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sábado, 30 de novembro de 2024

Josué de Castro Pensador da Fome * Rodolfo Alves Pena/Brasil Escola

Josué de Castro Pensador da Fome
Josué de Castro destacou-se por seu trabalho sobre a Geografia da Fome no Brasil, bem como sobre suas causas e os meios para combatê-la.

"Josué de Castro (1908-1973) foi um pensador e ativista político brasileiro nascido na cidade de Recife. Apesar de não ser geógrafo de formação (sua graduação era em medicina), tornou-se um dos maiores pensadores da Geografia, em virtude, principalmente, das obras Geografia da Fome e Geopolítica da Fome.

Além de sua formação em medicina, também foi livre-docente em Fisiologia (Faculdade de Medicina do Recife), professor catedrático de Geografia Humana (Faculdade de Ciências Sociais do Recife e na Universidade do Brasil) e de Antropologia (Universidade do Distrito Federal). Foi também embaixador do Brasil na ONU, em Genebra, além de ter sido eleito Deputado Federal pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) em 1954 e em 1958. Como resultado da implantação do regime militar, mesmo tendo sido eleito o Deputado com maior número de votos no Nordeste, Josué de Castro teve seus direitos políticos cassados pelo Ato Institucional n°1 em 1964.

Castro caracterizou seu pensamento por romper com algumas falsas convicções que imperavam em seu período (e que ainda se fazem presentes nos dias atuais) de que a fome e a miséria do mundo eram resultantes do excesso populacional e da escassez de recursos naturais.

Em suas obras, provou que a questão da fome não se tratava do quantitativo de alimentos ou do número de habitantes, mas sim da má distribuição das riquezas, concentradas cada vez mais nas mãos de menos pessoas. Por isso, acreditava que a problemática da fome não seria resolvida com a ampliação da produção de alimentos, mas com a distribuição não só dos recursos, como também da terra para os trabalhadores nela produzirem, tornando-se um ferrenho defensor da reforma agrária.

Geografia da Fome

Logo no início de sua obra Geografia da Fome, Josué de Castro afirmou que “Interesses e preconceitos de ordem moral e de ordem política e econômica de nossa chamada civilização ocidental tornaram a fome um tema proibido, ou pelo menos pouco aconselhável de ser abordado”.

Nessa obra, o autor realizou um intenso trabalho no sentido de mapear toda a distribuição e concentração da fome no Brasil. O resultado foi a derrubada de alguns mitos: de que a fome decorria de influências climáticas ou de que tal processo era culpa da improdutividade da população que optava pelo ócio, argumentos bastante populares ainda hoje.

O autor dividiu o país em cinco regiões conforme as características alimentares de cada uma delas. Analisou as características naturais, bem como alguns processos históricos, como a colonização e as transformações políticas e econômicas de cada localidade. Assim, comprovou que a ocorrência da fome e da desnutrição da população não tinha relação com fatores naturais, mas sim políticos, sendo necessária a adoção de políticas de distribuição alimentar e a implantação da reforma agrária.

Geopolítica da fome

Nessa obra, diferentemente da primeira apresentada, Josué eleva a análise da fome a um nível internacional, regionalizando sua análise entre os continentes da América, África, Ásia e Europa.

Josué prossegue e confirma sua tese de que a questão da fome trata-se da má distribuição das riquezas e dos produtos, e não da escassez em termos quantitativos. Nesse sentido, ele demonstra como os processos de colonização e dependência econômica estão diretamente ligados à geração de pobreza e miséria extrema no mundo.

Por Rodolfo Alves Pena
Graduado em Geografia"
Veja mais sobre "Josué de Castro" em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/josue-castro.htm

domingo, 6 de novembro de 2022

HOMENAGEM * Andréa Matos - RO/Alba Valéria Aparecida da Silva-GO

HOMENAGEM


Um brinde a você que sobreviveu à longa noite fascista que se instalou no Brasil, desde 2016;


Um brinde a você que foi chamado de petralha, comunista, apenas por ter demonstrado apreço à democracia e à liberdade;


Um brinde a você que inúmeras vezes foi ameaçado e ironizado nas redes sociais;


Um brinde a você que não desistiu de lutar, mesmo quando toda a massa ignara e a grande imprensa insistia no seu discurso neo-fascista;


Um brinde a você que, pra se preservar, cortou laços com tantas pessoas com quem tinha ,antes da grande noite , um convívio sadio;


Um brinde a você que não bebeu da fonte do ódio que se espalhou pela Nação, disfarçada de justiça;


Um brinde a você que descartou o rótulo de “cidadão de bem”, enquanto milhões perdiam os direitos previdenciários e trabalhistas;


Um brinde a você que sempre foi solidário com a parcela mais frágil da sociedade;


Um brinde a você que se indignou diante das tragédias ambientais;


Um brinde a você que se entristeceu diante da verdadeira chacina que foi a pandemia de Covid;


Um brinde a você que sempre acreditou na Ciência, na vacina e não na cloroquina;


Um brinde a você que não se curvou aos falsos profetas, disfarçados de Messias;


Um brinde a você que nunca abriu os dedos das mãos pra fazer gesto de “arminha”;


Um brinde a você que resistiu, mesmo, quando milhões acreditavam no falso mito;


O percurso será longo e duro para reconstruir tudo o que destruíram, mas um brinde a você que acreditou que a primavera chegaria.

UM BRINDE À ESPERANÇA 


Eu hoje brindo a você

Que é um sobrevivente

De um governo demente Incompetente

 e fascista Tirano e egoísta 

Que no Brasil se instalou

Mas em trinta de outubro

O povo decidiu tudo

E o fascismo derrotou


Hoje eu brindo a você

Que foi chamado de petralha

De jumento com cangalha

E de pão com mortadela

Brindo a você, brindo a ela

Que resistiu a esse relho

O nosso sangue é vermelho

A bandeira verde e amarela. 


Eu hoje brindo a você

Que foi chamado comunista

De vagabundo petista

Mas que manteve a labuta

Que nunca fugiu da luta

Foi na urna e votou

E com seu voto derrotou

O genocida egoísta



 Eu hoje brindo a você

Que votou por liberdade

Que acreditou na igualdade

De um país mais humano

Botou pra fora o tirano

Trouxe de volta a alegria

Pois nossa democracia

Já não suporta esse dano.


Eu hoje brindo a você

Que nas redes sociais

Sofreu por coisas banais

Ironias, ameaça

Levante agora sua taça

E comemore feliz

Pois vencida a desgraça

Que assolava o país.


Eu hoje brindo a você

Que não deixou de lutar

Não deixou de acreditar

E de esperar por bonança 

Que manteve a esperança 

De ver chegar a justiça

Que com muita temperança 

Pôs fim a tanta injustiça

Derrotando o fascista

Que causava insegurança.


Eu hoje brindo a você 

Que viveu esse episódio

Vendo imperar o ódio 

Aqui, ali, mais além

Pelo " cidadão de bem "

Que fez arminha com a mão

Que ameaçou a nação 

E hoje está sem ninguém.


Eu hoje brindo a você

Que sempre foi solidário

Com índio e o operário 

E com a causa indigenista

Que o governo salafrário

Tratou com tanta injustiça.


Eu hoje brindo a você

Que perdeu gente com COVID

Eu peço ninguém duvide

Acreditou na vacina 

Mas esse tal presidente

Sociopata, incompetente

Quis tratar com cloroquina


Sei que o percurso foi longo

Foi triste, foi dolorido

Seu caminho foi sofrido

Mas você ficou na espera

Do raiar de um novo dia

Fé, confiança e alegria

Eis chegada a primavera.


Professora Alba, poetisa do entorno.

***

terça-feira, 30 de agosto de 2022

O nosso povo tem fome! * Evaldo Araujo - PE

 O nosso povo tem fome!


Preste atenção cabra ruim

Me nego a dizer seu nome

Cale a boca seu insano

Porque o Brasil tem fome 


Os grãos aqui produzidos 

Não vão pro prato do povo

Só servem como commodities;

Pro rico ganhar de novo 


Metade da nossa gente 

Já sente Insegurança 

Alimentar, quando acorda,

Já vive sem esperança 


Raciona o alimento 

Rebaixa a qualidade

E mesmo assim o seu prato

Não enche nem a metade 


Mas o drama é bem maior 

Para outros brasileiros 

Porque 33 milhões 

Sentem fome o dia inteiro


Deixe de ser maloqueiro

Tome tino: “seja home”

Cale a boca, irresponsável 

Pois nosso Brasil tem fome 


Você nos trouxe a miséria 

Por favor, veja se some

Cale a boca, incompetente 

Porque o Brasil tem fome


Não pise no meu Nordeste 

Outro destino já tome

Pois a nossa região 

É a que sente mais fome 


E você  vem com o descaro 

De dizer que o povo come

Caia fora Bolsonaro!

O nosso povo tem fome!


Evaldo Araujo - PE

27/8/2022

&
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terça-feira, 16 de agosto de 2022

O SUCESSO DO AGRONEGÓCIO É A FOME DO BRASILEIRO * Alexandre Santos - PE

O SUCESSO DO AGRONEGÓCIO É A FOME DO BRASILEIRO

Vocês já viram a barriga de um fazendeiro? É enorme. Ela reflete a fatura e a prosperidade do agronegócio - um setor que, segundo estudos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cresceu 8,36% em 2021 e participou com 27,4% dos R$ 8,7 trilhões do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. 

O sorriso do pessoal do agronegócio traduz o orgulho do presidente Jair Bolsonaro, que outro dia - em discurso na Cúpula das Américas, em Los Angeles, no EUA - disse que “o Brasil garante a segurança alimentar de um sexto da população mundial, alimentando 1 bilhão de pessoas no mundo”. 

Bolsonaro quis dizer que, ocupando a terceira posição entre os países exportadores de alimentos (atrás apenas dos EUA e da União Europeia), o Brasil é responsável por 5,7% do mercado mundial de alimentos, sendo campeão da exportação de Soja, Café, Milho, Carne de frango e de boi, Frutas, Açúcares e melaços. O orgulho do presidente tem razão de ser, o Brasil é o maior produtor mundial de soja, com 135,409 milhões de toneladas, possui uma população bovina de 218,2 milhões de cabeças (maior do que a população humana), população suína de 40,6 milhões de porcos, além de ter expressiva produção agrícola dos outros gêneros, incluindo ovinos, caprinos, bufalino, aves, pescados, etc. Mas, infelizmente, neste jardim de fartura e de sorrisos (inclusive do presidente Jair Bolsonaro), nem tudo é flor.

 Pelo contrário. Desmoralizando a importância política que a gigantesca exportação de alimentos poderia representar (só em março deste ano, o agronegócio brasileiro exportou 169,41 mil toneladas de carne bovina), estudos apontam que 36% da população brasileira encontra-se em situação de insegurança alimentar grave. 

Sem qualquer providência concreta do governo Bolsonaro para mudar a situação, a fome avança no Brasil e já atinge 33,1 milhões de pessoas, contingente que representa 15,5% da população brasileira. 

Num país que se gaba de ‘alimentar o mundo’, haver pessoas dependendo de restos para sobreviver é uma vergonha. Infelizmente, o governo parece não se preocupar com a presença do País no chamado mapa da fome, preferindo comemorar o sucesso e a prosperidade do agronegócio e o fato de alimentar 1 bilhão de ricos espalhados pelo mundo.

BOZO DEFENDE TALVANE

Leia mais em
Alexandre Santos pode ser acompanhado em youtube.com/c/ArteAgora
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domingo, 14 de agosto de 2022

A FOME COMO POLÍTICA DO CAPITAL * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

A FOME COMO POLÍTICA DO CAPITAL


Número equivale a 15,5% da população brasileira em situação de insegurança alimentar grave.


Divulgado nesta quarta-feira (8), o 2º VIGISAN – Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil revela que a quantidade de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, ou seja, passando fome, praticamente dobrou em menos de dois anos.

Esse contexto afeta diretamente 33,1 milhões de brasileiros, o equivalente a 15,5% da população, 14 milhões a mais de pessoas passando fome na comparação com o primeiro levantamento realizado em 2020.

Para o nutricionista e presidente do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), Élido Bonomo, os dados apontam para um cenário de retrocesso. “Atingimos um nível muito próximo do observado na década de 1990. Vimos cenas horripilantes, como a ‘fila dos ossos’, algo inaceitável para um país como o Brasil, que já foi referência no combate à fome. Devemos voltar nossa atenção para o fortalecimento das políticas públicas, com ações efetivas que garantam a segurança alimentar e nutricional da população”, destacou.

O presidente do CFN reforça que, desde 2010, o Direito Humano à Alimentação Adequada está previsto na Constituição Federal, fruto da luta e articulação dos movimentos, redes e coletivos da sociedade civil organizada. “Precisamos unir todos os movimentos da sociedade civil em ações conjuntas. Neste sentido, os dados apresentados pela pesquisa são elementos que devem ser atentamente analisados. Servem como contribuição para quais ações e políticas precisamos executar”, declarou Élido.

O levantamento foi realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN) entre novembro de 2021 e abril de 2022, passando por 12.745 domicílios de 577 municípios nos 26 estados e no Distrito Federal.


Piora do cenário

A pandemia de Covid-19 e a crise econômica são fatos associados diretamente ao avanço da fome observado nos últimos dois anos. O I VIGISAN, divulgado em abril de 2021, apontava 19 milhões de brasileiros passando fome. Também deve ser levado em consideração, o esvaziamento de políticas públicas, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Maiores impactados

Na distribuição geográfica da fome, o Norte e o Nordeste são as regiões mais impactadas (71,6% e 68% respectivamente). São indicadores maiores que a média nacional (58,7%), sendo realidade diária para 25,7% das famílias no Norte e 21% no Nordeste.

O campo também enfrenta a fome. Nas áreas rurais, a insegurança alimentar, em todos os níveis, atinge 60% das residências. Desse total, 18,6% das famílias vivem com insegurança alimentar grave. A fome atingiu 21,8% dos domicílios de agricultores familiares e pequenos produtores.

A fome também afeta diretamente 65% dos lares chefiados por pessoas pretas ou pardas, que convivem com restrição de alimentos. Na comparação com o I VIGISAN, de 2020, a fome passou de 10,4% para 18,1% nas casas comandadas por pretos ou pardos. O gênero também é um fator que contribui para este cenário. Nos lares chefiados por mulheres, a fome saltou de 11,2% para 19,3%.

Insegurança alimentar

Segundo a pesquisa, 125,2 milhões de pessoas convivem com algum grau de insegurança alimentar, algo que corresponde a 58,7% da população brasileira. Comparando com 2020, houve aumento de 7,2% e na análise com 2018, o avanço alcança 60%.

A insegurança alimentar é classificada em três níveis: leve, moderada e grave.

Leve – quando a família possui preocupação ou incerteza sobre o acesso aos alimentos no futuro, com qualidade inadequada, resultado de estratégias que visam não comprometer a quantidade de alimentos. Já atinge 28% da população.

Moderada – quando existe redução quantitativa de alimentos entre adultos ou mudança nos padrões alimentares por falta de alimentos. Já atinge 15,2% dos brasileiros.

Grave – quando existe redução quantitativa dos alimentos entre as crianças, com mudanças nos padrões alimentares por conta da falta de alimentos. Nesse contexto, a fome passa a ser uma realidade dentro do lar. Esse cenário já atinge 15,5% da população.

segunda-feira, 21 de março de 2022

Já pensou na próxima refeição? * Patrick Mateus / SP

JÁ PENSOU NA PRÓXIMA REFEIÇÃO?

Ah, troque o feijão preto por outras leguminosas. Quais? Grão de bico? Vinte golpes o quilo! Lentinha? Ervilha seca? Mais de dez golpes o meio quilo.

Troque carne por ovos! A dúzia: doze reais! Troque óleo de soja por banha de porco! A banha: vinte reais o quilo!

O que restou ao pobre? Já estão vendendo cascas de legumes no supermercado! CASCAS!

O agro que é tech, que é pop, e está na Globo, também está nos matando de fome!

Não existe mais política de segurança alimentar. Vão transformar toda a produção em "exportação, vão vender tudo para o mercado externo, e nosso povo vai morrer de fome, mesmo que seus impostos financiem a safra desses marginais!

Vai faltar fertilizante (pois os nitrogenados e derivados de potássio vem da Rússia) e a produção mundial vai diminuir. O valor dos cereais vai disparar. Eles vão desaparecer da mesa do brasileiro para encher os pratos dos europeus. Quem paga mais, leva!

Em um país que prezasse pelo estado de bem estar social, proibir-se-ia a exportação de todo e qualquer cereal até que o mercado interno estivesse fartamente abastecido, com preços indexados em real, ainda que subsidiados pelo Estado, e apenas o excedente seria exportado. Mas não no Brasil, aqui, primeiro se vende tudo o que puder ser vendido, e se sobrar, alimentem o povo.

O que precisa ser substituído é esse governo nazifascista, miliciano, corrupto, adepto do moralismo, quando na verdade é regado à mais pura devassidão. Um governo sustentado por seitas ditas cristãs, que na realidade não passam de balcões de negócio, onde o produto comercializado é a crença cega dos incautos, enganados pelos estelionatários da fé, em suas fogueiras santas, sua unção milagrosa com óleo perfumado, e suas mil e uma heresias profanas que nada tem a ver com o Jesus crucificado.

Um governo que é sustentado por tipos como um certo bispo católico Romano gaúcho, acusado de pedofilia, e que é expressão da defesa dos valores da "família tradicional cristã", enquanto abusava de jovens seminaristas na sacristia da Igreja. Ou então, pela sogra ultraconservadora de um político de direita, que cheirava cocaína na bunda de outra mulher.

É essa gente que defende o governo da fome, da carestia, da miséria, do desemprego e do ódio.

Não troque mesa farta por miséria! Troque a síndrome da classe média por consciência de classe. Troque o falso moralismo cristão por um cristianismo inclusivo e libertador.

Patrick Mateus

quinta-feira, 17 de março de 2022

Cordel da fome * Bráulio Bessa / CE

 Cordel da Fome

Eu procurei entender
qual a receita da fome,
quais são seus ingredientes,
a origem do seu nome.
Entender também por que
falta tanto o “de comê”,
se todo mundo é igual,
chega a dar um calafrio
saber que o prato vazio
é o prato principal.

Do que é que a fome é feita
se não tem gosto nem cor
não cheira nem fede a nada
e o nada é seu sabor.
Qual o endereço dela,
se ela tá lá na favela
ou nas brenhas do sertão?
É companheira da morte
mesmo assim não é mais forte
que um pedaço de pão.

Que rainha estranha é essa
que só reina na miséria,
que entra em milhões de lares
sem sorrir, com a cara séria,
que provoca dor e medo
e sem encostar um dedo
causa em nós tantas feridas.
A maior ladra do mundo
que nesse exato segundo
roubou mais algumas vidas.

Continuei sem saber
do que é que a fome é feita,
mas vi que a desigualdade
deixa ela satisfeita.
Foi aí que eu percebi:
por isso que eu não a vi
olhei pro lugar errado
ela tá em outro canto
entendi que a dor e o pranto
eram só seu resultado.

Achei seus ingredientes
na origem da receita,
no egoísmo do homem,
na partilha que é malfeita.
E mexendo um caldeirão
eu vi a corrupção
cozinhando a tal da fome,
temperando com vaidade,
misturando com maldade
pro pobre que lhe consome.

Acrescentou na receita
notas superfaturadas,
um quilo de desemprego,
trinta verbas desviadas,
rebolou no caldeirão
vinte gramas de inflação
e trinta escolas fechadas.

Sendo assim, se a fome é feita
de tudo que é do mal,
é consertando a origem
que a gente muda o final.
Fiz uma conta, ligeiro:
se juntar todo o dinheiro
dessa tal corrupção,
mata a fome em todo canto
e ainda sobra outro tanto

pra saúde e educação.

Bráulio Bessa / CE

quarta-feira, 16 de março de 2022

Manifesto contra o desemprego, a fome e a carestia * Comitê de Luta dos Desempregados/CLD

COMITÊ DE LUTA DOS DESEMPREGADOS

Manifesto contra o desemprego, a fome e a carestia

criar urgentemente Comitês de Luta dos Desempregados!

FORA BOLSONARO E OS GOLPISTAS

1- O Brasil vive uma das mais graves crises em toda a sua história republicana. O desemprego em nosso país, que em números oficiais atingiu no final de 2021 praticamente 13% da força de trabalho no país, ou 13,5 milhões de pessoas.

Se levarmos em conta os trabalhadores desalentados, que não procuram mais empregos devido ao longo tempo de espera e falta de perspectivas de voltar ao mercado de trabalho, somado aos sub-ocupados, ou seja, trabalhadores sem registro em carteira, ou por conta própria etc, que são na prática uma espécie de desemprego disfarçado, teremos de fato um número assustador de desocupados e precarizados, que superam a metade da força ativa de trabalho no país.

Isso é uma verdadeira tragédia social, pois nenhuma sociedade pode se manter por longo tempo diante de tal situação;

2- As revoluções tecnológicas das últimas cinco décadas, fez avançar um grande potencial produtivo e informacional, automatizando em boa parte as grandes fábricas, facilitando as reestruturações produtivas, enxugamento dos quadros de funcionários, etc, tendo como consequência a expulsão de um grande contingente de trabalhadores de seus postos, aprofundando o desemprego em massa.

Por outro lado, a nova divisão mundial do trabalho que surge, incrementou o processo de deslocalização permanente de grandes plantas industriais para o leste asiático desde os anos 70 e 80 do século passado, abrindo o caminho para uma espécie de "desindustrialização" relativa e regresso neocolonial de nossa economia, cada vez mais ancorada em exportações primárias para o mercado mundial;

3- Os efeitos mais graves dessas profundas transformações que ocorrem em nossa economia, é o aprofundamento sem par, de um desemprego de caráter estrutural, que toma conta do país, faz avançar a precarização do trabalho e das condições de existência de nosso povo;

4- Uma outra chaga que cresce e tem tomado conta de nossa sociedade é a fome. As cenas repugnantes de seres humanos se humilhando em filas para conseguirem osso para se alimentarem, ou mesmo as imagens traumáticas de pessoas sem comer, pedindo trocados e dormindo nas ruas e viadutos de nossas cidades são cada vez mais comuns e naturalizadas. Isso é sinal de decomposição social e de barbárie nua e crua que tomou conta não só do Brasil, mas de todo o mundo governado pela burguesia. Os capitalistas, grandes empresários, banqueiros, latifundiários, megas comerciantes etc, perderam a capacidade de se manterem no controle da sociedade. O que nos reservam, como produto da crise capitalista, é mais desemprego, fome e guerras;

5-A carestia dos produtos básicos de consumo dos povo trabalhador e pobre, tem impedido o acesso das massas populares a comida, gás de cozinha, luz elétrica, água etc. As classes dominantes brasileiras de origem escravocrata, enquanto empobrece nosso povo, tem se beneficiado de uma das mais cruéis concentrações de renda do globo.

E diante do atual surto inflacionário que toma conta do país, ficam ainda mais ricos às custas da miséria de nosso povo;

6- O Brasil vive dessa forma, um total desmonte de sua estrutura social, regredindo a estágios já superados em seu nível de desenvolvimento econômico, ficando claro que as classes dirigentes da nação perderam o rumo e tornaram-se ainda mais os vetores da radicalização do processo avançado de maior dependência e subdesenvolvimento nacional em benefício do capital estrangeiro e imperialista;

7- Diante de tal situação dramática, é preciso que nosso povo entre em movimento, se mobilize em torno de um Programa que expresse seus interesses mais imediatos.

No entanto, precisamos de organismos que possam corresponder politicamente e socialmente a tais demandas históricas, mas também imediatas. Ou seja, é preciso pôr em pé, construir no país comitês de base contra o desemprego, a fome e a carestia;

8- Propomos a criação dos Comitês de desempregados, que aglutine, centralize e organize os trabalhadores que estão sem empregos, mas também, que possa aproxima-los no sentido organizativo, dos operários que estão trabalhando;

9- Os Comitês de Luta dos Desempregados também se propõe a atuar no combate à carestia e à fome. Como propostas programáticas concretas, defendemos:
Contra o desemprego, redução imediata da jornada de trabalho. Diminuir a jornada para que todos e todas trabalhem;

Contra a carestia, propomos a mudança imediata da política de preços da Petrobrás e a reestatização da empresa sem indenização, sob controle de um Comitê dos trabalhadores petroleiros; e que seja abolido a negociação de papéis e títulos da empresa na bolsa de Nova Iorque;

Propomos o congelamento dos preços dos produtos de consumo popular, como alimentos, energia elétrica, gás de cozinha, água potável, internet, etc;

Propomos uma renda mínima emergencial de um salário mínimo aos trabalhadores desempregados, por parte do Estado brasileiro;

Diante do avanço da crise e do desemprego, defendemos a ocupação sob gestão operária das empresas que demitirem.
As massas não podem ficar passíveis e imóveis em completa inanição, enquanto suas condições de vida se degradam e os magnatas ficam mais ricos. Ao não atendimento de tais demandas básicas, defendemos as novas "marchas da fome", organizadas pelos Comitês de Desempregados e luta contra a fome, para ocupar as grandes redes de hipermercados multinacionais, que tiram todo o proveito de nossa gente, devido às suas posições monopolistas;

Defendemos o não pagamento da dívida pública (interna e externa), que tem consumido a maior parte das riquezas produzidas por nosso povo, em benefício dos grandes banqueiros e magnatas internacionais do capital, que ano após ano, abocanham quase a metade do orçamento público brasileiro, parasitando às custas de nosso suor e sangue;

Defendemos a luta dos trabalhadores sem terra e dos povos indígenas, que vêm sendo vítimas dos interesses mais retrógrados e desumanos do latifúndio, batizado pela grande imprensa capitalista de "agronegócio", numa clara jogada ideológica para confundir o povo brasileiro. Umas das únicas formas viáveis para um salto no nosso desenvolvimento econômico e social, bem como para humanizar os trabalhadores do campo, bem como garantir a existência dos povos originários em nosso país, é transformar radicalmente as relações no campo brasileiro. Nessas condições, defendemos intransigentemente a revolução agrária, que coloque fim à criminosa concentração da terra, sob monopólio dos grandes exploradores do povo brasileiro;

Defendemos a nacionalização do capital financeiro e das grandes empresas monopolistas, sob o controle das massas trabalhadoras;

Pelo poder operário e popular!