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quarta-feira, 12 de abril de 2023

COMO É A LUTA PELA TERRA * Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra/MST

 COMO É A LUTA PELA TERRA


MST

Há quase 40 anos o Movimento Sem Terra (MST) atua se organizando por todo o país, ocupando e lutando pelo direito à terra a quem nela trabalha e produz. Ainda assim, muitas vezes o Movimento é mostrado para a sociedade como um grupo de “invasores” ou mesmo “terroristas”, quando a verdade é que o MST atua na linha de frente da produção de alimentos saudáveis para a população a partir da perspectiva da agricultura familiar e agroecologia.

Para entender a diferença entre ocupação e invasão, é necessário partir do conceito do uso social da terra. Uma área que não vêm sendo utilizada para a finalidade para qual foi criada, como uma fazenda que encerrou suas atividades de plantio, ou que possui irregularidades em relação ao trabalho, descumpre essa função da propriedade, tornando-se um local ocioso.


Não cumprir a função social significa dizer que a terra tem degradação do meio ambiente, tem trabalho escravo e/ou ela não produz. Esta terra, tendo um destes três elementos, ela deve, como a nossa lei manda, ser desapropriada para fins da reforma agrária.


E é neste contexto que o MST organiza e atua para a produção de alimentos saudáveis. No total, são cerca de 450 mil famílias que conquistaram a terra por meio da luta e organização dos trabalhadores rurais. Os latifúndios desapropriados para assentamentos normalmente possuem poucas benfeitorias e infraestrutura, como saneamento, energia elétrica, acesso à cultura e lazer. Por isso, as famílias assentadas seguem organizadas e realizam novas lutas para conquistarem esses direitos básicos.


Mas, por que é tão importante distinguir invasão de ocupação de terras?


Em 2022, completamos 200 anos da Independência do Brasil. E a resposta a essa pergunta está justamente nesta data, na invasão europeia aqui no Brasil, com o processo de saque e sucessivos ciclos econômicos de exploração na agricultura, acompanhado de todo o processo de escravização indígena e negra.


A partir do processo da independência, começa-se a pensar com muita força sobre como vai se dar a questão do domínio da terra e, consequentemente, vai se criando todo um clima favorável no Brasil para que as elites pudessem aprovar a primeira lei de terras no Brasil.


Em 1850, temos justamente a determinação de que as terras seriam privadas de quem pudesse comprar as terras ou terras públicas do Estado. E isso foi um fator preponderante na história do nosso país, que perpetuou a concentração da terra de forma completamente antidemocrática, a partir de uma medida extremamente elitista, que não leva em consideração as pessoas que aqui viviam.


Assim, de 1888 para frente, o MST defende que o processo de resposta à essa invasão da elite era a ocupação territorial dos negros e negras. Essa luta é que dá origem às ocupações de terra que depois vai ganhando força na luta por reforma agrária nas Ligas Camponesas, e que faz surgir movimentos importantes e, mais recentemente, o surgimento do Movimento Sem Terra, que já tem quase 40 anos.


Invasão é coisa de elite. Ocupação é o direito legítimo dos povos de restituir aquilo que lhes foi roubado.


Outra perspectiva histórica sobre como o MST traz uma importante contribuição de que o termo ocupação é um conceito constituído pela classe trabalhadora, para que ela possa ter direito de acesso à terra. Além disso, mesmo depois de assentadas, estas famílias permanecem organizadas no MST, pois a conquista da terra é apenas o primeiro passo para a realização da Reforma Agrária.


A ocupação é justamente a resposta que tiveram os trabalhadores, os escravizados que não tiveram acesso à terra. Eles tiveram que ocupar o território, a terra pública, no sentido de torná-la uma moradia e de torná-la produtiva para poder viver


Assim, o MST entende que é preciso organizar, ocupar e estimular a produção de alimento saudável. O principal objetivo do MST é a transformação social por meio da Reforma Agrária, a partir do uso de áreas improdutivas, latifúndios, terras griladas, ou que, entre outras irregularidades, cometam crimes ambientais e não respeitem as relações de trabalhos existentes ali.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Milícias infestam o INCRA-RJ * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/BR

 Milícias infestam o INCRA-RJ

Cassius - INCRA-RJ

O INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, é uma autarquia federal da Administração Pública brasileira. Foi criado pelo decreto nº 1 110, de 9 de julho de 1970, com a missão prioritária de realizar a reforma agrária, manter o cadastro nacional de imóveis rurais e administrar as terras públicas da União.

No entanto, uma coisa é a lei e outra, a pena. E o que acontece, via de regra, é o desvio da função, não só de órgãos, mas de servidores, inclusive. E o INCRA não poderia ser diferente. Num passado não tão remoto, foi instrumentalizado pelos coronéis do Brasil profundo, e ajudou na grilagem de muitas terras com propriedade duvidosa ou documentação precária. Depois de algumas águas por baixo das pontes, levando corpos de vítimas, da ditadura militar inclusive, adquiriu algum status de entidade cidadã, graças à força adquirida pelo MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Mas em algumas regiões do país, por exemplo, Minas Gerais e Goiás, virou braço das UDRs - União Democrática Ruralista, milícia formada por fazendeiros, sob o comando de oligarquias poderosas, tais como os Tancredo Neves de Minas e os Caiados, de Goiás.

Mas a quantidade de vítimas acabou por afogar seus anseios políticos no mar de sangue, incluindo líderes agrícolas, religiosos, jornalistas, caciques indígenas, todos mortos pela capangagem ruralista. E por mais que os movimentos de Direitos Humanos contem com a colaboração de órgãos da imprensa nacional e internacional, esse é um setor do conflito de classes no Brasil que exige de todos nós o máximo de atenção.

Nesse período pós golpe 2016, o aumento da violência no campo tomou proporções idênticas ao período da ditadura militar. Hoje, nós trabalhadores agrícolas com terras reconhecidas, dos assentamentos, dos quilombos,  e inclusive das reservas, temos sofrido constantes ataques da grilagem,  oriunda de diversas fontes. Mas após as eleições de 2018, com a chegada do "bolsonarismo" ao governo nacional,  isso tomou proporções assustadoras, inclusive graças à manipulação através do INCRA em diversos estados. 

Vamos deixar aqui o registro apenas sobre o Estado do Rio de Janeiro, o que está acontecendo neste momento, no município de Bom Jesus de Itabapoana, com a Comunidade de Barreirinha, onde o projeto de construção de um porto põe em risco a vida da população local, passando por cima de toda a legislação pertinente.  Para isso, os interessados nesse projeto, contam com o beneplácito da Equipe do INCRA estadual, integrada pelo Superintendente Cassius 

(foto abaixo).

-Cassius, primeiro a esquerda-

A seguir, algumas fotos que dispensam texto:



Mais sobre o mesmo

JORNAL VOZ DA RESISTÊNCIA

https://www.vozdaresistencia.com.br/2021/06/16/chefe-do-incra-no-rj-posta-foto-armado-e-camponeses-veem-ameaca/ 

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