixava de vislumbrar possibilidades de se combater certas ideias e preconceitos, e o espaço escolar tinha, em sua visão, um papel importante.

Finalizando, é interessante notar como Krupskaia estava, em muitos aspectos, à frente de seu tempo. Por outro lado, é assustador notar como muitos preconceitos do início do século XX ainda estão presentes em nossa sociedade, sendo que ideias defendidas por ela em 1910 sejam, ainda hoje, consideradas “progressistas” ou até mesmo “revolucionárias”.
Referências:
¹.KRUPSKAIA, Nadezhda. Deve-se ensinar “Coisas de Mulher” aos meninos? Disponível em: https://www.marxists.org/.../krupskaia/1910/mes/ensinar.htm
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sexta-feira, 5 de março de 2021

Visual comunista, segundo "promotora" * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

Dia Internacional da mulher trabalhadora

Visual comunista, segundo "promotora"

Confira o BRASIL DE FATO
https://www.brasildefato.com.br/2021/03/04/promotora-sera-investigada-por-questionar-arte-do-dia-da-mulher-layout-comunista 
É no mínimo assustadora a atitude dessa "promotora", inclusive por se tratar de uma MULHER. Ela deveria se lembrar de que o patriarcado, o machismo, a violência patronal, policial, enfim, masculina, não é "meritocrata", ou seja, não olha para a condição social nem profissional na hora de abusar... Mas felizmente o Ministério Público está na "cola" dela.

quarta-feira, 3 de março de 2021

Libertação da mulher * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

 LIBERTAÇÃO DA MULHER 

Nadejda Krupskaia
8 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL 
DA MULHER TRABALHADORA
O casal Krupskaia e Lênin
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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

SOBRE A LIBERTAÇÃO DA MULHER * RITA LEE/SP

 DEPOIMENTO DE RITA LLE

SOBRE A LIBERTAÇÃO DA MULHER

Depoimento de RITA LEE sobre as mulheres. (texto de 2012)


Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor.

Vinham da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não ser mais Virgem e os irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos Bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.

Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou vestígios himenais dilacerados, e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente, esqueceu, morrendo tuberculosa.

Estes episódios marcaram para sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres? Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba. Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem à moda do momento e ficarem iirresistíveis diante dos homens. E, com isso,Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima.

Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composto de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E, no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.

Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem poder fálico da penetração e do estupro, tão bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas.

Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violência. As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.

É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.

São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.

Nem toda feiticeira é corcunda. Nem toda brasileira é só bunda.

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