O capitalismo está podre. Todos sabemos disso. Mas ele não cai sozinho, ele não morre de morte natural. Precisamos aliar o antifascismo e o antimperialismo ao internacionalismo proletário, e assim somar forças para construir o socialismo. Faça a sua parte. A FRENTE REVOLUCIONARIA DOS TRABALHADORES-FRT, busca unir os trabalhadores em toda sua diversidade, e formar o mais forte Movimento Popular Revolucionário em defesa de todos e construir a Sociedade dos Trabalhadores - a SOCIEDADE COMUNISTA!
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domingo, 19 de abril de 2026
REDE GLOBO: 60 ANOS DE GOLPISMO * Fernando Morais/SP
sexta-feira, 21 de junho de 2024
CARTA A BERNARDO MELLO FRANCO * LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA/DF
segunda-feira, 6 de novembro de 2023
REDE GLOBO SEGUE OFENDENDO O POVO PALESTINO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT
quinta-feira, 26 de outubro de 2023
REDE GLOBO OFENDE O POVO PALESTINO * REVISTA FORUM
sexta-feira, 22 de setembro de 2023
MILITARES REDE GLOBO GOLPISMO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT.BR
Em delação, Mauro Cid revela que Bolsonaro fez reunião com cúpula militar para avaliar golpe no país
Bela Megale
O ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniu, no ano passado, com a cúpula das Forças Armadas e ministros da ala militar de seu governo, para discutir detalhes de uma minuta que abriria possibilidade para uma intervenção militar. Se colocado em prática, o plano de golpe impediria a troca de governo no Brasil. A informação chegou à atua chefia das Forças Armadas, como um dos fatos narrados em delação premiada pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid.
O relato caiu como uma bomba entre os militares. Segundo informações apuradas pela coluna, Cid relatou que ele próprio foi um dos participantes de uma reunião, onde uma minuta de golpe foi debatida entre os presentes.
O dado que mais criou tensão na cúpula das Forças é o de que Cid revelou que o então comandante da Marinha, o almirante Almir Garnier Santos, teria dito a Bolsonaro que sua tropa estaria pronta para aderir a um chamamento do então presidente. Já o comando do Exército afirmou, naquela ocasião, que não embarcaria no plano golpista.
A delação premiada de Mauro Cid é considerada um ponto de partida das investigações. A Polícia Federal tem tratado o tema com cautela e sigilo. Para os fatos serem validados e as pessoas citadas pelo tenente-coronel serem eventualmente responsabilizadas, é preciso que haja provas que corroborem as informações repassadas pelo ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.
É grande a preocupação entre os militares, sobre os efeitos que o relato de Mauro Cid pode ter, principalmente por envolver membros da cúpula das Forças e ministros que, apesar de estarem na reserva, foram generais de alta patente.
O ministro da defesa José Múcio, aquele que defenda a milicagem a qualquer custo, tem usado essa informação para mostrar que foram os militares quem defenderam a democracia ao se recusarem a dar o golpe. Pura fantasia, papo enganar inglês. Militar brasileiro é golpista por definição histórica e por gênese corporativa. Sem golpes eles não vivem, é como ar que se respira, faz parte do dia-a-dia dos milicos. É uma casta maldita criada para mandar, matar, torturar, são mercenários, gostam e querem ser poder para fazerem o que bem entendem.
A tal ordem e progresso mostra bem quem são. Ordem para mandar e progresso pra corporação militar sempre. Na verdade, todo esse papo é apenas propaganda tentando limpar a merda que fizeram desde o golpe contra a Dilma, em 2016. Como todos sabem que o governo Lula não fará nada contra eles, ao contrário deu mais dinheiro para comprarem brinquedinhos de guerra de segunda ou terceira mão no mercado externo, os militares com a imprescindível ajuda do Múcio, procuram aparecerem como heróis, como defensores da democracia, como legalista e respeitadores da constituição.
Nunca foram, é só acompanhar a História do país pra confirmar esta babaquice sem tamanho. Militar brasileiro só existe para ocupar o país militarmente (basta ver o enorme número de quartéis espalhados, tipo bases de ocupação, sem nenhuma necessidade militar que não seja manter a tal ordem e progresso contra quem queira melhores qualidades de vida), reprimir violenta e cruelmente a população, ter licença para matar e torturar o inimigo interno, continuar ganhando toneladas de dinheiro dos que precisam dos seus favores como o OGROnegócio e bancos e, como casta que são, continuarem distantes do povo, gente essa que odeiam, o cheiro de cavalo é melhor.
Militar brasileiro não presta, não é confiável, só existe para explorar o povo. O resto é conversa pra boi dormir...
"O atual comandante do Exército, general Tomás Paiva, é o legalista que disse que, “infelizmente”, Lula havia vencido a eleição. Não tem militar legalista no Brasil. São todos golpistas. Repito: não tiveram força para dar golpe. No entanto, toleraram e protegeram acampamentos golpistas até 10 de janeiro de 2023, apesar de Lula ter vencido a eleição em 30 de outubro de 2022. Militares agiram como fiscais de urna. Curtiram boquinhas no governo Bolsonaro. Ouviram proposta de golpe e ficaram calados. Nunca fizeram mea culpa sobre 64. Infelizmente, não tem joio e trigo. Só joio. Apenas o Múcio e certo jornalismo profissional acreditam em golpismo isolado."
- O jornalista Kennedy Alencar é mais um jornalista que deixa claro que não existe militar legalista no Brasil, nenhum deles respeita a constituição, a bandeira, os valores democráticos, o povo. Desde a origem, a corporação militar, especialmente o exército, só fizeram dar golpes de estado.
A república foi o primeiro e de lá pra cá foram mais de cem tentativas, entre os que deram certo e os que não deram. Dar golpes de estado faz parte da formação militar, tal qual o escorpião, não podem ir contra a natureza. No momento estão quietos, calados, bateram em retirada. Estão se reagrupando, acumulando mais força, esperando ter uma melhor logística conjuntural para contra atacar e dar o golpe que flopou. Tática normal que todo militar conhece muito bem.
O golpe virá, pode ser daqui a semana, meses, anos, mas acontecerá. Porque essa é a grande marca dos milicos brasileiros, foram criados para isso e somente isso: dar golpes de estado, torturar, matar e desaparecer com os corpos como política de ESTADO é o que melhor sabem fazer. O momento para enfrentar os golpistas militares é agora. Se não, o golpe virá.
sábado, 14 de janeiro de 2023
EXTREMISTAS BR * GLOBOPLAY
sábado, 10 de dezembro de 2022
O QUE O JN SEMPRE ESCONDE DE VOCÊ * Ângela Carrato - G1
O QUE O JN SEMPRE ESCONDE DE VOCÊ
Roberto Marinho sempre disse que tão importante quanto o que os seus veículos de comunicação publicavam era o que deixavam de publicar.
Como o silenciamento seletivo do Jornal Nacional é historicamente um crime cometido contra o direito da população brasileira à informação, passo a fazer, a partir de hoje, a relação dos assuntos que não foram notícia ou foram abordados de forma superficial por este telejornal.
Até porque ninguém com um mínimo de discernimento pode acreditar que está tudo tranquilo e que as instituições funcionam plenamente.
A edição desta noite do JN (5/12) dedicou 85% do seu tempo à Copa do Mundo, com destaque para a vitória da seleção brasileira sobre a Coreia do Sul.
Esse tempo absurdamente excessivo acaba encobrindo o que os irmãos Marinho preferem não abordar. A saber:
NO PLANO NACIONAL
1. A tramitação da PEC do Bolsa Família, que tem semana muito importante no Congresso Nacional. É fundamental para o futuro governo Lula que ela seja aprovada, mas o jogo será bruto. Os Marinho não querem desagradar o Arthur Lira, o Centrão e menos ainda facilitar a vida de Lula. O que está em jogo é o combate à fome de 33 milhões de brasileiros e recursos para a saúde e educação. Mas para a Vênus Platinada, o povo que se dane. O importante é tentar manter o futuro governo em rédeas as mais curtas possíveis.
2. A Justiça embargou a compra de 90 tanques de guerra por parte do governo Bolsonaro. O custo seria de R$ 5 bilhões. Em final de governo e Bolsonaro alegando falta de recursos até para pagar os aposentados, esse assunto ganha a maior relevância. Mas os Marinho preferem não falar nada por causa das velhas amizades com os milicos. Ninguém pode se esquecer que a TV Globo cresceu servindo à ditadura e ainda tem um pé nos quartéis.
Detalhe: os tanques seriam comprados da Itália, hoje governada pela extrema-direita.
3. O STF vota, na quarta-feira, uma importante ação envolvendo o orçamento secreto. Como se sabe, esse orçamento é a grande arma de que dispõe Lira para controlar a maioria na Câmara dos Deputados e peitar o Executivo. Derrotar o orçamento secreto é fundamental para a democracia no Brasil, mas a família Marinho não admite notícia que possa criar qualquer embaraço para o "coronel" Lira.
4. O trabalho da Equipe de Transição de Lula e a preparação para a posse do novo presidente. É inaceitável que faltando 26 dias para a posse não haja nenhuma informação sobre o assunto. "Esquenta" na Globo só vale para Copa do Mundo e Carnaval?
5. A ação do ministro Alexandre de Morais contra as fake news, em especial no caso da deputada Carla Zambelli. A fake news de Carlos Bolsonaro sobre a ferida na perna do pai. Mostrar isso para o público é fundamental para desconstruir a narrativa golpista da extrema-direita. Mas a Globo se cala. E quem cala, consente.
6. Passou da hora do JN mostrar o golpismo dos "patriotários". O não mostrar não tem nada a ver com não dar espaço a eles. Tem a ver com não se indispor com a milicaiada golpista. Mas o papel da mídia não é informar?
6. O governador eleito de São Paulo prepara a bolsonarização do seu secretariado. Vale dizer: o Palácio dos Bandeirantes vai ser transformado em trincheira para os derrotados no plano federal.
NO PLANO INTERNACIONAL
1. O presidente eleito recebeu hoje a visita do assessor de Relações Internacionais do governo Joe Biden, Jack Sullivan. Oficialmente, Sullivan veio convidar Lula para um encontro com Biden antes da posse. Isso foi dito. Faltou, no entanto, contextualizar a tal visita. Qual a situação do governo Biden? Qual a posição do governo Biden diante do mundo multipolar ? Qual a importância de Lula neste momento em relação a esse mundo multipolar? O que os Estados Unidos querem efetivamente de Lula?
2. A guerra na Ucrânia acabou? Claro que não. Apenas sumiu do JN, exatamente no momento em que Biden percebe que o feitiço voltou-se contra o feiticeiro. Os estadunidenses estão indignados com a inflação e querem colocar um ponto final em mais esta aventura belicista do Partido Democrata.
3. A extrema-direita e a direita peruana tentam, pela terceira vez, o impeachment do presidente de esquerda Pedro Castillo. No poder a menos de dois anos, ele vem enfrentando pressões e cerceamentos. As mobilizações internas levam todo o jeito de contarem com as digitais do Tio Sam. Aliás, foi o cúmulo da cara de pau do presidente da OEA, Luis Almagro, se oferecer como "mediador" para os problemas no Peru, logo ele que teve papel fundamental no golpe contra Evo Morales.
Por falar em Bolívia, o atual presidente, Lucio Arce, enfrenta movimento separatista na região de Santa Cruz de la Sierra. Já Evo Morales tem denunciado o apoio aos golpistas pelos Estados Unidos.
4. Na vizinha Argentina estoura um escândalo super parecido com algo recente no Brasil. Lá, a ex-presidenta e atual vice, Cristina Kirchner, vem sendo vítima de lawfare. A Justiça investe contra ela da mesma forma que aqui Lula foi vítima da Operação Lava Jato. Se aqui foi preciso um hacker para mostrar o conluio de setores da Justiça com apoio até do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, lá as armações contra Cristina foram divulgadas pelo jornal Tiempo Argentino e envolvem juízes e o maior conglomerado de mídia local, o Grupo Clarin. Qualquer semelhança entre a Operação Lava Jato e a parceria da Globo com Sérgio Moro não é mera coincidência.
Por tudo isso, o JN está longe de fazer jornalismo.
O que a família Marinho fez e continua fazendo é a defesa dos próprios interesses, associado ao apoio à direita da qual é parte integrante.
Que se dane a informação para o seu respeitável público.
quinta-feira, 31 de março de 2022
31 DE MARÇO 58 ANOS DO GOLPE MILITAR DE 1964 * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT
D E S A B A F O
D E S A B A F O
Marcelo Mário de Melo
Em memória de Wladimir Herzog e Manoel Fiel Filho (*)
Isto não é uma exposição acadêmica nem um requebro retórico. É um desabafo.
Talvez muitos preferissem a linguagem das estatísticas.
Esta a coluninha dos torturados.
Aqui os estropiados fisicamente com subdivisões para hematomas cicatrizes fraturas lesões e toda a nomenclatura da medicina torturante de urgência.
Aqui os mutilados mentalmente com sub-sessões reservadas a psicoses neuroses fobias úlceras gastrites insônias obsessões apatias.
Neste espaço reservado a Torturas/Mortes computem-se “Suicídios”, “Mortos em Tiroteio” e “Tentativas de Fuga”.
E nesta linha verde-acinzentada escreva-se com sangue: Distensão/Desaparecidos.
Poderia preencher um gráfico que satisfaria ao esteticismo seco do mais exigente burocrata. Tão imponente e preciso aos espíritos formalistas como as tabelas do imposto de renda e os projetos de reforma administrativa.
Mas os que precisassem disso para avalizar nossas denúncias jamais seriam convencidos de nada porque há muito estariam vacinados contra a verdade ou formados nas filas do lado de lá.
Quem não puder ser convencido hoje pelos exemplos esparsos indícios ruídos abafados da máquina de triturar presos políticos abrirá certamente os olhos só se os abrir quando as verdades vivas de agora passarem à respeitabilidade morta dos museus de amanhã ou se a máquina começar a moer a sua própria carne os próximos.
Nós os presos políticos do Brasil atual nos dirigimos àqueles que sabem pressentir a cascavel pelo sibilo e se dispõem a renegar o seu veneno.
Mesmo que apenas com o grito de alerta ou o gesto mudo repulsa de quem se associa à dor.
(*) Escrito em outubro de 1975, em cela do Esquadrão Dias Cardoso, Bongi, Recife-PE, no intervalo entre uma greve de fome e outra, depois dos assassinatos sob tortura, em São Paulo, do jornalista Wladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho.
QUEM O FARÁ?
Purgar os erros.
Lembrar os mortos.
Fecundar os sonhos.
Festejar as vitórias.
Se não fizermos isto
pela nossa história
Quem o fará?
*
DIRETAS JÁ O GRITO AS RUAS
Nosso movimento se propõe a denunciar as graves violações de direitos humanos cometidas pelo Estado brasileiro no período da Ditadura Civil Militar (1964 - 1985), violações essas que se perpetuam até nossos dias, reivindicar o tombamento definitivo e a conclusão das obras da Casa frei Tito de Alencar e a manutenção e estruturação do Memorial da Resistência - Arquivo das Sombras (antiga sede da polícia federal no Ceará e centro clandestino de torturas).
LEMBRANÇAS E BANDEIRAS
Marcelo Mário de Melo
Tremulam as bandeiras da lembrança.
Os estudantes de direito carregando a bandeira de Demócrito de Souza Filho nas passeatas e a levantando, frente aos pelotões da polícia do governo de Cid Sampaio e das tropas do Exército, quando foram expulsos a coronhadas da Faculdade, por ordem do presidente Jânio Quadros, em 1961, durante o movimento nacional que reivindicava a representação estudantil de 1/3 nos conselhos universitários.
Na tarde de 1º de abril de 1964, depois de uma assembléia na Escola de Engenharia, ainda funcionando na R. do Hospício, seguíamos em passeata para o Palácio das Princesas, no intento de defender o Governo de Miguel Arraes.
Carregando a bandeira brasileira e cantando o hino nacional, formos atingidos por tiros de fuzil, restando mortos os estudantes comunistas Jonas Barros, do Ginásio Pernambucano, e Ivan Aguiar, aprovado no vestibular para Engenharia, e que não chegou a iniciar o curso. Passando por diversas mãos, restou caída e manchada de sangue, a bandeira brasileira.
Em 1964, quando os militares quiseram fazer com o governador Miguel Arraes uma negociata política em troca da sua liberdade, ele lhes respondeu que tinha sido eleito pelo povo e não reconhecia neles autoridade para lhes dar ordens de governo, que tinha nove filhos e, um dia, queria poder lhes contar essa história olhando nos olhos. O governador Miguel Arraes foi coerente com as suas bandeiras e fiel aos seus compromissos com o povo. Os militares o levaram para a prisão em Fernando de Noronha.
Quando o Coronel Ibiapina, em 1964, disse na porta da cela do menino David Capistrano Filho, com 16 anos, que a culpa da sua situação era do seu pai, um comunista irresponsável, teve a resposta de que o seu pai era um homem sério e honesto, e ele é que era um golpista. O coronel mandou retirar o colchão de David e o transferiu para o juizado de menores, onde passou três meses, preso entre meninos infratores.
Naquele momento histórico, um homem maduro, governador de estado, pai de dez filhos, e um menino, estudante de colégio, foram fieis às bandeiras do povo. mostrando que coerência não tem idade. E também que as bandeiras podem e devem passar de pai para filho, de avô para neto.
As conjunturas mudam e há necessidade de se atualizarem estratégias, táticas e formas de luta no processo de mobilização por liberdade, democracia e mudança social. Mas é fundamental que isto ocorra sob a base de uma linha de coerência e continuidade histórica em matéria de campos e objetivos centrais.
Acima e além dos interesses de facções e da promoção de grupos ou personalidades, a ampliação dos espaços para as camadas populares, nos dispositivos legais, nas políticas públicas e nas representações políticas formais e informais, deve fundamentar o critério de avaliação. Aí está a substância da simbologia das bandeiras.
AOS QUE CUIDAM DE BANDEIRAS
(Em memória de Miguel Arraes)
Marcelo Mário de Melo
Há aqueles que levantam uma bandeira
e prosseguem.
Aqueles que afrouxam as mãos
e abandonam as bandeiras no caminho.
Aqueles que rasgam queimam
renegam bandeiras e se recolhem.
Aqueles que se bandeiam
e passam a defender
bandeiras contrárias.
Aqueles que refletem
e escolhem bandeiras melhores.
Aqueles que encerram as bandeiras
em gavetas vitrines e altares.
Aqueles que colocam as bandeiras a venda.
É triste ver bandeiras abandonadas
vendidas ou sacralizadas no céu distante.
As bandeiras não são entidades
para comércio adoração e arquivo
Expostas ao vento e ao tempo
as bandeiras são coisas simples da vida
que exigem cuidado:
como uma casa
uma roupa
um filho
uma flor.
&
1964:JONAS E IVAN:
O SENTIDO SIMBÓLICO
Marcelo Mário de Melo
Em 1964 havia no Colégio Estadual de Pernambuco – CEP, antigo Ginásio Pernambucano, hoje novamente com o velho nome, no Recife, uma base do Partido Comunista Brasileiro com 25 jovens militantes, homens e algumas mulheres. A ação política se desdobrava nas reivindicações locais, nas campanhas pelo diretório estudantil e nas disputas com a direita em torno das entidades municipal e estadual dos secundaristas: a Associação Recifense dos Estudantes Secundários – ARES e o CESP – Centro dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco.
Os estudantes também eram convocados a atuar nas campanhas eleitorais e em mobilizações vinculadas às bandeiras políticas da época. Defendíamos as reformas de base, entre elas a reforma agrária, a reforma urbana, a reforma do ensino. Éramos pelo direito de voto para os analfabetos e soldados e cabos das forças armadas.
Combatíamos o colonialismo e as ditaduras no mundo, com destaque para a libertação das colônias africanas, as ditaduras de Salazar em Portugal, Franco na Espanha e Strossner no Paraguai. Defendíamos ardorosamente a jovem revolução cubana e, muitas vezes, participávamos de atos públicos, panfletagens e pichações em defesa de Cuba, contra as ameaças e as tentativas de invasão comandadas pelo imperialismo norte-americano, então sob a batuta do bonitão John Kennedy.
Na base do CEP havia um grupo de companheiros que participava do Clube Literário Monteiro Lobato, o famoso CLML, que ativava um concurso permanente de crônicas, tinha reuniões sistemáticas, possuía centenas de filiados de diversos colégios e chegou a publicar alguns números do jornal Juvenília, inviabilizado a partir do golpe de abril de 1964.
O CLML tinha uma grande força atrativa entre os secundaristas mais novos. Os seus integrantes comunistas formavam um grupo com identidade própria, inclusive, com uma organização de base específica, vinculada ao Comitê Secundarista. Jonas fazia parte desse grupo, juntamente com David Capistrano Filho, Francisco de Assis Barreto da Rocha, Amaro Quintino, Dmitri, Rogério Jansen e outros companheiros.
Eu não tinha muita aproximação com Jonas. Convivia com ele nas reuniões e o encontrava constantemente nas agitações de rua e em eventos políticos. Via-o muito ao lado de Davizinho, outras vezes com Davizinho e Rosa Barros, que participava da base do Colégio Estadual do Recife, de alunado feminino, e, como ele, morava no bairro de Santo Amaro. Tinha maior aproximação com o seu irmão mais velho, Carlos Augusto, que participava da base do CEP e chegou a disputar a presidência do diretório.
No dia 1º de abril de 1964, no meio da tarde, saímos em passeata da Escola de Engenharia, na Rua do Hospício, em direção ao Palácio das Princesas, cercado por tropas verde-oliva, para defender o governo de Miguel Arraes. Quando estávamos na altura da Pracinha do Diário, no cruzamento com a Av. Dantas Barreto, em marcha passo de ganso, avançou contra nós um pelotão vindo das imediações do Palácio da Justiça, que começou a disparar, inicialmente, para cima. Depois foi baixando o ângulo até o nível dos manifestantes.
Alguns companheiros gritaram: "é festim"! Mas eu vi os pedaços de reboco caindo do alto de um edifício, sob o efeito das balas, e dei o grito de alarme: "não é festim, não! É bala!” Entre correrias e tiros, avistei o companheiro Oswaldo Coelho, que me havia recrutado para a base do CEP e agora estudava Direito, carregando um corpo masculino com um grande buraco se estendendo pelo pescoço, o queixo arrancado a tiros. Somente depois, voltando para casa, soube que o ferido era Jonas.
Junto a Jonas também tombou o jovem Ivan Aguiar, comunista de nascença, filho de Severino Aguiar, que morreu na década de 90 com mais de noventa anos, ostentando o orgulho de ser o mais antigo comunista vivo do Brasil. Ivan havia sido aprovado no vestibular para engenharia e aguardava o momento de começar a fazer o curso. Já ferido, ele ainda conseguiu disparar um tiro de um revólver 38 que Antônio Florêncio, comunista de Palmares, recolheu e guardava como relíquia.
A Ivan, um brinde pela iniciativa desse - lamentavelmente único - tiro dado em Pernambuco em defesa da democracia e contra os golpistas de 1964. Diz-se que, ao lado de Ivan e Jonas, também tombaram um homem desconhecido e uma funcionária da loja de produtos masculinos - Remilet - colhida por um tiro no seu local de trabalho, na Av. Dantas Barreto.
Aos 16 anos, depois de passar por três meses de prisão, quando perguntado, num inquérito, o que achava da "Revolução de 31 de Março de 1964", Davizinho Capistrano respondeu que não poderia achar nada de bom, porque o seu pai estava sendo perseguido, ele fora preso e o seu melhor amigo havia sido morto. Em cartas a mim, na década de 1960, David se refere a momentos de profundo sofrimento pela perda de Jonas, denominando-os de "jonismo".
Vim saber mais de Jonas depois da sua morte. Li poemas seus. Apreendi a dimensão da sua amizade grudenta com Davizinho e Rosa, formando um trio inseparável. Um dia, em 1964, acompanhei numa homenagem a Jonas o poeta Albérgio Maia de Farias, também companheiro do PCB e das lutas estudantis. Na Galeria de Arte, da qual Jonas era freqüentador, suspensa na margem do Rio Capibaribe, em frente aos Correios, destruída na cheia de 1965, ele deixou fixado no mural um poema que começava assim: "Na Galeria de Arte/há um banco de saudade/e há gestos de futuro/quebrando a serenidade".
Jonas e Ivan Aguiar tiveram suas vidas interrompidas na juventude. Passaram à condição de referências simbólicas dos jovens que lutaram pela democracia e contra a implantação da ditadura de 1964. Transformaram-se em bandeiras de idealismo e resistência, tremulando em nossos corações e apontando para a coerência dos nossos passos.












