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segunda-feira, 6 de novembro de 2023

REDE GLOBO SEGUE OFENDENDO O POVO PALESTINO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

REDE GLOBO SEGUE OFENDENDO O POVO PALESTINO
"JORGE PONTUAL É O HOMEM BOMBA DA GLOBO
MOISÉS MENDES

A Globo desqualifica todas as informações que venham de Gaza sobre a matança de crianças, sempre com a mesma frase de que os dados não podem ser “verificados de forma independente”.

É o padrão Globo: se a informação vem de Gaza, mesmo que com as imagens de gente morrendo, não há como saber quem e quantos Israel está matando.

E assim se repete o bombardeio diário da Globo, em várias frentes, em todos os seus telejornais, sempre com as versões de Netanyahu, Biden e seus aliados. Jorge Pontual, o comentarista que apoiou ataques a ambulâncias e depois disse estar arrependido, é apenas o complemento radical dessas posições.

A Globo criou as condições para que Pontual fosse o seu homem-bomba. Desde o começo dos ataques o jornalista defendeu os bombardeios e condenou as propostas de cessar fogo. E agora, na sexta-feira, implodiu-se com crachá e tudo ao dizer na GloboNews:

“Israel já tinha avisado que se tivesse gente do Hamas nessas ambulâncias, atacaria. E não deu outra. Se eles estavam na ambulância, infelizmente era isso que Israel tinha que fazer. Alvejar esses seus inimigos. Agora, era uma ambulância, e morreram pessoas que estavam perto e que não eram do Hamas. Isso é um exemplo de como é complicada essa situação”.

No sábado, saiu-se com esta numa rede social:

“Minha intenção foi a de dar a versão de Israel. Admito que não fui feliz, pois a muitos pareceu um endosso. Isso seria impossível, ninguém tem informações seguras sobre o que lá se passa. Os palestinos de Gaza vivem uma tragédia, com muitas perdas civis, que lamento profundamente. Peço desculpas por não ter deixado isso claro”.

Pontual sabe que homens-bombas não pedem desculpas. Mas usou um truque manjado dessa antiga direita que virou extrema direita inclusive no jornalismo. Até a família Bolsonaro já recorreu à tática dos falsos arrependimentos.

O que ele fez cumpre um roteiro básico. Joga para a galera que apoia o massacre, fideliza audiência, fica bem com as hienas e com a casa que o emprega e depois se desculpa. Mas o bombardeio já foi feito.

Por isso o pedido de desculpas é inútil como tentativa de reparação da própria imagem e dos danos provocados. A inutilidade está na primeira frase: “Minha intenção foi a de dar a versão de Israel”.

Mesmo os mais fieis ouvintes de Pontual não são tão estúpidos. A versão de Israel sobre as ambulâncias todo mundo conhece. O que o comentarista fez foi dar a sua opinião, que reforça a versão de Israel.

A segunda parte piora a coisa. Pontual diz que errou por não ter informações seguras sobre “o que lá se passa”. Lá, longe dos escritórios da Globo em Nova York, onde ele está, a informação segura é esta: Israel mata crianças.

E o encerramento da nota é um desastre, ao pedir desculpas por “não ter deixado isso claro”. Tudo está claro. Claro demais, em meio aos destroços da cobertura da Globo. Pontual é uma criação da Globo, a sua criatura escolhida para o sacrifício.

Não há nada fora da curva no que ele diz desde o começo dos ataques. Há coerência com o que vem sendo feito diariamente em todos os jornais da corporação.

Pontual sabe que os melhores correspondentes de guerra da Globo em Gaza, que nos contam tudo o que lá se passa, são Shahed al-Banna, de 18 anos, e Rasan Rabe, ambos brasileiros de origem palestina.

Eles falam todos dias do horror, enquanto são impedidos de sair de Gaza pelas represálias de Israel ao governo Lula. Em seus primeiros relatos, há quase um mês, Shahed avisou: “Não podemos mais ficar aqui, os israelenses vão atacar todos os lugares”.

E estão atacando todos os lugares, hospitais, escolas, casas, todos os dias, enquanto Shahed e Rasan não conseguem fugir para o Egito. No mesmo relato, Shahed disse, falando para a Globo em que Pontual trabalha: “Eu não quero morrer”.

Shahed disse que não queria morrer no dia 13 de outubro. No dia seguinte, Pontual defendeu na GloboNews que Israel não poderia parar os bombardeios à Gaza, “porque pedir cessar fogo agora é ajudar o Hamas”.

Pontual pediu que Israel jogasse bombas sobre Gaza, onde Shahed conta o seu drama e dos que estão por perto, fazendo o trabalho que um colega de Pontual não consegue fazer. Shahed trabalha de graça para a Globo sobre o que lá se passa, e Pontual pede que Israel bombardeie Gaza.

Dizer que é cruel é não dizer quase nada. Pontual ajudou a Globo e se implodir na cobertura que afunda a organização no pior pântano da sua história, com o sangue de milhares de crianças.

Pontual não é o cão que foge da coleira, ele dá sentido à cobertura da Globo na sua ação extremada de ativista pró-Israel. Não há nada fora do controle. Pontual está no controle absoluto da cobertura suicida da Globo sobre a matança em Gaza."

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Milicianos para quê * Moisés Mendes

MILICIANOS PARA QUÊ 

Como a extrema-direita abandona seus milicianos

por Moisés Mendes - 02.01.2022

_O experiente jornalista Moisés Mendes escreve em seu blog sobre como as milícias são abandonadas pela extrema-direita. Dá o exemplo da Bolívia, cita o filme da Netflix e pensa o Brasil_

O filme ‘Não olhe para cima’ tem uma situação exemplar do destino de subalternos e bajuladores (incluindo parentes) que se consideram parte da estrutura de poder montada por direita e extrema-direita no século 21.

Digo isso e aviso que esse texto é para quem já viu o filme e para quem não liga para spoiler. Porque vou contar uma cena decisiva, para falar do que acontece com os que se acham parte orgânica de governos totalitários e negacionistas condenados à extinção, como foi o de Trump e como é o de Bolsonaro.

Déspotas, mesmo os eleitos, abandonam trastes pelo caminho, para salvar a própria pele. Essa é a lição final do filme.

É o que faz a presidente dos Estados Unidos (Meryl Streep), quando foge do fim do mundo e deixa para trás o próprio filho, um personagem escrachadamente inspirado em Carluxo.

Na Bolívia, golpistas civis de 2019 deixaram para trás os comandantes, oficiais e soldadama da Polícia Nacional, que puxaram o golpe com o motim que desencadeou a queda de Evo Morales.

Esta semana, mais 13 oficiais da Polícia Nacional foram expulsos da corporação, por decisão administrativa do comando da organização, e ainda enfrentarão processos criminais na Justiça.

Um dos principais personagens do grupo de 13 golpistas da Polícia Nacional é o major Daniel Capriles. O major fomentava e participava de ações de milicianos civis armados que se autodenominavam Resistencia Juvenil Cochala, de Cochabamba.

O fascista Yassir Molina, líder da milícia, está preso com outros companheiros. Também estão presos o chefe da Polícia Nacional, o general Yuri Calderón, e oficiais envolvidos na organização e liderança do motim e de atos contra o governo eleito.

No total, são 26 os integrantes da Polícia Nacional (que é a PM nacional deles) denunciados por envolvimento em algum tipo de ilegalidade, quando das ações golpistas de 2019.

Perguntem se eles têm o apoio de algum líder civil do golpe. Não têm nada. Os golpistas civis, quase todos com origem na província de Santa Cruz de la Sierra, abandonaram os policiais e os milicianos.

Grupos paramilitares, como os que Bolsonaro imagina criar no Brasil, só funcionam quando seus idealizadores e protetores estão no poder.

Na Bolívia, tiveram força e se sentiram impunes durante o ano em que durou o golpe. Quando o "Movimento ao Socialismo" venceu as eleições, em 2020, e voltou ao poder, os golpistas fardados caíram em desgraça.

Todos os líderes foram encarcerados preventivamente por decisões do Ministério Público e da Justiça. Já foi divulgado à exaustão, mas vamos repetir: estão presos os chefes da Polícia Nacional e os chefes das Forças Armadas.

Todos foram abandonados por políticos, empresários, latifundiários, contrabandistas e mafiosos que organizaram e patrocinaram o golpe.

Candidatos à criação de milícias semelhantes no Brasil devem prestar atenção ao caso boliviano. Não esperem que, depois de derrotado e com mais de 30 processos na Justiça, Bolsonaro fique por perto para socorrê-los.

Não haverá socorro nem de Bolsonaro nem dos participantes da estrutura de poder montada pelo sujeito.

Policiais e milicianos não valem nada para a extrema-direita boliviana. Com Bolsonaro sem poder, milicianos de verde-amarelo não valerão nada para os fascistas brasileiros.