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quarta-feira, 10 de abril de 2024

REGULAMENTAÇÃO DA INERNET NO BRASIL JÁ!! * Rogério Lannes Rocha/FIOCRUZ

REGULAMENTAÇÃO DA INERNET NO BRASIL JÁ!!
ROGÉRIO LANNES ROCHA
FIOCRUZ

Assim como deve ser regulada qualquer atividade que possa colocar em risco o exercício de direitos fundamentais, para que haja a proteção desses direitos em relação a abusos resultantes de concentração do poder econômico ou a restrições aos direitos individuais e coletivos, a internet precisa ter atualizada a sua insuficiente regulação.

Do ponto de vista do direito à comunicação, uma regulação adequada da internet deve garantir a liberdade de expressão e, simultaneamente, a responsabilidade pelos conteúdos divulgados. No campo da saúde, a regulação pode prevenir, por exemplo, uma epidemia de desinformação e fake news como se viu durante a pandemia de covid-19, uma das responsáveis pela ampliação do risco à saúde e do número de pessoas que perderam as suas vidas.

O impulsionamento de fake news e discursos de ódio em busca de maior engajamento e lucro por parte das empresas de tecnologia que controlam as redes sociais tem sido, nos últimos anos, um fator de estímulo a atos de discriminação e violência e de interferência indevida em processos eleitorais e democráticos no Brasil e no exterior.

Esse é o tema da reportagem de capa assinada pelo repórter Glauber Tiburtino, que ouviu especialistas em direito à comunicação e proteção de dados, integrantes do Comitê Gestor da Internet no Brasil, organizações voltadas à proteção de direitos na rede, parlamentares, pesquisadores de internet e mídias e de informação em saúde e o Conselho Nacional de Saúde.

A matéria explica como regular não é a mesma coisa que censurar e descreve também os motivos e o que prevê o Projeto de Lei (PL) 2630, conhecido como o PL das Fake News. Relata também como as grandes plataformas têm usado ilegalmente o seu poder e influência para se opor a qualquer regulação fazendo uso exatamente de novas fake news.

Em entrevista à repórter Liseane Morosini, o pesquisador Carlos Machado, coordenador do Centro de Estudos para Emergências e Desastres em Saúde da ENSP/Fiocruz, alerta que diversos estudos ambientais concluem que o que ocorre atualmente no planeta não se trata mais de uma mudança climática, mas de uma emergência climática que tem impacto direto no quadro de adoecimento e morte das populações, configurando-se numa emergência de saúde pública que requer ações imediatas.

Segundo ele, o planeta atingiu o limite e há hoje menos tempo para ações de transição a fim de promover mudanças no modelo de desenvolvimento econômico. Essas mudanças, a seu ver, demandam grandes investimentos que devem ser distribuídos equitativamente em favor dos países menos desenvolvidos.

De maneira quase complementar ao alerta da emergência climática, trazemos o texto do repórter Adriano De Lavor sobre o livro O Espírito da Floresta, escrito em parceria entre o xamã e líder político yanomami Davi Kopenawa e o antropólogo inglês Bruce Albert, que reflete sobre o papel do Povo Yanomami, os “habitantes da terra-floresta”, na preservação da vida na terra. Essa leitura é um convite à nossa reflexão, como o “povo da mercadoria”, sobre o caminho em que nos encontramos, por estarmos devorando a nossa própria mãe terra.

Na última reportagem da série produzida por comunicadores populares publicada na Radis, Ana Clara Xavier traz um relato de como a cultura foi afetada e, ao mesmo tempo, palco de resistência comunitária no bairro da Pavuna, território de muitas favelas no Rio de Janeiro, durante o período mais difícil da pandemia de covid-19.

Para concluir, a jovem repórter Luíza Zauza nos traz uma interessante reportagem sobre o uso de jogos de tabuleiros como uma estratégia lúdica para levar ciência às salas de aula. A ideia é aprender brincando.
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ANEXO

A mídia corporativa sempre vai colocar um TEMA na sociedade para discussão - em que nada altera o SISTEMA DE EXPLORAÇÃO CAPITALISTA. Para gerar emoção, comoção, compartilhamento, enfim uma LUTA/INTRIGA entre a PATULEIA enquanto o saque de nossas riquezas, a precarização e marginalização dos trabalhadores continua. A vida miserável da classe trabalhadora segue firme e forte.

 Agora, façamos uma enquete, com 3 perguntas básicas:

1) Qual foi o TEMA, o ASSUNTO anterior que dividiu a PATULÉIA?

 2 - Qual o ASSUNTO/TEMA do momento? 

3) Qual será o próximo ASSUNTO/TEMA que a classe dominante vai lançar para a DIVERSÃO/CORTINA DE FUMAÇA enquanto NADA DE ESTRUTURAL E NECESSÁRIO se altere na sociedade brasileira?

MILTON CARNEIRO - SP

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Um desafio à Marx: lumpens organizados * Fernando Perissé / PB

Um desafio à Marx: lumpens organizados

Os fascistas ocuparam "militarmente" as redes sociais com um exército completo e bem equipado com comando tático e estratégico, linhas de comunicação e suprimento verticalizadas e rápidas e uma gigantesca retaguarda de produção de "munição" monetizada e até altamente lucrativa.

Desafiaram Marx e conseguiram organizar lumpens numa disciplinada tropa de combate - os Minions - e abriram trincheiras nos milhões de grupos de ZAP mistos, a maioria por eles criados e administrados.

Corações, mentes e multidões

Ali são travados intensos combates onde usam como arma a desinformação, agressões, ofensas e xingamentos e são cultivados o ódio e a intolerância, matérias-primas indispensáveis para a implantação de ditaduras fascistas

Para eles a Internet não é apenas uma nova mídia - como ainda a vêem as forças progressistas - mas milhões de assembleias populares aonde lutam todo o tempo para aprisionar corações e mentes.

Também é o principal instrumento de mobilização de multidões que são usadas como instrumento de pressão e até - como no caso de Dilma- para "legalizar" - golpes de estado.

Negacionismo de esquerda?

Os fascistas têm conseguido mobilizar multidões bem maiores do que as das forças progressistas só usando as redes e sem nenhuma inserção nos movimentos populares.

Já as forças progressistas minimizam o trabalho nas redes e dizem priorizar os movimentos de rua, usando, megafones, panfletos e bandeiraços e a Internet apenas como um quadro de avisos ou mídia auxiliar.

Têm amargado grandes decepções e o pior de tudo é que com essa estratégia equivocada deixaram desguarnecido o território em que o inimigo está atacando, facilitando o seu avanço e crescimento.

O ideal seria também atuarem nas redes sociais sem abandonarerm o corpo-a-corpo de rua, onde são imbatíveis.

A vanguarda exilou-se em bunkers de segurança máxima

Os poucos ativistas da vanguarda dos progressistas que chegaram a lutar nas trincheiras populares não resistiram às baixarias dos Minions e se exilaram em grupos só de progressistas onde eles são proibidos de entrar.

Participam agora apenas de poucos, pequenos e menos agressivos grupos mistos de Igreja, família, escola, condomínio, etc

Nas demais redes bloquearam - vibrando de alegria - os Minions - internautas, parentes e amigos - diminuindo mais ainda a dimensão e alcance do seu algoritmo. Caíram na armadilha dos fascistas: isolaram-se.

Formam hoje um grande arquipélago de bolhas sem ligação formal entre si e nem tampouco com as direções partidárias e dos movimentos sociais.

Nas redes sociais os progressistas falam apenas com progressistas - não atingindo as classes mais populares - numa comunicação horizontal, lenta, informal e ocasional.

A Resistência Popular

Nos territórios ocupados ficaram eleitores e admiradores das forças progressistas e seus líderes, quase todos sem nenhum vínculo partidário ou com movimentos sociais, com pouca consciência política e de classe e pertencentes ao lumpesinato.

Essa resistência popular se formou de forma espontânea. Um contingente grande mas fragmentado. Carente de um comando tático e estratégico, de linhas de comunicação e suprimento mais rápidas e principalmente de "munição" mais eficientes.

Perguntem ao Pepe Escobar se pode dar certo!

De um lado um Exército de Ocupação super organizado e equipado.

Do outro uma Resistência Popular não estruturada, fragmentada, sem comando, com linhas de comunicação lentas e sem munição eficiente.

Os fascistas já estão passando

O objetivo principal deste exército de ocupação é a destruição - física inclusive - das forças progressistas, suas lideranças, sua ideologia, sonhos e ideais.

Perderam algumas batalhas mas continuram avançando: hoje o número de pessoas que se declaram de direita já é o dobro dos que se dizem de esquerda.

As forças progressistas têm que acordar e se conectarem com a Resistência Popular já existente, fornecendo-lhe o apoio que necessita.

Caso contrário,
OS FASCISTAS PASSARÃO!

Fernando Perissè/PB
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quinta-feira, 31 de agosto de 2023

COMO A MÍDIA MENTE * Bepe Damasco/Pátria Latina

COMO A MÍDIA MENTE
Bepe Damasco/Pátria Latina
Imaginemos um país no qual um governante de esquerda monta uma frente contra o fascismo e obtém uma épica vitória eleitoral, derrotando um Estado corrompido e autoritário, posto a serviço do presidente de turno?

Só que o novo mandatário, por motivos que dariam margem a estudos aprofundados, elege poucos deputados e senadores afinados política e ideologicamente e se vê forçado a negociar com a majoritária banda conservadora e reacionária do legislativo de seu país.

É a única maneira de aplicar o máximo possível seu programa de governo e não trair promessas de campanha. Até agora a missão vem sendo cumprida, pois apresenta um cipoal de realizações, em apenas oito meses de mandato, digno de nota.

Mas, nesta nação, existe um oligopólio midiático, liderado por uma poderosa empresa de comunicação. Esse grupo diverge radicalmente dos ideais do chefe do governo e tem urticária só de ouvir falar em soberania popular e nacional, justiça social, estado como indutor do desenvolvimento, bem como de inclusão de pobres no orçamento.

Ato contínuo, monta-se um cerco ao governo, na linha do “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.”

Vejamos:

Fato 1: Governo encontra dificuldade na tramitação de algumas matérias de seu interesse no parlamento.

Imprensa corporativa: “A articulação política do governo é incompetente e não consegue formar uma base de apoio forte no Congresso.”

Fato 2: Governo consegue aprovar novas regras fiscais e quebra o tabu da reforma tributária.

Imprensa corporativa: “Na verdade quem saiu vitorioso foi o presidente da Câmara dos Deputados. O governo não tem mérito no resultado, pois mais atrapalhou do que ajudou.”

Fato 3: Para emplacar matérias relevantes para o país, o governo, nas negociações com o parlamento, flexibiliza alguns pontos e desiste de outros.

Imprensa corporativa: “Governo foi emparedado pelo presidente da Câmara dos Deputados.”

Fato 4: Governo resiste a pressões para entregar ministérios estratégicos ao bloco conservador, liderado pelo presidente da Câmara.

Imprensa corporativa: “Presidente prejudica o país ao adiar indefinidamente a reforma ministerial.”

Fato 5: Mudanças no ministério ganham contornos mais nítidos e seu anúncio é questão de dias.

Imprensa corporativa: “Governo sacrifica aliados e se rende aos partidos de centro e de direita.”

Fato 6: Resultados positivos da economia já se refletem nas pesquisas.

Imprensa corporativa: “Os números promissores da economia nada tem a ver com o governo, mas sim com outros fatores. O atual presidente da República é um sujeito de sorte. Além disso, seu avanço nas pesquisas deve-se, principalmente, ao desgaste do ex-mandatário.”

Moral da história: deve ser exasperante viver em um país cujos veículos de comunicação fazem da desonestidade intelectual e da manipulação política as molas-mestras de sua atuação.

sábado, 15 de abril de 2023

MÍDIA EMPRESARIAL(OU IMPRENSA MARROM?) TEM LADO: SEPULTEM-SE AS ILUSÕES, URGENTE * Emiliano José/Patria Latina

MÍDIA EMPRESARIAL(OU IMPRENSA MARROM?) TEM LADO: SEPULTEM-SE AS ILUSÕES, URGENTE

100 dias é pouco para expressar a cara de um governo. É inegável, no entanto, o muito já feito. Como inegável é a má vontade da mídia empresarial com o novo governo

Não, à mídia não importa as mudanças realizadas pelo governo Lula nesses primeiros 100 dias, e uso o número apenas para seguir a mania. É óbvio: 100 dias é nada, muito pouco para expressar a cara de um governo. Inegável, no entanto, o muito feito. Como inegável a má vontade da mídia empresarial com o novo governo, atitude a revelar continuidade, mesmo procedimento ao longo da história. Tal mídia nunca, nunca teve boa vontade com projetos reformistas, sejam eles de qualquer dimensão ou profundidade. E quando as classes dominantes, da qual ela faz parte, se incomodam, parte para o golpe, sem qualquer constrangimento. É protagonista dos golpes, sem exceção, seja, só para citar alguns, o de 1954, ou o de 1964, ou o de 2016. E nunca apenas prestando continência: participando sempre de corpo e alma.

Houve um ou outro momento, face ao desenvolvimento do governo anterior, de natureza fascista, quando uma ou outra rede concedeu alguma coisa, e passou a atacar, por exemplo, o negacionismo assassino do presidente da República. Nunca, no entanto, deixou de apoiar entusiasticamente a política econômica vigente – afinal sobrevive de tal política. O rentismo é a sobrevivência dela, como de toda a classe dominante brasileira. Nós nunca tivemos uma burguesia nacional, uma classe dominante com os predicados das tradicionais burguesias, capazes de operar transformações significativas na vida dos povos. Hoje, em vez de produzir, preferem deixar o dinheiro rendendo, e a indústria segue esfacelada.

É esse apoio à política neoliberal, desse credo a mídia jamais se afasta, a explicar o combate sem trégua feito ao governo Lula nesses primeiros 100 dias. Não, não importa tenha Lula reiniciado uma nova política de combate à fome, reinstalado o Conselho de Segurança Alimentar, aumentado o salário mínimo, promovido isenção do IR, retomado o “Minha Casa, Minha Vida”, reajustado bolsa de estudos, garantido a proteção ao Yanomamis, suspendido várias privatizações, ter colocado em pé novamente a política de direitos humanos, estar novamente no centro das grandes questões mundiais, não importa tenha aumentado em mais de R$ 110 bilhões os recursos para as políticas públicas da área social, enfraquecidas durante as duas gestões anteriores ou tenha ressuscitado o programa Mais Médicos.

Nada disso importa.

A mídia subestima tudo isso, dando tais iniciativas apenas como volta ao passado. Como se recuperar um país devastado por uma política deliberada de destruição não fosse uma tarefa essencial. Políticas sociais não importam para tal mídia. Logo no início do governo anterior, e face ao dito pelo então presidente sobre a principal tarefa dele, destruir, eu dizia da necessidade de pensarmos, acompanharmos a política de destruição porque isso nos daria a dimensão do nosso desafio quando ganhássemos as eleições, como ganhamos. Não seria simples recuperar um país vítima de tanta destruição, não está sendo simples, como estamos vendo. A mídia empresarial não vê isso. Melhor, não quer ver. Os olhos, sempre voltados para o mundo financeiro, para a garantia de pagamento dos juros dos acionistas, mundo do qual faz parte.

Não olha, não quer olhar para a taxa de juros mais alta do mundo praticada pelo presidente do Banco Central. Lula, arguto, compreendeu: tal taxa de juros estrangula o desenvolvimento do país, impede o crescimento econômico, sufoca os empreendimentos, cria obstáculos intransponíveis aos negócios, estimula desemprego, aumenta a miséria e a fome. Necessário, mas não é simples, uma ampla mobilização popular exigindo juros mais decentes. Sentimento contrário à existência de tais juros, existe, e majoritário. Ir às ruas contra eles, outro papo.

Articulistas os mais variados dedicam-se à miudeza de uma crítica fútil a Lula, às intrigas. E à defesa do rentismo, do neoliberalismo mais radical, e por isso segue apoiando a política de juros, absurda. Não, a mim não surpreende. Seguirão nesse combate, nessa linha. Espera-se do governo Lula o fortalecimento de mídias capazes de praticar jornalismo, de caminhar em busca da verdade, utopia desdenhada pelos homens de negócio da grande mídia, hoje adotando uma política feroz de demissões de antigos jornalistas e à procura de novos repórteres e apresentadores, dispostos a suportar salários equivalentes a um terço, um quarto dos mandados pro olho da rua, a suportar a exploração de uma mais-valia mais feroz, na linha do dito recentemente pelo ator e autor Pedro Cardoso.

Lula sabe das dificuldades da conjuntura, marcada por um quadro internacional complexo, derivado, entre tantos aspectos, da guerra por procuração da Ucrânia. A ida à China pode ser um momento rico, a indicar novas alianças, a intensificar a existência de um mundo multipolarizado, não submetido mais à hegemonia americana. O desafio nacional será o crescimento, nada simples face ao já dito, aos juros estratosféricos. Essencial combater a fome, e Lula nunca abandonou esse objetivo, mas terá de ir além, e ele sabe disso.

Consciência ele tem: em nenhum momento terá a mídia empresarial do lado dele. Ela pode em raros momentos fazer algum movimento favorável, no secundário. Nas questões centrais, aquelas voltadas ao benefício do povo brasileiro, especialmente dos mais pobres, ela sempre se colocará visceralmente contra. Por isso, fortalecer as mídias voltadas ao jornalismo de modo a enfrentar as fake news vindas de tantos lados, inclusive da grande mídia. Refutar, por necessário, as calúnias diárias pretendendo qualquer movimento do governo no sentido de limitar a liberdade de expressão, sempre defendida pelo presidente. Insistir sempre: adeus às ilusões – a grande mídia tem lado, e é sempre o do capital, do grande capital monopolista rentista. As ilusões, nesse caso, são pecado mortal, a fazer arder no fogo do inferno, para os crentes. Para os não-crentes, erro crasso, a nos levar a desastres de bom tamanho.

*Emiliano José
 é jornalista e escritor, autor de Lamarca: O Capitão da Guerrilha com Oldack de Miranda, Carlos Marighella: O Inimigo Número Um da Ditadura Militar, Waldir Pires – Biografia (2 volumes), entre outros.

domingo, 18 de dezembro de 2022

OS MINISTROS DE LULA E OS ENTREVISTADORES DAS REDES DE TELEVISÃO * Pedro Augusto Pinho/AEPET

 OS MINISTROS DE LULA E OS ENTREVISTADORES DAS REDES DE TELEVISÃO

Pedro Augusto Pinho/AEPET


Em 29 de março de 1549 Tomé de Sousa chegou a Salvador, atual capital do estado da Bahia. Trazia com ele o Regimento Régio de 17 de dezembro de 1548, com orientações precisas sobre a organização do poder público na Colônia: fazenda, justiça e defesa.


Também se fazia acompanhar de aproximadamente 1000 homens (soldados, profissionais, funcionários públicos) e seis jesuítas, chefiados pelo Padre Manuel da Nóbrega.


Duas lições deveriam os entrevistadores televisivos tirar do fato que vivenciavam, se tivessem um resquício patriótico, se interessassem em ampliar os horizontes intelectuais, e, fundamental para sua profissão, conhecessem a história do Brasil.


Primeiro, que a organização estabelecida no Portugal quinhentista durou quase quatro séculos. Toda estrutura de governo que teve o Brasil, entre o 1º governador-geral e o Governo Provisório da Revolução de 1930, fundou-se no tripé: defesa, segurança e finanças.


As necessidades econômicas dividiram as finanças criando secretarias/ministérios para agricultura, indústria, viação e obras públicas. O aumento populacional e expansão da ocupação territorial seccionou a segurança em justiça e negócios interiores. E com a evolução das tecnologias bélicas, o capitão-mor da Costa passou a ser o Ministro da Marinha e o Ministro da Guerra; com Getúlio, também o da Aeronáutica.


Tudo mais era privado, a instrução entregue à Companhia de Jesus e a saúde ao Deus dará!


Com a independência, em 1822, tornou-se necessário o Ministério das Relações Exteriores.


Fomos, até os governos de Getúlio Vargas, exemplo de Estado Mínimo (digno de Manual Neoliberal) que manteve o país escravista, atrasado, covarde e medroso, com as ferozes repressões sofridas pelos Palmares (1580-1700), Inconfidentes Mineiros (1780-1792), Alfaiates (1798), Pernambucanos de 1817, Confederados do Equador (1824), Cabanos (1835-1840), Malês (1835), Farroupilhas (1835-1845), Sabinos (1837-1838), Balaios (1838 -1841), revoltosos nordestinos do quebra-quilo (1872-1877), Federalistas do Sul (1893-1895), Canudos (1896-1897), marinheiros da Chibata (1910) entre tantos outros.


Além dos assassinatos diários pela fome, desnutrição, desemprego, miséria, falta de higiene e de conhecimento, que a entrega ao privado da educação e da saúde fez, do Brasil, exemplo de vergonha mundial.


Lula, conhecedor da tradição nacional, iniciou a divulgação de seus Ministros pelo mais arraigado sentimento de Estado existente no Brasil; pelas Relações Exteriores, porque somos formalmente independentes, e pela defesa, pela segurança (justiça e casa civil) e pelas finanças. Exceto o Ministro Mauro Vieira, todos demais foram entrevistados pelos profissionais das tevês, abertas e pagas.


E, curiosamente, embora todos os escolhidos pelo presidente três vezes eleito, sem exceção, demonstrassem profundo conhecimento, até brilho, para o exercício da chefia das pastas, a fidelidade ao Consenso de Washington era a maior, quase única, preocupação dos (e das) entrevistadores (as). O tempo que sobrava era para armadilhas e fofocas.


A pedagogia colonial corre no sangue e na medula flexível destes profissionais e da maioria da classe média, tão ignorante, agressiva e vaidosa quanto as que cometeram e cometem os crimes de morte, que exemplificamos do Brasil Colônia ao Brasil República, em parágrafo anterior.


Discorramos brevemente sobre estes Ministros que ocupam as mesmas pastas que Pero de Góis, ex-donatário da capitania hereditária de São Tomé, designado Capitão-mor da Costa (Ministro da Defesa), que Pero Borges, responsável pela Justiça e Negócios Interiores (Ministro da Justiça e Segurança Pública e Chefia da Casa Civil), designado Ouvidor-mor, e que Antônio Cardoso de Barros, responsável pelas Finanças (Ministério da Fazenda), designado Provedor-mor.


Simbolicamente, Luiz Inácio Lula da Silva inicia a reconstrução do Brasil, depois da passagem do tsunami neoliberal bolsonariano, como Tomé de Sousa o criou.


Porém, como na canção cubana, os erros do passado não devem retornar. E, por ignorância ou submissão, insistir nestes erros, é o que nos dizem as perguntas e comentários dos jornalistas da Globo, CNN, Bandeirantes, Record e demais.


Nosso Capitão-mor da Costa deu um show de savoir-faire. Ironizou, provocou, explicou e demonstrou que sabe perfeitamente o que e como fazer. A resposta já está sendo conhecida pelas manifestações dos atuais comandantes das três forças. José Múcio Monteiro Filho é engenheiro civil e político pernambucano filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).


O Ouvidor-mor, maranhense Flávio Dino de Castro e Costa, advogado, político, professor e magistrado, filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), tem no seu currículo de concursos públicos e diversas eleições, em ambiente classista e pelo povo, a confirmação de seu conhecimento e sensibilidade social. Seus pronunciamentos a respeito dos baderneiros e terroristas, que infestam ainda o ambiente público, demonstram que sabe perfeitamente como usar a lei para pacificar o País. O que todos querem é tranquilidade, que só se encontra na aplicação da lei para todos, sem exceção de qualquer natureza, e não com perdões que os incentivam a continuar pecando. Ou os neopentecostais acreditam no loteamento do Reino do Céu?


Por fim os dois membros do Partido dos Trabalhadores (PT), o mesmo partido do presidente eleito: o Provedor-mor e o resultado do secular desmembramento das atribuições do Ouvidor-mor.


O paulista Fernando Haddad é um acadêmico. Porém não é aquele estudioso desvinculado da realidade, que fica repetindo mantras neoliberais, sem perceber suas consequências para os povos e para os países, ou seja, para a cidadania e a soberania nacionais. E chega a este conhecimento em ações públicas, como funcionário público e técnico privado, como professor e pesquisador, como eleito e candidato a cargos eletivos, isto é, em permanente contato com as diversas áreas geográficas e de atividade e distintas populações.


Tem perfeita consciência que só a ignorância é dona da verdade, busca em todas matrizes teóricas a informação e comprovação dos acertos e falhas já adotados. Não vai experimentar, fazer aposta, como se ouvia com frequência nas áreas afetas ao Provedor-geral no governo de Fernando Henrique Cardoso. Buscará a solução adequada a cada questão da sua esfera de competência ministerial.


Rui Costa dos Santos estará completando sessenta anos quando assumirá a Casa Civil da Presidência da República, em janeiro de 2023. Para este economista baiano, filho de metalúrgico, será mais um desafio político, que enfrenta desde as lutas sindicais, do início de sua militância. Fundador do PT tem a carreira política completa, de vereador a governador, duas vezes eleito e fazendo seu sucessor. Seu secretariado foi composto por representantes de sete partidos além de profissionais independentes, sem filiação partidária.


Tem capacidade comprovada de trabalhar com todas as correntes políticas, sabendo definir o objetivo que as congregará. Numa das suas entrevistas fez questão de deixar claro que, agindo no interesse do povo, fixando metas realistas, é mais fácil unir os políticos que, na grande maioria, também desejam atender seus eleitores, satisfazer as demandas da população.


Mas, infelizmente, os jornalistas apenas souberam colocar a régua do Consenso de Washington para avaliar os entrevistados. Nenhum interesse nas questões nacionais, nenhum conhecimento de seus currículos, nenhuma reflexão sobre o momento que vive o Brasil e a mudança que se desenha nas relações internacionais.


Lamentável! Precisávamos melhor!

Pedro Augusto Pinho é presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET. 

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sábado, 10 de dezembro de 2022

O QUE O JN SEMPRE ESCONDE DE VOCÊ * Ângela Carrato - G1

O QUE O JN SEMPRE ESCONDE DE VOCÊ

Ângela Carrato / https://www.globo.com/


Roberto Marinho sempre disse que tão importante quanto o que os seus veículos de comunicação publicavam era o que deixavam de publicar.


Como o silenciamento seletivo do Jornal Nacional é historicamente um crime cometido contra o direito da população brasileira à informação, passo a fazer, a partir de hoje, a relação dos assuntos que não foram notícia ou foram abordados de forma superficial por este telejornal. 


Até porque ninguém com um mínimo de discernimento  pode acreditar que está tudo tranquilo e que as instituições funcionam plenamente. 


A edição desta noite do JN (5/12) dedicou 85% do seu tempo à  Copa do Mundo, com destaque para a vitória da seleção brasileira sobre a Coreia do Sul. 


Esse tempo absurdamente excessivo acaba encobrindo o que os irmãos Marinho preferem não abordar. A saber:


NO PLANO NACIONAL


1. A tramitação da PEC do Bolsa Família, que tem semana muito importante no Congresso Nacional. É  fundamental para o futuro governo Lula que ela seja aprovada, mas o jogo será bruto. Os Marinho não  querem desagradar o Arthur Lira, o Centrão e menos ainda facilitar a vida de Lula. O que está  em jogo é  o combate à  fome de 33 milhões de brasileiros e recursos para a saúde e educação. Mas para a Vênus Platinada, o povo que se dane. O importante é tentar manter o futuro governo em rédeas as mais curtas possíveis.


2.  A Justiça embargou a compra de 90 tanques de guerra por parte do governo Bolsonaro. O custo seria de R$ 5 bilhões. Em final de governo e Bolsonaro alegando falta de recursos até  para pagar os aposentados, esse assunto ganha a maior relevância. Mas os Marinho preferem não falar nada por causa das velhas amizades com os milicos. Ninguém pode se esquecer que a TV Globo cresceu servindo à ditadura e ainda tem um pé  nos quartéis.


Detalhe: os tanques seriam comprados da Itália, hoje governada pela extrema-direita.


3. O STF vota, na quarta-feira, uma importante ação envolvendo o orçamento secreto. Como se sabe, esse orçamento é  a grande arma de que dispõe Lira para controlar a maioria na Câmara dos Deputados e peitar o Executivo. Derrotar o orçamento secreto é  fundamental para a democracia no Brasil, mas a família Marinho não admite notícia que possa  criar qualquer embaraço para o "coronel" Lira. 


4. O trabalho da Equipe de Transição de Lula e a preparação para a posse do novo presidente. É  inaceitável que faltando 26 dias para a posse não haja nenhuma informação sobre o assunto. "Esquenta"  na Globo só vale para Copa do Mundo e Carnaval?


5. A ação do ministro Alexandre de Morais contra as fake news, em especial no caso da deputada Carla Zambelli. A fake news de Carlos Bolsonaro sobre a ferida na perna do pai. Mostrar isso para o público é  fundamental para desconstruir a narrativa golpista da extrema-direita. Mas a Globo se cala. E quem cala, consente.


6. Passou da hora do JN mostrar o golpismo dos "patriotários". O não mostrar não tem nada a ver com não dar espaço a eles. Tem a ver com não se indispor com a milicaiada golpista. Mas o papel da mídia não é  informar?


6. O governador eleito de São Paulo prepara a bolsonarização do seu secretariado. Vale dizer: o Palácio dos Bandeirantes vai ser transformado em trincheira para os derrotados no plano federal.


NO PLANO INTERNACIONAL


1. O presidente eleito recebeu hoje a visita do assessor de Relações Internacionais do governo Joe Biden, Jack Sullivan. Oficialmente, Sullivan veio convidar Lula para um encontro com Biden antes da posse. Isso foi dito. Faltou, no entanto, contextualizar a tal visita. Qual a situação do governo Biden? Qual a posição do governo Biden diante do mundo multipolar ? Qual a importância de Lula neste momento em relação a esse mundo multipolar? O que os Estados Unidos querem efetivamente de Lula?


2. A guerra na Ucrânia acabou? Claro que não. Apenas sumiu do JN, exatamente no momento em que Biden percebe que o feitiço voltou-se contra o feiticeiro. Os estadunidenses estão indignados com a inflação e querem colocar um ponto final em mais esta aventura belicista do Partido Democrata.


3. A extrema-direita e a direita peruana tentam, pela terceira vez, o impeachment do presidente de esquerda Pedro Castillo. No poder a menos de dois anos, ele vem enfrentando pressões e cerceamentos. As mobilizações internas levam todo o jeito de contarem com as digitais do Tio Sam. Aliás, foi o cúmulo da cara de pau do presidente da OEA, Luis Almagro, se oferecer como "mediador" para os problemas no Peru, logo ele que teve papel fundamental no golpe contra Evo Morales.

Por falar em Bolívia, o atual presidente, Lucio Arce, enfrenta movimento separatista na região de Santa Cruz de la Sierra. Já Evo Morales tem denunciado o apoio aos golpistas pelos Estados Unidos.


4. Na vizinha Argentina estoura um escândalo super parecido com algo recente no Brasil. Lá, a ex-presidenta e atual vice, Cristina Kirchner, vem sendo vítima de lawfare. A Justiça investe contra ela da mesma forma que aqui Lula foi vítima da Operação Lava Jato. Se aqui foi preciso um hacker para mostrar o conluio de setores da Justiça com apoio até do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, lá as armações contra Cristina foram divulgadas pelo jornal Tiempo Argentino e envolvem juízes e o maior conglomerado de mídia local, o Grupo Clarin. Qualquer semelhança entre a Operação Lava Jato e a parceria da Globo com Sérgio Moro não é mera coincidência.

Por tudo isso, o JN está longe de fazer jornalismo. 


O que a família Marinho fez e continua fazendo é a defesa dos próprios interesses, associado ao apoio à  direita da qual é parte integrante.


Que se dane a informação para o seu respeitável público.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2020