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quarta-feira, 28 de agosto de 2024

REABRE COMISSÃO DA VERDADE! * Agência Brasil

REABRE COMISSÃO DA VERDADE!


O Ministério Público Federal recomendou ao Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania a reinstalação da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos no prazo de 60 dias.

A Comissão, criada em 1995, foi extinta em 2022, ainda no governo de Jair Bolsonaro.

Ela tinha o papel de apurar os desaparecimentos e mortes em razão de atividades políticas durante a ditadura militar.

O MP recomenda a continuidade dos trabalhos da Comissão Especial especialmente para o reconhecimento de vítimas e busca de restos mortais e registros de óbito. Além da destinação de recursos humanos e financeiros para o funcionamento do órgão.

O Ministério Público considera que a extinção da Comissão ocorreu de forma prematura, já que existem casos pendentes de vítimas, incluindo os desaparecimentos da Guerrilha do Araguaia, e as valas encontradas no cemitério de Perus e no Ricardo Albuquerque.

O Brasil inclusive tem obrigações internacionais pendentes, como as condenações da Corte Interamericana de Direitos Humanos, com o caso do jornalista Vladimir Herzog, em que o país deve adotar medidas para tornar imprescritíveis crimes contra humanidade.

Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania afirmou que, no início de 2023, adotou todas as medidas administrativas e jurídicas para o restabelecimento da comissão. E que o processo se encontra na Casa Civil da Presidência da República.

Procurada pela reportagem, a Casa Civil não se manifestou.

quinta-feira, 28 de março de 2024

MILÍCIA É TERRORISMO * Heloisa Villela e Chico Alves

MILÍCIA É TERRORISMO
Heloisa Villela e Chico Alves
Estrutura da milícia foi montada na ditadura.
Grupos nasceram dos esquadrões de extermínio criados para perseguir políticos.

“A ditadura construiu isso”, disse o sociólogo José Cláudio Souza Alves, professor da UFRRJ e pesquisador que se dedica a entender o surgimento e o crescimento das milícias brasileiras, especialmente as que atuam na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, há mais de 30 anos. Esses grupos armados e poderosos foram responsáveis pela morte da vereadora Marielle Franco. Segundo o professor José Cláudio, autor do livro “Dos Barões ao extermínio: uma história de violência na Baixada Fluminense”, as milícias nasceram a partir dos grupos de extermínio da ditadura militar, criados, em um primeiro momento, para perseguir políticos que se opunham ao regime. Mas logo os militares se deram conta do potencial de lucro e de poder que conquistariam controlando os territórios. O sociólogo recebeu os jornalistas Chico Alves e Heloisa Villela para conversar sobre a história e o domínio das milícias no Rio de Janeiro.

ICL Notícias — As milícias no Rio estão no centro da disputa fundiária e essa expansão nos territórios tem legitimação política e jurídica há anos.

José Cláudio Souza Alves — Esse é um projeto que deu certo, funciona, é secular desde que o Brasil é Brasil. Você montou essa estrutura de poder, só que ela tem agora características nossas, próprias. Acho que a partir do golpe de 64, ou seja, há 60 anos, se montou essa estrutura e ela vem evoluindo, ela vem avançando. O caso Marielle é uma espécie de umbral. Ele abre uma porta, uma janela, e te diz: olha esse negócio funciona, esse negócio dá certo. Aí não deu certo para os Brazão, o Rivaldo, porque houve uma determinação política que conseguiu revelar a estrutura toda.

Mas pela dimensão que é no Brasil como um todo, e eu estudo a Baixada, o Rio de Janeiro, mas com certeza tenho muitas informações de outros estados e outros conflitos que se desenrolam da mesma forma, essa estrutura é dominante no Brasil. Ela é a grande estrutura. Você tem, no caso do Brasil, terras para um monte de serviços urbanos. Você vai fazer uma urbanização miliciana. O tráfico é uma estrutura mais frágil. Normalmente são mortos e presos e vão se articular com a estrutura miliciana. São grupos armados que ficam por muito tempo no território, que vão gerar estruturas de poder muito eficientes, totalitárias, e você não consegue escapar dessa estrutura. Dá grana pra muita gente. E se fosse só grana… é grana e voto.

Esse é um ano eleitoral. Pra tocar numa estrutura dessa em um ano eleitoral. É fácil você pegar um caso emblemático como Marielle (fácil em termos) e trazê-lo à luz, identificar os culpados e condená-los. Mas quando vai em uma dimensão tão ampla como essa, com várias gerações, com voto, com grana, uma estrutura de poder consolidada há 60 anos, você está em outro cenário. Você tem disposição de fato para enfrentar essa estrutura? Você vai sobreviver? Vai enfrentar essa estrutura de poder que tem muitos votos e vai passar pela assembleia legislativa do estado, governo do estado, prefeituras, vai passar por câmara de vereadores…
Em 64 a gente não tinha fuzis nos morros. Em 85, quando termina a ditadura, a gente tem fuzil, várias armas vazadas dos quartéis. Isso, pra mim, é muito importante frisar. Como a ditadura propiciou esse crescimento?

Eu vou parafrasear o Darcy Ribeiro que dizia, sobre a educação, que não existia crise na educação e sim um projeto que deu certo. Não existe crise na segurança pública. Existe uma estrutura que deu certo. Ela funciona. E ela funciona porque dá muito dinheiro e muito poder a muita gente. A ditadura soube disso. A ditadura construiu isso. Primeiramente em uma tentativa de pegar os grupos políticos que eram inimigos, a contra insurgência. Esse era o projeto inicial.

Então o que eu estudo aqui na Baixada Fluminense são os grupos de extermínio que começam a se desenvolver após 1967, quando dão as características da PM como auxiliar, repressiva, cooperando com o regime militar, daí eles dão o salto. Eles deixaram de visar somente uma estrutura política de oposição e resolveram controlar territórios mesmo, em uma estratégia de eliminação sumária. Os militares.

Então eram grupos de extermínio que no princípio tinham um viés político?

Inicialmente houve um viés político de controle dessa oposição que foi a partir de cassações de prefeitos, vereadores, todos que tinham vínculos com partidos considerados de oposição, e isso naquele momento que ainda ia criar o bipartidarismo. Depois que criou o bipartidarismo, todos os envolvidos com o MDB também passaram a sofrer cassações, perseguições políticas… Eles controlaram isso durante um tempo, com o Castelo Branco. Depois eles se deram conta de que isso era muito limitado e queriam muito mais eficiência. Prender e torturar guerrilheiros e grupos clandestinos armados ou não também era uma coisa limitada. Não era suficiente para controlar o que eles queriam controlar.

No caso da Baixada, e isso vale para o Brasil como um todo, os grupos de extermínio começam a operar o miúdo. As situações vulneráveis de segurança pública que o Brasil era cheio de problemas, como hoje. Não há emprego, não há renda, não há sobrevivência e o mundo do crime é uma alternativa. Sempre foi. Esse universo virou o grande universo dos grupos de extermínio. Esses caras começam a angariar poder. Mas muito poder. Como funciona o esquema? A estrutura policial, o aparelho policial, é que vai matar, os empresários e comerciantes que depositaram apoio na ditadura vão financiar esse controle, essa matança, e para fechar toda essa estrutura, o regime autoritário militar dava suporte político.

Vários casos que foram identificados na Baixada de policiais que mataram, que executaram pessoas, que chegaram inclusive a tribunal do júri, os militares iam em peso para os tribunais desses julgamentos para dar apoio explícito aos policiais.
Então estamos vendo uma linha do tempo com o mesmo pensamento que se reproduziu durante o governo Bolsonaro de “bandido bom é bandido morto”, porém esse sistema vem operando desde então. Ele só foi enaltecido no governo Bolsonaro.

Potencializou, mas ele sempre existiu. E eu não vejo que agora ele esteja refluindo, mesmo com o governo Lula. Não vejo sinal de que vá refluir, não vejo vontade política. Uma coisa é você identificar os assassinos da morte de uma vereadora e aí tem que dar os parabéns, tem que comemorar. Outra coisa é perceber as dimensões todas que eu vejo o tempo todo aqui na Baixada e no Brasil como um todo.

As eleições vão chegar daqui a pouco e essa estrutura toda funciona para a eleição. Você vai ganhar muito voto, muito dinheiro, você tem controle territorial dessas áreas. Você está disposto a confrontar essa estrutura? Eu não vejo isso. Porque se quer fazer um consenso, um acordo. Porque se faz com os militares que são os autores dessa estrutura toda porque é deles que vem.

“Ah, estão enfrentando o 8 de janeiro”. Beleza, vai prender meia dúzia de generais. Mas você continua tutelado pelos militares, se subordinando aos interesses deles. Você vai continuar nesse projeto? Não vai confrontar? Para confrontar milícia no Rio, Rota em São Paulo, você vai ter que bater de frente com governadores, com deputados estaduais, porque eles estão envolvidos nessa estrutura, eles têm representantes… Antigamente eu só via matadores vereadores aqui na Baixada. No máximo chegavam a prefeito. Hoje esses caras estão em todos os lugares. São deputados federais, são deputados estaduais. É uma estrutura que tem crescido, que tem se desenvolvido.
Agora a insegurança miliciana se espalhou pela Baixada Fluminense. É inimaginável para quem não é do Rio a diferença que faz juntar a Zona Oeste do Rio, que já é grande, com a Baixada. É um negócio gigantesco! E nos últimos 10 anos me parece que avançou muito. Pode-se dizer que é fenômeno recente?

Nem é tão recente. A UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) faz esse processo de migração, e quando vão para a Baixada, as milícias vão para o mesmo movimento. Eu costumo chamar o Comando Vermelho de um bioindicador. Crime-indicador. Onde o Comando Vermelho se estabelece a milícia vai estabelecer disputa ali também, porque sabe que tem mercado, tem grana, tem tráfico, tem interesses ali.

O Terceiro Comando Puro é menor, vai fazer parceria em grande parte com a milícia. Hoje mudou um pouco isso porque a milícia da Zona Oeste tem feito parcerias com o Comando Vermelho em comunidades mais na Zona Oeste do Rio e não na Baixada. Isso está se reconfigurando. Mas essa estratégia dos grupos armados de disputar territórios e avançar nesses territórios já ocorre a algum tempo. E a chacina lá atrás, da Baixada, 29 mortos, lá em 2005, ainda não era esse momento. Era uma disputa de grupos de extermínio. Mas quando você vai para o início dos anos 2000, principalmente depois da UPP, aí você tem exatamente o que você falou. A milícia se espalhou, ela cresce e vai disputando com o tráfico e esses grupos começam a estabelecer relações entre si e com a estrutura policial. Isso não está isolado.

A estrutura de segurança pública ela é toda permeada por esse interesse de grupos armados. O estado vai negociar o monopólio da violência e a sua soberania a partir desses grupos armados e com isso se constrói o que muitos vão chamar de governança criminal. Você começa a estabelecer um conjunto de ações que vão controlar aquelas populações a partir do crime. Se um grupo armado fica 30 anos em um determinado lugar, como é o caso em vários lugares aqui da Baixada, esquece. São eles que vão controlar tudo ali. Vão dar status, poder, resolução de conflitos, vão dar grana, vão dar voto. Eles passam a gerenciar aquele território. Os Brazão são isso.

A Marielle morre porque ela e as lideranças do PSOL não foram capazes de perceber a evolução dos Brazão. O que eles atingiram na CPI das milícias em 2008, 10 anos antes da morte de Marielle, não eram os Brazão que 10 anos depois mandaram assassinar ela. Por quê? Houve uma evolução dessa estrutura toda. Eles tinham muito mais poder, muito mais dinheiro. Dominavam territórios com vários mecanismos de ganhos e muito mais apoio. Eles cresceram. Começaram a comprar estrutura policial, estão dentro da estrutura política, foram crescendo. Eles talvez não esperassem que houvesse uma repercussão e uma mudança na estrutura política, como houve, e acabou atingindo eles. Mas a Marielle e o PSOL não foram capazes de perceber o risco que estavam correndo ao se confrontar com essa estrutura que é muito mais poderosa. Se não puder controlar, eles matam.
Foi quase um enfrentamento ingênuo?

Eu estava na Câmara dos Vereadores no dia do enterro. Eu fui pra lá. E vi vários conhecidos. E perguntava a vários conhecidos: ninguém foi capaz de perceber isso? E todos eles disseram que não. Não havia nenhuma denúncia… Mas eles não eram uns carinhas quaisquer. Havia um ambiente ali que acho que ela não teve noção do que estava enfrentando.

Levando em conta a evolução desses grupos de extermínio, desde a ditadura militar, olhando pra frente, teremos o que, a situação de El Salvador? Das Filipinas?

Talvez o México… Eu acho que temos nosso próprio modelo. Ninguém vai nos repetir e não vamos copiar ninguém. O pessoal fala em máfia. Eu digo não. Máfia é família, é pré-estado italiano. Tem outra estrutura. Uma estrutura familiar. Secular. Não dá para comparar milícia com máfia. Mas é grupo de extermínio e milícia com estrutura armada dentro do estado que passa a estabelecer controle territorial em parceria com outros grupos armados. Esse é um modelo muito nosso. Talvez possamos nos equiparar em número de mortos com alguns países. Mas no México a população se organizou para se proteger. Aqui não, as populações atingidas são destruídas. Não tem suporte, apoio, não se organizam, não temos a construção social e cultural do México.

O que se diz é que os Brazão não têm uma milícia. Estão associados. É isso? Eles não são líderes? Essa investigação teria chegado aos mandantes do crime e aí se diz que é a milícia. Se são os Brazão, então são milicianos…

Eles se servem dos serviços dos milicianos. Os bicheiros do Rio de Janeiro todos se servem dos serviços de milicianos e policiais militares, ou grupos de extermínio em uma fase anterior.
Eles se servem da estrutura da milícia e dão legitimidade política e jurídica para essas violências. É isso?

A gente está focado no crime, no assassinato de Marielle, mas a coisa mais dura e mais difícil é o que não é crime e não é Marielle. As dimensões não criminais disso tudo. Há estruturas que passam por legalizações dentro da estrutura das prefeituras, do governo de estado, prestadores de serviços, organizações sociais, na área da saúde… Por exemplo: você quer fazer uma obra em uma prefeitura. Você abre licitação como a legislação exige. Aí tem lá o primeiro, o segundo, o terceiro colocado. O primeiro vai tentar assumir, mas o quarto vai e diz que ele é quem manda naquela região. O cara tenta ir pra lá fazer a obra e percebe que não vai conseguir. É ameaçado, não tem gente pra trabalhar pra ele, sofre acidentes que não são acidentes… O segundo também etc. e o quarto vai assumir. Isso já me foi relatado várias vezes aqui na Baixada. É uma estratégia “legal”, aparentemente legal. Ninguém vai denunciar.

MAIS

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

QUANTO RENDE CADA CHACINA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

QUANTO RENDE CADA CHACINA
Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

A CHACINA DO GUARUJÁ
LUIS FELIPE MIGUEL

Violentas e corruptas, as polícias são singularmente incompetentes em desempenhar as tarefas às quais seriam destinadas

O governo paulista reconheceu 8 mortos, embora se fale em 10, 12 ou mesmo 19. Familiares das vítimas apontam sinais de tortura e execução. Mas Tarcísio de Freitas já se antecipou: “não houve excesso”. Também declarou estar “extremamente satisfeito com a ação da polícia”.

A Rota empreendeu a operação como vingança pela morte de um soldado. A imprensa noticiou que os policiais teriam ameaçado assassinar pelo menos 60 moradores como represália.

É o modus operandi da Rota – em 2015, promoveu uma chacina com 23 mortos para vingar as mortes de um PM e de um guarda civil municipal. Só que esse tipo de ação é coisa de bandos mafiosos, não de força policial.

Por mais justa que seja a indignação pela perda de um colega, a polícia existe para proteger a população e para identificar e prender criminosos, não para promover banhos de sangue.

Ainda que os “suspeitos” fossem todos realmente suspeitos, a violência policial não seria justificada. Mas, como todos sabem, nem isso são.

Há mais de 50 anos, a Rota é sinônimo de truculência. Suas vítimas são contadas na casa dos milhares. Mas sua diferença em relação ao padrão médio das polícias brasileiras é de quantidade, não de qualidade.

(Outro dia vi um vídeo de humor, não lembro a fonte, em que dois estrangeiros se submetem a um quiz para saber o quanto conhecem do Brasil. Uma das perguntas é “Qual é a gangue mais violenta das cidades brasileiras?” A resposta correta é “Polícia Militar”. Humorístico, mas tristemente preciso.)

Para a extrema direita, a violência policial é um valor a ser preservado. A chacina no Guarujá não é suficiente: a bancada da bala quer carta branca para matar. Pedem a retirada das câmeras dos uniformes.

Violentas e corruptas, as polícias são singularmente incompetentes em desempenhar as tarefas às quais seriam destinadas. Num círculo vicioso particularmente perverso, a falência da segurança pública turbina discursos favoráveis à violência policial. A mesma população que corre o risco de ser morta pela polícia é levada a aplaudir seus excessos.

O discurso cínico de Tarcísio de Freitas não é impensado. Ele sabe a que público está agradando quando avaliza a chacina do Guarujá.

*Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de Democracia na periferia capitalista: impasses do Brasil (Autêntica).
FONTE
CHACINA DO GUARUJÁ
*
A CHCINA DA VILA CRUZEIRO
CHACINA DO GUARUJÁ
JAIR GALVÃO
&
A VIOLÊNCIA POLICIAL COMO NATUREZA DO ESTADO CAPITALISTA
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sábado, 26 de novembro de 2022

OPERAÇÃO DE GUERRA NA MARÉ * MareOnLine.RJ

OPERAÇÃO DE GUERRA NA MARÉ

8 mortes confirmadas na operação que acontece desde a madrugada

A operação conjunta da Polícia Militar e Polícia Civil que acontece na Maré desde às 4h da manhã desta sexta-feira chama mais uma vez atenção e marca o conjunto de favelas pela quantidade e intensidade de ações truculentas, mortes e violência com moradores. A ação que já descumpria os dispositivos jurídicos da ADPF 635/2019 sobre o seu horário de início, também já ultrapassa o seu horário de fim – às operações noturnas violam um dos pedidos que foram aprovados pelo STF. Além disso, outra decisão descumprida foi a presença das ambulâncias no entorno para realização da ação, isso custou a vida de moradores e um policial que também foi atingido na ação. Essa operação afetou algumas favelas do conjunto, mas teve concentração de episódios de muita violência na Nova Holanda e no Parque União.

Ainda na parte da manhã já eram 3 pessoas mortas na ação, entre elas o jovem Renan Lemos, de 24 anos. A Delegacia de Homicídios (DH) não realizou o processo legal de perícia no caso de Renan, assim como a Defesa Civil não foi fazer a retirada do corpo no local, o que obrigou a família a colocar o jovem em óbito em um carrinho de mão, carregá-lo até a Av. Brasil, e aguardar por volta de três horas a retirada do corpo. Após muitas denúncias e articulações, com Ministério Público e outras instituições de defesa dos Direitos Humanos, o corpo de bombeiros atestou o óbito, a 22ª Delegacia de Polícia registrou a ocorrência e a Defesa Civil retirou o corpo. A DH não realizou a perícia do local nem do corpo, fato que atrapalha qualquer possibilidade de investigação sobre as mortes do dia de hoje na região.

A operação seguiu por toda a tarde com diversas denúncias e relatos de danos ao patrimônio, invasões de domicílios e carros violados. Familiares de três pessoas que foram feridas buscavam por informações pois não encontravam o paradeiro das vítimas.

Já no fim da tarde, quando a movimentação de policiais na região já era reduzida e moradores acreditavam no fim da operação e voltavam à normalidade do cotidiano, circulando e realizando suas atividades muitos agentes policiais saíram do 22º Batalhão da Polícia Militar que tem sede na Maré e atacaram moradores com tiros, bombas de efeito moral e spray de pimenta. Uma pessoa foi baleada e levada para dentro do batalhão. No mesmo horário, no Parque União, três pessoas foram mortas.

Ainda não há informação oficial sobre o fim da operação, ainda há caveirão e policiais circulando pela região e há relatos de moradores com receio sobre a possibilidade de agentes estarem de “tróia”.

É fundamental que toda a sociedade civil enxergue o tamanho da truculência com que as forças policiais do Estado do Rio de Janeiro estão atuando no Conjunto de Favelas da Maré nesta sexta-feira. É possível e importante oficializar denúncias sobre a ação para o Ministério Público através do WhatsApp: (21) 2215-7003

FONTE

quinta-feira, 19 de maio de 2022

O LOBISOMEM DO PALÁCIO DO PLANALTO * Normando Rodrigues

 O LOBISOMEM DO PALÁCIO DO PLANALTO

Normando Rodrigues


*Os generais, Paulo Sérgio à frente, estão prontinhos para bancar um golpe nas eleições de outubro, com o objetivo de manter o Lobisomem no Palácio do Planalto.* 

 

Como todo crime, o golpe somente será possível com a combinação de motivos, meios e oportunidade.

 

 *Motivos subjetivos* 

 

Nem só de pão com leite condensado vivem os militares. Uma das principais razões pelas quais os estrelados nutriram ressentimentos contra a falecida Nova República (1985-2016) se chama prestígio, ou a falta dele.

 

Em 21 anos de governos autoritários o Exército demonstrou eficiência em algumas poucas áreas, mais do que neutralizada pela incapacidade geral para administrar uma sociedade complexa, diversa e plural.

 

Com a redemocratização acabou-se o “Quartel Brasil” no qual um oficial inferior, psicótico e larápio, podia sonhar em ser presidente da República e eles voltaram para os quartéis do Brasil, porém sem nenhum aprendizado sobre a era de trevas que geraram.

 

 *Motivos objetivos* 

 

Muito se deve falar sobre o quanto o Monstro e seus filhinhos removem da administração pública quaisquer obstáculos às suas maracutaias. Acontece que a escola onde aprenderam a roubar e afastar fiscais foi a Ditadura de 1964-1985.

 

Hoje, além do próprio Lobisomem, pelo menos 36 generais recebem indevidamente acima do teto constitucional. 

 

É possível que este número seja ainda maior, somados dados sigilosos e a remuneração de outros oficiais superiores que ocupam cargos no governo fascista. Manter “isso aí”, via reeleição, passa a ser uma prioridade dos fardados.

 

 *Meios* 

 

É muito improvável que o golpe se dê com tanques nas ruas, salvo como literalmente cortina de fumaça a ser gerada por blindados obsoletos e porcamente mantidos.

 

O golpe seguirá o padrão da guerra híbrida, com estímulo a manifestações auriverdes pedindo intervenção militar, combinadas com intimidações às instituições, como as feitas por Villas Bôas em 2018, roteiro que se mostra eficaz desde 2013.

 

As instituições que funcionam normalmente? Não apenas nada fazem e nada farão, como colocaram o Partido Armado – óbvio concorrente no pleito eleitoral – para dentro do TSE.

 

 *Oportunidade* 

 

Machado de Assis sagazmente inverteu o dito popular para afirmar que o ladrão faz a ocasião. Nossos milicos esperam com a manipulação da opinião pública criar a oportunidade perfeita para o golpe.

 

Isso passa por desacreditar a urna eletrônica e a apuração. Não é por incompreensão que os generais fazem ao TSE indagações descabidas e ineptas. É por mal dissimulada má fé.

 

Combinando-se as falsas dúvidas sobre a votação e apuração, com a já desenhada proximidade de desempenho entre Lula e o Lobisomem, estará dada a oportunidade de mais uma quartelada contra o Brasil.

 

 *Incompetência* 

 

Descartadas a má fé golpista em prol do Lobisomem e dos próprios bolsos, e a inconstitucionalidade da atuação militar na apuração de votos, a incompetência de nosso Exército já desaconselharia seu emprego como “guardião eleitoral”.

 

Basta lembrar da gigantesca compra da inútil ivermectina, da omissão quanto a vacinas e da falta de oxigênio em Manaus. Isso para não falar de viagra, próteses penianas e lubrificantes íntimos.

 

Com tal histórico, uma eventual apuração eleitoral verde-oliva seria capaz de apontar o Macaco Tião como próximo presidente do Brasil, apesar do chimpanzé não ser candidato e ter morrido há quase 30 anos. 

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sábado, 23 de abril de 2022

ONDE ESTÁ CARLOS LANZ? * Comissão de Busca e Libertação de Carlos Lanz / Venezuela

ONDE ESTÁ CARLOS LANZ?
República Bolivariana da Venezuela

Comissão de Busca e Libertação de Carlos Lanz

CARLOS LANZ E TODAS AS MÃOS AO SEMEAR


O dia 15 de abril de 2022 marca o 13º aniversário da ativação oficial do Programa Todos las Manos a la Siembra, conforme evidenciado no calendário institucional do Ministério do Poder Popular pela Educação.

O referido Programa foi idealizado e promovido militantemente pelo nosso camarada Carlos Lanz, que, até hoje, está ilegalmente privado de sua liberdade há 20 meses por setores inimigos da Revolução Bolivariana.

É no mínimo paradoxal que, por um lado, estejamos exultantes com a celebração do Programa e, por outro, sejamos tomados por um profundo sentimento de indignação pela atitude desleal e cúmplice do público competente autoridades em matéria de investigação criminal que, no seu conjunto, optaram por silenciar o processo; deixar de investigar com a exaustividade necessária para identificar os mandantes e autores de um crime tão hediondo; enfim, por facilitar as condições para o estabelecimento, mais uma vez, da impunidade diante do uso do desaparecimento forçado como medida ou recurso contra a insurgência popular e revolucionária.



A Venezuela vive tempos de paradoxos e profundas inconsistências, porque as contradições em que nos movemos como grupo social são óbvias.

Com efeito, a título de exemplo, deve-se notar que enquanto se fala em Revolução Judicial, um grupo de trabalhadores permanece preso e submetido a processos judiciais em que seus direitos humanos mais básicos são violados, enquanto Guaidó e a quadrilha de criminosos ao serviço das políticas imperialistas dos governos dos EUA, gozam das mais amplas liberdades sem limitação e pressão, apesar de serem responsáveis ​​pela perpetração de crimes graves contra a Nação.

A Comissão de Busca e Libertação de Carlos Lanz tem plena consciência da complexa, contraditória e difícil realidade em que se desenvolve o país, no quadro da convulsiva situação mundial em que vivemos.

Assim, todos os seus esforços visam resgatar Carlos Lanz são e salvo, pois uma vitória nesta batalha supõe e representa uma contribuição significativa para o fortalecimento e desenvolvimento do Estado Democrático e Social de Direito e Justiça em que a Venezuela foi constituída em 1999, desde tal vitória implicaria uma derrota para aqueles que ocupam altos cargos dentro do Estado, propiciaria a não observância e minar o mandato popular contido na atual Constituição.

Em suma, libertar Carlos Lanz das garras de seus captores constitui uma contribuição decisiva no modo de revelar uma das muitas contradições que nos afligem atualmente, vale dizer, a existência de compatriotas realizando em nome e representação do Partido Bolivariano Revolução altas responsabilidades do Estado, enquanto com seu comportamento negam e contradizem as razões e propósitos que animam a revolução.



O Comitê participa de todas as atividades e eventos que são planejados e realizados para celebrar o Programa Todas as Mãos ao Plantar, apesar do paradoxo que poderia representar o fato de seu idealizador e promotor não poder participar deles, uma vez que setores contrarrevolucionários e um Estado que omite o cumprimento de suas obrigações não o permite, por enquanto.

Devemos redobrar nosso trabalho para elevar os níveis de articulação e organização popular; promover e desenvolver a luta pela concretização e defesa dos direitos que o povo venezuelano se conferiu ao aprovar a Constituição vigente por maioria; denunciar, protestar e enfrentar energicamente nas ruas tudo o que representa e implica ignorância e violação do nosso ordenamento jurídico institucional; em suma, aumentar as capacidades combativas da classe trabalhadora e de outros setores oprimidos e explorados da nação com base no processo de construção socialista.

Em consideração ao exposto, a Comissão de Busca e Libertação de Carlos Lanz,

CONCORDAR:

PRIMEIRO: No âmbito da celebração do décimo terceiro (13) aniversário do Programa Todos las Manos a la Siembra, executar nesta segunda-feira, 18 de abril de 2022, uma Ação Simultânea Nacional para reivindicar sua relevância educacional, social, econômica e política, nesse contexto, ratificar e aprofundar a luta que visa exigir que as autoridades competentes do Estado cumpram sua obrigação de investigar exaustivamente a situação atual do camarada Carlos Lanz, que, como foi dito, é o idealizador do Programa Todas as Mãos ao semente.



Esta Ação Nacional Simultânea consistirá em realizar, entre outras, as seguintes atividades:

1.- Às 8 horas da manhã transmissão simultânea da leitura deste comunicado pelas Rádios Comunitárias, Livres e Alternativas que venham a aderir a esta ação. No entanto, não é negado ou excluído que outras rádios, no âmbito da referida celebração, transmitam materiais alusivos ao referido Programa e a Carlos Lanz em horário diferente do pré-indicado.

2.- Divulgar por todos os meios, especialmente através de plataformas digitais, vídeos que exibam ou tornem visíveis as experiências agroecológicas inscritas na motivação, abordagens e propósitos perseguidos pelo Programa Todas as Mãos para Plantar. Nesse sentido, para reconhecer publicamente o ideólogo do referido Programa, vale dizer, o Professor Carlos Lanz, bem como todo o pessoal do Ministério do Poder Popular para a Educação que, superando todas as adversidades com seu esforço altruísta, conseguiram preservar Ativo o Programa como dinâmica pedagógica efetiva para a formação humana e como prática revolucionária destinada a alcançar a soberania alimentar.

3.- Tweet Nacional às 19h, com a seguinte etiqueta:
CarlosLanzYTodasLasManosAlaSiembra

Consequentemente, todas as organizações membros do Campo Popular e Revolucionário são convidadas a participar da referida atividade de propaganda. Da mesma forma, todos os povos progressistas, democráticos, patrióticos e revolucionários que decidam se juntar ao Tuitazo Nacional são bem-vindos.



SEGUNDA: Participar de todas as atividades que, em comemoração aos 13 anos do Programa Mãos para Plantar, sejam planejadas e executadas pelas diferentes dependências constitutivas do Ministério do Poder Popular para a Educação e, em geral, qualquer organização ou entidade que toma a iniciativa de celebrar este evento.

TERCEIRO: Reconhecer publicamente o esforço e perseverança demonstrados ao longo dos anos pelo pessoal do Programa Mãos de Obra do Ministério do Poder Popular para a Educação. Nesse sentido, instam as autoridades do referido gabinete ministerial a ditarem as medidas necessárias para assegurar a sua consolidação, fortalecimento e expansão.

QUARTO: Saudar a atitude solidária e militante das Rádios Comunitárias, Livres e Alternativas que manifestaram a sua vontade de participar na referida transmissão simultânea, com a qual ratificam o cumprimento do seu dever de informar, comunicar, formar valores e promover a organização e luta pelo engrandecimento da Pátria Bolivariana.

QUINTO: Convidar todas as organizações e pessoas que estão desenvolvendo atividades agroecológicas a gravar vídeos sobre essas experiências para divulgá-las no âmbito da Ação Simultânea Nacional que será realizada por ocasião da celebração do 13º aniversário do All Hands to Planting Programa e como requisito às autoridades públicas competentes que realizem todas as ações pertinentes a fim de resgatar o professor Carlos Lanz são e salvo.



CARLOS ESTÁ VIVO E VAMOS RESGATÁ-LO

PARA COMBATER A INJUSTIÇA E A IMPUNIDADE NAS RUAS

COM CARLOS LANCEI TODAS AS MÃOS À SEMEADURA

FLORES VERMELHAS, PUNHO LEVANTADO, QUEREMOS CARLOS LANZ SEGURO E SEGURO

CHAVEZ VIVE, A LUTA CONTINUA!

Entre em contato e corra.

Assinou na Venezuela, em 15 de abril de 2022, a Coordenação Nacional do COMITÊ DE BUSCA E LIBERAÇÃO DE CARLOS LANZ.

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sábado, 2 de abril de 2022

COMO IDENTIFICAR OS SINAIS DO FASCISMO * Dr Wladimir Tadeu Baptista Soares Cambuci/Niterói - RJ

COMO IDENTIFICAR OS SINAIS DO FASCISMO


PRECISAMOS FALAR SOBRE ISTO

VOCÊ PODE ESTAR APOIANDO ALGUÉM QUE SEJA, SEM SE DAR CONTA DESSA ARMADILHA


Fascismo, originalmente, um regime de cunho ideológico estabelecido pelo ditador Benito Mussolini na Itália da década de 1920, que valoriza ideais de Nação e raça, em detrimento dos valores individuais, e é representado por um líder autoritário. 

Umberto Eco identifica algumas de suas características:

1- o culto da tradição;

Como consequência, não pode existir avanço do saber. A verdade já foi anunciada de uma vez por todas, é só podemos continuar a interpretar sua obscura mensagem.

2- a recusa da modernidade;

O iluminismo e a idade da razão são vistos como o início da depravação moderna. 

3- ação pela ação; 

A ação é bela em si e, portanto, deve ser realizada antes de e sem nenhuma reflexão. "As Universidades são um ninho de comunistas" (Goebbels). Pensar é uma forma de castração. Por isso, a cultura é suspeita na medida em que é identificada com atitudes críticas. 

4- o desacordo é traição;

O espírito crítico opera distinções, é distinguir é um sinal de modernidade. 

O desacordo é, além disso, um sinal de diversidade.

5- o fascismo é racista por definição;

O primeiro apelo de um movimentos fascista ou que está se tornando fascista é contra os intrusos. 

6- o fascismo provém da frustração individual ou social;

Isso explica por que uma das características típicas dos fascismos históricos tem sido o apelo às classes médias frustradas, desvalorizadas por alguma crise econômica ou humilhação política, assustadas pela pressão dos grupos sociais subalternos. 

7- nacionalismo;

Na raiz da psicologia fascista está a obsessão da conspiração, possivelmente internacional.

O modo mais fácil de fazer emergir uma conspiração é fazer apelo à xenofobia. 

8- há sempre um inimigo;

Os adeptos precisam ser convencidos de que podem derrotar o inimigo. 

9- não há luta pela vida, mas antes vida para a luta;

A partir do momento em que os inimigos podem é devem ser derrotados, tem que haver uma batalha final, depois da qual o movimento assumirá o controle do mundo. 

10- desprezo pelos fracos;

O elitismo é um aspecto típico de qualquer ideologia reacionária, enquanto fundamentalmente aristocrática.

Os membros do partido são os melhores cidadãos. 

11- cada um é educado para tornar-se um herói;

O heroísmo é a norma.

O herói fascista espera impacientemente pela morte. Porém, sua impaciência provoca com maior frequência a morte dos outros. 

12- o fascista transfere sua vontade de poder para questões sexuais;

Estaé a origem de seu machismo (que implica desdém pelas mulheres e uma condenação intolerante de hábitos sexuais não conformistas, da castidade à homossexualidade).

13- o fascismo baseia-se em um populismo qualitativo.;

Os indivíduos enquanto indivíduos não têm direitos.

O povo é concebido como uma qualidade, uma entidade monolítica que exprime a vontade comum. 

Como nenhuma quantidade de seres humanos pode ter uma vontade comum, o se apresenta como seu intérprete.

O povo é, assim, apenas uma ficção teatral. 

14- o fascismo fala a "novalíngua";


Todos os textos escolares fascistas se baseam em um léxico pobre e em uma sintaxe elementar, com o fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico. 


Sobre o Fascismo, Jason Stanley acrescenta outras características:


15- ideia de reviver um passado mítico e glorioso;

16- o uso de propaganda para distorcer e minar conceitos e instituições democráticas (tendo como pretexto o combate à corrupção);

17- ataques a universidades e intelectuais;

18- uma forte noção de hierarquia;

19- a política da lei e da ordem baseada na ideia de grupos minoritários criminosos;

20- valorização do "trabalho duro" em prejuízo de sistemas de bem-estar social.


Tais mecanismos apoiam-se uns aos outros simbioticamente, criando e reforçando divisões, ao mesmo tempo em que minam os pilares da democracia, que poderiam conter a ascensão totalitária. 

A história nos mostra o imenso perigo de subestimar o poder cumulativo dessas táticas, que deixam a sociedade cada vez mais vulnerável aos apelos da liderança autoritária. 


Segundo Madeleine Albright, primeira mulher a assumir o cargo de Secretaria de Estado nos EUA, durante o governo do Presidente americano Bill Clinton, 

"Um fascista é alguém que diz falar por uma nação ou um grupo, não se preocupa com os direitos dos outros, e está sempre disposto a usar de violência ou qualquer outros meios necessários para atingir seus objetivos. Hoje o fascismo é a maior ameaça à paz internacional desde a Segunda Guerra Mundial. Em muitos países, aspectos culturais, econômicos e tecnológicos estão enfraquecendo o centro político e fortalecendo extremistas de direita e de esquerda".


Segundo Jason Stanley, 

"A política fascista atrai seu público com a tentação de se libertar de normas democráticas, mascarando o fato de que a alternativa proposta não é uma forma de liberdade que possa sustentar um Estado-nação estável e dificilmente garantirá a liberdade. Um conflito étnico, religioso, racial ou nacional entre "nós" e "eles" que tenha suas bases no Estado não tem como continuar estável por muito tempo".


Fascismo é incompatível com Democracia e com República.

Fascismo é incompatível com os direitos humanos. 

Fascismo é incompatível com liberdade de imprensa e liberdade de expressão. 

Fascismo é incompatível com transparência.

Fascismo ressignifica o "controle social", de modo que, em um Estado Fascista, controle social diz respeito ao rígido controle do Estado sobre o cidadão enquanto indivíduo e sobre a sociedade.

Fascismo é incompatível com a dignidade da pessoa humana.

Fascismo é incompatível com fraternidade e igualdade. 

Fascismo é incompatível com o Estado de Bem-estar Social. 

Fascismo é incompatível com a serenidade. 

Fascismo é sempre fascismo, e nada mais.


Wladimir Tadeu Baptista Soares 

Cambuci/Niterói - RJ 

Nordestino

wladuff.huap@gmail.com 

Advogado 

Médico e Professor de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense - UFF 

Residência Médica em Clínica Médica (HUAP/UFF)

Especialização em Medicina do Trabalho (UFF)

Especialização em Direito Processual Civil (UFF)

Pesquisador do Instituto Gilvan Hansen 

Ex-Chefe do Serviço de Emergência do Hospital Universitário Antônio Pedro (UFF)

Membro associado da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia  (ABJD) e da Associação Brasileira de Médicos e Médicas pela Democracia (ABMMD)

Mestre, Doutor

Escritor, poeta, compositor

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terça-feira, 15 de março de 2022

Marielle: Um Corpo Poético * Itaguary / SP

 Marielle: Um Corpo Poético

Hoje nesse dia do poeta

É tão difícil sair palavras

Os poetas sabem do que estou falando

Pois, cada poeta até pode escrever algumas letras sobre a própria poesia, a dor, a saudade, as cidades, as águas e a solidão das multidões.


Hoje nesse dia do poeta a personagem que me acompanhou foi Marielle

Ela está presente em tantas utopias, lutas, projetos e vidas.

Cada poeta pode desvelar o fascínio e os mistérios do cair da noite.


Marielle colocou seu corpo como poema revolucionário que ultrapassou o seu território, seu corpo poético se faz onipresença na organização das mulheres pretas e nas lutas cotidianas contra as forças da morte.


Hoje nesse dia do poeta 

Ecoa por todo o país, o grito e a indignação de Marielle diante da barbárie contra os pobres e excluídos com fome e sem teto, contra mulheres, contra lgbtqi +, contra jovens pretos presos ou mortos, quem disse que Marielle foi calada ou silenciada para sempre? Marielle continua viva através de seu corpo poético em cada mulher que se levanta contra as milícias, o patriarcado e o neoliberalismo maldito.


Hoje nesse dia do poeta a própria poética das ruas, praças, movimentos sociais e direitos humanos pergunta quem mandou matar Marielle?


Mas Marielle se manifesta hoje via o seu corpo poético em todos os territórios que lutam por justiça, paz, dignidade, feminismos e liberdade porque o sistema vida e da verdade se faz tempo presente na ética da história e do amor.


Itaguary 


São Paulo, 14 de março de 2022.


Para minha mana Helena Lima que desde cedo trouxe a poética da Marielle.

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VÍDEOS



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