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terça-feira, 19 de agosto de 2025

AONDE MORA A SOBERANIA NACIONAL DO BRASIL? * FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES/FRT

AONDE MORA A SOBERANIA NACIONAL DO BRASIL?
"Cannabrava | Mercenários ucranianos treinando na Aman: um escândalo contra a soberania nacional

Associação com grupos mercenários estrangeiros é crime no Brasil; como signatário de convenções internacionais, o país não pode compactuar com a infiltração de estruturas ilegais em suas instituições armadas

Conteúdo da página

Um fato gravíssimo e inaceitável ocorreu recentemente em solo brasileiro. A Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), a mais prestigiada escola de formação de oficiais do Exército, abriu suas portas para um curso de “Táticas de Pequenas Unidades” ministrado por mercenários da Phantom Black Company — grupo estrangeiro diretamente subordinado à inteligência militar da Ucrânia.

Esse episódio, ocultado pela grande mídia, não é apenas uma afronta à soberania nacional. É também uma violação das leis brasileiras e dos acordos internacionais que proíbem o mercenarismo. Um escândalo que exige resposta imediata do governo, firmeza das instituições e atenção da comunidade internacional.

Um braço da inteligência ucraniana no coração do Brasil

A Phantom Black Company não é um grupo qualquer. Em seu próprio site, define-se como “destacamento de ação tática que opera nas sombras da Ucrânia, sob o comando da Legião Internacional de Defesa e da Diretoria Principal de Inteligência (GUR).” Ou seja: uma Companhia Militar Privada (PMC), criada para operações secretas, sabotagem, reconhecimento ofensivo e eliminação de alvos.

A empresa recruta estrangeiros, exige fluência em inglês e os envia para a linha de frente da guerra. Estamos, portanto, diante de uma organização paramilitar transnacional, operando como braço direto da inteligência ucraniana. A simples presença dessa estrutura no Brasil já é ilegal. Sua associação com cadetes da Aman, absolutamente inadmissível.

Cumplicidade ou omissão?

O curso foi anunciado publicamente por um mercenário brasileiro, Guilherme “Raptor”, que se apresenta como veterano da guerra na Ucrânia e atual integrante da Phantom Black Company. Mais grave: já divulgou outro treinamento semelhante, programado para setembro em Curitiba (PR).

A questão central não é apenas o envolvimento de brasileiros como mercenários em guerras estrangeiras. O que choca é a aparente permissão — ainda que tácita — do próprio Exército para que tais agentes, ligados a um serviço de inteligência estrangeiro, instruam cadetes em pleno território nacional.

FONTES

PAULO CANNABRAVA
PEPE ESCOBAR
ROBINSON FARINAZO
-YOUTUBE-

quarta-feira, 17 de abril de 2024

BOLSONARO QUER ENCHER MAIS UMA PAPUDA * João Filho/The Intercept Brasil

BOLSONARO QUER ENCHER MAIS UMA PAPUDA
João Filho

Bolsonarismo entreguista articula rede internacional contra o STF
Bolsonaristas apelam para uma rede internacional da extrema direita para vender o delírio de estamos sob uma ditadura do judiciário.

COM SEUS PRINCIPAIS líderes encurralados pela Polícia Federal e pela justiça, os bolsonaristas têm acionado a rede internacional da extrema direita para ajudar a vender o delírio de que o Brasil vive sob uma ditadura do judiciário.

Os recentes ataques de Elon Musk à democracia brasileira não são fruto de uma bad trip de um bilionário viciado em ketamina e cocaína. Antes fosse. A armação liderada pelo dono do Twitter nos últimos dias faz parte de uma estratégia articulada pela extrema direita internacional para desestabilizar democracias pelo mundo e serve aos seus interesses comerciais no Brasil.

Com a ajuda do patriotismo entreguista dos bolsonaristas, Musk passou a semana insuflando narrativas conspiracionistas, ameaçando descumprir as leis brasileiras e contribuindo para o processo de destruição da reputação do STF encampado pelo bolsonarismo.
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Apesar do bilionário sul-africano gostar de posar de militante pela liberdade de expressão irrestrita pelo mundo, não é assim que a coisa funciona na realidade. O que primordialmente move esse idiota são os interesses comerciais. O personagem anarcocapitalista militante só entra em campo quando favorece seus negócios. Quando não, o militante dá lugar a um empresário cumpridor das leis.

Na Turquia, ele abana o rabinho para o governo autocrático de direita e cumpre caninamente todas as decisões judiciais. Nas últimas eleições, por exemplo, o Twitter atendeu à justiça turca e censurou contas de políticos da oposição às vésperas da votação.

Na Índia, que também é governada por uma autocracia de direita, o Twitter tem removido sistematicamente postagens críticas ao governo e banindo contas de jornalistas para cumprir decisões da justiça indiana. Ou seja, o nosso guerreirinho só veste a capa e sai à luta pela liberdade de expressão da extrema direita internacional — e/ou quando isso for interessante para seus negócios.

No Brasil, é mais interessante para Musk cumprir o papel do destemido militante ultralibertário para desestabilizar o governo. O país descobriu recentemente várias reservas de lítio, que é o metal essencial para a produção de baterias, energia solar e eólica e carros elétricos. A volta dos bolsonaristas ao poder poderia garantir a Musk — que também é dono da Tesla, fabricante de carros elétricos — livre acesso às reservas de lítio.

Quando era presidente, Bolsonaro lhe ofereceu a possibilidade de explorar nossas reservas de nióbio. Mas Musk deixou claro que o seu interesse é o lítio. Na Bolívia, país que possui uma das maiores reservas de lítio do mundo, Musk também conspirou contra o governo e admitiu abertamente o seu intuito golpista no Twitter: “Vamos dar golpe em quem quisermos!”.

Com seus principais líderes encurralados pela Polícia Federal e pela justiça, os bolsonaristas têm acionado a rede internacional da extrema direita para ajudar a vender o delírio de que o Brasil vive sob uma ditadura do judiciário. O bolsonarismo segue o seu instinto golpista e busca a qualquer custo criar uma ambiente político que inviabilize o trabalho STF e impeça a prisão de Bolsonaro.

A farsa armada por Elon Musk opera dentro desse contexto. Políticos bolsonaristas, que há pouco mais de um ano insuflaram uma tentativa de golpe no país, foram aos EUA tentar convencer parlamentares republicanos a aprovar sanções contra o governo brasileiro. É assim que agem os traidores da pátria que se dizem patriotas. “Brasil acima de tudo”, não é mesmo?

Nos últimos dias, Elon Musk participou ativamente na disseminação das mentiras e narrativas bolsonaristas. O tal “Twitter Files”, anunciado como uma bomba contra o “ditador” Alexandre de Moraes, na verdade se resume a meras trocas de emails entre advogados e funcionários do Twitter.

Um jornalista americano chamado Michael Shellenberger foi escalado para conferir algum verniz de credibilidade para esse falso dossiê. Trata-se de um picareta, uma espécie de Oswaldo Eustáquio gringo. É mais um parajornalista que desinforma deliberadamente visando atender os interesses de grandes lobbies, como o da indústria nuclear.

Com base nos emails fornecidos pelo Twitter, Shellenberger inventou que Alexandre de Moraes ameaçou funcionários da empresa de prisão caso não fossem entregues informações privadas de determinados usuários. Mais tarde, o próprio parajornalista confessou a mentira. Mas o estrago já estava feito e o objetivo do picareta atingido.
É ridículo que tenhamos que lidar com esses patetas da extrema direita nacional e internacional, mas esse é o mundo na era da pós-verdade.

A falsa narrativa fez a cabeça de boa parte da população e deixou os bolsonaristas em polvorosa. Como se sabe, não importa se a armação parece amadora, nem que ela seja desmascarada mais tarde. O que importa é fazer a falsa narrativa circular massivamente para acabar se naturalizando como uma verdade.

Com o circo armado, parlamentares bolsonaristas convocaram Schellenberger para falar na Comissão de Comunicação do Senado. Lá, o parajornalista fez uma exaltação da liberdade de expressão absoluta garantida pelas leis americanas: “Em 1977, a Corte Suprema dos EUA resolveu que os nazistas poderiam fazer manifestações em bairros de judeus sobreviventes do Holocausto. É uma coisa incrível!”.

Realmente é uma coisa incrível. Os EUA é hoje um dos maiores caldeirões de tensão racial no mundo graças em grande parte à liberação dos discursos de ódio. É o país com o maior número de massacres do mundo e com a maior taxa de homicídios entre os chamados países desenvolvidos.

Grande parte desses assassinatos foram motivados por discursos de ódio contra minorias. Percebam como é “incrível” viver em um lugar em que supremacistas brancos desfrutam da liberdade de sair às ruas pregando o extermínio de pretos e judeus. Viva a liberdade de expressão absoluta!

Com boa parte da opinião pública contaminada pela farsa, o STF se viu obrigado a reagir à armação. Elon Musk foi incluído como investigado no inquérito das fake news, o que acabou por ajudar a fortalecer a narrativa de que Alexandre de Moraes é um ditador.

O episódio demonstra que a regulação das big techs se tornou mais urgente do que nunca. É impossível continuarmos sem uma lei regulatória das redes sociais. Ou o país enquadra essa turma ou passará os próximos anos vendo sua democracia como marionete nas mãos de bilionários estrangeiros donos de big techs.

Lembram do caso “Pavão Misterioso“? Estamos diante de uma armação do mesmo naipe, mas, dessa vez, além de atender aos interesses bolsonaristas, atende também aos interesses comerciais de um bilionário estrangeiro. O mesmo ecossistema em que floresceu o Pavão Misterioso, que pautou o debate público com um dossiê falso, está vivo, atuante e mais forte do que nunca.

É um momento difícil para a democracia brasileira. O STF virou alvo de uma orquestração internacional que visa destruir sua reputação. O bolsonarismo foi cuspido do executivo federal nas eleições, mas sua base parlamentar é grande e seus tentáculos sobre a democracia estão mais fortes do que nunca. Agora eles contam com a ajuda de um lunático bilionário que controla uma das redes sociais mais importantes do mundo e está sedento pelas nossas reservas de lítio.

Elon Musk, o parajornalista gringo e os políticos bolsonaristas mentem como respiram. São patéticos, mas muito eficientes em fazer propaganda da sua realidade paralela. É ridículo que tenhamos que lidar com esses patetas da extrema direita nacional e internacional, mas esse é o mundo na era da pós-verdade. A superação dessa realidade é um desafio que está posto não só para a democracia brasileira, mas para todas as democracias do mundo.

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domingo, 25 de junho de 2023

LOBBY MILITAR ENTREGUISTA AMEAÇA A SOBERANIA BRASILEIRA * A TRICONTINENTAL

 LOBBY MILITAR ENTREGUISTA AMEAÇA A SOBERANIA BRASILEIRA

CONFIRA

INTRODUÇÃO

O mapeamento em questão é intitulado “O Lobby dos Militares no Legislativo”, e foi desenvolvido pelo escritório brasileiro do Instituto Tricontinental.

“Um mapeamento preliminar das assessorias das Forças Armadas dedicadas à defesa dos interesse dos militares junto à Câmara e ao Senado Federal aponta que a caserna pode ter uma estrutura até 715% maior do que a assessoria parlamentar do Ministério da Defesa —órgão do governo federal que, na prática, é responsável pela articulação entre as forças e os demais órgãos do Estado”, destaca o texto.

Os números mostram que a pasta da Defesa tem hoje uma assessoria parlamentar composta por 13 funcionários, ante 12 servidores dedicados exclusivamente às questões da Marinha, dez à Aeronáutica e 14 ao Exército. A Força Terrestre ainda conta com outras 19 assessorias regionais, que, segundo estimativa do estudo, totalizam mais de cem militares dedicados ao Legislativo.

Ainda segundo o estudo, “uma prova da força da articulação dos militares junto ao Congresso está no fato de que, nos últimos 12 anos, o Exército, sozinho, foi o destinatário de mais de R$ 1,6 bilhão em emendas parlamentares”.

Para pesquisadores do Observatório da Defesa e Soberania, vinculado ao instituto, este é apenas um dos aspectos da tutela militar sobre a política brasileira, e “enquanto a tutela permanecer, não teremos plena democracia no Brasil”.


sexta-feira, 29 de abril de 2022

MERCENÁRIOS – GUERRA PRIVATIZADA * Ernesto Germano Parés / RJ

MERCENÁRIOS – GUERRA PRIVATIZADA
(1)
(Ernesto Germano Parés – 14/03/22)
O termo “mercenário” vem do latim onde “merce” significa comércio. Mercenário é, então, o nome dado a todo aquele que trabalha a soldo, mais especificamente, os soldados que lutam em guerras com o único objetivo de receber um pagamento ou, como na antiguidade, participar da divisão dos despojos dos vencidos. Não lutam por qualquer tipo de ideologia.
Sabemos que não é um fenômeno moderno. Já na antiguidade soldados eram contratados para lutar na defesa de interesses políticos ou econômicos. Há registro de que a China, durante os séculos IV e III a.C. já teria usado tropas mercenárias. Também no antigo Egito e na Grécia havia exércitos de mercenários contratados em outras regiões.
Mas tropas mercenárias vão ganhar grande vulto já na chamada Alta Idade Média com soldados que eram contratados pelos príncipes. E as depredações e os saques eram comuns e se tornaram uma praga em várias regiões da Europa.
Para quem não sabe, o Brasil também já usou tropas de mercenários. D. Pedro I criou um Corpo de Soldados Estrangeiros (todos mercenários) para lutar na Guerra Cisplatina. D. Pedro II também contratou mercenários, os “Brummer”, germânicos, para lutarem na Guerra contra Oribe e Rosas.
Mas o fato que precisamos salientar é que, durante todo esse tempo, era uma relação quase pessoal entre governantes e homens que se prestavam a guerrear, lutar, depredar e saquear.
Apenas em 1990 vamos tomar conhecimento do que pode ser chamado de “privatização da guerra” quando surgem empresas especializadas em contratar esses mercenários, treiná-los, armá-los e colocá-los a serviço de governos. Podemos, comparando com o que acontece nas empresas, dizer que isso significa a “terceirização” da guerra.
Para “aliviar” um pouco o choque que causaria nas populações, os governos e a mídia amestrada passaram a dar um nome diferente para essas empresas que agora eram chamadas de “sociedades militares privadas”! E essas “sociedades”, em apenas uma década, tiveram um desenvolvimento “explosivo” (com trocadilhos). Pelas informações que obtivemos, o desempenho mundial nesse setor gira em torno dos 70 bilhões de euros anuais
Aqui queremos realçar um fato que nos fez usar a comparação com as terceirizações que acontecem nas empresas de hoje. Estamos dizendo que o fato de existirem e serem toleradas essas “sociedades militares privadas” comprova que, em sua essência, a guerra atende a interesses econômicos privados, seja de que tipo for.
Como acontece em qualquer outra atividade econômica que conhecemos, as empresas de mercenários também vão ganhando dimensões. Na medida que o imperialismo vai tendo mais fome de lucro, essas empresas vão servindo aos propósitos de alguns espertos e rendendo também muito dinheiro. Por exemplo, há uma “sociedade militar” inglesa, a G4S, que tem mercenários atuando em nada menos do que 125 países (são 193 em todo o planeta). Essa sociedade emprega em torno de 570 mil pessoas.
Para não alongar demasiadamente este primeiro artigo da série, vamos encerrar lembrando que existe uma Convenção das Nações Unidas, em vigor desde 2001, proibindo o recrutamento, treino, uso e financiamento de mercenários. EUA, Reino Unido, França e Japão assinaram o documento!

*

MERCENÁRIOS – GUERRA PRIVATIZADA! (2)
(Ernesto Germano Parés – 15/03/22)
Conversando com algumas pessoas sobre o surgimento desses soldados “mercenários” recordei um fato que creio ter sido determinante para o crescimento dessas “sociedades militares”. Lembrei da guerra do Vietnam e da comoção nacional nos EUA quando as famílias viam seus filhos voltarem para casa em sacos plásticos! Já no final da guerra um filme apontou toda a decepção e a comoção do povo estadunidense. Estou falando de “Corações e Mentes”, de Peter Davis.
Bem, as autoridades de Washington devem ter pensado que continuar mandando os filhos das famílias tradicionais para morrerem em uma guerra distante de casa não daria muitos votos. Mas, ao mesmo tempo, o complexo industrial militar não pode sobreviver sem uma guerra em algum lugar do planeta.
Surge então o espaço tão desejado por essas “sociedades”. Afinal de contas, os mercenários que aceitam matar ou morrer pelos EUA, muitas vezes, não têm nenhuma ligação com o país. Em uma avaliação do Pentágono, manter soldados estadunidenses nas frentes de guerra é muito caro para o país, então, essas “sociedades” vão recrutar em países pobres, como Uganda, El Salvador, Nepal e Filipinas e muitos outros. Um levantamento feito por um jornal estadunidense mostrou que um cidadão dos EUA, para entrar em uma guerra assim, pode ganhar até US$ 1,5 mil por dia. Mas um combatente de país pobre recebe US$ 500 pelo mesmo serviço.
E vamos encontrar nessas empresas muitos paramilitares colombianos, alguns chilenos remanescentes do governo Pinochet e até brasileiros apaixonados pela conversa da direita.
A mais conhecida, mais famosa e mais denunciada dessas “sociedades” é a Blackwater, dos EUA. Poucos conhecem ou levam em consideração, mas o nome Blackwater significa “água negra”, uma referência aos pântanos onde são feitos os primeiros treinamentos dos mercenários. Pântano! Sim, uma excelente definição para o serviço prestado por essas respeitáveis empresas.
No dia 19 de agosto de 2009, fazendo o povo estadunidense se impressionar, o jornal The New York Times revelou que a CIA havia utilizado, em 2004, funcionários da Blackwater como parte de um programa secreto, com o objetivo de descobrir pistas e assassinar dirigentes da Al-Qaeda. A tal empresa contribuiu para as missões da organização estadunidense de treinamento e espionagem, cobrando milhões de dólares pelo serviço, sem nem ao menos ter capturado ou assassinado um único ativista.
Ainda em 2004, na cidade de Fallujah, Iraque, quatro contratados da Blackwater foram emboscados, mortos, queimados e desmembrados. A imagem de seus corpos pendurados em uma ponte se tornou o símbolo da fase mais sangrenta daquele conflito. Mais tarde, em 2007, funcionários da empresa perderam controle de um comboio e mataram 17 civis em Bagdá. Soterrada pela publicidade negativa, a Blackwater mudou de nome: hoje ela se chama Xe.

MERCENÁRIOS – GUERRA PRIVATIZADA! (Final)

(Ernesto Germano Parés – 15/03/22)
Para encerrar o artigo vamos esclarecer que essas empresas oferecem quase todos os tipos de serviços para aplicação militar. Trabalham desde a reparação de veículos e preparação de alimentos nas bases militares até segurança particular e mesmo assassinatos.
Um caso que ganhou espaço na imprensa internacional, há alguns anos, foi o fato dos Emiratos Árabes Unidos (EAU) terem contratado a Spear Operations Group – fundada por Abraham Golan, um israelense residente nos EUA – para executar um programa de assassinatos no Iémen. Um dos alvos dos mercenários estadunidenses foi um líder da al-Islah, organização que os EAU classificam de terrorista, mas que é reconhecido como um partido político legítimo, que se opõe à intervenção estrangeira no Iémen e conta entre os seus membros Tawakkul Karman, vencedora do Prémio Nobel da Paz em 2011.
É fato que os governos gastam muitos milhares de milhões de dólares em armamentos e em seus exércitos, mas é também fato que a chamada “segurança privada” ou “sociedades militares privadas” estão crescendo exponencialmente nas últimas décadas.
Um fato de se estranhar é que, não estando protegidos pelas Convenções de Genebra sobre as guerras e nem contando com apoios nacionais, esses mercenários carecem totalmente de garantias e apoios em caso de serem feridos em combate.
E cabe registrar que, da mesma forma, essas “sociedades” funcionam à margem dos códigos internacionais e não estão sujeitas a qualquer limites, agindo longe de qualquer controle.
Vamos encerrar colocando mais um importante dado na equação. Há um grande interesse por parte dos militares estadunidenses (também ingleses ou franceses) na manutenção dessas “sociedades”. Quase todo o pessoal de comando dessas SMP é ex-oficiais das forças armadas desses países. E sabemos que essa proximidade, essa familiaridade entre uns e outros permite com bastante facilidade um acesso em matéria de informações confidenciais e até uma certa impunidade.
E tudo leva a uma situação pouco conhecida do grande público: essas “sociedades militares privadas”, por seus vínculos com exércitos e até com governos, estão em posição privilegiada também para influenciar nas decisões militares ligadas às operações.
Como dissemos no título original, é a Guerra Privatizada em toda a sua extensão!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Milicianos para quê * Moisés Mendes

MILICIANOS PARA QUÊ 

Como a extrema-direita abandona seus milicianos

por Moisés Mendes - 02.01.2022

_O experiente jornalista Moisés Mendes escreve em seu blog sobre como as milícias são abandonadas pela extrema-direita. Dá o exemplo da Bolívia, cita o filme da Netflix e pensa o Brasil_

O filme ‘Não olhe para cima’ tem uma situação exemplar do destino de subalternos e bajuladores (incluindo parentes) que se consideram parte da estrutura de poder montada por direita e extrema-direita no século 21.

Digo isso e aviso que esse texto é para quem já viu o filme e para quem não liga para spoiler. Porque vou contar uma cena decisiva, para falar do que acontece com os que se acham parte orgânica de governos totalitários e negacionistas condenados à extinção, como foi o de Trump e como é o de Bolsonaro.

Déspotas, mesmo os eleitos, abandonam trastes pelo caminho, para salvar a própria pele. Essa é a lição final do filme.

É o que faz a presidente dos Estados Unidos (Meryl Streep), quando foge do fim do mundo e deixa para trás o próprio filho, um personagem escrachadamente inspirado em Carluxo.

Na Bolívia, golpistas civis de 2019 deixaram para trás os comandantes, oficiais e soldadama da Polícia Nacional, que puxaram o golpe com o motim que desencadeou a queda de Evo Morales.

Esta semana, mais 13 oficiais da Polícia Nacional foram expulsos da corporação, por decisão administrativa do comando da organização, e ainda enfrentarão processos criminais na Justiça.

Um dos principais personagens do grupo de 13 golpistas da Polícia Nacional é o major Daniel Capriles. O major fomentava e participava de ações de milicianos civis armados que se autodenominavam Resistencia Juvenil Cochala, de Cochabamba.

O fascista Yassir Molina, líder da milícia, está preso com outros companheiros. Também estão presos o chefe da Polícia Nacional, o general Yuri Calderón, e oficiais envolvidos na organização e liderança do motim e de atos contra o governo eleito.

No total, são 26 os integrantes da Polícia Nacional (que é a PM nacional deles) denunciados por envolvimento em algum tipo de ilegalidade, quando das ações golpistas de 2019.

Perguntem se eles têm o apoio de algum líder civil do golpe. Não têm nada. Os golpistas civis, quase todos com origem na província de Santa Cruz de la Sierra, abandonaram os policiais e os milicianos.

Grupos paramilitares, como os que Bolsonaro imagina criar no Brasil, só funcionam quando seus idealizadores e protetores estão no poder.

Na Bolívia, tiveram força e se sentiram impunes durante o ano em que durou o golpe. Quando o "Movimento ao Socialismo" venceu as eleições, em 2020, e voltou ao poder, os golpistas fardados caíram em desgraça.

Todos os líderes foram encarcerados preventivamente por decisões do Ministério Público e da Justiça. Já foi divulgado à exaustão, mas vamos repetir: estão presos os chefes da Polícia Nacional e os chefes das Forças Armadas.

Todos foram abandonados por políticos, empresários, latifundiários, contrabandistas e mafiosos que organizaram e patrocinaram o golpe.

Candidatos à criação de milícias semelhantes no Brasil devem prestar atenção ao caso boliviano. Não esperem que, depois de derrotado e com mais de 30 processos na Justiça, Bolsonaro fique por perto para socorrê-los.

Não haverá socorro nem de Bolsonaro nem dos participantes da estrutura de poder montada pelo sujeito.

Policiais e milicianos não valem nada para a extrema-direita boliviana. Com Bolsonaro sem poder, milicianos de verde-amarelo não valerão nada para os fascistas brasileiros.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Mais Um Judas Trai o Dono * Frente Revolucionária dos Trabalhadores - FRT/BR

Mais Um Judas Trai o Dono
Frente Revolucionária dos Trabalhadores
FRT
John Bolton
AQUI VOCÊ DESCOBRE TUDO
que queria saber sobre Donald Trump mas não tinha pra quem perguntar. John Bolton diz tintim por tintim...
*


Verdade seja dita: a melhor definição para os ex-agentes da CIA, do FBI e das FFAAs norte-americanas é esta: MAIS UM JUDAS TRAI O DONO.
Alguém sabe dizer quantos "ex-cães de guerra", assassinos contumazes, largaram a ativa e saíram atirando a esmo? Inclusive invadindo escolas, shoppings, igrejas etc porque a "mãe américa" foi injusta com eles? Nem eu. 
Alguém se lembra de Edward Snowden, que deve estar sob cárcere privado de alguma potência inimiga do Tio Sam, pra não morrer como um cão atropelado por aí... e outros como Roberto Muller Hayes, Jerry Chun Chin Lee, Robert Philip Hansen? Na esteira deles, veio outros...

Ninguém se assuste com a ganância dos mercenários: todos eles querem mais. 
O mais recente é Jonh Bolton, que acaba de lançar um livro - melhor, BOMBA - intitulado "A Sala Onde Tudo Aconteceu" e vem derramando as porcarias de Donald Trump, que fez de tudo junto a justiça para embargar o lançamento do petardo. Mas o bom disso tudo, é que o x-9 abre o bico num momento oportuno e pode acabar prestando um serviço positivo, contribuindo para a derrota do testa-de-ferro do imperialismo, e estendendo o tapete vermelho para o Partido Democrata voltar ao poder, uma vez que o seu candidato está disparado nas pesquisas e a eleição ocorre em novembro.

Mas ninguém imagina o pior. Como contratam, treinam, adestram, e, na hora do hora-veja, o vira-lata morte o pé do dono. Não é que o ex-x-9 era, nada mais nada menos, que conselheiro de segurança nacional da primeira potência político-militar do ocidente? Ele era o cara que aconselhava o Trump a escolher quem ia morrer primeiro, se eu ou você. E aí Trump resolveu dar de ombros para os seus conselhos, sem contar com a sua reação. Bolton bateu de frente com o brucutu do imperialismo. Simplesmente discordou das medidas diplomáticas em relação ao Irã, a Coreia do Norte e ao Afeganistão. Vale lembrar que Jonh Bolton é, de longe, muito mais bruto do que Trump.

Só que para piorar a situação política de Donald Trump, o apoio ao candidato oposicionista cresceu disparadamente às custas do covid-19, ganhou containers de oxigênio com a morte de George Floyd e segue firme rumo à Casa Branca, ungido pelas revoltas subsequentes. Prova disso foi a presença de nomes de peso na opinião publica norte-americana, tais como Barack Obama, Bill Gates, entre outros figurões. 

Diante disso tudo, o que podemos vislumbrar é o Partido Democrata voltando à Casa Branca, sob os aplausos do capital financeiro, insatisfeito com as trombadas de Donald Trump em política externa.

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