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quinta-feira, 3 de agosto de 2023

QUANTO RENDE CADA CHACINA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

QUANTO RENDE CADA CHACINA
Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

A CHACINA DO GUARUJÁ
LUIS FELIPE MIGUEL

Violentas e corruptas, as polícias são singularmente incompetentes em desempenhar as tarefas às quais seriam destinadas

O governo paulista reconheceu 8 mortos, embora se fale em 10, 12 ou mesmo 19. Familiares das vítimas apontam sinais de tortura e execução. Mas Tarcísio de Freitas já se antecipou: “não houve excesso”. Também declarou estar “extremamente satisfeito com a ação da polícia”.

A Rota empreendeu a operação como vingança pela morte de um soldado. A imprensa noticiou que os policiais teriam ameaçado assassinar pelo menos 60 moradores como represália.

É o modus operandi da Rota – em 2015, promoveu uma chacina com 23 mortos para vingar as mortes de um PM e de um guarda civil municipal. Só que esse tipo de ação é coisa de bandos mafiosos, não de força policial.

Por mais justa que seja a indignação pela perda de um colega, a polícia existe para proteger a população e para identificar e prender criminosos, não para promover banhos de sangue.

Ainda que os “suspeitos” fossem todos realmente suspeitos, a violência policial não seria justificada. Mas, como todos sabem, nem isso são.

Há mais de 50 anos, a Rota é sinônimo de truculência. Suas vítimas são contadas na casa dos milhares. Mas sua diferença em relação ao padrão médio das polícias brasileiras é de quantidade, não de qualidade.

(Outro dia vi um vídeo de humor, não lembro a fonte, em que dois estrangeiros se submetem a um quiz para saber o quanto conhecem do Brasil. Uma das perguntas é “Qual é a gangue mais violenta das cidades brasileiras?” A resposta correta é “Polícia Militar”. Humorístico, mas tristemente preciso.)

Para a extrema direita, a violência policial é um valor a ser preservado. A chacina no Guarujá não é suficiente: a bancada da bala quer carta branca para matar. Pedem a retirada das câmeras dos uniformes.

Violentas e corruptas, as polícias são singularmente incompetentes em desempenhar as tarefas às quais seriam destinadas. Num círculo vicioso particularmente perverso, a falência da segurança pública turbina discursos favoráveis à violência policial. A mesma população que corre o risco de ser morta pela polícia é levada a aplaudir seus excessos.

O discurso cínico de Tarcísio de Freitas não é impensado. Ele sabe a que público está agradando quando avaliza a chacina do Guarujá.

*Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de Democracia na periferia capitalista: impasses do Brasil (Autêntica).
FONTE
CHACINA DO GUARUJÁ
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A CHCINA DA VILA CRUZEIRO
CHACINA DO GUARUJÁ
JAIR GALVÃO
&
A VIOLÊNCIA POLICIAL COMO NATUREZA DO ESTADO CAPITALISTA
*

sábado, 7 de maio de 2022

O QUE É O NARCOGARIMPO E COMO ELE ATINGE OS INDÍGENAS * Nexo Jornal

O QUE É O NARCOGARIMPO E COMO ELE ATINGE OS INDÍGENAS

O avanço desordenado do garimpo ilegal na terra indígena Yanomami documentado pelo relatório “Yanomami sob Ataque!”, divulgado na segunda-feira (11) pela Hutukara Associação Yanomami com apoio do ISA (Instituto Socioambiental), revela uma nova dinâmica: o envolvimento de chefes do tráfico de drogas na atividade.

A VOZ DA AMAZÔNIA

Segundo o relatório, agentes do PCC (Primeiro Comando da Capital), uma das maiores organizações criminosas no Brasil, vem assumindo o comando das atividades de exploração de ouro. O narcogarimpo também permitiu a formação de estruturas mais bem equipadas, com armas e abordagens mais violentas aos indígenas.

3.272

hectares de destruição pelo garimpo ilegal foram registrados até dezembro de 2021. A área é três vezes maior do que a detectada em 2018

Localizada na fronteira com a Venezuela, a reserva Yanomami é a maior do país. Ela foi demarcada em 1992, há três décadas, com área que equivale ao território de Portugal, e vem sendo palco de duas discussões centrais no Brasil: o avanço do garimpo ilegal e a ausência do Estado para socorrer essas comunidades.

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