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quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Um desafio à Marx: lumpens organizados * Fernando Perissé / PB

Um desafio à Marx: lumpens organizados

Os fascistas ocuparam "militarmente" as redes sociais com um exército completo e bem equipado com comando tático e estratégico, linhas de comunicação e suprimento verticalizadas e rápidas e uma gigantesca retaguarda de produção de "munição" monetizada e até altamente lucrativa.

Desafiaram Marx e conseguiram organizar lumpens numa disciplinada tropa de combate - os Minions - e abriram trincheiras nos milhões de grupos de ZAP mistos, a maioria por eles criados e administrados.

Corações, mentes e multidões

Ali são travados intensos combates onde usam como arma a desinformação, agressões, ofensas e xingamentos e são cultivados o ódio e a intolerância, matérias-primas indispensáveis para a implantação de ditaduras fascistas

Para eles a Internet não é apenas uma nova mídia - como ainda a vêem as forças progressistas - mas milhões de assembleias populares aonde lutam todo o tempo para aprisionar corações e mentes.

Também é o principal instrumento de mobilização de multidões que são usadas como instrumento de pressão e até - como no caso de Dilma- para "legalizar" - golpes de estado.

Negacionismo de esquerda?

Os fascistas têm conseguido mobilizar multidões bem maiores do que as das forças progressistas só usando as redes e sem nenhuma inserção nos movimentos populares.

Já as forças progressistas minimizam o trabalho nas redes e dizem priorizar os movimentos de rua, usando, megafones, panfletos e bandeiraços e a Internet apenas como um quadro de avisos ou mídia auxiliar.

Têm amargado grandes decepções e o pior de tudo é que com essa estratégia equivocada deixaram desguarnecido o território em que o inimigo está atacando, facilitando o seu avanço e crescimento.

O ideal seria também atuarem nas redes sociais sem abandonarerm o corpo-a-corpo de rua, onde são imbatíveis.

A vanguarda exilou-se em bunkers de segurança máxima

Os poucos ativistas da vanguarda dos progressistas que chegaram a lutar nas trincheiras populares não resistiram às baixarias dos Minions e se exilaram em grupos só de progressistas onde eles são proibidos de entrar.

Participam agora apenas de poucos, pequenos e menos agressivos grupos mistos de Igreja, família, escola, condomínio, etc

Nas demais redes bloquearam - vibrando de alegria - os Minions - internautas, parentes e amigos - diminuindo mais ainda a dimensão e alcance do seu algoritmo. Caíram na armadilha dos fascistas: isolaram-se.

Formam hoje um grande arquipélago de bolhas sem ligação formal entre si e nem tampouco com as direções partidárias e dos movimentos sociais.

Nas redes sociais os progressistas falam apenas com progressistas - não atingindo as classes mais populares - numa comunicação horizontal, lenta, informal e ocasional.

A Resistência Popular

Nos territórios ocupados ficaram eleitores e admiradores das forças progressistas e seus líderes, quase todos sem nenhum vínculo partidário ou com movimentos sociais, com pouca consciência política e de classe e pertencentes ao lumpesinato.

Essa resistência popular se formou de forma espontânea. Um contingente grande mas fragmentado. Carente de um comando tático e estratégico, de linhas de comunicação e suprimento mais rápidas e principalmente de "munição" mais eficientes.

Perguntem ao Pepe Escobar se pode dar certo!

De um lado um Exército de Ocupação super organizado e equipado.

Do outro uma Resistência Popular não estruturada, fragmentada, sem comando, com linhas de comunicação lentas e sem munição eficiente.

Os fascistas já estão passando

O objetivo principal deste exército de ocupação é a destruição - física inclusive - das forças progressistas, suas lideranças, sua ideologia, sonhos e ideais.

Perderam algumas batalhas mas continuram avançando: hoje o número de pessoas que se declaram de direita já é o dobro dos que se dizem de esquerda.

As forças progressistas têm que acordar e se conectarem com a Resistência Popular já existente, fornecendo-lhe o apoio que necessita.

Caso contrário,
OS FASCISTAS PASSARÃO!

Fernando Perissè/PB
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